História Dente de Leão - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Comedia, Drama, Original, Revelaçoes, Romance, Suspense, Yaoi
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Bishounen, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Fluffy, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Suspense
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Diga Adeus.


                _ Ethan! O que você vai ser quando crescer?

                _ Hum... – Pensava olhando para o céu azul. O céu era lindo e sempre foi, - Eu quero ser piloto de avião!

                _ P-Piloto? Por quê?

                _ Eu gosto de aviões e o céu é muito bonito! Eu quero ficar olhando pra ele e pras nuvens o dia inteiro!

                _ Entendi... – Dan aparentava estar um pouco desanimado.

                _ E você, Dan? – Sorri.

                _ E-Eu? Eu... – pensava, - Eu quero ser um piloto de avião com você, Ethan!

                _ Então vamos ser pilotos de avião juntos! – comemorava, - Eu posso ser o capitão e você o co-piloto! Nós vamos viajar pelo mundo inteiro e talvez até participar de guerras! – Meus olhos brilhavam, era um menino afinal.

                _ Guerras?! – Dan se assustava.

                _ Não se preocupe Dan. Se você estiver comigo, eu vou te proteger! – Sorria ainda mais com os braços estendidos para abraçar meu amigo.

                O rosto de Dan estava levemente vermelho, acho que nós havíamos brincado de mais ou era efeito do sol.

                O céu azul era lindo... E eu também não entendia o porquê da sua beleza mudar tão repentinamente.

O céu continuava o mesmo, mas depois daquilo, algo estava faltando. Não era mais a mesma coisa.

                Mesmo que não houvesse nuvens, mesmo que não chovesse, mesmo que ele estivesse cheio de estrelas, aquilo não importava mais.

                Eu acho que não queria mais ser piloto de avião...

                Eu não quero me lembrar.

                Eu me recuso a lembrar.

...           

_ Dizem que essas plantinhas realizam desejos! Você consegue acreditar nisso, Ethan? – Agatha me perguntava em meio a risos, - É tão ridículo! Só um idiota pra cair nessa!

Agora observava aquelas flores com extrema atenção, acho que meus olhos brilhavam. Estava fascinado.

Uma flor capaz de realizar desejos? Isso era tudo que nós precisávamos!

                _ Ethan...?

                Corri em direção as flores, elas estavam sob a sombra de uma grande árvore. Foi naquela mesma árvore que Dan e eu brincamos tantas vezes. Nós sempre nos encontrávamos por lá e fazíamos planos para o futuro.

                Aqueles tempos eram bons.

                E eu queria que eles se repetissem.

                Eu não queria correr o risco de perder minha única oportunidade de brincar com ele novamente.

                Me agachei no chão e assoprei todas as flores daquela espécie que estavam naquele cantinho frio.

                Era muito bonito.

                Cada semente alva daquela flor voava pelos ares. Cada uma indo para uma direção diferente.

                Algumas caiam próximas a flor de sua origem.

                Outras simplesmente iam em direção ao céu e se deixavam levar pelo vento.

                No fim, todas chegariam ao chão. Mas algumas brotariam e iriam se tornar a mesma flor que as originou.

Um dente-de-leão.

                E o ciclo se repetiria.

                Cada semente daquelas carregava o meu pedido.

                E uma daquelas sementes o realizaria... Não é?

                Não.

                _ E-Ethan! Vem aqui agora e deixa de ser idiota!

                _ Será que vai dar certo?

                _ Vai dar certo o quê, menino? – Perguntava enquanto vinha em minha direção.

                _ Eu pedi pra que o Dan melhorasse rápido! – Sorria, - Meu desejo vai se tornar realidade, não vai?

                _ Ethan...

                _ Por que essa cara? Você tá triste? Eu fiz alguma coisa de errado? – Perguntei confuso.

                _ Não... Você não fez nada de errado...

                Na época eu não sabia o motivo, mas sempre que eu falava do Dan as pessoas pareciam ficar tristes.

                E eu não entendia o porquê ainda.

                No começo, quando fiz amizade com o Dan todos estavam felizes.

                Dan trazia alegria às pessoas, e parecia trazer felicidade principalmente para mim.

                Até minha mãe e Agatha diziam que eu parecia estar mais animado.

                Nós brincávamos todos os dias, íamos para casa um do outro, passávamos horas conversando...

                Mas isso está no passado agora, foi tão difícil ignorar as lembranças... Não deveria ficar relembrando de coisas que nunca mais vão acontecer.

                _ Olha, vamos fazer o seguinte... - Agatha disse agachando-se para ficar da mesma altura que eu, - Vamos levar as flores que sobraram para a horta da vovó. Você vai poder ter um montão delas lá. – Sorriu.

                _ E eu vou poder desejar todos os dias para que o Dan melhore?

                Calou-se por alguns instantes para responder.

                _ Claro...

...

                Levamos algumas flores para a casa da minha avó. Elas ainda estavam amarelas e logo chegariam ao seu auge.

                Minha avó disse que a melhor época para aquelas flores era o verão e que elas deveriam ficar nas sombras. O que era de certa forma, irônico, pois algumas regiões consideravam o dente-de-leão como uma representação do sol.

                Era como se eles representassem o sol iluminando a escuridão, talvez...

                Na primeira vez que um deles brotou, desejei que Dan melhorasse depressa.

                Para o segundo que brotou, desejei que os médicos descobrissem logo a cura para a sua doença.

                Para o terceiro, pedi para que nós pudéssemos brincar novamente.

                Para o quarto, que eu pudesse conversar com ele de novo como nos velhos tempos.

                Para o quinto, que eu pelo menos pudesse vê-lo pela última vez.

                Apenas o quinto dente-de-leão realizou o meu desejo. Mas eu cresci e percebi que aquilo foi pura sorte... Levei ele para o Dan como presente.

                No sexto, desejei que tudo fosse um pesadelo. Que eu acordasse logo e Dan estivesse do meu lado, calmo e seguro.

                No sétimo desejei um milagre.

                No oitavo desejei que eu pudesse vê-lo algum dia.

                No nono pedi para que pelo menos pudesse sonhar com ele.

                No décimo pedi para que tudo fosse uma pegadinha, mentira de primeiro de abril.

                No décimo primeiro para que os médicos estivessem enganados.

                No décimo segundo que eu pudesse me despedir dele a tempo.

                No décimo terceiro que nós trocássemos de lugar. Que fosse eu quem estivesse naquele hospital.

                No décimo quarto implorei para que Dan pudesse ter um sonho bom pela última vez.

                Seria muito pedir para que eu também estivesse nesse sonho?

                Parece que este último dente-de-leão realizou o meu pedido, dá última vez que o vi ele estava sorrindo.

                Todos nós estávamos chorando, mas ele estava sorrindo.

                Eu, vestido de preto e com minhas lágrimas geladas.

                E ele, com seu terno branco e pele fria.

                Se você pudesse abrir os olhos, veria que o céu estava belo naquela noite.

                Eu coloquei um dente-de-leão em meio a sua coroa de flores.

                E desejei que se a reencarnação existisse, pudesse te reencontrar algum dia.

                Ou que eu possa te rever no céu.

                A sua mãe não estava mais brava, ela até me abraçou e pediu desculpas..

                Não vou dizer que ela chorou, porque não quero que você se sinta triste por ela.

                Eu também “não” chorei.

                A água que havia em minhas bochechas era efeito da chuva, espera... Não choveu naquela noite.

                Eu acho que finalmente entendi o que você quis dizer quando disse que gostava de mim.

                Desculpe, eu sou lento.

                 E você se foi tão rápido.

                 Você me prometeu tantas coisas... Tudo bem, eu entendo você não ter as realizado.

                 Mas eu queria que, pelo menos, você me deixasse realizar as promessas que te fiz.

                 Eu só fui perceber que gostava de você quando não tinha mais tempo.

                 Deveria ter criado uma máquina do tempo ao invés de plantar flores para fazer pedidos tolos.

                 Eu voltaria no tempo e seria sincero com você.

                 Eu não te odeio por ter nos deixado. Nós sabemos que você tentou ficar o máximo que pôde.

                 Obrigado por tudo.


Notas Finais


não vou dizer nada dessa vez, o silêncio falará mais alto.


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