História Depersonalization Syndrome - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Personagens Castiel
Tags Amelia, Amiel, Castiel
Visualizações 245
Palavras 1.340
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Primeiramente desculpa a demora, em segundo lugar, perdão por ter enrolado pra postar. Bom, obrigada por todo esse carinho incrivel. Por esse apoio mais do que especial. Eu amo vocês. Boa leitura!

Capítulo 2 - Grandma's Friend


Fanfic / Fanfiction Depersonalization Syndrome - Capítulo 2 - Grandma's Friend

Mais uma vez vamos fingir que a vida é uma substância sólida, com a forma de um globo, que giramos entre nossos dedos. Vamos fingir que somos capazes de escrever uma história simples e lógica. – Virginia Woolf
 

 

Quando eu era mais nova e fazia aula de natação na escola, eu não chorava na beira da piscina como as outras crianças da minha idade porque não tinha medo de me afogar. Claro, eu não queria me afogar – não queria morrer –, mas para mim a morte não era o fim. Lembro-me de como ficava empolgada, esperando a minha vez de mergulhar naquele imenso mundo azul. Lembro-me de que eu era a única criança sorrindo. 

 

Eu me perguntei durante muito tempo se não deveria ter previsto isso. Se não deveria ter sido mais observadora, mais esperta, mais sensível às sutis mudanças de humor. As diferenças entre as outras crianças e eu.  Assim, talvez tivesse percebido que  tinha um transtorno e procuraria um tratamento mais cedo. Mas a verdade é que talvez se eu tivesse percebido isso antes, não seria o que sou hoje. Gosto de pensar que talvez existam coisas que simplesmente não podem ser explicadas, que talvez, quando várias coisas ruins acontecem, coisas boas vêm logo em seguida. 

 

Ter transtorno de despersonalização significa nunca se adaptar perfeitamente a ninguém. Não que isso seja uma coisa ruim. Mas quando tudo o que você quer é funcionar como um ser humano normal, não se adaptar só torna os seus problemas mil vezes maiores. No ano passado, eu era antissocial, estava deprimida e sempre tinha pensamentos negativos. A vida continuava a passar por mim, mas eu não me envolvia muito com nada. Eu apenas assistia às pessoas fazendo todas as coisas que eu achava que deveria estar fazendo. Aquelas coisas pareciam tão fáceis para elas, tipo associar-se a algum clube ou encenar em peças de teatro na escola. Mas sempre me pareceu meio fingido isso de tentar me adaptar aos outros do mesmo modo que os adolescentes normais. 

 

— Pode me passar o ramo de cravos, querida? — vovó me perguntou, na outra extremidade da bancada em que estamos arrumando as flores. Minha avó é florista. Ela tem uma floricultura na cidade, a Garden Roses, mas também trabalha em casa. Por isso temos uma estufa enorme no quintal. Às vezes eu a ajudo com alguma atividade onde não há risco de estragar um arranjo em que ela está trabalhando, coisas como separar as flores.

 

— Ficou lindo. — falei, indicando o arranjo que ela acabara de fazer. 

 

 

— Como eu imaginava que ficaria.

 

Adoro ajudar minha avó. Toda vez que estamos trabalhando num arranjo qualquer, simplesmente me concentro naquilo que estamos fazendo e consigo controlar minhas crises. Isso faz parte da terapia comportamental cognitiva que aprendi com a minha psicóloga. Sempre que eu estiver me sentindo um pouco fora de mim, sentindo que estou flutuando lentamente para longe. Tenho sempre que procurar algo em que me agarrar para não me perder. Devo fazer algo para redirecionar minhas energias até conseguir relaxar.

 

 

— Bom. Você já pode ir fazer suas coisinhas. — vovó falou, ajeitando o arranjo de cravos na prateleira.

 

 

— Tem certeza, vovó? — perguntei.

 

 

— Tenho querida. Não precisa se preocupar, ficarei bem sozinha. — as jóias que usava no pulso tiniam quando ela gesticulava ao falar. — Agora vá. 

 

***

 

Há um carvalho enorme no terreno da sra. McLean, minha vizinha e melhor amiga da minha avó, no qual eu sempre subo, o mais alto que consigo, e me reclino no tronco morno e robusto. Fico ali, observando o arco que a lua descreve ao percorrer o céu e ouvindo o guizalhar dos grilos, ou o farfalhar das folhas do carvalho, ou o canto abafado de uma coruja, sempre na companhia de um livro. 

 

 

Eu estava lendo Rumo ao Farol pela quinta vez em três semanas. Eu conhecia o livro praticamente de cor. Virginia Woolf era tipo minha heroína. Não só por ter entrado em um rio com pedras nos bolsos, mas porque era loucamente talentosa e fora quem ela quisera ser, por mais que o mundo lhe dissesse para ser diferente.
 

 

Enquanto estava lendo, de rabo de olho vi um garoto sentado na varanda da sra. McLean com um livro nas mãos. Seus cabelos eram longos — até demais. Pelo menos foi o que pensei antes de ele passar os dedos pelos fios avermelhados e eles caírem de volta perfeitamente. Ruborizei na hora. Continuei encarando-o tentando identificar o livro. Não consegui ver o título. Isso me frustrou um pouco, porque sempre que vejo alguém lendo um livro, tenho que ler o título.
 

 

Ele me viu observando, e quando ergueu o olhar para encarar meus olhos, abriu um largo sorriso. O que fez eu me sentir muito pequena. Então desviei meu olhar para o livro em meu colo e tentei me concentrar na leitura, colocando-o em frente do rosto.

 

— "Primeiro, o movimento da cor inundava a baía azul e o coração expandia-se com ele e o corpo nadava, para somente no instante seguinte ser reprimido e enregelado pela cortante escuridão das ondas inquietas."— citou ele.

 

Baixei o livro. Olhei para o garoto parado à alguns  centímetros da árvore, confusa. Seu sorriso desapareceu assim que reparou na minha confusão e uma expressão de desculpas invadiu seu rosto.

 

 

— Ai, foi mal. É que eu vi que você estava lendo...

 

— Rumo ao Farol.

 

Um dedo roçou seu lábio superior, e ele se aproximou ainda mais.

 

 

— É... Rumo ao Farol. Foi mal, não quis interromper você. — desculpou-se. Eu realmente não precisava de um pedido de desculpas. Estava feliz por descobrir que havia outras pessoas da minha idade que citavam Woolf. 

 

— Não. Você não me interrompeu. Eu... eu só fiquei surpresa por você saber Virginia de cor. Hoje em dia poucas pessoas apreciam um bom livro clássico.

 

 

Vi sua boca se abrir e abri a minha ao mesmo tempo. Então fechei rapidamente, querendo ouvir sua voz mais do que a minha.

 

— Posso subir? — perguntou ele. — Ou você prefere descer?

 


— Pode subir.

 

O garoto subiu rapidamente na árvore e sentou no galho ao meu lado. 

 

—  Vi que você estava lendo um livro. — comentei sem conseguir conter a minha curiosidade. — Qual era?

 

Ele sorriu de novo.

 

— O Apanhador no Campo de Centeio. É um ótimo livro. Você já leu? — perguntou ele.

 

Eu pisquei.

 

— Hã?

 

Ele riu e balançou a cabeça uma vez.

 

— Você já leu o livro?

 

— Ah — respondi, olhando para ele por tempo demais sem dizer nada. — Não. Eu ainda não li.

 

Ele ergueu uma sobrancelha, interessado na informação.

 

 

— Ah, é? Bem. — ele pegou o livro em seu lado e chegando mais para perto de mim. Um sorriso estampou seu rosto, e ele me estendeu o livro. — Pode ficar. Depois me diz o que achou. 

 

Olhei para sua mão e peguei o livro, em seguida, para seu rosto. 

 

— Obrigada.

 

— Castiel, preciso da sua ajuda aqui.— sra. McLean o chamou da varanda.

 

Ele suspirou de leve, mas seu sorriso se manteve.

 

— De nada. Foi um prazer conhecer você.

 

Pigarreei, sentindo meu coração bater contra as capas dos livros, e minha cabeça começou a girar. Meus pés exigiram que eu me levantasse, então saltei da árvore seguindo o Castiel. 

 

 

— Você é novo na cidade? 

 

 

Ele olhou para trás, para mim.

 

— Como você sabe?

 

Apontei para a casa da minha avó.

 

— Moro na casa ao lado, mas nunca te vi por aqui.

 

 

— Acabei de me mudar. Para cá. Sou novo na cidade. Irei passar um tempo com a minha avó. 

 

— Ah. — respondi apertando ainda mais os livros em meus braços. — Bem vindo. 

 

Ele balançou a cabeça e passou a mão pelo cabelo.

 

— Obrigado. — Ele começou a abrir possivelmente o sorriso mais gentil do mundo.— Não esqueça de me contar o que achou do livro. 

 

 

Ele levantou a mão para mim e sorriu quando se despediu. Então continuou caminhando até a sua casa.

 

— Tchau — sussurrei, vendo-o partir. Não desviei o olhar até que ele ficou muito, muito distante e entrou na casa. Baixei os olhos para o livro apertado nas minhas mãos e sorri. Ele ainda não conhece minha história. Começarei do zero novamente.


Notas Finais


Bom, vejo vocês nos comentários.
Beijão, e até lá.


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