História Depois da Escuridão - Capítulo 22


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Categorias Naruto
Personagens Akamaru, Anko Mitarashi, Asuma Sarutobi, Chouji Akimichi, Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hidan, Ino Yamanaka, Iruka Umino, Juugo, Karin, Kiba Inuzuka, Konan, Konohamaru, Kurama (Kyuubi), Kurenai Yuuhi, Maito Gai, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Pain, Personagens Originais, Rock Lee, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shino Aburame, Shizune, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju, Zetsu
Tags Drama, Fantasia Realista, Naruto, Romance
Exibições 88
Palavras 4.976
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Shounen, Survival, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 22 - Capítulo 22 - O que as Trevas Querem


Depois da Escuridão

Capítulo 22 - O que as Trevas Querem.

Hatake Kakashi

Eu tinha que me esforçar muito para continuar batalhando com Gai. Mesmo que conseguisse acompanhar seu movimento, o esforço necessário para qualquer movimento defensivo ou ofensivo carregava tanta carga psicológica que meus próprios movimentos ficavam mais lentos.

Depois de alguns segundos trocando socos, eu percebi que Hinata e Rock Lee estavam levemente feridos. Significava que Sai e Yamato estavam seguros de que as pessoas a quem encaravam eram inimigos. No caminho contrário, eu tinha certeza de que Shikamaru estava evitando a batalha, já que em momento algum efetuou qualquer contra-ataque em relação aos intensos golpes de ar que bagunçavam floresta, pouco distante de nós.

E o que mais afligia era a falta de tempo. Se demorássemos, podia ser que Konoha se mobilizasse para nos parar, agora obedecendo a ordens de Kougumaru – Ou Tenzo, não sei mais o que pensar exatamente.

Gai levanta a perna para dar outro chute. Esse passa raspando por meu abdômen. Mesmo sem contato, a pressão do golpe me faz recuar um metro. E, antes que eu desse por mim novamente, ele já liberava os portões.

-Merda… - Sussurrei.

Meu olho do sharingan estava fechado e eu não conseguia abri-lo. Enquanto desviava dos golpes, tentara por várias vezes abri-lo. Sem sucesso.

Pensava ainda em como conter a situação quando Gai avançou novamente.

Desviei do primeiro golpe sem precisar aumentar a velocidade porque a trajetória era óbvia. Porém, sem o sharingan, o elemento surpresa fez com que meu corpo pudesse agarrado de repente. E, no instante seguinte, eu estava no ar, virado de cabeça para baixo, girando rápido.

A lótus oculta. Agora não dava para fugir. Eu precisava acabar com aquilo e ainda ficar bem o bastante para ajudar Naruto depois.

Não importa o que vai acontecer. Eles já me tiraram o presente de Obito. Tentaram tirar minha honra quando me ofenderam e me trataram por verme. Estão usando um dos meus melhores amigos para tentar me manipular. Mataram dois membros do time 7 e, não satisfeitos, estão indo atrás do meu último aluno vivo. Se ainda não bastasse, estão manipulando a vila inteira somente para alcançar seu objetivo. Estão destruindo sistematicamente tudo aquilo que eu lutei a vida inteira para construir.

Não é hora de pensar em machucar Gai ou não. Se estivesse em sã consciência, ele pediria a mim que tomasse uma atitude.

-Desculpe, Gai. Mas eu não posso mais fingir que não preciso lutar.

Manobrei meu corpo no ar, recobrindo-o com chackra enquanto afrouxava o aperto de Gai sobre mim. Senti parte das faixas romper, dando alguma liberdade aos meus movimentos enquanto eu girava sobre meu eixo, substituindo Gai por mim e revertendo a lótus.

Era um golpe simples, não a lótus reforçada. Mas, de qualquer forma, quando nos chocamos contra o chão, quem recebeu o impacto foi ele.

 

Nara Shikamaru

Nunca pensei que algo assim aconteceria. Não comigo ou com ela. Não nós dois, um contra o outro. Era pior do que qualquer coisa que eu imaginasse.

Mesmo sabendo que as consequências apenas pioram conforme a luta se prolonguem, eu ainda não quero ter de lutar com ela. Mais que isso, eu não posso lutar com ela. É pedir demais.

Que culpa eu tenho se me apaixonei por ela?

-Temari! - Gritei, tentando acordá-la pela oitava vez. Novamente sem sucesso. Ela continua com o olhar vazio, o rosto expressando a falta de uma consciência.

Fecho meus olhos, sentindo a dor percorrer meu interior. Não era simples aguentar aquilo. Alguém estava controlando Temari, fazendo com que ela sofresse. Alguém fazia aquilo de propósito. Um ato imperdoável. Inaceitável.

-Devolvam… Devolvam a Temari!

Um grito para o vazio. Mas um grito de aviso. Jamais permitiria que alguém a controlasse.

Um pulo para o lado e finalmente alcanço o local que procurava desde o começo dessas batalhas. Emparelhado com Rock Lee. Temari se colocou à minha frente e Rock Lee me contornava, correndo de um lado para o outro e me limitando os movimentos.

Yamato, onde está você? Preciso que me ajude logo, ou terei que machucar Temari.

A resposta é quase imediata. Um monte de madeira cresceu ao meu redor, me cercando. Pensando que eu fugiria, Rock Lee pulou para dentro, pronto para me atacar. Temari preparou um ataque, mas eu já tinha feito um selo. O monte de madeira criado por Yamato aumentou exponencialmente o alcance das minhas sombras. Infelizmente, para aumentar o alcance e atingir dois inimigos de uma vez, eu tinha que forçar o jutsu ao limite. O que significava que não poderia atacar ninguém.

O jutsu funcionou. Estávamos os três paralisados.

-Agora, Yamato! Venha ajudar!

-Ajudar você? - Ele perguntou, chegando a um local dentro do meu campo de visão. - Você parece ter entendido algumas coisas erradas.

Eu não precisava de nova dica. Bastava ver os olhos dele.

-Você não tem apenas um oponente. - Ele falou, o olhar vazio e a voz metálica. - Desde o início, essa luta era de cinco contra três. Esse sempre foi o plano.

-Plano de quem? - Eu sabia a resposta, mas ainda assim queria ouvir a confirmação.

-Ora, de quem mais? - Por um momento eu poderia jurar ter visto um brilho vermelho em seus olhos. - O meu plano, de Uchiha Tenzo.

 

Uzumaki Naruto

Eu ainda tentava assimilar o que acontecia quando percebi um raio passando por meu corpo. Atrasado, corri para o lado. Outro raio passou exatamente no mesmo lugar. Meu corpo estava intacto. Só então percebi que previra o golpe antes dele me atingir. Senti a estranha sensação de prever um golpe com tamanha antecipação.

Senti imediatamente um repuxar em meu ombro. Olhei para ele.

-Então já chegou nesse ponto. - Falei ao ver a tatuagem se estendendo quase por todo o braço.

Depois de receber esses poderes de Sasuke, ficou claro para mim que ele apenas me escolhera porque eu era o mais próximo na ocasião. Eu não era o receptáculo ideal para tanto poder, mas por sorte ou por destino, era o melhor que ele poderia ter encontrado fora da sua própria família. Afinal, meu corpo estava mais acostumado que o corpo de outros shinobis a ter poderes estranhos abrigados pelo organismo. O sangue em minhas veias é do clã Uzumaki, um clã que sobreviveu por gerações e serviu de Jinchuuriki por eras. Eu queria lembrar, mas lamentava a falta das aulas com Iruka-sensei. Em algum momento ele mencionou a existência da anomalia ocular que tomava a minha família. Claro que, na época, eu não sabia que da extensão da árvore genealógica, caso contrário teria prestado mais atenção. Agora, tudo o que sei é que eu tenho um olho que prevê as coisas.

 

*adendo*

Coleção - Os Olhos Daqueles que Não Podem ser Vistos

Volume 3 - Doujutsus Menos Conhecidos

Capítulo 7 - Relatos

Subseção 2 - Família Uzumaki

Escrito Por Akemi Kayumi - Historiadora, Escritora e Kunoichi Aposentada.

Boa parte dos leitores dessa coletânea sobre Doujutsus (técnicas oculares shinobi) talvez tenham se surpreendido com o avanço da Vila Oculta da Folha em relação a outras vilas. Afinal, desde sua criação, o envolvimento com os Uchiha e posteriormente com os Hyuuga lhes permitiu grande fonte de conhecimento nas artes oculares.

Entretanto, outra família integrante da criação dessa vila e que dificilmente é lembrada pelos leigos, ninjas e mesmo por estudiosos dedicados é a família Uzumaki. Talvez pelo número reduzido de adeptos vivos e a possível extinção dessa técnica em algum momento 80 anos atrás. Entretanto, ainda vale a menção honrosa pela minha breve participação nessa distinta coleção.

Especializado em técnicas de selamento, o clã Uzumaki sempre será lembrado como líder da antiga aldeia de Uzushiogakure e uma das famílias fundadoras de Konohagakure. Seus integrantes, de força considerável, eram sempre treinados nas mais altas técnicas de fuinjutsu e talvez por isso não tenham seu espaço guardado ao lado dos Uchiha e dos Hyuuga. A diminuição abrupta através dos anos e o desaparecimento de seus integrantes, como já citado, são outros motivos pelos quais pesquisadores até hoje evitam sua menção.

Ocorre que, como exímios utilizadores de jutsus de selamento, em meio às batalhas e convívio ninja, tais shinobis e kunoichis iniciaram estudos dos olhos de inimigos mortos e tentaram a implementação de tais poderes em seus próprios corpos. Adaptados às técnicas antigas (e, diga-se de passagem, arcaicas) onde o selamento lhes obrigava a lidar com a energia trancafiada, por menor que fosse, com seus próprios corpos, os Uzumaki se encontraram em condições perfeitas para adaptar as técnicas e obter seus próprios “olhos”.

Foi assim que liderando uma pesquisa durante sua juventude, o grande líder Uzumaki Ichizoku descobriu um meio de mesclar o fuinjutsu com características próprias de uma linhagem sanguínea dos Uzumaki e, adicionando um pouco de chackra Uchiha, obteve o que foi chamado de “Olho Uzumaki”. Uma técnica ocular que transformava a íris em uma espiral monocromática e permitia ao usuário prever acontecimentos de um futuro próximo. Tal acontecia porque essa ramificação específica dos Uzumaki tinha em seu código genético ligação direta com Asura Otsutsuki, que foi capaz não somente de sentir a aura do oponente, mas também suas intenções e possíveis movimentos. Assim, com a sensibilidade extremada e o poder de selar em si o chackra Uchiha, uniu-se a técnica incipiente ao componente externo, tornando este último um catalisador que possibilitava a técnica de previsão dos momentos seguintes.

Um olho que prevê tudo. Não apenas a técnica ou o instante seguinte, mas literalmente prever os próximos movimentos do oponente. Uma forma de antecipação nunca antes vista.

Como se pode ver, a história sobre o surgimento do jutsu é mais conhecido do que os poderes do próprio doujutsu ou a própria implementação dele no corpo de um membro do clã, já que nenhum Uzumaki deixou escrito o que ou como era possível fazê-lo e o que restou foram relatos falados reunidos por lendas populares e poucos documentos sobre batalhas escritos por terceiros. O que se sabe é que o portador desse jutsu tem os poderes de Asura, Uchiha e Uzumaki ampliados, criando grande tensão corporal e gerando uma massa de poder considerável. Assim, prever as intenções do inimigo se transforma em ler o futuro (com a utilização dos poderes de Asura e Uchiha) e fazer o fuinjutsu de selar um jutsu ou uma invocação se transforma na capacidade de selar grandes bestas ou impedir grandes desastres com técnicas ninja (com a utilização dos poderes Uzumaki).

Descoberto antes da primeira grande guerra, era considerada uma forma de intimidação gigantesca, afinal, ninguém conseguia combater um Uzumaki em ninjutsu ou taijutsu quando esse poder era utilizado. Infelizmente, por conta da grande quantidade de chackra exigida e pelo desgaste corporal, o número já reduzido de descendentes de Asura era ainda mais reduzido para utilização desse jutsu. Muitos morreram por utilizá-lo demais e a maioria sequer conseguia ativá-lo. As pesquisas prosseguiram, mas a chegada da grande guerra e os grandes gastos necessários fizeram com que os estudos fossem abandonados e a técnica se tornasse uma lenda por aqueles que a vislumbraram nos campos de batalha (rendendo-lhe apelidos como “vórtex”, “olho do furacão”, “olho da morte” e “olho sereno”). Alguns livros sobre períodos de conflito chegam a mencioná-lo nas histórias de grandes batalhas, como “O Nascimento das Nações Shinobi - Niibe Kayumi”, “Crônicas do Período Sengoku - Hiroshi Ikeda” e “Morte em Tempos Ancestrais - Ken Yamazaki”.

A nós, resta o pequeno lembrete em meio a essa imensa coletânea sobre uma técnica extinta de um clã aos pedaços que vive em uma terra que não lhe pertence mais.

Observações Finais:

Para maiores informações sobre o Sharingan e o Byakugan, consulte o Volume 2 - Grandes Doujutsus, desta coleção.

Para maiores informações sobre o clã Uzumaki, uma boa indicação é o livro “Os Ninjas de Cabelos Vermelhos”, de Aiko Fugita.

Akemi Kayumi, além de colaboradora para esta coleção, é também escritora dos livros: “Pequenos clãs na era pré-vilarejo” e “Relatos da Segunda Grande Guerra”.

 

Subseção 3 - Ramificações do Kerryugan na família Chinoike.

*fim do adendo*

 

Uzumaki Naruto

Saber o que vai acontecer gera uma calma interior estranha. Quase artificial. É difícil admitir que a hesitação e o medo de sangue também traz uma falta de piedade do oponente. Aquela serenidade que me envolve me deixava calmo em tudo, então eu não tremia nem agia sem pensar. Mas o ódio ainda existia em meu interior.

-Vocês pagarão por tentar matar Ino.

Minha voz era calma e fria.

-Não teremos uma batalha tão fácil quanto eu esperava. - Mamori estava às costas de Gen. Mesmo se eu não prestasse atenção perceberia que ela ainda era mais forte que ele.

Desviei de um golpe antes mesmo que ele viesse, desacostumado com aquela habilidade. Depois, vi que Gen deu dois passos à frente e lançou um verdadeiro raio de energia em minha direção. Uma cópia do golpe que lancei contra Kougumaru, porém mais forte.

Desviei novamente e armei o contra-ataque enquanto ele ainda tentava dar o golpe original. Criei três bunshins e transformei um deles em shuriken. Os outros dois armaram um Rasen shuriken.

Gen avançou. Ou essa era a melhor expressão para dizer que ele se teletransportou na minha frente. Apesar de parecer que estava se movendo, era um jutsu de teletransporte, evidente para mim quando tive que assistir a mesma cena duas vezes (na previsão e na realidade). E, ainda que tivesse previsto, não tive tempo para reagir adequadamente. Enquanto desviava o golpe dele com a minha shuriken, a arma explodiu em uma bomba de fumaça e meu clone tentou atacá-lo com um golpe.

Embora não fosse tão rápido quanto tentasse parecer, Gen ainda tinha uma velocidade considerável, desviando propositalmente o golpe que receberia no rosto para que atingisse seu peito, usando apenas dois dedos para isso. Mesmo depois de ser atingido pela força do meu golpe, continuou em pé, empurrado apenas dois centímetros para trás apenas.

Aproveitei a abertura para lançar o Rasenshuriken. Enquanto um dos clones se lançava contra ele por cima de mim, o outro descarregava o que faltava de chackra no jutsu, indo para cima do inimigo com a intenção de afastá-lo para que eu não fosse atingido pela força do meu próprio golpe.

Estávamos a dez metros um do outro quando decidi que era o bastante. Ele não teria tempo de esquivar por causa dos clones em seu caminho. Cravei meus olhos nele. Não enxerguei nada à minha volta e então senti algo tocando o braço que segurava o Rasenshuriken.

-Você não devia esquecer de mim. - Era uma voz feminina às minhas costas.

-E você não se esqueça que eu não estou vivo à toa. - Fiz um selo com a mão que restava, visualizando as costas de Gen.

Deixei o Rasenshuriken onde eu estava, ou seja, ao lado de Mamori e, com a velocidade que adquiri, desvencilhei-me dela e saí dali. Foi a conta para que o Rasenshuriken explodisse ao lado dela e eu me movesse. Ainda assim, parte da minha mão direita ficou completamente destruída pela explosão. Eu não sabia se poderia regenerá-la novamente, dados os danos, mas essa era uma questão menor agora. Fora a dor, o que me interessava era agir. Continuei me movendo enquanto a explosão aumentava até que conseguisse ficar às costas de Gen com um Rasengan simples na mão.

-Mamori?! - A minha resposta para essa pergunta foi o golpe que lhe dei pelas costas.

Não era o suficiente para rendê-lo, mas me daria algum tempo para curtir a dor em minha mão.

Ignorei Mamori por algum tempo. Não conseguia sentir nenhum poder da parte dela. Eu sabia que a explosão do meu golpe, recebida tão próxima quanto ela recebeu, deixaria até mesmo Tsunade sem condições de se regenerar. Além disso, eu não conseguiria me concentrar nela sentindo a dor que começava a subir pelo meu braço. Levando em consideração a dor que eu sentira antes por causa da doença, a perda temporária de uma mão não seria o bastante para me fazer recuar.

-Olha só… - A voz de Gen está irritada. Ainda assim, ele tenta imprimir algum humor ao tom. - Parece que você luta bem. Parabéns. Mas não pense que eu já estou lutando com o meu máximo.

“A luta de verdade está para começar.”

 

Hatake Kakashi

Eu fazia o máximo para conter os sentimentos que me invadiam ao encarar o corpo de Gai estendido no chão.

-Ka… - Gai se forçava a falar. - Kakashi… Naruto… Proteger... Tenzo... Destruir... Ele... Controla…

Ele não conseguiria terminar. Sua cabeça pendeu para o lado e eu compreendi que algo estava errado com o corpo dele. Mesmo torcendo para não ser aquilo que pensei, ainda assim compreendi que era a única explicação.

Gai caíra de cabeça para baixo, com um golpe pouco mais fraco que a lótus. Absorvera todo o impacto com sua cabeça. Para um jounin, era um golpe forte, mas não um nocaute. Entretanto, como ótimo jounin que era, ao perceber que estava sendo controlado, Gai deve ter forçado seu corpo a não produzir chackra, enfraquecendo-se de propósito.

E eu não notara isso. Não a tempo. Então, quando o golpeei, estava golpeando uma pessoa normal com alguma força e que supostamente encenara a abertura de um portão oculto com o que lhe restara de chackra.

-Eu… Não. Eu não posso ter feito isso. - Aproximei minha mão da cabeça dele. Uma cabeça pendente, com os olhos arregalados. - Não. Ele não morreu. Eu não o matei…

A resposta foi um filete de sangue escorrendo por sua nuca, vazando de um corte em sua cabeça.

“Naruto – Proteger. Tenzo – Destruir.”

Palavras de Gai. Pedido de Gai. O homem que eu matei por incompetência. O homem que deveria estar vivo aqui para poder fazer isso com suas próprias mãos. Encostei o corpo dele em uma árvore, sentindo que ele estaria seguro ali até que eu voltasse.

–Não. Ele não pode ter morrido. – Remorso e ódio é só o que corre por dentro de mim. Apertei meus punhos, buscando concentração.

A única válvula de escape que encontrei foi a fixação de um objetivo: Destruir Tenzo. Destruir Tenzo.

Destruir Tenzo.

Para fazer isso, eu preciso ajudar os outros. Yamato, Sai e Shikamaru precisam de mim.

E Tenzo irá pagar. Eu me certificarei disso.

Abro os olhos. Por algum motivo idiota meu olho do sharingan ainda está fechado. Eu não sei o motivo mais. Não sei nem mesmo porque ainda estou me contendo aqui.

É hora de começar a destruição de Tenzo.

E eu o destruirei nem que tenha que arrancar seus membros com os dentes.

 

Nara Shikamaru

Não há escapatória. Parece que a morte é o destino dessa vez. Mesmo que tenha conseguido me esconder como um idiota atrás dessa árvore, não consigo imaginar uma maneira de salvar os três sem os matar. O tempo está no fim e eu estou aqui, sem um plano ou ideia do que devo fazer.

-Ninguém está disposto a ficar procurando por você, Shikamaru. - Yamato estava irritantemente falador. Parecia ser o porta voz oficial do controlador. - Se não aparecer, eu e os outros iremos atrás do Naruto. Lembra disso?

Não tinha como esquecer. Lembrar de Naruto me fazia lembrar que um idiota como ele lutaria mesmo sem um plano. Era a única saída ali. Sem jutsus fortes em meu arsenal, eu não tinha a mesma escolha. Eu precisava formular planos para não cair.

A não ser…

Não. Eu prometi a mim mesmo que nunca utilizaria esse tipo de pensamento.

Não.

-Se não vai aparecer, nós estamos indo.

-Não estão. - Falei, saindo de trás da árvore.

Os três oponentes se voltaram para mim. Droga. Vou ter que usar o tipo de pensamento.

-Não tem mais medo? - Yamato emparelhou com Temari e Hinata. Pareciam felizes, de uma maneira bizarra.

-É uma pena. - Falei, sabendo o que aconteceria se eu tivesse que seguir o raciocínio mais simples. - Parece que é você quem eu vou matar.

Por alguns instantes o olhar dele pareceu vacilar, como se eu surpreendesse o controlador. Apenas para se firmar novamente no momento seguinte. Rígido, como um humano controlado deveria ser.

Eles tomaram posição de batalha. Pulei para trás, sentindo Hinata se mover, deixando Yamato e Temari sozinhos. O que fazia sentido, já que ambos dispunham de ataques à longa distância.

Movi-me para a direita, sabendo que Hinata me observava e tomava a mesma direção que eu. Yamato permaneceu à minha frente e fez um imenso jutsu, criando uma mão de madeira da terra para cima, tentando me pegar. Saí do caminho antes que o jutsu tivesse algum efeito. Hinata estava próxima agora. Aproveitei-me do pouco tempo que tinha e retornei para minha posição inicial. Abriguei-me por quatro segundos atrás da imensa mão de madeira, agora paralisada como uma velha árvore. Criei um clone, que pulou para cima de Hinata.

-Um clon… - Antes que ela tivesse tempo de completar, ataquei em seu ponto cego. Era minúsculo, mas eu sabia que tinha chances de encontrá-lo se ela estivesse concentrada no clone e por isso consegui atingi-la com uma kunai entre as costelas, pelas costas.

Virei-me, sabendo dos poucos segundos que teria antes dela se recuperar para me atacar novamente. Fui para cima de Yamato. Temari estava próxima a ele. Uma estratégia inteligente, considerando que ela era a maior arma contra mim que eles teriam.

Outro passo à frente. Meu corpo enrijeceu quando percebi que Temari se colocar à frente de Yamato e sacava uma kunai. Meu plano era eliminar o shinobi enquanto as kunoichis me atacava, com um jutsu já preparado para paralisá-las. Mas se Temari tomasse o lugar dele, isso faria dela a vítima para que o plano pudesse funcionar.

Os poucos passos que me separava dela pareceram levar dias para ser dados, enquanto minha mente tentava justificar minhas ações. Talvez meu raciocínio, normalmente rápido, tenha acelerado com o pânico, mas eu senti como se fosse possível pensar em tudo naquele pequeno trecho que nos separava.

Minha mente estava dormente, forçada ao máximo para achar uma alternativa.

Mas então os passos começaram a parecer rápidos demais. A distância diminuía com incômoda velocidade.

“Ela ficaria orgulhosa de morrer por uma causa dessa.”

“Temari nunca se iludiu sobre a vida shinobi. Ela sabe que sua morte é necessária.”

“A vila é mais importante que nós dois.”

Pensamentos que fazem minhas pernas moverem. Mas que não impedem meus braços de paralisar.

“Para mim, Temari é maior que qualquer outra coisa.”

“Eu não posso atingi-la para matar.”

“Quero que ela viva.”

É o bastante para me fazer hesitar. E, por alguns momentos, eu fiquei parado, com a kunai no ar, mesmo tendo desviado de um golpe e vendo sua guarda aberta. Sem conhecimento dos jutsus de quem estava controlando, o controlador desperdiçava os talentos e deixava os “bonecos” relativamente fracos.

A hesitação foi o bastante para me fazer notar, pouco depois, sua kunai a menos de quinze centímetros do meu pescoço.

Uma lágrima rolava por meu rosto. Como se eu imaginasse que isso aconteceria. Adotar a estratégia com o sacrifício de um companheiro não era mesmo algo que eu poderia usar novamente na minha vida. Não depois de Asuma.

“Desculpe Temari.” Minha kunai cai no chão. “Mas eu não posso te machucar.”

Metal contra metal. Uma batida seca e meu corpo mergulhou no nada. No instante seguinte eu estava com a cabeça sobre o chão, abrindo os olhos e tentando enxergar algo à frente. Meu corpo não doía. Minhas juntas pareciam bem. Ninguém me golpeou enquanto eu tentava levantar. Em pé, consegui novamente focar nas coisas à minha volta.

-Desculpe. Mas não é hoje que você vai morrer. - Kakashi falava comigo, mas olhava para a cara de Temari.

-Eu tive algum problema com Hinata. - À minha direita, o corpo de Hinata estava deitado sob um tigre de tinta, com Sai posicionado à sua direita. - É difícil evitar matar essas pessoas, não acham?

Não consegui evitar meu sorriso.

Então era agora a nossa vez de contra-atacar.

 

Yamanaka Ino

Por algum motivo, eu estou na frente de Naruto e ele está sangrando sem parar. Seu peito está coberto por uma substância líquida, viscosa e vermelha. Sua mão está estendida na minha direção. Em seus olhos, vejo escrito o último desejo: Que eu me aproxime e toque sua mão. Eu sinto que é só o que importa. Não como paramos aqui, ou o motivo de seus ferimentos. Tudo o que eu quero é satisfazer esse último desejo.

E quando eu chego perto dele, sua mão começa a se afastar da minha.

-Ino! - Ele chama e eu não consigo alcançá-lo, por mais que estique meu braço, por mais que corra em sua direção.

Não o alcanço. Meus olhos umedecem, eu continuo tentando, mas ela ainda se afasta mais rápido. Tento de novo e não consigo. De novo. Falho. De novo. E de novo. Nunca vou conseguir. Não posso ser o que ele precisa. Nem mesmo sou o suficiente para mantê-lo vivo. E lá está ele. Morrendo. Na minha frente. O sangue não para de cair...

-Não. Não… - Digo, entre soluços e lágrimas.

Então eu acordo.

Minha respiração é pesada. Estou arfando. No mesmo buraco onde Tenzo me deixou sozinha. Estou suando frio. Tenho que admitir que o pesadelo me assustou.

Levanto. Sinto meu físico renovado. Ao menos, o bastante para poder sair sozinha.

-Finalmente acordou? - Uma voz familiar.

Viro-me e vejo Sakura.

-Sakura? - Pergunto confusa. Ela me olha com indignação.

-Não sou Sakura. Sou Nail. Esse corpo é uma cópia.

-O que… - Comecei a pergunta. Mas então, das sombras que invadiam o cômodo, surge outra pessoa. Ou esse é o substantivo que prefiro atribuir ao monstro de chackra surgindo ao lado de Sakura, Nail, não sei mais.

-Sou Gahel. - Ele se apresentou. - Estamos aqui para levá-la até a nova base de Tenzo.

-E por que ele precisa de mim? - Tentei preparar um ataque enquanto ele começava a falar. Era natural que quisesse se livrar de mim agora.

-Você tem algo que interessa a ele. - Nail piscou para mim. - Parece que o poderio do seu clã é mais poderoso do que vocês divulgam.

-Não tenho nada que interesse a vocês. - Não consegui pensar em outra resposta. - Estão falando com a pessoa errada.

-Não se faça de idiota. - Ela disse. - Mesmo sem saber o poder do seu jutsu de manipulação de mentes, deve se lembrar ao menos de algumas histórias que os membros do clã contam.

-Aquilo são bobagens. - Falei indignada. Não admitia a possibilidade de sofrer por causa de algo inexistente. - Não me digam que acreditam nesse tipo de coisa!

-Não só acreditamos, como vamos experimentar o ritual. - Ela sorria. - Não pretendemos ficar de conversa. Afinal, se algum daqueles inúteis sobreviver, pode tentar nos atrapalhar.

-Está falando de quem?

-Ela está falando de Naruto, Kakashi, Tsunade e os outros, que ainda não foram mortos depois de fugir de Konoha.

-Isso porque você não quis matá-los quando teve a oportunidade. - Nail soou ressentida. - Entendo não poder matar Naruto, mas poderíamos ter acabado com Kakashi depois de Sakura!

Sakura? Não saíram palavras da minha boca. Demorei oito minutos para entender o que eles estavam dizendo. Meu cérebro trabalhava em câmera lenta. Fui arrastada para fora, enquanto continuava tentando acompanhar o que eles diziam. Pareciam discutir o fato de não (estranhamente) matarem Kakashi.

-Você é fraco. - Nail falou ao fim, enquanto eu era guiada por seu companheiro. - Está criando desculpas para não sujar as mãos.

-Não sou fraco. - Ele não pareceu pressionado pela acusação. - Só não gosto de me dar ao trabalho de matar desnecessariamente.

-Se fosse assim, me deixaria fazer isso quando estamos juntos. - Nail lambe os lábios. Parece sedenta. - Já estou sentindo falta de sangue. Desde que saímos de Konoha para vir buscá-la, não senti cheiro ou gosto de uma gota sequer.

-Nós não podemos matar só porque gostamos disso. - Apesar de seu tom parecer ligeiramente irritado, Gahel não deixou transparecer em sua face. - Devemos matar somente quando ordenados por nosso pai. É assim que as coisas são. Matar não é bom.

-Você é fraco. - Apesar de somente espectadora, senti o punho de Gahel se fechar sobre meu pulso, numa tentativa de controlar sua raiva. - Não matamos porque são ordens, mas porque fomos criados para fazer isso. Nosso corpo é feito para matar.

Gahel baixou sua cabeça. Percebi que ele não encontrou os argumentos que procurava. Nail aproveitou a oportunidade para continuar.

-Meu pai me disse isso enquanto eu ainda estava no corpo daquela inútil de Konoha, pouco antes de iniciarmos os planos finais. - Meus olhos arregalaram. Se eu tivesse qualquer chance, teria pulado no pescoço daquela vadia.

-O que ele disse? Exatamente? - Gahel perguntou.

-Ele disse: - O tom dela era de superioridade e orgulho. - Vocês foram criados por mim. E quando o fiz, havia apenas um desejo em meu coração: Matar os shinobis que tentaram me deter. Começando por Konoha. E todos os criados por mim terão um papel fundamental na concretização desses planos.

Ela sorriu sombriamente. Uma brisa gelada passou por mim e ela abriu a boca para continuar.

-Vocês exterminarão a existência shinobi. Todos, exceto eu, morrerão. E quando ninguém mais se opuser a mim, então dobrarei o mundo à minha vontade. Até lá, vocês podem se divertir destruindo, matando, causando sofrimento e dor. Sangue sujará seu corpo e vocês descobrirão um prazer infindável.

Ela se virou para Gahel, esboçando um sorriso.

-Compreende o que ele quis dizer? Ele irá nos guiar ao nosso mundo, um mundo mergulhado no poder da escuridão. Por isso, venha comigo. Venha, meu irmão. O pai prometeu que estaria à nossa frente, dizendo:

“Venham até mim. E sejam meus mensageiros.”

“Venham até mim. E sejam minhas máquinas de matar.”

Fim do Capítulo 22


Notas Finais


LucaSerjento: Ohaio! Como vão vocês? Talvez alguém tenha percebido que durante a última semana a fanfic ultrapassou uma marca importante, motivo pelo qual eu trouxe um convidado especial. Ele mesmo: Uzumaki Naruto!
Naruto: Estou muito feliz por estar aqui, Dattebayo!
Lucaserjento: Então, o que você acha de ser mais uma vez protagonista de uma história que ultrapassa a marca de 100 favoritos?
Naruto: É tudo graças a muito trabalho duro e dedicação. Eu realmente dou tudo de mim durante todo o tempo!
Lucaserjento: E o que você está achando desse início da reta final?
Naruto: Estou com algum medo do que pode acontecer com os meus amigos, mas espero que fiquemos todos bem! Bom, pelo menos os que restaram até agora…
Lucaserjento: Eu gostaria de pedir a todos os que lêem para que separem um momento para enviar um comentário, dizendo o que está achando, suas expectativas para o futuro e coisas assim. Naruto e todos aqui se esforçam ao máximo para trazer um bom capítulo e seria legal saber no que eles podem melhorar, não é mesmo, Naruto?
Naruto: Mas é claro! Nunca desistimos da luta!
Lucaserjento: Então vamos nos esforçar para trazer outro capítulo emocionante na semana que vem?
Naruto: Vamos ao trabalho! E eu vejo vocês no próximo capítulo de Depois da Escuridão!


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