História Depois de Ti - II Temporada - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias A Feia Mais Bela
Personagens Fernando Mendiola, Letícia "Lety" Padilha Solís
Tags A Feia Mais Bela, Ferlety, Fernando Y Lety, La Fea Mas Bella, Lfmb, Romance
Exibições 263
Palavras 9.135
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 15 - Fazendo As Pazes


Lety

 

 

               Passar a tarde fazendo compras e me divertindo com Márcia e Carolina realmente havia me feito bem. Ainda mais por termos buscado Catarina na escola e aproveitarmos o restante da tarde juntas, apenas as mulheres. Cheguei em casa pronta para conversar com Fernando com calma, sem causar nenhuma discussão. Mas, ao chegar, a casa estava um tanto quanto silenciosa. Catarina correu pelos cômodos gritando por Fernando, mas pelo visto ele não estava em nenhum dos cômodos. Ao menos no primeiro andar.

- Ah, chegaram! – Irminha se aproximou, sorrindo.

- Olá, Irminha! – Catarina a abraçou.

- Como foi  na escola?

- Muito bem! Tirei outro dez!

- Meus parabéns!

- Irminha, onde está Fernando? – Perguntei.

- Ele subiu para o quarto faz algum tempo, Lety. Não o vi desde então.

               Catarina correu para as escadas rapidamente, indo encontrar-se com Fernando. A segui, esperando que ele estivesse descansando ou dormindo, depois do estresse de hoje. Mas, quando cheguei à porta, Fernando estava sentado à cama, com algo em suas mãos. Não consegui visualizar o que era, já que Catarina correu pulando em seu colo. Ele retribuiu os carinhos dela, mas algo me dizia que ele estava se esforçando ao máximo para conseguir sorrir. É claro, ainda precisávamos conversar. E é claro, ele deveria ter se arrependido por ter feito toda aquela cena na Construtora. Fernando odiava escândalos.

- Como foi na escola? – Fernando perguntou colocando Catarina sentada em uma de suas pernas.

- Muito bem! Os garotos mais velhos não mexeram com a gente hoje.

- Isso é bom. – Ele sorriu, e ergueu os olhos para mim. – Meu amor, posso conversar com sua mãe um pouco?

- Vocês vão me dar um castigo por terem ido à escola hoje?

- Não, é claro que não. – Ele sorriu. – Nós só... Precisamos ter uma conversa de adulto.

               Catarina pulou de seu colo e andou em minha direção.

- Peça Irminha para preparar um lanche para você, por favor. Nós já descemos. – Falei.

- Tudo bem.

               Catarina não fez mais perguntas, e correu para fora do quarto, nos deixando a sós. Fernando se levantou meio à um suspiro e apertou o que havia em uma de suas mãos. Me aproximei, esperando que ele dissesse algo, mas ficamos em silencio por alguns segundos.

- Fernando, eu...

- Encontrei isso no seu casaco. – Disse virando-se de costas, colocando o que havia em sua mão em cima da cômoda.

               Me aproximei curiosa e olhei para um cartão meio amassado. O cartão de Miguel. Tentei entender o que havia de mais em ter um cartão com um numero de telefone no bolso do meu casaco, mas pelo visto para ele havia muito.

- Você não se afastaria dele mesmo que eu pedisse, não é? – Perguntou ainda de costas.

- Não. – Respondi assustada com minha própria sinceridade. – Não faria isso, porque você precisa confiar em mim.

- Como posso confiar em você se a cada dia temos uma briga por causa dele?

- Não é apenas por causa dele, e você sabe disso.

- Carla já não é mais a única pessoa que está causando isso.

- E mesmo assim eu não teria coragem de pedir para você se afastar dela.

- Não teria? – Ele virou-se para mim com os olhos vermelhos. – Não teria porque confia em mim, ou porque acha que seria um absurdo fazer isso?

- As duas coisas. Nós estamos casados, temos que ter confiança. Mas, você ser o meu marido não significa que pode escolher as pessoas com quem vou conversar.

- Mesmo se essa pessoa for um ex namorado?

- Miguel não é meu ex, e você sabe muito bem disso.

- O que ele é não interessa. – Ele aumentou a voz. – A única coisa que quero saber é porque você continua insistindo em manter contato com ele sabendo que isso esta prejudicando o nosso casamento!

- Desculpe, mas o único contato que tenho com ele é quando vou levar e buscar Catarina na escola! – Falei também aumentando o tom.

- Ah é? E porque você guarda o telefone dele no bolso do seu casaco? Para ligar para ele quando bem entender?

- Não seja ridículo, Fernando!

- Eu estou sendo ridículo?

- Você quer o que? – Perguntei irritada. – Que eu leve Catarina para a escola e finja que não conheço ninguém em minha volta só por causa do seu ciúmes? Porque você não se prontifica à levá-la então, se é assim? Ah... Me esqueci! O seu trabalho é muito mais importante, principalmente agora, não é?

- Não diga o que não sabe, Letícia!

- Eu sei o que eu vejo! Vai voltar a se ausentar no jantar para ficar trabalhando até mais tarde?

- Agora você está desconfiando de mim?

- Se você faz o mesmo comigo, por que não?

               Fernando suspirou colocando uma mão à testa e a outra em sua cintura.

- Quer saber? Não sei por que ainda estou discutindo. Você já deixou claro que não se importa com nossas brigas freqüentes. Quer saber? Não digo mais nada à você, Letícia. Faça o que quiser! Mas, não reclame se nosso casamento ficar como àqueles que são apenas aparência. Não quer que eu demonstre meus ciúmes? Certo. Eu não irei demonstrar. Eu não irei mais ter ciúmes. – Ele jogou o cartão sobre a cama.

               É claro que eu não estava feliz, mas Fernando estava me tirando do sério. Por que o ciúmes dele era mais importante do que o meu? Porque o fato de eu conversar com Miguel era pior do que ele passar um dia inteiro ao lado de Carla, que por acaso por pouco não se tornou sua esposa? Ele estava sendo injusto, e dessa vez eu não iria protegê-lo ou abaixar a cabeça.

               Ele caminhou para o outro lado do quarto, pegando sua jaqueta, juntamente com as chaves do carro.

- Aonde vai? – Perguntei rapidamente.

- Sair com Omar. Não me espere.

               Como assim “não me espere”? O que ele pensa que eu sou? Então temos uma discussão, ele praticamente diz que nosso casamento vai se desgastar e tudo o que ele faz é sair com o melhor amigo? E quanto à mim? E quanto a sua filha de sete anos que me perguntaria por que seu pai saiu sem a minha companhia? Me apressei para alcançá-lo e segui para o primeiro andar, onde ele já se despedia de Catarina com a porta aberta.

- Você volta para me colocar para dormir, papai? – Ela perguntou quando ele a colocou no chão.

- Farei o possível, meu amor.

               Irminha estava parada ao lado de Catarina, provavelmente sem entender o que havia acontecido. Eu mesma não estava caindo na real que tivemos uma discussão séria em oito anos de casados. Fernando beijou o topo da cabeça de Catarina e nem ao menos me olhou antes de virar-se em direção à porta e sair. Contei até dez para não fraquejar na frente de Catarina e descontar toda a raiva que eu estava sentindo naquele momento. Ficamos em silencio até ouvirmos a porta do carro batendo e o barulho do motor sendo ligado. Pude ver o reflexo dos faróis passando pela frecha da janela e o barulho do portão sendo aberto logo depois.

- Meu amor, por que não sobe para tomar um banho? Ainda está com o uniforme da escola. – Olhei para Catarina com os olhos marejados.

- Você vai sair para encontrar com o papai?

- Não. Hoje não. Ele... Precisa de um tempo sozinho com o seu tio Omar. – Forcei um sorriso.

- Ah! Eles vão fazer um “adeus de solteiro”?

- Adeus de solteiro?

- É. Ouvi eles conversarem sobre isso no domingo passado.

               Sorri divertida.

- É. Mais ou menos isso.

               Uma despedida de solteiro, ou uma despedida de casado.

- Suba para tomar seu banho. Eu já subo para te ajudar com o pijama.

- Tudo bem.

               Catarina passou por mim e subiu as escadas correndo. Irminha olhou para mim com pesar e eu suspirei, sentindo minha garganta queimar.

 

 

 

                                                                          •••

 

 

- Vocês precisam resolver isso logo, Lety. – Irminha disse me entregando uma xícara de chá.

- Eu estava disposta a fazer isso quando cheguei, Irminha. Mas ele novamente começou outra discussão por causa dessa besteira com Miguel.

- E você já experimentou ignorar esse homem?

- Eu não vou fazer isso. Fernando precisa aprender que eu não estou morta só porque me casei. Posso conversar com outras pessoas sem que ele tenha essa crise de ciúmes.

- Homens são tão complicados. Na minha época não era assim.

- Eu não sei o que eu faço. O que eu vou dizer para Catarina se ele não voltar para casa hoje?

- É claro que ele vai voltar! Ele não faria isso!

- Não faria? Ele praticamente disse para mim que nosso casamento seria uma droga daqui pra frente.

- Ele não disse isso.

- Mas foi quase. E se de repente ele acordar um dia e pensar “não quero mais estar casado. É muito complicado.”

- Ele não faria isso, Lety. E você sabe.

- Eu já não sei de mais nada, Irminha. Eu o amo, muito. E eu quero resolver isso pelo bem do nosso casamento, mas não posso fazer isso sozinha. Não posso ser a única a querer isso.

               Irminha suspirou. Meu telefone vibrou no bolso da minha calça e eu o peguei eufórica, na esperança de ser Fernando dizendo que estava indo embora. Mas, suspirei desanimada quando vi o nome que apareceu na tela. Não por ser quem era, mas por não ser Fernando.

- Oi Márcia. – Falei ao atender.

- Mas que desanimo é esse? Liguei para saber se você conversou com Fernando, mas pelo visto não.

- Na verdade, conversamos.

- E então?

- Brigamos outra vez.

- Eu não acredito! Eu vou matar esse idiota! Chama ele pra mim que eu vou...

- Ele não esta.

- Como não está?

- Saiu com Omar.

- Mas... Como? Sem você?

- É. Sem mim. Essa era a intenção. Ele teve outra crise de ciúmes, insinuou que eu deveria parar de falar com Miguel, eu neguei, e ele se irritou, dizendo que não sentiria mais ciúmes. E então saiu.

- Meu Deus! Fernando perdeu o juízo! E Carolina sabe que Omar vai sair com ele?

- Provavelmente. Eles não têm esse problema de comunicação.

- Argh! Fernando está me irritando profundamente. Quer saber? Não vou deixar você em casa na fossa.

- Eu agradeço a preocupação, Márcia, mas se você vier para cá, Catarina vai desconfiar.

- E quem disse que eu vou até aí? Você vai sair!

- O que?

- Isso mesmo! Vamos ter a noite das meninas. Não tivemos à tarde? Agora será à noite. Mas claro, sem Catarina. A não ser que queira levar uma criança de nove anos para um bar...

- Não! Eu não posso, Márcia!

- E por que não? Quero que me de um bom motivo para isso.

- Primeiramente não posso largar minha filha para sair para me divertir.

- Você não vai largá-la. Só vai se ausentar por algumas horas. Segundo?

- Segundo... Eu... Eu sou...

- Casada? Bom, que coincidência. Fernando também. E mesmo assim ele saiu, sem se importar com você ou com Catarina.

               Márcia sabia como me desanimar e como me dizer a verdade ao mesmo tempo.

- Não quero mais desculpas, Lety. Por que você acha que merece ficar sofrendo em sua casa se ele simplesmente saiu para desestressar?

               Olhei para Irminha.

- Eu não sei...

- Irminha está aí?

- Sim.

- Coloque no viva voz.

- Tá. Espera.

               Apertei um botão e coloquei o celular sobre a mesa.

- Pronto. Estamos te ouvindo.

- Irminha, quero que me ajude a convencer Lety de que ela merece uma noite para se distrair depois dessa semana horrível que ela teve. Você não concorda comigo?

               Irminha riu.

- Sim, Dona Márcia.

- E você se importaria de ficar um pouco mais com Catarina hoje?

- Isso nunca é um incomodo para mim.

- Prometemos não demorar. Mas, precisamos tirar essa mulher da fossa!

               Irminha mais uma vez riu.

- Eu concordo.

- Viu só, Lety? Não tem mais desculpas!

               Balancei a cabeça sorrindo.

- Está bem. Para onde vamos?

- Ah, isso será uma surpresa. Me encontre na Rua Vidal daqui a duas horas. Pode ser?

               Por algum motivo ergui meus olhos em direção ao porta chaves que ficava pendurado na parede, e arregalei os olhos ao notar que minhas chaves não estavam ali.

- Eu não acredito! – Exclamei.

- O que foi? – Márcia e Irminha perguntaram ao mesmo tempo.

- Minhas chaves! Não estão ali!

- Você chegou que as colocou ali. Eu vi. – Irminha disse.

- Exatamente!

               Pensei por alguns segundos até que meu sangue ferveu.

- Fernando.

- O que deu nele? – Márcia perguntou perplexa. – Mas, isso não é um problema. Eu te busco aí.

- Está bem. – Falei decidida.

- E Lety...

- Sim?

- Coloque uma roupa bem provocante!

               Não entendi o intuito dela me pedir aquilo, mas eu estava domada pela raiva. Depois de toda a desconfiança, discussão e descaso de Fernando, ele ainda teve coragem de esconder as chaves do meu carro para que eu não saísse de casa?

- Até logo.

- Até.

               Desliguei o telefone e me levantei, olhando para Irminha.

- Lety, você sabe que Seu Fernando não faria isso...

- Ele está me testando, Irminha. Ele acha que sou a mesma Lety frágil que ele conheceu. Mas eu aprendi muito com ele, inclusive a ser fria.

               Irminha balançou a cabeça, mas preferiu não dizer nada. E nem adiantaria. Eu estava pronta para declarar guerra, se era assim que ele queria. Era assim que seria.

 

 

                                                                          •••

 

Fernando

 

 

Eu não sabia o que tinha dado em mim para sair de casa daquela maneira. Omar e eu estávamos obviamente entediados, e ele também se perguntava a mesma coisa. Fiz as coisas de cabeça quente, e não conseguia parar de pensar em Lety e Catarina sozinhas em casa. Me senti o maior imbecil de todos por ter feito aquilo, e o pior de tudo: Eu não tinha como me desculpar por isso. Era algo sem perdão. Eu só queria esfriar a cabeça depois de ter ficado furioso com o telefone de Miguel em seu casaco, mas naquela altura, aquilo já nem parecia tão grave mais.

- Por que está com essa cara? – Omar perguntou. – Se arrependeu de vir?

- Claro que não. – Não quis fraquejar para ele, mas Omar me conhecia muito bem.

- Sei... – Ele sorriu. – Só vim porque você me chamou e eu não quis deixá-lo sozinho. E também porque sabia que você ia se arrepender.

- Quem disse que me arrependi?

- Por favor, Fernando... – Debochou.

               Olhei para o copo de uísque em minha mão.

- Não deveria ter deixado elas sozinhas.

- Eu disse que deveriam ter conversado antes de tomar qualquer decisão precipitada.

               Omar tinha razão. Eu não poderia continuar ali sabendo que só fiz isso na tentativa de provocar Lety. Mas, a quem eu queria enganar? Eu não era mais o homem imaturo que costumava ser. Ao menos, não a todo tempo. Eu era casado, tinha uma filha de sete anos que não merecia se envolver nos meus problemas com Lety. O meu lugar era em casa, ao lado delas, esperando que eu me resolvesse com Lety o quanto antes.

- Não somos mais os mesmos de antes. – Omar disse escorando-se à cadeira. – Nós estamos totalmente enlaçados.

               O olhei balançando o copo em minha mão.

- Acho que mesmo com as discussões, essas coisas, nós não vamos conseguir tirar elas da cabeça.

- Não quero tirar ela da minha cabeça. Só quero que... As coisas voltem ao normal.

- E o que tem feito quanto à isso? Brigar? Dar crises de ciúmes?

               Não respondi.

- Vou dizer uma coisa para você. – Ele se inclinou sobre a mesa. – Quando pedi Carolina em casamento, eu só fiz isso porque me espelhei em você. O seu casamento com a Lety é o mais bonito e sincero que já vi. Nem mesmo o dos meus pais é assim, e você sabe o que eu digo. Eles brigam sempre. Você melhor do que ninguém sabe que eu nunca gostei de compromissos sérios por achar uma besteira, e achar que todos era uma mentira. Mas, quando você e Lety se casaram, eu entendi que nem todos eram assim. Não me leve a mal, Eduardo e Laura também tem um casamento muito legal, mas você e Lety... Vocês se completam, sabe? Talvez o uísque já tenha subido um pouco, mas aproveite que eu estou sendo sincero e abrindo o meu coração para você. De irmão para irmão. Não deixe que as coisas entre você e Lety se estraguem por causa de ciúmes. Acho que qualquer pessoa que convive com vocês dois pode afirmar com toda a certeza que ela te ama, e que não tem olhos para mais ninguém. Do mesmo jeito que sei que você também não tem olhos para ninguém. Porque não deixam essa briga de lado e façam as pazes? Vai ser melhor pra todo mundo!

               Omar poucas vezes sabia as palavras certas para me animar, mas naquele dia ele acertou em cheio. Era tudo o que eu precisava ouvir, e de uma pessoa tão próxima à mim e à Lety, que era capaz de saber o que eu estava pensando antes mesmo que eu dissesse. E me conhecendo tão bem, ele sabia que eu estava sofrendo tanto quanto Lety com toda aquela situação, e que só estava piorando as coisas causando todas aquelas discussões.

- Ah! Ótimo! Mais um para me ajudar!

               Olhei para a direção que Omar olhou e vi Eduardo entrando no bar, vindo em nossa direção.

- Desculpem a demora. - Ele disse ao se aproximar. Omar e eu nos levantamos e o cumprimentamos com um abraço e batidas nas costas. – Perdi alguma coisa?

- Eu estava dizendo para Fernando que ele não deveria deixar o casamento dele entrar em crise por causa de ciúmes.

- E desde quando você virou o conselheiro do trio? Pensei que isso fosse meu papel. – Ele brincou e nós rimos.

- Na falta do verdadeiro...

- Mas Omar tem razão. Isso é uma besteira, cara.

- É. Agora eu já sei disso. – Suspirei encarando meu copo. – Vou resolver as coisas com ela. Desculpe fazer vocês dois largarem as mulheres em casa para vir encontrar comigo e dizer o que eu já deveria saber.

- Ah, não se preocupe. Laura também deve estar se divertindo. – Eduardo sorriu.

- Você deu a noite de folga para ela? – Omar brincou.

- Na verdade, acho que elas vão fazer uma noite das mulheres, não sei bem. Fernando deve saber melhor que eu.

- Eu? Por quê?

- Oras, foi a Lety quem a chamou para sair.

- O que? – Me debrucei sobre a mesa. – A Lety também vai?

- Pelo que Laura me contou todas irão. – Ele me olhou confuso. – Espera. Você não sabia?

- Não!

               Nossa conversa foi interrompida com o toque do celular de Omar.

- É a Carolina.

- Ela deve estar indo. – Falei. – Atende!

               Omar deslizou o dedo sobre a tela do celular.

- Alo? Oi meu amor. Sim, estou aqui no bar com Fernando e Eduardo. Ah... É sério? – Omar ergueu as sobrancelhas, me olhando. – Isso é... Muito bom. Divirtam-se.

- Pergunte aonde vão. – Sussurrei.

- Para onde estão indo mesmo? Ah... Sei sim! Está bem. Nos falamos depois. Um beijo.

               Omar desligou o celular e eu o olhei apreensivo.

- Ao que parece estão indo em um bar na Rua Vidal.

- Tem vários bares naquela rua! – Falei.

- Ela disse para não nos preocuparmos.

               Me levantei tirando a carteira do bolso e colocando o dinheiro sobre a mesa.

- Aonde você vai? – Omar perguntou se levantando, seguido por Eduardo.

- Eu vou atrás da minha esposa.

 

 

 

                                                                          •••

 

Lety

 

 

- Pronto. Já está tudo certo. – Márcia desligou o celular e nos olhou.

- Tem certeza que isso vai funcionar? – Perguntei abraçada ao meu casaco.

- É claro que vai! Eu sou expert nisso. Ele deve estar louco nesse exato momento.

- Eu duvido que ele venha atrás. Ele estava muito irritado quando saiu de casa.

- Lety, Fernando pode estar sendo um idiota nesses dias, mas se tem uma coisa que ele não permitira era que você fosse à um bar sozinha, sem avisá-lo.

               Olhei para Laura e Carolina, que pareciam concordar, e fiquei em silencio. O plano de Márcia era que as duas avisassem à Eduardo e Omar que sairíamos, para que Fernando passasse pelo mesmo que eu passei. Se eu não o avisasse que estava saindo, ele ficaria irritado e viria me procurar. Mas, ainda não tínhamos decidido o que eu faria quando ele viesse. E se chegasse nervoso? E se provocasse outra discussão? Por incrível que pareça, eu estava empolgada com a idéia de me divertir com minhas amigas para me esquecer um pouco dos problemas daquela semana.

- Agora, tire isso.

- Não, estou bem assim. – Falei.

- Lety, tire logo!

               Revirei os olhos e tirei o meu casaco, entregando à ela.

- Lety! – Laura exclamou.

- Meu Deus! Você levou muito a sério o que Márcia te pediu! – Carolina disse.

- Eu sabia que você não me decepcionaria. – Márcia sorriu.

               Embora estivesse envergonhada com os comentários, me senti satisfeita por ter conseguido surpreende-las. Eu não estava vulgar como Márcia provavelmente imaginou que eu deveria estar, mas o vestido preto que eu havia comprado naquela tarde veio a calhar. Ao contrário dos vestidos que eu costumava usar, ele não era longo e nem um pouco meigo. Era colado. Preto, com mangas longas, e finalizei o visual com um batom vermelho e um salto também vermelho, para combinar. Coloquei os cabelos soltos para o lado, sendo isso a “cereja do bolo”. A única coisa que eu queria era que o plano de Márcia desse certo, do contrário me arrumar tanto não valeria de nada. Fernando precisava me ver daquela maneira.

- Então... Vamos entrar? – Márcia olhou para a porta do estabelecimento.

- Vamos! – Laura e Carolina responderam animadas.

- Lety?

               As três me olharam e eu sorri.

- Vamos.

               Márcia olhou para o segurança e ele fez sinal de positivo para entrarmos. Ao passarmos pela porta, a musica alta já dominava todo o ambiente. Um pouco escuro, mas não tão ruim quanto imaginei. As mesas ficavam espalhadas por todo o local, que estava um pouco mais cheio do que eu imaginava.

- Vou pegar as bebidas. – Márcia gritou para que a ouvíssemos. – Procurem uma mesa!

               Márcia se afastou e logo avistamos uma mesa vazia. Seguimos até ela e nos sentamos, esperando pelas bebidas. Parecia um lugar bem freqüentado, e eu me senti um pouco menos tensa. Por mais que estivesse furiosa com Fernando, a ultima coisa que eu queria era causar problemas se alguém desse em cima de mim. Eu não me sentia tão segura a ponto de pensar assim, mas naquela noite eu havia exagerado no figurino, e não me surpreenderia se recebesse elogios de alguém desconhecido.

- Aqui está! – Márcia voltou carregando uma bandeja com tequila. – Vamos aproveitar a noite, de qualquer maneira!

- Lembre-se que temos filhas para cuidar. – Laura riu.

- Hoje a noite é nossa! – Márcia entregou um copinho para cada uma. – Um brinde às mulheres irresistível que somos!

               Brindamos e viramos a tequila de uma vez. Fiz uma careta e Márcia bateu a mesa, balançando o cabelo ao ritmo da musica.

- Acha que eles virão? – Perguntei à Laura enquanto Márcia e Carolina cantavam a musica que tocava.

- Acho que sim. Eles não perderiam a oportunidade. – Ela sorriu.

               De fato.

 

 

                                                                          •••

 

 

               Já estávamos ali há quase quarenta minutos e nada de Fernando aparecer. Comecei a pensar que ele não iria, e que estava fazendo birra quanto à isso. Provavelmente teríamos outra discussão quando chegássemos em casa, e então eu só quis aproveitar o momento para espairecer. Márcia não parava de trazer bebidas para a mesa, de todos os tipos. Eu estava me controlando por Catarina, mas não conseguia recusar os drinks tão bem preparados que ela levava.

- Olha só aquele cara ali! – Carolina gritou, apontando para um homem um pouco mais à frente, que olhava para nossa mesa.

- É um gato! – Márcia exclamou.

- Vai lá! – Laura bateu em seu ombro. – Você é a única de nós que pode fazer isso.

- E eu adoro! – Márcia riu e se levantou, ajeitando o seu cabelo.

               Sem esperar que insistíssemos, ela desfilou na direção que o homem estava. Nós três rimos enquanto a olhávamos flertar.

- Como eu queria ter esse carisma. – Laura suspirou. – Quando eu era solteira não conseguia nem mesmo olhar para um cara em minha frente.

- Nem me diga. – Falei rindo. – Eu não conseguia nem falar com um direito.

- Acho que já perdemos o jeito, não é? – Carolina riu.

               Enquanto nos divertíamos com os flertes de Márcia, desviei minha atenção para a entrada, e dei um pulo à mesa ao ver os três parados à porta. Balancei as mãos para que Laura e Carolina também os olhassem, e elas viraram-se para eles.

- Eu sabia que eles viriam! – Carolina exclamou.

- Eles não se agüentam! – Disse Laura.

- Fernando está ali! Meu Deus! – Falei apreensiva. – O que eu faço?

- Haja com frieza!

- Não abaixe a cabeça pra ele.

- Mostre que você está muito bem aqui.

- E jogue charme. Muito charme!

               Eram muitas dicas para que eu guardasse, mas entendi que deveria tratá-lo com indiferença, para que aquela idéia maluca de Márcia funcionasse. Assim que adentraram o lugar, Fernando imediatamente nos avistou, e eles caminharam em nossa direção. Senti minhas mãos suarem e minhas pernas tremerem. Qual seria sua reação? Por favor, não comece uma briga de novo. Por favor.

- Olá, moças bonitas! – Eduardo sorriu, nos cumprimentando.

- Então vocês também deram a famosa “fugidinha”. – Omar brincou, também nos cumprimentando.

               Fernando foi o único dos três que não disse absolutamente nada. Parecia hipnotizado enquanto me olhava, e de certa forma senti que a dica de Márcia havia funcionado. Ele estava com a boca entreaberta enquanto me olhava, como se tivesse perdido as palavras. Ótimo!

- Ei! Múmia! – Eduardo bateu em seu ombro e ele pareceu despertar de um transe.

- Ah... Olá. – Ele cumprimentou Laura e Carolina, mas quando chegou a minha vez, apenas me olhou. – Eu não sabia que tinha planos para hoje.

- É, eu sei. – Respondi indiferente.

- Nós podemos nos juntar à vocês? – Eduardo perguntou.

- É claro! Puxem uma cadeira!

- Onde está Márcia? – Omar perguntou.

- Está flertando. – Carolina apontou para ela e todos nós olhamos.

               Márcia voltava furiosa em nossa direção, enquanto o homem continuava nos olhando. Seria engraçado se eu não estivesse morrendo de medo. Ela estava praticamente espumando pela boca.

- Ei! O que aconteceu? – Perguntei quando ela sentou-se à mesa, brava.

- Eu gastei praticamente todo o meu charme para ele dizer no final que não estava olhando para mim! – Ela virou um copo de bebida na boca, sem ao menos fazer careta. – Por que ele não me disse isso antes que eu fizesse papel de boba?

               Todos nós prendemos o riso, mas a curiosidade de Omar foi maior.

- E para quem ele estava olhando?

- Para Lety, é claro!

- Para mim? – Perguntei perplexa e todos me olharam, principalmente Fernando.

- Não me culpe! Você é a única que está com um batom vermelho na boca e cabelo para o lado. Aliás, ele ressaltou duas vezes que o seu batom era muito bonito. Comecei inclusive a pensar que ele era gay e perguntaria a cor do batom, mas depois que ele falou sobre o seu vestido a duvida desapareceu.

               Senti meu rosto corar. Carolina e Laura esconderam o rosto nas mãos, provavelmente rindo disfarçadamente. Omar e Eduardo se olharam e logo depois olharam para Fernando. Fiz o mesmo, e logo percebi que seus olhos estavam faiscando na direção em que o homem estava. Não tivemos tempo de dizer nada, Fernando saiu como um touro na direção dele.

- Fernando! – Me levantei rapidamente, seguindo-o, e os outros fizeram o mesmo.

- Com licença. – Ele se aproximou do homem.

- Pois não? – Perguntou com desdém.

- Soube que estava olhando para a minha esposa.

               Ele virou-se para mim e sorriu, de uma maneira que me deixou completamente envergonhada.

- Eu não sabia que ela era casada.

- É? Então agora sabe. Ela é casada comigo!

- Fernando... – Segurei em seu ombro notando que ele estava começando a peitar o rapaz.

- Vi que ela estava sozinha com as amigas e pensei que era solteira. Eu não deixaria minha mulher solta por aí.

- Está insinuando o que?

- Fernando!

               Dessa vez me coloquei em sua frente. Eduardo e Omar chegaram e tocaram em seu ombro. Fernando pareceu se acalmar, e deu três passos para trás.

- Da próxima vez não deixe ela sozinha se não quer que os homens a cobicem. Sua mulher é muito bonita, com todo o respeito.

               Esperei que Fernando voasse para cima dele, mas ele apenas tirou seu braço das mãos de Omar e Eduardo e virou-se, voltando para a mesa. Nós o seguimos e eu me aproximei, na esperança de tentar fazê-lo se acalmar.

- Fernando...

- Podemos conversar? – Ele me olhou. – Lá fora.

               Ele parecia sério, e eu não queria que causasse uma confusão ali.

- Vamos.

 

 

                                                                          •••

 

Fernando

 

 

Quando saímos do bar e finalmente pude respirar ar puro, a única coisa que queria dizer à Lety naquele momento era que ela estava absolutamente linda. Não estava vulgar, mas estava provocante, e se eu não estivesse com tanta culpa no cartório teria ido até ela e roubado-a dali imediatamente, levando-a direto para o nosso quarto. Estava maravilhosa, sedutora e de uma maneira que eu jamais vi, mesmo em nossos momentos mais íntimos. Lety conseguia me seduzir de qualquer maneira que estivesse, mas com aquela roupa e aquela maquiagem, havia acertado em cheio. Mas, como um grande idiota que sou, piorei a situação ao fazer uma pergunta idiota.

- Você deixou Catarina sozinha?

               Ela me olhou furiosa.

- Claro! Eu deixei ela sozinha! Nossa filha de sete anos está sozinha em casa, Fernando. E também deixei facas para que ela brincasse, e falei que poderia mexer no fogão o quanto quisesse.

               Eu merecia aquela ironia. Não deveria ter feito essa pergunta.

- Eu entendo que esteja querendo pagar na mesma moeda o que eu fiz.

- Eu? Não! Não estou querendo fazer isso. – Ela respondeu de imediato. – Mas o que pensou que eu faria? Pensou que eu ficaria igual uma boba acordada até tarde esperando você voltar para discutirmos novamente?

- Não era o que eu faria. Eu estava decidido à ir embora quando Omar recebeu a ligação de Carolina.

- E mesmo depois de tudo você ainda veio atrás de mim.

- E queria que eu fizesse o que? – Perguntei. – Eu sei que fiz uma besteira, e não poderia deixar você fazer uma também.

- Eu não sou como você, Fernando. Por mais que eu tome decisões precipitadas, eu não faço coisas sem pensar como você.

               Eu merecia tudo aquilo, e sabia que mais cedo ou mais tarde ouviria isso.

- Eu vim porque quero me desculpar com você.

- Se desculpar? – Ela sorriu sarcástica, cruzando os braços. – Se desculpar exatamente pelo que? Por não confiar em mim? Por achar que só porque eu converso com um conhecido de infância eu estou sendo infiel? Por achar que o meu ciúmes é bobo quando o seu é completamente normal?

- Não é isso, Letícia! É que... Droga! Tente me entender! – Passei a mão no rosto. – Eu não sou como você! Não sei controlar meus sentimentos. Ou eu sinto demais ou não sinto absolutamente nada! E em relação à você, eu sinto tudo exageradamente! Eu não sei te amar pouco, não sei te amar pela metade. Eu amo você com todas as minhas forças! Eu amo mais do que à mim mesmo! E é a mesma coisa com esse maldito ciúmes! Não consigo ser como você que consegue controlar suas crises e levar tudo numa boa. Eu tenho ciúmes, e tenho muito! Chega a ser incontrolável! Você pode imaginar como é para mim, deitar todos os dias com medo de acordar no dia seguinte e ouvir você dizendo que não quer mais continuar casada e que conheceu outra pessoa?

- Eu pensei que eu era a insegura da relação.

- Mas não é! Quando se trata de você e do nosso casamento, eu morro de medo de que um dia você perceba que não fez a escolha certa.

               Ela suspirou me olhando com os olhos marejados. Tudo o que eu queria era abraçá-la e tirá-la dali o mais rápido possível, para que finalmente pudéssemos nos resolver em casa. Eu precisava ouvi-la dizer que eu não precisava me preocupar com isso, e que ela estava feliz ao meu lado, mesmo depois daquela ultima semana. Mas, Letícia desviou os olhos e encarou o chão.

- É melhor voltarmos. Devem estar nos esperando.

- Espera. – Segurei seu braço quando ela se virou. – Não me deixe com essa angústia, Letícia. Por favor.

               Ela me olhou decepcionada.

- Foi exatamente assim que você me deixou mais cedo.

               Ela tirou seu braço de minhas mãos e voltou para o bar. Eu merecia. Mas isso não queria dizer que eu conseguiria suportar. Respirei fundo e a segui, voltando a entrar no bar. Por mais que aquele lugar fosse o ultimo local que eu queria estar naquele momento, eu não a deixaria sozinha como fiz antes. Não cometeria o mesmo erro duas vezes, principalmente por saber que havia alguém ali dentro, e provavelmente não era apenas um, que estava cobiçando-a. Ela era a minha esposa, e por mais que estivéssemos tendo alguns problemas, eu jamais permitiria que alguém a desrespeitasse.

- Tudo bem? – Eduardo perguntou quando me aproximei, me sentando ao seu lado.

               Apenas balancei a cabeça concordando e tentei não parecer tão chateado. Mas, foi impossível. Eu não conseguia suportar olhá-la sabendo que ela ainda estava magoada comigo, e que eu merecia toda aquela frieza. Eu não conseguia olhá-la vendo-a tão linda, como ela costumava se arrumar para mim. Mas, naquele dia, ela não se arrumou para me agradar. E eu teria que arcar com as conseqüências.

 

 

                                                                          •••

 

Lety

 

 

               Estava me partindo o coração tratá-lo daquela maneira, mas em uma coisa Márcia tinha razão: Ele não poderia achar que todas as vezes que tivéssemos uma discussão, ele se portasse daquela maneira. Por mais que “vingança” não fosse a melhor maneira de fazê-lo entender isso, Fernando precisava entender que casamento é algo sério, e que se ele quisesse passar por aquelas barreiras comigo, precisaria demonstrar isso. Do contrário, eu pensaria que ele não se importava, como pareceu fazer mais cedo.

- Vamos dançar! – Carolina se levantou, acompanhada de Omar.

               Márcia, Laura e Eduardo a acompanharam, e eu continuei sentada, juntamente com Fernando.

- Levantem vocês dois! – Márcia disse autoritária.

- Não estou no clima. – Fernando respondeu.

- E nem eu. – Confirmei.

- Não sejam bobos! Isso não é um pedido. Vocês dois vão dançar, sim! – Márcia segurou a mão de Fernando e o puxou, fazendo o mesmo comigo logo depois.

Ela nos arrastou até a pista de dança, e embora todos parecessem animados em nossa volta, eu não estava nem um pouco igual à eles. Confesso que estava começando a me animar, mas isso foi antes de Fernando chegar. De repente senti que ali não era o meu lugar, que eu não preferia deixar a minha filha em casa para me divertir daquela maneira. Ao menos não em uma situação como aquela. Estava ficando incomodada com as pessoas me olhando, e ainda mais por Fernando perceber isso. O motivo de nossa discussão desde o inicio da semana foi por ciúmes, e tudo o que eu estava fazendo ali era piorar a situação. Ele não merecia passar por isso, mesmo depois do que fez.

- Podemos ir embora? – Falei ao seu ouvido para que ele me escutasse.

- Não está se sentindo bem?

- Não muito.

               Ele balançou a cabeça concordando e tocou em minha cintura com uma das mãos.

- Estamos indo embora! – Falei enquanto gesticulava para Márcia entender.

- Mas já? – Ela perguntou.

- Não estou muito bem.

               Márcia concordou, sem insistir. Sabia que eu não agüentaria muito tempo daquilo. Acenei para os outros e eles retribuíram o aceno. Fernando me acompanhou até a saída, e não tirou a mão da minha cintura em nenhum momento. E eu não queria que ele tirasse.

- Deixei o meu casaco no carro da Márcia. – Falei abraçando ao meu próprio corpo. O vento estava forte naquela noite.

- Toma. – Ele tirou sua jaqueta, colocando-a sobre meus ombros.

- Obrigada.

- Você não veio de carro, então?

- Está brincando? – O olhei. – Você escondeu minhas chaves!

- Eu? – Perguntou perplexo. – Por que eu faria isso?

- Para que eu não saísse logo depois de você, não foi?

- Eu não tenho motivos para isso. Acha que eu a deixaria presa em casa?

- N... Não. Mas então, quem...? – Parei para pensar em um minuto e fechei os olhos, me sentindo uma idiota. – Catarina.

- Ela pegou suas chaves?

- Ela tem o costume de pegá-las para brincar. Já disse várias vezes para ela não fazer isso.

               Fernando ficou em silencio, parado ao meu lado.

- Eu também merecia ser acusado assim?

- Como?

- Nada.

- O que queria que eu pensasse depois do que fez?

- Eu já pedi desculpas!

- Não é tão simples assim!

               Estávamos mais uma vez prestes a discutirmos, e eu já estava exausta daquilo.

- Vamos embora.

               Fernando tirou as chaves do bolso e seguimos para onde seu carro estava estacionado. Ele abriu a porta para mim e entramos no carro, ficando em silencio o tempo inteiro. Como era de se esperar, o silencio se estendeu durante todo o caminho até em casa, e quando chegamos, desci sem ao menos esperá-lo. A única coisa que eu queria naquele momento depois de ver Catarina era tirar aquela roupa, aquela maquiagem, e descansar minha mente. Entrei em casa e a luz da sala estava acesa. Não era tão tarde como eu imaginava, e não me espantei ao ver Irminha sentada ao sofá da sala acompanhada de Catarina.

- Olá. – Falei parando à porta.

- Mamãe! – Catarina pulou do sofá e correu em minha direção, abraçando minha cintura. – Achei que não me colocaria para dormir.

- Mudança de planos. – Sorri, alisando seus cabelos.

               Irminha se levantou e me olhou.

- Como foi?

               Não precisei responder. Fernando se aproximou parando ao meu lado.

- Papai!

- Oi, meu amor. – Ele pegou Catarina no colo. Por mais que ela já estivesse grande o suficiente para isso, ele jamais perderia esse costume.

- Eu sabia que você iria se encontrar com ele, mamãe!

- É. – Sorri. – Bom, mas ainda bem que chegamos, não é? Já está na hora de ir para a cama.

- Ahhh... Mas estamos vendo um filme! – Choramingou.

- Mas já passam das dez. Sabe que seu horário não é esse.

- Só hoje, mamãe!

               Irminha nos olhava sorrindo.

- Irminha já está cansada. Ela precisa descansar também.

- O papai assiste comigo, não é papai?

- É claro! – Fernando respondeu.

               Depois do que aconteceu, a ultima coisa que eu queria fazer era negar algo à Catarina, principalmente se fosse para ficar em nossa companhia.

- Tudo bem, então!

               Catarina comemorou e pulou do colo de Fernando, seguindo para o sofá.

- Irminha, obrigada por ter ficado com ela.

- Imagina. Sempre que precisarem podem me pedir. Faço isso com gosto. – Ela olhou para Catarina. – Até amanhã, Nina.

- Até amanhã, Irminha! Obrigada!           

               Sorri orgulhosa para ela.

- Até amanhã. Boa noite. – Ela disse à mim e à Fernando.

- Boa noite. – Respondemos juntos.

- Vem, papai! Senta aqui comigo!

               Fernando sentou-se ao lado de Catarina e ela o abraçou, sendo aninhada em um abraço. Era reconfortante aquela imagem em um momento tão delicado. Jamais pensaria que o meu casamento com Fernando fosse chegar à um ponto que viveríamos de aparência, como ele havia dito mais cedo, pelo simples fato de termos uma relação muito forte com Catarina. Por um momento eu quis me esquecer de tudo, e me juntar aos dois. Queria fingir que nada aconteceu e que tudo não passou de uma fase ruim. Mas, eu não me sentira totalmente feliz em fazer isso, e eu estaria enganando a mim mesma.

- A Senhora não vem, mamãe?

- Eu... Vou tomar um banho. Estou com um pouco de dor de cabeça.

               Fernando ergueu a cabeça para me olhar e eu me afastei, deixando os dois a sós. De fato estava com a cabeça doendo, mas por pensar tanto. A briga com Fernando, o seu pedido de desculpas, a minha vontade de ignorá-lo e ao mesmo tempo dizer que não suportaria mais tratá-lo daquela maneira. Estava tudo muito confuso, e eu precisava de um tempo sozinha para pensar em tudo. Andei pelo quarto e peguei o porta retratos que havia sobre a cômoda. Uma foto de nós três, tirada por Terezinha em um almoço de domingo. Fernando não era fã de fotos, mas naquela ele estava realmente feliz. Não era uma data especial, e mesmo assim estávamos exalando felicidade, pelo simples fato de estarmos em família. Catarina estava no colo de Fernando, e eu estava ao lado dos dois, abraçando-os. Nossos rostos estavam juntos e nossos sorrisos alargados mostravam que estávamos realmente felizes. Aquela era minha foto preferida, entre tantas outras que tínhamos juntos. Além de ser recente, eu adorava olhá-la todas as vezes que entrava no quarto, apenas para me lembrar do quanto tinha sorte por ter uma família tão linda. Meu coração se apertou, e coloquei o porta retratos de volta na cômoda, no mesmo instante que ouvi pequenos passos se aproximando. Me virei, e Catarina estava vindo ao meu encontro.

- Oi meu amor. – Sorri, tentando disfarçar as lágrimas que se juntaram em meus olhos enquanto olhava a fotografia.

- Mamãe...

               Me sentei à cama e ela sentou-se ao meu lado.

- Está triste?

               Eu não conseguiria mentir para ela, mesmo que a ultima coisa que eu quisesse era deixá-la preocupada com os meus problemas com Fernando.

- Um pouco. – Respondi sincera.

- Por quê?

- É complicado...

- A Senhora está brava com o papai?

- Não. Só... Um pouco chateada.

- Ele não fez por querer.

- Como?

- Chateá-la. Ele não fez por querer.

- Meu amor...

- Eu sei que não, porque ele gosta muito da Senhora. Os pais sempre amam as mães, então ele te ama. Assim como as mães amam os pais e a Senhora o ama.

               Sorri para ela e a envolvi em um abraço.

- A Senhora ainda ama ele, não é?

- Por mais que seu pai seja difícil de lidar, por mais que ele seja um grande cabeça dura e ciumento... – Suspirei sorrindo. – Sim, eu o amo. Amo muito.

- E me ama também, não é?

- É claro que sim. – Respondi meio à um riso. – Amo vocês dois, mais do que tudo no mundo.

               Catarina ficou em silencio e eu acariciei seus cabelos que caíam sobre os ombros.

- Está satisfeita? – Perguntei divertida.

- Sim! – Respondeu animada.

- E será que seu pai está satisfeito?

               Ela ergueu a cabeça para me olhar.

- Está satisfeito, Fernando? – Perguntei mais alto.

               Fernando saiu de trás da porta e escorou ao portal, cruzando os braços.

- Sim. – Respondeu de um jeito malandro.

- Você não tem vergonha de pedir uma criança de sete anos para vir saber se eu ainda estou brava com você? – Perguntei pacientemente.

- Eu só pedi para ela perguntar se você estava triste. – Ele se aproximou, sentando-se ao nosso lado. – O resto foi com ela.

               Olhamos para ela.

- Eu sei que o Senhor não gosta do pai do Marcos... – Ela disse olhando-o. – Mas ele é uma boa pessoa. Ele é apenas um amigo da minha mãe, assim como eu sou do Marcos.

- E a mãe dele? Ela também é uma boa pessoa? – Fernando perguntou, tirando também minha duvida. Eu jamais a conheci.

- Eu nunca a vi, mas pelo que Marcos me conta ela é uma boa pessoa sim, como o pai dele. E disse que eles se amam muito, assim como vocês dois.

               Olhei para Fernando e ele sorriu.

- Bom, agora já chega. Hora de ir para a cama, e parar de ficar se envolvendo nos problemas de adultos. – Me levantei, esticando a mão para ela.

- Vocês me colocam na cama?

- É claro. – Fernando se levantou. – Como quer ir? Voando ou...?

               Catarina o olhou divertida até que ele a pegou, colocando-a em seu ombro. Ela gargalhou e os dois seguiram juntos para o quarto dela. Pude ouvir o som das gargalhadas ecoarem pelo corredor e senti o meu coração se encher de alegria. Era impossível continuar triste ou magoada com aqueles dois em minha vida.

- Mamãe!

               Saí do meu quarto e fui para o de Catarina. Parei à porta quando ela pulou em sua cama e Fernando a cobriu, sentando-se ao seu lado na cama.

- Posso fazer só mais uma pergunta? – Perguntou manhosa, abraçando ao seu urso de pelúcia.

- Só mais uma. – Brinquei, me aproximando.

- Vocês dois estão bem?

               Nos olhamos confusos.

- Como assim? – Fernando perguntou.

- É que eu não quero que vocês se divorciem.

               Senti o meu coração se partir, e me abaixei, escorando-me à perna de Fernando.

- Onde você ouviu isso, filha? – Fernando perguntou.

- Eu tenho colegas que os pais deles são divorciados, e alguns deles só vêem o pai nos fins de semana ou nas férias. Eu não quero ter que ver o papai só nos fins de semana. Eu quero vê-lo todos os dias.

               Ela suspirou triste.

- E eu também não quero ser dividida ao meio para cada um ficar com uma parte.

               Fernando e eu não conseguimos nos segurar e rimos de sua teoria.

- Isso não vai acontecer. – Fernando respondeu. – Não vamos nos divorciar.

               Catarina me olhou, esperando por uma resposta.

- Jamais. – Segurei a mão de Fernando que estava sobre sua perna. – Não precisa se preocupar com isso.

- Então vão ficar juntos para sempre?

- É claro que sim! – Fernando respondeu, sorrindo. – E você não vai precisar ser dividida ao meio. A não ser que queira...

- Não! É claro que não! – Respondeu perplexa.

- Então assim ficará mais fácil de fazer... Isso!

               Fernando lhe fez cócegas e os dois gargalharam.

- Agora irei dormir mais tranqüila. – Ela disse quando recuperou o fôlego.

- Que bom. – Sorri. – Então, boa noite, meu amor. – Me levantei, inclinando-me sobre ela depositando um beijo em sua testa. – Durma com os anjos.

- Boa noite mamãe. Boa noite, papai.

- Boa noite, princesa. – Fernando fez o mesmo, e nos afastamos, parando à porta.

- Eu amo vocês. – Ela disse com um largo sorriso.

- Nós também te amamos. – Fernando respondeu.

- Muito. – Enfatizei.

               Fernando apagou a luz e a olhamos pela ultima vez antes de seguirmos para o nosso quarto. Catarina ao mesmo tempo que parecia uma criança madura demais para sua idade, possuía a mesma fragilidade para alguém da sua idade. É claro que ela ficaria preocupada se Fernando e eu estávamos brigados, e saber que a envolvemos nessa besteira me deixou com raiva de mim mesma. Poderíamos ter evitado prolongar aquela discussão se tivéssemos conversado sobre isso desde o início, e não deixado o ciúmes tomar conta de nossas vidas.

               Quando voltamos para o quarto, ficamos em silencio. Fernando tirou as coisas do seu bolso e as colocou sobre a cômoda. Tirei meus brincos e os coloquei sobre a penteadeira, e pelo espelho vi ele se aproximar, tocando em meus ombros. Senti meu corpo se arrepiar e me virei para ele, olhando em seus olhos.

- Precisamos conversar... – Ele disse docilmente.

- Eu sei.

- Acho que à essa altura já sabemos como fomos bobos, não é?

- Você mais do que eu. Mas, sim. – Sorri divertida.

- Me desculpe. Como eu disse mais cedo, você consegue controlar melhor seus sentimentos do que eu. Não sei sentir pela metade, e isso é bom e ruim.

- Bom e ruim por quê?

- Porque quando está relacionado à algum sentimento ruim, como o ciúmes, eu acabo fazendo besteiras, como fiz hoje e a semana inteira.

- E quando é bom...

               Ele baixou suas mãos pelos meus braços, repousando-as em minha cintura e me puxando para mais perto.

- Quando é bom... É o que eu sinto por você. É o que eu sinto quando estou perto de você. É o que eu sinto todos os dias quando acordo e olho para o lado e você está deitada sobre meu peito. É o que eu sinto todas as vezes que olho para Catarina e sinto uma felicidade inexplicável invadir meu peito, apenas por saber que ela é a junção perfeita do que sentimos um pelo outro. Que ela tem o melhor de nós dois. É o que eu sinto quando ela sorri e fica tão parecida com você. São nessas horas que eu sinto que tenho o coração maior do que eu pensava, porque só assim para caber tanto amor. Por você, e por ela.

               Sorri emocionada e senti os meus olhos encherem-se de lágrimas. Ele sorriu com ternura, aproximando-se deixando nossas testas escoradas uma à outra. Fechei os olhos e deixei que minha respiração respondesse por mim. Eu sempre ficava sem palavras quando Fernando se declarava daquela maneira, simplesmente porque sentia o mesmo que ele. Eu também sentia que meu coração estava prestes a se explodir de tanto amor que eu sentia por ele e por Catarina, e que os dois eram a minha vida.

- Eu sei que o que eu fiz hoje a magoou, e não me orgulho disso. Mas, se puder, eu queria que esquecêssemos tudo o que passamos de ruim essa semana. Os ciúmes, as discussões, as mágoas... Eu sei que estou pedindo demais, e provavelmente você está pensando se eu mereço isso...

- Realmente, estou. – Sussurrei e ele me olhou. – Brincadeira. – Sorri.

- Eu não sou perfeito, Lety. Eu queria ser, apenas para não magoá-la como faço algumas vezes. Queria ser para dar sempre o melhor para você e para Catarina. Mas, infelizmente eu não posso garantir isso, e algumas vezes preciso que me compreenda, da mesma maneira que eu irei compreendê-la quando fizer algo sem pensar. É quando eu menos mereço o seu amor que eu mais preciso dele.

               Entrelacei meu braço em seu pescoço e fiquei na ponta dos pés, deixando nossos rostos próximos.

- Eu não quero que você seja perfeito. – Sussurrei, descendo meus olhos até seus lábios. – Quero que você seja você, sempre. Mesmo que me tire do sério, mesmo que me faça chorar algumas vezes... Eu quero que continue sendo você. Foi assim que me apaixonei por você, e é assim que irei continuar me apaixonando todos os dias pelo resto de nossas vidas. Eu também não sou perfeita, e sei que também o deixo magoado algumas vezes. Só que ao contrário de mim você consegue se controlar um pouco mais. Mas eu quero que sejamos imperfeitos juntos. Quero que jamais pense em se afastar de mim ou qualquer coisa relacionada à isso. – Voltei a olhá-lo nos olhos, e eles brilhavam de encontro ao meu. – E principalmente quero que pare de pensar que vai acordar um dia e eu vou dizer que me cansei de você, porque isso nunca vai acontecer. Você citou apenas as coisas ruins, mas se esqueceu de citar quantas coisas boas faz por mim, se é que é possível citar tantas. E todas as vezes que você me faz sorrir, que você me faz sentir amada, eu apago completamente nossos momentos ruins. E acredite, os momentos felizes que passamos juntos são muito, muito maiores do que os ruins.

               Ele sorriu com ternura, tocando em meu rosto com uma das mãos.

- Não sabe como ouvir isso me deixa aliviado.

- E a mim também. – Sorri. – Eu te amo, Fernando Mendiola.

- E eu te amo muito.

               Selamos nossa conversa com um beijo apaixonado, daqueles que tira os meus pés do chão e me deixa nas nuvens. Poderíamos ter tido essa conversa dias antes? Poderíamos. Mas jamais teríamos passado pela prova de que nosso casamento e nosso amor era forte o suficiente para superar qualquer coisa, até mesmo uma crise de ciúmes boba que tivemos. Eu já não me preocupava mais com Carla. Já não me preocupava mais com o passado de Fernando. Estávamos vivendo o presente, e no presente, eu carregava o seu sobrenome.

- Preciso dizer uma coisa... – Ele disse ao pausar o beijo. – Você não imagina o quanto eu tive que ter forças para ficar perto de você vestida dessa maneira, sem poder seqüestrá-la.

               O olhei rindo.

- É... Foi idéia da Márcia. Eu até que gostei, mas acho que não combina muito comigo. Vou tirá-la.

               Me virei para ir ao banheiro tirar aquela roupa, mas Fernando me segurou pela cintura, aproximando-se. Permaneci de costas para ele, e estremeci ao senti-lo abrindo o zíper do vestido.

- Deixa que eu tiro para você... – Sussurrou próximo ao meu ouvido.

               Deixei que ele terminasse de abrir o zíper, até sentir uma das mangas escorregando suavemente sobre meus ombros. Fechei os olhos ao senti-lo se aproximar, depositando um beijo em meu ombro despido.

- Você não sabe o quanto fico louco quando você se veste tão provocante assim. – Sussurrou enquanto continuava os beijos por meu ombro.

- É bom saber. Irei me vestir assim mais vezes.

- Por favor. – Voltando a me segurar pela cintura, ele me virou para ele. – Mas com uma condição.

- Qual?

- Vai me deixar despi-la sempre que chegarmos em casa.

               Sorri maliciosa.

- Com todo o prazer.

               Fernando sorriu, e voltou a me beijar. Senti o vestido escorregar pelo meu corpo e ele parou o beijo, me olhando.

- O que foi? – Perguntei achando que havia algo errado.

- Eu tenho mesmo muita sorte.

               Balancei a cabeça rindo e voltamos a nos beijar. Fernando nos guiou até a cama, e ali fizemos as pazes definitivamente. Não seria a ultima vez que sentiríamos ciúmes um do outro, obviamente. Mas, estávamos aprendendo com tudo isso, e saber que juntos conseguiríamos enfrentar qualquer coisa que tentasse impedir nossa felicidade, nos deixava ainda mais fortes. Não éramos perfeitos, e de fato ainda não somos. Mas, é como dizem: “Um casamento perfeito é apenas duas pessoas imperfeitas que se recusam a desistir um do outro”. E nós dois jamais desistiríamos.

 



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