História Depois do fim - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Daniel, Marian, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Vovó (Granny), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Lana Parrilla, Once Upon A Time, Outlaw Queen, Outlawqueen, Regina Mills, Robin Hood, Sean Maguire
Visualizações 181
Palavras 4.694
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Heey meus bolinhos,
Tudo bem com vocês? Eu realmente espero que sim.
Eu prometi que voltaria logo, então aqui estou eu, com mais um capitulo fresquinho pra vocês.
Antes de irmos a ele, quero agradecer pelos 55 favoritos e por todos os comentario! Vocês sao realmente incriveis, e ver todo o carinho que a história está recebendo enche meu coração de alegria!
Muuuito obriga, obrigada por tudo!
Bom, eu espero que vocês gostem do capitulo!
Me desculpem qualquer erro e booa leitura!

Capítulo 13 - Palavras ao vento


“ Enfrentar o desconhecido não é uma tarefa fácil.

Não é fácil se jogar de cabeça no vazio de algo que você não sabe o que esperar. Assim como mudanças não são fáceis, enfrentar aquilo que nunca vimos, que desconhecemos a forma e o gosto, também exige uma certa dose de coragem da nossa parte.

Sim, é mais fácil permanecer no nosso pequeno mundinho. O mundinho do que conhecemos, das coisas que sabemos exatamente o que esperar, que sabemos como agir. É cômodo, e de certa forma, nos tranquiliza.

Qual o problema disso? Aposto que esta pergunta passa pela sua cabeça agora, enquanto lê minhas palavras. O problema é que, ao permanecemos no mesmo lugar tiramos de nós mesmos a possibilidade de sermos surpreendidos.

Você nunca vai saber o que há na outra esquina se não caminhar até lá. Nunca vai saber se um determinado sabor de sorvete é bom se não prova-lo antes. Você nunca irá descobrir se não se arriscar, se não tentar.

Sim, eu sei o que você pensou. “Mas e se der errado, e se eu me machucar?”.

Bom, para essa pergunta, eu só tenho uma resposta. Talvez não seja a resposta que você espera. Talvez nem seja a resposta correta para essa situação, mas é a única que eu tenho.

Se tudo der errado e você acabar ferido, respire fundo e se apoie nas paredes. “Levante-se e continue andando, porque a vida é bonita, e tem muitas coisas belas para te mostrar.”

A mala que Robin ajuda Regina a tirar da parte de cima do guarda roupa não é muito grande, mas terá que servir, já que a morena não consegue se lembrar onde colocou a outra que era maior. Talvez Daniel a tenha usado para colocar suas coisas quando foi embora. No estado em que ela se encontrava naquele dia, simplesmente não consegue se lembrar daquele detalhe.

- Precisa de ajuda com mais alguma coisa? – a voz do fotografo desperta Regina de seus devaneios a respeito da mala desaparecida, e ela se vira para encara-lo, seus olhos instantaneamente se prendendo ao mar azul que são os olhos dele. O loiro está sorrindo, e quase que involuntariamente, um pequeno sorriso se forma nos lábios dela também.

- Não, obrigada, acho que agora consigo dar conta de organizar as coisas.  – responde, virando-se em seguida para o closet, tentando pensar no que deveria levar. É quando começa a considerar as combinações de roupas que ela se dá conta de um detalhe essencial no qual nem ela nem Robin haviam parado para pensar alguns minutos antes, quando a morena aceitara o convite do fotografo para viajar. Para onde eles iriam?

Com esse pensamento em sua mente, Regina se vira, refazendo seus passos e reencontrando o loiro exatamente onde o deixou, sentado na ponta da cama. – Robin, sabe o que eu acabei de pensar? Não decidimos para onde vamos. Não posso arrumar uma mala sem saber qual será o nosso destino. – suas palavras saem em um tom descontraído e leve, surpreendendo até a ela mesma.

- Você tem razão. Há algum lugar que você gostaria de visitar? Alguma cidade para a qual sempre teve vontade de ir? – questionou o loiro, que deixaria que ela escolhesse o destino sem nenhum problema. O que mais importava para ele era sair de Washington. O resto era apenas um mero detalhe.

Regina escorou as costas na porta do closet, seus olhos fixos no loiro a sua frente. O silêncio se instalou entre eles enquanto ela pensava na pergunta que lhe fora dirigida, uma infinidade de locais passando por sua mente.

Desde que era menina, Regina tinha vontade de viajar pelo mundo, de conhecer novos lugares e novas culturas. Como Cora criara a ela e a irmã sozinha, dinheiro não era uma coisa que sobrava para que elas se dessem ao luxo de viajar. E depois, ela e Daniel acabaram se casando e ela publicara seu primeiro livro, deixando aquele seu lado aventureiro para trás.

Muitos lugares passaram por sua cabeça, tanto dentro quanto fora dos Estados Unidos. Haviam tantos lugares que ela gostaria de conhecer....mas enquanto pensava, sua mente parou em uma lembrança.

Ela e Zelena eram crianças e estavam sentadas na sala de casa, folheando uma das revistas de moda que a mãe delas guardava em um cesto de vime que ficava perto da lareira. Regina estava distraída com as imagens de mulheres de sorrisos brilhantes e vestidos bonitos, imaginando se um dia seria tão elegante quanto elas, mas a irmã mais velha corria os olhos por uma fotografia de página inteira.

Flashback  on

Era uma rua cumprida, cheia de letreiros luminosos e pessoas que pareciam desfilar ao invés de andar. Maravilhada com a foto, Zelena não percebeu quando sua irmã mais nova se aproximou, fechando a própria revista e passando a olhar a mesma imagem que a irmã encarava.

- Que lugar é esse? – questionou a pequena de longos cabelos negros, despertando a mais velha de seus devaneios com a fotografia.

- É bonito não é Regina? – questionou a ruivinha, desviando seus olhos da paisagem da cidade para foca-los nas orbes castanhas da irmã.

- É sim. Onde é? Como se chama? – Regina voltou a perguntar, parecendo tão deslumbrada quanto sua irmã mais velha pela paisagem retratada na revista.

- Chama-se Nova York, e fica aqui mesmo, no pais que a gente mora. – explicou Zelena, por um instante assumindo um ar professoral enquanto explicava para irmã o que lhe encantara naquela imagem. – Lá é uma cidade cheia de vida Regina. Cheia de possibilidade. Em Nova York, você pode ser o que quiser. – terminou a pequena dos cabelos de fogo, percebendo que sua irmã menor ficara encantada com suas palavras.

- Nós podíamos ir morar lá Zel. Eu e você. Já imaginou? Poderíamos ser qualquer coisa que quiséssemos. – exclamou Regina, voltando a encarar a imagem da cidade, já com mil planos mirabolantes se formando em sua imaginação fértil de criança.

- Nós vamos Gina. Quando formos grandes, vamos conhecer Nova York e morar lá. – respondeu a mais velha, feliz em ver que a irmã a acompanharia em suas andanças pelo mundo.

- Promete? – questionou Regina, tirando os olhos da foto para encarar o verde dos olhos de sua irmã. Zelena estava sorrindo, um sorriso grande, de orelha a orelha, daquele tipo de sorriso que só ela conseguia dar, e naquele momento, Regina sentiu que a promessa havia se formado mesmo sem as palavras.

- É claro que prometo. – respondeu a outra, passando um braço pelos ombros da irmã mais nova e abraçando-a de lado.

Flashback off

- Regina? – pela segunda vez em apenas alguns minutos, a voz de Robin desperta a morena de seus devaneios, e a lembrança dela e de Zelena crianças evaporando em sua mente como se fosse formada por uma nuvem de fumaça.

Lembrar da irmã é doloroso. Ela queria tanto que Zelena estivesse ali...este pensamento faz com que os olhos da morena lacrimejem, e ela luta para se recuperar. Não quer chorar de novo, não agora. Nova York...ela e a irmã nunca chegaram a cumprir aquela promessa. Não tiveram tempo para concretizar seus planos, mas talvez, Robin pudesse ajuda-la com isso. Talvez ela ainda pudesse desfrutar daquela experiência de conhecer a cidade que tanto a encantara quando era criança.

Com esse pensamento rondando em sua mente, Regina levantou o olhar até encontrar os olhos de Robin, que exalavam preocupação com o silêncio que se instalara entre eles. – Está tudo bem? – pergunta o loiro, antes que a escritora tenha tempo de dizer qualquer coisa.

Um tímido sorriso se forma nos lábios de Regina, que não pela primeira vez, nota o quanto Robin parece se preocupar com ela. – Está sim, eu só me perdi em lembranças por um momento. O que acha de irmos para Nova York? – questionou, passando a mão pelos olhos para espantar o vestígio de lágrimas.

Ao ouvir a sugestão dela, Robin não pode deixar de sorrir diante das ironias preparadas pelo destino. Diante de tantas possibilidades, de tantas escolhas que Regina poderia ter feito, ela escolhera justamente Nova York, Justamente a cidade que o fotografo sempre quisera conhecer, o lugar que tinha planos para ser o local de sua lua de mel, mas que acabara nunca visitando porque Marian o convencera de que comprar um apartamento era a melhor opção.

O desejo de conhecer uma das cidades mais famosas do mundo ainda batia forte no peito do loiro, e ele se deu conta de que queria muito que fosse Regina a lhe acompanhar naquelas descobertas. Sim, Nova York era o destino perfeito para que eles fugissem do mundo por algum tempo.

Notando os olhos castanhos da moça ainda a encara-lo, a espera de uma resposta, o loiro se apressou em deixar que as palavras fluíssem por seus lábios. – Acho uma ótima ideia! Sempre tive vontade de conhecer Nova York, mas a oportunidade nunca surgiu.

- Então vamos para Nova York! – exclamou Regina, dando as costas a Robin e voltando para dentro do closet. Ela parecia uma criança toda animada para um dia alegre em um parque de diversões, e o coração de Robin se aqueceu ao vê-la daquele jeito.

Sim, ele sabia perfeitamente bem que as coisas não estavam fáceis para ela. Não estavam fáceis para nenhum dos dois, para dizer a verdade. Mas talvez uma mudança de ares pudesse fazer bem. Talvez, se afastar de todo aquele cotidiano quebrado fosse justamente do que eles precisavam.

----

O cheiro de café chegou forte, invadindo todo o ambiente no qual a morena se encontrava, e Regina suspirou, sentindo seu corpo relaxar. Desde que se entendia por gente que ela amava café, e tinha que admitir, o café que Robin fazia era um dos melhores que ela já provara.

Lá estava ela, no escritório, o lugar que antes era o seu refugio do mundo, mas que nos últimos meses se tornara um lembrete constante de sua tormenta. Ela entrara poucas vezes ali desde que tudo acontecera, e enquanto seu olhar passeava das estantes lotadas de livro para a mesa onde seu computador repousava, ela se perguntou como as coisas podiam ser assim, tão mutáveis, tão inseguras sobre si mesmas.

Tudo muda, independente do que queremos ou deixamos de querer. As coisas nunca serão exatamente como esperamos que sejam. Algumas serão melhores que as nossas expectativas, outras serão piores, essa é a mais pura verdade. O que cabe a nós? Saber como nos moldar a todas essas mudanças. Saber a hora de ir, ou a hora de ficar.

Era nessas mudanças que Regina pensava enquanto estava ali, parada no meio do escritório, pegando as ultimas coisas das quais precisava antes de partir para o desconhecido, para a aventura que aquela viagem seria.

Sim, Robin tinha toda a razão quando dissera que ela precisava de umas férias do mundo. Sim, ela precisava tirar um tempo para si, um tempo que a ajudasse a entender tudo que acontecera nos últimos meses, todas as mudanças pelas quais passara e ainda estava passando.

Por um momento, a morena se perdeu em suas reflexões, esquecendo-se quase que completamente do que viera buscar naquele cômodo da casa. Sua mala já está pronta. Falta apenas o livro e um caderno. Sim, há muito tempo que ela já não consegue escrever como antes, mas quem sabe em um ambiente diferente, sem todas aquelas lembranças a rodeá-la, ela não consiga fazer as coisas mudarem?

Seus olhos recaem na mesa. Há um caderno ali, um caderno de espiral com uma capa lisa. Como ornamento, há apenas uma maçã vermelha. Aquele caderno fora um presente de Zelena, o ultimo que ela lhe dera antes do acidente, e já naquela época, Regina estivera planejando usar aquele caderno para uma historia especial. Quem sabe Nova York não lhe trouxesse as palavras de volta?

A mão da morena deslizou pela capa do caderno, e ela o guardou dentro da bolsa, pegando também algumas canetas azuis. Regina não sabia se era uma mania de escritora ou se era só uma mania sem sentido, mas a verdade era que, quando se tratava de escrever em cadernos, ela não conseguia escrever com canetas de outra cor que não o azul, e muito menos de lápis.

Pronto, caderno e canetas guardados. Agora só faltava uma ultima coisa, um último detalhe. Um suspiro escapa dos lábios da morena. Faz tanto tempo desde a última vez que leu aquele livro. Tanto tempo desde que esteve emersa naquelas palavras...ela era uma pessoa diferente naquela época. Não seria exagero dizer que agora, passando os dedos pelo titulo em relevo do livro, sentia-se como se o estivesse lendo pela primeira vez.

Talvez fosse mesmo esse o caso, afinal, a garota que lera as palavras escondidas naquelas páginas já não era mais a mesma há algum tempo. Ela tinha mudado, tinha plena consciência disso. Apesar das mudanças, olhar para aquele livro lhe trazia a mesma sensação reconfortante de antes.

Seus olhos se fecham, os braços se apertando em torno do livro. Aquele era um dos exemplares mais velhos que ela tinha em sua coleção, fora presente de sua mãe, e também era o livro que ela mais amava.

Sim, ela iria dar um tempo de tudo aquilo. De tudo que acontecera, de todas as lembranças, mas, mesmo que estivesse embarcando rumo ao desconhecido, levaria aquele livro junto, um pedacinho da Regina de antes do qual ela não queria se desfazer, um pedacinho de casa, preso nas paginas amareladas pelo tempo.

Flashback on

Washington, 24 de dezembro de 2002

Não havia uma árvore natal gigante, daquelas cheias de enfeite com uma estrela na ponta.

Não. A árvore na casa das Mills era pequena, e fora colocada no centro da mesa de jantar. Não era nem mesmo um pinheiro como manda a tradição. Era uma planta que Cora tinha em sua casa há muito tempo, talvez desde antes do nascimento de Zelena, e que as meninas haviam escolhido para ser a árvore de natal delas.

Todo ano, suas garotinhas pediam que a mãe colocasse a planta no centro da mesa da sala, e ali, elas a enfeitavam com fita colorida e uma estrela feita de origami. Todo ano a cor da estrela mudava, e era sempre Regina quem escolhia.

Alguns dias antes da data, Zelena, que era a pessoa da família com talento para desenhos e esculturas, pedia que a irmã menor escolhesse uma cor, e então ela fazia a maior estrela de origami que conseguisse, e elas colocavam no topo da planta.

A estrela desse ano já fora colocada, e a cor da vez era o vermelho. Todas as estrelas que sua primogênita fizera eram lindas, mas daquela vez, Zelena havia se superado. A estrela vermelha era o destaque, e para acompanha-la, as garotas haviam cortado algumas tiras de papel colorido, que arrumaram feito guirlandas ao redor da planta.

Os presentes foram arrumados ao redor da mesa. Não eram muitos, seis ao total. Dois eram de Cora, um para cada uma de suas filhas. Dois eram das meninas para a mãe, em geral um desenho ou uma carta, que a mulher guardava com todo o carinho em uma caixa em seu guarda roupa, e os últimos dois eram a troca entre as irmãs. Todo ano era a mesma coisa. Regina dava um presente para a irmã mais velha, e Zelena fazia o mesmo.

A distancia que as separava uma da outra não era muita, apenas dois anos. Por isso, toda vez que olhava para as filhas, que pareciam ser a melhor amiga uma da outra, Cora se sentia agradecida e feliz, por vê-las tão unidas. Já que o pai delas havia partido sem deixar nem mesmo um telefone de contato e elas não tinham outros parentes próximos, era bom ver que elas tinham uma a outra, que eram tão ligadas.

- Mamãe, o jantar já está pronto? Estou com fome! – falou Regina, despertando a mãe, que encarava os preparativos para a ceia de natal com um sorriso bobo brincando em seus lábios.

Ao ouvir a voz da filha mais nova, Cora desviou os olhos da planta que fazia às vezes de árvore de natal, pousando-os nos castanhos da filha, que a encarava a espera de uma resposta. – Isso não é possível Regina, você comeu uma tigela de cereal não faz nem dez minutos. Como pode estar com fome? – exclamou Cora, sorrindo para a filha e sabendo perfeitamente bem que a menina não estava com fome coisa nenhuma, e só queria comer logo para poder abrir os presentes.

Regina sorriu travessa, mostrando que as suposições de sua mãe estavam mais do que corretas. – Porque não podemos abrir os presentes antes do jantar? – questionou a menininha, fazendo uma careta de dó que só fez com que a mulher a sua frente sorrisse ainda mais.

- Porque não é assim que manda a tradição filha. – respondeu Cora, erguendo a mão e fazendo um carinho na bochecha da filha.

- E desde quando nós seguimos a tradição mamãe? Não temos nem mesmo uma arvore de natal do jeito que “manda a tradição” - foi Zelena quem falou, aparecendo na porta da sala e fazendo o sinal de aspas com a mão quando terminou a fala.

Assim como sua irmã mais nova, a ruivinha de treze anos também estava louca para abrir seus presentes. Pelo formato do que estava embrulhado em cima da mesa, tinha quase certeza que a mãe comprara o que ela mais queria ganhar na vida, e se estivesse certa, aquele seria o melhor natal de todos.

- Por favor, mamãe, vamos trocar presentes agora?- pediu Regina, que foi logo acompanhada por Zelena em seu pedido. – É mamãe, por favor!! Nós prometemos comer todo o jantar depois se a senhora deixar a gente abrir os presentes agora! – falou a ruiva, aproximando-se das outras duas e abraçando a irmã mais nova.

- O tempo que eu conseguia enrolar vocês duas dizendo que o papai Noel ainda não chegou já passou não é? – falou Cora, sorrindo para as filhas, que abraçadas uma a outra a encaravam com olhos pidões irrecusáveis.

- Já! – responderam as meninas, animadas com a possibilidade de abrirem seus presentes sem ter que esperar que o relógio batesse meia noite.

- Tudo bem, tudo bem. Podemos abrir os presentes agora. – disse, em um tom de voz que imitava o cansaço, como se ela tivesse acabado de perder uma grande e importante batalha para suas filhas. Ao ouvirem aquelas palavras, as meninas quase pularam de alegria, e deram as costas para a mãe, rumando para o centro da sala, onde os presentes estavam arrumados ao redor da planta com a estrela vermelha.

Cora as acompanhou, sorrindo ao ver a empolgação que as duas estavam para ver o que ganhariam naquele ano. – Antes de abrirmos os presentes, vocês tem que me prometer que vão comer tudo, inclusive os legumes. Prometem? – perguntou a mulher, pegando os embrulhos com os presentes das duas filhas e parando de frente para elas, enquanto esperava pela resposta.

- Prometemos! – responderam as duas em uníssono, os olhinhos ansiosos, verdes e castanhos, brilhando na direção dos pacotes.

- Certo. Então podem abrir. – respondeu Cora, entregando um dos embrulhos a cada uma delas.

Zelena foi a primeira a abrir, e parecia ser a mais ansiosa das duas para ver o que havia dentro do pacote. Quando seus olhos encontraram um conjunto de pinceis e lápis da aquarela, seus olhos marejaram, parecendo duas esmeraldas brilhantes. Aquilo era exatamente o que ela queria.

- Obrigada mamãe! – exclamou, pulando na mãe em um abraço desajeitado e cheio de alegria. – De nada minha artista. Estou curiosa para ver as maravilhas que você fará com todo esse material. – foi à resposta que Cora deu a filha, abraçando-a de volta e beijando seus cabelos ruivos.

Zelena amava desenhar e pintar. Era uma artista talentosa já naquela pouca idade, e ver que um simples presente de natal deixara sua pequena tão feliz encheu seu coração de alegria. No que dependesse dela, suas meninas realizariam os sonhos delas, e fora justamente por isso que comprara aquele material de pintura para a filha mais velha. Porque tinha certeza que aquele era o sonho dela.

A próxima a abrir o presente que ganhara foi Regina. Os dedos da menininha estavam ligeiramente trêmulos enquanto ela rasgava o papel da embalagem, seu coração aos saltos. Diferente de Zelena, ela não fazia a menor ideia do que poderia haver ali, e a curiosidade parecia aumentar a cada segundo que passava.

Finalmente, depois do que pareceu ser uma pequena eternidade, ela conseguiu se livrar de toda aquela embalagem, e seus olhos encontraram um caderno de capa azul e um livro com o titulo em letras douradas e de auto relevo. “O sol é para todos”, era o titulo que a menina leu, passando os dedos pelas letras que seus olhos captavam.

Ela se lembrava de ter visto o livro em uma visita a livraria com a mãe e a irmã. Ficara encantada pela historia que a sinopse revelava, louca para saber a história que aquelas paginas guardavam, mas no fim das contas estava caro demais, e ela não o levara para casa.

- E então maçãzinha, o que achou? – questionou Cora, olhando para a filha mais nova, uma pontinha de ansiedade sobressaindo em sua voz. Mesmo que não pudesse dar muito para suas meninas, ela queria que Regina e Zelena tivessem um bom natal, e o presente era parte do pacote.

Os olhos castanhos da garotinha passam do livro para o caderno de capa azul, e então finalmente se erguem para encontrar o olhar da mãe, que a observa com certa expectativa. Regina exibe um sorriso de orelha a orelha, e Cora sente seus ombros relaxarem.

 – Eu amei mamãe!! Muito obrigada!!! – exclama a menina, pulando nos braços da mãe e a abraçando com força. – Esse é com certeza o melhor natal de todos! – completa, sua fala sendo acompanhada pela risada de Cora e a gargalhada de Zelena.

Sim, aquele com toda certeza era um natal especial para suas garotinhas, e consequentemente para ela também, foi o pensamento de Cora quando sua filha mais velha se juntou ao abraço, e elas ficaram assim, três Mills que naquele momento se tornavam uma. Uma pequena, porem unida, família.

Flashback off

----

- Seja bem vinda a minha humilde morada. – foram as palavras de Robin para Regina quando o fotografo empurrou a porta de seu apartamento e fez um gesto com a mão, indicando para que a morena passasse primeiro.

- Obrigada. – responde à morena, que assim que entra no apartamento tem seu olhar atraído para a estante repleta de livros que há na sala.

- Não repara na bagunça, eu não tive muito tempo para organizar as coisas desde que fiquei sozinho, então....- Robin volta a falar, parecendo ligeiramente apreensivo sobre a impressão que a morena teria de sua casa.

- Não se preocupe Robin. Não me importo com isso. Além do mais, você viu o estado que minha casa está nas vezes em que esteve lá. – respondeu Regina, lançando um pequeno sorriso na direção do fotografo, achando graça da preocupação dele com relação à impressão que ele teria do apartamento em que vivia.

O loiro abriu a boca, prestes a formular mais algum pedido de desculpa, provavelmente sobre a louça que ainda estava na pia ou sobre as fotografias espalhadas em cima da mesa, mas Regina foi mais rápida, virando-se e caminhando na direção da estante enquanto voltava a falar. – Pelo que estou vendo não sou a única amante de livros por aqui. Já leu todos esses? - perguntou, seus dedos percorrendo com certo fascínio as lombadas dos livros que estavam expostos ali.

Antes de responder, Robin se aproximou de onde ela estava, parando logo atrás dela, talvez com apenas um passo de distancia. Regina sentiu seu coração acelerar, um calafrio percorrendo todo o seu corpo. Não precisava olhar para saber o quão próximo o fotografo estava.

Quando a resposta dele chega aos ouvidos dela, a voz está perigosamente próxima. Tão próxima que a morena sente uma lufada de ar quente atingir-lhe a lateral do rosto. – Não todos, mas a maioria deles sim. – diz Robin, tão consciente quanto Regina da proximidade de seus corpos. – O ultimo que li, um dos melhores, diga-se de passagem, foi esse daqui. – completa, apontando para uma lombada guardada na fileira acima daquela que a morena estivera examinando, e quando leu o titulo, Regina sentiu seu sangue gelar, o estomago parecendo ser a nova morada de um enxame de borboletas.

O titulo salta aos seus olhos. “Pétalas de Sangue e Veneno”.  O seu livro. Robin lera o seu livro. Sem saber por que, aquela informação a inquieta. O que ele realmente tinha achado do que leu? Será que teria gostado mesmo, ou estava falando que era uma das melhores leituras apenas para agrada-la?

- E o que você achou destas palavras? - Perguntou, virando-se e ficando de frente para o fotografo. Robin estava mais próximo do que ela previra, e suas respirações se misturaram uma à outra. Azul e castanho se chocam um contra o outro, e por mais que tentem, nenhum dos dois consegue desviar o olhar.

O sorriso fácil brota nos lábios do loiro, e quando ele fala, seu tom de voz é baixo, uma nota de divertimento brincando em cada uma de suas palavras. – Eu achei incrível. Amei cada palavra. E acredite, quase derramei algumas lagrimas. – responde, a mão apoiada na estante, formando um arco.

Seu coração está acelerado, e seus olhos continuam fixos nos castanhos chocolate que são os olhos dela. Quanto tempo eles ficam assim, apenas olhando um pro outro como se nada mais no mundo merecesse receber sua atenção? Nenhum deles consegue precisar, mas no fim das contas, castanho se desvia do azul, e Regina volta a encarar a estante de livros.

- Fico feliz em saber que tenha agradado a ponto de se tornar um dos seus favoritos. – diz, em um tom ligeiramente desconcertado, fazendo de tudo para que sua voz saia no mesmo tom descontraído de antes, esforçando-se para ocultar o nervosismo que de um minuto para o outro, a acometeu.

- Não tenha duvidas disso milady. Esse livro é realmente espetacular. Exatamente como sua autora, devo ressaltar. – É a resposta do loiro, que assim como ela, tenta retomar o ritmo das batidas de seu coração.

- Você é sempre tão galante? – pergunta Regina, virando-se novamente quando percebe Robin se afastando da estante. Seu tom é divertido, mas uma pontinha de tensão continua presa em suas palavras.

- Só as terças-feiras....e quando a mulheres bonitas envolvidas. – fala Robin, procurando os olhos castanhos novamente. Ele está sorrindo, e agora que alguns passos os separam, acha mais fácil controlar toda aquela situação que repentinamente tensa. – Felizmente, hoje é terça-feira. – completa, observando enquanto um sorriso de descrença e divertimento surge nos lábios da morena a sua frente.

Regina balança a cabeça em sinal de negação, perguntando-se como uma pessoa que só aparecera em sua vida há poucos dias podia ser uma companhia tão agradável. Em alguns momentos, ela tinha a sensação de que o conhecia há tanto tempo...quase como se o tempo transcorrido desde que terminaram o colégio nunca tivesse passado. Como aquilo era possível ela não fazia ideia.

Antes que a morena pudesse chegar a uma resposta para as inúmeras perguntas e teorias mirabolantes que se formavam em sua mente, a voz de Robin a despertou de seus devaneios. – Aguente aqui alguns minutos, vou arrumar uma mala e então poderemos ir. Pode me fazer um favor enquanto espera? – pergunta, ainda sem desmanchar o sorriso dos lábios.

- Do que você precisa? – a morena devolve a pergunta, imaginando qual será o pedido que o fotografo tem em mente.

- Escolha um livro para eu levar? Tenho certeza que você tem um ótimo gosto literário. – responde Robin, deixando de fora de sua resposta que não duvida que a mulher a sua frente tenha um ótimo gosto para outras coisas que não os livros.

- Claro. – diz Regina, soltando o ar que nem se dera conta de estar prendendo. Ela se volta para a estante, examinando os exemplares que Robin guarda ali, e escuta os passos do loiro se afastando em direção a outra porta, provavelmente seu quarto.  


Notas Finais


E então, o que acharam??
Espero que tenham gostado!
Deixem um olá pra mim, vou adorar saber o que vocês estão achando da história e o que acharam do capitulo!
Vou deixar o twitter da fic aqui, caso queiram falar comigo por lá > @Escarlate_JCM
Beijooos e até o próximo capitulo!


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