História Depois do fim - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Daniel, Marian, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Vovó (Granny), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Lana Parrilla, Once Upon A Time, Outlaw Queen, Outlawqueen, Regina Mills, Robin Hood, Sean Maguire
Visualizações 181
Palavras 5.318
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Heey meus bolinhos!!
Sim, eu sei que nao faz muito tempo desde a ultima vez que a gente se viu aqui, mas, esse capitulo já estava pronto, e eu acabei resolvendo postar ele hoje.
Esse é um dos capitulos que eu mais gostei de escrever, então estou bem curiosa para saber o que vocês vão achar dele, haha
Antes de irmos para o capitulo em si, quero deixar um agradecimento especial a cada um de voces, que acompanham essa historia. Obrigada por lerem. Obrigada por comentarem. Obrigada por irem ao twitter falar comigo. Obrigada por todo esse carinho, vocês realmente sao incriveis, e sao os responsaveis por manter essa história viva.

Este capitulo é dedicado a uma pessoa muto especial para mim, que completará aninhos na proxima segunda. Lili, minha praguinha favorita, eu desejo tudo de melhor para voce, e mesmo que eu nao esteja ai para te dar um abraço no dia do seu niver, eu espero do fundo do coração que seja um dia especial para você. Lembre-se: eu sempre vou estar aqui quando precisar de mim!
Te amo!!
Feliz aniversario adiantado!

A todos os leitores, eu espero que essa seja uma boa leitura, espero que vocês gostem!
Me desculpem por qualquer erro :)

Capítulo 14 - Cadernos e Trilhos


Nós nunca sabemos para onde vamos.

Por mais que criemos a ilusão de que controlamos nossa vida e tudo que há nela, a grande verdade é que nós é que somos controlados, grandes peões do destino, que brinca conosco e embaralha nossas cordas finas e sensíveis, apenas para se divertir.

Sim, nós nos iludimos. Sempre achamos que fazemos escolhas, que escolhemos esse ou aquele caminho, mas a verdade que ninguém percebe é que muitas das vezes, nós apenas seguimos um caminho que a muito já está traçado, como um vagão de trem que percorre o caminho pelos trilhos.

Por mais que planejemos, que criemos verdadeiros castelos de possibilidades em nossas mentes, o fato é que nada nunca vai sair exatamente como planejamos. O destino, caprichoso como é, sempre vai arranjar um jeito de impor sua vontade, de deixar sua marca, independente do que nós, meros e egocêntricos mortais, queremos ou deixamos de querer.

E o que isso tudo significa? Devemos deixar de fazer escolhas e apenas caminhar ao sabor do destino, como um marinheiro que navega ao sabor do vento, mesmo que tenha perdido seu mapa para uma tempestade? Não, é claro que não.

Mesmo que não sejam tudo que nos definem, as escolhas são importantes. Se você escolhe, mesmo que aquela não seja uma decisão muito sábia, significa que se importa o suficiente para pensar no assunto. Se escolhe, significa que mesmo que as coisas deem errado, você tentou, e no fim das contas, é isso que realmente importa.

Eu não sei por que o destino te colocou no meu caminho. Não sei por que os reencontramos naquele bar, em um momento em que eu acreditava que nada mais havia me restado além da tristeza.

Não sei por que o destino me deu seus olhos, para depois fecha-los para mim. Eu não tenho respostas para essa pergunta, mas ainda assim estou escolhendo, como uma criança no escuro, que tateia as paredes a procura do interruptor de luz.

Eu não sei o que o destino reserva para nós, mas ainda assim, eu estou escolhendo ficar.”

A estação de trem estava quase vazia há àquela hora, e sentada em um banco de madeira, Regina observava os poucos passantes que desfilavam a sua frente, imaginando se a historia de algum deles poderia acabar dando um livro.

Já fazia tanto tempo que ela não escrevia....e agora, sentada ali, esperando que Robin voltasse com o café que se oferecera para ir comprar, começava a se dar conta da saudade que a acometia. Sentia falta do antes, da pessoa que ela era antes, das pessoas que tinha ao seu redor, das palavras que escrevia com tanta naturalidade, quase como se estivesse cumprindo uma função automática de seu corpo, quase como respirar.

Os olhos castanhos continuam a percorrer a extensão da estação, esbarrando com alguns apressados que provavelmente estavam esperando um trem para casa, ou que estavam ali apenas para matar o tempo. Havia tanta historias ali, historias anônimas que muito provavelmente ninguém se importaria em conhecer, mas que ainda assim, já gritavam frases e diálogos na cabeça da morena.

Quase que inconscientemente, as mãos dela voaram para o fecho de sua bolsa, abrindo-o e puxando de lá o caderno que trouxera, juntamente com uma caneta azul. Seu olhar cruzou com o de uma senhora muito idosa, que carregava uma sacola grande demais para o seu corpo franzino e miúdo. O que será que havia lá dentro? Porque aquela senhora, que aparentava ter tanta idade e caminhava a passos vagarosos, estava sozinha em uma estação de trem?

As perguntas borbulhavam na cabeça de Regina, que acompanhou a velhinha e sua sacola por mais algum tempo, perdida nas costas encurvadas e nos fios grisalhos da outra. Apesar de ter sido apenas por uma fração de segundo que seus olhos se encontraram, as orbes esverdeadas da senhora pareceram se gravar nas retinas da escritora. Pareciam tão verdes e brilhantes, tão vivos e discrepantes do resto do corpo, que parecia ter sofrido bastante com o efeito implacável do tempo...

Regina não pensou muito no que estava fazendo. Não pensou que aquela era a primeira vez que preenchia as linhas de um caderno com sua letra cursiva e um tanto embolada desde tudo que acontecera. Não pensou em nada, nada que não fossem as palavras que pulavam de sua mente para o caderno, traçando os contornos de uma nova história, o esboço de um começo.

“ A sacola é quase maior que ela. É uma sacola realmente grande, e os passos de Amália são vagarosos. Um pé na frente do outro, um de cada vez.

Ela olha para frente, como se procurasse por alguma coisa. Seus passos estão perigosamente perto da faixa amarela que separa a plataforma dos trilhos do trem, e o curioso é que ela parece não se importar nem um pouco com isso. Apenas continua a andar, desesperada em sua ânsia de chegar a algum lugar.

Ela, Amália, apenas caminha, os olhos verdes e brilhantes, voltados para o espaço a sua frente. A sacola está pesada, e ela anda resignada, como se ali estivessem não roupas ou comida, mas sim as suas lembranças, a sua memoria, o seu fardo.

Dizem que quando caminhamos assim, sem destino certo, mas com um propósito definido, é porque estamos nos despedindo. Ao que exatamente Amália está dizendo adeus com tanta resignação? O que ela está deixando para trás enquanto caminha pela plataforma do trem, sem ter realmente a intenção de ir a algum lugar?”.

Regina está prestes a escrever a próxima frase, chega até mesmo a colocar o “A” que formaria a palavra “Até”, mas a voz de Robin a desperta de seu pequeno devaneio criativo. Ela levanta os olhos do caderno e o encontra de pé ao seu lado, um copo de café em cada uma das mãos e um sorriso de covinhas preso nos lábios.

- Escrevendo? – pergunta o loiro, o azul de seus olhos se desviando dos dela para se fixarem no caderno que há em seu colo. Como se tivesse sido flagrada, as bochechas da morena se colorem de um tom vivo de vermelho, e ela fecha o caderno rapidamente, respondendo a pergunta do fotografo enquanto guarda o objeto de volta em sua bolsa. – Apenas alguns rabiscos...nada que realmente vá para frente. – diz, e por um instante, seu tom de voz assume uma amargura pouco característica.

Mesmo com aquela inspiração momentânea que a acometera quando observara a senhora que em seu esboço recebera o nome de Amália, a verdade é que Regina não sente que possa voltar a escrever como antes. É como se algo dentro dela tivesse se partido, e talvez seu dom com as palavras tivesse na metade que agora lhe era inacessível, a metade que abrigava as coisas que ela perdera.

Como poderia voltar a escrever, quando por dentro se sentia assim, tão quebrada?? Como poderia voltar a escrever, quando tudo que fazia ou falava, tudo em que até mesmo pensava, a acometiam a lembranças e fatos que ela queria desesperadamente poder esquecer?

Não, não havia respostas para aquelas perguntas. Talvez por isso resolvera trazer o caderno, porque no fundo, um fiozinho de esperança ainda brilhava em seu coração. Quem sabe novos ares pudessem realmente lhe ajudar no fim das contas não é? Se na estação de trem ela já havia tido algumas ideias, um pequeno momento da Regina de antes, talvez, apenas talvez, ela pudesse realmente voltar a fazer o que mais amava na vida, escrever.

Todos estes pensamentos passaram pela cabeça da morena em um intervalo de poucos segundos, durante os quais o silencio se instalou entre ela e Robin, que continuava parado exatamente onde estava antes, fitando sua companheira de viagem com uma expressão intrigada no rosto.

As próximas palavras saíram dos lábios de Robin sem que ele tivesse muito tempo para pensar no que estava dizendo. Saíram assim, do nada, e no momento em que as ouviu em sua própria voz, ele se perguntou se não estaria sendo um pouco indelicado, ou até mesmo invasivo. E se Regina não quisesse falar sobre aquele assunto ou acabasse se entristecendo com o que ele dissera? Bom, agora já não adiantava mais pensar nisso. As palavras já estavam ali, ocupando o ar entre os dois, e tudo que ele poderia fazer era aguardar a resposta dela.

“Tem medo de não conseguir?”. A pergunta de Robin gira na cabeça de Regina, como se fosse os ingredientes de uma poção que tinha tudo para dar errado. Os olhos castanhos se ergueram de novo, fitando os azuis como se procurassem uma resposta para aquelas palavras, como se estivessem em busca de um motivo para o fato de que o fotografo parecia conhece-la tão bem. Tudo que encontrou naqueles oceanos cristalinos foi carinho, e uma preocupação genuína.

- Tenho. – a resposta dela não passa de um sussurro, e como se soubesse que aquele era um assunto que demandaria certo tempo e estivesse cansado de ficar de pé, o loiro a circundou, sentando-se do outro lado do banco e lhe entregando um dos copos de café. Seus olhos permaneceram conectados durante todo esse pequeno trajeto, e ele permaneceu calado, sabendo perfeitamente bem que a resposta para a sua pergunta ainda não fora concluída.

Um suspiro escapa dos lábios de Regina. Será que ela está pronta para falar sobre isso? Será que esse é o momento, com os dois sentados em um banco da estação de trem, esperando para embarcarem para suas “férias do mundo”? As perguntas se embaralham em sua mente como se formassem as cartas de um baralho, mas quando deu por si, ela já estava falando, colocando em frases minimamente ordenadas, os seus pensamentos confusos.

- Eu tenho medo de não conseguir mais Robin. Me sinto quebrada por dentro sabe? Com tudo que aconteceu, é como se uma parte minha tivesse se perdido, e a verdade é que às vezes acho que a escrita foi junto sabe? As poucas vezes em que tentei escrever desde então...foram horríveis. Não parecia mais a mesma coisa sabe? Era como se faltasse algo, como se faltasse uma parte de mim, uma parte essencial para que eu pudesse ouvir as palavras que me eram ditas. – Regina para de falar, levando o copo de café aos lábios e sentindo o liquido quente descer por sua garganta.

Ela nunca havia conversado sobre isso. Nunca falara com ninguém sobre o que a escrita realmente significava ou como escrever estava lhe fazendo falta. Mas agora que finalmente estava fazendo isso, enfrentando mais um de seus muitos demônios internos, a morena começava a se dar conta do quanto precisava disso, do quanto precisava falar.

A mão de Robin pousou sobre a de Regina, em um claro gesto de conforto. O toque era quente, acolhedor, e por um momento, nenhum dos dois disse nada. Apenas ficaram ali, com seus dedos entrelaçados e seus copos de café, se perguntando o que viria a seguir.

É o fotografo quem rompe o silêncio, e quando fala, seu tom é ameno e confiante, como se ele tivesse certeza absoluta da veracidade de suas palavras, e de fato é realmente esse o caso. – Não diga isso Regina. Escrever é como a fotografia, ou como andar de bicicleta. Quando se tem o dom, quando se faz com o coração, jamais se desaprende. As palavras que você tanto procura ainda estão ai, dentro de você. Talvez você só não esteja conseguindo ouvi-las. Talvez as vozes estejam abafadas pelo seu choro. Eu tenho certeza de que tudo que você precisa é de um tempo. Um tempo para sua cabeça, e para o seu coração também. Eu aposto que até o final desta viajem você já vai ter voltado a escrever como antes.

A morena o escuta falar, e a voz de Robin parece acalmar alguma coisa dentro dela, que respira fundo e fecha os olhos por um instante inspirando profundamente, desejando imensamente acreditar no que está ouvindo. Robin parece tão confiante....ele aparenta ter mais confiança nela do que a própria Regina, e ela não consegue deixar de se perguntar o porque disso. Antes que possa se conter, a pergunta escapa por sua boca, pairando por entre os dois. – Como pode ter tanta certeza disso?

Robin abre a boca, prestes a responder, a dizer a ela que acredita porque tem confiança nela, porque sabe que, por mais que as coisas estejam difíceis, ele sabe que ela conseguirá se levantar, que conseguirá se reerguer. Está prestes a dizer que tem certeza que dará certo, porque ele estará presente em cada momento, ajudando-a no que puder. Sim, o loiro está prestes a dizer todas estas coisas olhando fundo nas galáxias castanhas que Regina parece carregar nos olhos, mas suas palavras não tem chance de serem libertadas, a fala sendo interrompida pelo toque insistente de seu celular.

- Desculpe, eu me esqueci de colocar essa coisa no silencioso. – diz, ligeiramente irritado com a interrupção e se perguntando quem estaria ligando para ele naquele momento tão inoportuno. Sua mão se desprende da de Regina para pegar o aparelho, e embora se esforce para não aparentar, a falta de contato a incomoda, como se seu corpo reclamasse da falta de calor.

Se a interrupção de sua conversa com Regina deixou o fotografo um pouco contrariado, não se compara a reação que ele teve quando seus olhos bateram na tela do telefone e puderam ler o nome que brilhava ali.

- Robin? – chamou Regina, percebendo a mudança que se operara na fisionomia do fotografo, que há um instante atrás estava descontraído e todo gentil, e agora mantinha uma postura retesada, uma expressão sombria e fechada tomando conta de seu rosto.

Ele não responde, e o telefone continua a tocar, insistente e barulhento. Curiosa sobre quem é a pessoa que causou tal reação no fotografo, Regina direciona o olhar para a telinha iluminada, imaginando se ali encontrará respostas que expliquem o comportamento de Robin, e quando lê o nome escrito ali, tudo parece clarear em sua mente, como se uma venda tivesse sido retirada de seus olhos. “MARIAN”, aparece em letras garrafais e brancas sob a tela azul do telefone.

- É a sua ex – mulher? – Robin ouve a voz de Regina. Sabe que a morena está falando com ele, que lhe fez uma pergunta, mas é como se a voz dela estivesse longe, muito longe, como se ele a ouvisse falar da terra firme, e estivesse mergulhando.

Sim, era Marian quem  ligava, e não havia nada muito fora do comum nisso. Desde que se separaram que ela continua ligando, insistente, como se acreditasse que palavras podem mudar o que o loiro havia presenciado. Como se, conversando com ele e bancando a ex obsessiva, ela pudesse tê-lo de volta.

Sim, ele estava acostumado com as ligações de Marian, ao menos uma ou duas vezes por dia. Estava acostumado a receber suas mensagens, que insistiam em dizer-lhe que eles precisavam conversar, que sua história não poderia terminar daquela forma. Sim, Robin estava acostumado com tudo isso, mas por algum motivo, a ligação dela em um momento como aquele, no qual o fotografo estava prestes a viajar e deixar as preocupações e problemas para trás, o incomodou mais do que de costume.

Sua garganta está seca, e apesar de as palavras estarem ali, apenas esperando para serem ditas, sua voz parece ter desaparecido. Tudo que ele consegue fazer é acenar em sinal de afirmação, encarando o telefone que continua a vibrar em sua mão.

Tudo acontece muito rápido, rápido demais para que Robin possa ter qualquer reação além de encarar a cena que se desenrola a sua frente. O peso do telefone sai de sua mão, e antes que ele possa impedir, Regina aperta a tecla verde, um sonoro e animado “Alô” saindo de seus lábios.

- Quem está falando? Esse é o telefone do Robin, certo? – a voz de mulher que chega aos ouvidos da morena é fria, desprovida de qualquer emoção, e apenas pela voz, ela consegue imaginar que aquela não deve ser uma companhia muito agradável para se ter por perto.

Antes de responder, Regina dirige seus olhos castanhos de volta a Robin, encontrando o loiro completamente desconcertado, tentando entender o que exatamente está acontecendo. Uma expressão que mistura divertimento e surpresa está estampada em seu semblante, e um sorriso travesso se apossa dos lábios de Regina ao ver aquilo.

Quando responde a pergunta, seu tom de voz é leve e descontraído, como se estivesse conversando com uma amiga de infância, mas extremamente frio. – Sim, esse é o telefone de Robin, sim. Quem gostaria de falar com ele?

- Quem está falando? Passe o telefone para o Robin, por favor, diga que é a esposa dele. – responde Marian, em um tom petulante que evidenciava seu desconforto com aquela situação. Sim, ela esperava que Robin simplesmente ignorasse sua ligação, como fazia quase cem por cento das vezes, mas definitivamente não imaginava que outra pessoa fosse atender, ainda mais uma mulher. Será que Robin já havia seguido em frente, mesmo a separação deles sendo tão recente como era?

Ao ouvir aquela resposta, os olhos de Regina se reviraram. Pelo que soubera por Robin, ele e Marian estavam separados, não se viam desde que ele flagrara a traição, e a forma cínica com a qual a outra falava, como se fosse “a esposa” a irritou profundamente.

Esforçando-se para manter a irritação longe de seu tom de voz, Regina foi ainda cordial que antes, soltando uma sonora gargalhada antes de continuar a falar, como se Marian tivesse lhe contado uma piada realmente engraçada. – Que eu saiba você é a ex mulher dele querida. E infelizmente, ou felizmente, Robin não poderá atendê-la agora. Ele está muito ocupado sabe....não tem tempo para lidar com uma história mal escrita como a de vocês.

- Quem é você? Como ousa falar sobre a minha historia com Robin? – Marian está quase gritando no telefone, louca de raiva pelo modo como a mulher desconhecida fala com ela, com toda aquela petulância, como se soubesse de toda a sua historia com Robin. Quem era aquela mulher afinal de contas? E o que ela está fazendo como celular dele?

As perguntas que explodiam na cabeça de Marian foram respondidas poucos segundos depois. A voz de Regina continuava gélida como antes, mas agora um tom de divertimento se somava a toda aquela frieza. – Quem eu sou não importa para você querida. Mas se quer tanto saber, vou ser generosa com você. Sou uma amiga, e como amiga vou te dar um conselho: não ligue mais. Você e Robin não tem mais nada que precise ser dito. Deixe ele em paz.

Marian inicia um protesto, mas Regina não está mais disposta a ouvir. Ela afasta o telefone da orelha, apertando o botãozinho vermelho e encerrando a chamada. Seu olhar passa da telinha para o rosto de Robin, que agora exibe um sorriso divertido em seus lábios.

- Acho que ela vai te deixar em paz agora. – falou a morena, antes que o fotografo pudesse dizer qualquer coisa que estivesse passando por sua cabeça. Ela lhe devolve o telefone, e por um instante, eles ficam ali, se encarando e sorrindo cada um perdido em seus próprios pensamentos.

É Regina quem quebra o silencio, desvencilhando o olhar do de Robin e focando-o ao frente, observando enquanto o trem para na estação. Está na hora de eles irem. Está na hora de deixarem toda aquela historia para trás, pelo menos fisicamente. A morena se levanta, virando-se na direção do loiro, que a fita com uma expressão curiosa brilhando no olhar, como se esperasse para ver qual seria o próximo movimento que ela faria.

A mão dela se estende na direção dele, o sorriso leve e descontraído ainda preso em seus lábios. – Vamos, nosso trem chegou. Está na hora de tiramos as nossas férias do mundo. – diz, encarando os olhos dele e por um instante se perdendo no mar azul que formam aquelas orbes cristalinas.

Robin balança a cabeça, em sinal de total descrença. Em menos de três minutos atrás, ele e Regina estavam conversando sobre a escrita e os problemas que ela estava enfrentando por tudo que passara e estava passando, e agora lá estava ela, sorrindo de orelha a orelha, um brilho diferente em seus olhos castanhos, parecendo tão animada para aquela viagem como uma criança estaria para a festa de natal.

As mãos se entrelaçam, e assim, parecendo um casal que eles na verdade não são, o fotografo e a escritora atravessam a plataforma, arrastando suas malas e suas lembranças. Aquela era apenas uma viagem de trem, nada além disso, mas para aqueles dois, tão marcados pelos últimos acontecimentos, aquela viagem tinha gosto de recomeço.

As malas são colocadas no bagageiro, e eles se sentam, um de frente para o outro, uma janela grande do seu lado direito. Robin apoia o braço no parapeito, e Regina coloca a bolsa no colo. O silencio se instala entre os dois, mas não é um silencio constrangedor, muito pelo contrario, aquele silencio tem gosto de cumplicidade, e só é quebrado alguns minutos depois, quando o trem já está em movimento.

- Obrigado. – é a única palavra que sai dos lábios de Robin, e por aquele momento, é mais do que suficiente.

----

Flashback on

Washington, 27 de setembro de 2007

A hora do almoço se aproxima, e enquanto seus olhos claros estão voltados para frente, encarando o professor de história que se movimenta  freneticamente na frente da turma explicando alguma coisa de alguma guerra passada na qual os Estados Unidos havia se envolvido, tudo e que Robin consegue pensar é na guerra interna que trava contra o seu próprio estomago. Está morrendo de fome, e tudo que precisa é que aquela aula termine de uma vez.

O relógio que fica ao lado do quadro negro indica que faltam cinco minutos, e aquela marcação parece uma marca cruel, como se o tempo estivesse brincando com o desespero dele.

Os olhos, tão cristalinos quanto à água do mar, se afastam do relógio mal humorado e lento, e seguem passeando pela sala, encontrando no caminho a mesma cena de todos os outros dias.

Alguns de seus colegas de turma já arrumaram as mochilas, tão desesperados quanto ele próprio para dar o fora dali. Outros, notadamente os que se sentam na frente, continuam anotando freneticamente todas as palavras do professor sobre a tal guerra, como se aquela matéria fosse a mais importante de todas. Uma ou duas pessoas estão dormindo, provavelmente vencidas pelo cansaço ou pela monotonia. O olhar do loiro procura por alguém, mas a menina morena que costuma sentar quase no meio da sala, não está presente.

Qual seria o motivo da ausência de Regina? Será que ela estava doente ou havia simplesmente decidido eu não queria assistir a aquela aula? As perguntas borbulhavam na mente de Robin, e enquanto ele estava concentrado nelas, os minutos pareceram voltar ao ritmo normal, talvez agradecido pelo garoto tê-los esquecido por um instante, e ele foi desperto pelo sinal que anunciava o fim da aula, quase pulando da cadeira com o susto que levou.

- Está tudo bem Robin? – a voz de Killian chega aos ouvidos do loiro, que se levanta da cadeira tentando acalmar o coração que está acelerado por conta do susto. Ele se vira na direção da voz, e encontra o olhar do amigo, que parece achar graça da situação aturdida na qual se encontra.

- Só estava distraído. – responde Robin, virando-se novamente e começando a caminhar em direção à porta de sida. Killian o acompanha, um riso travesso preso em seus lábios. – Deixa eu adivinhar, estava se perguntando porque Regina não veio para a aula hoje? – questionou o moreno, lançando um olhar mais do que sugestivo na direção do amigo.

- De onde você tirou isso? – perguntou o outro, irritando-se um pouco ao perceber que era assim, tão fácil de se ler, principalmente para alguém que o conhecia a tantos anos como era o caso de Killian.

Antes de responder, uma sonora gargalhada escapa dos lábios de Jones, que revira os olhos para Robin e finalmente permite que as palavras deixem seus lábios. – Que tal o fato que você não parava de olhar para o lugar que ela costuma sentar, mas que hoje estava vazio?

Robin estava prestes a responder, a dizer que aquilo era tudo da cabeça de Killian, mas não teve tempo de formular nenhuma  frase. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, seus olhos bateram em um emaranhado de fios morenos e encaracolados, um rosto de boneca que parecia estar marcado pelas lágrimas, e um caderno de capa vermelha, apoiado nos joelhos finos, aquele dia cobertos por um jeans escuro.

Regina estava sentada no chão do corredor, alguns metros a frente de onde os garotos estavam. Sua mão voava pelo papel de maneira furiosa, e ela não aparentava estar nada bem. Ao vê-la daquele jeito, Robin sente seu coração se apertar, como se fosse ele, e não ela quem estivesse passando por um momento difícil.

Os dois garotos pararam de andar. Continuam ali, dois pontinhos fixos em meio à manada de estudantes que segue para fora, aparentemente alheia ao sofrimento de um de seus membros. Os olhos azuis estão fixos na face avermelhada e chorosa da garota, e ele se pergunta o que teria acontecido para deixar Regina daquele jeito, parecendo tão desnorteada.

Um cutucão atinge a base de seu estomago, e o garoto se vira na direção do amigo. – Você deveria ir lá ver o que ela tem. – Killian sussurra, acreditando que talvez aquela seja uma boa oportunidade para que o amigo se aproxime de sua paixonite aguda. Porque sim, Robin nunca lhe disse nada, mas ele sabe perfeitamente bem que o outro nutre sentimentos mais fortes pela escritora da turma.

Ao ouvir a sugestão de Killian, Robin permanece onde está, pensando sobre a possibilidade que lhe foi apresentada. Regina parece realmente estar precisando conversar com alguém, e vê-la daquele jeito, parecendo tão quebrada, é assustador para ele, que pensa no que deveria fazer para trazer aquele sorriso luminoso que tanto o atormenta de volta para o rosto dela.

Seus passos, como se estivessem agindo por conta própria, começam a leva-lo para mais perto de onde ela está. Talvez aquele realmente seja o momento certo para tentar uma aproximação, ou pelo menos um momento para tentar ajuda-la a se sentir melhor.

Antes que possa concluir seu intento, no entanto, outra pessoa aparece, uma profusão de cabelos ruivos, completos por duas esmeraldas extremamente brilhantes no lugar dos olhos. Robin estaca no lugar ao ver a figura de Zelena Mills se aproximar. Ele a conhecia de vista. Zelena era a irmã mais velha de Regina, e havia completado o colégio no ano anterior.

Os passos vacilantes do garoto param no meio do caminho até Regina. Com a irmã dela ali, qualquer chance de aproximação desceu para um nível menor que zero. Afinal, quem iria querer a ajuda de um ilustre desconhecido quando tem o colo da irmã para apoiar a cabeça?

Com esse pensamento girando em sua mente, Robin assiste a aproximação de Zelena. A mais velha das Mills se senta no chão ao lado da irmã. Nenhuma palavra sai de seus lábios, ela apenas envolve o corpo de Regina com seus braços cumpridos, fazendo com que a outra finalmente largue a caneta. O caderno de capa vermelha cai no chão, mas nenhuma das duas se importa em recolhê-lo.

Regina esconde o rosto no ombro da irmã. De onde está, não há como Robin ter certeza, mas a sensação que tem é que ela recomeçou a chorar. Killian está parado ao seu lado, e como o amigo não dá sinais de ter decidido o que fazer, ele decide pelos dois. – Ela parece estar em boas mãos agora, e nós dois precisamos almoçar. Vamos logo. – diz, empurrando o amigo e fazendo com que ele volte a caminhar pelo corredor.

Quando os garotos passam em frente a o local onde as irmãs Mills estão sentadas, Robin escuta o choro abafado de Regina, e um pensamento surge em sua mente. “Espero que você fique bem”.

Flashback off

----

- Eu quase fui até você naquele dia. Admito que fiquei preocupado, você não parecia estar nada bem. – a voz de Robin é animada, e seus olhos permanecem fixos nos castanhos de Regina enquanto as palavras deixam seus lábios e ele pega um pouco de salgadinho de queijo do saco laranja que os dois estão dividindo no momento.

- Você deveria ter ido sabia? Eu realmente não estava bem aquele dia, tinha levado meu primeiro fora. Um ombro para chorar que não fosse o da minha irmã talvez tivesse sido bom. – respondeu à morena, rindo com a lembrança do dia que Robin mencionara.

-Um fora?? De quem? – questionou o loiro, realmente interessado naquela historia. Ao perceber o interesse dele, uma sonora gargalhada escapa dos lábios da morena, e ele não consegue se impedir de rir também.

Sim, agora, tantos anos depois do que acontecera, Regina só conseguia rir daquela situação, mas no dia em que tudo aconteceu, ela acreditara que aquele fosse um dos piores dias da sua vida. Adolescentes são tão dramáticos às vezes não é?

Quando respondeu, o tom de Regina era divertido e leve. Relembrar o passado às vezes era realmente bom...- Você lembra do August? Um garoto do time de futebol que estudava um ano a frente da gente? – questionou, ainda sorrindo.

- August Booth? Sim, é claro que me lembro dele. Vocês namoraram? – ao dizer aquelas palavras, Robin sente um gosto amargo subir por sua garganta. Por algum motivo, a noticia de que algo aconteceu entre Regina e Booth, mesmo que tenha sido há tantos anos, o incomoda.

Se a morena percebe o desconforto do fotografo, não dá sinais, e quando responde à pergunta, seu tom de voz continua tão alegre quanto antes. – Não chegou a ser um namoro não, nós só tivemos um rolo, nada muito definido. Mas naquela época eu realmente gostava dele sabe? E o dia que você me viu, um dos raros dias em que faltei à aula, ele tinha terminado o que mal tínhamos começado. Me mandou uma mensagem de texto dizendo que eu era “nova e inexperiente demais para estar com ele”. – respondeu Regina, fazendo um sinal de aspas com as mãos no final de sua fala e pegando mais um pouco dos salgadinhos de queijo.

- Terminou com você por mensagem de texto? Mas que idiota. – exclamou o loiro em resposta a fala dela, talvez com um pouco de raiva demais em sua voz.

- Pois é, parece que desde essa época eu já tinha um dedo podre para escolher os meus relacionamentos. – brincou a morena, parecendo se divertir com aquelas memórias. Robin está prestes a dizer alguma coisa sobre o mencionado “dedo podre de Regina”, talvez dizer que ele não era muito diferente dela nesse quesito, mas a morena não lhe dá chance de falar nada, tomando a palavra para si novamente, desta vez em um tom de voz ligeiramente mais reflexivo. – Eu teria gostado de te conhecer melhor naquela época Robin...talvez as coisas tivessem sido diferentes, para nós dois.

Por um instante, o silêncio se instala entre os dois, e Robin pensa nas palavras que Regina acabara de lhe dizer. Sim, com toda certeza ele gostaria de ter feito as coisas diferentes com relação ao que sentia por ela. Gostaria de ter tomado coragem na época, mas não foi isso o que acabou acontecendo. Sim, Regina tinha razão. Talvez as coisas tivessem sido bem diferentes, mas, pelo menos, o destino parecia estar lhes dando uma nova chance. Quem sabe não é exatamente disso que tanto ele quanto ela estão realmente precisando?

É o fotografo quem interrompe o silencio, e quando fala, seu tom de voz é ameno, e seu olhar continua fixo nos olhos dela. – Talvez as coisas aconteceram assim porque tinham que ser assim. Talvez...seja tudo uma questão de tempo. – diz, pousando sua mão por cima da dela. 


Notas Finais


E então, o que acharam??
Estou muuuito curiosa para saber a opinião de vocês sobre esse capitulo, então deixem um olá para mim se quiserem, certo?
Esse é o twitter da fic, caso queiram falar comigo por lá > @Escarlate_JCM
Beijooos e até o próximo capitulo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...