História Depois do Outono - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Romance Proibido
Visualizações 10
Palavras 1.095
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Obrigada por acompanharem <3 Espero que gostem

Capítulo 2 - Não brinque comigo



Vênus andava de um lado para o outro enquanto Paris se limitava a acompanhá-la com os olhos. Ela parou repentinamente, prendendo os cabelos longos e castanhos em um rabo-de-cavalo alto. Sem os cachos emoldurando o rosto, seus olhos escuros, naturalmente grandes, pareciam mais profundos ainda. Sempre foram o que Paris mais amava em sua aparência. 
-Certo. -Vênus murmurou, finalmente quebrando o silêncio entre eles. -A guerra vai começar a qualquer momento. Com certeza o Butera não está muito satisfeito com nossa tentativa de assassinar  o filho dele. -Ela rolou os olhos enquanto suspirava. -Péssima ideia. 
-A ideia foi sua.  -Paris sorriu zombeteiro. 
Ao invés de devolver a provocação, como costumavam fazer um com o outro, um lampejo de culpa e mágoa passou rapidamente pelo semblante de Vênus. Aquilo fez o rapaz se arrepender imediatamente: ele havia claramente passado dos limites. Ainda estava magoado com a forma com que Vênus o tinha tratado há pouco, mas não queria colocar a culpa de toda uma guerra nela. 
-Ei, desculpa. -Ouviu sua própria voz dizer, cuidadosa. 
Vênus o ignorou, retomando o ritmo ao andar em círculos pequenos enquanto continuava a falar: 
-Bem, o pior aconteceu. -Sua voz estava mais carregada do que antes. Se ele não a conhecesse bem, acharia que estava segurando o choro. Mas, durante todo o tempo em que eles foram próximos, Paris nunca a tinha visto chorar. -É uma questão de tempo até que o Marco Butera comece os ataques contra o Sul... 
-Tentamos matar o filho dele. -Paris a interrompeu. -Vamos parar de ignorar o óbvio. O mais provável é que ele tente fazer a mesma coisa. -Ergueu uma sobrancelha para Vênus, cuidadoso.  
Vênus mordeu o polegar, frustrada. É claro que tinha pensado nisso. Foi a primeira coisa que cruzou a sua mente. 
-Eu já falei com meu pai sobre isso. Se Marco declarar uma guerra para me matar, eu vou dar um fim nisso. Então, se esse for o caso, pode ficar relaxado. -Ela deu uma piscadinha para Paris enquanto sustentava um sorriso sem humor. 
O jovem franziu o cenho, subitamente nervoso. 
-Não quis dizer que você devia se sacrificar. Caralho, Vênus, você sabe que eu nunca ia sugerir algo assim. -Ele não pôde esconder sua raiva e decepção. Paris sabia que as coisas haviam mudado entre os dois, mas nunca imaginaria que, na cabeça de Vênus, ele a queria morta. 
O jovem ainda se importava com ela. Afinal, como não o faria? Vênus havia sido a única pessoa que ele tinha amado. É claro que tudo havia mudado, mas alguns sentimentos são difíceis de deixar ir. 
A garota o ignorou outra vez, suspirando profundamente e voltando ao assunto principal. 
-O plano é redobrar a vigilância sobre a avenida principal, que separa a nossa cidade. Queremos vários dos nossos fazendo uma patrulha frequente em todo o perímetro da fronteira, impedindo que qualquer um ligado aos Butera possa entrar. Ao mesmo tempo, vamos começar a poupar alimentos. Não temos rotas alternativas para receber os produtos vindos das outras cidades, então o Norte tem o controle de tudo. Se entrarmos em guerra, isso com certeza vai ser usado na estratégia deles. E... Quero que você entreviste todos os seus homens e recolha suspeitas sobre quem pode ter ajudado Noah a fugir. Eu mesma vou entrevistar vários guerrilheiros separadamente, mas acho que seus mercenários respondem melhor a você. -Ela manteve um tom indiferente, mas uma leve desconfiança brilhava em seus olhos. 
Paris sabia que a garota nunca confiara em seus homens. Bom, aquela podia ser sua chance para provar que os mercenários eram leais. 
-Também vou procurar testemunhas para o que cada um deles estava fazendo no momento em que Noah fugiu. -O rapaz falou, endireitando a postura de maneira militar. 
Vênus deu um sorriso leve, se adiantando para deixar o parque. 
-Dispensado, agente Montoya. 
Paris se adiantou para a garota, bloqueando seu caminho. Ela franziu o cenho, mantendo uma postura rígida, mas seu rosto começou a corar. 
-O que você quer? -Vênus revirou os olhos, se afastando da proximidade do rapaz. 
-Que tudo volte a ser como era. -Ele disse antes mesmo de refletir sobre suas palavras. Seu olhar encontrou o de Vênus, uma tristeza quase física oscilando em seus olhos negros e parcialmente cobertos pelos cabelos dourados. -Eu não quero perder minha melhor amiga. 
Vênus suspirou. Ela deu um passo para o lado, desviando do rapaz. 
-Eu tenho que te lembrar de que foi você quem terminou comigo? E de que não respondeu minhas mensagens por mais de um mês? -Ela afagou o próprio queixo teatralmente enquanto listava. Subitamente, ergueu os olhos com um sorriso forçado e sem humor. -Ah, e como pude me esquecer? Você ficou com minha antiga melhor amiga no meu aniversário.-A voz dela tremia de ódio enquanto seu rosto ficava cada vez mais vermelho. -Então, não. Você não pode ter sua melhor amiga de volta. 
...
Ela havia esperado por alguns segundos a reação de Paris, mas nada veio. Furiosa, ela deixou o parque e correu pelas ruas de Verona, esperando que o exercício fosse o suficiente para distrair seus pensamentos. Agora estava em casa, em um dos bairros mais privilegiados de Verona, tentando não surtar enquanto socava um saco-de-pancadas. 
A casa dos Bernardi era enorme. Branca e elegante, ela destoava das outras casas pelo enorme jardim cheio de plantas na varanda. Várias espécies se aglomeravam em um mini-jardim-botânico que transbordava vida. 
 Era lá que Vênus treinava seus golpes, sentindo a grama sob seus pés descalços. A umidade vinda das plantas lhe refrescava e a natureza geralmente lhe trazia clareza na mente.
No entanto, nada estava conseguindo lhe relaxar naquele dia. Quando finalmente conseguia parar de pensar na provável guerra que havia provocado, se pegava reanalisando inúmeras vezes a conversa que tinha tido com Paris. Ela nunca teve a chance de jogar tudo o que sentia em cima dele até aquele dia. 
Vênus havia desejado aquela oportunidade várias vezes, mas, agora que tinha despejado tudo, só se sentia mais vazia. O silêncio de Paris e o fato de que ele não foi atrás dela eram apenas novas rejeições e ela nem sequer havia se recuperado das últimas. 
Socou o saco-de-pancadas com mais força. Imaginava a cabeça de Paris a cada golpe, colocando força o suficiente para balançar as vigas do teto que seguravam o instrumento de treino. 
Foi quando ela ouviu o barulho de um carro freando na frente da casa. Todo o resto aconteceu muito rápido. 
Seguiu-se um som de estilhaço e os inconfundíveis sons de tiros. Vênus sentiu o sangue gelar enquanto se abaixava, rastejando pelo jardim.  


Notas Finais


Espero que tenham gostado! Por favor, deixem comentários sobre suas impressões, opiniões e sugestões para a estória. Eu adorarei interagir com vocês <3


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