História Depois que a tempestade acabar - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Tags Crime, Drama, Naruto, Policial, Sasusaku, Violencia
Exibições 84
Palavras 1.401
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá! =) Leiam as notas finais.

Boa leitura.

Capítulo 4 - Cena 4


 

 

 

 

 

Cena 4 – Vazio 

 

 

    

Os olhos vagaram indecisos. A visão embaçada dificultava o reconhecimento imediato do local. Porém, em seu íntimo, Sakura sabia que alguma coisa muito ruim havia acontecido. Apesar disso, as lembranças dos rostos malditos eram como fotografias borradas e distantes. Não conseguia recordar-se com clareza dos monstros. Entretanto presumia que, dali em diante, as coisas não seriam mais como antes.

– Ela está acordando? – alguém perguntou. A voz grave e hesitante ela reconhecia, mas ainda não conseguia associar o som familiar a alguém de seu círculo social. A mente vagava, vagava, mas os pensamentos eram desconexos demais para que pudesse enxergar a lógica da situação. Sentia-se perdida e como se já não bastasse isso, o corpo inteiro doía. Em seu âmago, a dor era tanta que ela não pôde evitar uma expressão de completo sofrimento. Mas afinal, não era exatamente isso que a definia naquele momento?

Uma pessoa ferida.

Marcada.

E mesmo que não se recordasse com total clareza dos rostos dos malditos que lhe feriram, sentia-se morta.

– Não faça essa cara... – alguém xingou. Mas ela soube que não era com ela. O burburinho recomeçou. Uma, duas... Três pessoas. Aquelas vozes eram todas conhecidas, mas o excesso de informação lhe provocava dores de cabeça.

– Por favor, façam silêncio. – um desconhecido falou. A voz pacífica lhe causava arrepios. Seria o médico? Ela podia sentir o cheiro mórbido de hospital.

– Mas então não podemos conversar com ela? – outro indagou. Ouviu-se um suspiro impaciente.

– Podem sim. Mas comportem-se.  – a porta abriu, mas logo em seguida fechou com um baque.

Quando a visão finalmente clareou, a explosão de cores diante dos olhos a obrigou a fechá-los imediatamente. Recompondo-se, segundos depois, retornou a abri-los. Deparou-se com os rostos de seus conhecidos. Ino, Naruto e Kakashi estavam ali. E Sakura não gostou nada, nada de seus olhares piedosos.

– Como se sente? – foi Kakashi quem tomou a liderança aproximando-se passo por passo. Ela podia ver claramente como ele tentava mascarar a própria insegurança. Ino, pelo contrário, não fazia questão de esconder o pavor que estava estampado em seu semblante pálido.

Sakura optou por não responder. Sentia-se sem voz. Sem alma. Sem dignidade. Ainda podia sentir as mãos ásperas arrastando-se por sua pele. Ainda podia sentir a saliva podre de seus agressores e estupradores. O gosto de sangue ainda estava vívido em sua boca. E a dor... Ah! A dor. A dor plantava-se em seu interior, marcando-a, avisando-a de que ela nunca conseguiria livrar-se daquele doloroso sentimento de derrota e impotência.

Desgastada, virou o rosto em direção à janela. Lá fora, o céu era azul cristalino, os pássaros cantavam, as pessoas sorriam, as plantas eram abençoadas pelos raios de sol, e ela... Ela permaneceria enterrada sob as próprias lamentações. Afinal, o mundo não pararia porque ela, uma reles mortal, fora atacada brutalmente por um grupo de covardes. Repudiava-se por não conseguir lembrar-se de seus rostos. Talvez, no fim das contas, aquele fosse apenas um método de proteção providenciado pelo psicológico abalado. Sim. Essa era a única resposta plausível que encontrava.

Achava um milagre ainda estar viva. Precariamente, recordava-se de, em dado ponto, ter rezado e implorado pela própria morte. Talvez fosse melhor afinal. E ela, com todos os problemas que trazia na bagagem, sempre fora o tipo de evitar o máximo às desgraças da vida. Era assim que Sakura Haruno pensava.

Mas ela tinha certeza absoluta de que, com todos os acontecimentos macabros das últimas horas, algo dentro de si havia se modificado drasticamente. E ela temia. Temia que sua raiva inexplorada liderasse seu emocional frágil.

– Sakura... – a voz trêmula de Ino fez-se presente. A loira aproximou-se um pouco mais, estacando ao lado de Kakashi. – Eu trouxe aquele seu bichinho de pelúcia, lembra? – ela riu, contida. O riso forçado era facilmente notado. – Na verdade, você me deu ele de aniversário, mas eu achei que você ia gostar de vê-lo, já que sempre o abraçava quando ia dormir lá em casa...

A Haruno continuava inexpressiva. Os olhos mal piscavam. A boca seca formava uma linha reta.

– Ela está estranha. – Naruto sussurrou apreensivo. Ino cutucou-o nas costelas, arrancando um resmungo por parte do rapaz de olhos azuis.

Aproximou-se um pouco mais e colocou o pequeno elefantinho de pelúcia ao lado de Sakura. Quando os olhos verdes pararam sobre ela, afastou-se, amedrontada com a intensidade que via nos orbes sem vida da Haruno.

– In... – a Yamanaka arregalou os olhos ao perceber que a amiga tentou chamá-la pelo nome. Logo, a esferas azuis marejaram, mergulhadas em uma profunda tristeza. Ino não conseguiu conter-se. Surpreendendo tanto a Kakashi quanto a Naruto, a loira abraçou Sakura com extrema força, protegendo-a entre seus braços magros. A de cabelos rosados não esboçava reação. Seus orbes esmeraldinos permaneciam tão perdidos quanto antes.

Todavia Ino sabia. Ino sabia que o sofrimento de Sakura era grande demais para ser expresso em palavras. A rosada não conseguia dar voz à própria dor.

Acompanhado do choro inconsolável da Yamanaka, Kakashi declarou firmemente:

– Não se preocupe, nós estaremos com você, Sakura.

Naruto, ainda deslocado, limitou-se a sorrir. Ainda não acreditava que Sasuke se negara a comparecer ali. Como ele e os outros podiam ser tão insensíveis a tal ponto, negando-se a visitá-la? Ele reconhecia que existia certo receio a respeito de Sakura. Eles tinham medo; medo de presenciarem a fraqueza da Haruno, medo de não saber como lidar ou reagir; mas apesar de tal ideia contraditória, não era isso que o loiro enxergava.

Aos olhos de Naruto, Sakura parecia vazia. Nem fraca, nem esperançosa. Apenas, lamentavelmente, vazia.

A porta rangeu e Karin adentrou o quarto com uma expressão incomodada. Sem jeito, a ruiva aproximou-se da cama, observando o cansaço que Sakura aparentava com tanta facilidade.

– Esperamos que não fique nessa cama por muito tempo, rosinha. – disse a Uzumaki, sustentando um leve sorriso no rosto. Teve a impressão de ver um brilho perturbado em suas esferas esverdeadas, mas talvez fosse apenas uma impressão.

Decidida, Karin virou-se para os dois homens que observavam a cena emocionada de Ino.

– Kizashi está mais calmo. Falou com os policiais que atenderam o caso.

– Como foi? – Kakashi indagou; a voz grave ainda mais acentuada.

– O delegado, Sasori, um ruivo com cara de poucos amigos, disse que vai fazer de tudo para capturar os culpados. Ele é conhecido da família. Alguns anos mais velho que Sakura, ao que parece... – ajeitando os óculos de estilo moderno, Karin retornou a encará-la.

    A ruiva Uzumaki ainda lembrava-se do ataque de choro de Kizashi. O homem conhecia a ela e Naruto, além dos irmãos Uchiha. Os demais, só lhe eram conhecidos por nome, e mesmo com a falta de proximidade com o mais velho, ela prontamente o ajudou a acalmar-se diante de suas lamúrias que pareciam infindáveis. Ele parecia tão ou mais desesperado que a filha. E Karin, apesar de sua típica distância emocional, sentiu-se solidária diante da falta de jeito do velho Haruno.

Fora ele o primeiro a receber a ligação da polícia. O corpo de Sakura, completamente ferido e sujo, fora encontrado próximo a sacos de lixo em um subúrbio de Konoha, nas proximidades do Red Tequila. Um grupo de adolescentes havia se assustado diante da cena trágica protagonizada pela pequena figura de cabelos rosados. Dali em diante, Ino fora a segunda a saber. Necessitou da ajuda de Karin e Naruto para não entrar em completa histeria com a notícia recebida.

Mas Kizashi... Ah! A cena que viram ao chegarem ao hospital era de acabar com a esperança do mais otimista dos Homens. A cabeça baixa, o ar irremediavelmente melancólico que dele emanava, todos eram fatores que apenas indicavam a batalha mental que o homem travara consigo mesmo. Estava dividido entre chorar ao lado da filha, ou vingá-la.

Era realmente uma pena que ele não soubesse como lidar com a situação.

A partir de agora, era óbvio que Sakura necessitaria do mais puro apoio emocional. E com isso, o relacionamento frio entre e pai e filha, não colaborava em nada. Era realmente lastimável que as coisas tivessem de ser daquela forma...

Mas de uma coisa Karin tinha certeza: Sakura nunca mais voltaria a ser a mesma. Podia ver isso claramente em seus olhos. Eles estavam opacos, desprovidos de vida. E apesar disso, nos mais profundos pensamentos de Sakura Haruno, o rosto pálido de Sasuke Uchiha ainda era uma sombria presença que a assombrava. Sentia-se suja demais para amá-lo e desejá-lo.

Ele não estava ali afinal. O que mais deveria ser feito? 


Notas Finais


Agora sim as coisas vão começar a acontecer. Pode não parecer num primeiro momento, mas Sasuke também vai marcar presença de agora em diante. Vai ter muita treta, aguardem. Se quiserem deixar uma opinião sobre o futuro e os próximos atos de Sakura, fiquem à vontade uahauaua. Beijos e até o próximo \o/


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