História Depois que a tempestade acabar - Capítulo 5


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Categorias Naruto
Tags Crime, Drama, Naruto, Policial, Sasusaku, Violencia
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá! Boa leitura. =)

>>>>>>>>>> Leiam as notas finas <<<<<<<

Capítulo 5 - Cena 5


 

                                                                             Cena 5 – O que há por trás do silêncio

 

 

 

 

      – Acho que agora as coisas desandaram. – Karin comentou com voz levemente irritadiça. Naruto observou o céu claro daquele início de tarde de sábado. Os pássaros iam e vinham em uma dança angustiante. A felicidade que aquele dia representava lhe era atormentadora. O contraste entre o cenário alegre e o estado de Sakura apenas fazia com que o Uzumaki alimentasse mais dúvidas. 

Ele admitia que nunca fora extremamente próximo a ela, ao contrário de Ino. Mas, por outro lado, a considerava uma garota interessante. O tipo que não modificava a própria personalidade apenas pelo interesse e influência de terceiros.

– Está falando da sua festa de aniversário? – ele sorriu debochadamente, voltando a analisar a expressão quase carrancuda da prima. Às vezes Karin comportava-se do mesmo modo que sua mãe, Kushina Uzumaki. De certa forma, ela tinha mais semelhanças com a tia do que poderia imaginar.

– Do que mais seria? – a ruiva Uzumaki cruzou os braços pálidos, bufando logo em seguida. – Não posso comemorar alguma coisa. Ficaria com a consciência pesada.

Naruto deu de ombros e tratou de mudar de assunto.

– Estou um pouco bravo com toda essa merda...

– O que quer dizer? – a ruiva ajeitou os óculos de grau e observou a movimentação das pessoas que saíam e adentravam a toda hora no hospital. Estavam sentados em uma área afastada, próximos à entrada. Lá, o sol forte não batia, mas a claridade projetava-se em meio aos galhos das árvores do parque ao lado; apesar do clima mórbido que o Centro Hospitalar transmitia, a natureza amenizava a estranha atmosfera do local.

– O pessoal nem mesmo se prestou para vir vê-la. Que espécie de amigos eles são? – o loiro desviou os olhos de um azul cristalino, fixando-os no rosto agora sereno da prima. Ela suspirou, resignada, e abaixou o olhar para a calçada por onde pequenos brotos de grama entrecortavam nas pequenas rachaduras do chão cimentado.

– Eles não são amigos verdadeiros. Você sabe disso, eu sei disso, Ino sabe disso e... Até mesmo Sakura sabe disso. Não me atrevo a dizer que sou melhor, também nunca tive proximidade com a Haruno. Porém ela convivia conosco por causa de Ino.

– Mas nós estamos aqui... Ao menos. – Naruto sussurrou com o olhar perdido em algum ponto qualquer. – Eles conviveram com ela, mesmo assim. Poxa! – o loiro balançou a cabeça, indignado. – Nem mesmo o idiota do Sasuke.

– Não diz respeito a você cobrá-lo isso, Naruto. – a ruiva alertou. – O Uchiha já é esquisito o bastante, não o atormente.

– Não farei isso. – o mais novo relaxou os ombros, cansado de tanto tentar encontrar respostas.

– Talvez... – Karin retomou a fala. – Eles mesmos sintam-se culpados. A consciência pode nos pregar peças bem pesadas. Sakura, apesar de não fazer verdadeiramente parte do nosso restrito círculo de amigos, merece todo o apoio possível. Pode ter certeza que, mais cedo ou mais tarde, essa questão estará atormentando aos outros.

– Assim espero. – Naruto concordou.

 

 

***

 

 

Alguns dias depois

 

 

 

Os olhos arrastaram-se, ainda sonolentos. O dia estava nublado. Era domingo. Mas ela tinha a necessidade gritante de ver o mar. Ergueu o tronco, mantendo-se sentada na cama; sentia as dores ainda muito vivas dos hematomas. Um rosnado cortou o silêncio sepulcral do quarto. Dor. Desejava extravasar no piano da falecida mãe, mas não tinha forças para isso.

Ajeitando a barra da regata preta, Sakura observou os roxos em suas coxas antes cobertas por uma saia jeans. Sorriu. Mas não era um sorriso normal. Ela tinha consciência disso. Espreguiçou-se com certa dificuldade, fazendo uma careta a cada estralar que percorria o corpo frágil.

Sobrara um curativo próximo ao ombro direito. A causa? Uma mordida.

Mesmo sabendo que era apenas um fruto de sua imaginação, ela ainda podia sentir os dentes podres marcarem sua pele pálida. Ainda sentia a saliva a escorrer-lhe entre os seios, ainda havia as dores muito vívidas em seu íntimo. Em seus lábios. Em sua alma.

Engolindo dificultosamente, lamentando pela secura que apossara-se de sua garganta, a garota levantou-se. Cambaleou até o guarda-roupa e o vasculhou com os olhos. Deteve-se ao avistar a saia que usou antes de jogar-se na cama, ainda no início daquela tarde. Apanhou-a e rapidamente a vestiu; a seguir, calçou o par de sapatilhas negras. O único barulho que atormentava os ouvidos sensíveis era o irritante tique-taque do relógio.

Ao sair do quarto, o corredor mal iluminado lembrava-a de um túnel sem saída. No fim das contas, era exatamente essa a realidade. Um túnel sem saída. E ela vivenciava esta mesma tragédia.

– Vai sair? – Kizashi despontou da cozinha, encostando-se à parede de entrada. Segurava uma xícara de café na mão direita e uma torrada na esquerda; havia vestígios da mesma torrada no canto de seus lábios entreabertos. Ele aparentava total exaustão. Mas era normal, pensava Sakura. Ele tomara as dores para si, e ela, no fim, sentia-se ainda mais culpada por trazer-lhe tal sofrimento.

Estranhamente, ele demonstrara mais comedimento e preocupação para com ela. Apesar de ainda haver certo distanciamento entre pai e filha, ela alegrava-se nem que fosse minimamente, pela presença constante e apoio advindo do pai.

– Vou caminhar na praia. – ela admitiu. Sorriu-lhe para espantar o semblante preocupado que tomara o rosto envelhecido. Kizashi assentiu.

Não tinham conversado a respeito, mas ele não era bobo. Havia notado que essa era a maneira usada para esquivar-se de maiores explicações e diálogos. Um sorriso. Um mínimo e sofrido sorriso falsamente esperançoso. E ela mal sabia o quanto cortava o coração do velho Haruno ao mascarar a própria fragilidade. Nem mesmo Ino havia conseguido resgatá-la daquele perturbador silêncio.

 

 

 

***

 

 

Sasori Akasuna arrastava os dedos finos pelos fios ruivos e um pouco bagunçados. Os colegas de trabalho haviam insistido que a aparência dele era lamentável, mas mesmo com tantas objeções a respeito de seu desejo incontrolável de ser um verdadeiro obcecado por casos complicados, ele não desistia.

As olheiras já despontavam da região abaixo de seus olhos melancólicos, revelando que passara mais tempo do que o necessário naquela sala; o cansaço já tomava-lhe cada músculo do corpo, mas ele negava-se a desistir. Já havia feito isso no passado, e a desistência, no fim, acabou o levando diretamente ao fundo do poço. A morte de seus pais ainda o marcava profundamente.

E ninguém do departamento de polícia de Konoha sabia ao certo a respeito do passado do homem ruivo de postura séria e rígida. Apenas espalhavam boatos sem fundamento que faziam com que o Akasuna, em seus momentos de ócio dentro de sua sala particular, risse ainda mais de toda aquela baboseira sem lógica.

Mas de uma coisa todos sabiam... Ele havia herdado do tio a necessidade viciante de resolver mistérios; e com isso, após o fim do ensino médio, entrara direto para a academia de polícia, sem deixar-se abalar pelas péssimas lembranças de seu passado sombrio.

– É domingo, Sasori. Você não acha que está um pouquinho fora da casinha? – a mulher perguntou. Ele percebeu de imediato o tom risonho na voz imponente de sua interlocutora.

Desleixado, o ruivo recostou as costas na cadeira giratória. Girou, parando-a assim que Tsunade Senju ficou em seu ponto de visão. A mulher robusta e loira sorria fracamente. Encostando-se ao batente da porta, ela cruzou os braços, o que apenas salientou ainda mais os seios naturalmente grandes.

Apesar disso, Sasori tinha todo o respeito do mundo por ela. Ela o ajudara em seus piores momentos, já era uma psicóloga conhecida pelos corredores do departamento de investigação.

– Talvez... – ele deu de ombros, sorrindo sinceramente para a mulher. – Mas você sabe que ser um pouquinho “fora da casinha” é o meu natural.

Ela riu do comentário ácido do homem que ela ainda considerava um garoto. Sasori já tinha vinte e quatro anos, mas para ela, apesar da ascensão rápida do rapaz, ele sempre seria um garoto. Tsunade o via como parte da família.

– Como ela está? – a seriedade voltou ao rosto anguloso de Sasori. A atmosfera tornara-se pesada.

Tsunade respirou fundo. Ele, como um bom observador, notou a tensão no rosto belo da loira.

– Sakura é complicada. – ele sorriu levemente. Concordava plenamente com a afirmação. Sempre concordaria, mas sabia que agora as coisas eram mais difíceis e complexas. Ainda mais, depois do acontecido. – Ela se fecha como um casulo. Usa uma linguagem impessoal e desvia de todas as minhas tentativas de tentar aprofundar as coisas. Amanhã é a próxima consulta.

– Precisamos ter paciência com ela. – Sasori disse após uma curta pausa. Os olhos vagavam pela sala, como se procurassem uma resposta paras as dúvidas que tanto vinham o atormentando naqueles últimos dias. – Sakura perdeu a mãe, Tsunade. Eu a compreendo melhor do que ninguém... – sussurrou a última parte. O olhar compreensivo da Senju dizia que ela sempre estaria ali para ele.  – E mais recentemente, houve uma nova tragédia. – o ruivo olhou para o alto, ressabiado. Soltou uma irritada lufada de ar em uma falha tentativa de amenizar a frustração que o acometia. A seguir, os olhos castanhos fixaram-se ao semblante analítico da mulher loira. – Estamos investigando a fundo, mas ainda não encontramos as identidades. Interrogamos uma mulher que disse ter ouvido alguns gritos na região naquele dia, mas... Foi infrutífero.

Tsunade nem mesmo piscava. Os olhos intensos mantiveram-se firmes.

– Ela ainda não consegue falar propriamente a respeito dos criminosos, Sasori. Acredito que a mente dela tenha criado esta barreira para evitar o sofrimento.

Sasori suspirou impacientemente. Voltou-se para a tela do computador, observando a lista de criminosos sexuais fugitivos.

– Você acha que eles estão entre esses? – a psicóloga seguiu o olhar compenetrado do policial.

– Acho que é algo bem pior, Tsunade. – falou sombrio. – São apenas suspeitas, palpites, mas acredito que seja possível que os culpados estejam envolvidos com a Akatsuki. – Tsunade arregalou os olhos dourados, completamente espantada. Sasori prosseguiu. – Você sabe... Houve uma onda de crimes desse tipo há dois meses. Percebemos um padrão nisso. A Akatsuki mexe com todo tipo de crime bárbaro. Tráfico de pessoas, estupros, prostituição, tráfico de drogas. Eles são perigosos. A segunda gangue mais conhecida aqui na Califórnia.

– Então... – Tsunade ainda estava perplexa demais. O tom de sua voz denunciava o quão séria era a situação. – Se você estiver certo...

– Sakura ainda corre perigo. – ele completou. – Não só ela, como o pai dela, os amigos mais próximos... – passou as mãos grandes pelo rosto pálido, tentando espantar o sono. Após um bocejo inconveniente, ele voltou a encará-la fixamente. – Você se lembra do último caso de estupro?

– Akami Matsumoto, descendente de japoneses. – ela assentiu. – Aconteceu em Sunagakure, nossa cidade vizinha.

– Sim. Akami foi estuprada numa belíssima noite de sexta-feira. Após a recuperação sofrida e o tratamento com psiquiatras e psicólogos, tudo voltou a desandar. Os policiais de Sunagakure encontraram os corpos desfigurados de seus familiares. Nunca mais encontraram a garota e a Akatsuki foi logo apontada como a autora.

– Mas por que eles agem assim?

– Não sabemos. – Sasori mordeu o lábio inferior. – Mas é o meu maior desejo descobrir.

Tsunade permaneceu em silêncio, ainda repassando as informações recebidas.

– Você acredita que certas pessoas nasceram para tragédias? – Sasori perguntou.

 

 

 

***

 

 

        A areia invadia por entre seus dedos. Era macia. Trazia-lhe uma sensação boa. Uma sensação que fazia tempo que ela não experimentava. Por isso, após um suspiro pesado, Sakura ergueu a cabeça e abriu os braços; sentia o vento refrescante transcorrer por sua pele e cabelos. Ele dizia algo. Insistia em dizer-lhe que tudo ficaria bem, por mais que esta não fosse uma certeza para a Haruno.

Após alguns instantes, entreabriu os olhos e vislumbrou o céu nublado. Um presságio de chuva. O mar agitado debatia-se em incansáveis ondas. De onde estava, a impressão que tinha, era a de que ele era negro. Intensamente negro.

Atônita, deu alguns passos em direção àquela perdição. As águas pareciam chamá-la.

Pé por pé. Os passos eram arrastados, confusos. E então ela pôde sentir o início da água rasteira que encontrava-se com a areia límpida. Gélida. Gelava a alma também. Um arrepio cortou-lhe aquele momento de apreciação. Desviou os olhos esverdeados para o céu. Não entendia como era possível, mas parecia que o cenário representava uma parte sua; o interior despedaçado e que ela tanto tentava consertar.

Mas então, surpreendendo-a totalmente, a voz grave cortou-lhe os pensamentos...

– Não está tentando se matar, está? – girou nos calcanhares, assustada. Sasuke estava a alguns metros à esquerda. Os cabelos negros balançavam incessantemente; vestia uma camiseta preta e as mãos descansavam nos bolsos da bermuda jeans.

Belíssimo como sempre, Sakura concluiu.

– O que está fazendo aqui? – ela murmurou de volta. O Uchiha obrigou-se a fazer certo esforço para ouvi-la, nada que não tivesse feito antes, já que a voz dela era sempre tão hesitante.

– Não sabia que não era permitido vir até a praia. – ele devolveu.

– Não foi isso que eu disse... – mas ela não entendia por qual motivo estava perdendo tempo com tolas explicações. Depois de balançar a cabeça, repreendendo-se, voltou a fitar a imensidão do mar.

Pelo canto dos olhos, Sakura notou que ele fazia exatamente o mesmo que ela. O olhar perdido escondia segredos que ela tanto desejara descobrir.

– Ino não está bem. – Sasuke cortou o silêncio novamente. Seu tom de voz era mais ameno, contudo, Sakura irritou-se com a citação a respeito da amiga. – Ela está esgotando-se, e tudo porque se preocupa demasiadamente com você.

“Está me culpando?” – pensou em dizer, porém, manteve-se estoica.

– Eu e ela estamos juntos agora. – os olhos de Sasuke prenderam-se à Sakura, transmitindo que havia muito mais naquele curto e irritado olhar. – E eu peço que se afaste da Yamanaka. – ele concluiu o pensamento, levando-a a um nível ainda maior de ódio. O ódio que tão bem era disfarçado por uma expressão pacífica e distante.

Pela primeira vez em dias, Sakura riu. Um leve som entrecortado e irônico, a espécie de risada que ele nunca tinha ouvido por parte dela. Curioso, o Uchiha a encarava a espera de uma resposta.

– Estava me seguindo, me viu aqui e decidiu pedir esse absurdo por que você é um egoísta do caralho?

Bom, ela realmente não disso isso. Apenas refletiu sobre as possibilidades variadas, mas recusou-se a transmitir algo.

– Não vai falar nada? – ele indagou. Ironias da vida. Não era ele o ser mais silencioso e inexpressivo?

Sakura deu-lhe as costas, sabendo que mais uma parte sua havia se quebrado em mil pedaços.  Entretanto, no canto mais profundo de sua mente, havia uma única e imutável certeza sobre a tragédia que vivenciara. 

E ela faria questão de transformar aquele pensamento em realidade. 

 

 

"Com um grande objetivo, somos superiores até à justiça, não apenas a nossos atos e nossos juízes” – Nietzsche.


Notas Finais


E então? Quais os planos da Sakura? Que lixo o Sasuke tem na cabeça? Quais as revelações? Deixem suas opiniões, please. Comentem para que a fanfic NÃO morra, gente. E até o próximo \o/


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