História Depois que fui embora - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Afonso, Brasil, Casal, Clara, Drama, Família, Fotografia, França, Nova York, Romance, Viajar
Exibições 5
Palavras 1.744
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - 10


[...]

Era aniversário de Brenda e no mesmo dia, seu jantar de noivado.
- Pô mãe, logo hoje.
Resmunguei enquanto ela jogava um vestido azul claro esverdeado sobre minha cama. 
- Clara, você sabia que era hoje.
Olhei para os lados, pensei um pouco.
- Não, não sabia.
Mas alguma vez na vida, eu devo ter sido avisada e não prestei atenção. Minha mãe me olhou colocando a mão na cintura e levantando as sobrancelhas.
- Clara... 
Ela resmungou como quem chamasse a atenção.
- Tudo bem, eu estou errada. - Levei as mãos ao céu. - Mas só estou dizendo que...eu tinha um trabalho hoje, viu?
Minha mãe bufou de costas para mim enquanto limpava minha estante de livros com uma flanelinha laranja.
- Eu estou falando sério. Sabe quanto iria ganhar?
Continuei. Minha mãe se virou e colocou a mão na cintura.
- Clara, é o n-o-i-v-a-d-o da sua prima.
Ela falou pausadamente. Bufei voltando para meu caderno.
- Ta né?! - Fiz uma pausa. - É que toda a nossa família vai estar lá.
Apoiei meu rosto em minha mão e rabisquei qualquer coisa no caderno. Minha mãe se abaixou até dar um beijo em minha bochecha. Colocou as mãos em meus ombros enquanto os acariciava, apoiou o queixo sobre minha cabeça e falou.
- Fique feliz por ela, tudo bem? Esqueça o resto deles.
Concordei ainda parecendo de saco cheio de tudo aquilo. Mas afinal, era a prima que mais amava.
Foi então que conheci Lucas. Ao cruzar a porta daquele jantar e encontrar minha família em peso no local. Os dois irmãos de minha mãe, o mais velho e o mais novo, com seus filhos, suas esposas, e minha avó. Antônio, o pai de Brenda, com Maura, sua esposa e mãe de Brenda e Débora, irmã de Brenda de quatro anos, a mais nova integrante da família. Depois, um pouco distante na mesa, por conta de tantas brigas entre irmãos, estava César, o irmão mais novo de minha mãe, com Paula, sua esposa, Tiago, seu filho que tinha a minha idade e Rafaela, que agora havia acabado de entrar na fase da "aborrecência", com seus quinze anos. E havia um garoto ao seu lado. Franzia as sobrancelhas o observando, o menino com cara de criança, assim como minha prima, ainda aos quinze anos.
- É o namoradinho dela. - Minha mãe sussurrou percebendo que eu observava todos. - A menina nessa idade e já ta namorando. Sempre soube que Rafaela era mais assanhadinha e precoce. Estranho isso, porque você, o Tiago e a Brenda sempre foram mais calmas
Meu pai se aproximou.
- Do que você está reclamando, Claudia?
Minha mãe abanou a mão.
- Nada não. Vamos.
Ela me puxou pela mão em direção à mesa. Lá, além de minha família, havia a família de Tom. Seu pai e sua mãe, além de um rapaz de óculos e jaqueta de couro. Concentrei meu olhar nele, sem querer. Ele tinha algumas poucas pintas bem distribuidas em seu pescoço que se destacavam em sua pele branca. Seu cabelo era loiro como o do irmão, ele passou a mão no topete o alisando e empurrando para o lado de já marcado. Mascava um chiclete e parecia entediado. Eu teria que cumprimentá-lo? Sempre tive problemas com cumprimentar desconhecidos, ainda mais quando eles eram bonitos, eu ficava nervosa e sorria sem saber mais para quem ou porquê.
Depois de ser abraçada, esmagada, sufocada e ensurdecida, pela minha família, vi o rapaz de óculos sair da mesa e do restaurante enquanto levava o celular na orelha. Pelo menos não precisaria cumprimentá-lo. Dei oi para Tom e logo depois para seus pais.
- Mãe, cadê o Lucas?
Tom perguntou para sua mãe, a mulher loira de olhos castanhos.
- Ele saiu querido, não sei, deve estar lá fora. Acho que foi atender o telefone.
Ela resmungou voltando a se sentar. Eu estava pronta para dar a volta na mesa quando escuto Tomas me chamar.
- Clara, você pode ir chamar meu irmão, por favor? Ele está lá fora.
Tom voltou a se sentar. Todos estavam em seus confortáveis lugares e apenas eu em pé. Olhei em volta, procurando por uma desculpa ou por alguém para mandar em meu lugar.
- Tudo bem. Qual o nome dele? 
Fingi-me de desentendida.
- Lucas.
Balancei a cabeça em concordância com sua resposta. Puxei a meia manga de meu vestido azul esverdeado e saí do restaurante, sentindo um vento quente bater em meu rosto. No aniversário de Brenda, sempre fazia calor, e no meu, sempre chovia. Olhei em volta no estacionamento e encontrei alguém de costas com sua jaqueta preta. Aproximei-me preparando para falar algo, talvez seja bom começar chamando pelo nome, certo? E então o encontrei fumando. 
- Oi... - Falei calmamente, ele não olhou. - Lucas?
O rapaz olhou para mim rapidamente, seus olhos arregalados mostravam que talvez o cigarro seja um segredo. Ele jogou no chão e pisou em cima com o sapato. Ele tossiu levando a mão à boca.
- Oi - Ele tossiu de novo. - Desculpa.
Parecia desconcertado. Sorriu sem mostrar os dentes. 
- É... - cocei minha nuca. - é que o Tom pediu para que eu te chamasse.
Ele puxou as mangas da jaqueta, apenas como nervosismo, sem fazer efeito alguma na roupa.
- Ah, tudo bem. 
Nos olhamos por mais algum tempo. Eu olhei para o lado sem saber mais o que dizer em sua presença. Voltei meu olhar à seu rosto, de mandíbula forte e uma pinta na bochecha, ele realmente era lindo. Umedeci meus lábios e olhei para o restaurante novamente.
- Acho bom entrarmos.
Falei voltando meu caminho para o restaurante. Senti então uma mão agarrar meu pulso, de maneira delicada. Olhei para trás com o coração acelerando.
- Clara...é Clara né? 
Ele perguntou com a voz um tanto falha.
- Sim.
Respondi baixo.
- É...não conte sobre o cigarro, por favor.
Encolhi os ombros concordando.
- É claro.
Ainda segurando minha mão, Lucas sorriu.
- Obrigado.
Olhei para sua mão ao redor de meu pulso, fechando completamente, puxei lentamente minha mão, ele a soltou.
- Sem problemas.
Sorri sem mostrar os dentes, apenas tímida e me afastei em passos rápidos buscando voltar para minha mesa, ao lado de minha mãe, o mais rápido o possível.
Aquele foi meu primeiro contato com Lucas, e desde então, aquilo pareceu não sair mais da minha cabeça. Nos encontrávamos semanalmente por conta dos preparativos do casamento de Brenda e Tomas, que faziam questão de nos arrastar com eles para escolhas de vestido, bolo, lembranças e etc. 
Estava sentada na loja de noivas enquanto Brenda girava em um vestido.
- Qual é, me diga se está bom.
Ela pediu. Levantei o olhar do celular.
- Está ótimo.
Respondi sendo sincera. O vestido lhe caía perfeitamente bem em seu corpo magro. Brenda bateu o pé colocando as mãos na cintura.
- Seja sincera!
Tentei me defender.
- Mas estou sendo!
Ela voltou a olhar para o espelho. Nervosa, respirava ofegante enquanto gesticulava com as mãos para ela mesma, enquanto repetia também para si:
- Ok, calma. Está bom. Calma.
Segurei um riso. Minha tia voltava com mais vestidos para que ela provasse e novamente, meus olhos estavam ligados à tela do celular. O sofá ao meu lado balançou quando alguém se sentou. Um perfume forte envolveu-me, mas decidi não olhar, continuaria indiferente a tudo naquele lugar. Mas eu sabia que Lucas estava ali. Droga. 
- E esse?
Brenda voltou com outro vestido.
- Está bom também.
Respondi. Brenda bateu as mãos na saia inflada.
- Clara! Dá pra tirar os olhos desse celular e prestar atenção em mim? Vocês dois por favor?
Ela falou com sua voz estridente, praticamente berrando, enquanto apontava para mim e Lucas que segurávamos os celulares. Fizemos o que ela pediu.
- Obrigada!
Ela afirmou. Respirou fundo. Eu ri. Exagerada e excêntrica.
- Então me digam, ou esse, ou o outro?
Ela perguntou com uma falsa calma.
- O outro.
- Esse.
Eu e Lucas respondemos ao mesmo tempo.
- Esse.
- O outro.
Tentamos falar mais uma vez, mas dessa vez, trocamos as opiniões iniciais. Ele me encarou, dei de ombros como quem dissesse que não tive culpa.
- Vocês estão brincando comigo, não é isso? É não é? Vocês não estão vendo o quanto isso é sério? Vocês não entendem?
Ela gritava na loja. Não era de propósito, eu sabia. Seu tom de voz já era alto por natureza, e ela estava nervosa.
- Não.
Lucas confirmou que não entendia. Brenda bufou voltando com passos firmes, ao trocador.
- Obrigada pela ajuda!
Gritou de lá. Revirei os olhos, tanto drama para um casamento. Eu não acreditava nisso. Em que uma festa e uma igreja decorada poderia assinalar o "felizes para sempre". Claro que Brenda amava Tomas e eu acreditava que isso era recíproco, mas será que o amor precisa de um vestido branco?
- ...ei.
Alguém chamou ao meu lado.
- Oi, desculpa.
Respondi sabendo que tinha perdido algo que ele havia falado.
- Você é sempre assim?
Perguntou me encarando com a sobrancelha levantada.
- Assim como?
Ele riu pelo nariz e voltou o olhar para o celular.
- Assim como?
Falei novamente com um tom de voz mais alto. Lucas encolheu os ombros e ainda sem olhar para mim respondeu.
- Nada, garota. 
- Eu tenho nome.
Cruzei meus braços sobre o peito.
- Ah não me diga.
Ele resmungou entre dentes, irônico. Cerrei meus olhos e preparei uma das respostas que sempre vieram na ponta de minha língua quando eu precisava calar alguém, ou insultar, ou qualquer coisa do tipo.
- Ao contrário de você, eu nasci. Não fui cuspida.
Provérbio de meu avô. Ele levantou os olhos do celular, pela primeira vez olhava dentro dos meus, através de seus óculos de hastes grossas. Um sorriso no canto de seus lábios finos, surgiu.
- Você é muito prepotente sabia?
Levantei as sobrancelhas e quebrei aquele olhar fixo no meu.
- E você sabe o significado disso, querido?
Ele travou a mandíbula. Sorri. Brenda voltou do trocador com outro vestido. Ela parou no meio do caminho.
- Está tudo bem ai? 
Perguntou observando o olhar de Lucas sobre mim, ele me mataria se ela não tivesse chegado a tempo.
- Tudo ótimo.
Respondi sorridente, para esconder o medo. Levantei-me do sofá e a segui até o caixa sem olhar para trás e sem procurá-lo.



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