História Des Amis Ennemis - Capítulo 5


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Categorias Originais
Tags Assassinato, Colegial, Escolar, Mistério, Originais, Perseguição, Psicopata, Suspense
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Palavras 2.510
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Bishoujo, Bishounen, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shounen, Slash, Survival, Suspense, Violência
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Mais um cap, pontual como sempre.

"Ju se lembra de um momento constrangedor. Manu e Henri conversam com Camili, enquanto Nando e Matt procuram por provas para incriminar Camili do sequestro d'Aymê".

Capítulo 5 - Barbie Chernobyl


[Juliana]

 

- Você se lembra quando aquela festa do pijama virou uma grande suruba? – perguntou Lola. Estavam na sua casa, sentadas na cama; Lola fazia tranças no cabelo de Ju e discutiam sobre os acontecimentos recentes. Era uma tarde de sábado, e Ju preferiu ficar em casa, embora saísse com frequência.

- Falei para não tocarmos nesse assunto – lembrou Ju, impaciente – é constrangedor!

- Você não achou constrangedor na hora...

- Cala a boca! – Ju jogou um travesseiro na cara de sua melhor amiga – o que deu em você?

Lola desatou a rir e era bonita quando ria. Tinha os cabelos vermelhos e olhos azuis, com pequenas sardas no rosto.

- Nada. Mas agora que você está com o Matt, só queria saber como fica nossa relação a três. – uma longa história, que Ju preferia esquecer. Um segredo que guardava a sete chaves, e jamais contaria a alguém. Nunca. Somente seu diário sabia. Ju tinha noção que era um pouco estranho uma garota de 17 anos ainda ter um diário, no entanto ela não escrevia mais; apenas o guardava de recordação.

- Bem, não existe relação a três. E só estamos ficando.

- E como ele é? – perguntou debruçando-se sobre um travesseiro.

- Ele não tem nada de um príncipe encantado. Mas é muito bom – riu.

- Por melhor que ele seja você ainda tem vergonha dele.

- Não! Não tenho vergonha.

- Mas não se assumem juntos...

- É por uma questão política.

- Política? Conta outra! – desdenhou Lola.

- Eu sou filha da diretora! Se souberem que estou com ele todos vão comentar. Minha mãe ia saber de imediato e iria proibir. Principalmente depois de ontem, quando achou maconha no armário dele. Você poderia pensar um pouco mais antes de fazer perguntas idiotas.

- Hum, sabe-tudo. Porque não está com ele agora?

- Ele saiu com a Manu.

- O quê?! – disse Lola, espantada – eles não se odeiam?

- Sim, parece. Mas fizeram uma “trégua” para descobrir se tem alguma coisa suspeita na casa da Camili.

- Chamar a polícia, nem pensar, né?

- Vamos chamar a polícia quando tivermos certeza.

- Que seja – olhou as horas no celular – tenho que ir. Não posso perder a prova do vestido da minha irmã.

         A irmã de Lola, Elsa, iria se casar no final do ano. Elsa tinha 25 anos, sendo oito anos mais velha do que a irmã. Era ainda mais ruiva do que Lola e tão bela quanto.

- Mal posso esperar pra ir ao casamento! – disse Ju – vai ser lindo.

- Sim. Pra mim ainda mais. Nem acredito que ela já vai se casar. Eu falei pra ela pegar o máximo de boys magia enquanto ainda pode, mas parece que ela não me ouviu.

- Posso imaginar o por que... Eu queria ter um irmão ou irmã, mas acho que já o teria matado se tivesse – Ju era filha única, e quando criança sentia falta de alguém para brincar, mas agora que crescera não sentia mais essa vontade.  – bem, me mostre o vestido depois!

          Juliana acompanhou sua amiga até a porta e se despediram. Subiu ao seu quarto novamente e se jogou na cama. Olhou para a gaveta do criado-mudo onde estava seu diário. Na época em que escrevia não acontecia nada de interessante. Poderia escrever agora, pensou. Não é como se alguém fosse descobrir.

         Levantou-se da cama e pegou o diário. Abriu as páginas e viu os relatos e os desenhos desde os seus treze anos. Era um livro velho, mas bem conservado. Folheou as páginas, cada uma lembrando momentos da sua curta vida.

Não acredito que ele fez isso comigo, leu em trecho de quando descobrira que Matt estava com outra pessoa. Lembrar àquilo a fazia sentir-se estranha, um pouco culpada e usada ao mesmo tempo. Porém, por mais que tentasse, não conseguia mudar. Continuou lendo:

Era hora do almoço. Estava indo até a casa da Lola passar o dia lá. O portão estava aberto e eu entrei sem nenhum problema. Lola tinha um buldogue francês chamado Castor, que era muito amigável. O Cão Castor veio saltitante em sua direção e eu o acariciei um pouco.

A porta da cozinha estava entreaberta e entrei dizendo “Oi, Lola”. Mas ela não era a única no lugar. Quando entrou, Lola estava aos beijos com Matt.

Matt a viu e afastou Lola com um empurrão, e ambos a olharam com cara de espanto. “Eu posso explicar”, balbuciou Matt. Estavam juntos há três meses quando isso aconteceu. Lola era sua amiga desde que conseguia se lembrar. Dei as costas aos dois, e saí correndo.

Fechou o diário. Eu sou tão trouxa, pensou. Queria jogar aquilo fora, mas sua emoção de nostalgia era mais forte. Reuniu coragem e foi até a primeira página em branco e começou a escrever.

 

[Manu]

 

Usar o transporte público era algo degradante. Principalmente aos sábados.

Estava com Matt e iam juntos para a casa da Camili. Tinham um plano arriscado – e idiota – o pouco de informação que tinham para cumprir o objetivo era o que Aymê havia contado para Manu sobre Camili. Durante a semana, a casa nunca ficava vazia, então nenhum deles poderia se esgueirar até sua casa mesmo que Camili estivesse na escola. Mas, aos sábados, os pais de Camili saiam e acharam que seria mais seguro assim.

Manu sofreu com os solavancos da estrada, pois não estava acostumada a andar de ônibus. Estavam num lugar desolado do Rio e provavelmente dominado pelo tráfico. Para piorar, o ônibus estava lotado, carregando uma gentinha chinfrim do mesmo modo que se carrega gado. Não entendeu o motivo da lotação em pleno sábado, mas Matt sugeriu que deveria haver algum evento brega ou algo assim.

- Olha para esse lugarzinho – comentou Manu com desdém, observando as casas pichadas e a rua esburacada suja de terra. Subia uma poeira que era uma mistura de terra e dejetos desagradáveis – parece que aconteceu um apocalipse zumbi.

- Você por acaso nunca veio até a Zona Norte, meu?

- Não. Preferia nunca ter vindo. Já sinto falta da civilização.

- Aqui continua sendo parte da cidade.

- Nem asfalto tem – observou Manu – parece uma roça iluminada.

         Cinco minutos depois que mais lhe pareceram uma eternidade, Matt e Manu desceram do ônibus. Manu andou cautelosa naquele ambiente inóspito para não tropeçar em nenhum buraco.

- Ela mora ali – apontou Matt para uma casa branca logo em frente – já podemos começar?

- Claro, como combinado. Eu a distraio e você entra pelos fundos e invade o quarto.

- Têm certeza que não quer trocar, meu? Eu posso ficar no papo com ela – sugeriu Matt.

- Querido, eu não nasci para fazer trabalho braçal. Ou você acha que eu vou ficar saltando janelas? Me poupe.

- Tudo bem, princesinha. O que você vai conversar com ela?

- Eu improviso na hora – Manu pretendia dizer que Matt gostava de Camili e não tinha coragem de admitir, por isso implicava tanto com ela. Mal podia ver a hora de pôr seu plano em prática.

- Hã, Manu, você já olhou com atenção em quem está em frente à casa dela?

         De fato, havia um garoto em frente à casa e ela o conhecia muito bem.

- Meu namorado. O que ele está fazendo aqui?!

- Ele provavelmente vai querer saber a mesma coisa de você – disse Matt se divertindo com a ideia.

         Foram até a casa rápido. Matt contornou a casa e foi até os fundos para não ter tempo de ser notado por alguém lá dentro.

- Olá, sweetheart – Manu cumprimentou Henri, com um olhar que exigia explicações.

- O-oi – Henri se sobressaltou quando a viu – o que você está fazendo aqui?

- Eu te disse que achava essa guria suspeita. Vim tirar minhas conclusões. E você?

- Hã... O mesmo. – Manu ficou confusa ao ouvir aquilo, mas acreditou quase que imediatamente.

- Hum, então você resolveu me ouvir – disse pousando uma das mãos no ombro do seu namorado.

- bem, eu não acho que ela seja culpada, mas fiquei curioso. O Matt tá junto com você? – perguntou franzindo o cenho.

- Sim. Ele até que é tolerável. Você já a chamou?

- Sim, eu apertei a campainha. Acho que ela vai...

- Ó. Meu. Deus. – Camili apareceu na porta com um ar de espanto e desprezo. Usava roupas despojadas, os cabelos brancos como a neve de habitual, mas estava sem a maquiagem preta ao redor dos olhos que costumava usar – isso deve ser um pesadelo.

- Olá, querida! É bom te ver também – Cumprimentou Manu. Henri ergueu a mão em um aceno e não disse nada.

- O que vocês querem? – perguntou Camili, blasé.

- Eu tenho uma revelação mara pra te contar – anunciou Manu, animada com sua ideia. Queria ver a cara da gótica caipira quando dissesse que Matt estava afim dela.

- É realmente importante?

- Se não fosse importante eu jamais viria a esse bairro me...

- Sim! – interrompeu Henri – muito... Importante.

- Ok. Entrem – Camili suspirou.

- Entrar? – perguntou Manu, surpresa. Queria que ficassem do lado de fora para Camili não ouvir nenhum barulho no quarto. Aliás, quanto menos tempo ficassem ali, melhor.

- Claro. Se for tão importante assim, quero ouvir com calma, lá dentro. Venham, antes que eu desista.

•••

         A casa de Camili era organizada – pelo menos a sala. Era uma casa de cômodos pequenos e sem luxo, mas era limpinha, que é o que importa. Henri e Manu sentaram-se num sofá.

- Vou fazer algo pra comer – disse Camili indo para a cozinha – não vou conseguir olhar pra cara de vocês de barriga vazia.

Manu esperou Camili entrar na cozinha para discutir com seu namorado.

- Porque não me avisou que vinha aqui? – perguntou sussurrando.

- O Nando pediu pra não contar pra você, então...

- Nando?

- Sim. Ele teve a ideia. Inclusive, ele já deve ter invadido a casa.

- Então temos duas pessoas no quarto. Se eles fazerem barulho estamos mortinhos da silva. Aliás, não é do feitio do Nando fazer isso. O que deu nele?

- Lily – respondeu Henri com um suspiro – ele espera impressionar ela ou algo assim. Larry ia vir também, mas foi na casa da Juliana.

Aquela última frase ecoou na mente de Manu.

- Droga! Eu tinha que ir à casa Ju hoje. Me esqueci completamente!

- Bem, vamos nos concentrar aqui. – disse Henri juntando suas mãos com as dela.

- Ooooh! Você é tão fofo – Manu elogiou, se derretendo – sabe, nós deveríamos nos falar mais! Namoramos há meses, mas está tudo tão estranho ultimamente. Eu também não devia ter escondido que viria aqui. Você me desculpa? – fez uma cara de gato de botas.

- Hã, claro. Eu...

- O que vocês estão fazendo? – interrompeu Camili, entrando com uma bandeja de bolo e um bule de café, que colocou na mesa de centro.

- Estamos tendo uma DR – explicou Manu, impaciente – pode nos deixar terminar?

- não.  Me falem agora o que vieram fazer aqui. – disse sentando-se no sofá em frente a eles e acendeu um cigarro que tirou do bolso da calça.

         Manu começou a falar, porém mal balbuciou a primeira palavra e Henri a interrompeu:

- Manu quer te pedir desculpas.

- O quê? – perguntou Camili.

- O QUÊ?! – Manu o fulminou com o olhar, boquiaberta. Manu esqueceu que Henri também estava pensando num assunto para falar com Camili e que deveriam ter combinado isso antes de resolver ter uma DR*.

- É isso mesmo que você ouviu – continuou Henri – Manu falou muitas coisas desagradáveis sobre você e queria se desculpar.

         Camili encarou ambos com curiosidade. Parecia não acreditar no que acabara de ouvir. Alternava as tragadas do cigarro com goles de café. Ela encarou Manu esperando uma confissão.

- Tá me olhando por quê? – perguntou Manu, dissimulada.

- Estou esperando suas desculpas.

         Manu respirou fundo. Seria difícil. Mas ela iria conseguir. Começou o seu discurso:

- Bem, por onde começar? Eu sei que você não gosta muito de mim. Eu também não vou com a sua cara. Mas, desde que Aymê desapareceu, eu... Percebi o quão fútil é essa briguinha que nós temos. Peço... Cof, desculpas, cof, cof, por ter te ofendido ou qualquer coisa parecida.

- Eu aceito. – disse Camili – sinceramente, não esperava isso de você. Mas poderia ter dito isso na escola.

- Estamos indo numa festa aqui perto – Henri mentiu – convenci a Manu a pedir desculpas de uma vez antes que ela desistisse.

- Exatamente – disse Manu – nós falamos tudo um para o outro – disse abraçando o braço de Henri – nos comunicamos perfeitamente.

- Claro, claro – concordou Camili – é só isso?

- Não. Tem mais uma coisa que eu queria falar. Matt.

- Matt?

- Sim. Ele está afim de você.

- Matt? Como assim?

- É isso mesmo – Manu finalmente fora agraciada com uma expressão de descontentamento de Camili – a Ju me contou – mentiu - Ele deve ter contado pra ela, já que são quase BFFs. Mas não espalha não, tá? Detesto fofoca.

- Hã, claro. Claro.

- Bem, vamos indo. Obrigado pelo lanchinho e pela atenção. Você até que tem um pouco de classe. – Henri e Manu saíram, e sua missão tinha sido cumprida.

 

[Nando]

 

Logo após pular um muro e uma janela e quase cair de cara no chão, Nando estava quase se arrependendo do plano.

Assim que entrou no quarto e ficou de pé, sentiu dois pés nas suas costas e caiu no chão, com um grito abafado.

- Shhh! Quer que nos ouçam? – perguntou uma voz que não lhe era estranha.

- Matt? O que você está fazendo aqui?

- O mesmo que você, meu. Mas isso não importa agora.

- Ok, só... me ajude a achar qualquer coisa.

         Começaram a vasculhar o quarto. Aparentemente não havia nada demais; não havia nada chamativo. O quarto era um pouco bagunçado, com material escolar esparramado e pôsteres de bandas como Led Zeppelin e Queens levemente descoladas nas paredes.

- Henri te chamou aqui? - quis saber Nando.

- Não. Vim com a Manu.

- Você e a Manu, juntos? Isso é uma surpresa. Ela não te suporta.

- Ela só finge. Eu sou irresistível. Sou praticamente um colírio da Capricho – Matt abriu uma gaveta do guarda-roupa e ficou boquiaberto – acho que encontramos alguma coisa.

- O que é? – Nando se aproximou e viu o que era – duas armas!

- Bom, acho que é o suficiente – Matt pegou o celular do bolso e tirou algumas fotos -  vamos embora?

- Não quer procurar mais nada?

- O que pode ser pior do que duas armas de fogo?! 

- Não sei, alguém da casa pode ter licença pra porte de armas. Se for isso, essas fotos não vão surtir efeito nenhum.

- O que você espera achar aqui?

- Sei lá, drogas, testes de gravidez, qualquer coisa.

- bem, é o que temos. Quer ficar mais tempo aqui?

- Não.

- então vamos.

Nando acatou a decisão de Matt e pularam pela janela, fazendo o mínimo de barulho possível. Agora, faltava decidir o que fazer com àquela informação em mãos.


Notas Finais


*DR - Discutir a relação.

Qualquer erro, relatem. Obrigado por ler!


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