História Desabafo - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Kakashi Hatake, Sakura Haruno
Tags Kakasaku
Visualizações 307
Palavras 6.517
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Luta, Magia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Naruto não me pertence e seus personagens também não.
O intuito dessa fanfic é totalmente interativo e sem fins lucrativos.
Por isso, não me processem, por favor. Não tenho como pagar uma fiança e da cadeia não dá pra postar.


Boa leitura!

Capítulo 3 - Parte III


Então, eu não sabia mesmo o que fazer. Que eu tava gostando da Sakura, era óbvio. Que ela não tava gostando de mim do mesmo modo, era óbvio também. Voltei a beber. Fiquei ali sentado, escutando aquela conversa entediante, fazendo minha melhor cara de paisagem, espiando a maldita com o canto do olho e secando uma garrafa de saquê atrás da outra. Quando eu achei que a coisa não podia piorar, piorou. Aliás, minha vida, vou te falar, tava numa montanha-russa de emoção...

Eis que chega Shikamaru. Gosto daquele garoto. A preguiça dele me lembra alguém.

Mas, assim como eu, ele também compartilha de mais interesses, além de ficar deitado vendo o dia correr numa boa. Foi instantâneo ele chegar, e o olho dele correr direto, direto, pro decote da Sakura. Já dei uma bufada. Alta. Alta demais. Todo mundo me olhou. Todo mundo.

- Tá tudo bem, Kakashi-sensei? – a dissimulada me perguntou. Dissimulada. Perguntou dando risada. Ela sabia que não tava e sabia muito bem o porquê não estava.

- Excelente, Sakura. Tudo ótimo. E com você, como vai a vida?

Eu me admiro. É sério. Eu tenho quinze anos de novo. Eu, agora, dei pra ficar com esses joguinhos.

- Ah, a vida dela tá indo bem, viu Kakashi-sensei! – a voz estridente e embriagada de Ino cortou meu contato visual intenso com a Sakura. Mas me chamou a atenção, porque a minha flor ficou anormalmente corada pelo comentário da amiga. Fiquei intrigado.

- Sério, Ino? Por que você diz isso? – ela deu uma risada tão alta, que eu pensei que fosse engasgar. E a Sakura se encolhendo na cadeira. Tem coisa boa aí...

- Hoje, lá no hospital, ela...

E eu tava certo! Tanto tem coisa boa, que a Sakura atravessou nossa conversa.

- E aí, Shikamaru? Como estão as coisas? Faz tempo que eu não te vejo! – tava até roxa. Eu só dei uma olhada pra ela e voltei a encarar a Ino.

- Tudo bem, Sakura. Eu tava em missão, cheguei hoje. – nem dei atenção.

- O que ela fez, Ino? – era isso que eu queria saber.

Demorou um tempo até ela me entender. A Ino tava bêbada demais pra conseguir acompanhar duas conversas. Tive que chamar a atenção dela com a mão, pra ela me ver, mas quando me achou, lembrou do que conversávamos.

- Ah é! Então, Kakashi-sensei! Ela... – e a maluca gritou de novo.

- E foi tudo bem, Shikamaru? – claramente, Sakura não queria que eu soubesse o que era. Nessa altura, todo mundo já tinha percebido isso. Até o Shikamaru. Só deu uma risadinha e nem respondeu, pra dar espaço pra Ino continuar. Olhei pra loirinha, fazendo um movimento com a mão, pra ela dar andamento pro papo. Os olhos dessa menina maliciaram de um tanto, que eu me preocupei se ela tinha visto a minha visita e a massagem que eu tinha ganhado na sala da Sakura.

- Por favor, porca... – Sakura pediu tão baixinho, que deu mais vontade ainda de saber.

- Se tivesse me chamado pelo nome, talvez eu te poupasse. – ela respondeu rindo. Se voltou pra mim. – Acho que ela tá com namorado, Kakashi-sensei!

Eu fui tomado por uma emoção tão grande, que parecia que meu peito ia explodir. Senti um calor dentro do meu corpo, crescendo de uma forma tão imensa, que eu abri um sorriso desesperado por baixo da máscara. Será que ela tinha contado pra alguém? Imediatamente, olhei pra Sakura, que mantinha os olhos baixos e uma vermelhidão no rosto, que chegava a dar dó.

- Ela falou isso, Ino? – os olhos verdes cruzaram com os meus.

- Você tá namorando, Sakura? – eu nem sei quem perguntou. Só continuei a encarando, esperando a resposta. Esperando o sim. Esperando meu nome. Esperando qualquer coisa que me incluísse na vida dela, além dos limites daquela casa, daquele quarto.

- Não. – fechei os olhos. Onde eu estou com a cabeça? O que está acontecendo comigo? Por que eu tô sentindo isso?

- Ah não? Então por que você começou a usar o contraceptivo? – Ino estava empolgada com a fofoca.

- Não te interessa, Ino. – de alguma forma, eu quis acreditar que a Sakura estava incomodada com aquilo. Eu quis achar alguma explicação pro seu desconforto, que fosse além do fato de sua intimidade estar sendo exposta na mesa de um bar. Mas eu não consegui. Tava dilacerado. Eu não era nada pra ela, além do ex-sensei e de um cara pra dar uns amassos em um quarto escuro e umas fodas ocasionais. Eu era pra ela, o que eu fui pra todas as outras.

Não tinha porque eu continuar ali. Na verdade, não tinha porque eu continuar em Konoha. Eu tinha que ir pra casa, descansar, e logo que amanhecesse, ir atrás da Tsunade e me enfiar de novo em alguma missão.

- Tô indo. – só falei isso. Alguém me perguntou porque, falou que tava cedo. – Vou ver se arranjo alguma coisa amanhã. – olhei pra Sakura. – Longe daqui, de preferência.

- Eu também já vou. – ela respondeu me olhando e eu quase fraquejei. Mas não deu tempo. Alguém mais apto a estar com ela, apareceu pra ser o seu cavaleiro branco.

- Posso te acompanhar, Sakura? – era Shikamaru. Ela me olhou. Eu só fingi a minha indiferença, de novo pra não mostrar o que eu sentia. Não era ódio, não era raiva, não era nervoso. Era tristeza. Saí dali logo, antes que eu fizesse um papel mais ridículo do que eu já estava fazendo. Acenei pros que ficavam, paguei o que devia, e fui pra rua, ansiando que a manhã chegasse logo.

Era só o que eu queria. Finalmente, eu tinha entendido. Eu gostava da Sakura, ela não gostava de mim. Eu queria estar com ela, ela não queria estar comigo. Eu esperava coisas dela, que ela não estava disposta a me dar. Então, a única coisa que eu podia fazer, era sair dali. Ficar longe de novo, até apagar esse fogo que surgiu dentro de mim. Só que ela tava disposta a acabar com a minha vida, com a minha sanidade, sem me dar o mínimo de carinho em troca. Parou na minha frente e estacou. Eu não podia ficar. Se eu falasse qualquer coisa, ia cobrar coisas da Sakura, que ela nunca falou que ia me dar. Desviei dela, com as mãos no bolso, como se ela fosse simplesmente um obstáculo no caminho. O meu melhor obstáculo. O meu mais teimoso e móvel obstáculo. Na quinta vez que ela parou na minha frente, eu comecei a rir.

- Cadê o Shikamaru? – não consegui evitar o tom despeitado.

- Desde quando eu preciso que alguém me acompanhe em algum lugar?

Esse estava sendo o meu erro. Achar que a Sakura era como as outras. Não era e muito de não ser, era por minha culpa. Eu a ajudei a ser assim. Eu a moldei pra ser assim. Forte, determinada, auto-suficiente. Mas agora ela estava sendo cruel. Pelo menos comigo, estava.

- Okay... boa noite, Sakura. – desviei uma última vez. Dessa vez ela não parou na minha frente. Começou a andar do meu lado. Ficou andando um bom tempo, até passar o cruzamento que daria o caminho pra sua casa. Contive a risadinha e mantive a pose fria. – Na minha casa, então?

- Na sua casa.

Fomos em silêncio o resto do caminho. Mas eu não consegui evitar dissipar os pensamentos que tinham se formado antes. Só a presença dela já tinha tirado aquela ideia de fugir dali. Mesmo ela estando quieta, em silêncio, não me dando nada além do seu cheiro de flor de cerejeira, já tinha acalmado meu coração. Não passava mais pela minha cabeça sair de Konoha, pelo menos não correndo, quando o sol nascesse. Quando o sol nascesse, eu só pensava em estar abraçado com ela, com o nariz enfiado em seus cabelos cor-de-rosa, como tinha sido essa manhã.

Eu gostava demais da transparência da Sakura. Quando entrou no meu apartamento, foi saboroso ver ela se deliciar com o lugar. Explorou cada detalhe, como se fosse uma descoberta da minha personalidade. O que não tinha muito pra saber, já que eu sempre fiz questão de manter o ambiente livre, com o básico e não me apegar a nada que eu pudesse deixar pra trás. Eu era um ninja. Não podia me abalar com luxos ou perder a cabeça por itens de decoração. Então eu tinha um lugar legal, confortável e limpo. Tava ótimo.

- Bem vinda ao meu palácio, hime. – eu falei brincando, mas ela me olhou com uma cara contraída demais pro meu gosto. Vinha bomba por aí.

- Kakashi, o que foi? O que você tem?

Um coração. Eu sei, parece estranho, mas eu tenho. E ele está sendo partido a cada segundo.

- Do que você está falando, Sakura?

- Eu tô falando desse jeito estranho que você tá agindo. Da cara que você me fez no bar. Parece que não gostou de sair comigo...

Ah, aí foi demais pra mim.

- Eu não saí com você, minha flor. – e ela ainda teve a cara de pau de me olhar ofendida. – Eu saí sozinho, encontrei com os meus amigos e você estava no mesmo lugar.

- Mas a gente tava junto, na mesma mesa.

- A gente tava na mesma mesa, mas não tava junto. – Quer saber, cansei de meias palavras. – A gente tá junto?

Engasgou. Engasgou de verdade, com direito a tosse e tudo. Tive que pegar um copo de água pra boneca desengasgar.

- Tudo bem? – tava até vermelha.

- Tudo. – ótimo, vamos voltar pro assunto.

- A gente tá junto? – ela ameaçou engasgar de novo, andou de um lado pro outro e eu irritei. – Qual é, Sakura! Sim ou não. É simples.

Pelo olhar que ela me deu, eu comecei a entender que talvez não fosse tão simples.

- Sim ou não? – por um segundo, eu tive medo dela. Um único segundo. – Me responde você. A gente tá junto?

- Por mim, sim.

Foi tão libertador dizer isso. E foi tão bonita a expressão que ela fez. Um sorriso grande, descontrolado. Mas rápido. Tão rápido, que se eu tivesse piscado, não teria visto.

- Que foi? Você não quer? – eu tava confuso. Porque ela pareceu animada com a ideia. Mas por um único segundo. Por um único segundo.

E de novo ela começou a andar de um lado pro outro, como se tivesse enjaulada. Eu não sabia o que fazer. Não sabia o que pensar. Naquele ponto, já não confiava mais em mim, no meu taco, em mais nada. Será que ela não tinha gostado? Mas se não tivesse gostado, por que tinha me levado de novo pra casa dela? Por que tinha ido comigo pra casa?

- Sakura, fala comigo, eu não tô entendendo nada... – era a coisa mais honesta que eu podia dizer. E quando ela me olhou, meu coração parou de bater. Ele ficou tão massacrado... Ela tava com os olhos... marejados?

- Não era pra ter sido assim, Kakashi. Eu sabia que era um erro...

Que erro? Por quê, erro?

- Do que você tá falando, minha flor? – eu precisei ir até ela, e eu não sabia, ali, se eu era o homem que era doido de desejo por ela, ou se eu era o sensei que não gostava quando ela ficava triste. A verdade é que vê-la daquele jeito, toda amuadinha, tava acabando comigo.

- A gente não pode ficar junto. Você sabe que não.

Eu sei? Por quê, eu sei?

- Não sei, não. Por quê, não pode?

Ela apontou pra cima de uma estante onde eu guardo os meus amados Icha Icha’s. E lá, tem duas fotos. Uma delas, eu estou junto com o ela, Naruto e Sasuke. Três crianças e um adulto. Eu e ela. Eu adulto e ela criança.

- Você tá querendo dizer que vão falar alguma coisa por eu ter sido o seu sensei?

E a dúvida começou a se formar na minha mente. Iriam falar alguma coisa? Iriam maldar? Porra, eu não tinha pensado nisso. Ela já não era minha aluna há tanto tempo... será que ainda tinha algum risco de alguém inventar alguma maluquice?

- Eu não sei, Kakashi... – aquela incerteza da Sakura me deixava ainda mais transtornado. Ela não parecia mais aquela mulher tão decidida, que me seduziu.

- Você tá arrependida? De ter transado comigo?

- Não! Claro que não!

- Pelo menos isso! – eu tava frustrado. Muito frustrado. Isso tava longe de ser o que eu tinha imaginado. – Por que você disse que foi um erro, então?

Eu vi ela dar um suspiro tão profundo, que não tinha como coisa boa sair dali. Ninguém junta tanto ar pra falar coisa bonita. Junta ar pra dar um soco no estômago dos outros. E foi exatamente o que ela fez comigo.

- Porque eu esperava que fosse ser só uma noite.

Eu tinha razão. Ela esperou que eu fosse fazer com ela a mesma coisa que eu fazia com as outras. Fiquei ofendido. Me senti iludido. Me senti quase um brinquedo.

- Você nunca cogitou ter nada comigo... – eu nem tentei disfarçar. Tava arrasado com aquilo.

- Não por mim. Eu nunca cogitei que você fosse querer nada comigo.

E aí eu olhei pra ela. Tava ali, parecendo um filhote, no meio da sala do meu apartamento, abraçada ao próprio corpo, me olhando com aquelas duas esmeraldas arregaladas. Tão vulnerável quanto eu. Ela tava tão vulnerável quanto eu. Eu consegui, pela primeira vez desde aquele bar, ver a Sakura sem aquela capa de super mulher. E era mais linda ainda. Mais: tava recheada de sentimento. Notei algo peculiar naquele olhar, que reconheci de cara, até porque eu estava com aquele mesmo, idêntico.

- Por que você diz isso? – e eu perguntei em forma de análise. Eu nem queria saber essa resposta. O que eu queria era arrancar camada por camada daquela Sakura que estava me desnorteando, pra achar a Sakura que ia ser minha por completo, não só na cama.

- Porque você é Kakashi Hatake, caramba! Quando, no mundo, você ia querer alguma coisa comigo?! Eu, uma garota boba, que fui sua aluna? Que era virgem até ontem? Literalmente!

Deus... ela gosta de mim.

- E você achou que eu, por ser quem eu era, nunca ia me interessar por você?

O riso dela foi tão nervoso, que era quase uma resposta. Como se ela tivesse raiva de mim, por nunca olhá-la. Raiva dela, por não ser interessante o bastante. Abra os olhos, Sakura!

- Talvez pelo meu corpo, mas nada além disso... – ela precisava parar com essas bobagens.

Puxei-a pra mim. Grudei meu corpo no dela.

- Você ainda sabe ler as pessoas? Olha bem pra mim e me diz se eu não tô louco por você?

Ela insistiu em desviar o olhar, mas eu não podia mais permitir. Eu não podia mais ficar naquela situação angustiante, sem saber se eu estava ou não sendo correspondido.

- Sakura, fala pra mim. Eu preciso saber. – eu precisava mesmo. Era uma coisa física. O que eu sentia chegava a doer. Puxei seu rosto até encontrar de novo com os seus olhos.

- O que você quer saber, Kakashi? Que eu sou mais uma das mulheres que suspiram por você?

Eu ri. Ri de felicidade, mas ela ficou puta pra caramba, achou que eu tava rindo dela. Mas como eu não podia rir, cacete! Ela admitiu que suspirava por mim... Eu queria mais, claro. Mas já era um bom começo.

- Por que você tá tão nervosa, minha flor?

- Porque não era pra ser assim! Era pra ter sido uma noite e pronto! Mas você tá sendo todo fofo, e vindo me procurar, e ficando com ciúme... você ficou com ciúme que eu vi! – me apontou um dedinho tão bonitinho, que eu fiz de conta que ia morder.

Eu ainda tava abraçado com ela. Mas senti uma necessidade maior de passar meus braços em volta da sua cintura antes de dizer o que eu ia dizer. O que, aliás, eu nunca tinha chegado nem perto de dizer pra ninguém.

- Eu gosto de você. – aquele mesmo sorriso grande apareceu de novo. Mas não sumiu dessa vez. – E eu fiquei mesmo com ciúme. Eu não quero que seja só uma noite, Sakura. Não, se você não quiser.

Ela tava tão bonitinha, com aquele sorriso enorme, com os olhos apertados, que foi impossível resistir. Eu tive que dar um beijo nela, antes mesmo de ter qualquer resposta. Apesar de que os braços dela se enrolando no meu pescoço e as suas mãos se enfiando no meu cabelo me deram margem pra deduzir o que ela falaria.

- Então a gente tá junto? – ela me perguntou tão baixinho, de olhos fechados, que parecia que estava com medo da resposta.

- Eu nunca mais te largo, Sakura. – e vi seus olhos se iluminando pra mim.

Okay. Desde quando eu consigo falar essas coisas? Porque se eu continuar com essas palavras bonitas e românticas, o Jiraya que se cuide. Surge aí um concorrente de peso pro autor do Icha Icha. Só fica faltando a parte do sexo, mas nisso eu também sou bem bom...

- Mas eu acho que a gente devia manter em segredo, por enquanto.

Larguei a princesa, bufei e saí andando pro outro lado.

- Posso saber por quê? – eu não tava gostando nada dessa história de namorar escondido. Não tenho mais idade pra isso, fala sério.

- Porque eu não sei como isso vai ser visto, Kakashi. A gente devia falar com a Hokage primeiro.

- Excelente. Amanhã de manhã, eu falo com ela.

- Amanhã de manhã, não.

- Por quê?

- Treino.

- Você fala, então.

- Eu não! E se ela ficar brava?! Tá louco?!

Não aguentei. A Sakura era forte pra caralho. Arrebentava uma parede com um soco, fácil. Mas a única pessoa pra quem ela perdia, era pra Tsunade. E o medo, era visível. Tive que rir da expressão de pavor que surgiu em sua face.

- Então eu falo a tarde.

- Não, Kakashi. A tarde eu tenho que ir pro hospital.

- Porra, Sakura... Que horas, então? Se você não vai falar, se não quer que eu fale, como ela vai saber? Quer mandar o Pakkun enviar uma mensagem? Eu invoco ele agora! O que acha?

Falei brincando mas não era uma má ideia. Fiquei pensando na cara da Hokage, quando o Pakkun chegasse lá e passasse o recado. “Olha, é o seguinte: o Kakashi pediu pra te avisar que ele e a Sakura estão namorando. Então, tá. Até a próxima!” Eu tentei não rir, até porque isso tava só na minha mente, mas foi incontrolável, imaginar ela quebrando a mesa e tacando as coisas no meu pobre amigo. Sakura tava me olhando desconfiada. Deve ter achado que eu enlouqueci.

- Pensei no Pakkun mandando a mensagem... vai Sakura, resolve. O que você quer fazer?

- Eu vou preparar o terreno amanhã, no treino. Daí, depois a gente vai juntos conversar com ela, tudo bem?

- Amanhã?

- Amanhã eu vou dar uma sondada, se tem algum problema uma relação entre um ex-sensei e uma aluna. Conforme for...

- Conforme for, o quê? Se ela disser que tem problema, você vai me dar um pé na bunda?

E volta o Kakashi carente... Eu tô preocupado comigo. De verdade. Preocupado mesmo.

- Vamos pensar nisso amanhã? Por favor? Por favor? – fica fazendo manha só pra me quebrar. Sabe que eu não resisto à esses charminhos. Já agarrei ela de novo.

- Você vai dormir aqui comigo? – eu tenho que admitir. Gostei muito desse negócio de dormir de conchinha.

- Eu tenho que sair cedo pro treino amanhã. E eu não tenho roupa aqui...

Olha as coisas que essa menina fala...

- Roupa é o de menos. Fica sem. – tão simples. Não sei porque se preocupar.

- Não é uma má ideia... Mas eu me referia à roupa do treino, seu pervertido.

Se eu tivesse um pingo de vergonha na cara, ficaria constrangido pela rata. Mas eu não tenho, então deixei passar.

- Amanhã cedo você passa na sua casa e se troca. Fica aqui... – fiz manha. Manha eu acho legal, porque geralmente cola.

- Fico.

Tá aí a prova. Manha cola.

E o óbvio aconteceu. A minha casa, que sempre foi o meu reduto, a minha redoma, o lugar onde eu me enfiava e me escondia do mundo, onde eu podia ter a minha adorada solidão, onde tudo era meu e do meu jeito, virou propriedade da Sakura. Com uma naturalidade que chegava a dar raiva, as coisas aconteceram. A sandália jogada na porta do apartamento, as pulseiras esparramadas pelo criado mudo do meu quarto, uma mancha leve do batom mal tirado que ficou na fronha, que eu só vi no outro dia... tudo isso era a prova de que ela tinha dominado o meu espaço, do mesmo jeito que tinha dominado o meu corpo. Enquanto eu fazia um chá, antes de irmos deitar, depois daquela conversa intensa, quase morri do coração ao olhar pro corredor que vinha do quarto e ter a visão surreal dela, vindo, toda tranquila, com uma camiseta minha e uma cueca box.

Meu pau subiu à jato.

- Misericórdia... – parecia um panaca com duas xícaras na mão, vendo aquele monte de mulher rebolando aquela bunda gostosa dentro da minha cueca. Aquilo não fica bom em mim, daquele jeito não.

- Você não achou ruim que eu peguei não, achou?

Eu acharia ruim se eu passasse a vida sem ver ela vestida desse jeito.

- Eu quero tanto te comer agora... – eu não conseguia nem olhar pro rosto dela. Só ficava encarando as pernas de fora e a beirada da bunda, já que a cueca tinha ficado gloriosamente apertada na gostosa. – Você não quer tomar chá não, quer? Eu não quero.

Já catei ela pela cintura e fui puxando de volta pro quarto. Não dei nem tempo de resposta. Que chá, o quê! Eu queria era beber o mel que ela tinha no meio das pernas. Joguei a Sakura na cama e me deslumbrei de novo. Era linda demais. Ela caiu ali no meio, rindo do meu descontrole emocional, e conseguia ficar ainda mais perfeita daquele jeito. Eu tava tão apaixonado por ela, que eu chegava a ter medo. Não queria mais me afastar. Não queria mais correr riscos. Esse é o problema de um ninja se relacionar com alguém. Esse é o problema de você entregar seu coração pra outra pessoa. Você passa a se preocupar com a perda.

Arranquei aquela camiseta e ela mesma empurrou a box pra baixo. Se fez linda pra mim. Fiz um carinho no corpo dela inteiro, começando pelo rosto, seguindo pelo pescoço, pelo seio, passando pelo mamilo, barriga, pela sua intimidade, as coxas grossas até chegar na ponta do pé. Senti o corpo dela inteiro se estremecendo ao meu toque. Pedaço por pedaço, ele foi se arrepiando, conforme eu passava meus dedos bem de leve. Fiz o mesmo caminho, começando pelo pé, dessa vez com beijos. Subi o corpo incrível da Sakura, marcando-o como meu, tomando os seus suspiros e os seus gemidos pra mim. Até chegar na sua boca. Quis um beijo e ganhei.

- Diz que você é minha? – era carência. Era uma necessidade inumana de ouvir ela dizer que era só minha. Ela me sorriu, me deu aquele sorriso que eu gostava tanto.

- Eu sou sua.

E o mundo parou de girar. Ou, sei lá, começou a girar. Porque fazia tanto sentido ela dizer isso, como se isso fosse tão óbvio pra mim. Me livrei da roupa que ainda usava e deitei ali, ao lado dela. Me encaixei em suas costas, segurando seu seio e entrei nela de lado, naquela conchinha que eu tinha descoberto que era um negócio gostoso de verdade. Devagar, compassado, ritmado, quente, abraçado com a minha flor de cerejeira, sentindo o cheiro bom que ela tinha, beijando seu pescoço, eu estoquei ela sem parar, por um tempo enorme, sentindo ela gozar pra mim inúmeras vezes, apertando meu pau dentro dela, gemendo meu nome, beijando minha boca, puxando meu cabelo, me querendo, me amando, do mesmo tanto que eu a queria. Do mesmo tanto que eu a amava. Até eu dormir, depois de estar satisfeito, depois de ela estar satisfeita, depois de amá-la sem parar por horas a fio, abraçado do mesmo jeito.

Mas quando eu acordei, estava sozinho. Tinha só um bilhete no travesseiro, com aquela letra feia dela. “Fui treinar. Não vou tomar café, então me espere com o almoço pronto!”. Petulante.

E o que eu fiz? Nessa ordem: li o bilhete, dei risada, enfiei o nariz no travesseiro onde ela tinha dormido, resmunguei pelas pulseiras jogadas no criado, resmunguei de novo pela mancha de batom na fronha, me levantei, tomei banho, tomei café e fui pro mercado. Eu tinha que fazer almoço. Por quê? Porque, pelo jeito, eu sou um “dono de casa”.

Mas tudo, absolutamente tudo, compensou quando eu vi aquele monte de cabelo rosa invadindo o meu silêncio, rindo e se jogando pra mim. Minha vida tinha virado de ponta cabeça de um dia pro outro e eu tava me sentindo o cara mais sortudo do mundo. Chegou pulando e me beijando, com aquela delícia de roupinha de treino e uma mochila na mão.

- Trouxe umas coisas. Vou tomar um banho rapidinho, tá? – e sumiu. Como se eu tivesse algum controle. Até a minha casa tava mais feliz com ela, porque eu tenho certeza que as paredes não eram tão brancas quanto agora. Elas eram mais cinzentas. Trouxe roupas. Quer dizer que tá disposta a se instalar. Pensei um minuto se isso me desagradava. Fui até o meu quarto, olhei pra toda a minha feliz solidão de solteiro. Abri uma gaveta e desocupei. Peguei uma toalha extra e levei pra Sakura no banheiro.

- Deixei uma gaveta pra você colocar suas coisas. – ela concordou com a cabeça, enquanto lavava os cabelos. Com o shampoo dela, que ela já fez questão de colocar do lado do meu.

O que eu tô achando disso, dessa invasão?

TÔ ADORANDO!

Eu, Kakashi Hatake, o copy-nin, nesse momento, estou acabando de arrumar a mesa pra almoçar, feliz e tranquilo, enquanto a minha “não sei o quê” está tomando banho no meu chuveiro, enchendo meu banheiro de coisa de mulher, entulhando meu quarto de coisa dela, deixando suas bugigangas espalhadas pelo meu apartamento, e eu não consigo parar de sorrir. Talvez eu esteja tendo um derrame e não sei. Mas eu acho que é porque eu estou feliz.

Só pode ser isso, porque é a única coisa que justifica meu coração disparar cada vez que eu ouço ela rir ou o som da sua voz. Ou, nesse caso, em específico, o barulho da porta se abrindo e ela vindo, toda linda, me encontrar.

- Hum... que delícia...

- Tive ordem pra fazer almoço. Não sei quem foi, só sei que invadiram meu quarto e deixaram um bilhete na cama.

Aí ela ri e o pamonha se derrete. Essa menina vai fazer o que quiser de mim.

- Não foi uma ordem... Foi um pedido pro meu sensei-delícia... – esse negócio de manha dá certo mesmo.

- Seu sensei fica feliz em te agradar, minha flor. – eu também sei fazer charme. Ainda ganhei um beijo. Mas não me alonguei porque eu conheço a fome da Sakura e eu sei que entre ela e a comida, não é sensato se meter. Deixei ela devorar o que queria, mas introduzi o assunto. – Falou com a Tsunade?

Pelo olhar que eu recebi, eu já sabia que não ia gostar da resposta.

- Mais ou menos. Ela tava de mau humor hoje. – novidade.

- E?

- E nada. Eu até joguei um verde, falei que tava saindo com uma pessoa...

- E?

- E ela falou que se for algum cara que não presta, ela vai arrancar as bolas fora.

Eu não presto. Eu presto? O que conta, é antes ou depois da Sakura? Se contar antes, eu não presto. Conta a minha reputação apenas como homem, ou conta como ninja? Porque se for só como homem, eu vou ser capado. Adeus, clã Hatake.

- Só pra confirmar, assim... ela não sabe que sou eu?

- Não.

- Excelente. – tenho bolas por mais algum tempo.

O que eu tô pensando? Eu não sou nenhum moleque. Tenho que resolver essa história o mais rápido possível e se a Sakura quer conversar com a Hokage por causa do nosso envolvimento de sensei e aluna no passado, eu tenho que fazer isso.

- Eu vou falar com ela agora a tarde. – fui incisivo.

- Não vai não. – olha que menininha mais arrogante.

- Eu vou sim. Sakura, eu sei que você vai trabalhar, mas não tem porque eu não ir. Vou lá, converso com ela e pronto. Até de noite tá tudo resolvido.

Ela me deu um sorrisinho vitorioso demais.

- Não, Kakashi, meu lindo... – gostei disso aí, pode falar mais vezes. – Você não vai falar com ela, porque ela vai ficar o dia todo no hospital. Um ninja deu entrada com ferimentos graves e só ela vai ser capaz de operar. A previsão é que a cirurgia demore a tarde toda e entre pela noite.

Merda. Isso significa mais um dia nessa enrolação.

- Entendi. Você vai auxiliar?

- Não. Só se ela pedir mas, pela lógica, eu cubro o resto.

Acho tão bonitinho ela toda responsável assim.

- Muito bem, doutora Haruno... A senhora bem que podia cuidar um pouquinho de mim, antes de sair...

Não ganhei o que eu queria mesmo, que envolvia algo mais relacionado à língua e o meu pau no mesmo ambiente, mas ganhei um sorriso e eu me contentei. Por enquanto.

- Agora não dá, meu sensei-delícia. Tô atrasadíssima! A noite. Prometo! – eu devo ter feito uma cara de piedade tão grande, que eu acabei ganhando uma coisa bem melhor que um sorriso e uma promessa. – A doutora Haruno vem até de jaleco, pra te atender direitinho...

Rapaz... pirei. Foi instantâneo. Senti aquela latejada na hora. Dei uma risadinha sacana, de quem tinha gostado do plano.

- Ainda bem, doutora... porque depois de ouvir isso eu fiquei mais doente ainda!

Não deu pra dar uma rapidinha na hora do almoço, mas eu ganhei uma massagem de leve, antes de ver a minha flor sair correndo pela porta, do mesmo jeito que entrou. Eu tive que resolver minha necessidade de Sakura sozinho, porque sem chance de eu ficar até a noite daquele jeito. Tava até doendo pra andar. Fiquei por ali, pelo apartamento, e cheguei à conclusão de que eu não gostava de não ter nada pra fazer. Pelo que ela tinha dito, hoje nem ia adiantar eu ir lá pro hospital, porque eu não ia ter atenção. Pensei um pouco e decidi que, amanhã, depois que falasse com a Tsunade, ia pegar alguma coisa por ali. Uma missão rápida, pra voltar no mesmo dia. Arrumei a bagunça homérica que a Sakura conseguiu fazer na mísera hora que ela esteve por ali e sentei com o meu Icha Icha. Vi o dia passar em um tédio desesperador. Era gostoso não fazer nada, quando tinha o que fazer. Agora, quando não tinha...

Eu já tinha tomado banho e tava esperando aquele atropelo de mulher invadir meu apartamento, iluminando tudo por ali. Afinal, a noite já tinha caído e logo ela apareceria. Achei o máximo quando ouvi batidas na porta e, quase, quase, que eu abro sem subir a máscara, já que eu achei que era a Sakura fazendo alguma brincadeira de médica. Ainda bem que eu não abri. Era um mensageiro da Hokage, me pedindo que fosse até ela. Avisei que eu já ia e fui me trocar. Coloquei o uniforme e me dirigi ao prédio onde era esperado. No caminho, fui pensando no que seria. Passou pela minha cabeça que encontraria a Sakura lá, afinal, ela ainda não tinha voltado. Talvez ela tivesse falado alguma coisa pra Tsunade e ela queria arrancar as minhas bolas. Engoli em seco. Pensei em pular pela janela, mas achei melhor ser respeitoso, dessa vez, e fui pela porta. Até bati, bonitinho. Ouvi um “Entra” e obedeci.

- Kakashi, que bom que chegou. – a expressão dela era assustadora. Sakura tinha me dito que ela ia operar a tarde toda, mas eu não podia falar que eu sabia. Se não, como ia justificar o fato de saber sem comprometer a minha flor?

- Mandou me chamar?

- Mandei. Eu sei que você queria dar um tempo de missões longas, mas eu preciso de você.

Isso não é bom. Isso não tem como ser bom. Isso não tem a menor chance de ser bom.

- O que está acontecendo, Tsunade? – eu não quero ir. Mas não posso negar. Mude de ideia, por favor.

- Um ninja foi recolhido, inconsciente, pelos ANBUs nos arredores de Konoha. Ele estava muito debilitado, com ferimentos graves, enfim... passei o dia o operando, mas ele não resistiu. A única coisa que eu consegui descobri, é que ele é do País do Relâmpago.

Eu não quero continuar ouvindo isso.

- E você quer que eu vá descobrir o que ele estava fazendo aqui?

A minha falta de vontade estava estampada na parte descoberta do meu rosto. Tsunade deve ter achado que era só a minha indiferença comum, mas era uma imensa vontade de manda-la se foder. Tinha pelo menos mais meia dúzia de pessoas que ela poderia mandar. Mas não eu. Não eu. Não agora.

- Isso. Acredito que vá umas três semanas, um mês pra isso.

Um mês. Um maldito mês longe daqui. Longe da Sakura.

- Amanhã? – ela me olhou como se estranhasse isso. Pelo jeito, estava esperando que eu dissesse que já ia. Nem fodendo, que ia sair dali sem me despedir da minha flor.

- Pode ser... – disse desconfiada, mas acatou. Eu tava tão puto, que eu fiquei ali parado, olhando pra cara da Tsunade, esperando uma oportunidade de fazer alguma coisa. Não sabia nem fazer o quê. Talvez, falar sobre mim e a Sakura. Era a chance, certo? Mas ela estava tão cansada, tão visivelmente cansada. E eu não podia culpa-la por querer que eu fosse nessa missão. Eu era bom em espionagem, em disfarces, em tudo o que ela precisava. Eu tava bravo com a Hokage porque ela estava me afastando da Sakura, só que ela não fazia ideia de que estava fazendo isso. – Você tem mais alguma coisa pra me falar, Kakashi? Por que, se não tiver, eu vou pedir pra você sair. Eu tô cansada e ainda tem esse monte de papel pra assinar...

Era a minha chance. Mas eu resolvi esperar. Não sabia se estava agindo certo, mas eu resolvi esperar.

- Quando eu voltar, preciso falar com você sobre uma coisa, Tsunade.

- Você quer falar agora? Vai falando, eu vou vendo aqui.

Eu não tinha a sua atenção e o meu relacionamento com a Sakura era algo delicado a ser tratado. Talvez eu só devesse plantar uma semente.

- A gente conversa na volta. É um assunto demorado. Eu... tô saindo com alguém, então eu queria conversar com você sobre isso.

Ela me olhou com uma cara risonha.

- E desde quando você fala comigo sobre isso, Kakashi? Aliás, desde quando você sai com alguém tempo o suficiente pra valer uma conversa?

- É por isso que eu preciso falar com você. Dessa vez, é pra valer.

Ficou incrédula. Deus, qual a minha fama nesse lugar?!

- Olha só... Kakashi Hatake... Bom, não sei em que eu posso te ajudar.

Não impedindo já ajuda muito.

- Na volta. – ela concordou com a cabeça, eu concordei com a cabeça e saí dali, morto por dentro, direto pro hospital. Cheguei procurando a Sakura, mas ela não estava. Passei pela casa dela, mas tava tudo apagado. Fui pro meu apartamento e quase tive um troço quando cheguei lá.

Deitadinha no sofá, só de jaleco e lendo um Icha Icha. Quase caí de costas.

- Eu morri? Morri e fui pro céu? – perguntei já pulando por cima dela.

- Onde você foi? Faz um tempão que eu tô te esperando...

Fez um biquinho tão tesão, que eu mordi inteirinho.

- Falar com a Tsunade. – Antes de ela abrir a boca pra falar qualquer coisa, eu já arranquei o curativo de uma vez. – Tô saindo em missão amanhã de manhã.

- Sério? Mas você tinha dito que ia dar um tempo...

- O ninja que ela operou. Era do País do Relâmpago.

- E ela quer saber o que ele tava fazendo aqui daquele jeito.

Sakura deu um suspiro tão fundo, que eu senti que a dor dela era do mesmo tamanho que a minha. Ela se ajeitou mais pra cima no sofá e abriu espaço pra eu deitar entre as suas pernas, encostado em seu peito. Ficou passando a mão no meu cabelo e aquilo foi tão bom, mas tão bom, que de novo eu mudei meu pedido pra Deus na escolha da morte. Queria morrer daquele jeito, entre os braços dela, sentindo aquele carinho.

- Quanto tempo?

- Três semanas a um mês.

- Você vai perder o aniversário da Ino. – olhei pra cima, pra encontrar os olhos risonhos dela. – Vai ser um festão. Eu e ela estamos preparando uma surpresa.

- Que surpresa?

- Você não vai saber.

Não mesmo.

- Quando é?

- Daqui há três semanas.

- Eu vou tentar voltar.

E eu me fiz uma promessa silenciosa de dar um jeito de voltar a tempo.

- Kakashi não vai se matar lá, hein? – esse jeito carinhoso da Sakura era assustador. Dei risada.

- Vou tentar fazer isso também. – tomei um tapa no braço, mas ela esquece que é forte. Doi.

- Eu tô falando sério. Toma cuidado.

Esse é o problema de um ninja ter alguém. Você deixa seu coração em casa. Olhei pra cima de novo, e a encarei profundamente.

- Eu volto pra você, minha flor de cerejeira.

- Eu vou ficar te esperando.

Isso era pra ser romântico, eu sei. Mas ligou alertas na minha cabeça e sirenes soaram altíssimas em minha mente.

- Você se comporta aqui, ouviu Sakura? – já falei bravo. Era pra ficar na dela. De preferência em casa, de roupa comprida.

Ela deu risada da minha cara de palhaço. Aliás, se tem uma coisa que essa menina faz, é rir de mim.

- Tá com ciúme, meu sensei-delícia?

- Tô morrendo! Só de pensar em você aqui sozinha, eu já tô passando mal!

E o pior é que eu tava mesmo. Fiquei lembrando dos olhares do Yamato, das secadas do Shikamaru... Isso foi o que eu vi. Imagina o que eu não vi.

- Não precisa, meu lindo... – hum... de novo esse “meu lindo”. Eu gostei disso aí. Fiquei todo manhoso no peito dela. Até sentir uma boquinha no meu ouvido. Aí eu não fiquei mais manhoso. Fiquei esperto. – Eu sou sua.

Aí eu não fiquei mais esperto. Eu fiquei bobo. Eu tô muito apaixonado.



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