História Descalços - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kakashi Hatake, Karin, Konohamaru, Mikoto Uchiha, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Suigetsu Hozuki, Tsunade Senju
Tags Comedia, Drama, Karin, Narusakusasu?, Naruto, Sakukarin, Sakura, Sasuke, Sasusaku, Tragedia
Visualizações 261
Palavras 4.182
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Eu nem sei como agradecer aos comentários e favoritos. Vocês são tão maravilhosas. Fiquei imensamente feliz. Muito Obrigada a todas.

Espero que gostem desse capitulo.

Boa Leitura.

Capítulo 3 - Capitulo III


Descalços

Escrita por Kali

“No céu dos teus olhos passeiam descalços os olhos meus”

.

.

 

 

One, Two, three four...

Ooh Ooh Ooh..

So it starts

We go back to your house

We check the charts

And start to figure it out

 

A música soou convidativa pelo grande salão. Aquela música, ele se lembrou. De reflexo olhou em busca dos pares de olhos de seus ainda amigos, e dos que fora um dia.

Um simples sorriso delineou seus lábios finos quando Karin ergueu o pescoço, surpresa, e sorriu nostálgica. Sasuke pensou ter visto lágrimas brotarem nos olhos avermelhados.

Naruto, ocupando o aceno do outro lado da grande mesa elegantemente bem decorada, fechou os olhos como se estivesse absorvendo a melodia, como se lembranças tivessem o atingido, e sorriu mesmo sem perceber. Não era um dos típicos sorrisos abertos, cheios de brilho e bagunçado, era um sorriso sereno com uma pontada de esperança escondida no canto esquerdo de sua boca.

Sasuke reparou em Ino, a postura ereta, a franja emoldurando o belo rosto corado, surpreso, e os olhos azuis, de repente, brilhantes buscou por alguma reação da meia irmã imóvel ao seu lado, todavia Hinata permaneceu quieta, o que fez o ombro da loira se encolher, mas não impediu o ato de levar suas mãos cobertas pela fina luva rose até a mão da morena entrelaçadas sobre as pernas.

A mesa estava rodeada por amigos mais íntimos da família para o jantar de véspera do casamento. Todos distraídos com suas conversas banais, aquela música não tinha o mesmo significado para elas como tinha para eles.

Itachi analisava o irmão intensamente, ele podia ver cenas de seus tempos de colegial nos olhos distraídos de Sasuke, do mesmo modo que poderia ver nos olhos de Ino, Naruto, Karin e até mesmo de sua noiva.

Quando a música alcançou vozes do coro, que arrepiou os pelos da nuca de todos, pois era a melhor parte – segundo Temari que não estava presente – todos os presentes ficaram em silêncio ao barulho da cadeira se arrastando pelo piso.

If you could see all your friends tonight

Sakura estava reluzente em um vestido vermelho, colado ao corpo e decotado nas costas; descalça, pois havia se livrado das botas e as jogados em algum canto do grande jardim. Vestindo aquele vestido completamente vulgar, diferente de Karin quando o usava, ela parecia uma pequena boneca de porcelana e incrivelmente inocente. O cabelo longo havia se desprendido da trança que a Uzumaki levara uma hora para fazer, deixando os fios suavemente desgrenhados, com marquinhas, cobrindo toda a costa feio uma cachoeira.

Ela ergueu uma sobrancelha sugestiva para Karin e no mesmo segundo a ruiva se levantou para acompanhar a moça numa dança esquisitamente esquisita, no meio do salão.

Ambas não balançavam, ou movimentavam o corpo num rebolado, e sim giravam no mesmo lugar. Suas cabeças erguidas, olhos intensamente fitando o lustre pendente no teto e os braços abertos. Estavam libertas.

Elas pareciam livres.

Sasuke olhou para Naruto, acenou positivamente para o amigo como se estivessem compartilhando um segredo, e realmente estavam.

O aperto dos dedos de Ino na mão fria de Hinata fez a morena levantar o olhar, pela primeira vez naquela noite depois de toda confusão, e assistir as duas moças que, ignorando os sussurros e olhares, rodopiavam e sorriram.

Talvez não devesse obedecer ao instinto de seu corpo, mas não se importou, e assustando a todos, pela segundo vez em menos de três minutos, ela saiu da mesa imaginando ter escutado um soluço de Ino.

Hesitante, caminhou até Karin jogando-se nos braços da antiga amiga e reprimiu o nó que bloqueava sua garganta e apertava seu coração.

Elas giraram.

Giraram

Giraram e giraram.

Quando Sakura parou, levemente zonza, sentiu os braços de Itachi lhe dar assistência para que não caísse e logo sorriu verdadeiramente feliz, completamente feliz.

- Temo estar enganada, todavia, se não o estiver, creio que este sentimento que se apossa de meu coração e arranca-me sorrisos ardentes, é de inteira felicidade. Penso sentir a felicidade acariciando minhas veias. E agrada-me.

O jantar não mais importava, ou os olhares e muito menos os murmúrios.

Sentia-se como Sakura. Feliz. Porém um tipo de felicidade diferente. Não estavam completos. Havia buracos ali. Tristezas. Segredos. Mas ele estava feliz e pôde ver isso no rosto dos que junto a ele deixaram a mesa para assistir as três garotas, tão diferentes, que sorriam e como pássaros finalmente livres da gaiola, e voavam.

You know you'd be with your friends for life

If you could see all your friends tonight

 

*8*

 

Horas antes.

 

- Por céus! Veja como você cresceu e... – O olhar analítico de Mikoto avaliou todo o corpo da rosada. Desde a trança grossa, o casaco de veludo aberto que revelava o vestido vermelho, justo e curto, até as botas de cano longo e salto fino. – Sasuke, o que significa essas roupas, querido?

Mikoto forçou um sorriso, ajeitando a franja que atrapalhava a visão de Sakura, e mirou os olhos nos do filho.

Sasuke suspirou e Karin passou por ele, graciosa, vestia um vestido verde estilo sereia com pequenos pontos brilhantes que reluziam a luz toda vez que ela se movia. Ela também havia enrolado o cabelo, deixando que longos cachos caíssem em suas costas.

- Tia, a senhora está magnifica.

- Ora, Karin. – Sorriu Mikoto, piscando freneticamente. – Que vestido... – ela deu uma segunda olhada – Brilhante.

- A senhora gostou? – Indagou Karin, eufórica.

- Mal posso esperar para ver o que vestirá no dia do casamento.

Naruto surgiu atrás de Sasuke, o empurrando para que saísse de sua frente, tomando Mikoto num abraço caloroso, rodopiando com ela no ar, e logo em seguida sumindo na grande casa arrastando Karin e Sakura.

- Querido – Num gesto automático, Mikoto ajeitou o colarinho da camisa de Sasuke. – O que está acontecendo?

- Naruto e Karin não saem do meu apartamento, e a Sakura parece gostar deles.

- E como ela é?

- Esquisita.

- Como? – ela ergueu uma sobrancelha.

- Fala de jeito esquisito, age de jeito esquisito. Um tipo esquisito. Naruto acha que ela não é doida de verdade, pelo menos não completamente, mas que esconde algo.

- Bom. – Com um movimento rápido e pragmático, ela retirou a franja bagunçada na testa dele. - Todos nós escondemos algo, não é mesmo?

- Já terminou de me arrumar?

- Já. Você fica tão lindo de preto. Realmente combina com você, querido. Na verdade combina com o Itachi também, porém, diferente dele, você fica um tanto rebelde. Eu gosto.

Aproximando-se, Sasuke a envolveu num abraçado e encostou os lábios secos no topo da cabeça coberta por um lenço de seda dourado.

- Saiba que Itachi está meio nervoso, pois pensa ser uma completa besteira um jantar antes do casamento. – Mikoto sorriu travessa ao se lembrar do rosto emburrado do filho mais velho, e da inútil tentativa de Aiko de se mostrar satisfeita com a ideia da sogra.

- E é.

- Vocês deveriam conversar.

- Nós vamos. – afirmou ele, dando leves tapinhas nas costas da mãe. No minuto seguinte a assistiu sumir de sua vista.

O salão estava elegantemente decorado com os mais finos objetos. Mikoto havia instruído os empregados e garçons do Buffet a usar as melhores peças de carpete, cortina, as melhores taças e talheres. Os lustres haviam sido trocados também, percebeu Sasuke.

Garçons iam e vinham com finas bandejas e ofereciam champanhe aos poucos convidados.

As taças de cristais reluziam com a luz, detalhadas com uma fina camada de ouro que desenhava o orgulhoso brasão da família Uchiha.

Ele aceitou uma e gostou o liquido borbulhante descendo em sua garganta, tomando num único gole, aceitando outra taça com o pensamento de que talvez o álcool o ajudasse a aguentar aquele jantar estúpido.

Ao entrar na grande varanda de frente para o jardim seus olhos se arregalaram.

Ino estava de pé, ao lado de Hinata que estava sentada e parecia ignorar a presença da loira.

Era surpresa para ele ambas estarem presentes. Muito provavelmente sua mãe convidaria a família Hyuuga devido aos anos de amizade com o senhor Hiashi, mas duvidava dele de uma das filhas comparecem. Principalmente Hinata.

O gosto de bile subiu em sua garganta ao olhar para a menina encolhida, com os olhos caídos, perdidos em algo no chão, e automaticamente pensou em Naruto.

Ino ofereceu uma taça à irmã, mas foi ignorada.

Sentiu saudade dos tempos em que tudo era fácil, tudo era divertido.

- O que pensa que está fazendo?

A voz autoritária de Fugaku fez os ombros de Sasuke abruptamente enrijecer, mas ele continuou firme a fitar o jardim, de costas para o pai desejando não encará-lo.

- Penso que estou bebendo e apreciando o jardim da mamãe.

- Sua mãe me disse que voltou para o curso de veterinária. Sasuke!

Se pudesse socar algo, ele com certeza socaria. Estava cedo demais para aquela conversa com o pai, na verdade não pretendia ter A Conversa com Uchiha Fugaku em nenhum momento, porém no instante em que aceitou o pedido da mãe para que cuidasse da Sakura seus planos caíram sobre terra.

Franziu a testa ao avistar a garota de cabelos rosados, que escondida dos demais, sutilmente tentava retirar as botas que Karin a obrigara calçar.

Sasuke permitiu que o canto de seu lábio se erguesse antes de virar e encontrar o rosto severo de seu pai.

- Morando em um apartamentozinho de quinta classe na Austrália, fedendo a mofo, e trabalhando em um Aquário? Quando você vai crescer, garoto, e entender que seu lugar é ao lado de Itachi na presidência das nossas empresas?

- Você nunca se deu ao trabalho de ir ao meu apartamentozinho, então não tire conclusões precipitadas.

- Ora, moleque...

- Quando você vai entender que eu não quero administrar os negócios da família? Itachi sempre se dedicou inteiramente para esse papel.

- Eu quero morrer com a consciência de que meus dois filhos estarão à frente dos meus negócios, Sasuke. Herança de vocês, dos seus filhos, netos. Um legado que construí sozinho, com o meu suor.

- Eu já escutei essa história dezenove vezes. – Sasuke levou a taça até os lábios e, novamente, esvaziou-a num gole. - Por favor, poupe-me da vigésima.

- Seu moleque petulante.

Sobre o ombro lardo do pai Sasuke encontrou o olhar apreensivo da mãe ao lado do irmão. Suspirou, a dor de cabeça dando sinais, e fechou os olhos dando as costas para Fugaku.

Sakura aproximava-se perigosamente de Hinata com um largo sorriso.

Onde estavam os irmãos encrenca para segurar a doida dos cabelos rosados quando ele mais precisava?

- Contente-se com Itachi, papai, é tudo o que terá.

Contrariado, Fugaku deixou a grande varanda sem um segundo olhar para as costas do filho mais novo.

*8*

A culpa era como uma onda quase revolta que batia contra a parede da compostura de Naruto. Podia não enfrentá-la, mas não ignorá-la.

Seus olhos azuis por alguns instantes perderam o brilho e os dedos longos de suas mãos fecharam-se em punho.

Não conseguiu sustentar seu olhar a figura da moça de longas madeixas azuladas por mais de um minuto. Estava ficando zonzo e o gosto de ferrugem subiu em sua garganta forçando uma careta de desgosto em seu rosto.

Ela estava magra, o rosto tão fino que os ossos sobre a pele ressecada eram notáveis. Usava uma saia cinza muito longa e uma blusa rose com um cachecol vermelho enrolado no pescoço. Tão diferente da garota elegante que um dia fora apaixonado. Nem a brisa gélida causava o comum avermelhado na ponta do nariz fino, como era de se perceber em todos os outros convidados.

Avistou Sakura, correndo descalça em direção a Hinata e seus olhos quase saltaram para fora forçando seus pés a passos longos em direção da menina.

*8*

- Que encantadora cair de noite, não acha?

O entusiasmo na voz doce de Sakura fez Hinata arquear uma sobrancelha.

- Não me parece ter muita propensão a conversas, admito que muito ainda me falta de tal dadiva, todavia agrada-me saber que, muito provavelmente, compartilha de meu embaraço em estar rodeada por pessoas de estimas muito peculiares.

Os olhos perolados de Hinata estudou a moça que muito curiosa se atrevera a lhe dirigir a palavra.

Ela não queria estar naquela casa, estava cansada de tudo, e desejava encarecidamente o conforto de seu colchão.

Os olhares direcionados a ela irritavam-na, o tom de voz de pena, as cabeças inclinadas para o lado sempre que alguém lhe dizia “Você ficará bem” fazia o sangue ferver em suas veias e odiava ter que repelir ao impulso se avançar e esganar qualquer um.

Ino havia saído para ir ao toalete há alguns minutos e não voltara. Se não fosse pelo pai, que mesmo distante mantinha os olhos sobre ela, iria embora e não olharia para trás.

Suas mãos suaram e ela esfregou no tecido da saia.

Sentia a ânsia embrulhar o estômago, a respiração ficar descompassada.

Precisava de ar, precisava sair daquela casa, precisada de um fim.

Tentando levantar, sentindo as penar bambas, ela quase caiu se não fosse por Sakura ampará-la.

- Imagino que seu estado de saúde a impede de ficar de pé. Com isso posso lhe oferecer um copo de água? Ou algo muito agradavelmente doce que os gentis homens de vestimentas engraçadas estão a oferecer.

- Eu não quero nada! Afaste-se. – O tom grosseiro de Hinata fez Sakura ficar em alerta, mas não soltou os braços da morena até ter certeza de que ela não cairia.

Sakura pensou em dizer algo, porém antes de abrir a boca Naruto a chamou:

- Sakura! – Ele estava aflito, andava rapidamente em direção as moças. – Ei! Vamos ver a Karin. O que acha?

Não teve tempo de responder, pois antes mesmo Naruto a alcançou arrastando-a para outro lugar.

Ela deixou que ele o guiasse silenciosa, estava interessada nas feições do rosto de Naruto.

O loiro não a olhava, os olhos estavam perdidos em algo e o maxilar com uma leve pressão. Ele parecia estar sofrendo, percebeu Sakura, parecia ter ultrapassado uma barreira que ele mesmo havia erguido e não estava sabendo lidar. O aperto em seu braço se intensificava conforme as caretas do rosto masculino se contraiam.

Carinhosamente ela parou de andar ao chegarem num corredor.

Naruto a olhou, arqueando uma sobrancelha, e entendeu quando os dedos de Sakura acariciaram os seus.

Os orbes verdes conectados aos azuis se intensificaram obrigando Naruto a avançar um passo em direção a Sakura.

- Eu te machuquei. – Ele sussurrou, observando a marca de seus dedos no pulso fino e pálido. – Sakura-chan, eu sinto muito. Eu...

Mas ele não teve coragem de terminar, ou manter o olhar fixo no dela. Baixou o rosto e se perdeu na imagem de Hinata presa em sua memoria.

Odiava estar preso ao rosto da morena, odiava as lembranças que ela o trazia. Já não tinha se distanciado para sua própria sobrevivência? Já não tinha se distanciado para esquecer, superar e um simples e estúpido encontro, em que ela ao menos lhe direcionou um olhar, o fazia perder o controle?

Naruto contraiu os ombros, mas relaxou ao sentir braços delicados o envolver e cabelos com aroma de menta roçar seu queixo.

Estupefato, e gostando o calor do corpo menor, ele sorriu apoiando o queixo no topo da cabeça de Sakura, e sorriu.

- Karin vai ficar muito brava quando perceber que você está descalça, e que provavelmente largou as suas botas favoritas em algum canto dessa casa enorme.

*8*

Ele pensou em ignorar. Assistir o irmão virar taças e mais taças de champanhe enquanto perambulava sem destino de cômodo em cômodo visivelmente desconfortável, e fingir que não enxergava nada.

Você precisa falar com ele, amor. Fora o que Aiko lhe dissera antes de virar as costas e sumir.

O que o perturbava não era a conversa com Sasuke, mas o fato de terem perdido a intimidade que um dia compartilharam.

Observando Sasuke acabar com mais uma taça de champanhe num único gole ocorreu-lhe que, possivelmente, estaria comemorando o fracasso da pequena conversa que tivera com o pai. Podia imaginar as coisas duras que Fugaku dissera ao mais novo.

Lembrava nitidamente de como o pai fora rigoroso, inexorável, insensível todas as coisas que Fugaku acusara Sasuke quando ele se recusou a seguir os planos que o pai havia feito e partiu com meia dúzia de roupas sem olhar para trás. Não havia sido um ano fácil. O grupo de amigos passava por problemas. Karin havia sido expulsa e consequentemente perdido a herança, e Hinata...

Mesmo depois de ter aceitado o cargo de presidente ao lado do pai, e Sasuke sair de casa, sentia falta das coisas que lhe foram privadas, e do irmão que nunca dava notícias.

As coisas pioraram quando Fugaku o obrigou a engatar um namoro com Aiko, namoradinha do colegial de Sasuke. Fora quando, por definitivo, perdera o irmão amado.

Deixando escapar um suspiro, aproximou-se do batente da sala e viu Sasuke encarar um porta-retratos, posto sobre a lareira, em que Karin sorria pendurada ao pescoço de Suigetsu.

- Irmão.

Sasuke se afastou da lareira, ignorando a voz de Itachi, e caminhou até o bar servindo-se de Whisky. A expressão de seu rosto cada vez mais fria.

- Não quero aborrecê-lo, acredito que papai já fez o bastante.

- Você não imagina. 

A voz de Sasuke surpreendeu Itachi, imaginava não conseguir resposta alguma do irmão. Satisfeito, pois não detectara vestígios de mágoa, ele sorriu.

- Soube que está cuidando da Sakura. Mamãe me disse que você não se lembra dela. - Sasuke assentiu tomando um gole generoso do whisky. – Você deveria. Antes do pai dela morrer nós brincávamos nesse jardim.

- Eu não me recordo.

- Entendo. – Colocando as mãos no bolso, Itachi encostou-se ao batente da porta. Ele continuou a observar o irmão já crescido, um homem feito.

Suas memorias mais antigas o envolveram. A cumplicidade, a confiança, o amor entre irmãos. Ele sempre estivera ao lado de Sasuke, mesmo quando Fugaku os comparava de forma injusta diminuindo as habilidades do mais novo, ele sempre defendera o irmãozinho. Fora ele que assoprara os machucados de Sasuke quando caia tentando andar de skate, que lhe ensinada a ler antes mesmo de começar os estudos e surpreender os professores, a jogar futebol e ganhar do Naruto no jogo do Dragon Ball.

Ele o amava, e orgulhava-se imensamente de suas realizações como irmão mais velho. Sentira falta de Sasuke quando partiu, e mesmo agora com ele de volta, a passos de distancia, ainda sentia falta do irmão.

– As coisas na Austrália como estão?

- Bem.

- Soube que está fazendo veterinária.

- Se veio me dar sermão, pode parar...

- Não! – apressou-se Itachi. – Na verdade acho ótimo. É o seu sonho, Sasuke, nunca desista de seus sonhos.

Você não pode desistir do seu sonho só porque alguém não concorda com ele. O sonho é seu. Nunca desista de seus sonhos, pequeno irmão.

A lembrança atingiu Sasuke como um soco na cara.

Comprimindo os lábios, tentando manter a mente afastada de recordações, ele caminhou serenamente passando por Itachi. Viu o irmão abrir a boca, mas se tivesse dito algo fora ocultado pelos gritos que vinham do jardim.

Ambos correram, atravessando os cômodos, encontrado Hinata no meio do Jardim, de pé sendo segurada por Ino e Hiashi, enquanto Kushina, encolhida e com os olhos em lágrimas se agarrava a Minato, o rosto marcado pelos cinco dedos da morena.

Itachi viu Naruto e Karin atrás dos pais, os irmãos com o olhar baixo não ousavam encarar a menina.

- Eu não preciso aceitar Jesus, eu não preciso de psiquiatras, eu não preciso da minha família ou de amigos. Eu preciso arrancar essa dor do meu peito que sufoca minha alma, que me dilacera cada vez que respiro, que invade minha mente, meus sonhos... Na verdade eu não sei o que é sonhar há anos. Você sabe o que é ter pesadelos todas as noites com aqueles homens, que eu me recordo muito bem de cada detalhe de seus rostos, me tocando, enfiando a língua suja em mim, me violando de todas as formas possíveis? Você não sabe! Vocês não sabem! Ninguém sabe! Ninguém entende! Todos me olham, dizem que eu vou superar, que eu não sobrevivi em vão. Ninguém entende! – O grito fez Sakura pular ao lado de Sasuke, ele não tinha percebido a presença dela. – Ninguém sabe o que eu carrego. – Hinata levou a mãos até o peito esquerdo e amaçou o tecido fino da camisa puxando-o como se tentasse tirar algo lá de dentro.

As mangas da camisa se ergueram até o cotovelo e o cachecol caiu sobre a grama. Os pulsos enfaixados com vestígios de sangue seco e o pescoço com marcas vermelhas e rochas chamou atenção de todos.

Hiashi tentou conter a moça, pedindo para que parasse de gritar, e num ato de trazer Ino para realidade, pois a mesma permanecia petrificada com lágrimas jorrando de seus olhos, não estava dando conta de manter a irmã calma, ele gritou o nome da mais velha.

- Eu não tenho força de vontade para continuar. Eu não quero ser forte. – Não havia lágrimas nos olhos de Hinata, estavam secos, frios, completamente sem vida. – Não venha me dizer que tirar minha vida não resolveria nada quando você não sabe o que eu passei e ainda passo. Eu não quero tirar a minha vida, eu quero tirar essa dor, e se morrer for à única maneira de conseguir me livrar dela eu vou continuar tentando mais, e mais, e mais...

O choque estava estampado no rosto de todos. Itachi viu Aiko e Mikoto se aproximarem e acalmarem Hinata enquanto a levava para algum cômodo afastado.

Hiashi suspirou indo em direção as mulheres deixando Ino para trás.

Itachi foi até Ino segurando-a em seus braços deixando que as lágrimas silenciosas dessem lugar para os soluços desesperados da loira. Ela o apertava e escondia o rosto em seu pescoço, quem olhasse para eles imaginava que ela tentava se fundir ao moreno. Os ombros dela começou a tremer junto com as pernas, ele temeu que ela tivesse um colapso ali em seus braços.

Os poucos convidados foram se afastando. Viu Naruto e Minato confortarem Kushina e Karin caminhar até ele para que pudesse confortar a antiga amiga.

- Pode chorar, ok? Eu estou aqui.

Escutou antes de se virar e encontrar Sakura com o rosto escondido no peito de Sasuke.

O irmão parecia desconfortável com a proximidade da garota, mas não a repelia, percebeu ele. Deixou que seus dedos deslizassem pelos cabelos rosados antes de se afastar.

*8*

Foi proposital.

Ele havia pedido para que tocassem aquela música durante o jantar e gostou do que presenciou. Gostou de finalmente, depois de anos, se deitar com um sorriso nos lábios de Hinata e Ino, de sentir seu irmão confortável, e sentir a sensação de calor que emanava de todos.

Orgulhava-se de seu ato.

Por poucos minutos eles se permitiram voltar a ser o que um dia foram, ou chegaram bem perto.

Sorrisos...

Abraços...

Olhos nublados pelas lágrimas...

Maquiagens borradas...

Mãos dadas...

Naquele momento eram apenas adolescentes irresponsáveis, rebeldes, que desafiavam os pais, que trocavam de amores como de roubas, mas que acima de tudo eram amigos, uma célula... Incompleta, ele sabia, mas não se importou também.

Após todos partirem para suas casas, exceto por Sasuke e Sakura, ele continuou escondido na sala observando à lareira. As formas das chamas dançantes, o calor, o silêncio.

Quanto seus amigos haviam sofrido, quanta dor carregavam e Hinata era única a não fingir que estava tudo bem, talvez porque a dor dela era diferente da de todos.

Deixou um suspiro escapar ao encarar a tela do celular de Sasuke. O relógio digital marcava 2:54 da manhã.

Permitiu-se tomar um último gole de whisky e logo estava caminhando pelo corredor de seu quarto.

Um barulho chamou sua atenção.

Ele saltou imaginando estar bêbado demais quando se pegou espiando pela pequena abertura da porta do quarto de Sasuke.

O irmão estava emburrado sentado sobre o colchão, com Sakura deitada logo atrás escondida de baixo do lençol. Se não fosse pelos longos cabelos rosados esparramados pelo travesseiro para que tivesse consciência de que a moça no quarto de seu irmão era Sakura, Itachi teria imaginado outra situação.

- Perdoe-me, Sasuke, mas assusta-me repousar naquele aposento. Sou muito pequenina para ocupar algo de infinito espaço.

A voz estava abafada e chorosa.

Sasuke suspirou e se levantou carregando um cobertor e um travesseiro.

- Tudo bem. Eu durmo no sofá.

Ele fechou a porta, cuidadosamente, com um sorriso travesso em seus lábios, e agradeceu aos céus por não emitir som algum quando a mão de Fugaku tocou seu ombro.

- Por céus, pai, o que fez de pé uma hora dessa?

Acreditou ver tristeza nos olhos do homem mais frio que conhecera em sua vida. Uchiha Fugaku nunca deixava sentimento algum chegar em seus olhos.

Se súbito sentiu o coração subir a garganta e algo parecido com medo suar a palma de suas mãos.

- Pai.

- Hinata se matou.

If you could see all your friends tonight


Notas Finais


Bom é isso... A música, para quem estiver interessada em ler escutando, coisa que eu super recomendo, é All My Friends - Kodaline. Eu os amo de paixão. Até choro. É cada música que me faz morrer.
Espero que tenham gostado, amoras.
ótima noite para vocês.


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