História Descarrilhado - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Fairy Tail
Personagens Lucy Heartfilia, Natsu Dragneel
Tags Fairy Tail Natsu, Lucy, Nalu
Exibições 65
Palavras 2.093
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, voltei. O capítulo de agora é narrado pelo Natsu. Espero que gostem.
PS.: Obrigada pelos comentários! É sempre bom saber o que estão achando ;b

Capítulo 3 - Capítulo 2


CAPÍTULO 2

NATSU

— Você conseguiu localizá-lo?

Esta foi a primeira coisa que escutei ao adentrar em meu clube. Fuzilei Macao pela pergunta impertinente, ignorei-o e continuei seguindo em frente, em direção ao bar onde sentei-me em um banco, soltando um pequeno suspiro num misto de alívio e ao mesmo tempo de indignação. Alívio por finalmente poder baixar a guarda e indignação porque nada saíra conforme o esperado, o que era uma merda.

Todo meu esforço não serviu para nada, ou melhor, só serviu para que eu empobrecesse mais um quinhão com todo o gasto de combustível extra com o qual eu tivera que arcar só para dar de cara com a porta. Passei quatro longos meses fora sem conseguir comer nem dormir direito e tudo o que eu conseguira fora girar em torno de um círculo.

É tão frustrante quando você sente que está perto de encontrar o que se procura e, entretanto, acabar voltando para o mesmo lugar do início. Isso tinha e ainda continua me deixando num estado de ânimo terrível, entretanto, como sabia que ficar assim em nada resolveria meus dilemas, bem como nenhum dos meus irmãos e suas companheiras mereciam ser tratados com este ânimo, coloquei minha máscara de sorriso e agi como se estivesse tudo razoavelmente bem.

— Ei, Natsu, bem-vindo de volta! ­— A old lady de Laxus, Mirajane, cumprimentou-me com toda a sua simpatia e sorriso bonito, colocando à minha frente uma garrafa de cerveja que eu pegara e tomara de muito bom grado.

— Ei, Mira. ­— Cumprimentei-a de volta com um aceno.

Observando-a com seu jeito todo delicado e aparentemente frágil, fazia-me indagar como foi possível que nascesse uma interação profunda entre ela e Laxus. Sério, os dois são praticamente extremo opostos.

Até hoje eu ainda me surpreendia com o fato de ela ser casada com aquele projeto de Thundercat. Eu realmente não sabia como eles tinham acabado juntos, mas tinha que parabenizar o Laxus que acertara em cheio ao escolhê-la para compartilhar consigo sua vida, mesmo que ainda apostasse que ele fizera alguma macumba para atraí-la.

Confesso que a meu ver eles são um casal do tipo que eu julgara ser bastante improvável, daqueles que eu nunca cogitaria ver um dia chegando, contudo, quem era eu na fila do romance além de um completo amador? Não amador do tipo amante, mas sim um amador no sentido de ser diletante e que, se tratando de mim e romance juntos numa mesma sentença, significaria que sou como um zero à esquerda, alguém que só possuí uma pequena, bem ínfima mesmo, quase nula, ideia de como funciona a coisa. Claro que toda essa noção foi adquirida apenas na teoria.

Veja bem, romance não era para mim. Nunca foi e possivelmente jamais será. Muita dor de cabeça vinha atrelada em relações amorosas e, no momento, ter mais dor de cabeça acrescida as que já tenho não vale a pena. Sem falar que eu ainda não me sentira tão cativado assim por alguma mulher a ponto de deixar subir à cabeça e cair nas garras do amor. Pelo contrário, das garras do amor eu estava era me esquivando e continuaria a esquivar-me por um longo tempo, se possível, para sempre; afinal, diferentemente do que muitos acham por aí, esse tipo de amor compartilhado entre um homem e uma mulher, essa coisa de almas gêmeas e toda essa merda a quatro, na verdade é tudo história da carochinha. Uma pessoa só necessita de duas coisas para viver: oxigênio e dinheiro. Oxigênio para continuar existindo e dinheiro para se manter e suprir as necessidades e desejos que o ser humano possui.

Enquanto degustava de minha cerveja, passei a observar o clube que eu chamava de lar e que há essa hora estava ainda vazio quanto aos seus transeuntes. Um gato pingado ou outro encontrava-se sentado em uma das mesas do bar, alguém ou alguéns, pelo barulho de panelas que eu conseguia ouvir daqui, devia estar fazendo o café da manhã – ou ao menos tentando. Pela barulheira toda, não levava muita fé que a pessoa lá obtivesse muita experiência no quesito preparar um café da manhã. De todo modo, havia um sossego incomum, um ao qual eu raramente estava acostumado a presenciar.

O que eu podia dizer? Meus irmãos – eu incluso – não faziam o tipo que despertavam com o chilrear dos pássaros. Não quando ficavam acordados até tarde, o que acontecia sempre, a não ser, é claro, que o trabalho chamasse e nós fossemos obrigados a mudar isso. Assim, tinha quase certeza que estavam em seus quartos dormindo, alguns provavelmente se aventurando com alguma companhia quente ajudando a aquecer a cama e outros felizardos como eu, estavam em alguma corrida, cuidando dos negócios do clube.

Foi assim, enquanto olhava ao redor, que dei pela falta de uma figura irritante. Era estranho não vê-lo ali, observando Mira trabalhar enquanto ele se dispunha a enviar olhares enfezados para qualquer um que ousasse lançar em sua old lady um olhar exageradamente – minimamente também entrava na lista – apreciativo. Enquanto ele se convencia de que estava apenas protegendo o que era dele, eu assumia sua atitude como sendo seu receio de que Mira possa acabar encontrando alguém mais interessante e, consequentemente, acabe largando-o. Mas então, volto a dizer, quem sou eu na fila do romance?

Desse modo, levado pela curiosidade, indaguei:

— Ei, Mira, cadê o seu marido vagabundo? Não o vejo sentado todo pomposo naquela cadeira de merda se achando o maioral como de costume e atirando punhais com os olhos em qualquer um que te lançar um olhar. — Só para confirmar que eu não o tinha deixado passar despercebido, lancei mais uma olhadela no canto em que ele costumava ficar. — Diga-me, ele finalmente resolveu seguir o meu conselho para livrar o mundo de sua presença? O mané bateu as botas? Diz que sim e faça o meu dia de merda se transformar num dos dias mais especiais que já tive. — Brinquei, recebendo em troca uma falsa fuzilada de olhos dela que durara muito pouco, pois logo um largo sorriso tornara a aparecer em seu rosto.

Era difícil alguém conseguir tirar Mirajane do sério. A mulher tinha uma paciência que, se possível, eu até pagaria para ela só para conseguir que dividisse um pouco comigo. Só um pouquinho de sua infinita paciência já amenizaria meu lado esquentado que mais vezes do que não, aparecia.

— Eu não possuo um marido vagabundo, — ela rebateu com um falso tom de voz insultado. — Mas se você está se referindo ao meu marido trabalhador, posso informar-lhe que ele saiu com Freed, Ever e o Bickslow. Foram fazer uma corrida a mando do Mestre. Parece que surgiu uma situação inoportuna.

Para o Mestre, conhecido também como o temido Presidente do Fairy Tail MC, ter mandado os quatro irem juntos a algum lugar, a coisa não deve ter sido uma simples situação inoportuna. Eles eram um dos membros mais competentes do clube e quando juntos eram imbatíveis. Qualquer otário que ousasse se colocar na frente deles como uma pedra no sapato se daria muito mal.

Não querendo levantar mais preocupação do que a que eu já via no rosto de Mirajane, resolvi não lhe pedir por mais informações, no lugar disso, optei por provocá-la um pouco mais.

— Então quer dizer que o Freed foi e você ficou? Xiii... — Meneei a cabeça e arqueei uma sobrancelha, lhe direcionando aquele olhar do tipo subtendido que diz mais ou menos: “eu sei uma coisa e você também sabe essa coisa que eu sei”.

— Xiii, o que, palhaço?! Você sabe que o Freed não é, né?!

— Eu sei? Tem certeza? Como diria meu velho amigo Sócrates: Eu só sei que nada sei. — Respondi, direcionando a ela um olhar dúbio. — Mas se eu fosse você, tomaria cuidado para não acabar perdendo o meu homem. — Aproximei-me mais dela igual como quando se vai revelar um segredo a alguém, assim, sussurrante, questionei: — Você sabe, não é?

— O que eu sei? — A curiosidade e desconfiança estampavam seu rosto.

— Laxus sempre teve uma queda por mim. Não, não. Não precisa se preocupar porque eu não sou o perigo. Freed é. Sempre achei que rolasse uma química entre eles. Assim, se eu fosse você, tomaria cuidado. — Certamente, eu estava inventando tudo isso. Freed não era homossexual, apenas diferente do habitual másculo que eu estava acostumado a topar por aí. Laxus também não era apaixonado por mim. Na verdade, era de conhecimento de quase todos os membros – com exceção dos poucos novatos – que eu e o projeto de Thundercats tivemos uma rivalidade quando mais novos. Culpo minha competitividade por toda a inimizade que tivemos no passado. Felizmente isso são águas passadas e hoje nos damos muito bem.

 Caçoada a parte, tanto Laxus quanto Freed eram héteros até onde ia meu conhecimento, de modo que, eu sabia disso, Mira sabia disso também, então estávamos bem. Sem danos. Ninguém se sente insultado e todos saem felizes sabendo que isso é apenas uma brincadeirinha entre amigos. Uma brincadeirinha para poder dispersar a nuvem de preocupação que pairara em seu rosto ao falar sobre a partida de seu marido.

É claro que eu não saí ileso. Mirajane pode ser inofensiva, mas não nesse momento. A diaxa resolveu se rebelar me lançando um pano de prato que me acertou bem no rosto.

— Tsc, tsc, que mulher agressiva, é melhor eu dar o fora daqui o quanto antes. — Ri com gosto, levantando-me do banco. Não porque eu estava com medo dela, mas porque já tinha terminado minha cerveja e, por agora, precisava de uma boa noite – no caso dia – de sono. Necessitava recuperar as energias perdidas.

Ah! era bom estar de volta em casa. Senti falta desse pouco de normalidade.

Enquanto caminhava em direção ao meu quarto no clube, topei com Macao que havia me abordado logo quando chegara aqui. Dessa vez, eu não tinha como ignorá-lo.

— Então, você conseguiu localizá-lo? — Tornou a me perguntar.

Todo o humor que havia conseguido conversando com Mira fora azedado com a abordagem de assunto dele.

— Não. A pista era falsa. Nosso informante além da grana que ganhou de nós provavelmente recebeu também uma boa bolada para nos passar pistas falsas. Brincaram conosco e nós caímos direitinho.

— Merda! Não acredito que fomos enganados! Vou matar aquele filho de uma puta por ousar mentir para nós!

Eu duvidava muito disso. Tinha sido por causa dele confiar em qualquer um que eu acabara rodando sem chegar em lugar algum e ainda no meio de tudo isso recebera de brinde uma bala de raspão no meu braço. Uma pena que o feitor disso só poderia se vangloriar apenas com os mortos, em seu túmulo, por ter conseguido me atingir.

— Não creio que você vá conseguir encontrá-lo. Com todo esse tempo que se passou, duvido muito que o maldito ainda esteja em algum lugar aqui por perto dando bandeira. Teria que ser muito burro ou nos subestimar demais para fazer isso.

— Não vou deixar isso barato. Ninguém brinca conosco assim. — Macao tinha uma expressão além de fula em seu rosto. — Já relatou a corrida ao Mestre?

— Ainda não. Vou dar uma descansada e depois irei vê-lo. De todo modo, tenho certeza de que ele está dormindo. Dessa vez, eu é que não serei o otário a ir acordá-lo.

Quando eu ainda era um prospector fui induzido a ir acordar o Mestre e digamos que ter feito isso me ensinou uma lição que levarei para o túmulo. Nunca mais a repetirei em minha vida. São poucas coisas que me deixam de pernas trêmulas e essa é uma delas.

— Sinto muito. — Lamentou.

Mesmo que eu quisesse culpá-lo, sabia que a culpa não era dele.

Dei de ombros.

— De verdade, lamento por ter acreditado que o filho da puta tinha passado as informações certas sobre o que há tempos queremos. Droga! Na próxima nós com certeza conseguiremos, pode ter certeza. Não seremos enganados uma segunda vez.

— Sim... — Na próxima vez, eu faria de tudo para que nada desse errado e ficaria bem mais atento a quem passava informações.

— Nós conseguiremos, Natsu, pode apostar. Agora, vá ter o seu devido descanso. Falamo-nos depois. — Concordei.

Findada a conversa, continuei meu caminho rumo a minha cama, a qual eu tanto sentira falta. Demorei um pouco para pegar no sono. A última imagem que passou por minha mente antes de eu cair em um sono profundo foi um lindo par de olhos que eu não sabia como minha mente havia projetado. Não pareciam familiares, mas talvez eu já tivesse visto em algum momento de minha vida e só não dera muita atenção a eles ou algo assim.


Notas Finais


Abaixo colocarei o significado de alguns termos que utilizei ao longo do capítulo. Vale lembrar que está fiction tem como plano de fundo motoqueiros, entretanto, não segue fielmente todas as suas características, de modo que eu adaptei algumas/muitas coisas.

♦ Old Lady: é a companheira do motoqueiro, aquela que ele escolhera para viver ao seu lado. Elas não participam de reuniões do Clube ou mesmo têm o poder de voto.

♦ Prospect: São os iniciados no mundo do motoclube, basicamente são os recrutas que vão, ao longo do tempo provando o seu valor, provando que pode entrar para a "equipe". Como dito no site [i]olddogcycles[/i], eles são treinados e moldados antes de se tornarem um soldado e precisam ficar a disposição 24 horas por dia, 7 dias por semana, para qualquer coisa que sejam chamados. Geralmente ficam com as tarefas mais toscas e ingratas, como limpar a sede e cuidar das motos dos membros, mas alguns passam por coisas bem piores. A ideia é dar a chance deles provarem que o clube pode confiar neles cegamente, e avaliar se eles se encaixam na cultura do MC. Esse período não tem prazo para acabar, podem ser apenas seis meses, mas também pode levar até dois anos para o grupo decidir que o prospect merece fazer parte do clube.

Dadas as características, eu espero que você tenha gostado do POV do Natsu.
Até o próximo.
Freya.


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