História Descendants. - Capítulo 21


Escrita por: ~

Postado
Categorias Descendentes, Once Upon a Time
Personagens Carlos de Vil, Evie, Jay, Mal, Personagens Originais, Príncipe Ben
Exibições 35
Palavras 7.281
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Magia, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Gente, socorre que isso ficou muito maior do que o esperado :v
Mas eu ameeeeeeeei escrever, esse cap estava na minha cabeça desde o primeiro rascunho da fic, ah, tenho algo legal pra dizer nas notas finais então, vejo vocês lá
Boa Leitura, sugiro que peguem um baldão de pipoca :v

Capítulo 21 - Sorvete de chocolate com menta.


Fanfic / Fanfiction Descendants. - Capítulo 21 - Sorvete de chocolate com menta.

 

 

“Nosso medo mais profundo não é sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é sermos poderosos demais. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos assusta.” — Marianne Williamson (Ryan Charming).

 

— Ok, já me decidi. — Ryan falou de repente, virando-se na direção dos adolescentes da ilha. — Vou ajudar vocês. — explicou rolando os olhos levemente. — O papel-manteiga está na gaveta em cima do armário das formas. — apontou na direção, vendo Jay caminhar até lá. — Uma pergunta. — a princesa voltou seu olhar para a tigela com massa. — Tem nozes na receita?

— Sim. — Mal respondeu observando cada movimento da princesa.

— Hum, entendo. — a castanha respirou fundo.

Ryan se afastou da mesa indo na direção do forno, conseguindo manuseá-lo facilmente sem nem ao menos se dar o trabalho de ler o que estava escrito na lateral dele. A princesa conseguiu ligá-lo para pré aquecer a 180º.

A Charming abriu um sorriso largo quando seu olhar pairou sobre a gaveta próxima do fogão, abriu-a e retirou dela um pacote de luvas descartáveis.

— É mais higiênico que usem luvas agora, para não acabar danificando ou alterando a receita. — a princesa explicou dando a cada um dos cinco um par.

Após pôr a caixa de volta na gaveta, ela apanhou outra caixa, esta com luvas longas que iam até o cotovelo, apanhando um par para si.

— Vai fazer uma cirurgia? — Jay perguntou zombeteiro, colocando as próprias luvas de vinil.

— Claro, deite no balcão, Carlos me entregue uma faca, vamos ver se seus órgãos estão funcionando direitinho e se você consegue sobreviver sem eles. — retrucou arrancando uma risada baixa de Maya, que recebeu um olhar de censura do moreno.

— Pronto. O que temos de fazer? — Mal perguntou após já ter posto as luvas, assim como os colegas.

— Corte o papel manteiga e coloque-o sobre a bandeja. — Ryan explicou com calma enquanto dobrava as mangas do moletom para poder utilizar as luvas sem algum problema. — Depois a coloque na geladeira.

— Na geladeira? Mas, por quê? — Evie perguntou sem entender.

— Vocês tem o bastante para fazer doze biscoitos pequenos, ou duas levas de biscoitos grandes, ou seja, seis em cada uma. — Ryan comentou e se virou para a azulada, explicando-lhe: — O forno vai demorar uns quinze minutos para chegar ao ponto que precisamos. Então, temos tempo, mas as formas precisam estar frias.

— Tem certeza? — Mal perguntou vendo a princesa assentir.

— Passei metade da minha infância na cozinha do meu castelo, tia Jody faz biscoitos desse jeito, e devo informar que ninguém faz biscoitos melhores do que os dela. — a castanha explicou apanhando o papel-manteiga da mão de Jay. — Segure. — mandou, entregando a ponta do papel para que o moreno segura-se, enquanto ela desenrolava o necessário. — Carlos, Liebling¹, pegue uma tesoura naquela gaveta, por favor.

O garoto seguiu na direção em que Ryan apontou. Olhou para a gaveta e a abriu, encontrando dentro dela umas doze tesouras diferentes.

— Qual? — ele perguntou com uma sobrancelha erguida em dúvida.

— Qualquer uma. — ele a escutou dizer.

A escolha do menino foi uma preta, média, que parecia bem afiada.

— Obrigada. — ela agradeceu quando o garoto se aproximou com a tesoura em mãos. — Agora corte perto do rolo. — pediu e o menino assentiu, cotando o papel que estava consideravelmente maior que a bandeja. — Ótimo, agora o corte ao meio. — pediu e Carlos mais uma vez assentiu, cortando o papel. — Obrigada, liebling. — ela agradeceu vendo Maya pôr sobre o balcão duas bandejas de biscoito.

A princesa colocou os papeis cada um sobre uma forma, e os mesmos encaixando-se perfeitamente na superfície lisa, pegou cada uma em um braço e levou-as até a geladeira, que Mal abriu a porta.

— Obrigada. — Ryan agradeceu após ter posto os objetos sobre as grades da geladeira, fechando-a em seguida. — Bem agora preciso dar uma olhada na massa antes de a colocarmos para assar. — anunciou preocupando um pouco Mal.

— Ah, deixe que eu faça isso. — a vilã pediu indo na direção da princesa que já tinha pegado o batedor.

— O que foi? — Ryan indagou sem entender quando Mal tentou tirar o batedor de sua mão.

— Lonnie já verificou se estava tudo certo com a massa, eu acho que agora, depois das gotas, não falta mais nada. — a roxa insistia em tirar o objeto da mão da princesa, que nem o segurava com força.

Ryan acabou soltando uma risada, a qual fez com que o cenho de Mal ficasse franzido instantaneamente.

— Calma, Milady. — a princesa pediu. — Eu juro que quero viver, então não vou colocar a massa na boca. — explicou deixando Mal um pouco aliviada, mas ainda assim tensa.

— Não vai? — se pegou perguntando.

— Não. — Ryan afirmou conseguindo tomar o batedor para si. — Ela só precisa ser mexida um pouco mais. — informou pondo o utensílio na tigela de metal, iniciando o movimento circular. — Por que estão me olhando assim? — ela perguntou ao perceber que o olhar dos cinco estava sobre si.

Maya pigarreou.

— Nunca fizemos isso antes, então queremos prestar atenção. — a morena murmurou a primeira cosa que lhe veio à cabeça.

Ryan sorriu com aquilo.

— Não se preocupem; vocês têm bastante tempo para aprenderem. — a princesa comentou vendo Carlos assentir lentamente, Jay cruzar os braços, Evie pôr as mãos na cintura, Mal pôr as mãos sobre o balcão que ela estava e Maya tamborilar os dedos num armário próximo com impaciência. — E eu tenho bastante tempo livre, agora, para ajudá-los. — a Charming sorriu jogando mais um punhado de gotas na massa.

Ryan largou a tigela sobre a mesa após alguns minutos em silêncio, caminhou até a geladeira retirando de lá uma das bandejas e levou-a consigo para o balcão onde estava à massa.

Saltitante ela foi até uma gaveta, retirando da mesma um tipo estranho de colher para os descendentes da ilha.

— O que é isso? — Mal conseguiu perguntar enquanto fitava o objeto na mão da princesa.

— É uma concha de sorvete. — Ryan respondeu.

— De o quê? — ela escutou Jay indagar.

— Sorvete. — ela repetiu avaliando a expressão dos jovens ali. — Não vão me dizer que vocês não sabem o que é sorvete...? — Ryan se entristeceu ao constatar pela expressão de Carlos e Jay, que nenhum deles sabia o que era seu doce favorito. — Bem, hoje isso vai mudar. — a princesa sorriu colocando a concha na massa, apanhando um bocado da mesma e distribuindo-a para que os biscoitos ficassem de forma uniforme.

Assim que Ryan terminou os seis biscoitos da primeira das duas levas, ela foi até a geladeira pegar a segunda bandeja, fazendo o mesmo processo que fez com a anterior.

— Evie, pode abrir o forno, por favor? — pediu a princesa. — e tome cuidado para não se queimar. — avisou com preocupação, vendo Evie revirar os olhos e abrir o forno. — Mal. — Ryan chamou a roxa, que antes estava com o olhar fixo no forno, e apontou com a cabeça para uma bandeja à sua frente.

Ambas conseguiram encaixar as duas formas na grelha do meio do forno, fechando-o em seguida.

Mal recolheu a tigela e os outros utensílios e colocou-os na pia para lavar, enquanto Evie e Maya guardavam os ingredientes da poção, ou, na visão de Ryan, os ingredientes dos biscoitos.

— Liebling. — Ryan chamou Carlos, indo na sua direção. — Pode me ajudar a tirar? — perguntou erguendo as mãos ao menino, que assentiu lentamente ajudando ela a retirar as luvas sujas levemente de massa.

— Por que você mesma não tira sozinha? — ela escutou a voz do moreno perguntar atrás de si.

— Por que se intromete no que não é da sua conta? — retrucou com a voz manhosa, escutando em seguida Jay bufar. — Obrigada, fofo. — piscou para o garoto que desviou o olhar, indo jogar as luvas num lixo próximo. — Agora, falando de assuntos mais sérios, eu quero fazer uma pergunta e não vou enrolar com ela. — Ryan foi direto ao ponto deixando alguns ali tensos, enquanto caminhava na direção do freezer.

O que ela teria para lhes perguntar? Ela havia descoberto sobre o furto da varinha? Sabia o que estavam tramando?

Eles se perguntavam enquanto a encaravam com ansiedade e nervosismo.

— Como é que vocês não sabem sobre a existência do sorvete? — perguntou fazendo a tensão deles sumir.

— Não sabendo. — Maya respondeu.

— Bem, vocês não podem ficar sem saber pra sempre. — ela informou quase que cantarolando ao abrir a porta do freezer e sumir da vista dos descendentes. — Eu amo sorvete, ele é incrível. — dizia enquanto vasculhava pelos potes à procura dos sabores interessantes. — Porém, se você tomar muito rápido fica com dor de cabeça. — comentou abrindo um pote de sorvete e vendo que o sabor era de creme.

A princesa inclinou a cabeça para trás a fim de saber se eles estavam próximos, coisa a qual eles não estavam.

Jay e Carlos voltaram para o balcão que estavam antes, Evie ajeitava com Maya a mesa suja de farinha e outras coisas enquanto Mal lavava a louça vagorosamente.

A Snow Charming virou sua atenção para o sorvete de creme. Olhou fixamente para ele pensando em outro sabor, sentindo a ponta dos dedos formigarem, passou a mão perto do pote, mudando com magia o sabor do sorvete com sucesso para chocolate.

Ryan sorriu com o feito agarrando aquele pote e um de sorvete menta, fechando o freezer com o pé. Ela largou ambos os potes no balcão em que estavam os meninos, se virando para um armário, pegando seis tigelas brancas, apanhando na mesma gaveta de antes outra concha para sorvete.

— Ok, aqui temos sorvete de chocolate... — apontou para um e retirou a tampa do segundo pote — E de menta. — anunciou sorrindo de orelha a orelha, pegando seis colheres em uma gaveta próxima. — Então, os garotos vão se aventurar com a mistura ou preferem um sabor específico? — indagou apontando a concha para o moreno e o sardento, que fazia carinho na cabeça de Dude.

— Pode escolher. — Carlos falou antes que Jay tivesse a chance, fazendo-a abrir um sorriso semelhante ao do gato de Cheshire.

Ryan virou-se para pegar algo no armário próximo, uma garrafinha de calda de chocolate.

— Tudo bem. — sibilou separando as tigelas, observando de soslaio Maya a fitar e Evie manter seu olhar fixo no próprio espelho de mão.

Ela pegou a concha afundando-a no sorvete e colocando as bolas nas tigelas, e depois jogando a calda de chocolate por cima.

— Prontinho. — Ryan fitou os garotos brevemente. — Cinco bolas de chocolate para os meninos. — disse entregando a cada um uma tigela com uma colher, ambos se entreolharam desconfiados ao sentir o frio do objeto em suas mãos, eles estavam desafiando um ao outro em silêncio para ver quem provaria primeiro. — Não está envenenado, juro. — a princesa brincou fazendo um xis no peito esquerdo com o indicador da mão direita, assim chamando a atenção dos garotos.

Carlos deu de ombros enchendo a colher e pondo na boca, fazendo uma careta em seguida.

— O quê? É ruim? — Jay perguntou vendo o amigo negar com a cabeça, seus olhos pareceram ganhar um brilho encantado ao fitar o tal sorvete após sua careta se desfazer.

 — É muito bom, tem gosto de chocolate como àquele que a gente comeu no carro vindo pra cá, só que é frio e derrete na boca. — respondeu o menino enchendo a colher mais uma vez e levando o doce à boca.

Jayden fitou o amigo por um segundo antes de resolver provar o tal do chocolate gelado que derrete na boca, surpreendendo-se com o sabor.

Ambos os garotos tomavam seu sorvete com ânsia de querer mais ou não, e Ryan os observava com o olhar entretido e um sorriso bobo no rosto. Os dois mais pareciam crianças daquele jeito.

 — Aprovado? — ela perguntou e ambos afirmaram distraídos com seus sorvetes.

— E vocês? — perguntou para as meninas. — De chocolate, menta ou misturado?

— Como é esse de menta? — Ryan escutou a voz de Evie e encarando a azulada, ela havia abaixado o espelho e agora prestava atenção na garota.

— Bem, não tem como explicar. — a princesa disse sorrindo e já colocando três bolas numa tigela para Evie, cobrindo com um pouco de calda num canto da mesma. — Só provando pra saber. — estendeu para ela com uma colher já depositada na massa do mesmo.

— Engorda? — ela perguntou com preocupação.

— Com moderação, não. — a castanha explicou vendo Evie relutar em aceitar o sorvete. — Uma provada não vai te fazer ficar menos bonita, é impossível. — comentou vendo Evie dar um sorriso diferente e rápido, indo pegar seu sorvete com Ryan.

— O que são esses pedaços marrons? — ela perguntou ao fitar o verde do sorvete e o marrom de alguma coisa misturada na massa.

— São pedaços de chocolate. — ela respondeu agora fitando Maya. — Chocolate, menta ou os dois?

— Hum, os dois. — May respondeu cruzando os braços ao ver Evie se sentar num banquinho à mesa, onde antes eles faziam a poção.

Ryan sorriu colocando duas bolas de menta e duas de chocolate na tigelada da vilã, jogando uma quantidade generosa de calda sobre a massa de ambos e pondo uma colher na mesma.

— Pronto. — disse estendendo o objeto com o doce para Maya.

— Hum... Como é? — a morena virou-se para Evie, que beliscava o próprio sorvete com calma e controle.

— Bom. — a garota murmurou de boca um pouco cheia e Maya provou o seu, revirando os olhos ao se surpreender com o sabor.

— Milady? — Ryan chamou Mal, que a essa altura já secava as mãos num pano próximo.

— Menta. — respondeu calmamente para a princesa.

Ryan pescou quatro bolas para Mal e pôs uma quantidade generosa de calda para a mesma, antes de lhe entregar seu sorvete com uma colher na massa.

Para si a menina colocou três bolas de menta e três de chocolate, enchendo a tigela com generosidade e bastante calda de chocolate.

— Mais? — Carlos pediu ao terminar seu sorvete, estendendo a tigela para a princesa, entrando sem querer numa briga com Jay para saber quem ganharia o sorvete primeiro.

Ryan revirou os olhos com a cena, colocando uma colher de sorvete de menta na boca, enquanto apanhava ambas as tigelas dos rapazes que mais pareciam crianças.

— Se aquietem. — ela ordenou retirando a colher da boca, como se falasse com crianças, em seguida percebendo que aquilo não surtiu efeito algum com eles, já que Jay esfregava o punho na cabeça de Carlos e o mesmo tentava fazê-lo o soltar. — Ou nenhum dos dois vai ganhar mais sorvete. — ameaçou e eles pararam com os olhares arregalados na sua direção. — Achei a Kryptonita de vocês. — ela riu vitoriosa, pescando o sorvete com a concha.

— A o quê? — Carlos perguntou demonstrando a mesma confusão na feição que Jay.

— Deixe pra lá. — Ryan sorriu terminando de colocar as bolas e a calda para os dois, lhes entregando os sorvetes.

— Por que ele ganhou uma bola a mais que eu? — Jay questionou indignado com aquilo.

— Porque ele se comportou melhor que você. — Ryan respondeu tomando uma colher de seu sorvete.

— Não é justo. — o moreno resmungou.

— Fale por você. — Carlos retrucou em um sussurro. — Valeu, Ryan.

— Disponha, liebling. — a princesa respondeu com a voz manhosa.

— Não é justo, isso é preferência. — Jayden continuava a reclamar.

— E eu tenho culpa se ele é um fofo e toda garota de Auradon acha isso também? — Ryan indagou fingindo inocência, fazendo o filho de Jafar ficar mais indignado do que já se encontrava.

— Isso é mentira. — disse o moreno com veemência.

— Que ele é mais paquerado aqui do que qualquer outro? — Ryan questionou com um sorriso afiado. — Claro que é verdade.

— Pfft... Não. — Jay negava, rindo das palavras da princesa.

— Como tem tanta certeza? — Ryan perguntou, ela estava se divertindo com a reação do moreno com demasia. — Já conseguiu chamar a atenção de alguma garota?

— Já. — ele respondeu rápido.

— Se ela se chamar Tamara, não conta. — a expressão de vitória do moreno murchou e a de Ryan se iluminou. — Se quiser eu posso te dar algumas dicas sobre as meninas daqui.

— E o que você sabe sobre garotas? — ele indagou e Maya bateu a mão na própria testa com a burrice do amigo, se forçando a não rir, já Mal o encarava sem acreditar nas palavras dele, Evie também e Carlos se concentrava em seu sorvete.

— Tudo, porque, talvez, eu seja uma desde o nascimento. — Ryan respondeu de forma óbvia erguendo as palmas das mãos para cima, enquanto o encarava como se preferisse ignorar o que ele havia acabado de dizer.

— E qual conselho você me daria? — o moreno perguntou meio contragosto, tentando desviar a atenção da pergunta idiota que ele havia feito para outro assunto.

— Eu não sei direito... — ela murmurou vendo-o revirar os olhos em impaciência. — Bem... Vamos usar o Alan como exemplo, ele tem um tipo de charme que atrai as garotas, ele não dá em cima de todas, apenas daquelas que ele sabe que chamou a atenção...

— Por falar nele... — Carlos começou se virando para a castanha. — Uns dias atrás eu o vi dar em cima de uma garota...

— Ela era ruiva? — Ryan abriu um sorriso largo com a possibilidade.

— Sim... mas...

— Tinha uma aura meio zen? — tratou de perguntar mais rápido.

— Não sei, mas...

— Ela estava de tranças? — indagou com animação e Carlos franziu a testa, assim como Jay e Maya.

— Não. — o garoto conseguiu dizer.

— O desgraçado está dando em cima da Juliette e não da Anne, aquele grande bobalhão de uma figa. — Ryan xingava Alan mentalmente de todos os nomes feios possíveis, ela estava irritada com o moreno. — Espera só até eu falar isso pro Cassim. — resmungava entre dentes.

— Você não vai ficar brava? — Carlos inquiriu com estranhamento.

— Por que eu ficaria? Aquele filhote de escaravelho faz o que quer da vida dele. — a castanha respondeu como se fosse óbvio.

 — Ele não é seu namorado? — Mal resolveu perguntar com uma confusão visível em seu semblante.

— Não desde os quatorze, que eu saiba. — a princesa respondeu dando de ombros.

— Mas disseram que namoravam... — Mal murmurou sem entender.

— Quando? — Ryan perguntou sem lembrar-se de nada.

— Quando chegamos aqui, não lembra? — Maya questionou de braços cruzados.

Ryan pensou e pensou, até que a lembrança voltou à tona.

(...)

— Hey, gatinha?! — disse se aproximando da princesa, que arregalou os olhos levemente. — Estive te procurando a tarde toda, preciso de um favor! — ele parara de frente para a amiga sem nem ao menos perceber a presença dos novos alunos.

— Alan. — ela sorriu sem jeito apontando com a cabeça para os filhos dos vilões, foi quando ele percebera a presença dos cinco.

— Ah... Oi, galera, sou Alan... — ele se apresentou, de repente abraçando Ryan de lado, segurando em sua cintura — Namorado dela!

(...)

— Ah. — Ryan riu um pouco com a confusão que acabou se formar na cozinha. — Desgraçado! — o xingou ao lembrar-se daquele fato. — Ele está me traindo e a gente nem namora! Eu vou matar aquele garoto! — declarou com um pouco de raiva.

— Não namoram? — Jay perguntou ainda confuso.

— Ah, não. — a princesa respondeu vendo uma nova confusão brotar na face dos cinco vilões. — Alan tem uma perseguidora que só o deixa em paz quando está comigo. Ele estava cansado de fugir dela, então pediu para eu fingir ser a namorada dele por um tempo. — explicou sorrindo. — Somos só amigos. — ela esclareceu.

— Então mentiu para ajudar o seu amigo? — Evie perguntou e Ryan assentiu.

— Faz sentido. — Maya murmurou.

— Então você não está namorando? — Jay perguntou tentando entender aquilo, porém o que ele não esperava era receber o olhar da princesa em si com um sorriso malicioso.

— Por que o interesse em saber? — ela questionou e ele fechou a cara sob o olhar azul da princesa.

Ryan riu com vontade da expressão do moreno, que enchera a colher de sorvete e colocara a mesma de qualquer jeito na boca sujando o canto da boca de sorvete.

— Tá sujo. — Carlos avisou e Jay franziu o cenho. — Aqui. — ele mostrou apontando para o lugar e quando tentou aproximar a mão, Jay deu um tapa na mesma, afastando-a dele. — Só estava tentando ajudar. — o garoto revirou os olhos.

Ryan observou a cena calada, tentando entender o porquê de aquilo lhe parecer tão suspeito, mas não tendo sucesso em descobrir a resposta.

— Sorvete é ótimo com biscoitos. — a princesa mudou de assunto, indo ver como estavam indo os biscoitos dos descendentes.

Viu-os e deduziu que os mesmos não estavam prontos, comprimiu os lábios e torceu o nariz levemente.

— Deve ser... — Maya sussurrou, tentando interagir com a castanha.

— É incrível na verdade. — Ryan murmurou voltando para perto de seu sorvete. — Quando eu era pequena — começou ganhando a atenção dos adolescentes. —, meu pai e eu assávamos biscoitos e esperávamos eles saírem do forno com copos de leite e sorvetes de qualquer sabor eu tivesse na geladeira. — sorriu boba com a memória daquela época não tão distante. — Ele costumava colocar um biscoito na porta do meu quarto toda noite e dizia que... enquanto ele estivesse ali, nenhum pesadelo conseguiria me pegar. — respirou fundo pondo uma colher de sorvete na boca.

— Isso é bem legal... — Evie comentou sem querer, recebendo a atenção de Ryan e dos colegas. — O quê? — ela perguntou se levantando e pegando a própria tigela, agora vazia, e indo em direção a pia, para lavá-la.

— O Príncipe Encantado parece ser um cara legal. — Maya comentou e Ryan a fitou com uma sobrancelha erguida.

De repente, a risada da princesa inundou o local com sua sonoridade contagiosa, confundindo os adolescentes ali.

— Desculpe — pediu revirando seu sorvete com a colher —, eu esqueci que vocês não estão aqui há muito tempo. — ela disse, agora com um sorriso fraco nos lábios. — David, meu progenitor, ele não me criou, para falar a verdade ele e Branca mais viajam do que ficam aqui comigo e com Neal. Eu chamo de pai o homem que me ensinou tudo o que sei, sabem? — perguntou, mesmo acreditando que alguns não entenderiam, afinal de contas, quase ninguém a entendia naquele aspecto. — O Caçador... É á ele que me refiro quando digo a palavra “pai”. — explicou tomando seu soverte lentamente. — Hum... — fez um barulho animado ao lembrar-se de algo. — Vocês vão conhecer ele.

— Como assim? — Carlos perguntou, com a tigela já vazia em mãos, assim como Jay.

— Domingo, o domingo antes da coroação de sexta, é o dia da família em Auradon. — a princesa relatava com um sorriso enorme e os olhos brilhando de empolgação. — É um dia onde todos os familiares vêm até a escola e participam de um almoço e jantar com os filhos... Ben está planejando uma surpresa para alguns dos pais... Ele está modificando uma música para cantarmos... como uma apresentação. — Ryan explicou completamente animada. — Vão poder interagir com tanta gente, e tem tantas pessoas que vocês precisam conhecer.

Maya observou o brilho no olhar de Ryan se ofuscar quando a voz de Evie fez uma pergunta.

— Seus pais vão vir para esse dia da família?

Ryan sentiu uma mágoa muito antiga ganhar vida novamente, seu coração pareceu apertar sob seu peito e um nó formou-se em sua garganta.

Eles viriam? Deixariam de procurá-la para passarem ao menos um dia com seus filhos? Os abraçariam e diriam o quanto sentiram a falta de ambos, como os outros pais o faziam? Eles sequer cogitariam a possibilidade de ir? Eles ao menos ligariam para explicar o motivo de sua falta naquele dia? Ryan se perguntava, enquanto olhava para a azulada com os olhos cintilando num brilho tristonho.

Seus lábios já não formavam mais um sorriso e sim um bico involuntário, as pontas de seus dedos ficaram brancas, tamanha era a força que ela segurava a colher e o balcão.

— Não precisa responder. — Maya avisou com cautela, lançando um olhar fuzilante a Evie.

— Se Neal pedir. — a princesa respondeu com a voz falha, ignorando a voz de Maya e abaixando o olhar para fitar o doce que estava quase derretendo em sua tigela, não conseguindo dizer mais nada.

— Se seu irmão pedir? — Jay indagou confuso, também recebendo um olha fuzilante de Maya.

— Eles nunca negaram nada a ele ou a... — a voz de Ryan morreu, juntamente com sua vontade de continuar com aquela conversa.

A princesa pigarreou voltando seu olhar para o moreno, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa escutou mais uma vez a voz de Evie lhe perguntar algo.

— A sua irmã?

O ar pareceu faltar para a castanha que encarava seu sorvete, lembrando-se, infelizmente, de Emma.

Evie tinha uma boa memória, Ryan percebeu com certo incômodo.

— Não... — a princesa sibilou com desconforto. — Nunca negaram... — admitiu com um pouco de dificuldade e calor, graças a seus agasalhos, pigarreando ao tentar não perder a postura.

— Você é uma princesa. — Mal disse. — Vive em um castelo e tudo. Como algo pode ter sido negado a você, e justamente por seus... Pais?

— Porque, talvez, eu não seja perfeita...? — Ryan fingia prestar atenção em seu sorvete, como se aquilo importasse mais do que a discussão em si. — Porque, talvez, as pessoas tenham uma visão errada de como é a vida de alguém com sangue real...? — deu de ombros sem conseguir encarar ninguém. — Eu acho isso engraçado. — admitiu revirando seu sorvete com a colher, observando o marrom do chocolate se misturar com o verde da menta. — Todos pensam que só porque você nasceu com uma coroa sobre a cabeça, isso faz da sua vida perfeita. — soltou uma risada nasal salpicada com um pouco de desdém. — Mas não faz.

“Ninguém é perfeito e nada é concreto com o pensamento. Uma coroa não faz de você um rei ou uma rainha, você é criado para isso, assim como uma maquina é criada para um tipo de trabalho específico. O sangue que muitos valorizam e julgam ser azul, não passa de apenas isso. Sangue. Ele não define caráter e não vai te transformar numa cópia perfeita de seus pais. Até porque, nós somos apenas um conjunto dos defeitos deles, do DNA deles para ser mais específica. E, apesar disso, algumas pessoas só vêm o estereótipo da nossa linhagem.”, a princesa respirou fundo.

— Eu não quero dizer que você é igual, longe disso. Eu só estou cansada das pessoas acharem isso. — a Charming desviou o olhar para Mal, tomando coragem para prosseguir com a fala. — Que somos perfeitos e... frágeis, talvez? — deu de ombros fazendo um bico tímido. — Mas não somos. Ninguém é. Como eu já disse pro Jayden, todo mundo tem um ponto fraco. Muitas vezes ele é o medo. No fundo todos tem o mesmo medo. Mas, não qualquer medo. Já tiveram medo de falhar? Ou serem inadequados? Infelizmente esse não é nosso medo mais enraizado.

“Nosso medo mais profundo não é sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é sermos poderosos demais. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos assusta.”, Ryan acabou sorrindo com aquilo.

— Mas, voltando ao que interessa. — a princesa voltou-se para o moreno, como se não tivesse dito nada daquilo que acabara de falar. — Eu posso te ajudar a conquistar as garotas daqui.

— Você? — ele questionou com a sobrancelha erguida. — Como você pode me ajudar com isso?

— Já beijei mais garotas daqui do que você. — a princesa retrucou vitoriosa, encaixando o queixo na palma da mão direita, enquanto seu cotovelo acomodava-se na superfície lisa do balcão.

Jay revirou os olhos respirando fundo, já esquecendo o discurso da garota.

— Tá. — ele se deu por vencido. — O que você sugere?

Ryan colocou a mão no queixo, analisando o descendente. Deu dois passos à frente, parando a uma distância segura do garoto. Fez um bico. Enquanto seu indicador chocava-se com seus lábios lentamente, a princesa fingia pensar.

Finalmente, ela pôs as mãos na cintura chegando a sua conclusão e veredicto: — Tome um banho.

Maya e Carlos não puderam conter suas risadas diante da cara que o colega fez. Já Mal e Evie deram uma troca de olhares, se divertindo em silêncio com a resposta da princesa.

— Eu tomo banho. — o moreno disse entre dentes com o olhar fixo em Ryan.

— Não disse que não. — o sorriso dela agora estava numa réplica perfeita do gato Cheshire, grande e brilhante. — Apenas que não parece.

— Então é esse seu conselho? — indagou inconformado.

— Não leve como ofensa, até porque, não é. — Ryan revirou os olhos com paciência. — Eu vou usar o Alan como um exemplo, tá? — Jay não respondeu. — A diferença entre você e ele é simples e visível, apesar do Alan parecer ser um cara que puxa briga e tudo mais, ele está sempre limpo e perfumado. — Ryan resumiu com um sorriso moderado para não deixar o garoto mais irritado de vez com ela. — Do contrário, você está aparentando ser desleixado demais, as garotas de Auradon gostam de um bad boy, mas um na medida certa.

— Medida certa? — ele perguntou com uma sobrancelha erguida na direção da garota.

— Sim... — a princesa respondeu formando um sorriso apenas com os lábios.

— Sem chance. — ele declarou antes que ela tivesse a chance de falar algo.

 — O que...? — ela indagou sob o olhar do moreno, entendendo o que o mesmo queria dizer. — Mas...

 — Não vou cortar meu cabelo. — respondeu largando a tigela perto de Dude, descendo do balcão para ficar de pé de frente para a princesa e cruzando os braços sobre o peito, inabalável.

 — Ah, mas ele está tão maltratado... olha as pontas duplas, que nem mais duplas são, parecem mais triplas ou óctuplos... — a princesa apontou para as mechas escuras do moreno, que permanecia firme com sua decisão.

 — Minha resposta é não. — disse ele.

 — Que tal só as pontas? — ela sugeriu, reprimindo uma risada de divertimento.

 — Você escuta o que eu falo? — o moreno perguntou intrigado.

 — Cada palavra. — respondeu ela com um sorriso sínico no rosto. — Só ignoro as que não são relevantes na minha vida... Mas... — cantarolou a palavra abraçando a si mesma com confiança. — Lembro-me de cada uma delas.

 — Então memorize as próximas que vou te dizer... — Jay deu um passo à frente, surpreendendo-se pela postura inquebrável e destemida da princesa não ter se abalado nem um pouco. — Sem chance, Princess, não vai tocar no meu cabelo.

 — O que vai fazer se eu resolver tocar? — ela indagou com as mãos na cintura e um olhar curioso sobre o rapaz a sua frente.

 — Ah, você não vai querer saber. — ele respondeu desafiador.

Ryan abriu um largo sorriso, estendeu a mão na direção do moreno e lançou um olhar afiado ao garoto quando seus dedos puxaram uma mecha de seu cabelo.

 — O que vai fazer, garotão? — insistiu na pergunta com um ar superior inabalável.

Maya riu, ganhando a atenção do rapaz, que desviou o olhar da castanha para a melhor-amiga.

 — É... o que vai fazer, garotão? — ela perguntou zombeteira, com um sorriso insinuante nos lábios enquanto era fitada por Jay.

 — Opa, opa, opa! — Ryan olhou para Maya de repente, ganhando a atenção da garota. — Tudo bem que ele é seu amigo e tudo, mas — a princesa fez um bico infantil de criança mimada — eu que o chamo assim.

 — E ele não gosta... — Maya ponderou a situação por um segundo antes de falar primeiro que Ryan. — Chame-o assim sempre que quiser.

 — Na verdade ele só se incomoda quando eu o chamo de Jayden. — ela riu soltando o cabelo do garoto. — Mas, obrigada pela permissão, May.

 — May? — a morena ergueu uma sobrancelha na direção da princesa.

 — Já que andou xeretando minhas coisas — Maya percebeu que a princesa se referia aos remédios em seu armário. —, eu tenho o direito de te chamar de uma forma mais amigável, não acha? — perguntou com um sorriso formado nos lábios.

 — Xeque-mate. — Maya murmurou vendo a princesa assentir lentamente antes de voltar para perto de seu sorvete.

 — Ei, estressado? — Ryan chamou o filho de Jafar com um sorriso irritante na face. — Antes que "faça" algo contra minha pessoa. — a princesa fez aspas com os dedos, distraída com seu sorvete. — Devo informar a você, que eu fiz parte do clube de luta, fiz ginástica desde os oito e segurança pessoal com um ladrão e um caçador, então, consigo te deixar inconsciente em menos de quarenta segundos — abriu um sorriso afiado na direção do garoto, erguendo o dedo indicador. — com um dedo.

 — Isso não é possível. — ele disse com convicção.

 — Da próxima vez que xeretar meus vídeos, veja até o final. — resumiu enchendo a colher de sorvete e pondo-a na boca antes de forçar um sorriso com os lábios para ele.

 — Vídeos, é? — Carlos perguntou olhando para o colega com certa insinuação no olhar.

 — Não esse tipo de vídeo. — Jay respondeu com certo incomodo.

 — É. — Ryan resolveu enfatizar a resposta do moreno com a voz carregada num tom óbvio. — Pfft... — fez um barulho com a boca. — Como se eu guardasse esse tipo de vídeo meu num livro à toa, para um bobão qualquer encontrar.

De repente os meninos a encaravam com os olhos arregalados, Mal e Maya com um sorriso incrédulo e Evie se olhava no espelho, sem prestar atenção na conversa.

Antes que qualquer um dos dois tivesse a oportunidade de fazer uma pergunta, Ryan soltou uma gargalhada baixa que aos poucos ficou alta apenas por observar a expressão no rosto dos meninos.

 — Por Zeus! — ela disse em meio ao riso. — A cara que vocês fizeram... — não conseguia completar a frase sem acabar afundando em risadas de tirar o fôlego. — Caramba! — a princesa respirou fundo, tentando não cair na gargalhada novamente.

— Foi uma p-piada? — um dos dois perguntou e ela se surpreendeu por ser a voz do moreno ao gaguejar levemente e não a de Carlos.

 — Você não...? — o mais novo dos dois não conseguiu completar a pergunta.

 — Sou uma princesa. — ela respondeu.

 — Vocês dois estão muito interessados nisso, não é? — Maya indagou com um sorriso maliciosamente voltado aos amigos.

Nenhum dos dois respondeu.

Ryan reprimiu uma risada escandalosa com certa determinação, seus olhos oscilavam entre o moreno e o sardento com certo divertimento.

Evie, com um sorriso de que estava achando graça da situação, se inclinou para pegar as tigelas dos meninos, largando despreocupadamente o espelho sobre o balcão de Ryan.

 Quando o olhar de Ryan parou sobre o objeto perto de si, ela encheu três vezes sua colher de sorvete e colocou-o na boca.

— Caramba... — ela murmurou observando o espelho, sentindo a língua e as bochechas gelarem com o contato do doce. — É o espelho da sua mãe...? — Ryan perguntou com leve interesse.

— Parte dele. — Evie respondeu enquanto enxaguava as tigelas vagorosamente.

— Claro... Sabe onde está o resto? — a princesa questionou, apesar de já saber a resposta.

— Hum... Não. — a azulada respondeu num segundo. — Minha mãe me disse apenas que foi isso o que sobrou dele. — Evie pegou um pano para secar as mãos antes de se virar para a Snow Charming e perceber que a mesma segurava o objeto com certo interesse.

— Se você pergunta algo, ele te diz, não é? — a castanha indagou, percebendo o olhar de Evie em si.

— Claro. — respondeu com certa superioridade no olhar.

— Interessante. — Ryan comentou fitando seu reflexo no objeto. — Espelho, espelho meu, realize meu desejo. Mostre-me o distante de meu alcance, sendo perto, igualmente longe... — a princesa resolveu pronunciar as palavras do mesmo jeito que fazia quando criança, com o olhar fixo na superfície reflexiva do objeto.

— Ele não funciona pra você. — Evie disse com certo escárnio ao olhar para a princesa com deboche.

— Hum, não é o que me parece. — Ryan comentou virando o objeto para que a azulada pudesse ver a imagem que se formava ali.

Era a ilha dos perdidos, vista de um ângulo interessante.

A princesa de azul piscou lentamente balbuciando: — Como...?

— Segredo. — Ryan alargou um sorriso na direção da princesa, que a encarava de um jeito estranho, como se não estivesse aceitando aquela resposta. — Somos descendentes das personagens da mesma história, Evie. — a princesa observou de relance a imagem da ilha no espelho. — Branca podia usar o espelho. — ela revelou virando a imagem da ilha para si. — Só que depois do que aconteceu com sua mãe... ela nunca mais quis olhar para aquela, segundo ela, “coisa”. — a castanha revirou os olhos. — Ad normalis... — a princesa sussurrou ao espelho, passando a palma da mão próxima de sua superfície, que voltou a refletir sua imagem, estendendo o mesmo a princesa de azul, abrindo um sorriso cauteloso. — Ele é fascinante. — murmurou vendo Evie apanhar o espelho com certa relutância.

Ryan sorriu com aquilo.

— Ah, ansiosos? — a princesa virou-se para os meninos com empolgação e curiosidade no olhar.

— Por...? — Jay resolveu perguntar.

— Por? — Ryan repetiu a pergunta do garoto com o cenho franzido. — A final do campeonato de Tourney é amanhã... e o primeiro jogo de vocês... — a princesa encheu mais uma vez a colher de sorvete, tristonha pelo mesmo estar acabando.

— E?

— E? Jayden do céu! — a castanha revirou os olhos. — Cadê a empolgação? É o primeiro jogo de vocês dois!

— Eu nem sei se vou jogar. — Carlos murmurou sob o olhar da princesa.

— Você vai... — a princesa murmurou de volta. — É meio que o cérebro do seu amigo aí, ele precisa de tu. — apontou com o olhar para o descendente de Jafar, que a encarava de braços cruzados.

— Como? — o moreno resolveu perguntar.

— Nada. — a princesa respondeu depressa. — Não é nada. Finja que não ouviu. — Ryan sugeriu tomando a última colherada do sorvete de menta.

— Você está bastante ansiosa pra isso, não é mesmo? — Mal perguntou enquanto a fitava.

— Claro! — a princesa afirmou pegando os potes de sorvete para guarda-los de volta no freezer, indo na direção do mesmo. — Bem, é a final do Campeonato! Nunca chegamos nem mesmo entre os dez melhores times das escolas de Auradon... Não até Ben se tornar o capitão, Tyler e Chad fazerem parte da defesa, Taylor atirador e... hum... — a princesa calou-se ao se lembrar do último fator que levou o time de Auradon a chegar à final, com um aperto no coração. — Não é importante. — torceu o nariz, abrindo a porta do freezer e pondo os potes de sorvete ali.

— Oito sortudo...? — Ryan pôde escutar a voz do moreno perguntar.

— Tem ele também. — Ryan confirmou um pouco desconfortável. — Mas... — cantarolou fechando a porta e revelando seu dedo apontado na direção do garoto. — Esse ano, temos um novo Oito Sortudo que, me atrevo a dizer, é tão bom quanto o antigo.

— O quanto você está se esforçando para dizer isso? — Jay perguntou zombeteiro.

— Você não faz ideia do quanto! — admitiu rindo um pouco. — Mas, eu supero, porque sou... hum... Crescida...? — torceu o nariz levemente indo pegar a própria tigela, franziu o cenho ao olhar para o moreno. — Sobre o assunto de mais cedo... Vai querer minha ajuda? — ela resolveu perguntar enquanto lavava sua tigela na pia.

— Não. — Jay respondeu.

— Ah, por acaso eu te ofendi? — Ryan indagou cinicamente.

— Não.

— Não aguenta a verdade?

— Que verdade?

— Você sabe. — a princesa cantarolou com diversão.

— E no que aquilo era verdade?

— Bem... — Ryan respirou fundo, pondo a tigela no escorredor com a colher e secando a mão num pano de prato próximo. — Foi um conselho, você escolhe se quer segui-lo ou não.

— Escolho não seguir. — ele respondeu sob o olhar da princesa.

— Vai mudar de ideia. — a castanha semicerrou os olhos levemente na direção de Jay.

— O que te faz achar isso? — ele inquiriu com impaciência.

— Sempre mudam. — ela respondeu. — Meus conselhos são muito bons.

— Estou vendo. — o moreno revirou os olhos.

— Não fique bravo. — a princesa fez um bico. — Eu só queria te ajudar com as garotas, mas caso elas não te interessem não tem problema algum. — Ryan abriu mais uma vez seu sorriso semelhante ao gato de Cheshire. — Eu adoro um Yaoi.

Maya gargalhou diante àquela frase da princesa.

Ryan havia lhe explicado na noite em que tinha lhe recomendado Harry Potter o que eram as categorias que algumas histórias podiam seguir, como Yuri, Yaoi, Hentai, Ecchi, etc.

— E eu shippo vocês dois. — a princesa apontou para Jay e em seguida Carlos, conseguindo escutar Maya rir mais uma vez.

— O quê? — Jay perguntou num murmúrio, observando a amiga rir e a princesa apoiar-se no balcão.

— Não importa. — Ryan disse. — É melhor vocês não saberem.

— Ela tem razão. — Maya afirmou com os resquícios da risada ainda na face.

Ryan sorriu com os lábios, cantarolando a melodia da música que cantarolou na semana passada inteira. Saltitante ela foi em direção ao forno para ver os biscoitos dos colegas.

— Estão quase lá. — ela disse. — Antes de tirá-los, deixe-os na bandeja por alguns minutos. Isso vai deixar o fundo deles mais firme e facilitar a tarefa de comê-los!  — Ryan avisou com um sorriso gentil. — Façam bom proveito. — ela riu um pouco. — Ben faria. Biscoitos com gotas de chocolate são os favoritos dele. — revelou com um sorriso nostálgico.

— Talvez possamos guardar um ou outro pra ele... — Mal comentou encobrindo certa pitada de vitória em seu interior por saber daquilo, pois assim seria mais fácil convencê-lo a aceitar a poção.

— Ele adoraria. — Ryan respondeu com um sorriso. — Está tarde e eu tenho de acordar cedo, então... Boa noite. — a princesa se despediu.

De repente, Ryan sentiu vontade de cantarolar a letra da melodia em que se concentrava a pouco, enquanto ia à porta.

[…] Take a sip of my secret potion.

(Beba um gole de minha poção secreta)

I'll make you fall in love.

(Eu te farei se apaixonar)

For a spell that can't be broken.

(Por um feitiço que não pode ser quebrado)

One drop should be enough.

(Uma gota deve ser suficiente)

Boy, you belong to me.

(Garoto, você pertence a mim)

I got the recipe.

(Eu tenho a receita)

And it's called black magic.

(E se chama magia negra)[...]

Os descendentes se entreolharam ao escutar aquilo, receosos por ela saber de algo. Assim que a mesma atravessou a porta, Jay resolveu interferir para tentar descobrir se ela sabia de algo, porém, quando o mesmo correu até a porta para chamá-la, ela não estava mais ali.

Ryan havia sumido num piscar de olhos e isso o deixou preocupado.

O moreno recuou lentamente sem entender o sumiço da princesa, voltando para a cozinha.

— E então? — Mal perguntou, tão preocupada quanto os outros.

— Ela sumiu. — Jay respondeu.

— Como assim sumiu? — a roxa insistiu em perguntar, um tanto exasperada.

— Sumiu, Mal! Ela não estava no corredor. — o garoto respondeu.

— Acho melhor terminarmos isso. — a voz de Maya foi ouvida e os descendentes a encararam. — Evie, dê uma olhada na poção. — ordenou para a azulada que seguiu até o forno. — E vocês dois. — Maya virou-se para Jaya e Carlos, de braços cruzados e certa preocupação estampada no rosto. — Decidam-se. Qual dos dois dará o biscoito para a Charming?

Os garotos se entreolharam brevemente antes de um dos dois tomar a iniciativa para falar:

— Eu vou.

— Por que você? — Carlos perguntou para o mais velho com certo incômodo.

— Porque sou mais qualificado para isso.

— Besteira! — o menino retrucou. — Ela sequer te suporta, eu deveria fazer isso...

— Por quê? — o moreno interrompeu o mais novo indagando um pouco alto.

— Porque ela gosta de mim. — ele respondeu calmamente.

— E você...? — Jayden perguntou cruzando os braços ao encará-lo. — Gosta dela?

— O que está insinuando? — o menino perguntou exasperado.

— Sabe muito bem o que estou insinuando... — Jay murmurou mau-humor.

— Não temos tempo pra isso! — Maya interrompeu a futura discussão dos amigos.

— May tem razão! — Mal disse chamando a atenção dos rapazes. — Se decidam logo!

— Eu já disse que eu vou. — Jay afirmou mais uma vez.

— Está bem. — Maya concordou com aquilo recebendo o olhar de Carlos sobre si.

— Por quê? — o menino perguntou para a amiga.

— Ele está com o orgulho ferido. — a morena respondeu. — E foi Ryan que o feriu... Ele tem o direito quanto a isso. — a vilã explicou forçando um sorriso.

— Tá, tanto faz. — Carlos resmungou voltando sua atenção para Dude.

— Okay, tudo certo então? — Mal perguntou vendo todos os quatro assentirem. — E como eles estão, Evie? — voltou-se para a azulada que assistia aquilo tudo calada.

— Segundo as informações da princesa, prontos. — a princesa respondeu vagorosamente.

— Ótimo. — Mal abriu um largo sorriso com aquilo.

Tudo o que eles precisavam agora era esperar o dia seguinte e fazer Ben e Ryan provarem o doce.

Nada podia dar errado.

 

 


Notas Finais


Esse foi sem dúvida o cap mais grande da fic e eu amo que amo ele.
Bem eu tenho uma ideia, não sei se vcs vão gostar, mas como falta alguns cap, não sei quantos, pra fic acabar eu pensei em cada cap dizer uma curiosidade diferente da fic.
Bem, a de hoje é: "Na minha ideia original da fic, a Ryan seria antissocial e seu único amigo seria o Ben, ele ainda teria magia, porém não seria esse moça que conhecemos hoje. Ela ia ser bem sensível e sozinha, deslocada e calada, até a chegada dos vilõezinhos. No entanto, eu mudei de ideia, porque eu não ia conseguir criar uma personagem tão sem-sal, então eu me inspirei um pouco em algumas das minhas amiga e, principalmente, em mim mesma, para criar a nossa Princess Ryan de hoje".
Gente, eu não canso de dizer o quanto eu amei esse cap, erros eu ainda estarei corrigindo, então me avisem se ver. Não sei quando o próximo sai e vcs vão saber no próximo cap se a Ry sabe ou não do plano dos fofuchos na cozinha, junto deles <3
Uooooooooou, cansadinha viu? eu ainda vou responder os comentário então, aquietem o fogo gente do meu core <3
Se ficar confuso, me perguntem, eu amo responder perguntas <3
inté maisi e me digam o que acharam do cap e da ideia das curiosidades da fic :v
Liebling = Querido em alemão.


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