História Descendents Lovers - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lu Han, Sehun
Tags Baekhyun, Boys Love, Chanbaek, Chanyeol, Descendentes, Fantasia, Fogo, Gelo, Hunhan, Kai, Kaisoo, Kyungsoo, Misakihime, Opostos, Ot12
Visualizações 635
Palavras 4.915
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Lemon, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá pessoas O/
Tudo bem com vocês? Eu sei que eu demorei, mas já estou aqui postando mais um capítulo fresquinho para vocês :3
Ahhh eu também quero avisar que postei uma fanfic nova =D. O nome dela é (Im)Perfeição, deixarei o link da fic e do trailer nas notas finais :3
Eu não sei muito o que dizer, estou meio bugada hoje >< hahahahahaha.
Espero que gostem =3

Capítulo 10 - Nove: Liberdade


Antes do encontro de Chanyeol com Baekhyun...

Chanyeol andava pelos corredores do palácio irritadiço por sempre perder o seu servo de vista. Sempre que queria estar perto de Baekhyun nunca conseguia o encontrar. Este até pensou em utilizar as suas chamas para irem de encontro à coleira do segundo, porém não queria ter que carregar alguém desmaiado para seu quarto mais uma vez.

Ele não tivera nem mais um pouco de tempo para pensar em seu servo, o eunuco Song viera lhe chamar para ir à sala do trono, pois seu pai queria falar com este. Chanyeol já conseguia deduzir o que poderia ser, do mesmo modo como em um rompante um pensamento surgiu em sua mente: o seu primo Do Kyungsoo.

Depois de encontrá-lo daquele jeito nos subterrâneos, descobrir que tudo aquilo fora obra de seu pai com o seu tio, ele não deixaria ambos saírem impunes, pelo menos o seu pai seria o primeiro alvo. E se dependesse do príncipe naquela noite Kyungsoo já se poderia considerar um homem livre.

A porta do salão fora aberta, os passos do jovem eram ecoados por todo o local, o homem mais velho estava sentado em seu trono com uma expressão pensativa, altiva e um sorriso que aos olhos de Chanyeol parecia um tanto sínico.

- Qual é o motivo de sua chamada vossa majestade? – o príncipe indagou firme em seu tom de voz.

O homem se limitou apenas a soerguer o olhar, entreabrir os lábios e dizer com uma expressão no mínimo pensativa ou avaliativa:

- Quero adiantar este seu casamento com Suk Hee, os anciãos já estão me fazendo perguntas sobre quando o herdeiro de Tulipalo irá assumir o trono e como eu poderia respondê-los se tenho um filho completamente rebelde, que não segue nada do que eu digo.

Chanyeol crispou os lábios em resposta. Os anciãos eram algo que testava os seus nervos, ele os detestava. Detestava-os por simplesmente vê-lo como Tulipalo e não como Park Chanyeol. Ele queria ser reconhecido por ele mesmo, não por um mero deus de que falam que recebeu os seus poderes.

Além do fato de que ele não se importava nem um pouco com Suk Hee, se ele quisesse poderia assumir o trono sozinho. O príncipe não via como necessidade a obtenção de uma esposa para começar a governar um reino.

- Eu já disse quando cheguei de viagem estaria pronto para receber as minhas responsabilidades, quanto a isso eu não estava e nem estou mentindo. Tenho a total capacidade para assumir o trono, mesmo que para isso eu fique com o gosto amargo na boca de me casar com aquela mulher.

Os olhos do rei brilharam em resposta. O homem não conseguia acreditar no que ouvia. Seu filho sempre fora cabeça dura e independente, no entanto ele estava obedecendo a uma ordem naquele exato momento. Aquilo definitivamente um fato que deveria ser comemorado.

- Então isto quer dizer que...

- Sim, eu me casarei com Suk Hee. – o príncipe começava a ser obediente, pois ele queria por em prática um plano que havia acabado de pensar. Ele não sairia sem nada daquilo, todas as negociações se baseavam em dar e receber, logo Chanyeol esperava derrubar o seu pai mais tarde. Era assim que o mundo funcionava.

- Excelente. Fizestes uma sábia escolha meu filho. – um enorme sorriso estampava agora a face do rei.

Os olhos escarlates do príncipe ardiam em suas chamas com um brilho desconhecido, um sorriso sombrio surgiu no canto de seus lábios se sentindo ansioso com o que estava por vir.

- Vossa majestade, necessito que tenhamos que conversar sobre algo mais tarde. Preciso que convoque uma reunião, é importante.

- Sim, seu pedido será atendido. Quando o sol já tiver se posto e a noite se erguido poderás vir aqui novamente.

- Ótimo. Eu mal posso esperar por essa reunião. – o sorriso obscuro ainda estava nos lábios de Chanyeol em meio àquelas palavras ambíguas e carregadas de um entendimento interno.

****

Os lábios macios de Baekhyun se moviam com intensidade, seu coração palpitava dentro de seu corpo, a sua mente por poucos segundos parecia esquecer tudo aquilo que o perturbou durante quase um dia e que voltaria a atormentá-lo depois em algum outro momento.

Naqueles breves segundos tudo o que o escravo queria se concentrar era naquele cheiro intrigante que Chanyeol exalava. Ou então na forma como suas mãos apertavam os seus braços para enlaçar o seu corpo para mais perto dele. Assim como o calor que o corpo maior que o seu perpassava para o seu corpo. Era como se as chamas aquietassem todo o gelo contido no corpo de Baekhyun.

Aquele beijo durou mais alguns minutos até Chanyeol perceber que aquele momento era um tanto atípico, que o seu próprio servo estava um tanto atípico. Baekhyun desde sempre se mostrara tão resistente e, no entanto agora ele parecia ceder aos seus encantos? Havia algo de diferente ali, o príncipe assim pensava. Até mesmo a expressão no rosto do menor estava diferente, havia algo vago calcado em cada contorno daquela face pálida, assim como um olhar perdido, como se ele estivesse confuso.

- Está acontecendo algo? – o príncipe indagava com um brilho intenso em seus olhos escarlates.

- Já é a segunda vez que me faz esta pergunta. – Baekhyun respondia ainda de olhos fechados, como se ele quisesse aproveitar cada resquício do beijo que acabara de acontecer.

- Se a faço com pertinência é porque vejo algo de estranho ou errado? – a resposta era rápida, curta ao passo que Chanyeol erguia um pouco a face para ficar com uma expressão altiva.

- O que vê de estranho em mim? – os olhos azuis de Baekhyun se revelavam para o príncipe.

As bochechas do mais velho assumiram um leve tom avermelhado quando seus olhos pareceram analisar com maior cuidado a face de seu servo. O ruivo conseguia ver nitidamente o que havia de errado ali, mas também conseguia admirar a beleza que o menor mostrava para si. Como por exemplo, os lábios suculentos e vermelhos, o quais havia tido o enorme prazer em prová-los mais uma vez há poucos minutos. Assim como o quimono de seda azul marinho caía muito bem em seu corpo.

Baekhyun ainda o encarava a espera de uma resposta. Contudo, ele não queria ouvir a resposta que parecia surgir em sua mente. Seus lábios eram mordiscados de forma rápida, seu olhar por mais que mantivesse a postura inabalada, este vacilava de segundo em segundo. Ninguém precisava saber. Baekhyun não queria ser descoberto.

O gelo começava a querer sair por seus dedos à medida que sua ansiedade aumentava. Este parecia se fragmentar em pequenos pedaços, como se fossem farpas a saírem por sua pele e o servo se punha cada vez mais nervoso ao pensar que Chanyeol poderia ver aquilo a qualquer momento.

Ele se sentia como uma aberração. Este seu novo lado era como se fosse um intruso, um estranho. Porque Baekhyun nunca se sentira tão forte como naquele momento, do mesmo modo que pensamentos coercitivos surgiam em sua mente. O rapaz já planejava atacar o príncipe caso tudo fosse revelado.

- E então? – a voz do servo saía entredentes. – O que vê de errado em mim? – o azul de seus olhos ficava cada vez mais intenso.

Um pigarro escapou pelos lábios de Chanyeol enquanto este cobria sua boca com uma de suas mãos em uma tentativa falha de esconder o rubor em suas bochechas.

- Não vejo nada de errado. Satisfeito? – o ruivo era esquivo em sua resposta.

Baekhyun conseguira respirar de forma mais aliviada ao ouvir tais palavras.

- Preciso lhe dizer uma coisa. – Chanyeol mudava de assunto.

- O que? – ao mesmo tempo em que uma curiosidade surgia, o corpo do menor voltava a ficar rígido.

- Estou indo libertar o Kyungsoo. – conforme as palavras eram jogadas ao vento os olhos de Baekhyun se arregalavam em surpresa.

~X~

Kyungsoo ainda se mantinha sobre as botas de couro de Jong In, suas mãos estavam entrelaçadas, seus corpos se moviam no ritmo que cada um imaginava em suas mentes. As respirações estavam igualadas, do mesmo modo que seus batimentos cardíacos. Naquele momento os dois pareciam ser um só. Um sorriso surgiu no lábio do mais novo enquanto este se mantinha a voar em sua imaginação.

- O que foi? Por que sorri? – Jong In também sorria em curiosidade.

- Eu não pensei que fosse tão bom.

- O que? – o mais velho indagava mesmo já sabendo a resposta.

Os olhos cristalinos de Kyungsoo começaram a brilhar e o sorriso em seu rosto se alargava cada vez mais.

- Dançar. É como se a minha alma pudesse voar, é como se eu me movesse de acordo com um ritmo, é como se eu tivesse um pequeno gosto da liberdade.

O mais velho soltou uma risadinha em resposta.

- É exatamente o mesmo que eu sinto.

Uma curiosidade inocente perpassou o rosto de Kyungsoo e naqueles breves segundos o plebeu encontrou beleza no prisioneiro.

- Você também está preso Jong In?

- Não. – o mais velho ainda sorria. – Não da forma literal de tudo. Digamos que a dança é uma forma de me libertar por alguns minutos da minha rotina de trabalho, do meu cansaço tanto físico quanto mental. É como você mesmo disse, é como se a minha alma pudesse voar.

- Ah, agora eu posso entender. – as bochechas do menor ficaram coradas. – Jong In...como é um...casamento?

- Não fui a muitos em todo o meu tempo de existência, mas posso lhe mostrar quando fores ao casamento de minha irmã.

- Se eu for. – Kyungsoo o corrigia.

- Eu não tenho poderes de prever o futuro nem nada do tipo, mas... – o tom de voz de Jong In mostrava ao prisioneiro o quanto ele parecia envergonhado. – De algum jeito eu posso sentir que a partir deste momento você será uma pessoa que dificilmente sairá da minha vida. E eu não entendo o porquê de estar sentindo isso.

De forma instantânea e rápida toda a face de Kyungsoo ficara rubra, seu coração começou a bater mais forte e suas mãos começaram a transpirar. Um pequeno silêncio se estabeleceu entre os dois rapazes, um momento a ficar nas lembranças do mais novo havia sido criado e este nem sequer tivera tempo e direito a resposta, pois Chanyeol irrompeu com Baekhyun pela cela pegando os dois naquela cena mais íntima.

- Não sabia que vocês já possuíam tanta intimidade assim. – Baekhyun dizia tentando reprimir um sorriso.

- Baekhyun! Quando foi que chegou? – Kyungsoo se soltava a passos trôpegos do abraço de Jong In para ir à direção em que ouvira a voz de seu amigo.

O sorriso no rosto de Jong In desaparecera para dar lugar a uma expressão carrancuda e séria em seu rosto.

- Por que ele sempre precisa correr para os braços de Baekhyun? – o moreno sussurrava para si mesmo.

- Não tem muito tempo, mas foi o suficiente para pegar a ceninha de vocês dois. – Chanyeol dizia com uma sobrancelha arqueada. – Jong In, depois conversaremos. Quero que me esclareça algumas coisas.

Os dedos de Kyungsoo tocaram a extensão de pele exposta do braço de Baekhyun e o mais novo pode sentir a superfície gelada, com uma temperatura anormal, assim como certa aspereza na derme. Como se algo quisesse sair dali. O prisioneiro achou de fato aquilo estranho, porém se manteve calado. A sua curiosidade estava focada em outra coisa.

- Baekhyun, o que fazes aqui com Chanyeol? – ele indagava.

Os olhos azuis do servo saltaram do menor para o príncipe, um sorriso discreto surgiu no canto de seus lábios perguntando ao ruivo logo em seguida:

- Eu conto a notícia ou você conta?

- Kyungsoo, preste a atenção em minhas palavras. – o mais novo virou um pouco para a esquerda com o seu corpo e seus olhos que sempre pareciam estar com um brilho distante. – Hoje você finalmente sairá daqui.

Uma batida do coração do mais jovem pareceu falhar. Ele não sabia se conseguia acreditar naquelas palavras. Tudo era tão real, que para Kyungsoo não passava de um sonho, ou de palavras que ele queria ouvir. Uma lágrima já escorria por sua face de forma inconsciente.

- O que...disse? – o tom de sua voz era trêmulo.

- O que você entendeu. Você terá a sua liberdade.

A resposta de Kyungsoo para as palavras de seu primo fora um choro alto em que chegou a soluçar algumas vezes por perder o oxigênio.

~X~

A lua se mantinha cheia, grande e brilhante no meio daquele céu enegrecido e quase sem estrelas. Seu brilho iluminava o centro de uma gruta por meio de sua abertura em sua ponta triangular. As águas daquele mar se mantinham agitadas, geladas e tão negras quanto o céu.

No meio de todo aquele cenário, o mar era o único que escondia segredos. Nunca se sabe ao certo o que se pode encontrar no meio daquele oceano azul. Ali tinham mais criaturas desconhecidas que o próprio reino de Brann conseguia contar em seus dedos.

Em meio a algas, corais, peixes e vários outros espécimes marinhos, ali nadava uma criatura um tanto quanto desconhecida para qualquer ser humano do país do fogo.

A figura era esguia, metade homem e metade peixe, as duas metades se encontravam em uma mistura homogênea. Sua cauda era escamosa e de um tom cinza. Seu abdômen era liso, o tom de pele era alvo, mas do mesmo modo que sua cauda era um tanto escamosa e pegajosa a camada superficial de sua pele humana era do mesmo modo. Suas mãos se assemelhavam a barbatanas, pois entre os dedos havia uma fina camada de pele que os ligava. Em cada lado de seu pescoço, abaixo das orelhas, havia a presença de guelra para ajudá-lo a respirar debaixo d’água.

Seus cabelos eram negros, lisos e curtos, rente as orelhas. Seus olhos eram puxados e grandes. As íris possuíam uma coloração negra e um círculo prateado ficava em torno destas. Os lábios eram finos e rosados e em seu pescoço ele levava um cordão com um pingente de concha.

O nome da criatura era Kim Min Seok.

Min Seok é o que chamamos de sireno ou tritão. Sim, eles existem.

Os sirenos eram humanos, eles eram uma parte da população do reino de Brann que sabiam manipular a água. Estes serviam a deusa Vesi, a qual era chamada de meia irmã do deus Tulipalo. Pois assim como eles acreditavam que o fogo havia sido criado de uma forma, a água havia sido criada em oposição, surgindo deste modo Vesi.

A criação dos sirenos ocorreu quando Vesi se apaixonou por um humano manipulador da água, O romance entre ambos era impossível e proibido, pois deuses e humanos não podem relacionar-se. O laço de amor entre os dois seres era muito forte, Vesi se encontrava às escondidas com o tal humano. Até que Tulipalo descobriu a existência desse romance proibido e a sua fúria fora tamanha que um período longo de seca invadiu o reino de Brann assim como ele separou os dois amantes.

Vesi desde então é mantida dentro de um pequeno recipiente de vidro nos aposentos de Tulipalo e o humano, assim como todos os outros manipuladores da água foram sentenciados a viver dentro dos rios e mares do reino. Estes ganharam uma metade peixe para se adaptarem ao novo lar, seus poderes de manipulação permaneceram e estes só podiam assumir a forma humana durante duas vezes a cada ano que passava e a duração dessa transformação era de meio dia.

Desde então o povo sireno se mantém recluso para não gerar mais conflitos com Tulipalo e para que um dia este se apiede de Vesi e a liberte para que ela torne a contemplá-los com sua graça mais uma vez.

Min Seok nadava em direção a gruta iluminada pela lua. Ele deslizava de modo suntuoso naquelas correntes gélidas, a sua boa aparência era sedutora. O ser mitológico poderia atrair quantas criaturas quisesse para si. O seu lado obscuro era marcado por aquela maldição que estava presa ao seu povo.

Min Seok nem sequer tinha alguma culpa para toda aquela situação, mas este já havia nascido de fato um pecador.

Não demorou muito para que seu corpo emergisse nas águas mornas no interior da gruta. A sua face deixou de estar na escuridão para ser banhada pelo brilho da lua. Um sorriso despontou em seus lábios revelando os seus dentes brancos e pontiagudos. Como ele gostava daquela sensação de se sentir mais perto da superfície, da brisa noturna batendo em seu rosto, dos cabelos grudados em sua testa, de respirar por suas narinas ao invés das guelras. Era como se o moreno estivesse um passo mais perto de ser aquilo que ele não poderia ser.

Ao contrário de outros sirenos Seok não era ambicioso, ele apenas tentava aproveitar ao máximo tudo aquilo que lhe fora dado. O jovem não poderia implorar por algo que nunca teve ou que tem apenas uma pequena prova durante ao ano. Ele era realista e conformado.

Seus olhos se abriram para observar as paredes rochosas, o tom azul cristalino da água que quebrantava em todos os cantos daquele lugar. Aquela noite parecia estar agradável e o sireno gostava de estar sozinho. Ouvir lamentações de sua família o dia inteiro era um pouco demais para sua mente.

Contudo Min Seok ficou um tanto surpreso ao observar que Yi Fan também estava ali. Seu corpo repousava sobre uma superfície rochosa da gruta. Sua cauda já sentia os efeitos de estar a alguns minutos fora d’água, a expressão em seu rosto estava pensativa e o círculo prata no interior de seus olhos mostrava o quanto ele estava triste.

- Yi Fan, o que fazes aqui? – o jovem indagava para o outro de sua espécie.

O segundo só percebeu a presença do menor ali ao ouvir a sua voz. Yi Fan estava perdido em seus pensamentos. Estava perdido nas breves memórias de seu encontro com Suk Hee. Seu coração já sentia a ausência desta, assim como sua mente insistia em repetir um nome.

- Min Seok? Não deveria estar com os seus pais na cerimônia para Vesi?

Min Seok mostrou os seus dentes pontiagudos em um sorriso amarelo constrangido.

- Deveria. – ele respondeu. – Mas eu não consigo ser tão devoto quanto os meus pais. Além que eu queria ficar um pouco sozinho. Você não respondeu a minha pergunta.

- E eu tenho de responder? – Yi Fan franzia o cenho para tentar esconder todo o rebuliço sentimental que tomara conta de si.

- Encontrou-se com a Suk Hee novamente?

Eu não consigo esconder nada dele, o maior pensava soltando um suspiro profundo por seus lábios.

- Sim.

- Você sabe o quanto é arriscado o relacionamento com humanos não é mesmo? – Min Seok tinha um tom repreendedor em sua voz.

- Não me importo. Amo Suk Hee desde que a vi pela primeira vez quando tinha 13 anos. Se eu não a tivesse salvado não poderia ter tido a chance de conhecer a pessoa que me faz querer viver algo além dessa vida.

- Mesmo assim, ela tem uma vida na terra. Os habitantes de Brann não podem nem sonhar com a nossa existência. Suk Hee está seguindo em frente enquanto você é o único que ainda está preso no passado.

Aquelas palavras fizeram a face de Yi Fan mostrar todo o ódio que sentia assim como a tristeza profunda sobre ter que deixar Suk Hee ir. Ela pertencia a ele e ele pertencia a ela. O sireno não se imaginava em um lugar onde a menina humana não estivesse.

- Eles não podiam tê-la tirado de mim, isto foi imperdoável. Quero fazer pagar na mesma moeda quem está me fazendo sofrer. E eu prefiro ficar preso ao meu passado a estar em um presente e em um futuro onde não tenho aquilo que amo. Não importa se sou um sireno ou um humano, eu ainda possuo sentimentos.

- E quem você irá fazer pagar? – Min Seok indagava percebendo que seu amigo estava um tanto diferente, um pouco assustador ele diria.

- Park Chanyeol. – o tritão rosnava o nome do príncipe herdeiro de Brann com uma fúria animalesca.

~X~

O rei Park estava sentado em seu trono com um pequeno sorriso estampado em seu rosto. Ele estava ali acompanhado de seu cunhado Do Jae Bum a espera de seu filho que já deveria estar para chegar.

- Jae Bum-ah, Chanyeol finalmente está tomando as rédeas.

- Já estava na hora não é mesmo? – o segundo olhava para o rei com um ar de inveja. Inveja esta porque seu filho nunca seria como o príncipe herdeiro, nunca seria forte e destemido. Kyungsoo estaria sempre fadado ao fracasso.

- O que quer dizer com isso? – uma sobrancelha do rosto do rei se erguia em curiosidade.

- Nada, você mesmo não disse que o príncipe herdeiro estava muito irresponsável?

- Sim, lembro-me de ter lhe dito isto. Ele estava me dando nos nervos com todas aquelas viagens. Como se não bastasse fugir ainda me traz aquele servo incompetente.

Jae Bum até iria responder, mas apenas um leve pigarro tomou conta de sua garganta quando Chanyeol irrompeu pelo salão caminhando de forma majestosa com uma expressão altiva em seu rosto e um sorriso triunfante em seus lábios.

- Vossa Majestade. – o jovem disse em uma reverência.

- Chanyeol como está crescido. – ele ouvia os elogios tecidos de seu tio. – Tornou-se um belo rapaz.

Os olhos escarlates do ruivo fitaram o homem com uma raiva escondida.

- O senhor também tio. Ainda está em boa forma.

- O que queria falar comigo Chanyeol? – era a vez do rei de falar. Ele estava curioso sobre o assunto a ser tratado.

O sorriso no rosto do jovem se alargou quando ouviu as palavras de seu pai.

- Pois bem. Podem mandá-los entrar. – a ordem era enunciada aos serviçais que ali estavam.

A enorme porta fora aberta e por esta passaram Baekhyun, Jong In e Kyungsoo que caminhava sendo guiado pelos dois. O prisioneiro já estava com a venda para esconder os seus olhos, seu andar era um tanto trôpego por ainda estar convalescente e os músculos de seus ombros estavam rígidos, pois ao sentir a superfície gelada do chão do palácio o rapaz sabia que tudo estava em jogo naquele momento.

Jong In assim como Kyungsoo estava um pouco ansioso, mas tentava se controlar colocando uma máscara inexpressiva em seu rosto. Ao passo que Baekhyun apenas parecia fitar o rei e o pai do prisioneiro com raiva.

- Mais o que é isso?! – a face do rei já estava vermelha de raiva enquanto vociferava tais palavras e Jae Bum arregalava os olhos, constrangido. Com o sentimento de nojo ao ver seu filho ali em um estado de miséria. – O que ele está fazendo aqui?! – seu dedo indicador apontava para Kyungsoo.

- Por favor, eu...Vossa majestade eu estava errado. Por favor, perdoe-me. – Kyungsoo afirmava esfregando uma mão na outra. O medo era palpável em seu tom de voz.

- O que me explica sobre isso Chanyeol?!

Aquele era o momento sobre o qual o príncipe triunfaria e faria os dois homens se responsabilizarem pelos atos de crueldade cometidos para com o seu primo. Jae Bum já estava bufante, seu pé batia contra o chão incontáveis vezes. Ele sentia medo, raiva, ódio e inveja de uma só vez. Enquanto que o rei Park sentia cada vez mais o ódio cravar em seus ossos. Assim como chegava a conclusão de que o seu filho era um irresponsável que não poderia administrar um reino. Como também a presença de Kyungsoo lhe era incômoda.

Chanyeol começou a andar de um lado para o outro, colocou suas mãos unidas em suas costas e afirmou com um tom de voz tranquilo, mas o qual controlava toda a situação.

- É engraçado como os mortos ressuscitam depois de um tempo não é mesmo vossa majestade? – uma expressão debochada era calcada em seu rosto. – Quem diria que eu iria conhecer o meu primo em uma prisão dos subterrâneos. Por que o colocou lá? Quem te deu o direito de fazer tal coisa?

Uma gargalhada em afronta saiu dos lábios do rei.

- Olhe bem para ele. Este rapaz é uma aberração, olhe para os seus olhos. Eles são defeituosos. Como se não bastasse esse defeito de nascença, este bastardo ainda tem convulsões momentâneas. Se eu fosse Jae Bum já tinha matado este estorvo há muito tempo.

Kyungsoo não conseguia mostrar as lágrimas escorrerem por sua face, já que estas molhavam a venda branca suja de poeira. Mas Jong In conseguia sentir os ombros do menor tremularem em um choro silencioso. E pela primeira vez em toda a sua vida ele nunca sentiu tanta raiva do governante de seu próprio país.

O pai do prisioneiro cerrava a sua mão em punho, o desgosto só aumentava, ainda mais por ele se lembrar de todos as convulsões, de algumas palavras que dizia em meio a estas e que depois elas como em um passe de mágica pareciam se concretizar. A sua mente também vinha lembranças dos olhares das poucas pessoas que viram o seu filho. Estes foram o suficiente para fazê-lo sentir vergonha de ser pai de uma pessoa como Kyungsoo.

- O rei está certo. Kyungsoo não deveria ter sobrevivido, ele é um fardo pesado demais para aguentar. Eu não pedi para que Tulipalo me desse um filho defeituoso. Ele não traz honra para mim e para a minha casa. Tudo o que faz é atrair desgraças e mais desgraças. Ele não é o meu filho.

Chanyeol não conseguia controlar a raiva que sentia. Suas chamas já começavam a crepitar por todo o seu corpo. Como poderiam existir pessoas tão desprezíveis assim? Pensava ele. O príncipe parou de andar, seus olhos escarlates queimavam do mesmo modo que si, O seu cenho fora franzido e agora ele usaria o seu direito de resposta.

- O Kyungsoo não é uma aberração. Ele é meu primo, sangue do meu sangue. Como vocês conseguem fazer isso com sua própria família?! Passei todo esse tempo acreditando que ele estava morto e enquanto eu levava uma vida totalmente confortável ele sofria nos subterrâneos do castelo por algo que não tem culpa! Em todas as minhas viagens sempre encontrei algo e pessoas diferentes. – seus olhos fitaram Baekhyun por breves segundos e depois voltou a fitar os dois homens. – E mesmo sendo diferentes elas conviviam entre si, se respeitavam e porque em Brann tem de ser diferente? Por que temos que excluir nossos próprios familiares? Por que temos que julgar uma pessoa por uma limitação que não a limita? Eu tenho pena de vocês.

Baekhyun ouvia aquelas palavras e fitava o ruivo de uma forma diferente. Chanyeol parecia ter assumido uma aura, um quê que o servo desconhecia. Talvez ele estivesse notando a maturidade que o príncipe tinha para lidar com aquele assunto. A sua soberba havia desaparecido e ali estava somente o ser humano Park Chanyeol. Baekhyun admitia que gostava do que via, do mesmo modo que aquelas palavras pareciam lhe atingir em cheio ao dizer que todos eram iguais em suas diferenças.

O seu mais novo segredo já não era mais um fardo tão pesado a se carregar e o seu interior parecia se acalmar como os poderes dentro de si pareciam adormecer por um tempo.

Park Sung Yeon não sabia o que fazer. Ele estava tão catatônico e irado com Chanyeol que seu rosto se mantinha vermelho, os olhos saltados e as palavras que queria dizer estavam presas em sua garganta.

- Aonde quer chegar com tudo isso? – as palavras saíam entredentes da boca do rei.

- Quero que liberte Do Kyungsoo.

- Eu não farei isso!

Não houve tempo para uma resposta naquele salão. O prisioneiro como que em um átimo de segundo desmoronou de joelhos no chão em mais uma de suas convulsões ou em mais uma de suas visões. Os dois homens mais velhos olhavam para aquela cena com nojo enquanto que Jong In e Baekhyun estavam preocupados com o que acontecia ao menor.

A visão não durou mais do que um minuto e quando Kyungsoo voltou a realidade este chorava copiosamente. Ele retirou a venda de seu rosto revelando os seus olhos úmidos. Suas mãos deslizavam por seus cabelos e seus lábios pronunciavam as seguintes palavras:

- Mãe...mãe eu...

- Como quer que eu liberte um ser assim?! Brann não precisa olhar nesses olhos! – Sung Yeol gritava.

O rei era intransigente, mas Chanyeol usaria a sua melhor arma contra isso.

- Vossa Majestade, sei que o seu desejo é que me case para assumir o trono. Contudo se continuar deste modo, não vejo outra alternativa a não ser tomar o trono a força. E você sabe muito bem de qual lado o povo de Brann estaria não é mesmo?

- Como ousa! Como ousa! – a ira era evidente na face do rei.

- Só estou mostrando as opções. Acredito que saberá escolher com muita sabedoria. – um sorriso debochado iluminava o rosto do príncipe.

- Eu liberto Do Kyungsoo! Satisfeito?!

- Como nunca estive. – os orbes escarlates brilhavam.

Kyungsoo seguia sem acreditar nas palavras que ouvia. Seu coração começou a bater mais rápido, uma gargalhada involuntária escapou por seus lábios, assim como toda aquela tristeza que sentia parecia desaparecer. O garoto acreditava que aquilo deveria ser uma pequena prova do sentimento de liberdade.

- Eu...estou...livre. – ele sussurrava as palavras ainda surpreso.

E como ele gostava daquilo.


Notas Finais


Se tiver algum erro de digitação eu peço desculpas, o capítulo não fora betado ><
Yay! Tivemos momentos chanbaek, kaisoo, personagens novos e finalmente a tão esperada liberdade do Soo (eu achei que estava sendo esperada >< hahahahaha).
E então, quais são as suas apostas para os próximos capítulos? Deixem nos seus comentários :3

Link do trailer de (Im)Perfeição: https://www.youtube.com/watch?v=Y2zQfaAYjrg
Link da fanfic: https://spiritfanfics.com/historia/imperfeicao-7338382

Isso é tudo pessoal hahahaha ><
Vejo vocês no próximo capítulo =3
Kisses
Misakihime


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