História Descoberta Entre as Sombras - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Magia, Mistério, Romance
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Palavras 3.893
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Mais um, como prometido <3 <3

Capítulo 3 - Dúvidas e linhagens


Fanfic / Fanfiction Descoberta Entre as Sombras - Capítulo 3 - Dúvidas e linhagens

Me viro na cama, que parece ser mais macia do que é verdadeiramente.

A pouco luz que passa por entre as cortinas, chega até os meus olhos, me despertando e causando dor de cabeça.

- Chto yebat'! – xingo em russo – Kto razorval eto der'mo?

(Mas que porra! – Quem rasgou essa merda?)

Me levanto da cama, e fecho melhor as cortinas.

Fazem dois dias, desde que Elena me jogou aqui no Rio, e foi procurar nossa avó, que simplesmente saiu por aí.

- Não acredito que as duas fizeram algo desse tipo. – reclamo, indo até o banheiro.

Minha visão ainda me causa incômodo, e toda vez que me lembro, sinto que está incompleta.

Troco de roupas, colocando um short cinza e uma regata preta.

Enquanto desço, prendo meu cabelo em um coque no topo da cabeça.

- Bom... dia? – pergunto, olhando para o relógio na entrada.

- Sim, dia. – responde Dia.

- Lia, como está a minha matrícula? – pergunto.

- Já resolvi, e amanhã de manhã poderemos ir todos juntos. – responde.

- Vai ser bom ficar morando aqui. – comenta Erick, ao lado de Diana.

- Diga isso apenas sobre vocês. – retruco – Por que segurar vela se eu posso ser uma, não é?

Gabriel e Erick riem.

- Então arrume alguém. – rebate o branco – Não vai precisar servir de vela, mas se bem que você viria a calhar se por acaso faltasse luz.

O encaro com uma expressão de surpresa por ele ter dito isso.

Pego uma colher e atiro na sua direção.

- Ei! – diz – Mas eu disse a verdade!

- Ele tem razão, Tessa. – concorda Lia, se aproximando com uma caneca de café – Por que não arruma alguém?

- Posso fazer uma proposta? – pergunto. Todos me encaram com ansiedade – Por que não me apresentam a um amigo de vocês?

- Vejo que nossa ida à cachoeira terá outro propósito. – comenta Dia, com um sorriso pervertido – Gostei!

- Conheço o cara perfeito para isso. – diz Gabriel, olhando para Lia – Sente-se melhor?

- Hum? Uhum. – responde a ruiva – Passou.

- O que você tinha?

- Uma forte dor de cabeça.

- Eu também.... Nunca mais bebo igual a ontem.

- Quero só ver mais tarde.

Reviro os olhos.

- Temos bebidas suficientes para isso? – pergunto.

- Aha! – acusa Gabriel, apontando um dedo para mim – Viram só? Preocupada com o álcool!

- Mas é claro! Eu não quero ter de descer uma puta trilha para comprar cachaça para vocês!

- Isso é verdade, com certeza mandaríamos você. – concorda Erick – Mas pelo menos não ia andar pelo escuro, como vela, você iluminaria o próprio caminho.

- Ora, seu.... – corro em sua direção, mas ele foge – Volte aqui! Seja homem e venha apanhar de uma garota.

- Apanhar para você? Prefiro deixar de ser homem.

Diana engasga com o suco.

- O que? – pergunta – Pode voltar aqui e deixar que ela te bata! Como eu fico com o sexo? Apenas eu saio perdendo nessa coisa toda! – ela o segura pela gola da camisa – Pode bater.

- Que espécie de namorada é você? – pergunta, incrédulo.

- A do tipo que não quer perder o parceiro sexual.

Acerto um soco no braço de Erick.

Ele grita.

- É só para isso que eu sirvo?

- É. – ela me encara – Quer bater mais? Ele está me tirando a paciência!

- Você? – pergunta Gabriel – É a mais paciente de todos!

- Pois é....

Erick fica com um semblante irritado.

- Acho que alguém não vai transar hoje. – comenta, com a cara fechada.

- O que? – pergunta a azulada. Ela larga sua gola e o puxa para um abraço protetor – Pare de bater no meu namorado!

Rio.

- É incrível a sua facilidade em mudar de lado. – comento – E se eu te der um consolo?

Ela considera a proposta.

- Sério? – pergunta Erick, encarando a namorada – Jura?

- Qual o tamanho?

- É uma viciada em sexo mesmo.... – diz Lia.

- Olha quem fala! – rebate a azulada – Transam mais que coelhos!

Gabriel cora.

- Envergonhado? – pergunto – É a verdade, meu bem.

- Calada, você também! – manda o branco – Não pode reclamar, você não transa!

Todos caem na gargalhada.

- Ei! – grito – Eu não vou sair por aí dando para todo mundo! Okay? Tomem conta das vidas de vocês!

- E como vamos para a cachoeira? – pergunta Diana, ainda agarrada ao Erick – Que horas vamos?

- Podemos sair daqui....

- Que tal às 17:00? – interrompo Gabriel – São duas horas de viagem, não?

- Sim.

- Nosso objetivo é ficar por lá durante à noite.... – dou de ombros – Não tenho problema com esse horário. E vocês?

Erick se afasta de Diana, e assim como eu, dá de ombros.

- Por mim... tanto faz.

- Para mim também. – concorda Gabriel – Agora... esperem um pouco, eu vou falar com o meu amigo.

- E eu.... – Lia não completa a frase, corre em direção para fora da cozinha.

- Lia? – chamo, indo até a ruiva – Lia?

Encontro a porta de seu quarto aberta, e entro sem hesitar, vendo a ruiva agachada ao lado do vaso.

- Você está bem?

- Está vendo uma pessoa vomitar, e ainda faz esse tipo de pergunta?

- O que queria que eu falasse?

Ela continua a vomitar.

- Que droga.... – me encosto no batente da porta – Acho que você está grávida.

Ela consegue segurar o restante da sua última refeição, se joga ao lado do vaso, apoiando as costas e a cabeça contra o blindex.

- Merda.... – diz, com a voz arranhada – Estou... mal.

- Grávida.

- Impossível.

- Por que?

- Não me lembro quando foi a última vez que transei com Gabriel, sem uma camisinha.

- E se ela estivesse furada?

- Sempre tomo pílulas. – continua – Estou apenas doente.

- Se você diz....

Volto para a cozinha, desistindo de conversar com a ruiva.

- Meu amigo disse que horário está bom, mas que ele vai ter que dormir aqui. – avisa, assim que me vê – O que aconteceu com a Lia?

- Ela está grávida. – contradigo os pensamentos da minha amiga.

Vejo Gabriel empalidecer.

- Que?

Acabo rindo.

- Calma.... – peço, contendo alguns risinhos, como Erick e Dia – Ela disse que está apenas passando mal.

- Gabriel, se eu fosse você, comprava um teste de gravidez. – continua Erick.

*

São quase 17h00, e já estamos com as nossas coisas arrumadas, esperando apenas que o misterioso amigo de Gabriel chegue.

- Que garoto lerdo! – reclamo, olhando para o meu celular mais uma vez – Pior do que eu!

Estamos todos na frente da casa, com o portão aberto, enquanto Erick e Diana abastecem o carro com as bebidas.

- Estamos levando comida suficiente? – pergunta Lia – Acho que não vou beber hoje, pode cortar o efeito do remédio.

- Ou te causar algo. – continua Gabriel – Fernando!

Fernando?, penso. Esse nome....

Ao ver o moreno, sinto meu corpo inteiro se aquecer, e estranhamente, a suar.

- Ei, vê se fica calma. – pede Lia, rindo da minha reação.

- Estou. – concordo.

O moreno se aproxima de nós.

- Prazer, eu me chamo Fernando. – estende sua mão, me cumprimentando – Você é a Teresa?

- Sim. – respondo, apertando-a – Sim....

- Ei, podemos ir! – avisa Diana, do portão – Vamos?

Ainda sem soltar minha mão, Fernando me guia em direção ao carro, fazendo com que Lia e Gabriel nos encarem. Lia com um olhar feliz, e Gabriel com um sorriso malicioso.

Reviro os olhos.

Como o carro pertence ao Gabriel, Lia vai na frente, enquanto nós quatro nos esprememos no banco de trás.

- Uma viagem de duas horas, espremida entre vocês dois.... – reclamo, me referindo ao Erick e Dia – Que saco!

- Troque de lugar! – desafia Erick.

- Obrigada! – agradeço.

Acabo ficando entre Erick e Fernando, o que pode ser melhor.

- E então, o que te fez aceitar isso? – pergunta Fernando, quebrando o “silêncio”.

Gabriel está focado na estrada, Erick e Diana estão se pegando e Lia deve estar dormindo ou fazendo qualquer outra coisa.

- Foi apenas para eles calarem a boca. – respondo – Desculpe te envolver nisso.

- Nah.... – diz – Gabriel também enche a porra do meu saco, com isso!

- Eles são muito chatos! – sorrio – Quantos anos tem?

- Dezenove. – responde – Estou junto com a Lia e o Gabriel.

- Faz a mesma faculdade que eles. – concluo.

- E você?

- Tenho dezesseis, e já estou terminando meu ensino médio. – respondo – Mas não divido a sala com nenhum deles, os dois ali são mais novo que eu.

- Isso deve ser muito ruim.

- Hã.... Como dizer? – pergunto – Tecnicamente eu não....

- Eu sei que não estuda desde o seu primeiro ano. – interrompe – Gabriel me passou todas as suas informações.

- Filho da puta.... – xingo, olhando para a nuca do mesmo – Safado! Então por que perguntou sobre minha idade?

- Para não deixar o assunto morrer. – responde, sorrindo com um leve constrangimento – Parece que eu já te vi em algum lugar....

- Sinto o mesmo.

- Sente?

- Quero dizer.... Entendi o que disse, parece que também já te vi em algum lugar.

- Você bebe?

- Tanto quanto você.

Faço uma estranha expressão.

- Quanto ele te falou?

- Não vou dizer. – implica – Ele me ameaçou.

- Posso ser pior do que ele.

- Também me avisaram sobre isso.

Reviro os olhos, dessa vez, começando a fica irritada.

Sinto meu celular vibrar no bolso de trás.

- Alô? – atendo.

- Preciso que você volte para casa.

Meu corpo gela.

- Gabriel, pare o carro. – peço – Vovó?

- Teresa, como você foi parar aí?

Empurro Fernando com certa grosseria, dizendo para que saia do carro.

- Não posso voltar para a Rússia, não agora. – explico – Eu preciso... seguir com a minha ideia.

- Teresa, volte para a casa.

- Eu já disse que não....

- Para casa, já!

- May! – grito – Eu não posso voltar.

- Sua vida está em perigo, assim como as dos outros.

- Não posso levar todos para a Rússia, não tenho como! – continuo – Eles dois não sabem sobre....

- Preciso que você cuide dos cinco. – avisa – Já não está na hora de contar? Os três são seus amigos.

- Cinco?

- Cinco.... – ela é interrompida.

- O que está fazendo aí? – outra voz, masculina e grossa – Conseguiu falar com alguém, foi?

A ligação é interrompida.

Olho para a tela do celular, tentando encontrar o número, mas não há.

- O que...? – sussurro – O que ela quis dizer?

Olho para o carro, um pouco afastado. Fernando continua do lado de fora, encostado na parte traseira, Lia também está ao lado de fora, em frente à sua porta. Diana e Erick me encaram de dentro do carro, assim como Gabriel.

Faço sinal para que Lia venha até mim, assim como Diana.

Pouco depois a azulada e a ruiva me encaram, preocupadas.

- O que foi?

- Minha avó... finalmente me ligou. – aviso – Ela disse que tenho que voltar para casa.

- Para a Rússia? Como você vai voltar?

- Eu também não sei! – respondo – Sem dinheiro ou passaporte, fica muito difícil!

- Ela só disse isso?

- Disse que já passou da hora de contar a verdade, e que também, nossas vidas correm perigo.

- Não acha melhor voltarmos? – pergunta Lia, ainda mais preocupada.

Nego.

- Mas... ela incluiu o Fernando. – continuo – Ele não é meu amigo.... Não tenho ligação com ele.

- E que tal nós? – pergunta Diana – Somos amigos dele, mesmo que você não!

- Mais um? – pergunto – Ela não disse especificamente para quem devo contar, mas disse que são três.

- Provavelmente ela se referiu ao Gabriel, Erick e o Fê. – continua a mesma – Bom....

- Eles não vão....

- Está tudo bem, garotas? – pergunta Gabriel, se aproximando.

Encaro as duas, que ficam quietas.

Suspiro.

Vovó, eu vou seguir o que me mandou, penso. Espero que saiba o que esteja fazendo. Não sei como vou ficar, se acabar sozinha.... Sem Elena, sem você e sem meus amigos.... Não aguentaria tal dor.

- Vamos ter que conversar amanhã. – respondo, séria – Uma conversa séria e confusa.

Ele me olha sem entender.

Voltamos para o carro.

O clima acaba ficando levemente estranho, mas Dia e Lia tentam me fazer conversar, assim como Fernando.

- Acho que estamos chegando.

- Já não era sem tempo! – reclama Erick.

- Você está reclamando de quê? – pergunto, levemente irritada – Dormiu metade do caminho!

Descemos do carro, e dividimos as coisas.

- Consegue subir com isso? – pergunto à Lia.

Ela continua um pouco abatida, mesmo não vomitando.

- Consigo. – responde.

- Isso está leve como uma pena. – digo, sorrindo.

Ela se aproxima de mim.

- Obrigada. – sussurra.

- Dia, também quer uma “ajudinha”?

Ela concorda.

Faço o mesmo que antes, ajudando até mesmo os garotos, mas sem que eles percebam.

Subimos pela trilha, com Gabriel indo mais à frente com uma lanterna.

- Acho uma má ideia, mas já estamos aqui.

- Por que diz isso? – pergunta Erick.

- Agora que estamos aqui... sinto como se estivéssemos sendo observados. – respondo.

Incontáveis pares de olhos selvagens, nos espreitando por entre as árvores.

- É apenas coisa da sua cabeça. – comenta.

- É.... Quem nos observaria?

Continuamos a subir, e quanto mais alto, mas pares se juntam aos anteriores.

Meu corpo se torna cada vez mais tenso, e quase grito, quando Gabriel nos avisa que chegamos.

Acendemos uma fogueira, e logo começamos a beber.

- Por favor, não inventem de mergulhar! – avisa Gabriel, como nosso pai.

Mostro a língua para ele.

- Não me enche.

Pego um copo e o encho com vodca pura. Viro tudo de uma só vez, fazendo minha garganta queimar, mas deixar um gosto doce para trás.

Outro, mais outro, mais outro e mais outro.

- Você está bêbada? – pergunta Fernando, sorrindo.

- Claro que não! – respondo – É preciso mais do que isso, para me deixar bêbada.

- Tome. – oferece um copo com líquido escuro.

- O que é isso?

- É a famosa catuaba! – responde.

Sorrio.

- Você quem trouxe?

- Sim.

- Vamos trocar. – sugiro – Eu tenho um pouco de uísque.

Ele me entrega seu copo e pega o meu.

- Urgh! – reclama, fazendo uma careta – Nossa, como você ainda não caiu?

Dou um longo gole na bebida escura, que tem gosto de açaí.

- Hum.... Gostoso. – digo, lambendo o lábio inferior – Nunca tinha bebido?

- E nem você?

Negamos ao mesmo tempo.

- O que você costuma beber? – pergunto, tomando mais um gole.

- Todo e qualquer tipo de vodca, 51, catuaba, licor, cerveja, aguardente, conhaque, vinho....

- Okay, eu já entendi. – peço com uma mão para frente – E nunca bebeu uísque.

- Pois é.... Tudo tem a primeira vez.

- Mas ainda não tive a minha. – deixo escapar.

- O que?

- Finge que não escutou, por favor! – peço, corando.

Fernando e eu voltamos para perto dos outros, onde Lia parece ser a única sóbria.

- São 23h30. – comenta, quando me vê ao seu lado – Acho melhor nós irmos.

Faço um som insatisfeito.

- Não.... – mio – Vamos ficar, está tão bom!

Ela revira os olhos.

- Acho que não adianta discutir. – ela solta um longo bocejo – Eu vou dormir, já que parece que vou dirigir. – ela aponta para Gabriel – Grande exemplo.

Ele está sem camisa, virando uma garrafa de 51 direto na garganta.

- Vou pegar um copo de energético. – avisa Fernando.

- Meu Deus.... – chamo, ao sentir tudo girar – Será que já estou bêbada? Lia, vou dar uma volta por aí.

Ela apenas concorda.

Me afasto de todos, desaparecendo no mato, apenas com o copo que Fernando me deu.

 

- O que ele é para mim? – pergunto a ninguém, agora sozinha na escuridão – Parece que já o vi em algum lugar....

Termino minha bebida, e inconscientemente levo minha mão aos lábios.

- Você faz parte do meu passado?

“Névoa do esquecimento, um passado nublado.... Dúvidas. Revolução, algo vai causar medo no nosso mundo, algo que nunca vimos antes.” – lembro.

Isso faz com que eu pare abruptamente.

- Passado? – repito.

É como se essa memória estivesse enterrada no fundo da minha mente.

Mas então, o que a desenterrou?, penso.

Me encosto em uma árvore e desço lentamente até o chão, me sentando com as costas apoiadas.

Escondo meu rosto entre as mãos.

- O que eu vou fazer? – pergunto – Como vou achar cinco pessoas distintas? Nem sei onde estão! Quem são?

Olho para cima, vendo a lua encoberta por algumas poucas nuvens.

Lua, sempre nos vendo

Rindo de nós

Brincando conosco

Peço, com toda as forças

Que me ajude com meus deveres

Me salve do destino

E me guie com as minhas visões

As nuvens saem, como se para permitir que ela me respondesse.

Sorrio calmamente.

- É claro que você não pode me ajudar, isso é um dever apenas meu....

Fecho os olhos.

Duas mãos, unidas por um laço vermelho. Das mesmas, surge uma luz, que inunda cada vez mais o meu mundo.

Olhos com íris vermelhas, pupilas brancas e dilatadas.... O vermelho toma a minha paisagem, até que correntes me enroscam desde o pescoço até os pés.... Correntes leais, protetoras.

Minha cabeça dói, como se houvesse uma tranca.

- O que vem depois? – pergunto – O que vem depois?

 

- Eu... dormi? – pergunto, desencostando da árvore e ficando de pé – Preciso voltar, ou eles vão me matar.

- Teresa, não há para onde voltar. – diz uma voz que conheço bem.

- Vó? Vovó!

Ela surge, como um brilho fraco.

- O que aconteceu?

- Ache a Elena, Tessa! – manda – Nos ajude!

- O que eu preciso fazer?

Ela pousa o que um dia foi sua mão, sobre minha testa.

- Minha querida, hoje não sou metade da bruxa que fui, mas posso te ajudar.

- Então me ajude!

Ela concorda, fechando os olhos.

- Não posso me aprofundar tanto, mas posso devolver a memória para todos vocês.... – comenta – É tão recente, e você não sabe de nada.

Seguro seu pulso.

- O que eu não sei?

- O que não se lembra. – responde – O feitiço, a Rússia, David....

Me afasto rapidamente.

- David? – questiono – Ele morreu há doze anos. E o que quer dizer com a Rússia? Que feitiço?

Ela nega com a cabeça, em sinal de insatisfação.

- Olhe para mim, Teresa! – manda, com seus olhos brilhando – Não ouse nunca, se esquecer do que aconteceu! Nunca! Não nos traia desse jeito, a sua família!

- Vovó....

- Não faça isso conosco.

Sinto meu corpo caído para o lado, me forço a conseguir levantar.

- Merda.... – xingo – Que dor infernal!

Fico de pé, cambaleante.

- Foi uma visão? – pergunto.

- Claro que não foi. – responde a mesma voz de antes.

A encaro, logo à minha frente.

- Vó?

- Venha comigo, Teresa. – manda.

Ela começa a se mover.

- Para onde? Vovó, espere! May!

- Teresa, se você quer se lembrar, não temos muito tempo. – adverte – Logo ele vai perceber que consegui sair.

- Quem?

Ela não me responde.

- Tessa, tome cuidado.

- Com o que?

- Para quem for se entregar. Você só terá uma chance, e ela está se aproximando.

- O que?

- Não faça a escolha errada. – continua – Ele fez isso para que você o escolhesse, mas sei que não vai fazer isso. O seu coração chamou por ele, não foi?

Tudo o que ela fala, não faz o mínimo sentido para mim.

Voltamos para os meus amigos.

- O que estamos fazendo aqui?

- Olhe, apenas.

Vejo todos bebendo, como antes.

Eles parecem não notar minha presença.

Sombras enormes os cercam.

- O que é isso?

- São... pessoas como eu. – responde – Nenhum deles pode nos ver, mas.... Controle a sua magia, eles podem senti-la.

Concordo levemente.

- O que está acontecendo, vó?

- Você quer a verdade? Eu vou te contar tudo o que sei.

- Okay.

- Parece que há muito tempo, existiram quatro grandes bruxas. A Bruxa da Água, a Bruxa do Fogo, a Bruxa da Terra e a Bruxa do Ar, foi com elas que surgiram as dominâncias dos elementos.

- E o que aconteceu?

- A Bruxa da Terra começou a acreditar que não devíamos dominar completamente apenas um elemento, mas todos, e também todos os fenômenos naturais. Ela dividiu as quatro, mas acabou sendo “traída” pela Bruxa do Ar.

- Como assim?

- Parece que as outras duas, conseguiram mostrar o equilíbrio de se dominar completamente apenas um dom ou apenas um fenômeno natural. Se existisse uma única bruxa que conseguisse fazer tudo isso, muitas de nós deixaríamos de nascer, para que o poder pudesse ficar completamente equilibrado. Muitas vidas seriam perdidas.

- E o que aconteceu com elas quatro?

- A Bruxa do Ar acabou morrendo, mas antes disso, aprisionou suas essências, seus dons verdadeiros em seus descendentes. Eles seriam passados, até que alguém com a sua verdadeira linhagem sanguínea pudesse despertá-los.

- Com a verdadeira linhagem de sangue? Como isso é possível, se todos são descendentes delas?

- Mas apenas alguns possuem a força suficiente para despertar os seus dons, você sabe disso.

- Então é como uma profecia?

- Sim. Mas os dons apenas seriam despertados, em uma geração em que todos fossem os descendentes legítimos.

- E essa é a geração.

- Minha mãe conseguiu descobrir que um de nós poderia nascer com o dom da Bruxa do Fogo, que com o passar do tempo, ficou conhecida como Bruxa da Noite, já que é quando o fogo mais brilha.

- E as outras três?

- A Bruxa do ar.... Perdeu a sua linhagem. As Bruxas Branca e das Trevas, receberam esses nomes devido aos seus dons.

- Então isso quer dizer que a profecia mudou?

- Em parte. Mas o foco principal sempre foi entre as Bruxas Branca e das Trevas. A profecia também diz, que um de seus filhos seria capaz de banhar o mundo com luz, outro traria a evolução e o último, poderia destruir a todos. Teresa, você a descendente direta da Bruxa da Noite.... E a Amélia....

- É a Bruxa Branca. – completo.

- Há mais coisas, as quais não posso e nem sou capaz de revelar.... Mas minha querida, faça uma escolha sábia....

- Mas e eles três?

- O poder de uma bruxa vem principalmente, de suas emoções. – responde – Quem quer que seja, irá usá-los como seus pontos fracos. Tessa, confesse e seja quem você é.

- E o que eu devo dizer à Lia? Como vou contar para ela?

- Não precisa, apenas mostre o grimório. Tudo o que ela precisa saber, vai ser despertado com o sangue e o seu poder.

Ela brilha incandescente, e some.

Olhos vívidos, refletindo nossas almas.

O que somos, nunca pode se escondido.

Nossos nomes, nossas formas e nossos passados.

Meu corpo pesa, como se eu fosse uma boneca recheada com barras de ferro.

Abro os olhos.

- Uma visão dentro de um sonho? – pergunto, me levantando e limpando as folhas – Vovó....

Foram coisas demais.... Foi real demais.

Sei muito bem, que no meu mundo não existem sonhos ou coincidências, é sempre real.

- Amanhã....

Sinto minha cabeça latejar, ao ser atingida com forças por várias memórias....

O desaparecimento de Elena, minha ida com Lia para a Rússia, o ritual, o feitiço de busca, o grimório, David.... Tudo.

Lágrimas descem.

- Como vou contar para eles? E ainda.... Cinco pessoas....

Um barulho de folhas e galhos me tira do meu torpor de medo, me fazendo encarar o escuro.

- Quem está aí?


Notas Finais


Boa madrugada <3 <3


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