História Desconexo - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Adolescente, Amor, Depressão, Drama, Esperança, Solidão, Tristeza, Vida Quotidiana
Visualizações 11
Palavras 1.699
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Calma, não é uma miragem! Isso realmente é um capítulo novo!

Capítulo 7 - Presente


Fanfic / Fanfiction Desconexo - Capítulo 7 - Presente

Já mencionei sobre o meu terrível emprego? Repetitivo, estressante e inacabável ? 21 anos na cara e trabalhando como estagiário em um RH. Melhor que ser odiado pela empresa toda? Trabalhar ao lado do dono dela. Estou entediado sentado há horas em frente a esse computador fazendo contas e separando finanças. Olho para o meu copo já sem café, me levanto e vou até a copa. Pelo caminho posso ver dezenas de pessoas igualmente concentradas em suas telas. Nenhum vigor, nenhuma paixão, apenas a mesma rotina diária que estava consumindo nossos olhos e colunas. Estava prestes a pedir conta quando me falaram de uma viagem para Londres ao lado do meu chefe e subchefe. Aparentemente a filial no exterior não estava sendo acompanhada como deveria, e como eu já trabalhava como se fosse um ADM naquela empresa, acabaram me escalando para fazer a tal visita. Me pareceu ser uma boa ideia conhecer outro país, mas não qualquer país, era Londres, onde uma vez sonhei em fazer intercâmbio para estudar arquitetura. Veja só como são as coisas, tão irônico! Será só uma semana, vou aproveitar o tempo que estarei lá para repensar nas minhas escolhas. Talvez valha a pena pagar o preço pelos meus sonhos. 

Olho para o relógio e vejo que já passou da hora de terminar o meu turno. Faço logoff no pc, pego minha mochila no chão e o celular ao lado do mouse. Graças a Deus estava de férias da faculdade, logo, não há nada que me prenda por aqui. Preciso chegar logo em casa, separar alguns documentos, arrumar a mala, avisar meus pais... 

Estava correndo na rua para pegar o ônibus quando me deparo com a Júlia, que vinha na direção oposta. Acabamos trombando um no outro, mas por eu ser mais alto quem acaba indo para no chão é ela. 

-Se machucou? -Estendo a mão para ela, mas a mesma sequer levanta o rosto para me encarar. 

-Júlia? -A chamo preocupado e como ela não demonstra nenhuma reação, me abaixo para olhar nos olhos dela.

-Por que está chorando? - A preocupação aumenta ao ver os olhos molhados e seu rosto se virar para evitar olhar nos meus olhos. 

-Não foi nada... -Ela responde em um fio de voz. 

-Como não foi nada? Você nunca chora! -Ela realmente nunca chorava. Desde crianças, nunca a vi derramar uma lágrima. Geralmente ela se levantava de suas quedas, limpava as mãos na roupa e voltava a correr. 

-Eu preciso ir. Desculpe... -Ela se vira pra mim, agarra a bolsa e sai andando na mesma direção da qual veio. 

Não satisfeito em vê-la nesse estado, resolvo ir atrás dela.  Então a vejo parar bruscamente e encarar um sujeito que me parecia familiar, vindo em direção a ela. 

Paro um pouco mais longe e fico os observando. Ele parecia nervoso, falava alto e apontava para ela. 

-Por que você sempre se faz de vítima? Eu não sou seu cachorrinho, não ficarei correndo atrás de você, se é isso que está imaginando! -O cara de barba e cabelos ruivos gritava. 

-Cachorrinho? Dá pra ser menos ridículo? -Vejo Júlia responder no mesmo tom. 

-Ridículo? - Ele se abaixa para encará-la de perto. E eu não estava gostando do rumo que aquela discussão estava tomando. 

-Escuta aqui garota, eu não tenho mais tempo e nem saco para perder com você! - Ele falou e se virou e a deixou ali parada e perplexa com o que acabara de ouvir. 

Me aproximo dela e a chamo pelo nome, mais do que rápido ela se vira e corre pros meus braços. Naquela hora ela chorou como uma criança, como eu imagino nunca ter chorado antes. Fiquei em silêncio afagando sua cabeça e a apertando em meu abraço. 

-Primeiro coração partido? -Pergunto.

-Sim... -Ela responde mais calma. -Me leva pra casa? -Ela me olha com aqueles enormes olhos castanhos brilhando por causa das lágrimas. 

-Claro, vamos! - Resolvo parar um táxi e a acompanho até em casa. Durante a viagem aproveito para contar a ela sobre a viagem. 

-Londres? -Ela me olha com um meio sorriso nos lábios. 

-Sim. -Respondo receoso.

-Incrível! Sempre foi seu sonho ir pra lá! -Ela agora parecia esquecer a própria dor para comemorar comigo. Ela era assim, o tipo de pessoa que fica feliz com o sucesso de seus amigos. Se eu pudesse fazer uma lista com os meus melhores amigos, a Júlia seria o único nome nela. 

Já estávamos chegando no prédio dela quando ela abriu a bolsa e me deu uma daquelas máquinas fotográficas profissional. 

-Me traga as melhores fotos que puder! -Ela disse sorrindo. 

-Você vai mesmo me emprestar isso? - Perguntei empolgado. 

-É claro que vou. Pense em uma extensão de mim toda vez que usá-la. 

O carro estacionou e descemos na porta do prédio dela. Subi com ela até seu apartamento. 

-Você vai ficar bem? 

-Vou. Ele é só um babaca. Não pretendo vê-lo novamente. -Ela respondeu cabisbaixa. 

-Ele não merece uma garota como você. 

-E como eu sou? -Ela me encarou. 

-Linda, inteligente, inacreditavelmente meiga e forte. -Disse sem enrolação e percebi uma reação tímida vindo dela. 

Ela se recompôs e me deu um abraço de despedida. -Faça uma boa viagem. -Falou enquanto me olhava profundamente nos olhos. 

-Farei. -Disse a poucos centímetros dos lábios dela me segurando para não fazer algo estúpido e então... Ela encosta os lábios dela nos meus e os separa rapidamente. 

Fico a olhando atônito sem entender aquela reação. 

-Foi ruim? -Ela pergunta. 

-Não. Só...inesperado... -Respondo ainda nas nuvens, 

-Volte pra casa com cuidado. -Ela arruma um cacho atrás da orelha e abaixa a cabeça. Só então saio do meu transe e resolvo sair daquele apartamento. 

Talvez ela só estivesse frágil naquele momento mas aquele beijo abalou todas as minhas estruturas. Juro que eu queria enlaçar a cintura dela e aprofundar aquele beijo. Não... eu também não entendo o que é esse sentimento. Até pouco tempo ele não estava aqui dentro. 

Chego em casa e dedico minha tarde a arrumação dos documentos e da mala. Olhei para a câmera encima do criado-mudo e minha cabeça voltou a ter pensamentos confusos sobre a Júlia. Estava prestes a afastá-los quando meu celular toca. 

-Alô. -Ouço uma voz que pensei nunca mais ouvir de novo do outro lado. 

-Sim, sou eu. -Respondo ainda incrédulo. 

-Não...espera! Já estou descendo! -Saio correndo e só bato a porta do apartamento.

Era ela... era a garota problema. Aquela que mencionei antes que de uma hora para a outra sumiu da minha vida. Aquela que eu queria desesperadamente concertar enquanto ela se recusava a andar na linha. A amiga estúpida. 

-Geovana! -Grito quando a vejo  encostada naquela árvore. 

-Hello my old and darkness friend! -Ela responde no conhecido tom sarcástico. 

Não resisto olhar para aquele rosto, para aquela pessoa que me causou tantos problemas e ainda assim me fez conhecer tantos sentimentos diferentes. Corro e a abraço, tirando-a do chão. 

-Sua maldita! Onde esteve por todo esse tempo? -Falo quase chorando. 

Ela sorri maliciosa e eu a coloco de volta no chão. -Amadurecendo, docinho. 

-Você voltou de vez ? -Pergunto meio eufórico. 

-Talvez. Depois de muita dor, más experiências e pés na bunda, acabei percebendo que essa minha falsa liberdade estava me custando um preço muito alto. voltei para ficar perto dos meus.

Eu digeri aquela resposta vagarosamente, engoli em seco, a olhei naqueles olhos carregados de maquiagem e a abracei de novo. 

-Não ouse me deixar novamente, vadia! -Falo sério. 

-Não deixarei. Na verdade, nunca deixei de pensar em você um só dia. Eu estava com saudades. -Ela estava dizendo que sentiu minha falta? Eu ainda devo estar delirando por causa do beijo da Júlia ou estou em um daqueles sonhos que acabam com cenas eróticas. 

-Você quase me deixou louco de preocupação! Eu te procurei em toda a parte! Eu não queria que você tivesse desaparecido depois de eu ter perdido a paciência com você! Eu nunca me desculpei... Meu Deus... É tão bom ver você!

-Obrigada, meu irmão. Eu fico feliz que ainda goste tanto assim de mim. Digamos que não sobrou quase ninguém pra se importar comigo. -Ela sorriu falso e olhou para o lado. 

-Quer subir? -Perguntei. 

-Desde quando convida garotas para o seu apartamento? 

-Desde que elas resolveram a aparecer sem avisar. 

-Parece um acontecimento recorrente. -Ela disse maliciosa. 

-Não da forma que você está pensando. 

Naquele final de tarde ela me contou como viveu nos últimos três anos, das suas perdas, mágoas e arrependimentos. Também a deixei a par da minha vida e dos próximos acontecimentos. 

Enquanto estávamos sentados no sofá, ela repentinamente ficou em silêncio e largou o café. Eu ainda segurava minha caneca e olhava para o nada esperando por suas próximas palavras, mas o que veio a seguir, foi uma garota desinibida tomando a caneca das minhas mãos, colocando-a na mesa para em seguida subir no meu colo e me beijar demoradamente. Neste momento abri meus olhos e não teve como não pensar "Que porra tá acontecendo comigo hoje?" mas não era a melhor hora para pensar. Ela separou nossos lábios e eu esperei que ela falasse alguma coisa. 

-Qual é? Vai dizer que em todo esse tempo só eu queria? - Ela colocou as mãos embaixo da minha camisa e voltou a me beijar. 

-"Que porra está acontecendo aqui, mano?" - Eu não conseguia pensar em mais nada. 

Correspondi o beijo mas a parei quando ela tentou tirar minha camisa. 

-Quer mesmo estragar as coisas comigo? - A olhei sério. Eu não queria ser mais um dos caras na extensa lista dela, apesar de ser incontestável o quanto eu gostava daquela garota. 

-Tem razão. Melhor eu ir. -Ela se levantou e eu fui atrás dela. Antes que ela pudesse sair a puxei de volta para os meus braços e dessa vez quem a beijou fui eu. 

-Decida-se, docinho... -Ela sussurrou. 

-Vai logo! - A coloquei pra fora e fechei a porta. Pude vê-la dando risada enquanto eu a empurrava pra fora. 

-AAAAAHHHHHH! -Gritei entrando no meu quarto. Me joguei na cama e fechei os olhos por um momento. Assim que os abri, a primeira coisa que vi foi a câmera da Júlia. 

Acho que estou encrencado... 


Notas Finais


Nossa história começa a tomar um rumo. Conto com vocês para ver o desfecho dela!
Obrigada pela presença, espero que tenham gostado!
Jya Nee!


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