História Desconhecido - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Colegial, Drama, Romance, Saga, Shadows' Sea, Vingança, Yaoi
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Palavras 2.258
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Slash, Suspense, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Capítulo IV - Crise


Alek revirou os olhos pela vigésima vez naquele sábado.

Marina chegou com um chá quente em mãos, o cheiro não era nada desagradável, mas nunca tivera um enorme gosto por ervas ou coisas assim. Até mesmo café lhe enjoava as vezes. Estava com apenas uma confortável calça de moletom cinza, sem camisa, e deitado no sofá cheio de cobertas. A Tia sentou-se no braço do sofá, assoprando o chá enquanto afagava o seu ombro.

- Precisa melhorar, querido. - Marina disse, entre os assopros. - Ou não vai poder ir para o encontro.

- Sinceramente ? Não estou muito afim de ir. - Alek tossiu, se sentando na cama e aceitando o chá da tia. O gosto era amargo, mas dava para engolir.

- Nem ouse falar isso. - A Tia lhe repreendeu, pegando a xícara vazia e indo na direção da cozinha. - Vai ser ótimo para você se envolver com alguém.

O garoto voltou a se deitar no sofá, ignorando a dor crescente na cabeça. Desde que voltara da escola na sexta, sua crise havia começado, trazendo todos aqueles malditos sintomas de volta. Desde tontura até enjoo, e a péssima noite de sono não lhe ajudara nada na recuperação. Louis desceu as escadas correndo, que faria Adrian ter um ataque do coração, e foi até onde o irmão estava, sentando-se no chão a frente do sofá. Seu cabelo loiro estava despenteado, já que acabara de acordar, e seus olhos que variavam entre um tom azul e verde lhe fitavam com preocupação.

- Dói em mim te ver doente. - Louis murmurou, encostando sua cabeça no sofá. Era dois anos mais novo, mas tinha um espirito doce, sempre se preocupando com as pessoas. Tão parecido visualmente com Kat, mas de personalidade tão distinta. - Tem algo que posso fazer para te ajudar ?

- Tem sim, na verdade. - Alek se aproximou do irmão, confidenciando-o. - Pode contrabandear alguma comida para mim.

Louis confirmou com a cabeça, silencioso, e correu para a cozinha. Depois de alguns minutos o irmão voltou, em sua mão trazia um prato com panquecas, bacon, ovos, torradas com geleia e com manteiga de amendoim, tudo cheirando tão bem. Alek sentou-se no sofá, deixando que o irmão sentasse ao seu lado, segurando o prato para ele.  Ambos comeram com voracidade, dividindo tudo - Exceto o bacon, que Louis não gostava - e em poucos minutos estavam deitados no sofá em uma bagunça de membros, assistindo desenho.

Quando acordou já eram 15:40 e Alek nem mesmo tinha se dado conta que havia dormido tanto, embora fosse um sábado, ainda precisava ajudar a Tia a tomar conta da casa. O irmão estava deitado na sua frente, com uma perna para fora do sofá e babando nas almofadas. Kat, a irmã gêmea de Louis, estava sentada na poltrona com um notebook sobre o colo. A semelhança com o irmão era enorme, exceto pelo tom do cabelo. O garoto tinha uma "coroa dourada" na cabeça, enquanto Kat tinha o loiro mais escuro.

- Cadê Marina ? - Alek perguntou, tentando se levantar sem acordar o irmão.

- Foi comprar pizza. - Kat se virou, colocando o notebook encima da mesa de centro. A chuva golpeava com força lá fora, enchendo o ar com um cheiro de terra. - Para o almoço...

- Hm, Tudo bem. - O garoto se levantou, ajeitando o irmão no sofá e lhe cobrindo com um lençol. - Alguém ligou para mim ?

- Sim, sim. - A irmã apontou para o celular ao lado da televisão. - Lisa ligou para saber do seu encontro, e tem algumas mensagens ai.

Assim que desbloqueou o celular, as mensagens saltaram na tela, atualizando tão rápido que até chegou a dar uma pequena travada. Tinha algumas notificações de seu Facebook, alguns e-mails recebidos e MUITAS mensagens. Lisa havia lhe mandado mais de 90 mensagens, perguntando de sua saúde e lhe atualizando sobre o quê sabia do Ruivo. Não tinha aceitado se encontrar com um dos melhores amigos de Martin sem antes pensar em algum plano, teria uma estratégia de fuga e pontos para tentar desviar na conversa.

" Ele é muito inteligente, ama computação. "

" Definitivamente é um hacker em potencial "

" Julia conversa horas com ele "

" Pelo amor dos Deuses, se cuide "

Talvez a amiga estivesse sendo um pouco exagerada, mas compreendia que aquele encontro poderia ser uma faca de dois gumes. Mandou um resumo do que tinha acontecido logo depois, explicando da sua crise e que já estava bem. As outras mensagens eram de Adrian e Bash, que lhe contavam os detalhes da viagem e passavam os horários que teria que seguir. Aulas de piano para Louis, Treino de Dança para Kat e Arco-e-Flecha para si mesmo. Uma mensagem desconhecida lhe surpreendeu.

" Passo as 20:00 para te buscar, Meu Loirinho "

Alek engoliu um palavrão, sentindo aquele enjoo voltar de repente. Se Dayne tinha seu número, era claro que sabia todo seu plano de vingança. O Jantar podia ser tanto uma chantagem quanto uma armadilha, o próprio Martin poderia estar lhe esperando. Mas tinha seus próprios recursos. Resolveu responder apenas com uma carinha feliz, que seria sua melhor arma aquela noite, e Leo Dayne não escaparia.

XXX~~~XXX

Marina e Kat estavam sentadas na cama dando os palpites sobre as roupas de Alek enquanto comiam brigadeiro. O garoto tinha acabado de sair do banheiro e ainda não tinha se decidido o quê usar, até porque não tinha a mínima ideia de onde iria com Leonard Dayne.

- O Jeans preto, amor. - Marina apontou para a calça guardada no armário, tinha rasgado alguns pontos em seu joelho e coxa durante um surto gótico que tivera mais novo. - É um coringa maravilhoso, todo mundo ama jeans.

- Com aquela camisa cinza ? - Kat lambeu a colher com brigadeiro, dando um olhar pensativo para o garoto. - Vai ficar legal, bem legal...

Alek se vestiu, colocando as roupas indicadas. A calça estava um pouco apertada em si, mas até que dava um ar legal; a camisa cinza tinha na frente um perfil estrelado que era baseado em seu próprio perfil, as estrelas brilhando no desenho como se fossem sua pele; uma jaqueta balboa azul-marinho que tinha ganhado de Adrian, além de seu sneakers preto. Seu cabelo estava bem penteado, e seu perfume invadia a casa inteira.

- Alek ! - Louis gritou da sala, e assim que desceu encontrou o irmão emburrado. - Tem um garoto ali te chamando.

- Hey Buddy. - Alek se abaixou, dando um beijo na testa do irmão. - Quando chegar vamos ver aquele seu filme, tudo bem ?

Leo estava lhe esperando na frente de casa, encostado em seu carro casualmente, vestindo uma calça jeans e uma camisa vermelha com gola V. Tão simples mas tão bonito, com seu cabelo longo bem amarrado para trás, os olhos verdes brilhando no quase-escuro da rua. Alek andou em sua direção com cuidado, usando seu melhor sorriso tímido, e assim que se aproximou abraçou-lhe, recebendo um beijo na bochecha do ruivo.

- Iremos para o restaurante de uns amigos. - Leo abriu a porta para Alek, indo logo após, sentando-se no banco do motorista. - Você está perfeito hoje, Loirinho.

- Você não sabe como é bom ouvir isso. - Alek suspirou, repousando a cabeça na janela. Não demoraram muito para chegar, mas o garoto não conseguiu fechar a boca quando viu que estava no Blue Sky, um dos melhores restaurantes da cidade, se não o melhor. Era mais difícil conseguir uma mesa naquele restaurante do que ser atingindo duas vezes pelo mesmo raio, até mesmo Bash tinha dificuldades com isso.

- Posso me gabar ? - Leo deu seu braço para Alek, que o aceitou sem pensar duas vezes. - Tenho um pouco de dinheiro, ajudou bastante.

O restaurante estava cheio, e era tão brilhante e confortável que sentia-se culpado por não trazer seus irmãos junto. As paredes eram de pedras esculpidas, algumas com formas circulares ou ondas, e flores desciam pelo teto em um fio dourado. A luz crepuscular era diferente de tudo que já vira, como se o restaurante estivesse em um lugar atemporal, ignorante noite e dia. Roxo, Laranja e Amarelo dançavam no ar. Sentaram em uma mesa perto da parede, onde cascatas de flores rosadas desciam ao seu lado. Leo pegou o menu, as vezes pausando para olhar Alek, uma mistura de desejo e curiosidade brilhava no verde de seus olhos.

- Seu rosto está corado ou é apenas a luz ? - O garoto Dayne perguntou, com um sorriso nos lábios.

- Talvez seja febre. - Alek enrolou, pegando a taça de água que estava na mesa e dando um pequeno gole, piscando para Leo.

- Ah é ? Posso fazer algo para lhe ajudar. - Leo seguiu o olhar do menor, sempre com aquela expressão sarcástica no rosto.

- Para de olhar como se quisesse me comer ajudaria muito. - O menor respondeu, já esperando uma resposta a altura.

- Talvez eu realmente queira te comer. - E mesmo com toda a preparação, Alek engasgou com a resposta.

A entrada foi um trio de camarões no palito com farofa de castanhas e um molho especial, e junto com ela o jogo também começou. Olhares trocados, sorrisos, piscadelas e assuntos que normalmente seriam desconfortáveis. Leo lhe falara que morava com a mãe, já que o pai estava no Japão comandando a principal filial da empresa, e isso explicava como conseguira a mesa. Já Alek tinha resumido tudo, falando sobre ser adotado por Bash e Adrian, e como viver com os dois tinha afetado sua auto-aceitação sobre ser gay.

- Ainda bem que eles te ajudaram com isso. - Leo falou quando o prato principal chegou. Um cordeiro com purê de batata doce e molho de pimenta biquinho. - Seria uma pena um garoto tão lindo assim no armário.

- Mas e você ? - Alek perguntou, cortando o cordeiro delicadamente, sem tirar os olhos do ruivo. - Soube que a única pessoa que você namorou seriamente foi Eric, e que já pegou metade da escola. O quê planeja para mim ?

- Não tenho nada em mente para você agora. - Leo admitiu, bebendo um gole do vinho em sua taça. - Mas isso poderia mudar se começasse a ser verdadeiro comigo.

- Oi ? - O garoto engasgou, bebendo água em seguida. - Não faço a mínima ideia do que você tá falando.

- Ah, por favor, você não sabe mentir. - O ruivo revirou os olhos. - Mas aquela sua bunda... Fiquei duro por horas depois de vê-la, até com um pouco de ciúmes do Martin.

O garçom voltou para recolher os pratos, avisando que a sobremesa chegaria logo. Ambos pararam um tempo para se estudar, e Alek sentiu a febre e a dor de cabeça voltando, tão fortes quanto antes. Um pudim de morango com espuma de limão e teia de caramelo. Estava tão bom que quando terminou Alek se lamentou mentalmente.

- Ele não sabe que sou eu, não é ? - O garoto perguntou.

- Martin mandou que eu rastreasse seu IP. - Leo respondeu, fazendo com que crescesse o enjoo de Alek. - Mas eu não lhe contei nada, não ainda.

- E você quer o quê ? - Alek respirou profundamente, levando a mão até o bolso da calça. - Para não falar pra ele...

- Não pensei em nada ainda. - Leo parou um pouco, colocando a mão embaixo do queixo e pensando, mas Alek foi bem mais rápido. Com um só movimento tirou o celular do bolso e o colocou encima da mesa, a tela desbloqueada em uma imagem. - O quê é isso ?

- Isso é minha garantia de que você não vai pedir nada. - Alek sorriu internamente quando viu os olhos de Leo abertos, surpreso. - Ou Martin ficaria extremamente triste se descobrisse que o treinador está pensando em substitui-lo pelo seu melhor amigo como capitão do time.

- Você é um garoto muito esperto. - Leo fez um gesto com a mão, pedindo a conta, recuperando seu sorriso. - Isso só faz com que eu fique ainda mais apaixonado, loirinho.

A noite terminou de forma surpreendente. Mesmo com todo o jogo, Leo lhe tratara gentilmente no caminho de volta para casa. As cantadas, as piscadas e os olhares continuaram da mesma forma, e cresceu dentro de Alek uma possibilidade de que o ruivo realmente fosse uma boa pessoa. Antes de entra para casa o menor ficou na ponta dos pés para dar um beijo na bochecha de Leo, que corou levemente, atrapalhando-se até mesmo no " Boa Noite ".

Louis lhe interrogou sobre tudo quando subiram as escadas para o quarto de Alek, que enrolou o irmão falando apenas os bons detalhes do encontro. Trocando de roupa, vestindo uma cueca preta normal e um moletom cinza. Ambos ficaram até de madrugada vendo filmes, quando o irmão menor caiu no sono e as dores do maior pareceram aumentar até um nível de explodir a cabeça. O garoto saiu da cama devagar, apoiando-se nas paredes e respirando fundo. Tudo ao seu redor parecia girar, e quando chegou no topo da escadaria sentiu a respiração faltar.

Mãos de sombras pareceram lhe envolver, empurrando-o com um sopro escada a baixo, o som de seu corpo nos degraus e no corrimão de madeira. Em poucos segundos já estava na sala, gemendo de dor e chorando, as luzes não demoraram a se acender.

 


Notas Finais


Bash = Sebastian, tá amores :D

<3


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