História Desejos Secretos - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Eliane Giardini
Tags Eliane Giardini, Werner Schunemann
Exibições 56
Palavras 2.147
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Policial, Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


"Uma mulher decidida é mais do que poderosa. É soberana!"

Capítulo 4 - Os detalhes


Fanfic / Fanfiction Desejos Secretos - Capítulo 4 - Os detalhes

Narrado por Madame Elinór

Vi que esboçou uma face de estranheza quando me apresentei pessoalmente. Me detive por uns instantes em analisá-lo dos pés à cabeça. Ele certamente percebeu, mas disfarçou. Estava sem o jaleco do hospital e pude ver que era um homem muito interessante.

- Você pode repetir por favor? - ele estava incrédulo, arquiei minha sombrancelha e desfiz nosso aperto de mão. Odeio repetir o que já deixei bem claro e em alto tom - O senhor ouviu muito bem. Sou a ajuda que esperava. - falei séria e me sentei na cadeira esperando sua pose de espanto passar. Cruzei as pernas de modo que minha saia que ia até os joelhos subisse um pouco, deixando-as à mostra, me ajeitei no assento e passei a mão por meus cabelos ajeitando lateralmente a mecha. Ele sorriu sem jeito.

- Madame Elinór? - perguntou com uma risada sarcástica. Pendi a cabeça e revirei os olhos, qual o motivo de tanto descrédito? Em seguida, sentou-se em sua poltrona me encarando como se eu não fosse deste mundo. - Veja bem, eu contratei um serviço particular, mas não quero ninguém disfarçado de médico neste hospital. Isso aqui não é uma série investigativa, não estamos em Criminal Minds, aqui é a vida real... - ele move as mão como se falasse através delas, deve ser descendente de italianos, eles costumam gesticular demasiadamente enquanto falam - Contratei um detetive e ele disse que alguém iria me procurar, mas jamais poderia achar que mandariam uma mulher como você! O que uma médica pode fazer por mim? Aliás, você é médica de verdade? É crime falsificar um registro do CRM, sabia? Avise o seu chefe, imediatamente, que exijo outra pessoa, de preferência um detetive - disse dando ênfase no "um", percebi logo sua visão machista das coisas, o que me causou uma inquietude fora do normal - Isso é ridículo, serviço de quinta o de vocês - No fundo essa situação já está me enchendo, ele fala demais, isso só me faz concluir que realmente o sangue italiano flui em suas veias. Quando ele fez uma pausa aproveitei para ir direto ao ponto.

- Acabou? Terminou seu pequeno discurso desnecessário? - ele me olhou boquiaberto pelo atrevimento de minha fala. Colocou a mão em seu queixo e respirou fundo. - Bem, depois deste comentário machista e retrógrado e de ter gastado seu latim atoa, acho que já temos um belo indício do porque sua mulher possivelmente lhe trai. - ele me olhou furioso apoiando as palmas das mãos sobre a mesa e erguendo-se um pouco do assento. Não digeria o fato de que eu estava falando com ele no mesmo tom - Que petulância é essa? Atrevida! Você entra na minha sala pra me ofender? Quem você pensa que é? - levantou-se enquanto ainda indagava a respeito minha conduta, parecia um pouco exaltado. O olhei com um ar leve e discreto de desprezo. Que homenzinho insolente. Tive que interrompê-lo antes que minha paciência findasse. Analisei minhas unhas vermelhas e ajeitei o anel.

- Em primeiro lugar, abaixe seu tom de voz. Segundo, sente-se, não quero ficar com torcicolor de acompanhar suas passadas nesta sala. E em terceiro, meus serviços foram solicitados por esse motivo, a suspeita de uma traição e talvez, muito talvez, a cobiça de seus bens! Estou certa ou errada? - ele puxou a cadeira que estava ao lado da minha e ficamos de frente um para o outro. Notei quando olhou para minhas pernas e rapidamente voltou a me encarar. Era um belo exemplar da espécie, um homem muito bonito.

- Me perdoe se fui rude! Acontece que fui pego de surpresa...mas como assim você é médica, detetive, o que mais você é? - ele aparenta impaciência, isso está deixando as coisas mais interessantes. Esse é o lado de meu trabalho que sempre admirei. Não gosto de marasmo. - Tenho inúmeras facetas doutor, mas convém agora que eu seja apenas a médica que vai investigar o seu caso clínico, se é que me entende! - E posso saber como pretende fazer isso? - ele arqueou a sombrancelha e aproximou mais anda sua cadeira, senti quando sua perna encostou na minha, dava para apreciar seu bom perfume mesmo que a uma certa distância. - Não utilizo de métodos muito ortodoxos, mas garanto que terá o que o que deseja. - ele começou a manifestar uma certa curiosidade, seus lindos olhos azuis estavam instigados com a situação. Acho que ele nunca teve nenhum momento de adrenalina, a não ser o que devia sentir no centro cirúrgico. - Espera, isso é muita loucura! - Quer desistir? - me inclinei em sua direção e ficamos bem próximos, ele desviou seus olhos para meus lábios por alguns segundos, mas rápidamete voltou a si - Não, não quero! Mas talvez se eu fosse até a polícia seria mais fácil. - virei minha cabeça lateralmente e respirei fundo, de forma reprovativa. Depois voltei meu olhar para ele. - Acha que vai ser mais fácil assim? Então vá, procure uma delegacia, dê queixa de uma suposta traição e também diga a eles que você suspeita de que sua esposa rica, bem sucedida, Dermatologista, dona de um clube luxuoso esteja de olho em sua fortuna. - franziu a testa por me ouvir falar como se eu já tivesse um dossiê de sua família. - Como sabe de tudo isso? Com quem andou falando? - sua voz soou meio rouca dando a ele um charme extremamente notável.

- Meu trabalho eu faço muito bem feito! Acredite em mim, eles iram rir de sua cara e na certa, por sua insistência, eles começariam uma porca investigação, que se desmancharia na semana seguinte e sua digníssima esposa iria descobrir. Sabe do que eles vão te chamar? - Pode parar por aí! Eu já entendi. Você é um muito petulante sabia! Eu estou pagando caro pelos seus serviços. Exijo respeito e obediência! - comecei a sentir um pouco mais de segurança em sua fala.

- Ora, ora! - nao contive o riso de quem não acredita no que acabara de ouvir. - Escute bem, patrão, se a polícia convencional for necessária eu saberei a quem procurar. E quero que fique bem claro que não está lidando com amadores. O senhor, de fato, está pagando uma pequena fortuna... - decidi levantar e como estávamos bem próximos senti que meu busto quase encostou em sua face, o que fez ele jogar seu corpo para trás num reflexo rápido. Andei pela sala em direção a uma estante com livros de medicina e alguns objetos decorativos que pareciam ser bem caros. - Mas muito cuidado na hora de falar comigo! Não sou sua escrava e muito menos sua serva - Segurei uma pequena estátua grega em minhas mãos - deusa Hera? - perguntei sem olhá-lo, mirei cada detalhe da escultura, que por sinal, era muito bem talhada. Esbocei um pequeno sorriso de satisfação. Ele me observou atento - Hera tem um temperamento forte, é a deusa ciumenta e vingativa do Olimpo, símbolo da monogamia, ela perseguiu e matou algumas das amantes de seu esposo Zeus. É curioso ver que ela está em sua estante, ainda por cima ao lado do deus Hades, que é seu irmão, e que a título de curiosidade, era adúltero.

- Gosta de mitologia grega doutora? - perguntou vindo em minha direção. - Muito, é fascinante! A Grécia em si é magnífica. - Hum! uma mulher como você, que diz ter múltiplas facetas, espero que use todo seu talento para resolver meu problema. - disse pegando a estátua de minha mão e colocando-a no mesmo lugar. Me pareceu ser um tanto perfeccionista, homens dessa estirpe costumam ser irritantes - não mecha no que não lhe pertence! - Como queira, doutor. Então, tomo isso como uma aceitação de minhas leituras! - caminhei em direção à cadeira onde estava sentada e abri minha bolsa, tirei de dentro um cartão com meu telefone e entreguei em sua mão junto com um envelope com um termo de responsabilidade para que ele assinasse. Pegou o cartão olhou sem dar muita importância e depois abriu o envelope. - O que isso? - certamente tinha que me precaver e assegurar os negócios de meus colegas. - É um contrato, e estabelece que não devolveremos o seu dinheiro em caso de desistência. Estabelece, também, seu sigilo absoluto quanto às pessoas que irá conhecer e, por fim, seu silêncio quanto a qualquer aspecto de nossos trabalhos. - Me sinto um mafioso assim. - disse pegando a caneta que estava sobre a mesa e assinou o contrato. Observei sua bela caligrafia, bem incomum para um médico.

- Pronto, doutora Susana. O que mais quer de mim, minha alma? Porque meu dinheiro você já tem. - Me olhou curioso esperando a resposta. - Hum - fiz uma cara de desdém. - Um tanto quanto perturbadora e dúbia sua pergunta, meu caro. Tente não usar duplo sentido em suas palavras, vá direto ao ponto. Exatidão é uma qualidade bastante admirada em homens de requinte. Mulheres gostam disso. - ele ficou quieto e acho provável que tenha engolido seco pelo modo irônico como me olhou.

- Sei - disse revirando os olhos.

- Sua esposa está aqui hoje? - indaguei mudando de assunto. - Sim, está no simpósio sobre Câncer de Pele no auditório principal. O evento ocorrerá durante toda a semana. Por que? - seu ciclo de perguntas óbvias e dos quais ele mesmo já sabe a resposta, me deixa exausta mentalmente.

- Preciso conhecê-la! - Ficou louca! - Você tem que investigar de forma discreta. Foi para isso que contratei um detetive, se fosse para ser assim, escancarado, eu mesmo faria!

- Ai! - disse entediada, passei a mão direita em minha face, procurando uma forma mais simples de explicar para que ele pudesse entender. Lhe faltava malícia, ele precisaria urgentemente aprender - Sua ingenuidade é um pouco patética - tive que ser sincera - Diga então, que ideia brilhante é essa de conhecer pessoalmente minha esposa - Não a conhecerei apenas por mera formalidade - ele apenas me olhava de forma séria. - Me tornarei a melhor amiga de sua esposa, farei com que ela confie em mim, frequentarei sua casa, vou comer e beber com vocês, em pouco tempo sua filha vai me chamar de "tia" e teremos uma relação maravilhosa. Então, vou descobrir detalhe por detalhe de tudo o que ela pensa que pode esconder. - vi que ele me olhou assustado como se eu fosse criminosa - Se você der bandeira tudo vai por água abaixo! - falou encostando a mão em meu ombro, gesto que não aprecio de um desconhecido - Não seja um menino medroso doutor Sarmento, demonstre um mínimo de coragem. Recuar diante de uma tarefa difícil é atestar fragilidade.

- Bom, vamos encerrar por aqui Madame! - senti uma certa arrogância e uma raivinha em sua voz, se sentia ameaçado com minha presença e tinha medo pelos meus planos - Não use esse nome por aqui, entendeu bem? - fui enfática. - E por falar nisso, Madame! - se atreveu a dizer mais uma vez - Esse tipo de nome se remete a mulheres... - me aproximei rapidamente dele de modo bem reprovativo e logo se calou sem terminar a frase - Não ouse pronunciar tudo o que lhe vem à mente. - dei ênfase ao ouse para que ele não esquecesse. - Não sou dessas. Guarde seus pensamentos vulgares e impróprios para você - estava tão perto dele que pude sentir sua respiração nervosa - eu sei muito bem honrar o que há entre minhas pernas. E o senhor, doutor, sabe honrar o que há entre as suas? - Ele deu um passo para trás e se calou. Sentou em sua poltrona e apoiou sua perna direita na coxa esquerda. Peguei minha bolsa e fui em direção à porta. Puxei a maçaneta e olhei para ele uma última vez antes de sair da sala. Ele estava com a ponta da caneta na boca e franziu de testa de modo que ficou extremamente sexy - Não me subestime Elinór. Não sou tão bobo como você pensa - sorriu maliciosamente - Espero mesmo que não seja! 

Saí e fechei a porta pensativa, está na hora de acompanhar uma certa palestra. Me dirigi até o auditório, que estava bem cheio. Sentei na última cadeira discretamente. Ela estava explicando sobre Melanomas. Era muito linda diga-se de passagem. Seu cabelo curto e degradê demonstra ter muita atitude. Sua linguagem corporal é misteriosa e pensei comigo mesma, como um homem daquele estava sendo traído? Cheguei a três conclusões: primeiro, ele a traiu também. Segundo, ela é só uma puta interessada em ficar mais rica e terceiro, ele deve ser bem ruim de cama. Estava sorrindo sozinha de forma discreta, de canto de boca, penso que tudo isso será incrivelmente excitante.


Notas Finais


Espero que tenham gostado!
OBRIGADA por lerem até aqui😘


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