História (Des)encontro - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Kai, Personagens Originais, Xiumin
Tags Exo, Kai
Visualizações 15
Palavras 2.700
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Capítulo único


Fanfic / Fanfiction (Des)encontro - Capítulo 1 - Capítulo único

No começo era irritante. O som do nome que o mundo inteiro o conhecia dito daquela forma latinizada, ocidentada - a marcação da sílaba tônica logo na primeira letra ao invés da última. Em outros tempos poderia até mesmo ouvir o estalo da língua ao fundo do céu da boca para pronunciar a consoante. Irritante, de revirar os olhos todas as vezes e querendo corrigir, mas ela era mais velha, apenas dois anos que os separavam, e jamais ousaria tal atitude para com alguém mais velho - mesmo que ela escorregasse com frequência no idioma e pedisse ajuda para aprender.

O momento certo ele não sabia. Fora naquele dia em que ele se jogou, cansado, no ensaio geral ao seu pé e ela afundou os dedos em seus cabelos suados sem se importar se aquilo era íntimo demais? Ou teria sido quando a viu, atrás das câmeras do programa, rir dele por aceitar usar a toca de um Pokémon qualquer? Não havia um momento, aquele que fora o separador das águas e que removeu a irritação.

No entanto, em algum instante, era o ciúme. Apesar de não ser um rosto público, ela era rodeada por todos eles: não os amigos, mas aqueles outros amigos famosos que apareciam nos filmes, dirigiam grandes produções heroicas e tinham o nível da intimidade com ela que ele não compreendia exatamente porque eram polos diferentes. Hollywood a tinha como uma das grandes mentes criativas de seu setor, e ela viera se aventurar no meio de uma indústria que não entendia e numa língua que não acertava alguns sons e dizeres.

Só que se lembrava muito bem daquilo.

Foi na brincadeira estúpida que ele próprio já fizera outras tantas vezes. Xiumin, com o palito de chocolate entre dentes, assumiu que ninguém ganharia deles. Com o intuito de uma segunda pessoa morder o máximo possível do palito e deixar apenas um pedacinho preso entre os dentes, ele se colocou na frente dela enquanto a mesma não conseguia controlar o riso.

- Não olha para mim! - Ela pediu, com as bochechas já coradas pela vergonha.

Xiumin riu também, mas pediu para que ela fosse rápida porque o pedacinho em sua boca já estava desmanchando. Quando ela mordeu a primeira porção do palito de chocolate, Kai sentiu a pontada no peito que o fez tirar os olhos daquela cena, por mais inocente que fosse. Era o amigo de olhos fechados mas com as mãos no ombro dela, o modo como ela teve de ficar parada de olhos mirados na boca dele e tentando encontrar um meio de conseguir avançar pelo palito.

Ninguém falava dela. Era o respeito máximo da idade. Nenhum deles trocara uma única vez qualquer palavra acerca da garota do ocidente que chegara ali sob a promessa de fazer crescer, em milhões, o alcance e prestígio da empresa. O grupo, claro, seria secundário, mas os planos eram outros - pelo menos na cabeça dela. Entrevistas para o mundo inteiro através de influenciadores digitais foram o primeiro passo para a batalha quase diária pelas cifras que cada integrante do grupo representava para as grandes marcas mundiais. Claro que o salto não era resultado de uma mente, mas as várias que ela juntou sob sua liderança.

Foi impressionante.

- Tá tudo bem, Kai?

Ela se aproximou dele devagar e apontou para o outro lado do sofá de três lugares e, com um aceno positivo, ele a observou se sentar no lado oposto, dobrando os joelhos para cima do assento.

-Tudo bem.

Os dois começaram a mordiscar o canto do dedo quando a atitude dela o fez respirar de forma mais dificultosa: ela atravessou a distancia dos assentos e se pôs ao seu lado, encarando-o e depois perguntando se ela tinha feito algo de errado.

- Não - e foi quando ela deixou as costas sobre o encosto e pendeu o pescoço para trás.

A reclamação, como ele pontuara e ela rebatera, era de que o amigo que a convidava para tomar café ou simplesmente se recostar no sofá ou em seu colo para um rápido cochilo não estava mais presente. Soara como reclamação na época, mas era a mão estendida pedindo para que voltasse. Ele abaixou a cabeça e quis que os cabelos caíssem sobre seus olhos para que ela não pudesse ver o que estava causando. O incômodo, por não conseguir na época encontrar termo melhor, era muito tangível e visível em seu rosto, que por muito menos se redobrava em sorrisos envergonhados e olhos espremidos para que ninguém pudesse ver. Mas ela era irritante porque não se moveu um único centímetro e passou a encará-lo mais intensamente, e Kai podia sentir as bochechas arderem e pontada no peito aumentar. Uma leve falta de ar como se este estivesse rarefeito.

Kai se levantou rapidamente, passando os dedos pelos cabelos e procurando um lugar para olhar em que ela não estivesse - mas a simples certeza da imagem dela, sentada de joelhos dobrados ainda no acento do meio, parada e olhando para suas costas, o fazia querer se virar e olhar e fitar os olhos tão castanhos e as formas de um rosto que ele nunca achara atraente.

Em sua mente o ideal feminino pertencia a sua cultura, e não àquela distante de um fuso de quase 12 horas. Só que ela era como ele: tímido e envergonhado quando fora dos palcos; provocativo e ardente quando ali em cima, dançando e movimentando o corpo com  a facilidade que anos de prática lhe proporcionaram. Ela erguia o queixo, alinhava impecavelmente as costas e mudava o tom de voz quando era para proteger os interesses deles diante dos patrocinadores ou contratantes; e ali, de meias, moletons e cabelos longos e soltos em formato de mola e uma leve súplica:

- Volta, Kai.

E ele voltou, caminhou até ela e estendeu uma mão. Sobe o choque do contato da mão sobre a sua, Kai ergueu os olhos para os dela, que o olhavam apreensivos, sem piscar, vidrados e curiosos sobre o que fosse que o rosto dele estivesse transmitindo agora. Ajudou-a a ficar de pé diante dele e com a mão livre escorregou os dedos por toda a extensão do cabelo que lhe caía à frente dos ombros, puxando levemente os fios ao chegar na ponta e sorrir minimamente diante do movimento para cima e para baixo que o cacho fez.

Não sabia ao certo como fazer, porque toda a situação fugia um pouco às regras, mas soltou a mão dela e com as duas segurou seu rosto e fintou os olhos castanhos, um pouco mais claros que o seu, uma mistura de marrom e ocre, o cenho infimamente contraído, as olheiras fruto de dias e dias de quebra-cabeças a serem solucionados pelo zelo de seu nome e do atual contratante de seu serviço, o formato da boca, o seu contorno, seu tom rosado meio pálido, a textura que desconhecia... tocou levemente o lábio dela e imaginou se o amigo teria chegado até ali, se Xiumin sabia mais sobre ela que ele.

E por um segundo se lembrou de quando ela contara sobre seu antigo interesse amoroso, um amigo mais velho, de olhos azuis e barba ruiva, famoso por seus personagens. Quem seria ele diante desse cara? Entretanto, fora um pensamento rápido e dissolvido no exato instante em que sentiu a sua boca sobre a dela, em que sentiu todo seu corpo se contrair para mais perto do dela, passando um de seus braços pela cintura e podendo beijá-la ainda mais intensamente; os cabelos cacheados entre seus dedos e toda essa eletricidade viril que percorria seus poros - e nada, absolutamente nada se comparava ao fato dela ter respondido, com as mãos dela - meio geladas como ele bem sabia, como ele bem às vezes as juntava e esquentava em um sopro quente de sua boca, - em seu rosto e com a mesma necessidade em sua boca.

Quando ela se afastou devagar, respirando fundo e sem encará-lo, Kai sentiu medo. Se ela corresse ou desse um tapa em seu rosto, ele nada poderia fazer ou dizer porque sabia ter ultrapassado o limite. Fechou os olhos e quis apenas esperar pela reação dela, mas o medo de vê-la partir era maior e por isso ainda a mantinha sobre seu enlaço. Pôde sentir os deslizar dos dedos dela então pelo seu rosto, a maciez de sua pele escorregar pelo contorno de seu queixo e subir pela linha da têmpora e terminar com a sensação da agora quente mão. Ele esperou por um alerta, ou de que fosse impossível ou de que fosse embora, mas houve mais silêncio e mais a sensação de que era observado - e foi quando sentiu a recém descoberta calidez da boca dela de novo e dessa vez ele não a deixaria se afastar.

E não deixou.

Os olhares furtivos; os sorrisos direcionados a ela em segredo; as danças feitas sob seu olhar atento detrás dos palcos; a necessidade de manter as mãos afastadas nos aeroportos, nos restaurantes, nos eventos; o prazer de aquecer as mãos dela podendo olhá-la de tão perto enquanto o corpo inteiro reagia a simples sensação de prazer rápida que ele proporcionava; o simples prazer de poder observá-la de tão perto quando somente a dois.

A curvatura delgada de sua coluna sob o lençol, todo o perfil de um corpo imperfeito que desenhava a coisa mais linda que ele não se cansava de olhar, nunca - apesar de preferir o delineado sem qualquer pano sobre; a naturalidade com que transitava entre os idiomas e fazia questão de aprender mais um pouco sobre o dele; e ela, sempre ali, vidrada na admiração silenciosa por ele, apreciando tacitamente seu andar, seus movimentos, os sorrisos, a timidez tão oposta à sensualidade da dança, as conversas bobas, as histórias sobre o outro lado do mundo, apresentando ele, aos poucos, aos amigos.

E a cada dia em que estavam juntos, decifrando-se mútua e curiosamente, um dia a menos no futuro para estarem juntos, mútua e reciprocamente - afinal, como eram o boatos antes dela chegar, o tédio no ocidente a trouxe para alguns meses até o oriente sob uma contratação de um período estimado. E esse término estava chegando, e toda vez em que Kai a queria por perto no outro dia, rezava para que ele nunca chegasse.

Apesar da relutância, não conseguia ignorar seus pensamentos quanto a vê-la indo embora, e quanto mais descobria sobre a vida dela anterior a ele mais  pensamentos surgiam quanto o real significado dele para ela; afinal, o que um garoto como ele tinha para oferecer a uma mulher como ela?

Independência era o que ela significava, afinal, sua mente criativa e atenta as nuances das oportunidades lhe renderam cifras cada vez mais crescentes e há muito era visita na casa dos pais no país em que deixara para trás muito nova. Seu poder de influência era maior do que ele e os garotos juntos e tudo isso escondido atrás da preferência irreversível por unicórnios. A mulher do mundo, disseram seus pais uma vez.

O que ela estava fazendo ao permitir que ele se apaixonasse por ela?

E fora exatamente isso que falara naquela noite, enquanto se lembrava de quando se irritava pela pronuncia de seu nome artístico naquela voz e hoje identificava aqueles sons como sendo ela e somente ela, adorando imaginar o estalo de sua língua ao fundo da boca para enfatizar, com força, o k e o i desaparecer na curta duração. Era ela chamando somente a ele.

- Kai...

- Eu não tenho o que te proporcionar. Eu nem tenho como te proteger!

Ele estava de costas para ela, sentado sobre a cama, encarando a parede de punhos cerrados. A impotência que às vezes sentia em sua presença, dentro daquele relacionamento, vinha crescendo há algum tempo. Ela engatinhou até ele e com um toque nas costas nuas o fez se virar e ver os olhos marejados tremerem e, segurando as duas mãos dele entre as suas e segurando a lágrima dentro de si, disse:

- Kai... é o seu amor. E só.

E por Kai sabia ser a única coisa em toda a existência e história da humanidade que somente ele tinha: o amor dele - por ela. Mútuo. Recíproco.

Na última noite dela, ficaram juntos já na tentativa de cessar as saudades futuras e de trancar os medos de esquecer as peculiaridades dos beijos, dos abraços, da maciez e eletricidade de suas peles em contato constante. Kai queria só mais um minuto para decorar exatamente o tanto de marrom e de ocre que havia em cara íris dela antes do último beijo dado não no aeroporto como quisera, mas na porta do hotel que fora sua casa pelos últimos meses.

Ao vê-la entrar no carro preto blindado e suas malas serem guardadas no porta-malas, desejou não ser famoso; desejou não ter um rosto conhecido e que assim pudesse se despedir de forma descente de sua namorada antes de embarcar de voltar para o american dream. Não queria pôr em dúvida a promessa que fizeram - ele não queria começar a duvidar da palavra dela quanto a ir até ele sempre que pudesse, mesmo sabendo que ela não tinha brecha, e tão menos ele.

Falavam-se, viam-se, riam juntos pela tela do celular, pela tela de um computador, pela tela que não o deixava saber se ela estava com frio, se estava arrepiada, se estava cansada - porque quando assim, vinha se aninhando, se enroscando em suas pernas, dedilhando o abdome e se encaixando na curvatura de sua clavícula. O cansaço acabava que ficando de lado por um momento enquanto a intensidade cardíaca aumentava e seus beijos se multiplicavam em outras partes de seus corpos.

A promessa da saudade ficou pequena. Fechava os olhos tentando lembrar da curvatura da boca, dos olhos, das unhas roídas de vez em quando. A promessa da saudade virou alusão ao que era de fato. A água em seus olhos que surgia tão de repente lhe acometia aquele peso sobre o coração, o peso físico que pressionava seu peito para as costas e tornava o ar quase ácido para respirar, doendo as narinas e todo o pulmão.

Foi exatamente quando ele achou que não podia mais amá-la à distância - e lhe doía pensar isso, - que a promessa de uma visita próxima surgiu. E o que era uma visita, virou alguns dias e se estendeu por algumas semanas e o desejo expresso de que não havia mais lugar para ela por lá. Assustado com a declaração, imaginando que a carreira dela fora prejudicada ou por ele ou pelo tempo em que trabalhara com eles, perguntou por que não havia mais espaço.

- Você não está lá, Kai. Você tá aqui - e apontou para ele, sorrindo, e explicando que só havia um único lugar em que ela poderia ficar: ao lado dele, sempre.

Apesar de feliz, ficou intrigado com a possibilidade dela abrir mão do sonho e do trabalho de que tanto gostava por causa dele, que não estava disposto a fazer o mesmo por ela. Será que não a amava da mesma forma? Ela riu, chamando-o de bobo, e contou que o plano principal nunca se alterou, apenas ganhava com o tempo novos nomes.

- Eu sempre quis poder fazer qualquer coisa que eu quisesse.

E ela queria amá-lo presencialmente - enquanto, numa proposta aceita em alguns meses, voltava para a equipe que cuidava do grupo. E depois começou a estudar uma nova língua, e depois decidiu que queria aprender a desenhar mangá e, então, que desenvolveria um projeto de mestrado e que pelo menos decoraria os passo da valsa, caso contrário, contrataria alguém para substituí-la no dia do casamento.

E assim, em meio a alguns desentendimentos culturais, que Kai não precisava mais se preocupar com barbas ruivas e olhos azuis cercando sua futura esposa e tampouco com outros a brincarem com o espeto de chocolate, afinal, não havia mais necessidade. Ele também nunca mais sentiu a dor daquela saudade da incerteza do reencontro e tampouco ligava para as diferenças entre eles e para as experiências mundanas.

Era o . Só o amor dele por ela e o mútuo e o recíproco.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...