História Desiertos - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Suga
Tags Hopega, Yoonseok
Exibições 33
Palavras 1.493
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


- qual foi a última vez que você postou?
- já faz 84 anos

Capítulo 5 - Esta no es una historia de amor.


Depois de alguns dias, Hoseok voltou a aparecer na loja. Sempre com um baseado preso entre os dentes e o olho avermelhado, sentava no meu balcão como se fosse o dono do mundo e me dizia olhando nos meus olhos o quanto gostou de ter me beijado e outras coisas. “O que é estranho,” ele dizia, “porque não me recordo de alguma vez ter beijado alguém e gostado tanto assim.” E parecia ser o seu passatempo favorito me deixar constrangido todas as vezes que ele falava baixinho o quanto havia adorado passar a língua em lugares como…

“Ah, por Deus, Hoseok. Quer parar?”

Hoseok deu uma risada gostosa e levantou as mãos num sinal de rendição. No final das contas, naquela noite, fechei a loja sem ter atendido nenhum cliente sequer. Com tanta tecnologia e internet acessível, acho que coisas como televisores com tubos de imagem se tornavam algo mais ou menos obsoleto. Engraçado como as coisas perdem valor ao longo do tempo, não é? De repente, o jogo de videogame que você tanto amava passou a ficar jogado no canto da sala. Aposto que, daqui a alguns anos, o novo objeto da obsolescência vai ser o próprio convívio social. Daqui a pouco as pessoas vão pagar pra não sentir mais nada, namoros vão desaparecer e o sexo pode até virar uma coisa tão banal que alguns óculos estúpidos com designs futurísticos vão conseguir dar conta do recado.

Uma vez Hoseok me mostrou que sabia tocar guitarra. Foi a primeira vez que vi sua casa e consecutivamente, seu quarto. Ele tinha uma Fender preta, bem bonita. Tocou um bocado de coisas pra mim, a maioria eu nem conhecia. Fiquei observando mesmerizado seus dedos voarem pelas cordas fazendo melodias bonitas e solitárias. Hoseok falou que o cabo estava meio zoado. Pra mim, tudo soava perfeito. Depois, me mostrou seus CDs. Ele fazia coleção. Slayer, Eric Clapton, Pearl Jam, todos esses nomes que fizeram muito sucesso no passado, mas não agora.

Então ele olhava pra mim com um sorriso satisfeito e perguntava se eu estava gostando. E eu dizia que sim, mesmo que não estivesse muito interessado. Fiquei fascinado mesmo foi no jeito que seus dedos delgados deslizavam pelo braço da guitarra. Hoseok sequer usava palheta. Sua unha do polegar dava conta do recado, apesar de ficar um som meio estranho. “Sabe quem mais tocava assim?” Perguntou, os olhos na guitarra. Balancei a cabeça. “Hendrix. O filho da mãe tocava até com os dentes.”

Talvez o lance com Hoseok era que ele não gostava de fazer as coisas do jeito que outras pessoas normais fariam. Por exemplo, ele põe o leite antes do cereal, enrola o baseado e depois põe a ganja dentro, toma banho e depois escova os dentes. Arriscaria dizer que ele era tão confuso quanto aquele filme que ele vivia me falando e que assisti uma vez, pra nunca mais. O bagulho era uma doideira generalizada, esse tal de Donne Darko. Igualzinho ao Jung.

Um vez Hoseok me disse que vida, pra ele, é um bocado de acontecimentos estranhos seguindo uma ordem fodida na linha do tempo. Fiquei um tempão pensando no quanto Hoseok era a porra de um gênio incompreendido. Acho que se ele realmente quisesse e tivesse saco pra isso, talvez conseguisse até dominar o mundo. O cara não era tão bom com as palavras, mas ele mandava bem nas mensagens, entende? Quando ele falou aquilo fiquei uma noite inteira pensando.

“Oy, hombre.” Despertei quando ouvi o estalar de dedos de Hoseok próximo do meu ouvido. “Tá afim de encher a cara?”

Pois é, o negócio com Hoseok é que ele sempre vai te tratar desse jeito, como se a vida fosse uma eterna festa e você fosse o eterno “brother.” Não interessa se já dividiram a mesma cama. E quando você pensar que chegaram ao limite da friendzone, ele vem, exibe um sorriso atraente e matador e comenta o quanto você está adorável nesse moletom cor de café. É desse jeito que Jung Hoseok é. E eu não estava reclamando. Não mesmo. Deus me livre me meter num relacionamento onde a reciprocidade vem em dois dias e recebo um “eu te amo” a cada dois minutos. Pra falar a verdade, nunca nem imaginei como seria se algum dia Hoseok me dissesse algo desse tipo.

E eu falei que sim, por várias razões. Era uma sexta feira, e segundo Hoseok sextas-feiras são o dia-mundial-de-encher-a-cara, assim como sábados e domingos, e até segundas se você fosse alguém ousado. Nessa noite pegamos a última garrafa de tequila da loja de conveniência merreca que tinha perto da minha casa e umas duas carteiras de um cigarro bem escroto, porém barato. O vendedor mascava um chiclete desinteressado lendo umas revistas pornôs. Nunca entendi porque as pessoas liam revistas pornôs enquanto faziam outras coisas como trabalhar. Pensei que revista pornô existisse com o único propósito de te ajudar a bater punheta, mas Hoseok me contou que existiam pessoas que realmente liam as matérias e os textos enormes e tudo mais.

“É sério?” Eu perguntei, pasmo. “E a matéria é tipo, o que, ‘as oito melhores posições para gozar em cima de um sofá?’”

“Algo assim.” sorriu.

Na minha casa, Hoseok me ajudou a cortar os limões. Ajudou entre milhões de aspas, porque uma gota do limão que eu cortava acabou entrando no olho dele e o marmanjo quase chorou de tanta dor. Você vê, Hoseok conseguia matar a porra de uma aranha marrom à chinelada, mas quase chorava de dor quando ia cortar um limão.

“Toma aqui, bebê chorão.” entreguei a ele um lenço pra que ele pudesse enxugar a bagunça que havia feito com todo aquele estardalhaço. Me olhou putasso, o que me fez rir um pouco e consequentemente o deixou ainda mais puto. Virou um shot à seco mesmo, sem sal nem nada. E depois virou outro. “Wow, vai com calma, incrível Hulk. Tá querendo dar PT, é?”

Revirou os olhos pra mim e mandou outro pra dentro. O negócio com Hoseok é que sempre dava pra dizer quando o cara estava um dia ruim. É claro que ele não dizia uma palavra, sua vida pessoal permanecia um tipo de mistério enevoado na minha cabeça, mas depois de algumas doses ele me dizia o quanto odiava viver naquele buraco e o quanto sua mãe teria desgosto se o visse daquele jeito. Deduzi que sua mãe já tinha morrido, ou não se falavam fazia um tempo. Acho que falar sobre sua família e sobre seu passado era algo extremamente vergonhoso/doloroso pra Hoseok. Não sei. Nas raras vezes que acontecia, seu rosto se contorcia numa careta de quem lembra de algo que não gosta nada.

Eu tomei alguns shots naquela noite, também. O suficiente pra soltar umas risadas com mais facilidades todas as vezes que Hoseok enchia meus ouvidos com suas histórias absurdas. Até que uma hora ele parou tudo que estava fazendo e pegou na minha mão. E porra, meu coração acelerou como se eu tivesse acabado de levar um susto. “Você é um cara lega, Yoongi.” ele me disse, os olhos de bêbado semiabertos. Eu ouvia tudo com uma clareza que não sabia que possuía. “Eu realmente quero te beijar agora.”

Então me inclinei mais pra perto, e pude sentir o seu hálito alcoólico que não me incomodou nem um tanto. Fazia um tempo desde que a gente havia chegado tão perto um do outro assim. Eu não vou ser clichê e dizer que um monte de coisa acontecia, e nossos corpos soltavam raios de eletricidade quando estavam um perto do outro, porque eu sabia, bem como Hoseok sabia, que eu só era uma de suas várias escapatórias da realidade. O único momento em que ele abaixava sua máscara de “cara maneiro” e me deixava ver sua alma completamente nua, e tocá-la em todas as suas nuances. E eu estava ok com isso. Estava mesmo. Eu nunca planejei um futuro em que Hoseok estivesse dentro como “meu namorado”. Porra, só pensar nisso já era engraçado e patético o suficiente. Hoseok era livre, e não se prendia a canto nenhum. Muito menos a mim.

E como eu disse, eu estava ok com isso. Sua companhia era boa, seus beijos e toques eram ainda melhores. E eu estava apaixonado. Porque era impossível alguém conhecê-lo e não se apaixonar por aquele malandro. Era o conjunto da obra que lhe deixava tão atraente daquele jeito. Porque Hoseok era inesquecível de várias formas, mas não permanente. Não se espera que um pássaro fique feliz dentro de uma gaiola, então Hoseok andava por ai, feito bicho solto, entre um canto e outro, e era desse jeito que eu me lembraria dele sempre. Andando de um jeito estranho, com um baseado aceso entre os dentes, gritando em um espanhol fluente que “odiava aqueles filhos da puta.”

E eu não faria ideia do que ele queria dizer. Mas estaria tudo bem. Ele me daria um beijo, e eu esqueceria de tudo.


 

 



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