História Desire - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga
Tags Monjin, Namjin
Exibições 223
Palavras 7.963
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Festa, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Aeeee genteee! Já voltei com cap novo porque amo muito vocês, seus lindos! Então, quero pedir perdão se chegar um momento que a escrita parecer muito monótona ou cansativa, eu nunca fiz capítulos tão grandes e isso me deixa realmente insegura ;-; é só isso msm
Boa leitura!

Capítulo 2 - Sobre discussões e dignidade


Acordei com a claridade da luz contra meus olhos; sentia os fortes feixes baterem contra minhas pálpebras, incomodando meu sono. 

Resmunguei algo completamente desconcertado, levando uma das mãos aos meus olhos e os coçando ainda sem abri-los realmente, meu corpo estava exausto, cada marca presente nele me fazia sentir um enorme sentimento de culpa; outra vez culpa por ter transado com Kim Namjoon. 

A situação em que eu estava de fato era complicada, não que eu tivesse escolhido trabalhar pra ele dessa forma, vendendo meu próprio corpo por dinheiro, mas foi a última opção que me restou após meses de procura. 

Ah, eu só queria ter um trabalho... Melhor. 

Em absolutamente todas as vezes em três meses que eu fazia sexo com Namjoon, esse sentimento incômodo me assolava drasticamente; nós só devíamos ter feito duas vezes em sua sala de escritório, porém, não era seu lugar preferido, e eu agradecia muito por isso, porque... Bem, foi ali que eu perdi minha virgindade.

Sim, Namjoon tirou minha virgindade, ele foi o primeiro e até hoje eu me sinto um lixo ao pensar nesse assunto; ele pode até ter tentado ser cuidadoso, porém o loiro não sabia que eu era virgem, e eu tive que engolir as lágrimas quando o senti se afundar de uma vez em mim, segurando a sensação de ter algo quebrado em meu interior. 

Saí rapidamente de meus pensamentos ao escutar algo como o barulho da porta abrindo-se e logo em seguida fechando, abri os olhos minimamente confirmando minha dedução, estava mesmo no escritório dele, provavelmente num sofá ao canto da sala desconfortável demais para se dormir - ao menos quando se está com dor por todo o corpo. 

Fui começando a me movimentar aos poucos, meus olhos abriam-se lentamente, meus músculos estralavam conforme a movimentação se tornava mais recente, senti um feixe de vento relativamente leve em minha pele e encolhi-me com frio.

Ah, é... Eu estava nú. 

- É melhor se levantar logo. - a voz de timbre grosso e sério ecoou por meus ouvidos e por toda a sala - enorme -, me fazendo ter arrepios; diante de sua ordem, eu apenas assenti meio atordoado, erguendo-me pelos braços no pequeno sofá e me sentando, e... Caralho, não era ele quem disse que ia ser "com carinho"? Mas que porra de dor é essa? 

Me saí bem no quesito " disfarçar dor", mascarando minha expressão dolorosa com uma mordida forte no inferior. 

Namjoon estava de costas pra mim, ele arrumava alguns papéis em cima de sua mesa, eu podia ver que já estava devidamente vestido, com sua camiseta social bem ajustada em seu corpo. 

Girei a cabeça de um lado para o outro, em toda a sala procurando com o olhar minhas peças de roupa; encontrei-as num canto mais escondido dali, então tomei impulso para me levantar, mesmo que a dor estivesse bastante incomoda naquela parte. 

Meus passos foram calmos por conta do receio de me machucar ainda mais, minha box estava no topo do "montinho de roupas", peguei-a e a vesti rápido até demais, estar nú na frente do maior me deixa amuado, envergonhado; ok, eu sei que não deveria, afinal, ele já tocou em cada parte do meu corpo, mas eu não sei bem que tipo de sentimento é esse, só sinto receio em permanecer dessa forma com o seu olhar pesando sobre mim.

Quando enfim ia puxar a calça para vestir, ouvi novamente sua voz rouca se manifestar e parei, olhando para meus próprios pés. 

- Vamos pra minha casa. - disse simples, sem ao menos me olhar; arqueei minhas sombrancelhas claramente desaprovando a idéia. Pra que porras ele queria que eu fosse em sua casa? 

- Pra quê? - ousei perguntar num lapso repentino de coragem; Namjoon somente riu baixo e irônico e debochado, suas mãos fortes arrumando os papéis de maneira impecável, enfileirando-os como estavam antes de nós... Fazermos em cima da mesa.

- O que você acha? - eu juro que senti a maldita saliva emperrar ao meio de minha garganta, provocando uma tossida seca; Ele

... Mas... O que?!

- V-você q-quer... - merda, merda, merda, Seokjin! Para de gaguejar! 

O loiro enfim me olhou pelo canto do olho, assentindo como se soubesse o que eu queria dizer - e sabia mesmo -; até aí eu já nem me encontrava mais com a calça em mãos, como assim...? Já estou suficientemente dolorido, não? Não sei se aguentaria uma segunda rodada. 

Será que esse imbecil não pensa não? 

E-eu... - suspirei. - N-não dá, Namjoon... Eu... Eu não posso transar com você mais uma vez hoje... - balbuciei baixo, ainda fitando meus próprios pés; aquilo era tão vergonhoso, tão constrangedor, eu estava sendo obrigado a negar à ele o meu corpo porque estava dolorido demais em consequência de já te-lo feito mais cedo. 

Que tipo de pessoa eu me tornei?

- Seokjin... - apertei meus olhos de imediato ao sentir seu tom vibrar em mim, transmitindo uma onda estranha em meu peito; eu não disse nada. 

Namjoon suspirou, para então arrastar seus pés até aonde eu estava, ficando frente à frente à mim; meu olhar não encontrou o seu, afinal, não queria olha-lo, olhar pro homem que comprava o meu corpo, pro único homem que me tocava. 

- Olhe pra mim, Seokjin, eu odeio quando você começa a se comportar dessa forma... - dois de seus dedos moveram-se e erguram meu queixo calmamente, me fazendo olha-lo diretamente. - Por que não quer transar comigo de novo? Eu fui carinhoso dessa vez, não deve estar doendo tanto... - eu quis rir, ah se quis. "Fui carinhoso", que tipo de carinho é esse? Mas que merda, Kim Namjoon. 

- E-eu... Não posso, Namjoon... - insisti mesmo com a voz minimamente trêmula devido à sua aproximação, tentei me desvencilhar de sí, mas o loiro apertou uma das mãos em minha cintura, me mantendo imóvel ali. Acabei por soltar um gemido baixo de dor, minha pele ainda estava marcada e sensível e intensamente dolorida. 

- Por que não, Seokjin? - brandou num timbre mais grosso e intimidador que o normal. Deus sabe como eu queria morrer naquele exato momento, porém... Eu não poderia. Namjoon era tão idiota assim? Será que era difícil entender a minha situação? Ah, claro, porque pra ele não interessa, eu sou apenas mais um funcionário

- Porque eu... Eu estou dolorido, Namjoon, não quero fazer de novo... - respondi baixinho apertando meus dedos em meio à uma nova tentativa de me livrar de seu toque. 

- Você sabe que esse é o seu trabalho, não sabe? - aquilo foi como um soco; um soco em toda a razão que eu tinha ao meu lado naquele instante, eu sempre soube da fama egoísta e cafajeste do grande empresário Kim Namjoon, no entanto, aquelas palavras conseguiram me paralisar; ele... Ele realmente achava que eu o daria sexo a qualquer hora, não importa o lugar, não importa a hora, não importa o meu bem-estar, tudo o que importa é a sua maldita vontade, mais nada. 

Eu era apenas um objeto.

Nesse momento, virei meu rosto tão bruscamente para o lado, que de imediato suas mãos largaram meu queixo; ainda tive a visão de seu semblante surpreso pelo canto do olho, o que não me afetou em nada. Ah, qual é, como uma pessoa pode ser tão cínica? 

- Eu estou com dores, Namjoon, não vou transar com você... Eu sou um ser humano, sabia? - em situações normais, eu jamais ousaria enfrentar Namjoon desse modo, sabia o quanto ele odiava quando o contrariavam, mas... Quem eu queria enganar? Já estava farto disso, farto de ser tratado como um objeto, algo sem valor, talvez fosse ser despedido depois disso tudo, no entanto... Foda-se, não vou posso mais fazer isso. 

- Como? 

- Eu não vou transar com você. - cuspi ríspido e vi quando seu olhar deixou uma faísca nítida de raiva brilhar nas orbes. O loiro agarrou meu rosto outra vez, agora pressionando as bochechas de maneira um tanto rude. - Me larga.

- Quem você pensa que é pra negar alguma coisa à mim? Hm? - ele pressionou ainda mais minha pele, quase a ponto de machuca-la. 

- Me larga, merda! 

- O que está fazendo, Seokjin? - riu sarcástico. - Acha mesmo que uma puta feito você pode me contrariar? Hein? Você esqueceu quem paga o seu salário? Esqueceu a quem você deve o apartamento que tem hoje? Eu preciso mesmo te lembrar de como você estava gemendo à duas horas atrás em cima da minha mesa? - o sorriso sarcástico era maior agora, o Kim me preenssou contra a parede com uma força desnecessária, fazendo-me resmungar baixo por isso. 

Aquilo era sem dúvidas sufocante, meu peito doía, doía porque eu estava ciente de que, infelizmente, esse idiota tinha razão... Eu... Eu me tornei de fato uma puta, vendendo o meu corpo por dinheiro. 

- Não vai dizer nada, Seokjin? - o desgraçado subiu seu rosto até que estivesse à altura da minha orelha, sussurrando com uma voz incrivelmente intimidadora, tanto que eu até mesmo sentia vontade de chorar, desabar ali. - Está testando minha paciência, não é? A putinha tomou coragem? Cadê a sua coragem agora, hein? 

- P-para... - balbuciei falho, posicionando minhas mãos em seu peitoral, sem de fato conseguir afasta-lo.

De jeito nenhum, eu não podia chorar na frente dele. 

- Por que? A princesinha não aguenta? Não quis me enfrentar? Por que está fugindo agora?... - eu via cada palavra como um verdadeiro peso pra mim; porra, isso dói. - Se ponha no seu lugar, você não é nada pra mim... É só o corpinho que eu escolhi pagar pra foder, eu sou o único que encosta nesse corpo, sou o único que faz você gemer alto como uma verdadeira vadia. - esse foi o estopim pra mim, o limite do que a minha dignidade - mesmo que drasticamente reduzida - se ferisse à ponto de levantar a mão pra ele, levantar a mão para Kim Namjoon e desferir-lhe um tapa forte, suficiente para que seu rosto recebesse o impacto e este ecoasse por toda a sala.

Eu sabia que por ali tudo já estaria acabado, eu estava despedido, e por algum motivo, me sentia aliviado por isso; não esperei muito, tirei sua mão pesada de mim e terminei o processo de me vestir apressadamente, me afastei de seu corpo alto e em nenhuma momento ouvi sua voz dizer mais alguma coisa, somente permanecia de cabeça baixa, enquanto eu tentava com todas as forças  presente em meu corpo segurar o choro. 

- Arranje outra putinha, Namjoon... - cuspi frio, o ar tenso me deixando quase sem fôlego; agarrei minha mochila próxima à porta e coloquei a alça em um de meus ombros. - Eu estou fora. Adeus. - e simplesmente fechei a única passagem que me permitia ve-lo, ver o homem frio e imbecil. 

Ver o meu ex-chefe. 


...

A primeira coisa que fiz assim pisei o pé dentro do meu apartamento, foi bater a porta com força, deslizando por ela até sentir o chão gelado em contato com minha pele; merda, merda, merda, e agora? Como seriam as coisas daqui pra frente? Eu não posso me permitir ficar sem emprego por muito tempo, não dá. 

Meus olhos começaram a marejar instantaneamente, encostei minha cabeça na madeira da porta e suspirei tentando conter o choro que com certeza viria; por que tudo tinha que dar errado pra mim? Logo agora que estava começando à achar que Namjoon e eu poderíamos cultivar ao menos uma amizade, esse imbecil vem e diz aquelas coisas. 

Humpt... É claro, alguém como ele nunca iria querer ter algum laço afetivo com alguém como eu. 

Nem preciso dizer que falhei no quesito "segurar lágrimas", não é? Pois é, eu falhei, e falhei feio, já que em menos de dois minutos meu rosto já estava completamente encharcado. 

Eu nem ao menos havia me preocupado em acender as luzes da sala, o apartamento continuou num verdadeiro breu até o momento em que fui tirado de meu rio de lágrimas infinitas por um barulho baixo junto de uma vozinha meiga e sonolenta. 

- Jinnie chegou? - perguntou. Ouvi seus pezinhos se apressarem da forma que podiam sem fazer muito barulho - deveria estar com suas pantufas de coelhinho. 

- Eu estou aqui, bebê. - respondi forçando uma voz normal, limpando rapidamente minhas lágrimas. 

- Bebê 'num sabe... - soltei uma pequena risada ao escuta-lo, esse garoto é a única criatura que consegue me fazer sorrir nesses momentos. 

- Na porta, bebê... - indiquei divertido e logo, seus passos se aproximaram de mim muito rápido, tão rápido que o pequeno acabou por tropeçar a cair em cima de mim. - Jimin... - balbuciei em desaprovação, eu já havia dito pra ele parar com essa mania de correr, não tinha porque ter pressa, além do que uma criança de três anos e meio não cordena muito bem os movimentos ainda. 

- 'Tá escuro, bebê não enxerga... - ele tentou se defender e mesmo em meio à escuridão, pude perceber um biquinho em seus lábios cheinhos junto de orbes grandes e escuras e redondas. 

Neguei com cabeça sorrindo outra vez antes de esticar o braço e acender a luz, observando o garotinho de bochechas gordinhas e fofas à minha frente piscar, abrindo o sorriso mais bonito que eu já vi, levando as mãos rechonchudas aos meus ombros e as apoiando ali. 

Jimin parecia uma bolinha, era gordinho e adorável, mas não um gordinho do tipo "acima do peso", e sim um que possuía a famosa gordurinha de bebê. 

- Jin hyung, o titio Jungkook já foi embora, bebê acordou assustado quando não viu ele aqui... O que aconteceu, hyung? Por que bebê ficou sozinho? - engoli à seco; é claro, Jungkook havia ido embora porque já deveria ter dado o horário dele - afinal ele tinha que cuidar de sua mãe idosa também -, e como eu demorei hoje por conta do pequeno probleminha que tive, ele deve ter achado melhor ir embora já que Jimin possuía um sono pesado, ou seja, raramente acordava à noite como ocorreu hoje. 

- Não se preocupe, bebê, Jungkook teve que ir embora, hm? Mas o hyung está aqui agora, e você... - cutuquei sua barriguinha o fazendo sorrir numa gargalhada gostosa de bebê. - Você tem que ir dormir, mocinho. 

- Nha, Jin chato... - retrucou com as bochechas infladas e os bracinhos cruzados acima do peito coberto pelo pijama azul de dinossauro. 

- O que você disse? Você quer que eu cutuque você, hm? - voltei a mexer em sua barriga agora lhe fazendo cócegas, presenciando seu pequeno corpo aquear enquanto ele se acabava de rir. 

Devo admitir, Jimin era o motivo mais significativo pelo qual eu ainda não havia desistido de tudo, aquele garoto era a minha vida, eu o amava muito, e inclusive, prometi pros meus pais no dia em que os vi naquela cama de hospital pela última vez que eu cuidaria do meu irmãozinho com todo o amor e carinho. 

Jiminnie continou rindo alto com minhas cócegas, eu sinceramente não ligava pras vizinhas chatas que reclamavam de qualquer barulho, mas aquela criança de fato precisava dormir, afinal, já estava tarde; uma da manhã pra ser mais exato. 

- Bebê... - toquei seu rostinho vermelho e delicado e macio penteando seus cabelos lisinhos com meus dedos. - Vamos dormir agora, hm? O hyung está cansado. - o menor piscou os olhinhos e em seguida assentiu com um manear preguiçoso de cabeça, sua mão puxou a chupeta - que por sinal eu nem havia visto com ele -, para seus pequenos lábios para então erguer os bracinhos gordos e curtos em minha direção. 

Levantei-me com o meu menino já no colo, pelo modo como estava todo esparramado em meu ombro, não demoraria muito pra adormecer novamente. Adentrei o seu quarto com cautela prevenindo uma queda em decorrência de algum brinquedo perdido pelo chão - Jimin amava fazer isso, espalhar brinquedos era o seu hobby - seguindo direto até sua cama e o deitando delicadamente lá; embrulhei seu corpinho com o edredom azul e quando vi seus olhinhos quase fechando-se, fiz menção de sair, afinal, já estava quase dormindo, no entanto, senti um toque fraco em meu pulso, fazendo-me olhar pra trás e ter a visão de um bebê todo embrulhadinho, os olhos à ponto de fecharem.

- Canta música pro bebê... - balbuciou sonolento; mostrei um sorriso curto ao meu pequeno e sentei-me à beira de sua cama, cantei uma canção qualquer de ninar que aprendi com meus tios e então com isso, Jimin adormeceu em poucos minutos. 

Esboçei um pequeno sorriso satisfeito e antes de me retirar, beijei sua testa carinhosamente. 

Suspirei, minha mente continuava - obviamente - drasticamente caótica e turbulenta, tudo acontecera tão rápido, acho que eu precisava de uma boa noite de sono, só isso, o resto eu resolvia amanhã, inclusive o mais novo assunto de arranjar um emprego o mais rápido possível, porque com uma criança pequena para sustentar eu tenho que fazer isso rápido, não que Jimin fosse do tipo de criança mimada, o fato é que os gastos que eu tinha com ele eram os básicos, básicos que saiam caro. 

Assim que cruzei o corredor extenso, passei a me despir para tomar um banho na intenção de relaxar e ir dormir depois, o dia seria longo amanhã. 

Pov Seokjin off

Pov Namjoon on

Meus olhos piscaram algumas vezes quando Seokjin deixou minha sala com um estrondo barulhento da porta; acho que parte da minha mente permaneceu paralisada por um tempo, eu ainda sentia o tapa que ele me dera quente em minha bochecha, mas... Ele se demitiu? É isso mesmo? Esse infeliz teve a coragem de me enfrentar? 

Respirei pesado, cerrando meus punhos com força; num lapso de raiva, atirei rapidamente o vaso presente em cima de minha mesa, joguei mais objetos também, tais como tesouras, canetas, até mesmo documentos. 

Merda! Quem ele pensa que é pra me rejeitar desde jeito?! 

Joguei um por um, até que nada mais estivesse sobre a superfície de vidro, meu sangue queimava, minhas veias estavam saltadas, sentia o calor incômodo subir por cada região do meu corpo, mas que porra! 

Estava ofegante, meus olhos ardiam, acredito que justamente por consequência da raiva, acho que naquele estado era bem capaz de matar alguém facilmente. 

Me vi deslizando uma das mãos pelos fios louros, sentando-me em meio a um suspiro cansado e frustrado; me encontrava nervoso, mas sequer sabia o porque, Seokjin havia ido embora, e eu poderia achar outro pra me satisfazer... Certo? 

Sim, eu podia, mas... Por que eu me sentia desse jeito? 

Dei de ombros, acho que mais como um ato para quebrar toda aquela tensão e todo o caos presente em minha cabeça, o que pouco adiantou, já que continuava com uma estranha sensação de ter perdido algo. Um grunhido irritado me escapou, levantei-me e arrumei minhas coisas para ir embora, pouco me importava com a bagunça que o meu escritório ficou, minha cabeça doía intensamente, só desejava um banho e uma boa noite de sono, talvez amanhã começasse a procurar um novo empregado, por hoje apenas queria descansar e esquecer da existência de Kim Seokjin. 

Eu não me importo com ele, não me importo. 

...


Arremessei as chaves do carro em cima do balcão da cozinha assim que tranquei a porta da frente; joguei meu terno em qualquer lugar da sala, logo em seguida atirando também a camisa social, os sapatos e por último, a calça. Eu odiava ter que usar roupas sociais, tudo bem que já deveria ter me acostumado, porém isso de torna ainda mais incômodo e menos divertido quando se passa quase meia hora tentando fazer o nó da gravata e não tem ninguém que te ajude; não que esteja reclamando sobre não ter alguém realmente ao meu lado, eu sou um homem sozinho, e vivo bem desse jeito. 

Subi as escadas lentamente, fui até o banheiro e retirei minha última peça de roupa, vulgo a cueca; coloquei a banheira pra encher e me virei em direção ao espelho, olhando meu reflexo através dele. 

Meu rosto aparentava estar claramente abatido, algumas olheiras estavam estacionadas abaixo de meus olhos em decorrência de noites em claro realizando trabalhos para a empresa; isso tudo era ruim, no entanto, o que de fato roubou minha atenção foi uma marca fraca mas perceptível localizada em meu maxilar, apenas uma. 

Seokjin raramente deixava marcas por minha pele, somente quando eu pegava muito pesado consigo. Será que havia mesmo exagerado dessa vez? 

Neguei rapidamente ao pensar nessa hipótese, eu fui carinhoso e paciente até demais com ele hoje, além disso era seu trabalho, não importa se fui muito agressivo ou não. 

Desliguei a banheira quando a mesma já estava cheia, quase transbordando, na verdade; a água quente e agradável e relaxante tocou minha pele me fazendo gemer em satisfação, isso era tudo o que eu precisava. 

Recostei o peso de minha cabeça na cerâmica deixando com que toda a tensão em meu corpo se esvaisse, aproveitando meu banho o máximo possível; à todo momento tentava dispersar os eventuais pensamentos sobre Seokjin, não queria pensar sobre como aquele garoto me deixou à beira de um lapso de raiva. 

Quando enfim terminei meu banho, puxei a toalha pendurada próxima a mim e com ela envolvi minha cintura, o vento frio batia contra minha pele me causando arrepios contínuos, tanto que segui quase correndo para meu quarto; vesti uma box escura assim que terminei de me secar junto de uma calça moletom, não me importei em vestir alguma camiseta,  não costumava usar mais que isso estando em casa. 

Desci as escadas outra vez e quase me surpreendi ao ver que já ia dar duas da manhã, provavelmente não havia mais como pedir pizza ou qualquer outro tipo de comida à essa hora, então eu teria que cozinhar. 

Mesmo com medo de fazer alguma merda e estragar tudo, escolhi que faria kimchi;

Bem... Depois de mais ou menos uma hora, parte do meu fogão sujo e minha calça completamente manchada, consegui terminar a minha querida refeição, que por sinal nem ficou tão bom assim, mas tudo bem, bem melhor do que passar fome. 

Lentamente me levantei da cadeira em que me encontrava sentado e deixei o prato dentro da pia pra lavar amanhã - sim, eu sei lavar a louça. 

Duas e meia; suspirei, estava ainda mais tarde agora, e era pouco provável que eu conseguisse dormir no estado de nervos em que me encontro. Tudo o que fiz diante desse fato, foi dar de ombros e subir outra vez para meu quarto, meu corpo estava cansado, pedia por uma boa noite de sono, porém minha mente, ao contrário disso, se encontrava totalmente congestionada por idéias inoportunas demais; merda, podia soar pervertido e ninfomaníaco, mas eu não conseguia parar de pensar sobre ter que contratar outra pessoa pra me satisfazer. Eu não sei bem o motivo, mas Seokjin era tão... Bom, ele sempre foi tão submisso e transar consigo, tomar o seu corpo pra mim era extremamente prazeroso, estranhamente, um prazer que eu nunca sequer havia experimentado antes. 

Eu só sentia isso com ele. 

Soquei o travesseiro acompanhado de um rugido ao notar novamente aonde meus pensamentos estavam me levando. Merda, foda-se se não estou com sono, preciso esquecer que esse garoto existe.

Ele não é e nunca vai ser nada pra mim. Ele é só um brinquedo. Nada mais. 






...


Pov Namjoon off

Pov narrador on

Seokjin jurava que um caminhão havia o atropelado, estraçalhado, na verdade; naquela manhã despertou tão quebrado e cansado - tanto fisicamente quanto mentalmente -, que só se lembrava de ter ficado daquele modo tão deplorável na primeira vez que ficou bêbado. 

O vapor do café em sua xícara esquentava as maçãs de seu rosto e o deixava levemente corado, era terça feira e Jimin fora levado pra creche por Jungkook que estranhou o fato do mais velho estar em casa em plena dez da manhã e não na empresa, no entanto apenas saiu levando o mais novo avisando que quando voltasse com certeza iria querer explicações sobre o que aconteceu. 

Jeon era uma espécie de babá de Jimin, além de ser melhor amigo de Jin, era um jovem bonito, responsável, esforçado, seu sorriso de coelho encantava à qualquer um, o que o ajudava no quesito de ter uma boa relação com crianças. 

O castanho soprou o líquido escuro dentro de seu copo virando o último gole em  seguida, sentindo o café descer quente por sua garganta; suspirou languidamente e deixou a xícara em cima da mesa, passando a fita-la com atenção. As palavras de Namjoon ainda rondavam sua cabeça com pequenos replays e seu coração se apertava ao analisar que talvez, tudo aquilo fosse realmente verdade, ele era só uma puta vendendo seu corpo porque não tivera a paciência de procurar um emprego melhor. 

Apertou as unhas contra a palma quando suas mãos formaram punhos, estava com raiva, queria dispersar aqueles pensamentos mas quanto mais tentava mais eles lhe atormentavam de uma forma perturbadora demais para a pessoa sensível que era; num movimento desesperado, apertou os dedos contra os cabelos puxando-os duramente. Merda, só queria não pensar naquilo.

E quando se deu conta, seus pequenos olhos estavam embaçados, as lágrimas eram tão fortes e grossas que mal teve a chance de impedi-las de descer e logo já formavam uma pequena, porém, notória poça na madeira escura da mesa.

Mal tinha forças para impedir-se de chorar, os soluços escorregavam de sua garganta livremente e isso o desesperava ainda mais.

- M-merda... Ele... Ele tem razão... E-eu sou só uma puta, nada mais... - seu coração apertou-se dolorosamente em seu peito e seus olhos arderam mais ainda, expulsando mais e mais lágrimas; na verdade, aquilo se tornou tão intenso, que mal notou quando Jungkook entrou pela porta da frente, se assustando ao ver o estado de seu hyung, correu até o mais velho e tocou suas mãos bem presas ao couro cabeludo, as tirando dali.

- Hyung! Jin hyung, o que houve? - o garoto não recebeu respostas, somente um abraço apertado do outro; se assustou um pouco com o ato repentino mas logo o abraçou de volta na mesma intensidade, odiava ver Jin chorar, mesmo sem saber o motivo para tal. 

- E-eu sou um inútil, Jungkook, não faço nada direto... Sou só uma puta... - Seokjin falava tudo aquilo com o pesar dos soluços na voz; automaticamente, ao ouvir aquilo, o mais novo apertou seus braços ao redor do corpo pouco mais alto que o seu. Jeon sabia de tudo sobre a profissão aderida pelo Kim, não concordava, é claro, mas quem pode mudar a cabeça de Seok quando uma idéia já está fixa? Pois bem, ninguém; já até tentara arranjar algum emprego para Jin, mas este nunca aceitava porque na maioria das vezes, não pagava tão bem assim, e ele presava unicamente pelo conforto de Jimin, sempre, desde que aquela criança nascera e seus pais morreram.

Jungkook não era bobo, Namjoon deveria ter feito algo, sentia isso. 

- Hyung, por favor, se acalme, vai ficar tudo bem, sim? - dizia calmamente de forma terna, sua mão pálida acariciava as costas largas do maior, claro que não sabia exatamente o que havia acontecido, mas pensava que primeiro seria melhor acalmar o outro para depois conversar. 

Foram minutos excruciantes em que Seokjin chorou no ombro do amigo, demorou para conseguir largar de Jungkook, e ao final, sentaram-se lado a lado no sofá. 

Jin tinha seus olhos fixos nas próprias mãos avermelhadas e marcadas pelas unhas, respirava pesadamente, fungando às vezes; Jeon suspirou ao ver aquela cena. 

- Jin hyung... O que houve? - perguntou direto, não havia tempo para enrolações ou rodeios em relação à um assunto tão sério. 

- Eu... - respirou fundo, tentando achar as palavras corretas; merda, aquilo doía tanto. - Jungkook, eu fui demitido. - soltou num único e rápido lapso. 

Kook o olhou confuso e surpreso. Como assim Namjoon o demitira? 

- Como? 

- Eu fui demitido, Jungkook... Ou melhor, eu me demiti. - a voz do hyung era fraca, estava acabado, verdadeiramente acabado. 

- O que? Como isso aconteceu? 

- Eu só... Cansei de ser usado, ele realmente me tratava como um mero brinquedo, como se eu não tivesse sentimentos. Dessa última vez eu explodi, porque ele queria me obrigar à transar mesmo estando dolorido e... - novamente o choro ameaçava vir ao se lembrar de tudo, todas as palavras uma a uma, duras, frias e insensíveis. - Jungkook, ele disse tudo aquilo pra mim, disse que eu era uma puta, que eu era uma vadia, que ele pagava pra me foder, ele... Merda, Kookie, ele tem razão, e-eu não presto pra nada mesmo... - o castanho não pôde reprimir uma segunda vez que o choro lhe tomasse fortemente, não tinha a mínima idéia do porque aquelas palavras doíam tanto, afinal, elas eram fortes mas Jin, por mais sensível que fosse, não se deixaria desabar tão facilmente. 

Talvez se viesse de outra pessoa que não fosse Namjoon não doesse tanto. 

- Hyung... - Jungkook envolveu o outro em seus braços outra vez, colocando sua cabeça em seu colo confortavelmente. - Não chora, não ligue pro que aquele imbecil diz, ele não tem razão. Você é uma ótima pessoa, hyung, tudo em você é bonito e eu  admiro muito os seus esforços para cuidar do Jimin da melhor forma possível. - Jeon mexeu entre os fios castanhos de Jin, virando o rosto para que pudesse encara-lo. - Então não fique assim, eu vou te ajudar à arranjar um novo emprego, sim? E você não vai mais chorar, tudo bem? - Kook abriu um sorriso, aquele típico sorriso de coelho enquanto sentia-se ser abraçado fortemente pelo mais velho. 

- Obrigado, Kookie. Eu não sei o que seria de mim sem você. - o garoto apenas continuou ali, abraçado com ele por um longo período de tempo até que as coisas se acalmassem. 

Acariciava os fios de seu hyung com carinho enquanto o mesmo recostava a cabeça sobre seu ombro.

- Hyung... Melhora essa cara, vamos. - o mais novo deu leves tapinhas na perna do castanho que o olhou confuso com a ação repentina. - Nós vamos sair, vamos até uma cafeteria de uma amigo meu, ele está contratando, e acho que você seria uma boa opção. 

- Mas Kook, eu-

- Você nada, vamos logo, se arrume... Eu não vou deixar aquele idiota do Namjoon pisar em você desse jeito. Não mesmo. 



...


Seokjin se viu completamente amuado e mais tímido que o normal quando entrou no estabelecimento de cores harmoniosas e agradáveis; ali, naturalmente, exalava um odor delicioso de café pelo ambiente, algumas mesas eram dispostas ao lado de fora, porém a maioria era localizada ao lado de dentro, onde alguns executivos e casais permaneciam conversando e comendo algo. 

Suas mãos suavam, não sabia bem o porque disso mas sentia-se com medo de que algo desse errado e novamente tivesse que recorrer à recursos desagradáveis como foi da última vez; era fato, as coisas davam tanto errado em sua vida, que não se surpreenderia se o tal amigo de Jungkook não o quisesse contratar.

- Aish, hyung, vamos, entre logo... - Jeon teve que empurra-lo para dentro totalmente, o que atraiu alguns olhares curiosos e sérios para sí; o Kim abaixou a cabeça e andou atrás do garoto mais jovem. Por que aquele sentimento de inferioridade tão irracional estava o assolando tanto naquele momento? 

Os dois andaram até o caixa, Kook trocou breves palavras com a moça de cabelos curtos e louros que estava ali logo em seguida adentrando a porta dos fundos, deixando um Jin confuso e nervoso pra trás. 

O castanho continuava com o semblante baixo, os dedos embrenhavam-se um ao outro de forma adorável aos olhos alheios, embora tudo o que sentisse fosse - ainda - um enorme sentimento de incapacidade. 

- Hey, garoto. - escutou uma voz feminina e calma chamar-lhe; levantou os olhos para ver quem era e notou ser a mesma loira sorridente do caixa, ela tinha a feição simpática e gentil ao mesmo tempo em que limpava o balcão. - Está tudo bem? 

- Ér... E-eu estou esperando o Jungkook voltar. - balbuciou extremamente envergonhado. A moça riu. 

- Nossa, você está corando, que fofo... - disse animada - até demais. - Bem, acho que o Jeon vai demorar um pouco com o Yoongi lá dentro então... O que acha de tomar um café? Você parece triste.

- Não, não precisa eu-

- Ora, vamos, não tenha vergonha, é por conta da casa. - no final, acabou que a mulher era tão insistente, que Seok somente aceitou sua proposta sobre tomar um café para passar o tempo, ele se escorou na parede esperando que ela terminasse seu capuccino mantendo intacto seu estado de timidez. 

- Aqui... - estendeu-lhe o copo plástico nas cores creme e marrom com um sorriso no rosto. Jin pegou-o se curvando em agradecimento, olhava fixamente para o chão, pensando que iria matar Jungkook por deixa-lo sozinho daquele modo - mesmo que não se lembrasse de ser tão tímido quanto estava demonstrando ser.  - Aliás, se precisar de mim, meu nome é Sun Jung. 

- Oh, sim... Seokjin, Kim Seokjin. 

- É um prazer. - a loira se curvou num cumprimento e logo saiu em direção ao caixa novamente quando percebeu haver gente ali. 

Jin se concentrou em seu café; suas mãos pálidas envolviam o copo sentindo a temperatura quente ser passada para sua pele. Jungkook estava demorando e isso o deixava à cada minuto mais atônito. 

Exatamente quando terminou de beber o líquido, viu a porta dos fundos na qual o garoto havia entrado antes se abrir e por ela, um homem pálido, de cabelos negros e feições suaves sair junto do mais novo. 

Eles se aproximaram conversando entre sí, até que estivessem frente à frente com Seokjin, que ao sentir o olhar daquele estranho sobre sí, tornou - pela terceira vez - à abaixar a cabeça. 

- Yoongi, esse é o Seokjin. Jin esse é o Yoongi. - Jeon os apresentou rapidamente e mesmo que contra vontade, o castanho teve que se recompor e agir como uma pessoa normal diante do seu possível chefe, afinal, seria ruim passar uma impressão ruim à ele sendo que de fato precisava do emprego. 

- Como vai, Seokjin? - o timbre grosso soou quase rispidamente, mas Seok entendeu ser apenas um efeito da voz do - aparentemente - mais velho.  

- Bem... - sorriu o mais natural que conseguia. 

- Que bom... - olhou para Kook e depois voltou-se ao maior. - Jungkook me falou um pouco de você e sobre você estar precisando de um emprego, e... Bem, eu estou disposto à te contratar. - os olhos do castanho arregalaram-se ao escutar tais palavras; como assim? Seria tão fácil desse jeito? Nem ao menos haveriam perguntas? 

- É-é sério? - Seokjin indagou desconfiado, tinha motivos para suspeitar de que aquilo não lhe seria entregue numa bandeja, nada em sua vida foi, por que seria agora? Não era de propósito, a vida o levou a ser do tipo de pessoa pessimista em relação à sí mesmo. 

O homem de pele pálida assentiu com um sorriso curto, Jungkook já o havia informado os dados de Jin, e pra ele era o suficiente. 

- Então eu estou... Contratado? - perguntou sentindo seu interior vibrar diante da notícia. 

- Sim, você está. Começa amanhã como garçom, tudo bem pra você? - se estava tudo bem? Estava tudo ótimo, mais do que ótimo; Seok sentiu vontade de rir, rir à toa, soltar tudo num riso gostoso, mas não o fez - óbvio -, deixaria para comemorar quando tudo já estivesse perfeitamente nos conformes, além do que as palavras de Namjoon ainda - infelizmente -, não lhe saiam da cabeça de jeito nenhum, já assumira à algum tempo que criara algum laço com o loiro, não tinha muito idéia do que era aquele sentimento, mas ele estava ali. 

Balançou a cabeça de um lado para o outro espantando os pensamentos inoportunos para o momento, agradeceu algumas vezes à Yoongi pelo emprego antes de sair junto à Jungkook para uma praça ali perto. 

Caminharam um pouco pelo local conversando sobre essa nova chance de emprego, Jin deixava alguns sorrisos bobos escaparem de vez em quando, sua felicidade era quase que palpável.

- Hyung... - Jeon sentou-se num canto da grama próxima ao pequeno lago, sendo acompanhado pelo mais velho. Sua expressão era preocupada e nervosa, características de quando tinha algo à contar para Jin mas não sabia como. 

- Fale, Kook. - pediu; o garoto mordeu o inferior aflito, suas mãos bagunçaram os próprios cabelos lisos e a boca mexeu-se parecendo pronta à soltar algo. Mera impressão mesmo. - O que foi, Jungkook? Está me deixando preocupado. 

- É que... O Jimin hoje me perguntou o que era beijo de língua e eu tive que explicar porque ele começou à chorar. - a frase fora dita tão rapidamente que era bem capaz que uma pessoa normal e com sentidos normais não entendesse, mas Seokjin entendeu, ah se entendeu, cada palavra. 

- O... Que? - disse baixo, massageando as têmporas em sinal de quem estava pensando, olhou para Jungkook seriamente, quase como se o fato de ter conseguido aquele bendito emprego tivesse sido esquecido e ido embora junto de seu bom humor. 

Kook engoliu à seco. 

- Eu-

- Você não... Fez o que eu tô pensando fez? 

- Hm? - murmurou não entendendo de imediato, porém, fora questão de segundos para conseguir decifrar onde o castanho queria chegar, assim, arregalando as orbes brilhantes. - Claro que não, Hyung! Eu não beijei ele, como acha que eu teria coragem de fazer isso com uma criança de três anos de idade? - repentinamente, como um raio, o de cabelos negros fechou a cara, virando o rosto na direção oposta da de Jin; estava realmente chateado agora, como seu hyung poderia pensar que seria capaz de tal coisa? Ainda mais com uma criança tão adorável e inocente quanto Jimin? 

O mais velho demorou um tempo para desenvolver o pensamento de que havia vacilado, vacilado e feio; claro, não havia só a forma prática de se explicar um beijo, tinha também a teórica. Jeon devia ter usado essa. 

- Kook... - tentou encostar no ombro do menino, mas este simplesmente se afastou, continuando com um semblante magoado estampado na face. - Olha, me desculpe, ok? Eu errei em ter pensado que você faria isso com o Jimin, mas é que... Você sabe o senso de proteção forte que eu tenho por ele, é quase exagerado demais. 

- Eu sei, hyung. Mas você precisa confiar em mim. - choramingou como uma criança fazendo manha; Seokjin o puxou para mais perto e o envolveu num abraço de lado sorrindo divertido, às vezes pensava cuidar de duas crianças, Jungkook e Jimin - Jeon tinha apenas dezessete anos. 

- Eu sei, Kookie, eu confio em você, ok? Minha segunda criança. - e lhe deixou um beijo na testa, recebendo um tapa no peito como resposta; sorriu, sabia o quanto Jungkook odiava quando lhe chamavam de criança. 

- Ya! Não me chame assim, seu chato! - estapeou-lhe de novo. Ambos deitaram na grama depois disso, ficaram ali por um longo tempo observando as nuvens e suas possíveis formas. 

Jin ainda sorria, as coisas estavam se acertando aos pouquinhos, afinal. 



...


- Vamos, Jimin, coma! - Jeon já estava há exatos trinta minutos tentando alimentar o garotinho de pernas curtas e barriga fofinha, porém, este não colaborava de jeito nenhum, virava o rostinho pequeno de um lado para o outro se negando à comer. 

Jungkook suspirou na vigésima tentativa, o que esse garoto tinha, afinal? Sempre fora de comer bastante. 

- Bebê não quer comer! - resmungou com um biquinho nos lábios, Jimin adquirira essa mania de falar em terceira pessoa por sí mesmo, dizia ser mais fácil de expressar - ou apenas mais fofo mesmo. 

- Jiminnie... - balbuciou cansado. - Por que não quer comer, pequeno? - perguntou; talvez nessa situação Jin conseguisse fazer o menor comer, já que tinha suas técnicas particulares, mas Jeon se sentiria mal e incapaz se o chamasse, porque era o trabalho dele cuidar de Jimin, e seu hyung no momento deveria estar preparando alguma coisa na cozinha para os dois comerem, já que o bebê se alimentava de coisas mais leves que os dois.

- Por que... - o baixinho franziu as sombrancelhas formando uma expressão triste, seus olhinhos pequenos se abaixaram, prestes a se encher de lágrimas. Jungkook queria apertar aquela criança, era tão fofamente fofo. - Por que amiguinho do bebê disse que bebê tá godo. - com o dedinho miudinho, ele apontou para a própria barriguinha, entrelaçando os dedinhos um no outro e deixando suas mãos gordinhas pousadas em seu colo; Kook tinha certeza que sentiu uma pontada em seu peito ao ver a forma como Jimin se encolhia, tentando não chorar. Com alguém podia atacar com xingamentos uma bolinha tão linda dessas? 

- Bebê... - acariciou as bochechas volumosas e róseas. - Não fique assim, não importa o que eles pensam, sim? Você é um bebê muito bonito, e deve comer pra ficar ainda mais bonito, entendeu? 

- O Kook acha o bebê bonito? - falou com a vozinha manhosa ronronando com o carinho em seu rostinho. Jungkook sorriu. 

- Sim, mas bebê tem que comer agora pro Kook achar ele ainda mais bonito. - Jimin o olhou por alguns segundos e assentiu, abrindo a boquinha para uma colher de sopa. 

Jeon abriu um sorriso ainda maior e começou a dar a sopa ao menor, limpou-o assim que terminou e o levou até o sofá para assistirem à um desenho animado. 

Bem, como esperado foi preciso somente uma hora e nada mais para que Jimin adomecesse no colo do garoto, Jungkook o envolveu com cuidado nos braços e o levou para seu quarto o colocando em seu berço para logo depois descer e se jogar no sofá da casa. 

- Folgado você nenhum um pouco, né, Jeon? - a voz de Jin o fez se remexer preguiçoso, sentindo o aroma delicioso no ar. 

- A comida já tá pronta, hyung? 

- Já, levante-se e coma, anda. - Kook levantou-se rapidamente e seguiu até a cozinha, Seok acabou rindo da pressa do mais novo, deduziu - ao não ver Jimin na sala - que sua criança já estaria dormindo à essa hora, visto que para ele tarde seria cerca de dez da noite, e já eram nove e meia. 

Depois do mais novo se alimentar, os dois assistiram à um filme de ação até que Seok avisasse já estar indo se deitar, amanhã seria um dia e tanto, precisava descansar bem.

- Você sabe onde fica a chave, certo? - Jungkook assentiu, sem tirar os olhos da tela. - Bem, se quiser pode dormir aqui já que seu irmão está cuidando da sua mãe hoje, nem preciso dizer fique à vontade então boa noite. 

- Boa noite hyung barra omma Jin. - riu. Seokjin lhe mostrou a língua e saiu do cômodo, adentrou seu quarto e se jogou na cama macia enquanto se livrava das roupas sobressalentes para estar mais confortável, embrulhou-se e antes de finalmente pegar no sono, aquele maldito nome lhe veio outra vez à cabeça. 

Namjoon. 


...


Pov narradora off

Pov Seokjin on

Já era a quarta vez que eu checava a minha roupa em frente ao espelho; minha maquiagem era leve, meu perfume de um aroma suave e meus cabelos estavam perfeitamente penteados pra trás. Hoje eu acordei um verdadeiro turbilhão, Jungkook estava na sala brincando com Jimin, hoje não teria creche então ficariam o dia inteiro em casa. 

Suspirei tentando me acalmar, desse jeito não faria nada certo, precisava ficar tranquilo. 

Quando me dei por vencido de que já era o suficiente, peguei meu celular e o coloquei no bolso da calça, desci a escadas e dei de cara com uma cena um tanto fofa; Jungkook estava deitado no sofá e Jimin grudado nele como um verdadeiro coala, os dois dormiam pelo fato de Jimin ter inventado de acordar muito cedo hoje, levando Jeon - que dormira aqui - à levantar para cuidar dele. 

Dei de ombros e antes de sair, cobri os dois saindo o mais silencioso que conseguia logo em seguida; faltavam vinte minutos para dar o horário, então eu não estava nem atrasado e nem - surpreendentemente -, adiantado, o que era bom. 

Peguei o elevador e desci, acenei para a senhora do terceiro andar cujo eu nunca lembrava o nome e sorri, saindo pelas ruas. 

Foram apenas alguns minutos de caminhada até a cafeteria, óbviamente não estava aberta ainda, deveriam estar organizando as coisas lá dentro pra abrir; timidamente empurrei a porta de vidro e entrei, ali só haviam alguns funcionários - que por sinal nem notaram minha presença - e a Sun Jung, que estava no caixa, escorada no balcão sem fazer absolutamente nada. 

- S-sun? - chamei receoso pelo fato de não termos tanta intimidade assim; a garota levantou a cabeça rápido, me olhando com um sorriso largo no rosto fino, ela mexeu-se e veio até mim. 

- Oi, Jin. Chegou cedo, Yoongi nem chegou ainda. - disse. Olhei em meu relógio de pulso e realmente, ainda tinha dez minutos vagos. Como eu andei tão rápido? - Venha, vou te explicar algumas coisas. - assenti e sentamos numa das mesas, próxima ao balcão; Sun me explicou tudo, desde a forma como tratar os clientes até a minha pose diante deles, ela era bem simpática, de fato. 

Conversamos bastante até ouvirmos o barulho que mudo da porta soar pelo ambiente, virei minha cabeça e encontrei o meu mais novo chefe vindo em nossa direção, ele estava sério, segurava algumas pastas na mão esquerda e o celular na direita. 

- Desculpem o atraso, o trânsito hoje estava um caos. - comentou quando se aproximou completamente; fiquei em silêncio, mas pude sentir seu olhar sobre mim, me deixando um pouco intimidado, não sei bem o porque mas Yoongi parecia me olhar diferente dos outros, talvez fosse só impressão, porém... Eu sentia.

- Então... Jin, Sun já te explicou tudo? - assenti. - Alguma dúvida? 

- Não, senhor. 

- Ah, qual é, sem essa de senhor, eu não tenho cara de velho tenho? - sorriu e pude ver que ele era bem adorável dessa forma. Acabei sorrindo junto. 

- Não, se- quer dizer, Yoongi. 

- Que bom... Eu vou resolver algumas coisas agora. - ele ajeitou as pastas em seus braços. - Sun, pode abrir. - imaginei que estivesse se referindo ao estabelecimento; Sun assentiu e Yoongi foi para os fundos, não sem antes dar uma encarada intensa na minha pessoa. 

A loira saiu do meu lado após jogar-me um avental igual ao que usava até agora na cor marrom claro, vesti-o, dei uma penteada no cabelo com os dedos mesmo e esperei até que Jung voltasse. 

Ficamos parados por pouco tempo, porque logo os clientes começaram a encher o local, o primeiro que atendi foi um garoto de mais ou menos dezesseis anos, o segundo foi uma senhora muito bem humorada que até tentou puxar algum assunto comigo mas infelizmente eu tive que partir pra outra mesa; já estava no meu quinto cliente, tudo corria bem e eu realmente estava achando aquele trabalho bem divertido. 

Passei ao meio de algumas mesas à fim de seguir direto para uma na qual dois executivos esperavam, isto é, antes de sentir alguma mão apalpar meu traseiro; dei um pulo pelo susto, olhei para trás pronto à mandar o ser que fez isso pra puta que o pariu quando dei de cara com aquele homem, aquele rosto tão conhecido junto de um sorriso com direito à covinhas, um sorriso sacana e ameaçador.

Kim Namjoon. 



Continua...
















Notas Finais


Entaaaao... Gostaram??? Se sim, comentem, please! Muito obrigada por ler, beijinhos da tia Sweet e até a próxima! 😘😘💕😘💕
Ps: perdão pelos erros, juro que revisei.


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