História Despedaçados - Shattered - Capítulo 6


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Categorias Originais
Tags Amor, Casais, Contos, Despedaçados, Infortunio, Romances, Shattered, Tristeza
Exibições 6
Palavras 1.044
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Shelter


Fanfic / Fanfiction Despedaçados - Shattered - Capítulo 6 - Shelter

Eu tinha só 16 anos quando nós nos conhecemos.

Você era novato, tímido, introvertido e intelectual, sempre com um livro debaixo do braço.

Eu era a representante de turma, não que eu fosse popular, mas eu conhecia muita gente.

 

Sempre fui do tipo comunicativa, gostava de participar das coisas.

Já você, preferia se manter escondido, nas laterais da sala.

Você fugia do centro das atenções como o diabo foge da cruz.

 

Era a nossa juventude, os adolescentes tinham os nervos a flor da pele.

A maioria dos rapazes queria algo comigo, mas eles queriam com todas.

Ao contrário de você, que se queria, preferia não dizer.

 

Você era diferente, enquanto todos queriam se amostrar, se exibirem, você não precisava disso.

Era talentoso e muito inteligente, quase sempre elogiado pelos professores.

Você sofreria bullying em outros tempos, mas, de certa maneira, era tão insignificante para eles que não havia motivo.

 

A sua presença me deixava curiosa, eu queria te conhecer melhor.

Eu queria saber os livros que você já tinha lido.

Suas experiências de vida.

Você era tão observador e eu era a observada.

 

Eu decidi me aproximar depois de perceber que você me olhava.

Eu tive certa vergonha, certo medo em você me achar estranha ou algo do tipo.

Acabou que eu me surpreendi.

Você era muito simpático e amigável, mas é claro que também era muito tímido, tudo bem, eu achava fofo.

 

Você me chamou atenção por ser diferente, mas também era muito bonito, não vou negar.

As meninas também achavam.

Mas não queriam arriscar nada com você.

Ocupadas demais com os esportistas.

Naquela época, a melhor decisão foi escolher o estudioso.

 

Nós começamos a nos aproximar.

Você me mostrava seus livros e anotações das aulas.

Conversávamos sobre várias coisas.

Desde os astros, constelações e afins até socialismo, comunismo e capitalismo.

 

Você me fez gostar mais de ler.

Me emprestou seus livros do Asimov, Philip K. Dick e H.G Wells.

Eu te apresentei Dickens, Emily Brontë e Oscar Wilde.

 

Eu te fiz gostar de arte.

Passávamos horas analisando as obras de Van Gogh com nossas teorias.

Mas você gostava mais de Monet.

 

Aos poucos fomos nos decifrando.

Vivíamos um romance de literatura.

Éramos sensíveis e medrosos para deixar explícito o nosso amor.

Gostávamos mais de deixar subentendido.

 

Foi ao som de “Come On Eileen” que você me pediu em namoro.

Nós nunca havíamos nos beijado antes.

O máximo que fizemos eram os abraços intermináveis nas tardes de domingo.

Eu aceitei sem nem precisar pensar.

 

Nós formávamos um belo casal.

Todos os poucos amigos que você tinha gostavam de mim.

Minhas amigas viam que você me fazia feliz.

Éramos aquilo que dizem de par perfeito.

 

Com o tempo você foi mudando.

Foi pra melhor, obviamente.

Você começava a se abrir mais para as pessoas.

Expondo sua opinião.

Sempre com a sua calma e educação impecável.

 

Na faculdade nós acabamos nos afastando em distância.

Mas estávamos sempre perto um para o outro.

Eu estudava do outro lado do país, mas você sempre me visitava.

Eu assistia suas palestras intermináveis sobre física.

Você caminhava comigo na praça enquanto discutíamos sobre tratamentos de doenças.

 

Planejávamos viagens.

Você queria conhecer a Austrália, se mudar para a Nova Zelândia, quem sabe até mesmo uma casa na Suíça.

Eu queria ir até a Etiópia, Somália e, quem sabe, Síria.

 

Aos 23 nós nos casamos.

Compramos uma casa com o nosso dinheiro suado e aprendíamos a cuidar dela.

Você, como sempre, esforçado.

Ainda tinha um pouco da sua introversão.

 

Eu era professora do fundamental, tinha um estoque de maçãs vermelhas e reluzentes.

Você era professor de física quântica, tínhamos quadros-negros cheios de suas anotações.

Mesmo com o horário apertado, sempre acabávamos juntos o dia.

 

Saíamos para jantar.

Tudo para manter nosso casamento saudável.

Passávamos o Natal com a sua família, o Ano Novo com os meus pais.

A nossa vida havia chegado na melhor fase possível.

 

Aos 28 as coisas já começavam a estagnar.

Começávamos a discutir por besteiras.

Os livros que você me indicava já não eram tão interessantes.

Você já havia se cansado dos meus romances.

 

Nós decidimos ter filhos.

Talvez fosse isso o que faltava na nossa vida.

Mais tarde fomos descobrir que não era.

 

Eu engravidei.

Você ficou tão feliz quando soube da notícia.

Parecia que ia morrer quando descobriu que seria um menino.

No outro dia, já estava organizando tudo.

Eu tinha certeza que você seria o melhor pai do mundo.

 

Durante a gravidez as coisas realmente melhoraram.

Gerard nasceu um garoto saudável e gordinho.

O mais lindo do berçário.

 

Foi um período bom novamente

Você estava feliz.

E continuou assim por muito tempo.

Mas parecia que faltava algo pra mim.

Não que eu não gostasse de Gerard ou de você.

Mas já não era a mesma coisa.

 

Nos jantares sem o nosso filho o silêncio predominava.

Você falava de física e eu fingia não ouvir.

Eu falava sobre os meus alunos e você apenas balançava a cabeça.

Éramos um casal fracassado.

 

Por um tempo eu fiquei pensando nisso.

Relembrava dos nossos momentos e nossas lembranças.

Eu daria tudo para voltar a sentir o mesmo que sentia naquelas tardes de domingo.

Mas agora não haviam mais tardes de domingo.

Você estava sempre ocupado com Gerard, levando-o para a natação.

 

Tivemos uma outra filha.

Alice era a princesa da casa.

Mas o pai sempre a criou para ser uma guerreira.

Você era babão com os filhos.

Esforçado como sempre.

Aquele seu olhar cuidadoso e calmo me lembravam o rapaz de 16 anos que eu conheci.

 

Eu não sou mais feliz no nosso casamento.

Eu não sinto a menor vontade de te beijar como antes.

Nossas viagens, nenhuma concluímos.

Seus livros eu queimei.

A arte nunca mais eu apreciei.

 

Talvez seja pena.

Mas algo me impede de ir embora.

Os filhos talvez tenham nos prendido um ao outro.

 

Hoje você é apenas o meu marido.

Não é o amor da minha vida.

Nem com quem eu gostaria de passar o resto da minha vida.

 

Ter escolha eu tenho.

Mas eu ainda tenho esperança de sentir o mesmo de antes.

 

Um dia eu espero acordar com 16 anos de novo.

Eu daria tudo para sentir o coração acelerado como quando nós nos conhecemos.

Eu gostaria de voltar no tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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