História Despedida - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Dragon Ball
Tags Dragonball, Tenshinshan, Viajante
Exibições 6
Palavras 916
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Aventura, Magia, Mistério

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Dragon Ball não me pertence.

Repostagem da série da fanfics que um dia postei aqui com o título de "Efêmeras manhãs"; pretendo repostar todas as oneshots desse projeto conforme for possível.

Capítulo 1 - Capítulo único


Tenhsinhan olho para a janela. O vidro sujo, opaco, lhe deu a sensação de que fazia mais frio lá fora do que realmente o tempo sugeria. Suspirou, sem saber realmente se era de cansaço ou impaciência: por mais que fosse considerado sensato, certas coisas eram simplesmente impassíveis de explicação.

Como o fato de estar ali.

Para alguém que sempre confiou cegamente nas façanhas do destino, custava-lhe acreditar que fosse vontade dos deuses ou de qualquer outra força onipotente o que estava carregando-o para seguir aquela jornada.

Sobre a pequena mesa, uma xícara de chá. Tenshin a apanhou e a trouxe para bem junto dos lábios. Antes de tomar o gole que queimou de leve a ponta da sua língua, a imagem de Lunch trançando os cabelos louros lhe veio na mente - "Um penteado bom para viagens longas" - ela havia dito. Mas a serenidade da amiga e toda a vaidade para se arrumar naquele momento era  suspeito - "como se na forma fosse calma" - pensou. "Como se arrumar o cabelo fosse uma preocupação real" - Sorriu. No fim das contas, não ficara nada mal. Ela cantarolava enquanto arrumava o final do trançado enquanto ele terminava de arrumar o lenço envolto da própria testa... E a nostalgia se desfez no ar, com a fumacinha banca o chá dançando na frente dos seus olhos.

A claridade crescente do dia, no lado de fora, lhe dizia que já chegara a hora de sair. Deixando algumas moedas sobre a superfície da mesa, levantou-se e colocou a capa surrada, terminando por pôr o capuz sobre a cabeça. Num dos ombros, apoiou a alça da mochila esfarrapada - "Um verdadeiro viajante solitário" - ela disse, antes da despedida. Mas talvez não fosse ser um viajante tão solitário assim: muito dos outros que haviam parado pra tomar algo ali naquela noite, também levantavam das suas cadeiras, indício de que aquele amanhecer não era ponto de partida só para si,

Tenshinhan respirou fundo, e por um segundo, hesitou diante da saída. Por um segundo apenas. Esticou a mão e abriu a porta, fechando os olhos para a clareira branca que brevemente o cegou, enquanto uma sinetinha soava distante dos seus ouvidos.

Saiu. Quando voltou a abrir os olhos, soube que se voltasse a olhar para trás, não veria mais um Café sujo da estação rodoviária: estava em outro plano, aos pés de montanhas enormes, de frente à trilhos de trem. Trazia nas mãos pergaminhos velhos, empoeirados, que teve que equilibrar num braço só quando tratou de pegar uma gaiola aberta, enferrujada,  que encontrou abandonada em cima de um banco de madeira; onde dormia um rapaz, que provável, também estava ali aguardando a condução chegar. Soube que tinha que pegá-la, sem qualquer justificativa, como se tivesse sido posta ali à sua espera. Sem aviso, sem sentido. Como todos os brios do momento.

Com as mãos ocupadas, aproximou-se da linha do trem. Do lado posto da plataforma, dois homens de idade avançada estavam entretidos no meio de uma altercação entre o resultado de um jogo de Baseball - foi o que ele conseguiu entender da conversa. Um deles lhe acenou gentilmente. O outro, espanava as cinzas do seu cigarro a sumirem no ar por sobre seu quimono de estampas festivas demais para a época. Tenshin assentiu à eles, respeitoso. 

Uma gota caindo chamou sua atenção. Olhou para cima. O céu estava limpo, sem nuvem alguma, embora não pôde enxergar o sol para saber da hora exata. Um vento fresco, com leve cheiro de mar soprou, e ele fechou os olhos para melhor senti-lo. A capa escovada do topo da  cabeça revelou o lenço amarrado na testa; mais à frente, os dois homens pararam a discussão.

- É o tipo de vento que precede a chuva. - disse-lhe um deles, com estranha certeza na voz, como se fosse um aviso. Não uma observação. 

- Como isso é possível? - Tenshinhan perguntou mais para si mesmo do que para os outros. Ouve um chuvisco tímido cair sobre a cobertura metálica da parada: chovia. Mas não havia uma única nuvem no seu campo de visão. Atreveu-se a inclinar seu corpo para fora do teto; por sobre os trilhos, avistou o céu. Minúscula gotas caíram sobre seu rosto, molhando levemente bochechas, lábios. Mornas, salgadas. E então, ele entendeu.

Os dois homens permaneceram calados, assistindo, com gravidade, a acanhada chuva cair. Sentiu algo de solene naquele naquele instante mágico, e não conseguiu impedir-se de pensar nos amigos, sorrindo com os olhar.

A água começou a diminuir. Analisou como havia sido curioso que estivesse cessando justo quando parou de se importar com ela.A paisagem aberta, aos poucos, voltou a ficar seca. O rapaz no banco, deitado, permanecia dormindo.

Lá longe, na curva de uma das montanhas, uma coluna de fumaça se ergueu, ouviu o apito soar. Os dois homens já não estavam mais ali, foram embora sem despedida, sem mais nem menos: sumiram sem qualquer elucidação plausível, tão inexplicavelmente insólito como o próprio surgimento deles à sua espera na estação, como a gaiola. Como a necessidade de se lançar em peregrinação, tal qual a chuva que saiu só para os três. 

E Tenshihan sentiu de leve um vazio elado por dentro. Recolocou o capuz na cabeça, ajeitou a mochila nas costas, os pergaminhos no braço, a gaiola na mão. O trem parou, as portas se abriram, finalmente, e afirmou em voz alta, para quem quisesse escutar: - Chegou a minha vez - respirou fundo. - É minha hora de partir. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado, preferi trocar o Chaos por uma lembrança da Lunch.
Comentários são bem vindos ^^


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