História Despedida cronometrada - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Suga
Tags Hopega, Hoseok, Sobi, Sope, Yoongi, Yoonseok
Exibições 137
Palavras 1.076
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drabble, Drama (Tragédia), Fluffy, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, espero que todos tenham uma boa leitura.

Capítulo 1 - Eu já não tenho mais medo do escuro;


Fanfic / Fanfiction Despedida cronometrada - Capítulo 1 - Eu já não tenho mais medo do escuro;

“Eu não sei o que o meu corpo abriga nestas noites quentes de verão, e nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago da razão.” — Cazuza

Tudo que eu tinha eram algumas horas.

Eu sentia em meu interior o meu relógio avisar que já estava ficando sem tempo. Meu despertador anunciava que estava na hora de deixar tudo para trás e seguir rumo ao duvidoso, sem volta e completamente desconhecido. A câmera em minhas mãos as vezes vacilava enquanto eu tentava a todo custo não derramar uma lágrima sequer sobre o objeto, passando foto por foto e relembrando por mim mesmo todos aqueles momentos que vivemos. Naquela época eu era vivo e agora, quando já não tenho mais força para sorrir, admito que meu sorriso era muito bonito.

Outro dia ouvi você conversando com meus pais enquanto segurava firme em minha mão, preenchendo o espaço entre meus dedos. Eles estão tão finos e pálidos, a nossa aliança de casamento volta e meia escorrega e se perde entre o amontoado de lençóis sobre meu corpo esguio, pequeno demais para aquela cama hospitalar tão grande. Eu sempre fui apaixonado pela sua voz, mas aquele dia ela estava tão bonita quanto das outras vezes, pois ela transbordava confiança e esperança.

Esperança sempre foi a nossa palavra favorita e creio que ainda será. Até a última hora que me restar.

Lembro-me de clamar para que você desligasse os aparelhos e me desse um último adeus numa manhã especifica em que eu parecia disposto a continuar. Queria ser lembrado como alguém jovem, disposto e bonito; aquele alguém que carregou sua paixão pela dança ao longo da vida e por merecimento tornou-se o dançarino consagrado que hoje era. Eu queria que você não tivesse que estar ao meu lado em uma noite estranhamente fria para aquela época do ano, onde fazia calor, com a notícia de que eu já não estava mais ali; caso permaneça, porque eu sei que é teimoso o suficiente para ir embora, peço para que não solte a minha mão até que eu seja arrastado para longe. Dizem que após fecharmos os olhos, tudo que vemos são os conjuntos de erros cometidos durante a vida e, quem sabe para os mais afortunados, as suas felicidades vividas e mantidas sob as memórias.

É uma escuridão sem fim, daquelas que não sabemos onde começa ou termina, e qualquer som escutado por perto é motivo para arrepiarmos desde a unha do pé, até o ultimo fio de cabelo em nossas cabeças. É denso como a água do mar, que nos encurrala e engole pouco a pouco todos os nossos sentidos, para que no final morramos afogados após desistir de bater os braços em uma tentativa falha de retornar a superfície. Eu sempre tive medo do escuro, por isso peço para que nesse momento não deixe que eu siga sozinho. Esqueça o meu orgulho e todas as palavras de ódio que vez ou outra, coloquei nos seus ombros. Apenas me abrace e diga que eu ainda sou o amor da sua vida.

Deixarei anotado em um papel o quão belo tu és enquanto dorme, para lembrá-lo de sempre adormecer com aquele sorriso nos lábios que eu tanto amo, Yoongi. Os lábios que agora se encontram entreabertos e secos, tão diferentes do que eu costumava beijar em demasia dia após dia, em todos os momentos que me fosse permitido. Ultimamente nem beijá-lo de maneira decente eu tenho conseguido, pois o tratamento me destrói pouco a pouco e a gripe que peguei em nada me ajuda. Pergunto-me se no inicio sentiu nojo de mim ao descobrir o nome daquilo que me matava; se cogitou o divórcio ou pensou, por um breve segundo que fosse, em uma possível traição da minha parte.

Espero que não, porque eu nunca seria capaz de fazer tal coisa, prova disso é seu nome tatuado em meu quadril.

Posso dizer que foi você quem me matou, naquela tarde chuvosa em que me encaminhei ao estúdio de tatuagem sem saber se era ou não o melhor lugar e mais confiável para isso. Quem sabe meu cérebro rebata dizendo que não, eu mesmo me matei após agir com pressa e sem pensar, se jogando diretamente no primeiro lugar que encontrou. Isso é uma atitude tão típica de Jung Hoseok. Você brincaria que eu sempre fui muito positivo, por isso soropositivo me definia naquele momento.

Naquela noite você me amou como ninguém ao receber a minha prova de amor sobre a minha pele. Mas um mês depois – exatos trinta e um dias – chorou comigo no corredor daquela clinica luxuosa ao receber os resultados do exame. Quem diria que eu, justo eu que me guardei até o último instante e me dei somente a você, seria portador do vírus HIV?

Eu caí. Meu mundo caiu, minhas lágrimas caíram e tudo que não despencou ao meu lado foi você. Tu estavas de pé, esticando a mão e esperando que eu aceitasse aquele gesto simples e me levantasse. Foi o que eu fiz pelo menos naquele dia, para então caminhar em busca de um tratamento alternativo que hoje, mesmo contra gosto, tivemos a confirmação de que não funciona completamente. Em uma larga margem de erro, eu fui o erro.

Pensei em hoje após acordar, gravar um vídeo de despedidas para você, dizendo tudo que senti ao longo desses dois meses de tratamento até que essa gripe maldita me alcançasse, mas não sei se tenho coragem. Meus olhos ardem. Meu pulmão queima. Minhas mãos estão trêmulas e minha voz já não existe mais. Minha visão está falha e tudo que tenho coragem de fazer é apertar um pouco mais forte a sua mão contra o meu peito, abrigando a pele fria que contorna seus dedos, em meio as minhas mais gélidas ainda. Talvez eu pudesse esquentá-las por alguns segundos a mais.

Pois eu falhei.

— Eu te amo.

Foi tudo que consegui sussurrar com meu último fio de voz antes de desabar, sem dor alguma e sem mais sofrimento em busca de forças para respirar. As feridas na minha pele já não me machucavam mais, os olhares tortos de todos em minha direção já não me fazia mais sentir nojo de mim mesmo. Porque eu já não sentia mais nada. Eu estava livre daquela doença, e como um último pedido, ainda tinha a sua mão na minha e a imagem do seu rosto adormecido em mente.

Eu, após tanto tempo, já não temia mais o escuro.


Notas Finais


Perdão por qualquer erro.
Se você chegou até aqui, deixe o seu oi ~oooi
Eu amo vocês <3


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