História Destinados...? - Capítulo 15


Escrita por: ~

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Categorias Killing Stalking
Personagens Oh Sangwoo, Personagens Originais, Yoon Bum
Tags Abo, Bum Ômega, Drama, Killing Stalking, Omegaverse, Romance, Sangwoo Alpha
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Palavras 11.259
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Fluffy, Lemon, Luta, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Continuação direta do cap 13

Capítulo 15 - Via De Mão Dupla


Sangwoo o fitava, fascinado e chocado pela visão deslumbrante diante de seus olhos. Bum era lindo. Muito mais do que imaginava.

O ômega estava iluminado pela luz da lua e naquele momento, do fundo de sua alma, Sangwoo não conseguia pensar em mais nada ou ninguém. Bum parecia esculpido de forma perfeita, apenas para ele e seus olhos.

O sorriso do moreno era deslumbrante. Sangwoo já vira diversos sorrisos lançados por ele... O fechado e tímido. O que se transformava em uma risada baixa e doce... Mas não aquele. Aquele lhe parecia diferente. Era aberto e intenso, os olhos sorriam junto com os lábios.

Nunca o desejou tanto quanto naquele momento. E esse ‘desejo’ não fora apenas físico. Desejou beijá-lo? Claro. Tocá-lo? Com certeza. Possuí-lo? Sem dúvida. Mas... O que o impressionou foi seu desejo de entendê-lo. De lhe fazer mil perguntas e tê-las respondidas.

Queria tentar... De todas as perguntas em sua mente, o que mais ansiava saber naquele momento, talvez por causa de seu ciúme, ou talvez porque o pequeno realmente nunca teve oportunidade de mencioná-lo, era o que Yoonjae significava para Bum. Sabia que era impossível ter uma resposta precisa, mas... Sentia que teria alguma, se realmente quisesse saber...

“O que ele significa para você?” – pensou vagamente.

Gentileza.

Yoonjae era alguém especial do passado de Bum.

Mágoa.

De alguma forma, o ex o magoara.

Mas o que mais vinha a sua mente e coração era alguém do passado, já superado.

Ficou feliz pela ‘resposta’, mas ao mesmo tempo, assustado.

Yoonjae era alguém do passado de Bum que ele considerava gentil e amável, mas que o magoara.

Como podia ter tanta certeza? Bum não abrira a boca.

“Eu sei de tudo isso... Apenas com as sensações e sentimentos que ele passou? Isso é possível? Mas... Eu tenho tanta certeza... Isso...”.

Sem ser o que deliberadamente quis saber, o sentimento predominante no ômega era felicidade. Não apenas pelo momento ou pela conclusão do vínculo, mas por ele estar ali.

Bum estava feliz por aquele momento ser passado com Sangwoo. Pelo vínculo ter sido feito com ele. Por eles estarem conectados daquela forma indescritível.

Um leve sorriso surgiu em seus lábios. Aquilo era incrível... Queria saber mais... Bum lhe transmitia tanta paz e tranquilidade, com uma pequena dose de inocência... Mas...

“Isso é uma via de mão dupla, não?”

O ômega deu um passo em sua direção e teve certeza. Sim. Era uma via de mão dupla.

Recuou.

Então o que o moreno quisesse saber, saberia? Sem nenhum controle ou filtro? Simplesmente assim? Seria um livro aberto?

Não queria isso.

Não queria que o ômega soubesse o que causava nele... Nem o turbilhão de emoções que invadiram sua vida desde que ele surgira... Nem os motivos que o faziam não querer filhos...

Mas principalmente...

Não queria que ele visse quem realmente era.

Desviou o olhar, virando o rosto. Em pouco tempo, a mão do rapaz tocava sua bochecha.

- Não! – a voz do pequeno soava receosa.

Fechou os olhos.

Se ele visse, o que pensaria? Via o olhar de admiração que Bum lhe lançava de tempos em tempos.

O que ele acharia de alguém que precisava lutar em um ringue para descarregar a raiva e não bater em pessoas aleatoriamente? De alguém que mentia? Fingia? E no fundo... Queria é que todos se fodessem.

Alguém que considerava sua manada – sua família – um meio para se chegar a um fim?

De alguém que odiava o próprio pai? Mais do que isso... Que não se arrependia de tê-lo matado. Que sinceramente, sentira um alívio intenso pela morte dele...

“Até Yangmi acha que no fundo me arrependo... Mas... Isso não é verdade.”

O que ele pensaria de seus erros? De seus problemas? De suas sombras? De seu egoísmo?

“Eu faria de novo. Sei disso.”

Criara uma fachada, muito bem construída, dava a todos o que eles queriam ver. Um bom aluno, um bom líder, um exemplo a ser seguido.

Mas sabia que não era exatamente assim... Não conseguia fingir o tempo todo, mas ocultava muita coisa. A que chegava mais perto de conhecê-lo era Yangmi.

- Se você não quer me mostrar... Tudo bem... Mas olhe para mim. – a voz do ômega saiu aflita.

“Você não entende?” – o alpha começou a se irritar.

“Mesmo que eu não queira, você vai conseguir ver! Vai além da minha vontade!”.

O vínculo só podia ser uma maldição. Existir alguém que podia ver sua alma. Isso era o pior pesadelo que podia imaginar. Não queria ser visto. Não queria sua alma exposta, como uma ferida aberta que nunca cicatrizava.

De repente, lembrou-se do vínculo com sua manada. Também era uma via de mão dupla, mas como não gostava de ser incomodado por eles, conseguiu se fechar a ponto de que somente situações extremas lhe chegavam – como quando foram atacados na universidade.

Em situações normais, eles não tinham como chamá-lo. Um dos motivos de não ter sentido o desespero de Jieun ao notar que Bum desaparecera, na festa em que o moreno fora atacado.

O vínculo dele então se tornou um pouco unilateral. Apenas quando ele queria, se conectava a sua manada. Era um tanto injusto, mas todos eles já estavam acostumados – e acabavam se comunicando por celular, se realmente quisessem algo.

Tentou fazer o mesmo. Exigia concentração, mas não era tão difícil. Necessitava apenas afastá-lo mentalmente, deixá-lo o mais distante possível, e então imaginar uma grande cerca... Ou muralha... Ou qualquer coisa que o isolasse.

“Merda... Tá mais difícil do que foi com a manada...”.

Não estava apenas mais difícil, dessa vez era diferente... Doía.

Uma dor estranha, confusa... No fundo, não queria continuar. Sentia como se ao afastá-lo, estivesse o deixando... E isso era doloroso. Contudo, o medo de ser exposto, o medo de ele vê-lo, o medo dele...

“Não entendo... Por que estou assim? E daí se esse ômega me ver e concluir um monte de merda? O que ele vai fazer? Me denunciar por ter matado meu pai de propósito? Como ele provaria algo assim?”.

Não... Não era isso... No fundo, por mais que não admitisse, entendia o motivo.

Ele importava.

O que esse pequeno, tímido e doce ômega pensaria dele, importava.

A dor que sentiria ao ver a decepção dele, ao conhecê-lo profundamente, seria muito maior que a de agora.

Sentiu o perfume familiar do rapaz, o que tornava tudo ainda pior. Por que ele estava insistindo naquilo? Era incômodo.

Não aguentava mais. Sentia-se pressionado. Começou a se irritar. Eles não tinham nada, não é? Por que deveria se abrir daquela forma? – o afastou mais.

Eles não passavam de amigos... Certo? – a muralha em volta de seus pensamentos e sentimentos, aumentou.

Um lado seu dizia que não queria um relacionamento. Não queria tê-lo mordido. Não queria aquele vínculo.

Entretanto, outro lado gritava e implorava para que ele parasse. Para que ele deixasse... Que o ômega talvez o entendesse... Que talvez as coisas não fossem se repetir... Que talvez ele pudesse tentar... A paz que aquele garoto lhe dava, os sentimentos que ele lhe despertava... – fechou o punho com força.

Eram muitos ‘talvez’, odiava aquele sentimento de incerteza. Sufocou aquela parte de sua mente, junto com tudo que o fazia recuar. Fechou-se finalmente.

 Virou o rosto em direção ao pequeno.

- Sangwoo eu... – a voz do moreno soava tremula.

Abriu os olhos. Iria fazê-lo parar a força.

Segurou a mão do ômega com rigidez, sentiu-o tremer, não gostou disso... Mas a retirou de seu rosto.

- Só para com isso. – o cortou de vez. Talvez se fosse claro com palavras, ele o entenderia. A insistência do moreno só o irritaria mais. Não era o que queria... Mas provavelmente seria o que o garoto faria.

Mas o pequeno não persistiu.

Diante dos olhos do alpha.

Ele quebrou.

“O quê...?”.

Sangwoo podia ver a decepção estampada no rosto do rapaz. Quando fitou seus olhos, percebeu que Bum estava profundamente magoado. Não eram necessárias palavras...

As lágrimas silenciosas do ômega começaram a cair, e o silêncio se transformou em soluços, e os soluços na evidência física do abandono.

Nenhum som parecia chegar ao alpha além daqueles provocados pelo ômega.

“Eu fiz isso...?” – estava chocado. Não esperava essa reação.

Por que tão profundamente? Por que Bum sentia aquilo tão intrinsecamente?

“Por que sou tão importante para você?”.

- Por quê...? – era o ômega que perguntava.

Na voz baixa e triste de Bum, o alpha compreendia todos os porquês envolvidos naquele único dito. Quase como se o pequeno sussurrasse em sua mente.

‘Por que você me afasta?’

‘Por que você me rejeita?’

‘Por que não me deixa vê-lo?’

‘Por que você não quer me ver...?’

Deu um passo em direção ao moreno.

Não era isso... Não imaginava que isso aconteceria... Só não queria...

Mas dessa vez, Bum se afastou. Ele já não queria suas explicações, suas ações já haviam dito o suficiente.

 Sangwoo se sentiu perdido.

- Por que vai se dar o trabalho de quebrar...? Não significa absolutamente nada. – a voz do pequeno soava a cada segundo mais tremula.

O vínculo não significava nada? Fora essa impressão que passara? Não. Não era isso que queria... – deu mais um passo em direção ao moreno.

“Mas foi o que dei a entender, não?” – parou de andar.

O ômega se virou para ir embora e Sangwoo percebeu que Yoonjae aparecera. O rapaz tocou em Bum, dizendo alguma coisa, e aquilo irritou profundamente o alpha.

“Que saco, por que agora?”.

- O que você pensa que está fazendo? – perguntou rispidamente, fitando Yoonjae.

- Tentando descobrir A MERDA que você fez! – deu como resposta o rapaz, a cada instante mais zangado.

Bum saía e Sangwoo ia atrás, mas foi segurado pelo braço.

- Deixa-o ir! Tá bem óbvio que ele não quer papo com você! – disse Yoonjae.

- Isso.Não.É.Da.Sua.Conta. – rosnou o alpha se soltando com brutalidade.

Se aquele imbecil não o deixasse ir, quebraria todos os ossos dele. Olhou em direção aonde fora o ômega e não o via mais.

“Merda!”.

Sentiu-se puxado pela camisa, o outro alpha o encarava.

- É da minha conta! Se vai fazê-lo chorar daquela forma, por que só não o deixa em paz? – Yoonjae parecia consumido pelo ódio: - EU SÓ O VI CHORAR DAQUELA FORMA UMA VEZ! – ele puxou Sangwoo para mais perto, aproximando-o e encarando-o furiosamente: - Se o que você fez se compara ao que ele tinha passado...! Você é um filho da puta desgraçado!

Primeiro o alpha ia responder a altura, mas o que o outro dissera lhe tocou de alguma forma que não entendia. O ômega já chorara daquela forma antes? Por quê?

Vendo a confusão nos olhos de Sangwoo, Yoonjae riu, soltando-o.

- Você não sabe PORRA nenhuma, não é? E depois vem todo machão dizendo que ele é seu. Hipócrita.

Sangwoo encarou o moreno: - Hipócrita? Quem está aqui bancando o herói depois de deixá-lo e magoá-lo?

- Eh? Agora você sabe? – Yoonjae soava irônico, mas um tanto confuso: - Pelo menos me arrependi! E você? Olha o estado que o deixou! Ele é forte, não chora dessa forma a toa.

- EU IA FALAR COM ELE ATÉ UM IMBECIL ME ATRAPALHAR! – Sangwoo perdera a paciência.

- ATRAPALHAR? VOCÊ QUE FEZ AQUILO! – Yoonjae apontava na direção que o ômega partira: - VOCÊ O FEZ CHORAR DAQUELA FORMA!

- EU IA ATRÁS DELE! – respondeu em completa fúria Sangwoo.

- FAZER O QUÊ? CONVERSAR? – Yoonjae riu: Você nem deveria tê-lo feito chorar daquela forma, pra começo de conversa!

Sangwoo fechou o punho, estava de saco cheio.

“Fodam-se as consequências”.

Socou a cara do moreno. Nunca tivera muita paciência, aquilo nunca fora seu forte, e aquele completo imbecil sugara a última gota que possuía.

Yoonjae foi arremessado contra a porta, batendo com força no chão.

- Ah... Então você quer briga... – murmurou o rapaz, fitando furiosamente Sangwoo enquanto limpava a boca manchada de sangue: - Está bem. – ele levantou em um movimento, correndo e socando o estômago do alpha com tanta rapidez, que o pegou desprevenido: - Mas se acha que sou um dos moleques dominados por você, está muito enganado.

Sangwoo cuspiu no chão. Yoonjae era forte. Dane-se. Não dava a mínima para quantas artes marciais aquele infeliz sabia, ia acabar com a raça dele.

Ergueu o braço para devolver o soco, quando sentiu alguém o segurando por trás.

- Sangwoo...! CALMA! Não dá para lutar aqui! – a voz de Dongyu soava surpresa.

O rapaz amava uma boa luta, mas também sabia que era proibido lutar naquele tipo de festa. Era uma ‘zona neutra’ para todas as manadas. Sangwoo sempre dera ênfase nisso, não entendia porque o alpha estava tão fora de si.

- ME SOLTA! EU VOU MATAR ESSE INFELIZ! – o alpha tentava impetuosamente se soltar.

  - MATAR??? NÃO ME FAÇA RIR SEU FILHO DA PUTA! – Yoonjae também tentava se soltar de Namjoon, que acabara de chegar e já interferira, segurando o alpha.

- Yoonjae! PERDEU A NOÇÃO? – gritava Namjoon, tentando parar o moreno.

Mais pessoas se aproximaram correndo, a manada de Namjoon puxava Yoonjae para um lado enquanto Yura, Taehyun e Chung Ho se juntaram a Dongyu tentando levar Sangwoo para outro.

 Arrastaram-no para um dos vários escritórios que a mansão possuía. Era um local bonito e bem decorado, com uma janela grande, uma estante de livros, uma poltrona confortável – com um abajur ao lado, uma mesa de centro e um belíssimo tapete felpudo.

Fecharam a porta enquanto Chung Ho saía. Iria conversar com o dono da casa e outros líderes, tentando apaziguar a situação.

- Você está bem? O que aconteceu? – perguntou Yura preocupada.

- O que aconteceu é que eu quero sair daqui e MATAR AQUELE FILHO DA PUTA!

Sangwoo chutou a mesa de centro. O que não foi muito inteligente porque ela era de ferro. Ele soltou uma intensa exclamação de dor e se abaixou, tocando o pé.

- Bosta. – murmurou puto, sentando no chão em cima do tapete.

Taehyun riu, levando um característico soco de Yura.

- Quê? Foi engraçado... – murmurou o ruivo.

- Não ri dele... Não tá vendo que ele não tá bem... – respondeu Yura.

Dongyu se abaixou, ficando na altura do líder: - Sangwoo... – tocou no ombro do amigo: - Se acalma cara. A gente não pode brigar aqui, você mesmo vive me lembrando de que em festa não...

Yura concordou com a cabeça enquanto Taehyun espiava do lado de fora e via se Chung Ho conseguira aplacar os ânimos.

- Se você quiser, depois a gente acha ele e mata. Não dá nada e... – continuou o gordinho muito sério.

- DONGYU! – gritou Yura: - Não o incentiva!

- Ué? Por quê? Se ele tirou o Sangwoo do sério, deve ter feito alguma coisa... – Taehyun fitou a loira, saindo de perto da janela: - Ou você acha que é normal ver ele tão puto assim?

A loira ficou calada por alguns instantes: - Eu entendo... Mas matar ele?

Dongyu refletiu: - Ele pode virar outro fahise.

Taehyun riu: - Não sei se é uma boa ideia. O primeiro parece estar mais gostando do que sofrendo.

- Ninguém tinha como prever o grande masoquista que ele era... – respondeu Yura séria.

Dongyu levantou, dando de ombros: - Nunca vi a Jieun tão feliz, então, acho que está tudo bem ele ser masoquista.

Yura abraçou o amigo gordo: - Você tem um coração de ouro.

- Hã? – ele fitou a loira: - Acho que vocês é que me interpretam errado... – o moreno riu.

Sangwoo respirou fundo. Precisava pensar em outra coisa. Se continuasse tão furioso acabaria batendo em sua manada. Dispersar... Dispersar... Fitou Yura.

- Bonito vestido. – disse simplesmente, afastando sua raiva.

- Eh? – a garota soou surpresa.

- Está com um belo vestido azul Yura, ficou muito bem em você... – respondeu, respirando profundamente.

A loira entendeu e sentou-se no chão, ao lado do líder: - Foi minha mãe que comprou para mim. – disse calmamente.

Sangwoo se surpreendeu: - Sua mãe...? Voltaram a se falar? – ele sentia a raiva saindo aos poucos e seu pé latejar.

- Sim. – Yura sorriu: - Ela foi me ver... Conversamos... Ela me deu o vestido e foi embora, mas prometemos que vamos nos ver mais frequentemente agora... Minha avó ficou toda faceira. – ela riu.

Era bom ver Yura rir, fez cafuné na amiga: - Que bom. – se acalmara: - Seu pai nada, né?

- Nem... Acho que seria pedir demais... E para com isso! – ela tentou tirar a mão de Sangwoo do cabelo: - Meu penteado.

- Já era. – ele mexeu mais a mão, bagunçando de vez: - Nunca vai ser pedir demais Yura. – ele fitou sério a amiga, que ficou levemente corada, e levantou: - Estou mais calmo.

Chung Ho entrou no quarto com Jieun e Young.

- Ué... Cadê a Yangmi? - perguntou Taehyun surpreso pela ausência da garota.

Os três recém-chegados se fitaram.

- Ela levou os ômegas para o dormitório... – disse meio baixo Young.

- Os ômegas? – Dongyu piscou: - Quais ômegas?

Eles se fitaram, parecendo um tanto nervosos.

- Então... – Jieun começou.

- A Myung-Hee e o Bum. Esses ômegas. – disse de uma vez Chung Ho: - Melhor parar de enrolar.

- O quê? – Sangwoo se aproximou dos três, surpreso.

- Ah... Ele tinha acabado de se acalmar... – suspirou Yura.

O líder alpha pegou o celular, verificando se tinha alguma mensagem da garota.

Yangmi

Sangwoo... Desculpa, mas eu tive que levar o Bum para o dormitório.

Ele está chorando muito.

Não sei que merda você fez, mas ele não quer ir para sua casa.

Sangwoo caiu sentado na poltrona. Ficou alguns minutos anestesiado. Sentia raiva de Yangmi, mas... Sentia mais raiva de si mesmo. Suspirou, levantando.

- Vou embora. – disse simplesmente, passando por sua manada e partindo.

Algumas pessoas tentaram pará-lo na festa, ou cumprimenta-lo, mas ignorou solenemente, indo direto para seu carro, onde entrou e começou a dirigir.

Não podia ir atrás do ômega no dormitório da universidade, alphas eram proibidos por lá. Podia ser expulso...

“Foda-se.”

Dirigiu até os dormitórios da universidade. Desceu do carro e deu de cara com Yangmi. Que parecia esperá-lo como se fosse a coisa mais previsível do mundo ele estar ali.

- Nem tenta... – ele passou por ela.

- Melhor universidade de medicina do país.

Ele parou.

- Você é o melhor aluno. Se tentar entrar naquele dormitório agora, além de levar um fora, porque o garoto não está em condições de conversar com você, ainda vai ser expulso.

- O que você quer que eu faça? – disse indignado.

- Primeiro, quero que se acalme. O estado que você deixou aquele garoto não é normal. Não sei o que você fez, mas foi grave. Segundo, se decida! Do que adianta ir lá atrás dele e dispensá-lo amanhã?

Sangwoo passou a mão nervosamente no cabelo. Se decidir... Realmente... O que afinal de contas ele queria de Bum? Que o garoto ficasse próximo? Mas também não queria quebrar o vínculo? Se for assim, não era melhor ele afastado?

Bufou, erguendo a cabeça e fitando o prédio do dormitório ômega.

- Sang... – começou a garota.

- Você tem razão. – ele deu as costas para o edifício: - Preciso pensar. – se afastou, entrando no carro e ligando-o.

Foi para casa, a primeira coisa que sentiu ao entrar, foi o perfume do ômega.

“Ótimo...” – refletiu ironicamente, caminhando até a geladeira, abrindo-a e dando de cara com o bolo que Bum cozinhara aquele mesmo dia.

- Pelo visto... Fez mais chantilly... – murmurou, lembrando-se daquela tarde.

Como ele conseguiu ferrar tudo em poucas horas? Pegou um engradado de cerveja que estava ali.

“Ferrar o que exatamente Sangwoo...?” – pensou consigo, suspirando profundamente.

Sentou-se no sofá e ligou a TV. Não tinha a porra da mínima ideia do que fazer. Começou a beber e a transitar pelos canais, sem nenhuma vontade. As horas passavam e nada vinha a sua mente.

Já dava o noticiário da manhã quando refletia sobre toda a merda que havia ocorrido.

“Por que fui naquela maldita festa?”

Mas não havia sido a festa... Sabia disso. O vínculo teria se concluído, estando lá ou não. Se estivessem em casa, mudaria alguma coisa?

“Talvez eu tivesse o impedido de fugir...”.

Realmente o teria impedido? – fitou a lata de cerveja, um tanto perdido. Teria agido minimamente diferente em casa? Não tinha uma resposta pronta.

Arrependia-se de não ter falado com o garoto, mas o que falaria para ele? Que sentia muito? Que o queria de volta? E então o quê? Ia se abrir? Se tornar o livro aberto que aquele vínculo dava a oportunidade de ser? Conseguiria fazer isso?

A resposta era não. Não conseguiria. Por mais que...

- Eu goste dele. – a frase saiu mais como uma confissão, do que uma reflexão.

“Eu gosto dele?”

Sim, claro que gostava... A companhia dele era agradável e o sexo incrível e...

Não era isso.

Engoliu em seco. Não era esse tipo de gostar. Respirou fundo, fitando o teto da sala.

- Eu gosto dele. – murmurou.

Sabia o sentido em que dizia essas palavras e no momento que seu coração disparou, teve certeza da verdade delas.

“Merda.”

Estava apaixonado. Era isso... Estava apaixonado pela porra do ômega. Perceber isso o deixou chocado. Por isso o garoto era importante... Por isso não conseguia parar de pensar nele, por isso o queria por perto, não era só a merda do vínculo. Apaixonara-se. Levantou e foi comprar mais bebida. Precisava encher a cara, aquilo era demais para seu cérebro processar.

Passou o sábado bebendo e assimilando a nova informação. Seus pensamentos variavam entre muitos “Não é possível!”, até os “Mas que porra!” e finalmente os “Eu não acredito nisso? Quando aconteceu? Como? Por quê?”.

Além de não chegar à conclusão nenhuma com tantos questionamentos internos, sem ser o fato irrefutável de que estava apaixonado pelo rapaz, sábado deixou de presente a Sangwoo um domingo terrível. Passara mal devido ao excesso de bebida e quando não estava no banheiro, sentia-se um camelo de tanto beber água devido a sede louca que sentia.

Yangmi passara naquele dia, fora buscar roupas do garoto. Ela ficou meio chocada pelo estado do alpha, mas ele não deu muita conversa. Apenas a deixou entrar e levar as porcarias das roupas.

- Não todas! – disse claramente à garota enquanto ela escolhia algumas.

- Já entendi! – respondeu Yangmi, ainda chocada pelo estado do alpha.

Fitou o quarto que possuía ainda o cheiro do rapaz, coçou a cabeça... Aquilo ela era irritante. O queria ali...

“Ele realmente não pretende voltar...” – pensou vagamente enquanto observava a garota ir embora.

Na noite de domingo, tomou coragem e pegou o celular, iria conversar com o rapaz, mesmo que não desse em nada... Nesse momento, notou um detalhe.

“Não tenho o número dele.” – refletiu olhando o celular.

Nunca perguntara. Nunca quisera saber nem o número dele.

“Não é pra menos que ele não quer voltar...” – riu sem achar graça, fitando o horário em seguida. Era tarde.

Podia ligar para Yangmi e pedir o número de Bum, mas o simples fato de que teria de contar à garota que não tinha o número dele, o fez mudar de ideia. Encontraria o ômega segunda e conversaria com ele. Foi dormir.

Segunda veio como uma tormenta, trabalhos, provas, professores irritados, tudo se acumulava. Não encontrou o garoto quando chegou à universidade, nem no horário do almoço. Avisou a manada que se o vissem, era para alertá-lo, mas no fim, ficou tão ocupado que nem o celular conseguiu conferir.

A terça pareceu uma dura repetição de segunda, mas dessa vez encontrara o rapaz nos corredores da universidade, contudo o garoto não o vira, e por alguma razão, não conseguiu se aproximar. Sentiu-se um imbecil depois... Nunca ficara daquela forma...

“Sério que me senti inseguro?” – pensava desanimadamente em casa, depois das aulas.

Comia o final do bolo preparado pelo rapaz, estava muito bom. Queria ter comido com ele... Na verdade, sentia falta da comida do garoto. Comida comprada, mesmo que caseira, parecia não ter o mesmo gosto. Foi dormir um tanto puto consigo, deveria ter ido conversar com ele, não tinha desculpa.

Quarta teve de fazer uma apresentação importante. Novamente não o encontrara e passara o dia inteiro ocupado. Quando isso se repetiu na quinta, teve certeza.

Estava postergando.

Era como se parte dele quisesse evitar esse encontro, essa conversa. Nunca se sentira dessa forma, com mais duvidas do que certezas. Desde que Bum surgira em sua vida, parecia que era sempre assim... Ficava confuso, vacilava, hesitava... – respirou fundo.

Estava cansado. Mas... Sentia falta do garoto. A casa já não tinha mais o perfume dele, no máximo, o quarto em que dormira. Que estava devidamente trancado, e por mais que pudesse abrir com a cópia da chave que mantinha em uma de suas gavetas, não o fizera.

Lembrava-se com carinho de todos os momentos com o garoto, sabia que na verdade, não merecia que ele voltasse... O simples fato de estar enrolando para falar com ele, era uma prova disso... Mas o queria de volta, sentia muita sua falta...

“Sinto saudades de você...” – pensou, colocando o braço sobre os olhos, já deitado em sua cama. Iria parar com isso. No dia seguinte falaria com ele. Relaxou para poder dormir.

Sexta, como era de se esperar daquela semana infernal, teve mais uma apresentação, sobre uma matéria particularmente difícil. Não encontrou Bum, mas decidiu pedir o endereço da creche em que ele trabalhava para Yura. No fim do dia, dirigiu até lá.

Quando chegou, estacionou nas proximidades – não na frente, não queria atrapalhar. Começou a ler e fazer anotações de um livro que precisava terminar – afinal, chegara cedo e o rapaz saía somente em uma hora. Contudo, quando viu o pequeno sair do local, notou que alguém já o aguardava.

Yoonjae abriu a porta do carro para Bum, o pequeno sorriu um pouco sem graça e entrou. O alpha então deu a volta no automóvel, entrando e partindo, levando o ômega. Nenhum dos dois pareceu vê-lo.

Sangwoo quebrou a caneta que estava em sua mão – não que estivesse prestando atenção nisso, e ficou chocado. Para quem considerava que aquele Yoonjae ficara no passado e já não importava, Bum parecia bem feliz com a companhia entusiasmada do alpha.

Respirou fundo. Estava exagerando. Encostou a cabeça no volante. Sua raiva aumentando.

“Merda.” – pensou, batendo contra o painel do veículo.

O que ia fazer? Correr atrás deles com o carro e provocar um acidente? Não parecia uma má ideia.

“Não... É uma ideia terrível.” – refletiu consigo.

Sentia seu pé bater no chão e aquela maldita sensação. Ia fazer alguma merda, precisava extravasar aquele ódio em alguma coisa. Saiu do automóvel e abriu o porta-malas. Pegou uma mochila e fechou-o com força.

Voltou para dentro do carro, tirando um celular da mochila. Escreveu rapidamente.

Alguém com meu perfil?

Não demorou muito para receber uma resposta.

Xristmas

Achei que não ia lutar essa semana! Estava surpreso...

Mas, enfim, claro Kailan! Sempre há alguém para você! Hoje é no Clube Tempestade.

Refletiu um pouco, não conhecia o local.

Onde fica?

Xristmas

Hahaha não conhece? Mando o endereço por anexo.

Fitou a mensagem por alguns segundos. Ficou surpreso ao ler o endereço anexado com um mapa, era um bairro nobre.

“Pelo visto estão cada vez mais ricos...” – pensou o rapaz.

Retirou a máscara cirúrgica negra com o x branco, a toca de lã negra e os braceletes de couro. Não havia devolvido a camisa para aquela mochila, iria com a que estava usando.

Dirigiu até o local, tentando se distrair de todas as possibilidades que envolviam o que Bum fazia naquele momento. Mas sua mente não era exatamente sua melhor amiga, por isso lhe brindava com suposições que iam dele ter voltado para o dormitório, ter ido tomar um café com aquele maldito alpha até ele estar transando e gozando nos braços de Yoonjae.

Sua irritação aumentava a cada segundo, mas quem culparia por isso além dele próprio?

Estacionou em frente a um prédio grande e bonito, fachada bem cuidada. Lembrava um hotel de luxo. A variedade de pontos que conseguiam encontrar para armar todo aquele espetáculo, sempre o surpreendera, mas nunca fora num lugar tão luxuoso.

Entrou no local meio receoso, indo diretamente até o bar. Não reconheceu o bartender, teria errado?

- Clube Tempestade? – perguntou em dúvida para o rapaz que preparava os drinks.

O moreno alto apontou com a cabeça para um corredor, onde no final, encontrava-se uma porta branca, com entalhes luxuosos e que estava semiaberta. Ao seguir o caminho e entrar, visualizou um salão de festas totalmente decorado.

Havia um palco onde uma bela jovem cantava, ela usava um vestido dourado longo, com uma abertura na lateral, deixando parte da perna esquerda a mostra e tinha uma pequena banda que a acompanhava, sua voz era suave e gentil.

- I heard he sang a good song, I heard he had a style – ela sorria, apesar do tom melancólico com o qual cantava.

Sangwoo caminhou até o bar, onde estava o bartender loiro que já o conhecia. No momento, ele estava ocupado conversando com um cliente, decidiu esperar ouvindo a jovem.

- And so I came to see him, and listen for a while. – ela fechou os olhos, parecia sentir a música.

- And there he was, this young boy, a stranger to my eyes. – abriu lentamente os olhos, fitando a todos que a observavam.

- Strumming my pain with his fingers.

Sangwoo não conseguia parar de pensar no ômega.

- Singing my life with his words.

O sorriso dele, o beijo dele, a gentileza dele… Não acreditava ainda que havia arruinado tudo... Não queria tê-lo magoado tanto...

- Killing me softly with his song.

Não sabia exatamente se aqueles pensamentos o irritavam ou alegravam.

- Killing me softly... With his song.

Não tinha certeza se queria esquecer ou prosseguir…

- Telling my whole life with his words.

Talvez o melhor para Bum fosse deixá-lo em paz.

- Killing me softly, with his song.

“Ou talvez seja o melhor para mim… E eu esteja apenas sendo egoísta, de novo”.

- Kailan!

Sangwoo se voltou para o bartender que sorria.

- O de sempre? – perguntou o loiro.

O alpha acenou positivamente com a cabeça, fazendo o bartender lhe entregar um cartão.

- Hoje você precisa passar isso na porta. – ele sorriu amigavelmente: - É logo ali ao lado. – apontou mostrando o local.

Sangwoo pegou o cartão e andou até a porta indicada, por um instante hesitou, aquele não era o melhor caminho para resolver seus problemas, sabia disso... Mas não conseguia evitar, ou fazia isso, ou mataria Yoonjae assim que o encontrasse. Abriu a porta.

No momento que atravessou, não demorou a uma garota de vestido curtíssimo azul marinho, o receber. Ela tinha os cabelos curtos negros, olhos cor de mel, usava uma bela coleira no mesmo tom do vestido e sorria radiante.

- Kailan, certo?

- Sim. – respondeu simplesmente.

- Já conhece nossas regras? – ela se aproximou, fitando-o: - Ou a falta delas? – sorriu: - Vai querer companhia antes da luta?

Sangwoo fitou bem a garota, o tipo de corte lhe recordava muito o ômega. Aproximou-se, segurando os cabelos dela e puxando um pouco para trás, visualizando melhor o rosto. A mulher sorriu e ele a soltou.

“Não. Totalmente diferente...” – refletiu, olhando para o lado.

Mesmo que ela fosse parecida... Provavelmente não conseguiria. Espera. Ele não conseguiria? Era por que estava apaixonado por aquele ômega?

“Isso explica aquele garoto na festa... Não... Aquela festa foi logo depois que nos conhecemos... Deve ter sido mais um sintoma do que estava acontecendo... Que porre.”

Isso significava que se ele levasse um fora daquele garoto, ficaria brocha o resto da vida? Não. Claro que não. Provavelmente seria só enquanto estivesse sentindo aquilo... Mas que era um saco, isso era. A garota na sua frente era bem gostosa, mesmo sendo cara, uma rápida não seria tão ruim...

Alphas ficavam ainda mais atraídos pelos seus respectivos ômegas, afinal, eles estavam biologicamente prontos para eles, por causa disso, a libido relacionada a outras pessoas diminuía drasticamente após o vínculo. Era um fato. Agora, totalmente nula? Deveria ser premiado. E seu lado alpha era categórico, não queria ninguém além do garoto.

“Meu instinto alpha, ou lado alpha que tenho dentro de mim, é muito filho da puta, puta que pariu!” – pensou irritado.

- Conheço as regras. Não quero companhia.

A garota pareceu um pouco decepcionada, mas deu de ombros: - Bom, então é só vir comigo. – ela o pegou pelo braço, levando-o a uma sala grande, com belas poltronas de repouso e uma mesa com algumas revistas e água mineral. Esperou ali até chegar a hora da luta, quando finalmente pode sair, teve de seguir todos os protocolos chatos.

Primeiro a sala com a câmera, onde permaneceu cinco minutos em completo silêncio.

“Eles devem me achar um saco...” – refletiu fitando de canto a câmera.

Depois a sala de exame, onde foi amordaçado e revistado.

Já pronto, a garota o levou para a arena. Dessa vez, além das sacadas, havia também arquibancadas lotadas. Refletiu como tudo aquilo podia caber dentro de um prédio.

A gritaria era intensa, a gaiola octógona estava iluminada parcamente com luzes vermelhas e azuis. O destaque do momento eram os diversos telões que anunciavam a próxima luta.

Uma voz grave e animada chamou a atenção de todos, criando uma nova atmosfera de expectativa.

Sejam todos bem-vindos! – a gritaria reiniciou, dessa vez até mais animadamente.

Hoje temos uma luta de campeões! Nosso aclamado, contudo contido, Kailan!

Os gritos ficaram ensurdecedores.

Sangwoo se surpreendeu. Que merda era aquela? Tornara-se famoso por acaso? Estava esperando em um dos caminhos que direcionava a gaiola, quando o locutor o anunciou. Imediatamente uma das luzes o cegou, fazendo-o erguer um dos braços e proteger o rosto.

Sentiu seu outro braço ser puxado pela garota que o acompanhava e foi andando até a gaiola, que já se encontrava melhor iluminada e em destaque.

E o queridinho do público, o que não poupa nem os nocauteados! O assassino a sangue frio, Killer! – a plateia foi à loucura.

“Bela apresentação.” – pensou Sangwoo, refletindo se metade do que aquele locutor dissera era verdade.

O homem que entrou na gaiola vestia uma roupa comum, e também usava uma máscara que deixava apenas seus olhos a vista. Contudo, a máscara do rapaz era de látex e tinha desenhado um sorriso sádico, como o do famoso palhaço, Coringa. Tinha o mesmo porte físico de Sangwoo, apesar do cabelo loiro mechado com verde.

Podem começar! – um alarme ecoou pelo local.

Imediatamente Killer lançou seus feromônios e Sangwoo teve certeza. Era absoluta verdade o que aquele locutor dissera.

O arrepio agonizante que sentira, não era em nada semelhante ao que já presenciara em outras lutas. Aquilo era mais selvagem, mais... Odioso.

“Ótimo.” – pensou o alpha, liberando os próprios de uma só vez.

Os dois se analisaram por um instante e ambos sorriram debaixo de suas máscaras. Eram semelhantes e se entendiam. Aquela luta seria divertida.

Killer foi o primeiro a atacar, sendo bloqueado por Sangwoo, que tentou desviar do próximo golpe desferido em direção a sua perna, mas não conseguindo a tempo. A dor foi aguda. Aquele homem era um excelente lutador.

Focou-se. Se aquele filho da puta diante de si fosse Yoonjae, o que exatamente faria?

Sua mente pareceu desprender-se de suas ações. Tudo que via diante de si era aquele maldito alpha e tudo que ele poderia estar fazendo com o seu ômega. Estava furioso e descontava tudo que tinha no homem diante de si, que se defendia como podia.

Sangwoo levava socos e chutes tão impetuosos quanto, mas não caía. Killer provavelmente também pensava em alguém que lhe deixava sadicamente cruel e perversamente furioso. A luta ficava a cada momento mais acirrada e aquela batalha seria vencida por quem sentisse mais ódio.

A luta foi longa, e o alpha ficara totalmente fora de si, só retornou quando ouviu a plateia aos gritos ensurdecedores.

- MATA! MATA! MATA!

Sangwoo percebeu estar em cima do rapaz, e tudo que podia ver dele eram seus olhos desfocados. Ele já estava inconsciente e continuara batendo.

Parou.

Há quanto tempo estava naquela loucura? – segurou o pulso do homem.

Não sentia nada de pulsação.

Não.

Não era possível. – sacudiu a cabeça, tentando se concentrar.

Fechou os olhos, respirando fundo e tentando sentir novamente o pulso. Estava fraco... Muito fraco... Mas estava ali.

Levantou fazendo sinal para a equipe médica.

Foi vaiado loucamente pela plateia, mas estava pouco se fodendo.

E já temos um ganhador! Deem os parabéns a Kailan! – anunciou o locutor.

Mas a plateia parecia não interessada em parabenizar ninguém, continuavam vaiando.

Sangwoo apenas ergueu as mãos apontando os dedos médios para todos os presentes. Saiu da gaiola sem autorização e voltou para a sala onde fora deixado no início. Chutou a mesa, fazendo as garrafas de água caírem, uma delas abriu, molhando o chão.

“Quase matei uma pessoa...” – respirava com dificuldade.

Tirou a máscara e a mordaça, lançando-as para longe. A que ponto chegara... – caiu sentado sobre uma das poltronas. Vencera a luta, mas sentia-se derrotado.

“Eu quase matei uma pessoa...” – estava em choque.

Nunca fora tão longe... Não em uma luta que só valia dinheiro... – colocou a cabeça entre os joelhos, tentando manter a calma.

- Senhor Kailan...? – uma garota que vestia exatamente a mesma roupa de sua antiga acompanhante, o fitava um pouco afastada.

- Quê? – perguntou irritado.

- Hã... O senhor não deveria estar aqui... – disse timidamente a garota.

Sangwoo ergueu o olhar: - Para onde? – não estava com ânimo para discutir.

Ela fez um sinal para ele acompanha-la. Levantou, juntando e colocando novamente a máscara. Saiu. Esperou pelo dinheiro na sala indicada pela garota, apesar de não sentir nenhuma vontade de recebê-lo.

 “Eu quase matei alguém... Um total estranho... Só por estar com raiva...” – refletia olhando o teto do local.

Não tocara em nada, nem na bebida e nem comida servidos em abundância para ele.

“E eu ainda quero ficar com ele? E se um dia me irritar? Vou fazer o quê? Matá-lo?” – fechou os olhos.

Sentia uma dor angustiante, além da física que sofrera pela luta, era algo mais profundo. Sua alma parecia sangrar. Se o rapaz o visse através do vínculo, perceberia essa possibilidade? Que poderia acabar morto naquela relação?

Contudo... O que Sangwoo mais sentia era vontade de proteger Bum. De mantê-lo seguro. Acima de tudo e todos.

“Isso significa... Protegê-lo até de mim, não?”.

A porta abriu, um homem trazia a mala. A pegou e saiu, indo diretamente para casa. Sua recém-tomada decisão de se reaproximar do garoto, ficara nublada novamente. Sentia-se perdido, e de forma bastante visceral, sozinho.

Passou o sábado dormindo e se recuperando. Parecia ter passado por um triturador de carne, tirando o fato de estar vivo. Tinha dores até em locais que não achava possível sentir dor, como seu cabelo.

O domingo seria passado exatamente da mesma forma, se durante a tarde, a campainha não tivesse tocado insistentemente. Saiu debaixo de seus cobertores mal humorado.

- Já vai. – falou alto, irritado, abrindo a porta.

- Oi! – disse animada a morena de cabelos negros com pontas azuis. Vestia uma camisa onde se lia Royal Servant, e uma calça jeans rasgada.

- Yangmi?

Sangwoo estava confuso com a presença da garota, não que ela nunca fosse visitá-lo, mas isso nem sempre era um bom sinal. A garota entrou animada, parando logo em seguida, em completo choque.

- Mas que merda é essa? – ela apontou para o local.

- Quê? – o rapaz olhou para os locais que ela mostrava, percebendo a zona que a casa se encontrava.

- Decidiu morar em um lixão agora? – falou indignada: - Eu sabia que você estava mal, mas não pensei que era tanto assim... – ela largou a mochila em um dos poucos pontos limpos do local: - Vim jogar videogame e conversar, mas esquece. Vamos arrumar isso primeiro.

- Yangmi... Eu não estou com saco pra isso... – resmungou o alpha, coçando a cabeça.

- Eu notei. Você não deve tá com saco faz um tempo pra chegar a esse estado. – a garota pôs a mão na cintura: - Anda, vai pegar a vassoura que eu pego os sacos de lixo... – ela pulou por cima de uma latinha de cerveja: - Caralho... Sua casa nunca ficou assim... – murmurou.

- Estou cansado e dolorido... Realmente não quero fazer isso...

- Tá parecendo um velho rabugento. – disse a garota empurrando-o para a lavanderia: - Anda, vou te ajudar e acabamos isso rápido, ok? – ela sorriu.

Sangwoo revirou os olhos, mas concordou. Pegou a vassoura e começou a limpar. Yangmi o auxiliou logo após ligar o som. Depois de alguns minutos, ela já dançava enquanto limpava e ele ria da situação.

No fim da tarde, a garota preparou um lanche com refrigerante para eles e sentou no sofá, puxando o alpha para conversar sobre o real assunto que queria tratar ali.

- Quando você vai falar com ele? – disse mordendo um pedaço do sanduiche.

- Sério? Você me ajudou a limpar a casa, veio até aqui, só pra falar sobre isso? – ele pegou o copo de refrigerante, começando a bebê-lo.

- É claro! Sou SangBum na veia! – disse decidida a garota.

- Quê?

- Nada, esquece. – ela riu: - E então... Quando vai ser? Hoje pelo visto você não vai se mexer...

Ele jogou a cabeça para trás, se atirando mais confortavelmente: - Eu não sei. Ok? Eu não sei quando vou falar com ele. – seu tom era sério.

Yangmi ficou surpresa, mas não desistiu: - Por quê? Eu sei que falei para você pensar, mas não achei que ia demorar tanto assim pra notar o óbvio...

Sangwoo virou o rosto em direção à garota: - Quê? Que óbvio Yangmi?

- Que você tá gostando dele, é claro. – ela realmente falou como se fosse a coisa mais óbvia do planeta.

- Ah... Isso... – ele desviou o olhar, fitando o teto: - Não é isso.

- Sério isso? Você já notou, mas sua cabecinha de vento maravilhosa, já arranjou outra desculpa para não se envolver, não é? – a garota parecia indignada.

- Primeiro não é desculpa. Segundo, nada mudou Yangmi, meus motivos continuam os mesmos, comigo gostando dele ou não. A questão nunca foi gostar dele, pra começo de conversa. – Sangwoo disse isso em um tom mais desanimado do que contestador.

Yangmi suspirou profundamente: - Você realmente não vê nada de bom em si, né? – seu tom era triste, quase melancólico.

Sangwoo se virou, fitando novamente a garota. Parecia verdadeiramente chateada. O que não era uma característica dela. Depois de um breve silêncio, ela o fitou seriamente.

- Por que você acha que eu te sigo Sangwoo? Quando toda a sua primeira manada debandou, por que acha que fiquei? Apaixonada por você nunca fui, então me explica. Se você é um monstro bestial que tanto pensa ser, por que eu te sigo até hoje?

- Masoquismo? – ele perguntou debochado.

- Para! – ela bateu nele: - Não desvia de assunto! Quando tento te falar as suas qualidades, você sempre debocha ou tenta me irritar. Dessa vez não vai colar. Já chega. Eu te sigo porque você é bom. Por mais que não acredite nisso.

O rapaz revirou os olhos, desviando-os para a TV, o que fez a garota bufar.

- Quando eu era pequena, todo mundo me tratava como uma princesa. Você não tem ideia do quanto isso era irritante. Eu via as outras crianças lutando e entrando nas famosas “manadas mirins” que nunca dura... – ela riu: - E eu também queria participar... Mas... Nenhum dos meninos queria lutar comigo. Eu acabava puxando a briga mesmo assim... Mas quando ganhava nenhum deles me deixava mordê-los, porque era humilhante pertencer a manada de uma garota... E quando eu perdia, eles não queriam me morder porque meninas não serviam pra nada.

Sangwoo a fitou.

- Até que desafiei você! Pra minha surpresa, você não só aceitou como lutou “pra valer” e me mordeu quando perdi! E quando você foi me apresentar para o resto da manada naquela época... Você disse...

- Que tinha sido a luta mais difícil da minha vida. E tinha, pior do que com você, só com o Dongyu e a Yura anos depois. – ele respondeu simplesmente, estava sendo sincero, não tinha porque mentir naquele assunto: - Eu só disse a verdade Yangmi.

- Pode ter sido “só a verdade” pra você, mas pra mim foi muito mais. Você me aceitou do jeito que eu era... Sem me rotular ou colocar em uma caixa de cristal. E você faz isso Sangwoo! Não foi só comigo. – ela refletiu: - E a Yura?

- O que tem ela? – ele perguntou confuso.

- O simples fato de você ter feito a manada inteira usar “A”, “ELA”, “DELA” para se referir a ela antes da cirurgia... Você tem ideia do quanto isso foi importante?

- Mas ela, sempre foi ela, independente do corpo que tenha nascido. É babaquice pensar o contrário. – ele comeu um pouco do próprio sanduiche.

Não entendia onde Yangmi queria chegar. Deveria ter tratado a Yura mal? Só por ela ser biologicamente um rapaz? Não tinha lógica na cabeça do alpha. Se ela se sentia uma mulher e queria trocar de sexo, deveria ser tratada como uma mulher, não? Yangmi sempre era exagerada.

- Caralho. Como você não nota... – ela respirou fundo: - Todo mundo sabe que você quer usar as nossas famílias. – disse simplesmente.

Sangwoo engasgou.

- É um tanto óbvio. Todo o líder de uma manada quer usar a família e influência de sua manada, se não fosse para ser assim, ele nem teria se dado ao trabalho de criar uma. A não ser quando se é criança... Quando se é criança tudo é divertido e sem consequências. – ela respirou fundo: - Mas ao mesmo tempo, essas atitudes suas, não é por causa disso... É porque é o seu jeito mesmo. Você realmente acha que é babaquice pensar o contrário da Yura, você realmente acha que eu sou forte, você realmente não liga se o Taehyun dorme com um, dois, três, quatro ou cinco pessoas ao mesmo tempo.

- Cinco? – Sangwoo perguntou surpreso: - Novo recorde pessoal? – questionou curioso.

- Acho que sim. Aconteceu na última festa pelo o que soube. – respondeu a garota, matando a curiosidade do líder: - Mas continuando, você não liga para o Jihoon ser gay, ou o Dongyu ser gordo, você não o manda fazer dieta ou o humilha diante de todo mundo. Você simplesmente não é essa pessoa.

- Mas a questão não é essa... – ele sentou melhor no sofá, respirando fundo, tentaria explicar a garota: - E se... – ele hesitou: - E se eu bater nele? – saíra mais curto e direto do que gostaria, mas a questão fundamental era essa.

Yangmi piscou algumas vezes: - Sabia que a última luta tinha mexido com você... Nem esperou o cara mandar sair da gaiola.

- Quê? Como sabe? – ele perguntou chocado.

- Tenho internet, e já ganhei uma nota apostando em você. – ela sorriu erguendo o polegar.

- Caralho Yangmi. – o rapaz sacudiu a cabeça negativamente.

- Kailan é um belo nome, aliás. – ela riu: - No que diabos você pensou naquela luta? Por que você estava bem fora de si...

- Na porra do Yoonjae... – ele voltara a encarar o teto.

- Ah! E depois você não queria perder o controle? Pensar no cara que tá levando e buscando o seu ômega, todos os dias, não é bem uma forma de se manter são.

- Quê? Ele tá o quê? – o rapaz sentou melhor no sofá e voltou a fitar a garota: - Eu o vi com o Bum, UMA vez. – começou a ficar um pouco irritado.

- Ah... – ela tomou um gole do refrigerante, mas o olhar fuzilador de Sangwoo a fez continuar: - Então... Ele tem buscado o Bum todos os dias no dormitório, e na creche. Mas é só isso... Foi o que a Myung-Hee me contou...

- Só isso? – se sentiu um pouco aliviado, mas irritado ao mesmo tempo.

- Sim... O Bum foi claro com ele... Disse que não sentia mais nada, mas o rapaz é persistente. – ela deu de ombros.

- É... Eu sei que ele é. – respondeu irritado, mas passou a mão no cabelo, respirando fundo.

Estava feliz.

“Merda”.

Não conseguia negar o fato de estar feliz por Bum ter dito que não sentia mais nada por Yoonjae. Aliás, estava mais feliz do que pensava que conseguiria ficar por tão pouco.

“Eu estou completamente perdido por ele... Não?” – refletia um tanto desanimado.

- A Myung-Hee está brava com você, mas, ela ainda concorda comigo quando digo que vocês são um belo casal... – Yangmi sorriu com a frase: - Aliás, o Bum descobriu como sentir a gente... Você notou?

Sangwoo fechou os olhos, sim. Ele notara. De vez enquanto sentia o rapaz... Mas ao mesmo tempo, também percebera que não conseguia transmitir nada além do básico para ele.

“Ele se fechou tanto quanto eu...” – refletiu.

- O Taehyun correu atrás dele esses dias. Ele queria explicar ao Bum que às vezes se fecha... – ela riu: - Você sabe o porquê.

- Ninguém quer o sentir transando. Sério. – respondeu Sangwoo.

- Pois é... Ele disse que não queria que o Bum pensasse que ele não gosta dele, ou o estava evitando, mas ele não conseguiu alcançá-lo! – ela riu.

- Vocês todos deixam ele senti-los? – fitou Yangmi.

Um líder de manada tem o poder de comando, através da voz, e seu vínculo é impossível de ser totalmente fechado pelos membros da manada. Sangwoo é um líder que permite privacidade a sua manada. Quando os mesmos querem fazer algo íntimo, ele permite que eles bloqueiem a conexão. Contudo, pode ‘interromper’ a intimidade e chamá-los, se quiser. Agora, Bum era diferente.

Bum era o companheiro do líder, ele não podia forçar essa conexão na manada. Portanto, somente se a manada permitisse, ele se conectaria a eles. Estava surpreso por eles permitirem, qualquer um podia impedi-lo.

- Claro que a maioria de nós deixa... Pelo menos, os que sei que ele tentou. – ela riu: - A gente gosta dele. Só você que é um babaca e maltrata aquele Bebê Maçã.

- Bebê Maçã?

- É como a Myung-Hee o chama. – ela riu, voltando a comer o sanduiche: - É que ele fica uma graça comendo maçã.

Sangwoo fitou a garota seriamente: - Quando é que você vai pedir a Myung-Hee em namoro?

- Quê? – ela engasgou.

- Eu estava pensando, que tal YangHee ou YangMyung? – ele riu: - Eu vejo o jeito que olha pra ela...

- É... Complicado. – ela desviou o olhar.

- Como assim? Eu, até é compreensível, mas você? Por quê?

-... – ela ficou um momento em silêncio: - O Chung Ho gosta dela. E ele é meu amigo, manada, mais que minha família... Não consigo fazer isso com ele... – ela baixou o olhar.

-... Então não faz. Esquece ela e segue em frente. – Sangwoo sabia o quanto a manada significava para Yangmi.

- Mas eu gosto dela. – suspirou: - Nunca me senti tão atraída por alguém...

- Então sai com ela. – se atirou no sofá, por isso não falava desses assuntos.

- Mas ele também gosta...

- Então vai à merda. – o rapaz perdeu a paciência.

- Sangwoo!

- E se você descobrir o que ela quer? – fitou a amiga: - Se ela gosta do Chung Ho, deixe os dois ficarem juntos e aceita isso, agora, se ela gosta de você... Explica a situação a ele... Sabe, ninguém aqui tem doze anos...

- Você é tão bom dando conselhos... Menos para si. Daí é uma negação. – ela sacudiu negativamente a cabeça: - Que tal assim, se você bater no Bebê Maçã, eu me junto ao Dongyu e a Yura, e nós três matamos você, o que acha?

Ele riu: - Seria uma boa ideia. – disse simplesmente: - Mas você sabe que isso não é, tecnicamente, possível, né?

- A gente contrata mercenários para te matar então... – ela riu: - Olha, Sang, você fica tanto tempo pensando no que poderia acontecer que não vive o presente... Você realmente quer que o Bum volte para o ex? Por que, conhece o ditado né? Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

Sangwoo suspirou. Não, ele não queria... Ele queria o garoto de volta, em casa. Queria beijá-lo, abraçá-lo, possui-lo... E principalmente, mantê-lo a salvo ao seu lado.

- Vou falar com ele amanhã. Sem falta. – disse sério.

- Ótimo! Missão cumprida! – ela riu.

- HeeYang... – provocou o rapaz.

- Quê?

- MiMyung... – continuou.

- Para! – ela tentou bater nele, mas ele levantou.

- KaaLee! – se afastou.

- Sobrenomes não! – ela correu atrás dele.

Despediu-se de Yangmi quando já anoitecia e após um banho, colocou o despertador para bem cedo. Iria pessoalmente buscar o rapaz no dia seguinte, antes de Yoonjae ter a oportunidade.

Contudo, às vezes o destino não ia com a cara de Sangwoo. A bateria de seu celular morreu durante a noite, sendo assim, o rapaz acordou tarde, se atrasando para a universidade. Como se não fosse o suficiente, o professor adiantou o máximo que pode a aula da manhã, fazendo-o perder o rapaz e o almoço. Depois, quando pensou que poderia buscá-lo na creche, esqueceu que tinha marcado para fazer um trabalho em grupo e teve de ficar na biblioteca até a mesma fechar.

Quando chegou em casa, jogou sua mochila com tanta força no sofá, que por um instante, jurava que tinha quebrado alguma coisa.

- Que merda de segunda... – disse tirando a roupa e tomando um banho.

Estava profundamente irritado. O que faria agora? Teria de esperar até o dia seguinte...

“Que droga...” – pensou batendo levemente a cabeça contra a parede do banheiro.

Saiu, se secou e colocou um pijama.

Foi para a cozinha, iria esquentar algo para comer, quando deixou o prato que segurava cair no chão quebrando-se em diversos pedaços.

Fora como um choque. Um alarme disparado em todo o seu sistema nervoso. O seu ômega estava em perigo, horrorizado e com medo. Foi tão forte, que Sangwoo teve de se apoiar na bancada para recuperar o ar.

“Mas que merda...” – pensou, saindo imediatamente da casa.

Contudo, não conseguia senti-lo... O choque fora rápido. Tinha certeza que ele estava em perigo, mas a sensação desapareceu imediatamente após aquilo...

Fechou os olhos, talvez ele tivesse desmaiado ou algo assim. Entretanto ainda poderia localizá-lo, pelo menos teoricamente. Nunca realmente tentara algo assim...

Começou a se concentrar...

Nada.

Não fazia a menor ideia de onde ele estava.

Respirou fundo, batendo levemente no volante.

Concentrou-se novamente...

Nada.

- QUE MERDA! – socou com força o painel.

Não ia desistir. Fechou os olhos.

“Bum... Bum onde você tá...” – pensava tentando reatar a conexão.

Era como mergulhar no oceano... Frio... Profundo... Doloroso...

“Talvez por ter me fechado...”.

Sangwoo tentou diminuir suas barreiras, não conseguindo realmente derrubá-las de uma vez, mas faria de tudo para encontrá-lo.

Foi quando sentiu...

Um calor em meio ao gelo...

Um sussurro no fundo de sua mente...

Abriu os olhos. Sabia onde ele estava. Começou a dirigir.

Errou algumas ruas, apesar de seguir o caminho certo, não conhecia aquela parte da cidade. Provavelmente receberia muitas multas por aquele dia. Mas não ligava.

Sua velocidade estava no máximo. Quanto mais perto o sentia, mais rápido ia...

De repente, o desespero do rapaz voltou, a cada segundo mais agoniante, a cada momento mais doloroso.

“Que porra tá acontecendo com você?”.

Não conseguia entender, mas sentia o desespero do pequeno. Era algo profundo, parecia esfaqueá-lo aos poucos. Cortá-lo lentamente.

Não conseguia concentrar-se em mais nada além de localizá-lo e resgatá-lo o mais rápido possível.

Finalmente encontrou o local, tinha certeza que ele estava lá dentro. Era uma casa de porte médio, bem cuidada, não entendia porque aquele local poderia causar tanto horror, mas não pensou duas vezes. Estacionou o carro, desceu e invadiu. Chutando a porta até abri-la.

Um casal jantava, ficaram chocados ao vê-lo. O velho senhor levantou.

- QUEM É VOCÊ? COMO OUSA INVADIR MINHA CASA?

Sangwoo o analisou rapidamente. O velho era um alpha, cheirava a bebida alcoólica, cigarro e tinha várias cicatrizes no pulso. Possivelmente passara por muitas manadas, não ficando em nenhuma. Um desgarrado bêbado.

Já a mulher era ômega, tinha o rosto cansado e parecia muito fraca – até para o padrão ômega.

- Onde ele está? – Sangwoo sibilava as palavras, tinha certeza que o garoto estava ali: - Onde está o meu ômega? – ia dar uma chance, se eles lhe dessem o que queria não os matava.

A mulher deu um gritinho, colocando a mão na boca.

- O quê? Do que está falando? – respondeu o velho.

- ONDE ESTÁ O BUM?

O nome do rapaz pareceu despertar algo no homem, como se só então ele entendesse algo. Ele fitou a esposa e então Sangwoo. Seus olhos, de alguma forma, brilhavam.

- Ele é meu sobrinho. – o homem riu: - Não vai a lugar nenhum.

“Sobrinho?” – pensou Sangwoo, sentindo novamente a agonia do pequeno.

Não entendia o que estava acontecendo, mas se aquele alpha desgarrado e alcoólatra pensava que conseguiria pará-lo, estava muito engano. O ergueu pelo colarinho, colocando-o contra a parede.

- O que você fez com ele? – fitou os olhos do homem, seu ódio começando a transbordar.

- Não irei dizer e nem deixarei você passar. – respondeu o velho: - Chama a polícia! – falou para a mulher.

Sangwoo fitou uma porta: - Eu vou levá-lo, você querendo ou não. – jogou o sujeito no chão.

O velho levantou e agarrou sua camisa, empurrando-o e batendo-o contra uma das paredes.

- Ele é meu! E vai ficar aqui! – disse raivosamente o homem.

“Dele?”.

Sangwoo refletiu por um segundo naquela frase. O velho fora possessivo com Bum, isso não era comum entre parentes, e sim entre pares. Mas o ômega não tinha um par antes dele...

Sua mente, como se montasse um quebra cabeça, lembrou-se de Yoonjae falando que vira o pequeno chorando como naquele dia da festa, uma vez... Fora ele...? Fora o tio que fizera Bum chorar? Não tinha ideia se estava certo ou errado.

Contudo, seu punho já fechara. Estava com ódio. O socou violentamente, fazendo o homem bater contra a parede e levar consigo parte de sua camisa.

- Seu? SEU? – ele chutou o velho: - O que quer dizer com isso? – seu olhar felino indicava que estava a uma palavra de destroçar sua presa.

A mulher largou o telefone e correu, parando na frente do marido.

- Por favor! Por favor! Fui eu que o trouxe aqui! Ele está ali naquele quarto! – ela apontou desesperada. Suas lágrimas caindo pelo rosto.

Aquele olhar... Sangwoo parou hesitante. Lembrava demais sua mãe.

“Então é esse o tipo de relacionamento deles...”.

Sentiu nojo. Afastou-se do casal, caminhou até a frente da porta, onde já sabia que o ômega estava, chutando-a com tanta força que a mesma caiu com estrondo no chão.

Por um minuto, pensou seriamente em entrar no modo foda-se e matar os dois velhos. Bum estava amarrado e amordaçado, nunca sentira tanta raiva na vida. Talvez no dia que sua mãe morrera, mas, por sorte daqueles imbecis filhos da puta, seu instinto gritou mais alto.

Tinha que tirar seu ômega dali. Com urgência. Retirou a fita da boca do jovem.

- Que merda tá acontecendo aqui? – fitou sério Bum.

- Sangwoo...? – o pequeno parecia chocado ao vê-lo: - Como...?

- Depois. Deixa eu te tirar daqui primeiro. – disse ainda mais sério, vendo que a mochila do rapaz estava no caminho, recolheu-a, colocando-a no ombro.

Em seguida voltou até o pequeno, pegando-o no colo. Saiu mirando os dois velhos no caminho... Seu olhar era claro, se tocassem em seu ômega de novo, os mataria. Não haveria lágrimas na Terra que o parassem. Saiu da casa, caminhando até seu carro.

Bum tremia... Só queria tirá-lo dali...

“Nunca mais te deixo sozinho.”.

Colocou o ômega encostado no automóvel o melhor que pode. Como ele estava amarrado nas pernas e nos braços – que estavam nas costas, era difícil mantê-lo em pé. Contudo, conseguiu abrir a porta sem derrubá-lo no chão, e o deitou sobre o banco traseiro.

Se não estava enganado, a navalha que pegara de Taeyang após derrotá-lo – como uma recordação, estava em seu porta-luvas. Foi até lá e a encontrou.

“Exatamente onde deixei”.

Voltou para o moreno, cortando as cordas que o prendiam. Depois entrou no carro. Os tiraria dali o mais rápido que pudesse. Seu instinto gritava que precisava deixá-lo em um lugar seguro.

- Como? – ouviu a pergunta vinda do pequeno.

- O vínculo tá concluído. - suspirou: - Eu consigo te localizar independentemente de onde esteja. – disse sério, ligando o carro e começando a dirigir.

Muitas coisas passavam por sua cabeça. Por que eles o amarraram? O que eles queriam com o ômega? Por que aquele homem afirmou categoricamente que Bum era seu?

“Ele o chamou de sobrinho...”.

Respirou fundo antes de perguntar: - Eles são teus tios? – tinha de ter certeza disso antes de chegar a qualquer conclusão.

O silêncio do moreno foi um tanto agoniante, mas seu sussurro parecia querer por um ponto final naquele assunto.

- Sim. – disse somente.

Sangwoo não tinha ideia do que pensar, então, pelo que a mulher falara, ela raptara Bum e o amarrara na casa.

“E o tio é possessivo...”.

Só conseguia pensar no pior cenário possível. Queria levá-lo para casa e cuidar dele. Todavia, sua mente o recordou que ele já não estava mais em sua casa e que não havia dito nada sobre aquele dia da festa. Suspirou, estacionando o carro.

- Esqueci de te perguntar... – Sangwoo hesitou, não queria realmente fazer aquela pergunta, mas se simplesmente o levasse para casa, estaria o sequestrando tanto quanto sua tia: - Você quer ir para minha casa ou para o dormitório?

- Sua casa ou o dormitório? – repetiu Bum.

O destaque no sua, dado pelo tom do moreno, incomodou profundamente o alpha: - Por que deu ênfase no “sua”?

-... Porque ela é sua casa Sangwoo.

“Quê? Do que ele está falando?”.

- Você também mora lá, então é meio óbvio que ela é sua também, não? – soou mais irritado do que pretendia.

- Não. Não é óbvio. Principalmente se toda vez que você vai se referir a ela, fala minha casa.

A resposta indignada do garoto chocou Sangwoo.

Nunca realmente prestara atenção nisso... Talvez nunca considerara a casa como sendo deles... Mas agora... Agora era diferente.

- Nossa. – falou um pouco sem graça: - Você quer ir para nossa casa ou para o dormitório?

Era estranho como aquela pequena mudança, o deixara extremamente nervoso. Fitava o pequeno pelo espelho central, mas... O rapaz parecia chocado e hesitante.

“Por que você está assim...?”.

Refletiu por alguns instantes. Claro... Ainda não falara nada.

Bufou, batendo levemente no volante. Tinha de contar porque se fechara naquele dia... Ou o perderia.

“Tenho coragem para quase matar uma pessoa, e não para me abrir? Sou um tanto estranho...” – refletiu. O melhor era falar de uma vez.

- Eu fiquei com medo. Ok? Do vínculo. – queria soar mais calmo e tranquilo, mas não aconteceu.

Saiu de perto do espelho, olhando para a rua, aquilo era muito constrangedor... Ouviu a porta de trás bater e então fitou o garoto que entrava na porta dianteira e sentava ao seu lado.

- O quê? – o ômega soava chocado.

-... – não esperava surpreendê-lo tanto, olhou para rua novamente, como poderia explicar? Não tinha certeza se conseguiria pôr em palavras: -... Aquilo... Não era exatamente como eu pensava, quer dizer... É um pouco... Era quase como se eu lesse seus pensamentos! – virou-se para o ômega: - Isso não te assustou não? Nem um pouco?

“Sou o único que achou estranho...?”.

-... Você ficou com medo... – o garoto parecia estar processando a informação.

Sangwoo suspirou irritado: - Qual o problema...? Não é todo mundo que aceita numa boa algo tão... – o rapaz procurou a palavra certa: -... Intenso. – disse por fim. Ficando calado.

Bum sorriu e o alpha se distraiu com o sorriso dele, não ouvindo o que disse.

- Quê? – perguntou ao voltar para a realidade.

- Eu disse que quero ir para nossa casa. – o sorriso do pequeno aumentou e Sangwoo ficou totalmente sem chão. Sentira muita falta daquilo.

Voltou a dirigir, indo diretamente para casa.

Quando chegaram, o alpha andou até o banheiro, pegando o kit de primeiro socorros.

- Senta. – murmurou apontando o sofá para Bum.

O moreno sentou confuso e Sangwoo pegou suas mãos, começando a tratá-las. Retirando as farpas e limpando os cortes.

- Não precisa... – sussurrou corado o pequeno: - Eu... Posso fazer isso... – parecia a cada instante mais sem graça.

O alpha sorriu, pegando uma das mãos do rapaz e levando até seus lábios, onde depositou um beijo: - Queria ter o mesmo “poder” que você, por assim dizer... Se tivesse, poderia te curar...

Bum ficou vermelho até as orelhas, baixando o olhar.

Quando terminou de enfaixar as mãos do pequeno, levantou e levou o kit de volta para o banheiro. Ao sair, ouviu o toque característico do telefone do rapaz.

Observou o moreno calmamente abrir a mochila e retirar o celular, onde leu alguma coisa e respondeu.

- Você... Poderia me dizer quem é...? – perguntou o alpha.

Bum o fitou e então, após uma breve hesitação: -... É o Yoonjae... Ele não pode me buscar hoje e perguntou se cheguei bem... Como não respondi, ele mandou mais uma mensagem.

- O avisou que vai passar a noite aqui? – Sangwoo deu um sorriso.

O ômega corou: - Hã... Eu ia escrever a mensagem agora... – disse sem graça.

- Ah... Desculpe interromper, fique a vontade para escrever. – ele riu: - Falando nisso... – ele foi até o quarto e voltou com o próprio celular: - Qual o seu número, e nenhum comentário sobre eu ser, literalmente, o último a perguntar isso.

Bum sorriu com a observação de Sangwoo, dizendo o número em seguida. O alpha imediatamente ligou para o ômega, fazendo-o ter o seu também.

Sangwoo continuou fitando o ômega que mandava calmamente suas mensagens. A simples presença dele ali... Era como um oásis...

Respirou fundo. Mesmo que o pequeno mantivesse fraco, o alpha conseguia sentir o perfume dele perfeitamente. Sorriu. Queria dizer mais a ele... – andou até o sofá, sentando-se ao lado de Bum.

- Sangwoo...? – perguntou o garoto confuso.

- Bum... Eu... – ele fitou o jovem: - Eu não vou conseguir baixar as minhas defesas agora... E sinto muito por isso...

O ômega ficou calado por alguns instantes, mas notando a seriedade com a qual o alpha falava, prestou o máximo de atenção a suas palavras.

- Tenho muitos defeitos... Mais do que você imagina... – continuou o alpha.

- Eu sei... – sorriu o ômega.

- Mas... – ele segurou novamente as mãos do pequeno, o puxando delicadamente para perto de si, encostando sua testa na dele e sussurrando com a voz grave: - Eu senti muito a sua falta. – seu tom era como uma confissão, algo sigiloso dito apenas para o ômega.

Bum corou imediatamente, seus olhos eram o choque estampado.

Queria o pequeno somente para ele, e apesar de ainda sentir medo, de uma parte dele rejeitar aquilo pelo o que poderia acontecer... Não aguentaria ficar mais tempo longe do rapaz, nem vê-lo com outro, nem deixá-lo sozinho.

Sangwoo passou delicadamente a mão na cintura do moreno, trazendo-o para ainda mais perto, mas sem desviar seus olhos do rapaz. O vínculo ainda estava ali. Completo, apesar das barreiras.

Mas com o que havia derrubado, o alpha conseguiu transmitir seu carinho ao jovem e receber de volta o mesmo afeto, o que o fez tomar coragem para o que diria...

 “Uma via de mão dupla... Não parece tão ruim agora.” – sorriu.

- Bum... Você quer namorar comigo? 


Notas Finais


Oi \o, tudo bem?

E aí, o que acharam do cap? Espero que tenham gostado...

A música cantada é uma referência a comic, no caso se chama Killing Me Softly With His Song, e a versão é a da Roberta Flack (a mesma que o Sangwoo escuta conforme a Koogi).

Achei que ela combinava com o momento...

Como podem ver... Esse foi o maior cap já escrito por mim... Então, sinto muito todos os prováveis erros x.x'''

Obrigada a todos que leram ^________^b


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