História Destinos Cruzados - Capítulo 25


Escrita por: ~

Postado
Categorias Amor Doce
Personagens Ambre, Castiel, Debrah, Iris, Jade, Kentin, Kim, Lysandre, Nathaniel, Personagens Originais, Violette
Tags Amor Doce, Castiel, Drama, Lysandre, Nathaniel, Romance
Exibições 25
Palavras 3.487
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, gente! Tenho alguns avisos importantes para dar a vocês, então leiam, por favor.

Como estava completamente descontente com os primeiros capítulos da fic, decidi dar uma modificada. Alguns eu reescrevi completamente e outros apenas editei, tirando as partes que me incomodavam. As modificações não alteraram no sentido da história, mas deram uma amadurecida no conteúdo. AINDA NÃO TERMINEI DE ARRUMAR TODOS.
Inclusive coloquei como capa dos capítulos 12 e 13 a aparência de Ivyin para quem tinha curiosidade em saber. Ah sim, agora os capítulos tem "capas", além de estarem mais curtinhos como eu havia prometido.

Anyway, hope you enjoy <3

Capítulo 25 - Desfocada.


Fanfic / Fanfiction Destinos Cruzados - Capítulo 25 - Desfocada.

Nem sempre as coisas saem como planejado. Inesperadamente, no meio do trajeto, ocorre um desvio para um novo caminho que muda completamente os objetivos futuros. E foi isso que aconteceu com Ivyin, uma mudança de caminho. Há muito tempo as coisas não funcionavam mais de acordo com seus planos, ela simplesmente seguia o caminho proposto pelo destino sem contestar. Mas isso a fazia sofrer, silenciosamente morria por dentro a cada novo desvio que a sua vida tomava, pois de todas as ocasionalidades poucas vieram para o bem. Sentia-se presa nesse maldito carma que a impedia de ser feliz. Até quando viveria a mercê do incerto? Até quando deixaria que todos aqueles sentimentos ruins a abrissem de dentro para fora? Estava na hora. Precisava reagir. Mas... Como? 

 

Abriu os olhos lentamente, acostumando-se com o ambiente claro em que se encontrava. Tateou a cama em busca do celular, o encontrando no meio do cobertor embolado ao seu lado. Ainda deitada levou o aparelho até seu campo de visão desbloqueando-o rapidamente, deparando-se com pelo menos sete conversas no aplicativo de mensagens. Suspirou pesadamente ao voltar a colocar o celular sobre a cama, enfim sentando-se. Apesar de não ter ficado no colégio naquele dia, estava exausta. Sua cabeça não parava de funcionar nem mesmo enquanto dormia, e agora para complementar a situação Ivyin passou a ter pesadelos sobre os problemas que a cercavam. Nem mesmo ter se resolvido com sua mãe aliviou o pesar em sua mente. Desistiu de tentar compreender ao próprio subjetivo e se levantou, caminhando até a saída do quarto. Porém, antes de descer as escadas, notou Dan e Caroline sentados no sofá em um abraço terno, o que fez a garota das madeixas prateadas abrir um contido sorriso. Voltou então ao quarto sentando-se na ponta da cama, sentindo-se um pouco perdida, talvez por estar sonolenta. Depois de alguns minutos seu celular começou a tocar, vibrando incansavelmente sobre a cama com o nome de Rosalya sobre a tela.  

 

— Estava demorando... — pronunciou com os olhos cansados, atendendo ao telefonema em seguida.  

 

"Oi, Rosa..." 

 

"Caramba, Ivy! A gente tem que ficar indo atrás de você toda hora, parece criança!" 

 

"Não alimente a minha dor de cabeça, por favor." 

 

"Está bem, desculpe." — uma pausa perdurou na linha por alguns segundos — "Ivy, o Lys falou comigo hoje." 

 

"Sério? Ele falou algo sobre nós? Ele parecia bravo?" 

 

"Ele não comentou exatamente sobre você, mas disse estar com um problema e estava relutante em resolver. Falou que provavelmente a outra parte estava se machucando tanto quanto ele. Eu não sei o que aconteceu entre vocês dois, mas suspeitei que tivesse relação." 

 

Ivyin suspirou pesadamente, fazendo com que uma longa pausa se estabelecesse na linha mais uma vez. 

 

"Ivy, está tudo bem?" 

 

"Sim. Eu preciso desligar agora, Rosa. Nos falamos no colégio amanhã." 

 

"Tudo bem. Ei! Não esquece que as provas começam na próxima segunda, amanhã iremos estudar depois da aula." 

 

Após pronunciar um breve "ok", Ivyin desligou o telefone, voltando a jogá-lo no mesmo lugar de antes. Não queria ler nenhuma daquelas mensagens, provavelmente até mesmo de pessoas que mal tinha contato perguntando se ela estava bem por mera formalidade. Bem, ela estava muito sobrecarregada de energias ruins e dificilmente conseguiria enxergar boas intenções em qualquer texto preocupado, mesmo que esse estivesse carregado delas. No entanto realmente estava surpreendida quanto a postura de Rosalya. Ela não perguntou sobre Castiel e sequer quis saber do acontecido com Lysandre. Provavelmente ela entendia a sua dor, e Ivyin estava muito grata por isso. 

 

[...] 

 

O barulho do salto batendo sobre o piso do corredor era crescente para quem estava dentro do quarto. Em pouco segundos a figura de uma morena esbelta passou pela porta sem ao menos se importar em bater. Por que deveria, afinal? Quem custeava todos os gastos era ela, e os pagantes de tratamentos caros naquele hospital tinham certos privilégios. Ela jogou a bolsa sobre a poltrona e retirou os óculos escuros — usados um pouco fora de contexto considerando o tempo nublado. 

 

— Ah, meu gatinho... — disse enquanto se aproximava de Castiel ainda inconsciente — Nenhuma novidade, doutor? — questionou aflita ao que acariciava o rosto pálido do rapaz. 

 

— Infelizmente não, senhorita Debrah. — pronunciou — Contudo o procedimento no braço fraturando ocorreu sem demais problemas.  

 

A morena franziu o cenho e olhou para o profissional, inclinando a cabeça para o lado. — Quem deu autorização para esse procedimento? — as palavras saíram lentas.  

 

— O senhor Kevin assinou os papéis para a autorização já que a senhorita não estava aqui e o procedimento precisava ser feito o quanto antes. — apressou-se em explicar, engolindo em seco assim que o fez. Aquela mulher era assustadora.  

 

Ela acabou dando de ombros. Voltou a atenção para Castiel que permanecia completamente imóvel, sequer mexia uma sobrancelha. Entediada, após dar uma última carícia na bochecha do ruivo, se dirigiu à poltrona onde sua bolsa se encontrava, voltando a se montar da maneira como estava antes. 

 

— Alguma visita? — ela questionou já colocando os óculos e se preparando para sair. 

 

— Apenas Lysandre e Kevin. — respondeu de imediato, porém arqueou uma sobrancelha ao lembrar-se da cena ocorrida mais cedo — Kevin estava acompanhado por uma garota mais cedo. — aquela informação despertou a atenção de Debrah — Porém ela não chegou a entrar, ele havia acabado de terminar o procedimento e pedi para que aguardassem. Mas pelo que notei ela foi embora antes. 

 

— Como ela era? — perguntou ríspida com os óculos em mãos novamente. 

 

— Bem, sua estatura era baixa. Ela tinha os cabelos prateados e se não me falha a memória, os olhos eram de um castanho claro. Talvez caramelo, não tenho certeza.  

 

Assim que o médico concluiu Debrah bufou. Por mais que grande parte das descrições coincidissem com as características de Ivyin, a principal — que seria a coloração do cabelo — não batia. Pelo que se lembrava as madeixas da garota deixaram de ser prateadas há alguns anos, agora adotava um preto fosco que a deixava ainda mais sem graça do que antes. Talvez aquela citada fosse uma amiga de Kevin, aquele garoto vivia rodeado de garotas. Voltou a colocar os óculos e pronunciou um breve "ótimo", retirando-se do quarto em seguida. Era realmente ótimo que aquela menina não se tratava da ex-namorada de Castiel, Debrah não permitiria que ela o visitasse, nem que se oferecesse a pagar toda a conta do hospital. A causadora do acidente não tinha o direito de visitar a vítima. 

 

[...] 

 

Os pássaros cantarolavam sem parar, brincando por entre as poucas folhas daquela árvore que quase se transformava em um tronco cheio de galhos vazios. Isso graças ao inverno que se aproximava lentamente, fazendo com que os moradores de Paris tivessem que retirar aquele casaco mais quentinho do fundo do armário. Ivyin observava a brincadeira dos pássaros enquanto mordiscava o lápis rosa em sua mão. Vez ou outra abria um terno sorriso, encantada pela beleza que a natureza proporcionava aos seus olhos cansados.  

 

— Ivy? 

 

Uma voz baixa a chamou. Nada de resposta. 

 

— Ivyin?  

 

A altura da voz aumentou mais um pouquinho. Mais uma vez, sem resposta. 

 

— Ivyin! — Rosalya esbravejou, tomando bruscamente o lápis que a amiga mordiscava. 

 

Indignada, Ivy bateu na mesa, completamente irritada pela postura adotada por Rosalya. A troca de farpas entre as duas chamou a atenção não só dos colegas presentes na mesa, mas também de uma boa parte dos integrantes da biblioteca. Alguns "shhhh" foram pronunciados, seguidos por murmúrios irritadiços. Rosa encolheu os ombros, envergonhada, voltando à postura correta na cadeira.  

 

— Viu o que me fez fazer? — bufou, jogando o lápis sobre o caderno da amiga — Onde você está, hein? — sussurrava. 

 

— Eu estou aqui, não está vendo? — rebateu ainda irritada, voltando a pegar o lápis — O que você quer?  

 

Àquela altura nenhum dos presentes naquele grupo de estudos prestava mais atenção no conteúdo antes discutido. Na verdade perguntariam a Ivyin se ela teria conhecimento sobre uma matéria um pouco mais complicada em química, cuja qual estavam em dúvida para resolver um exercício. Porém a discussão entre as duas prateadas parecia mais interessante naquele momento. O único que mantinha-se focado no caderno sobre a mesa era Lysandre, ele ainda evitava Ivyin. 

 

Vendo que Rosalya não a responderia e que os demais pareciam um pouco intimidados pela expressão impaciente no rosto de Ivyin, a garota começou a arrumar seus materiais, guardando-os na mochila ao lado da cadeira.  

 

— Aonde você vai? — Rosa perguntou, confusa. 

 

— Visitá-lo. —pronunciou baixo, levantando-se por fim — Uma hora é o suficiente, vocês aproveitarão melhor sem mim. 

 

Saiu do local segurando a pasta com algumas impressões com o conteúdo das aulas, não se preocupando em olhar para trás temendo receber alguma reação repreensiva da amiga. Ivy sabia que não deveria visitá-lo com frequência, poderia acabar esbarrando com a Debrah e então perdendo o direito de entrar no quarto. Mas ela sentia que precisava vê-lo, como se de alguma forma a sua presença fosse essencial para a recuperação do falso ruivo. Ela estava se entregando rapidamente aos sentimentos do passado, e ela tinha convicção do possível erro que estaria cometendo.  

 

Aproveitando que o céu ainda estava um pouco ensolarado decidiu ir caminhando até o hospital. Caminhando, não correndo como da última vez. Ela precisava se manter calma se de fato tivesse a intenção de ajudá-lo. E de todas as suas obrigações, aquela era a única que conseguia se manter completamente focada, decidida quanto as atitudes que tomaria, tendo ao menos um vislumbre do que viria a seguir. Em suma, estava preparada para alguma eventualidade naquele caso. Porém as demais coisas acabaram por ficar para trás. Seus problemas sumiram de sua mente como se nunca tivessem existido, e se houvesse qualquer vestígio da existência desses, ela os colocava num local de mínima importância. O que eram aqueles problemas perto da recuperação de Castiel? Absolutamente nada. Contudo esse desfoque dos secundários a atrapalharia em um aspecto maior: a realização das provas de fim de ano. As provas finais eram importantes, afinal a sua formação no segundo grau dependia de um bom desempenho. Como ela poderia simplesmente ignorar esse fato? Ivyin tinha ciência de tudo que estava acontecendo, mas ela não conseguia se afastar do desfoque das adjacências de sua vida.  

 

Pouco mais de dez minutos de caminhada a garota chegou ao hospital, identificando-se na recepção como prima de Kevin. Por sorte a recepcionista era uma estagiária que não se atentou muito a necessidade de pedir uma identificação. Bem, pontos para Ivy. Subiu até o andar correto e sem pensar duas vezes se dirigiu ao quarto de Castiel. Porém, antes de girar a maçaneta, sentiu seu braço ser tocado levemente por alguém. Olhou por cima do ombro torcendo para não ser o médico responsável, mas surpreendeu-se ao notar que era Lysandre quem a tocava. Virou-se com o cenho franzido, ajeitando a mochila sobre o ombro. 

 

— O que você está fazendo aqui? — por mais que não fosse a intenção, sua fala assumiu um tom de desprezo.  

 

— Não imaginei que minha presença fosse ser tão incômoda a você. — pronunciou baixo, soltando um leve suspiro — Eu vim te acompanhar, imaginei que precisasse de apoio.  

 

Ela ia protestar. Com certeza ia. Apertou os lábios contendo a enorme vontade que sentia de xingá-lo pelo seu comportamento nas últimas semanas, até porque de nada adiantaria fazer um escândalo naquele hospital. Decidiu ignorar a fala do rapaz, virando-se novamente e abrindo a porta do quarto. Castiel estava do mesmo jeito que no dia anterior, com a exceção de que possivelmente alguns curativos haviam sido trocados. Deixou a mochila e a pasta sobre a poltrona e aproximou-se da cama do ruivo, observando-o com pesar. O roxo ao redor de seu olho ainda era marcante, por alguma razão alguns de seus machucados ainda não haviam cicatrizado. Estava tão pálido... Seus lábios levemente arroxeados. Ivyin sentiu novamente aquela pontada no peito pelo desgosto de vê-lo daquela forma. E se fosse tarde demais? E se ela tivesse perdido a oportunidade de contar a ele o quanto ainda o amava? Espera... Ela realmente ainda o amava? Parecia claro demais na sua cabeça, afinal, porque estaria tão preocupada com o bem-estar do ruivo se não por amor? Era complicado demais pensar nisso naquele momento, organizaria seus sentimentos depois, quando ele estivesse acordado e pleno de seus sentidos.  

 

Ivyin olhou para cima por alguns instantes, respirando fundo. Por alguma razão ela adquiriu a habilidade de não chorar por qualquer sentimento que afligisse seu coração. Bem, ao menos essa habilidade funcionava no quarto de Castiel, talvez por seu subconsciente estar forçando-a a ser forte. Assim que voltou a olhar para frente, deparou-se com Lysandre parado com as mãos nos bolsos observando o ruivo de maneira inexpressiva. A franja prateada do rapaz estava caída sobre parte do seu rosto, mas ele não pareceu se importar. Parecia concentrado demais, provavelmente pensando em algo sobre aquela situação. Ivyin notou que ele vestia uma camisa preta onde as mangas estavam dobradas até metade do braço. Pendurado em um dos braços estava um sobretudo da mesma cor que a camisa, o bolso dessa preenchido pelo tão conhecido bloco de notas. Há quanto tempo não reparava em Lysandre assim? Sentia falta do amigo, mas seu orgulho a impedia de ceder novamente. Porém a garota notou que o observava a algum tempo, sentindo uma leve sensação de culpa dentro de si. Desviou o olhar para os próprios pés e apertou os lábios, virando-se logo em seguida no intuito de sentar na poltrona onde antes colocara seus materiais. O garoto de olhos bicolores agora a olhava, ainda inexpressivo. 

 

— Desde quando você sabe que ele está aqui? — ela questionou, tentando amenizar o clima desconfortável. 

 

— Fiquei sabendo no dia do acidente. — os olhos do rapaz voltaram a fitar o ruivo — E você?  

 

— Ontem.  

 

O diálogo iniciado pela garota não atingiu o objetivo pretendido, em pouco tempo aquele silêncio constrangedor tomou conta do quarto. O único som que podia ser ouvido eram os apitos  da máquina que controlava as batidas do coração de Castiel. Impaciente, Ivyin cobriu o rosto com as duas mãos apoiando os cotovelos sobre as pernas. Respirou fundo. 

 

— Ivy. 

 

Assustada pela proximidade da voz de Lysandre, a garota encolheu os ombros. Temerosa quanto ao que encontraria, ao invés de retirar as mãos do rosto apenas abriu um pequeno espaço entre os dedos, deparando-se com o rapaz agachado a sua frente. Relaxou a postura assim que visualizou a cena, levando as mãos aos joelhos. Eles teriam aquela conversa. 

 

— Lysandre, olha... — ela começou — Eu sei que temos que conversar, mas eu não acho que aqui seja o ambiente mais apropriado. — concluiu, desviando o olhar. 

 

Subitamente, Ivyin fora tomada em um abraço delicado. Sentia os braços de Lysandre envolvendo sua cintura com ternura, como se ela fosse uma pequena boneca de porcelana. Relutou por um tempo, seu orgulho por alguma razão estava falando mais alto naquele momento, porém ela não conseguia resistir. Sentia falta do amigo, por mais que estivesse confusa se era realmente de sua amizade que ela sofria a ausência. Acabou cedendo a tentativa de reconciliação do rapaz e retribuiu ao abraço, escondendo seu rosto no pescoço dele. Ela pôde sentir Lysandre a apertando um pouco mais contra si, fortalecendo aquela troca de afeto. 

 

— Me perdoe. — ele pronunciou baixo — Eu fui egoísta. Não precisamos conversar, o único culpado sou eu.  

 

— Eu só estava esperando você voltar. — a voz da garota saíra abafada. Ela sorriu após sentir que mais uma vez o abraço havia sido intensificado. 

 

Após alguns segundos, seus corpos se separaram. Lysandre ainda mantinha as mãos sobre a cintura de Ivyin, que por sua vez ainda apoiava as suas sobre os ombros dele. Ela não conseguia conter o largo sorriso estampado em seu rosto. Porém o sorriso foi se desfazendo conforme notou que ele se aproximava cada vez mais. Sentia-se hipnotizada pelas órbitas bicolores do garoto, tão mais perdida ficou ao notar os lábios finos dele semiabertos, prontos para se encontrarem com os seus. Ele estava tão próximo que ela podia sentir a respiração dele contra o seu rosto. Os olhos não mais abertos indicavam que era a vez dela de concluir o espaço restante entre os dois, ele dependia daquela permissão. Por um instante tudo ao seu redor parou, é como se estivessem só os dois naquele quarto. Porém não estavam. Como um alerta de retirada do transe que envolvia Ivyin, um baixo murmúrio pôde ser ouvido naquele quarto. Rapidamente seus olhos desviaram do rosto de Lysandre e pousaram em Castiel, esse que mexia a cabeça de um lado para o outro, como se estivesse prestes a despertar. Sem pensar duas vezes, a garota empurrou o amigo para o lado com certa grosseria, correndo até a lateral da cama.  

 

— Castiel... — pronunciou com a voz baixa, apreensiva. 

 

Assim que ela tocou o rosto do ruivo, os olhos dele se abriram lentamente. A respiração da jovem falhou e o primeiro instinto que teve foi de olhar para Lysandre, que já estava se retirando do quarto. 

 

— Eu vou chamar um médico. — disse sem olhar para trás, saindo em velocidade.  

 

Ela voltou a fitá-lo, tentando manter o controle das suas emoções. O ruivo ainda não havia recobrado completamente sua consciência, tanto que suas órbitas acinzentadas ainda olhavam para o teto e não para Ivyin. Pouco mais de dois minutos depois a porta fora aberta bruscamente, onde inicialmente entrou a enfermeira com alguns materiais em mãos, seguida pelo médico e por fim, Lysandre. A jovem rapidamente se afastou da cama, ficando ao lado do amigo parado próximo a porta. Ela juntou as mãos e as levou em frente a boca, completamente aflita. Notando a postura de Ivyin, o rapaz das madeixas prateadas levou uma de suas mãos até a dela, sorrindo ao perceber a expressão confusa em seu rosto. Entrelaçou seus dedos aos dela e abaixou o braço. Os dois ficaram de mãos dadas observando todo o procedimento dos profissionais. Ivyin mordeu o lábio ao notar que o médico havia respirado fundo, voltando a guardar o estetoscópio.  

 

— Ele está bem? Ele sabe que estamos aqui? — perguntou, ansiosa. 

 

— Sim. — o médico assentiu algumas vezes — Ele vai ficar bem. — ele pretendia continuar explicando para a garota, mas lembrou-se da irritação de Debrah no dia anterior ao citar que uma garota havia estado no hospital junto ao Kevin — Desculpe, mas como é o nome da senhorita? 

 

— Ivyin. — ela respondeu de imediato. Voltou a juntar as mãos como uma forma de comemoração, olhando para Lysandre com um largo sorriso, sendo retribuído imediatamente pelo rapaz.  

 

— Desculpe, mas eu não posso permitir que você frequente o quarto do Sr. Castiel. — o médico disse dando alguns passos para frente. 

 

De imediato Ivy franziu o cenho, não entendendo o discurso repentino do médico. — Desculpe, mas eu sou... — ela ia explicar que era prima de Kevin, tentando passar por cima da proibição que provavelmente fora feita por Debrah, porém assim que seus olhos atingiram a figura de Castiel notou que o ruivo olhava para ela. Seus lábios semiabertos indicavam que ele queria falar algo, mas ainda não tinha forças suficientes para fazê-lo.  

 

— Ivy, vamos.  

 

Lysandre pronunciou, tomando o braço da garota e a levando para fora do quarto. A garota estava tão distraída com a imagem dos olhos de Castiel fixos aos seus que sequer protestou. Permaneceu em silêncio durante todo o caminho até a saída do hospital, só então direcionando o olhar para Lysandre. 

 

— Ele viu a gente. — Ivyin falou num tom baixo. 

 

Sem saber como reagir, o garoto das madeixas prateadas a envolveu com o braço que não estava ocupado — carregava todos os pertences da amiga e seu sobretudo —, deixando com que ela escondesse o rosto em seu peito. Permaneceram nessa posição, em silêncio, por alguns minutos. Lysandre estava feliz pela recuperação do amigo, isso era inegável. Mas não conseguia conter o ciúmes dentro de si, e sentia-se péssimo por isso. No entanto ele estava lá para dar apoio a ela no fim das contas, vendo por esse lado quem concordou com a tortura psicológica fora ele. Fechou os olhos por alguns instantes ao inclinar a cabeça para trás, tentando afugentar aqueles pensamentos egoístas de dentro de sua cabeça. Porém foi retirado de sua concentração ao sentir alguém esbarrar o corpo contra o seu ombro. Automaticamente direcionou as órbitas bicolores na direção em que o cidadão se dirigia, deparando-se com um homem alto de cabelos negros caminhando até o estacionamento do local. Notou que ele olhou por cima do ombro, abrindo um sorriso macabro. Lysandre franziu o cenho, afinal a pessoa precisaria ser muito sadista para abrir um sorriso daquele somente pelo prazer de esbarrar em alguém. 

 

— Aconteceu alguma coisa? — Ivyin perguntou, levantando o rosto para fitá-lo. 

 

Lysandre somente meneou negativamente, voltando a encostar a cabeça dela contra o seu peito. Independentemente de qualquer coisa estava decidido: fosse de esbarrões repentinos a graves ameaças. Fosse para compartilhar felicidades ou consolá-la. Fosse para ficar com ela no fim ou vê-la partir com outro homem. Não importava o que o destino guardava para os dois, ele estava certo de que iria protegê-la. Porque ele a amava, acima de qualquer coisa. 

 

Ele a amava... 


Notas Finais


SIM, IVY E LYSANDRE SE RECONCILIARAM!!!! E não, o foco do capítulo não foi a reconciliação deles. Por que? Oras, o capítulo se chama "desfocada", Ivyin só consegue pensar em uma pessoa e vocês sabem bem quem é.

Espero que tenham gostado e não esqueçam de dar uma olhadinha nas modificações.
Obrigada por tudo <3


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