História Destinos Traçados - Capítulo 5


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Destinos Traçados, Érick Clark, Heda Loresson, Originais, Rina
Exibições 24
Palavras 1.873
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Bishoujo, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Científica, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oieeeeee!! *------*

Desculpem a demora! Estava assistindo e escrevendo ao mesmo tempo xD

Espero que gostem deste capítulo! Fiz com carinho <3

~Rina

Capítulo 5 - Casos De Família


Fanfic / Fanfiction Destinos Traçados - Capítulo 5 - Casos De Família

Era uma manhã clara no Loresson's, fazia uma semana desde que minha mãe havia descoberto sobre Érick. Ela adorava suas visitas, lhe servia café quentinho ou um suco natural para refrescar; ele vinha em horários variados, mas nada achava melhor sair às três da tarde por conta dos pais. Eu não quis perguntar sobre tal coisa, imaginei como eles deveriam ser; para ricos esnobes e exigentes, mas sempre tinha aquele ricaço que era gente boa - no caso Érick. Tentei ao máximo fazer minhas tarefas pela manhã, mas ele sempre chegava e insistia em ajudar, gostava de aprender sobre meu trabalho. Imaginava o que ele aprendia na casa dele.

Estava passando cera no balcão que ficava logo ao lado da porta de entrada, cantarolando baixinho uma cantiga antiga, quando o sininho da porta toca e escuto alguém entrar. Largo o pano e olho para a garota.

 

-Bem-vinda! - exclamei - Gostaria de alguma coisa?

 

A garota tinha os cabelos amarrados em uma "Maria Chiquinha", eram dourados e olhos azuis-mar. Tinha uma aparência bela e nobre, com um vestido floral e segurava uma bolsa branca na frente do corpo.

Não deveria ter mais do que treze anos.

A garota não disse nada, ela me observava com o intuito de me examinar, como se precisasse me decorar para uma prova.

 

-Hã... - estava ficando sem graça - Vai querer algo?

 

Ela piscou algumas vezes.

 

-Você é a Heda, certo?

 

-Sim.

 

-Hum... - continuou me olhando - Até que é bonita, sim.

 

-O quê? - semicerrei os olhos.

 

-Mas não parece muito inteligente. A beleza compensa.

 

-Do que está falando?

 

A garota me encarou.

 

-Meu nome é Molly Clark, sou irmã mais nova de Érick Clark.

 

Arregalei os olhos, surpresa. Érick nunca havia me dito que tinha irmãos, o que me deixou de certa forma emocionada; imaginei se por algum motivo em especial ele não me contara tal coisa. A irmã de Érick tinha o mesmo olhar do irmão, um tipo que fazia você pensar que estava escondendo alguma; sua pele e nariz eram idênticos.

 

Ele pigarreou.

 

-Acho que o Rick escolheu a noiva errada. - pisquei algumas vezes - Ela não tem educação em se apresentar também.

 

Corei, tentando esquecer a primeira frase e fiz uma careta.

 

-De que adiantaria me apresentar se já sabe meu nome?

 

Molly arqueou uma sobrancelha, colocando as mãos na cintura.

 

-Acho que ela não é tão burra assim.

 

Sorri, um pouco sem graça. Molly falava como se eu não estivesse presente, contava o que pensava.

 

Ela é, com certeza, a irmã do Érick.

 

-Ah! Não quer um chá? Podemos nos sentar no jardim.

 

Molly deu um sorriso travesso.

 

-Estou começando a gostar de você.

 

~//~

 

Molly gostava de chás sem açúcar, quase água; lembrei-me de como Érick havia "gostado" do meu chá com gotas de leite. Gosto estranho, eu diria, distintos, mas era comum em família. A loura era sarcástica, mas tinha ações elegantes - isso os diferenciavam. Ela cruzou as pernas, levantando a xícara branca florida com apenas três dedos; aquela formalidade me fez pensar se deveria trocar os utensílios e roupa no mesmo instante.

Peguei um biscoito amanteigado e mordi-o até a metade, mastigando devagar, estudando-a. Molly olhava de forma artística os jardins e deteu-se no muro por instantes.

 

-É um belo jardim, Heda. Você cultivou com carinho e atenção. - ela sorriu - Rick tinha lá suas verdades quando falava daqui.

 

-Obrigada. - e comi o resto do biscoito.

 

O sol bateu na estufa, atravessando os vidros. Era reconfortante ter alguém - que fosse da minha idade e menina - para conversar.

 

-Então... o "Rick" que você fala, é o Érick, né?

 

-Isso. É mais bonito de se chamar, vale a pena. - ela semicerrou os olhos e sorriu de lado - Não me diga que sua noiva não o chamava com algum apelido?

 

-D-Do que está falando? E-Eu não preciso chamar aquele idiota com algum apelido e-e n-não sou a n-noiva dele... - minha voz foi indo aos sussurros aos poucos.

 

-Quê? Ele ainda não te pediu em casamento? Com esse dom na cozinha você daria uma ótima esposa... quem dera uma mãe... - seu sorriso alargou-se.

 

-De toda forma - falei rapidamente - É-Érick nunca me contou sobre você, por quê?

 

-Deve perguntar a ele, não a mim. - cruzou os braços - Além disso, ele tem vergonha de falar isso pra você.

 

-V-Vergonha?

 

-Enfim, Heda. - ela continuou - Estou sabendo do relacionamento de vocês há tempos - ela estalou os dedos - Rick não tinha a quem contar o que sentia, e, depois de eu o vir pulando uma janela, ele me contou tudo.

 

-Pulando uma janela?

 

-Virou papagaio, foi?

 

-Desculpe, só estou surpresa com tudo isso. - juntei as mãos - Mas, porque veio aqui, Molly?

 

-Cunhada. - fiz uma careta - Na verdade, eu preciso confirmar algumas coisas com você.

 

-Hã? Confirmar?

 

Molly colocou a xícara vazia de chá no pires e me encarou.

 

-Heda, eu conheço bem meu irmão para dizer essas coisas e gostaria que respondesse às minhas perguntas.

 

-C-Certo. - falei, um pouco nervosa.

 

-Primeiro: O que você sente pelo Rick?

 

Meu coração saltou.

 

-Molly?! Mas o quê...

 

-Heda, é importante. - seu tom era sério - Me responda.

 

Pensei um pouco, mordendo o lábio inferior. O que eu realmente sentia por Érick, afinal? Aquela pergunta sempre me atormentava e eu nunca sabia o que responder.

Mas eu precisava. Molly me encarava. Séria.

 

-Érick é o garoto mais levado, divertido e sarcástico que conheço. Sempre me anima e fala as coisas que preciso ouvir, ele faz meu dia colorido. - abaixei a voz - Foi meu primeiro amigo também.

 

Molly permaneceu sem reação.

 

-Então, você o ama?

 

Eu deveria ter ficado vermelha, pois ela falou algo diferente em seguida.

 

-Então, outra coisa: Acha que esse seu sentimento é verdadeiro?

 

-Sim.

 

-Acha que lutaria por ele?

 

-Sim.

 

Molly aproximou-se de mim, como se fosse me contar um segredo.

 

-Lutaria até contra os Clark?

 

Encarei-a, perguntando-a pelo olhar o que aquilo tudo significava.

 

-Sim, lutaria. Assim como ele resistiu à minha mãe, eu resistiria aos seus pais.

 

Molly acomodou-se na cadeira, suspirou fundo e massageou as têmporas, balançando suas Marias Chiquinhas no ato.

 

-Muito bem, Molly. Se é isso me permita perguntar: Por que isso? O que significa eu "lutar" contra os pais dele?

 

Molly encarava o chão.

 

-Molly!

 

Ela respirou fundo e me encarou.

 

-Heda, as coisas com nossos pais não seriam tão fáceis quanto com sua mãe. Eu sei que Érick foi aceito com carinho por ela, sem nenhuma discussão ou condição, mas as coisas não funcionam desta forma com nossos pais. - ela fez uma pausa - Érick deve ter te contado de como ele nos manda e obriga a fazer as coisas, por mais que ele seja homem, por ser o mais velho, sua responsabilidade é de continuar nossa geração, com os negócios e família. Caso não concordarmos com suas ordens, ele tem métodos horríveis de se conseguir o que quer.

 

Suspirei, pensando no desabafo de Érick.

 

-E sua mãe?

 

-Ela vive seguindo meu pai, se ela não fosse sua esposa, as coisas seriam as mesmas pra ela.

 

Engoli em seco.

 

-Por isso, a única forma de ficar com Rick, você deveria ter casse e beleza. Passaria por testes de vários tipos, que meu pai exige a cada um que queira ser nosso amigo. -  ela suspirou - E, se ele soubesse da sua relação com ele, provavelmente não aceitaria.

 

-Por isso você disse... - fiquei sem palavras.

 

-Lutar. Ainda acha que poderia lutar por ele? Enfrentaria O Maior Empresário e Dono dos Comércios do País?

 

Perdi o ar.

Eu realmente faria aquilo? Eu poderia enfrentar aquele homem que até o país temia? Não era um problema encarar aquele homem - talvez o estivesse subestimando -, mas odiaria ver Érick sofrer por minha causa. Imaginava aquele rosto aos prantos, com o pai dando-lhe castigos que eu nunca poderia imaginar. Como eu poderia continuar, sabendo que se fôssemos descobertos, ele seria punido e eu sairia impune? Imaginei Molly colocando a culpa em si e sofrendo junto do irmão.

Nem reparei quando comecei a suar. Senti o sangue se esvair do meu rosto.

 

-Heda? Heda, você está bem?

 

-Sim... - suspirei e sorri fraco. Silencio. - Molly, o que, exatamente, seu pai faz?

 

Vi seus olhos irem à um passado distante. Ela começou a levantar seu vestido florido até toda sua coxa ficar à mostra.

Foi uma perda de ar.

Uma marca cobria toda sua coxa esquerda, havia alguns sinais de agressão. Era uma queimadura.

 

-Meu pai tinha uma reunião com importante com uma empresa, eu era pequena e não entendia aquelas situações. Quando eu entrei e atrapalhei seu discurso, o dono não quis o negócio e... meu pai colocou a culpa em mim.

 

-Molly...

 

-Ele me bateu com um ferro fervido à 180° C.

 

-Q-Quantos anos você tinha?

 

Molly tinha a voz embargada e percebi que iria chorar.

 

-Seis.

 

Foi demais. Eu precisava quebrar alguma coisa. Que tipo de pai queimaria sua filha por algo tão insignificante? Depois de refletir senti algo em mim despedaçar, se aquilo era algo para garotas, o que Érick sofreria?

Comecei a tremer.

 

-Por isso... - ela forçou a voz - quero que pense seriamente no assunto. Você quer, realmente, ficar com Érick?

 

~//~

 

Molly saiu alguns minutos depois que minha mãe chegara, se apresentaram brevemente e se despediram. Tentei não parecer tão quieta quanto parecia, evitei conversar com ela e falar sobre o que havíamos conversado. Não consegui almoçar direito devido a meus pensamentos e pedi para ficar no quarto. Minha mãe não iria para o curso naquela tarde, havia ficado gripada e não conseguia parar de tossir; recomendei ir à um médico, mas ela negou, dizendo que não precisava.

Deixei-me cair na cama, pensando em tudo o que acabara de acontecer, meus sentimentos haviam se misturado drasticamente aos casos que o Sr. Clark causava. Por que ele sempre causava confusões? Por que os ricos sempre causavam problemas para os mais necessitados? O que havia de errado em se afeiçoar a um classe baixa?

 

-Heda! Érick chegou!

 

Suspirei, não querendo encará-lo; não sabia como poderia encarar aquele garoto que tanto sofria e, mesmo assim, continuava sorrindo.

Quando cheguei à porta, encontrei Érick em uma bicicleta, o sorriso estampado e uma roupa tão desgastada que me deti em seu visual por um momento.

 

-Heda!

 

Sua voz cantou em meus ouvidos e tudo o que sentia por ele atravessar os problemas, talvez eu pudesse encará-lo. Talvez eu pudesse lutar por ele.

Desci os degraus e fui me encontrar com ele.

 

~//~

 

-O que houve?

 

Pisquei algumas vezes.

 

-O que quer dizer?

 

-Você está calada demais, aconteceu alguma coisa?

 

Seu olha foi profundo o suficiente para me fazer sentir dor no coração.

 

-Nada. - ele hesitou um pouco.

 

-Então, Heda - ele pareceu envergonhado - Vai haver um festival na vila em dois dias, é uma tradição especial que vai comemorar o aniversário dela.

 

Ele mordeu os lábios.

 

-E... Quer dizer... Se você puder... Não gostaria de ir?

 

-Com você? - minha voz era rouca.

 

Ele confirmou e abaixou a cabeça, envergonhado.

Naquele momento, eu pude compreender que algo estava para acontecer.

 

~//~


Notas Finais


E Então? O que acharam ? :3

Compartilhem com seus amigos! <3


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