História Destiny - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hashirama Senju, Itama Senju, Izuna Uchiha, Kawarama Senju, Madara Uchiha, Mito Uzumaki, Tobirama Senju
Tags Hashixmada, Lemon, Yaoi
Exibições 119
Palavras 6.213
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá povo bonito, como vão vocês? ♥
Finalmente resolvi aparecer com mais um capítulo \o/
Acho que nem demorei tanto. O que é um milagre -q
Então, fiquei muito feliz em ver os comentários dando incentivo para continuar. Muito obrigada mesmo.
Trazer um shipp num fandom onde outro casal reina é bastante desafiador, mas, me anima em saber que outras pessoas compartilham os mesmos sentimentos em relação à esse par que me cativou tanto a escrever e a acompanhar Naruto. Sim, não era tão ligada em Naruto até ver a estória deles. Porém, depois de ver, não consigo parar de pensar em várias possibildades em shippar esses dois ♥ Sério, gente, como ainda tem pessoas que simplesmente ignoram um OTP mais canon que esse? Me diz? XD Ok, sou suspeita pra falar, mas, caramba, não tem como não shippar ~
Enfim, vamos parar com a enrolação e vamos ao capítulo. A música da vez que ajudou a inspirar foi "Nothing else matters" do Metallica. Ótima dica para quem curte ler ouvindo música. Já vou avisando que tem feels, não desistam de mim, please ♥
Até as notas finais :3

Capítulo 2 - Part II


Tobirama despertou bem cedo, apesar de não ter conseguido dormir bem durante a noite. Estava decidido a falar com seu irmão mais velho sobre o ocorrido de ontem. Levantou-se da cama, o corpo pesado pela noite mal dormida, pegou a camisa que estava jogada na cadeira ao lado, vestindo-a. Lavou o rosto, ainda sonolento, secando-o com uma toalha que estava ao lado do lavatório. O acontecimento da noite passada fervilhou em sua mente de tal modo que lhe roubara o sono. Somente a lembrança daquele beijo fazia seu sangue ferver de raiva, não suportava a ideia de ver Hashirama com outra pessoa – seja uma mulher ou um homem - ainda mais sendo o Madara Uchiha. Cerrou os punhos, socando a parede com tanta força que fez um buraco no local. Seu desejo era acertar o Uchiha com aquele soco.

Desde criança, Tobirama nutria um sentimento diferente pelo irmão mais velho. Naquela época, não entendia direito do que se tratava, achava normal toda sua afeição por Hashirama, já que pensava ser apenas de “admiração” pelo irmão. Entretanto, conforme o tempo passou, Tobirama entendeu melhor seus sentimentos. No começo, sentia-se um devasso por desejá-lo daquela maneira. Ainda mais devido ao teor das coisas que se passavam em sua mente, principalmente durante a noite. Apesar das inúmeras vezes que vira o mais velho nu, após descobrir que o amava além de mero amor fraternal, não conseguia conter os olhares nada inocentes para o corpo bem definido de Hashirama. Queria tocá-lo, deslizar suas mãos – e língua – em cada parte, sentir os músculos rígidos com seus dedos. Somente em imaginar essa possibilidade, o fazia ofegar ansioso, enquanto o sangue fervilhava nas veias. Agradecia mentalmente por seu irmão ser tapado o suficiente para não notar suas reações, e era mais grato ainda por ele não poder ler sua mente, ou, certamente, nunca mais se despiria em sua frente ou treinaria como de costume. E óbvio que Tobirama não queria perder essas oportunidades de olhar para aquele corpo que tanto admirava, o qual ele desejava com tanto fervor.

De diversas maneiras, tentou tirar aquilo de sua mente e coração, todavia, quanto mais tentava, mais parecia estar remando contra a correnteza, e se via imerso naquele amor insano. E a cada dia que se passava, tornava-se mais difícil esconder suas emoções. Por esse motivo, sempre discutia com o mais velho, principalmente quando o assunto se relacionava à Madara. O ciúme o corroía todas as vezes em que Hashirama falava com pesar do amigo, expressando claramente o quanto o outro lhe fazia falta. Segurou-se várias vezes para não socar seu irmão idiota, numa tentativa insana em fazê-lo esquecer de uma vez por todas o Uchiha que ele detestava.

Certa vez, após uma discussão com Hashirama, Tobirama resolveu passar um tempo longe do clã, na expectativa de esquecer toda essa loucura. Em sua peregrinação, envolveu-se com algumas mulheres e homens, esperando que, com isso, fosse livrar seu coração do amor que sentia. Não achava errado seu sentimento, apenas não queria sofrer mais com esta situação. Porque doía, e muito, o fato de não ter seu afeto correspondido de forma recíproca. Não que Hashirama fosse um péssimo irmão, longe disso, era amável até demais, tanto que fez com que Tobirama o enxergasse de outra maneira. Talvez porque sempre fora tratado com dureza pelo pai, e as pessoas à sua volta dificilmente demonstravam muita afeição. Somente em seu irmão, via um porto seguro, amor incondicional que lhe fazia sentir-se aceito. E não queria, de forma alguma, que este amor se direcionasse à Madara.

Tobirama sempre se mostrara mais racional que Hashirama, porém, ultimamente, tem sido uma tarefa árdua manter-se controlado, ainda mais depois da trégua entre os clãs Senju e Uchiha. Recusava-se com todas as forças ver seu adorado irmão se preocupando com outro que não fosse ele. Mesmo que as chances de seus sentimentos serem correspondidos de forma recíproca sejam quase nulas, Tobirama ainda alimentava em seu coração uma pequena esperança. Sua falsa esperança. Apesar de ter tentado resistir, enganar a si mesmo, no final, percebeu que essa batalha estava perdida. Várias vezes quis expor tudo que estava guardado em seu coração há anos, no entanto, temia que o irmão o rejeitasse e isso seria como um golpe certeiro em seu peito, pois não conseguiria viver em um mundo em que Hashirama o odiasse.

Só de imaginar tal possibilidade, fazia seu peito doer e a garganta se fechar. Sentou-se na cama, colocou as mãos na cabeça, esfregando freneticamente as laterais, numa tentativa desesperada de afastar esses pensamentos, desalinhando ainda mais os cabelos alvos com esse gesto.

“Não aguento mais isso. O que eu vou fazer? Não posso permitir que eles fiquem juntos, não vou conseguir viver em paz sabendo disso. E tudo o que passei durante todos esses anos, todo o amor que guardei?”

A dor de cabeça da noite passada começara a incomodar novamente com todos esses pensamentos. Até quando conseguiria suportar aquilo, Tobirama não sabia responder. Às vezes, sentia-se um masoquista mantendo essa falsa esperança de que, um dia, todo esse amor seria compensado. Sabia muito bem que tudo isso seria mal visto pelas pessoas, não que se importasse muito com o que os outros pensam ou deixam de pensar, mas entendia que o irmão mais velho tinha uma reputação a zelar por ser o líder. Apesar de que agora, este nome poderia estar correndo sérios riscos de ser mal falado graças à presença de Madara, afinal, era só uma questão de tempo até esse “caso” deles vir à tona.

Tentando colocar as ideias em ordem, levantou-se da cama e se direcionou para a porta, não iria mais perder tempo com esses pensamentos que só o deixavam mais irritado. Caminhou a passos firmes em direção ao quarto do irmão mais velho.

 

HS ღ MU

 

Os raios solares que invadiam o cômodo, clareando-o completamente, despertou Madara de seu sono. Abriu os olhos, preguiçosamente, piscando-os várias vezes tentando acomodar-se à claridade. Quando finalmente conseguiu, olhou em volta, percebendo que estava sozinho no quarto. Parecia ser bem cedo ainda, constatou, ao olhar para a janela.

“Onde será que Hashirama está?”

Pensou, enquanto tentava mover-se para se levantar, mas fora impedido por uma dor incômoda na costela direita. Provavelmente estaria fraturada. Suspirou pesadamente, recostando-se à cabeceira da cama, vencido. Teria que esperar, ainda que impacientemente. Observou com mais atenção o local, era bem simples e de cor clara, quase sem muitos detalhes. Acomodou melhor um travesseiro em suas costas, sentando-se de maneira que o incomodasse menos.

A paz e silêncio do ambiente, fez com que a lembrança da noite anterior começasse a emergir em sua mente, tão clara que conseguia sentir perfeitamente cada beijo e toque. As batidas do coração aceleraram à medida que os pensamentos reproduziram, com muita clareza, cada segundo daquele momento. Sentiu o corpo aquecer ao lembrar-se do gosto da boca, dos beijos molhados e ávidos, as mãos quentes em sua pele, dos cabelos enroscados em seus dedos. Nem havia percebido que fechara os olhos para apreciar aquela sensação. Tocou os lábios com os dedos, deslizando-os devagar, como se pudesse, com isso, reproduzir o toque de Hashirama. Esboçou um pequeno sorriso de satisfação. Quanto tempo esperou por aquilo.

Quantos anos se passaram após aquela tentativa frustrada de Hashirama ao tentar beijá-lo?

Não fazia ideia. A única coisa que sabia foi o tempo que perdeu em todos esses anos, lutando contra o sentimento que nunca deixara seu coração. E, talvez, jamais deixasse. O que sentia por Hashirama era totalmente diferente de tudo que já sentiu na vida.

Enquanto divagava, imerso em pensamentos, algo lhe chamou a atenção. Notou um longo fio de cabelo, escuro e liso, sobre o lençol branco. Levou a mão ao local, pegando-o entre os dedos, levantando-o em frente ao seu rosto. Fitou aquele fio negro por alguns instantes, enquanto sentia a textura macia. Levou até a narina para cheirá-lo. Enquanto enroscava o fio de cabelo entre seus dedos, lembrou-se da primeira vez em que encontrou Hashirama.

A princípio, achava aquele cabelo malditamente liso ridículo, bem como o dono dele. Nunca imaginaria que aquele garoto tão “sem sal” se tornaria um homem imponente e tentadoramente atraente. Na verdade, desde quando se encontraram à margem daquele riacho, Madara viu-se estranhamente atraído por aquele garoto. Parecia que uma força oculta o impulsionava naquele dia. E, desde então, tornara-se difícil ficar distante um do outro. Entretanto, nunca admitiria, de forma alguma, que se sentira assim. Nunca, em toda sua vida, havia tido um sentimento tão intenso. Nem por seus irmãos ou até mesmo seus pais. Há tempos, um vazio em seu peito o incomodava de tal forma que sentia bem no âmago do seu ser que lhe faltava algo muito importante. Desde muito pequeno havia essa sensação, a qual nunca conseguiu entender, até o momento em que encontrou Hashirama. Não entendia ao certo como aquilo funcionava, a única certeza que tinha era de que, com ele, aquela sensação de vazio desaparecia repentinamente. Em contrapartida, quando iam embora para suas casas, aquele vazio voltava tão rapidamente quanto sumia cada vez em que se encontravam.

Era muito estranho tudo isso, porque, por mais que tentasse, não conseguia entender este sentimento arrebatador. Contudo, uma coisa estava bem clara, queria estar ao lado daquele homem, poder beijá-lo infinitas vezes, abraçá-lo e ser envolvido naqueles braços. Seu corpo clamava por isso, necessitava de alívio, pois o método que utilizava para descarregar toda sua tensão sexual não chegava nem perto da sensação maravilhosa que sentiu ao beijar Hashirama. Era tão intenso que, por um momento, pensara ter ido ao paraíso. Nunca, em toda sua vida, imaginaria que se sentiria tão completo e pleno apenas pelo fato de ter Hashirama por perto. E, pela primeira vez em muito tempo, se viu alegre, tanto que nem percebeu o grande sorriso que havia se formado em seus lábios.

Ao mesmo tempo, isso era terrivelmente perturbador, porque, melhor do que qualquer um, sabia das implicações que tal sentimento poderia exercer sobre si. O clã Uchiha era conhecido por amar ao extremo, tanto que, quando sofriam alguma perda dolorosa, a herança genética, os peculiares olhos vermelhos, transpareciam, enchendo-os de um ódio descomunal e desejo de vingança. Esse fato o deixava inseguro quanto ao seu sentimento, porque, durante anos, carregou o desejo de vingança por seus entes queridos, que morreram de forma tão brutal durante a guerra. Entretanto, o desejo de ter Hashirama ao seu lado se mostrara muito maior que o furor, porém, como líder dos Uchiha, precisava cumprir seu dever para com os outros membros do clã, que também perderam seus parentes nessa luta.

Pensou sobre o acordo de paz que estabelecera com Hashirama e que logo seria devidamente formalizado, assim que se recuperasse melhor dos seus ferimentos. Certamente seria arriscado demais fazer esse tratado, no entanto, não queria mais levar a batalha adiante. Principalmente após compreender que nunca conseguiria odiar Hashirama o suficiente a ponto de matá-lo. E isso ficou muito claro em seu coração quando, depois daquela luta exaustiva entre eles, Madara colocou Hashirama à prova, pedindo que este matasse o próprio irmão ou desistisse da própria vida. Claro que, por ele, preferiria a morte de Tobirama, todavia, entendia perfeitamente a atitude protetora de Hashirama em relação ao irmão mais novo. Aquilo, definitivamente, foi um pedido insano de sua parte, precisava admitir, porém, que prova maior teria de que realmente poderia confiar no líder dos Senju?

Antes de pensar em si mesmo, precisou pensar no bem-estar de todo o seu clã. Colocou a razão um passo à frente de suas emoções, anulando-as, para que aquelas pessoas que se encontravam sob sua liderança sobrevivessem, caso acontecesse o pior. Sentiu-se o pior ser humano do mundo por ter feito tal escolha, por arriscar uma vida tão preciosa para si em favor dos seus. Mas ser um líder implica em tomar decisões um tanto contraditórias pelo bem de um todo. Detestava esse sistema injusto, que só geraria mais rancor e derramamento de sangue inocente. Tinha plena consciência de que era só uma questão de tempo para que essa falsa paz fosse embora. Porém, não queria pensar nisso agora, precisava se focar no presente, na melhor maneira de fazer com que todos os componentes de seu clã consigam viver, ainda que por um período efêmero, de forma pacífica.

O som da porta se abrindo cuidadosamente o tirou de seus pensamentos, voltando sua atenção completamente à Hashirama, que entrou no quarto com uma pequena bandeja e fechando a porta atrás de si.

- Como está se sentindo?

O olhar preocupado, ao mesmo tempo terno, o analisou por alguns instantes e, só então, Madara percebeu que ainda segurava o fio cabelo em seus dedos. Sentiu o seu rosto esquentar no mesmo instante. Rapidamente, se desfez daquele cabelo, deixando-o cair ao lado da cama. Se Hashirama havia percebido aquele movimento sutil, não saberia dizer, apenas torcia interiormente que ele não tivesse notado.

-Melhor. - Respondeu, tentando disfarçar ao melhor estilo Uchiha, o constrangimento que foi ser pego de surpresa.

- Que ótimo. – Hashirama abriu aquele sorriso largo, bem característico dele, depositando a bandeja com a refeição matinal que trouxera para o amigo. -Agora você precisa comer para repor as energias. – sentou-se na cadeira ao lado, para ajudar Madara – de forma um tanto desajeitada, diga-se de passagem. Não era um expert em cuidar de uma pessoa acamada.

Aproveitou aquele momento para conversarem sobre o tratado de paz que fizeram. Hashirama havia levado um pergaminho onde constava por escrito tudo o que precisava para o acordo ser formalizado. Madara pegou o papel e leu atentamente cada linha. Assim que acabou, assentiu para o amigo, devolvendo-lhe o documento. Só precisava da assinatura de ambos, o qual seria feito numa cerimônia entre os clãs.

 

MU ღ HS

 

Tobirama parou em frente à porta do quarto do irmão mais velho. Num lampejo, se lembrou de que seu irmão não dormiu ali. Se já se encontrava de mau humor pelo ocorrido de ontem, o fato de Hashirama ter ficado junto com Madara a noite inteira só piorava as coisas. Soltou um suspiro pesado e, decidido a conversar com o irmão, não esperaria ele sair de perto do Uchiha para isso. Andou a passos apressados, chegando à frente da porta. Bateu de forma impaciente, sendo atendido prontamente pelo irmão.

-Posso conversar com você? Em particular, é claro.

 A voz grave e ríspida fez o mais velho sentir um calafrio na espinha. Conhecia muito bem o irmão mais novo e, pelo do tom de voz e a expressão mais séria que o normal, sabia que levaria um sermão daqueles. Não se atreveria a sequer perguntar do que se tratava.

“O que foi que eu fiz dessa vez?”

Engoliu em seco, já imaginando o quanto teria de ouvir. Pediu licença a Madara e saiu, seguindo Tobirama como se estivesse indo para forca.

Chegando ao quarto, assim que fechou a porta atrás de si, Hashirama se sentou, afinal, ficar de pé não era a melhor opção no momento. Respirou fundo, soltando o ar logo em seguida.

-Pronto, pode começar o sermão. – Num tom de derrota, levantou as mãos, fazendo sinal de rendição.

Tobirama apenas o encarou, ponderando por onde exatamente deveria começar. Sempre fora bom com as palavras, no entanto, aquele momento era bastante delicado. Precisava de toda a calma possível ou poderia acabar falando de coisas que não deveria. O ciúme era eminente e estava difícil controlar toda a raiva que sentia. Trincou os dentes, numa tentativa de segurar os sentimentos que fluíam dentro si numa torrente de raiva, angústia e dor. E esse turbilhão de emoções o deixava louco, não sabia mais o que fazer. Dificilmente perdia a razão, isso era um fato incontestável da natureza sempre racional de Tobirama. Mas agora, as coisas pareciam estar saindo de controle, toda a sua resistência mental estava se esvaindo, assim como sua paciência. Sentindo a cabeça latejar com tantos pensamentos, levou a mão às têmporas, massageando-a levemente, na expectativa de reorganizar sua mente. Depois de alguns minutos inquietantes, com Hashirama o fitando de forma interrogativa, resolveu ir direto ao ponto:

-Eu vi você beijando Madara ontem. Pode me explicar o que está acontecendo? – A voz saiu num tom mais alto e áspero do que imaginava. Cruzou os braços, esperando o mais velho começar a falar.

Hashirama arregalou os olhos, boquiaberto com a declaração tão direta do irmão mais novo.

 “Me fodi.”

Foi a única coisa em que conseguiu pensar no momento.

De todas as pessoas, porque justamente ele teria de ver aquilo? Bem que diz o ditado: “Quando a esmola é demais, o santo desconfia”. Estava bom demais para ser verdade. O ocorrido da noite passada foi algo que Hashirama esperou por muito tempo e, Madara ter aceitado de tão bom grado fora surreal demais. Mas o que ele iria responder? Nunca escondeu nada de Tobirama, sempre falara abertamente com seu irmão mais novo, no entanto, esse assunto era um muito constrangedor. Ainda mais porque Hashirama sabia muito bem que Tobirama não era um grande fã de Madara. As mãos suaram frio, em pleno nervosismo. Passou a mão no cabelo, fingindo ajeitar alguns fios, reação que tinha quando se sentia ansioso. Não sabia o que dizer e tudo o que queria fazer era sair dali o quanto antes.

Tobirama ainda o encarava de forma dura, o rosto sério, braços cruzados, dedos batendo de forma impaciente no antebraço. A típica pose que sempre fazia quando estava irritado. Tobirama soltou um grunhido, trincando os dentes, tentando, a todo custo, não começar gritar com o irmão. Estava ficando cada vez mais inquieto com aquele silêncio que se instalara entre os dois. Sua vontade era de socar o belo rosto de Hashirama e arrastar a cara dele na parede até se dar por satisfeito. Poderia muito bem fazer isso, mas o amor que o consumia impedia quaisquer atitudes que pusesse o irmão em risco. Hashirama ameaçava abrir a boca para falar, porém, as palavras sumiam repentinamente por causa do nervosismo. A situação não ajudava em nada e a tensão naquele lugar aumentava de maneira eminente. Por fim, o mais velho deu-se por vencido, não iria conseguir sair dali sem dar uma resposta convincente para o irmão mais novo. Dessa vez, precisava agir como um irmão mais velho deveria fazer. Inspirou fundo, reunindo toda a coragem que pôde para falar.

-Tobirama, eu realmente fico muito grato por sua preocupação comigo. – Começou, soltando o ar de uma só vez. – Sei muito bem que você não gosta do Madara, mas, devo lembrar que sou dono do meu nariz para fazer minhas próprias escolhas. E, como você sabe, eu amo o Madara e quero ficar com ele. Não preciso dar satisfação da minha vida sentimental para ninguém. Bom, se isso responde a sua pergunta, então, me dê licença porque preciso ver como Madara está.

Após dizer todas essas coisas de forma tão direta e sincera, sem nenhum sinal de remorso, Hashirama levantou-se, deixando no local seu irmão mais novo completamente desolado. Nunca, em toda a sua vida, Hashirama havia falado com ele daquela forma.

O que estava acontecendo?

Ainda perplexo, sem se mover um milímetro de onde estava parado, só conseguiu pensar em uma coisa: Madara iria pagar muito caro por aquela afronta. Tobirama atribuiu toda a culpa do que estava acontecendo ao Uchiha e o seu rancor por ele aumentou de forma latente. O único culpado por Hashirama agir da forma que agiu.

“Isso não vai ficar assim, Madara Uchiha.”

No momento, não estava com cabeça para pensar em mais nada, apenas queria descarregar toda a fúria que se alastrava dentro de si como o fogo num local seco. Mas seria paciente, esperaria o momento oportuno para fazer o que tinha em mente.

Caminhou a passos firmes até a porta, abrindo-a com certa violência e batendo-a da mesma forma atrás de si.

 

MU ღ HS

 

Passado dois dias, Madara se encontrara recuperado, apesar de ainda ter algumas dores incômodas na costela que fora fraturada. Hashirama até tentou protestar, dizendo que poderiam aguardar até a recuperação completa de Madara, porém, o Uchiha não queria mais esperar, já estava cansado de ficar acamado como se fosse um moribundo.

Durante a cerimônia, tudo correu perfeitamente e ambos os líderes assinaram o documento, formalizando a aliança que os Senju e os Uchiha fizeram. Após isso, trocaram um caloroso aperto de mãos, que foi aplaudido por todos os integrantes que se encontravam reunidos ali. Madara e Hashirama encaravam-se de forma intensa, ação que não passou despercebida por Tobirama, o único que entendia muito bem o que aquela troca de olhar significava. 

Após o evento, Hashirama e Madara resolveram ir a um lugar que, há muito tempo não iam: o penhasco o qual eles frequentavam quando eram crianças. Hashirama ajudou Madara durante o percurso por causa da dor incômoda que o amigo ainda sentia. Quando chegaram ao topo, vislumbraram aquela visão maravilhosa do pôr-do-sol. O céu em tons de laranja e amarelo era uma visão deslumbrante, ainda mais sendo visto daquele ponto tão privilegiado. Fitaram, em silêncio, aquela cena, sentindo o vento fresco do final de tarde atingindo a pele e esvoaçando os cabelos dos dois homens em pé à beira daquele local. Dali conseguiram ver o vasto vale, repleto de árvores frondosas. Hashirama observou Madara, que fitava o horizonte, imerso em pensamentos, como naquele dia em que tentara beijá-lo há alguns anos atrás. Sorriu com a lembrança, principalmente da reação do amigo com aquela atitude. Claro que não fora nada agradável, todavia, agora, parecia até uma ironia do destino eles estarem ali novamente depois de tanto tempo.

-Nossa vila será construída aqui. – Hashirama se manifestou, pousando a mão direita sobre ombro esquerdo de Madara, quebrando o silêncio momentâneo que se instalara entre eles. – E vai ser muito próspera. – Sorriu ao imaginar aquele vasto local cheio de pessoas vivendo pacificamente ali.

-Sim, vamos trabalhar para que assim seja. – Madara finalmente saiu de seus pensamentos, virando-se para o amigo, devolvendo o melhor sorriso que pôde.

Aquele gesto simples fez o coração de Hashirama pulsar mais forte no peito. Como ele adorava aquele sorriso. Adorava ver Madara feliz e aquilo lhe trouxe uma sensação nostálgica, como se aquele tempo em que eles ficavam ali por horas conversando ou apenas observando o pôr-do-sol, desfrutando da companhia um do outro, tivesse voltado. Hashirama sentiu vontade de repetir o momento daquele dia em que tentou beijar Madara pela primeira vez, só que com a mesma intensidade que fora há dois dias, com o Uchiha correspondendo-o de boa vontade. Ponderou se deveria mesmo fazer isso, já que, desde aquela noite, não tocaram no assunto uma vez sequer. Não que o Senju não quisesse, porém, o Uchiha parecia estar o evitando a todo custo.

Hashirama ficou com aquilo martelando em sua cabeça durante esses dois dias que se passaram, mas, para não ser inconveniente, optou por permanecer calado. Queria dizer tantas coisas, tentar expressar em palavras todo o sentimento que havia guardado por todos esses anos. Mas esperaria o amigo dar a brecha que ele precisava para tocar no assunto. Porque Madara manteve-se fechado, de forma que parecia impossível transpor a barreira invisível que se instalara entre eles ao longo desses anos. Hashirama teve seus pensamentos interrompidos, quando um toque parcialmente frio encostou-se a sua mão, que ainda estava sobre o ombro de Madara, causando-lhe um arrepio, como se uma corrente de energia passasse por seu corpo. Porém, logo foi substituído por uma sensação reconfortante.

O homem ao seu lado, agora focando os últimos raios solares se esconderem por trás das árvores, estava com a mão pousada sobre a do seu amigo. Hashirama sentiu o rosto esquentar, um tanto surpreso com esse simples gesto. Desde que se conheceram, conversavam bastante, lutavam entre si, brincavam; realmente eram bem íntimos, mas não ao ponto de terem um contato físico tão carinhoso. Hashirama podia contar nos dedos de uma só mão as vezes em que ficaram assim tão próximos. Por ele, Madara poderia tocá-lo quando quisesse, não reclamaria nem um pouco, muito pelo contrário, adoraria que eles chegassem a esse nível de intimidade. Todavia, Madara sempre se manteve a uma distância segura, evitando qualquer contato que pudesse comprometê-lo.

De fato, para o Uchiha, a postura séria era sua forma habitual de agir, quase não demonstrava algum tipo de afeto, exceto à sua família. Bem diferente de Hashirama, que sempre fora caloroso com todos à sua volta e, devido a essa característica, ganhara a empatia de muitos, inclusive dos próprios Uchiha. 

Pensando bem, talvez aquele gesto fosse um sinal de que ele poderia ir adiante com suas intenções. Não tinha certeza, mas estava muito ansioso para repetir o momento de dois dias atrás. Seu coração parecia que iria explodir de tão acelerado que estava. A respiração ficando cada vez mais irregular, fazendo a ansiedade aumentar dentro de si. Observava ainda incerto, o rosto de Madara, que parecia bem confortável com aquela situação. Tão calmo que Hashirama questionou-se mentalmente se o outro ao menos tinha noção do que acabara de fazer. Ou talvez fosse o Senju que estivesse agitado demais.

Mas aquilo era um acontecimento raro, Madara quase nunca demonstrava tamanha afetividade de forma tão natural. Para qualquer pessoa, isso não seria motivo de tanto alarde, entretanto, se tratando do Uchiha, era uma atitude praticamente inédita. Depois de tanto analisar a situação, resolveu chamar a atenção de Madara para si, apertando-lhe levemente o ombro. Quando Madara virou o rosto para encará-lo, encontrou o olhar intenso de Hashirama. Os orbes negros devolveram o olhar com a mesma intensidade e Hashirama pode vislumbrar o contraste da luz do sol, agora mais fraca, com a pele pálida de Madara, deixando-o ainda mais enigmático. Adorava aquele semblante, aumentando ainda mais o seu desejo em desvendá-lo. Levando a outra mão livre ao rosto do Uchiha, acariciou levemente a lateral direita, traçando a linha do maxilar suavemente com os dedos, parando no queixo, o qual segurou gentilmente. Sem desconectar o olhar um segundo sequer, Hashirama aproximou o rosto, parando a alguns centímetros, ponderando a face do outro, averiguando se haveria alguma oposição da parte de Madara. Após a breve análise, vendo que ele não lhe oferecia resistência alguma, decidiu continuar. Seus olhos foram se fechando automaticamente quando sentiu a respiração quente do outro indo de encontro ao seu rosto.

-Hashirama.

A voz grave, chamando repentinamente seu nome, assustou Hashirama, que se afastou um passo para trás, fazendo-o direcionar o olhar para a silhueta que se esgueirou pelas árvores, trazendo a figura de Tobirama à mostra. Madara apenas olhou de soslaio para o mais novo, constatando, pela intensidade do chakra, que o mais novo estava bastante alterado. O sol já havia se posto completamente nesse momento, mas o sharingan lhe permitia notar esse detalhe. Principalmente quando este lhe direcionou um olhar fulminante.

-O que houve, Tobirama? – Hashirama quebrara o silêncio (e o clima ofensivo que se instalara entre Tobirama e Madara).

-A notícia do acordo de paz entre os Senju e os Uchiha chegou até o daimyo do país do Fogo, e este enviou um mensageiro para que convocasse ambos os líderes para uma reunião o mais breve possível.

Após despejar todas essas informações, Tobirama encarou seu irmão mais velho, esperando uma resposta. Estava tentando ignorar Madara a todo custo.

Hashirama coçou a nuca e sorriu desconcertado.

-As notícias se espalham muito rápido.

O silêncio se fez presente novamente. Madara apenas continuou observando, enquanto Tobirama mantinha o rosto sério. Estava de braços cruzados, tamborilando os dedos impacientemente no antebraço, como sempre fazia quando se irritava.

-Fazer o quê, não podemos recusar o convite, certo Madara? – voltou o olhar para o Uchiha, que meneou a cabeça positivamente.

Alguns segundos depois, Madara resolveu se retirar, sendo seguido imediatamente por Hashirama.

-Eu te ajudo.

O Uchiha apenas se desviou da mão do outro e, num pulo gatuno, alcançou o final do penhasco em segundos, desaparecendo tão rápido quanto os olhos de Hashirama puderam acompanhar. Ficou parado ali por alguns instantes, fitando a floresta, agora era banhada pela luz prateada da lua crescente. Deixou um suspiro pesado sair de seus lábios e virou-se para Tobirama com um ar depressivo. Não lhe restara alternativa senão seguir junto com seu irmão mais novo.

No caminho, a ideia de que havia feito algo errado ficou fervilhando na mente de Hashirama. Apesar de Madara não ter oferecido qualquer resistência, será que o que estava prestes a fazer não era avançar demais o limite? Sabia que Madara era arisco, orgulhoso, e, mesmo que não estivesse se opondo, isso não era sinônimo de que estava aceitando aquilo numa boa.

“Como sou idiota. Acho que estraguei tudo de novo.”

Hashirama se repreendeu mentalmente, levando um das mãos à nuca num de frustração e indignação. Sabia que Madara não reagiria de outra forma senão daquele jeito. Foi exatamente como na primeira vez, quando ele o empurrou e foi embora sem dizer uma palavra sequer. Porém, há apenas dois dias, a situação foi bem diferente, ele havia aceitado e retribuído de uma forma que jamais poderia imaginar.

O que estava acontecendo, afinal?

Os pensamentos de Hashirama estavam em um completo caos. Não estava entendendo mais nada. Apesar de que, tentar entender Madara era uma tarefa praticamente impossível. Nunca sabia qual seria o próximo passo dele, qual seria sua reação, o Uchiha era sempre muito imprevisível. Suspirou, soltando o ar, derrotado. Tudo aquilo estava fazendo seu cérebro surtar e não tinha o menor sentido. Chegaram a casa e Hashirama nem percebera como fizeram o trajeto tão rápido, ou talvez estivesse tão disperso que mal viu o tempo passar e quase se esqueceu de que Tobirama estava ao seu lado durante todo o caminho. Despediu-se do irmão mais novo e seguiu para o seu quarto. Passou pela sua cabeça, por um instante, ir até Madara para tentar resolver a situação desconfortável que ficou entre os dois. Contudo, desistiu, conhecia muito bem aquele Uchiha e sabia que provavelmente ele não diria uma palavra sequer. Aquele cara era realmente bom quando o assunto era manter-se em silêncio. Atitude um tanto complicada para Hashirama.

Suspirou mais uma vez, quando abriu a porta de seu quarto e adentrando-o. Fechou a porta atrás de si e começou a retirar as roupas. Precisava de um bom banho para tentar aplacar sua ansiedade.

 

MU ღ HS

 

Durante a cerimônia, Tobirama não conseguia deixar de encarar Madara com certo desprezo. Após a conversa daquele dia, seu ódio por aquele homem era eminente – e bem evidente. Hashirama havia se desculpado por ter sido tão rude com o mais novo no dia seguinte àquela discussão entre eles. O mais velho possuía um coração muito mole e, por esse motivo, Tobirama não conseguia ficar com raiva do irmão, afinal, o seu sentimento não mudara nem um pouco, mesmo depois de ouvir todas aquelas palavras mais cortantes do que uma espada bem afiada. Talvez o próprio Tobirama também estivesse ficando tão sentimental quanto Hashirama.

O olhar que Hashirama lançava para aquele Uchiha o deixava possesso de raiva. Cerrou os punhos tão forte que poderia quebrar os próprios dedos a qualquer momento. Porque somente ele sabia o que aquele olhar significava. A profundidade dos sentimentos representados somente com um simples gesto. Após o acordo ser assinado e selado com um aperto de mãos “amigável”, Tobirama notou que os dois líderes seguiram em direção àquele local que ele conhecia muito bem. E obviamente ele os seguiria depois.

Passado algum tempo, um mensageiro do daimyo do país do Fogo veio para trazer a mensagem para que os líderes dos clãs Senju e Uchiha comparecessem a uma reunião o mais breve possível. Tobirama aproveitou essa oportunidade como um desculpa para ir até onde estavam Hashirama e Madara, na expectativa de atrapalhar o que for que eles estivessem fazendo. Não que precisasse de uma desculpa, na verdade, mas aquela mensagem veio numa hora bem oportuna. Naquele momento, não queria imaginar nada, porque só de pensar nos dois completamente sozinhos, o deixava louco de ciúmes. Assim que o mensageiro partiu, Tobirama tratou de ir até aqueles dois o mais rápido possível.

O sol estava quase se pondo, o céu num belo contraste de tons em amarelo e laranja. De cima de uma árvore frondosa, Tobirama conseguiu avistar Hashirama e Madara bem próximos. Tão perto que o alerta em sua cabeça o impulsionou a agir imediatamente.

“Ah, mas não vão mesmo.”

Saltou de um galho para outro, chegando rapidamente ao local em que seu irmão mais velho estava e chamou sua atenção rapidamente. Hashirama deu um passo para trás, enquanto Madara apenas o fitou de canto de olho com a expressão imparcial e altiva de sempre. Ignorou por um momento o Uchiha e voltou-se para o irmão, passando a mensagem que fora deixada pelo mensageiro do daimyo. A expressão de Hashirama entregava o que ele estava prestes a fazer. Tobirama o encarou, repreendendo-o. Depois, voltou a fitar Madara com seu destemido olhar. Estava se segurando o máximo que podia para não fazer alguma besteira, ainda que Hashirama se pusesse em seu caminho para defendê-lo. Para sua sorte, ele se foi sem dizer absolutamente nada.

No caminho de volta para casa, Tobirama não pode deixar de notar o quão distante e frustrado seu irmão mais velho parecia. Será que eles haviam discutido segundos antes de ele chegar?

Seu coração torcia muito por isso. Todavia, não era disso que se tratava o desapontamento de Hashirama e o mais novo não gostava nem um pouco dessa expressão. Já viu tantas vezes esse olhar perdido para saber muito bem o estado emocional em que seu irmão se encontrava. Tudo por culpa do maldito Uchiha. Porque esse homem tinha que aparecer em suas vidas? Amaldiçoava o dia em que seu irmão e ele se conheceram e passaram a serem amigos. Queria que Hashirama o esquecesse de uma vez por todas, mas parecia impossível isso acontecer agora, ainda mais depois desse tratado de paz. É claro que, assim como o irmão, desejava o cessar da guerra. Partilhava dos mesmos ideais de Hashirama. Iria apoiá-lo em tudo o que ele precisasse. Até porque, seu irmão não tinha pulso tão firme quanto ele. Era muito sentimental para isso.

Ao mesmo tempo, queria desaparecer para sempre. Porque era doloroso ver os laços entre Hashirama e Madara se fortalecerem a cada dia. Estava muito nítido para ele e isso acabava com seu coração, que já se encontrava bastante calejado. Pensava que poderia surtar a qualquer momento, não estava conseguindo ser tão racional quanto antes. Não quando havia em seu coração um sentimento tão intenso que o sufocava a ponto de doer no âmago de sua alma. Se visse Hashirama beijando Madara novamente, poderia jurar que cometeria alguma loucura.

Tudo isso o magoava profundamente. Porque não poderia ser como antes? Quando o irmão direcionava sua atenção apenas si. Sim, estava sendo egoísta. E quem não é? Apesar disso, tinha consciência de que as coisas não funcionavam da forma que ele queria. Mas iria mover o que fosse preciso para mudar o rumo das coisas.

Assim que chegaram em casa, Hashirama, ainda imerso em seus pensamentos, despediu-se sem muito ânimo e seguiu direto para o quarto. Tobirama continuou do lado de fora, não estava com cabeça para entrar. Precisava espairecer ou acabaria enlouquecendo de vez. Fez o caminho de volta à floresta, para algum lugar qualquer longe dali e, com um pouco de sorte, esquecer-se desse sentimento incômodo, nem que fosse por alguns instantes.

 

HS ღ MU

 

Andando de um lado para o outro, a cabeça fervilhando com a hipótese de que Madara estaria irritado ou algo do tipo, Hashirama estava quase surtando de nervosismo. Provavelmente nem conseguiria dormir de tanta ansiedade. Pensou em diversas desculpas para ir até onde o Uchiha estava instalado, mas nenhuma convincente o suficiente que o fizesse baixar a guarda. O que iria fazer? Estava ficando louco com todo aquele turbilhão de sentimentos dentro de si. Passou a mão nos cabelos, coçando a nuca.

“Mas o que é que estou fazendo? Hashirama, seu idiota, vá atrás dele! Depois de tanto tempo, vai perder a oportunidade por causa de... Espera, o que eu fiz errado mesmo?”

Recapitulou toda a cena daquele final de tarde. Estava tudo correndo perfeitamente bem, até Tobirama aparecer e acabar com o clima. Não podia culpar o irmão, afinal, foi apenas entregar uma mensagem, não era como se fosse intencional o fato de ter ido lá. Ao menos era nisso que acreditava.

Estava tão perto de provar aqueles lábios novamente. Não iria deixar essa passar. Não mesmo. Saiu do quarto, caminhando a passos decididos até onde Madara se encontrava. Bateu levemente na porta. Nenhuma reposta.

“Será que ele está bem?”

Resolveu entrar. Abriu a porta com cuidado para não fazer qualquer ruído e vasculhou o local.

Ninguém.

Franziu o cenho, as sobrancelhas quase unidas.

-Onde ele foi? Será que...

Sussurrou para si mesmo, pensativo. Será que Madara havia partido sem ao menos avisar a alguém? Estranhou bastante o fato. O Uchiha era, definitivamente, imprevisível, porém, ainda estava debilitado por causa do ferimento. Preocupado, tratou de sair dali. Algo parecia muito errado naquele sumiço repentino e precisava encontrá-lo o quanto antes.

“Espero que ele esteja bem.”

E, com isso em mente, foi à procura do homem que amava. Com sorte, o encontraria junto a alguém do clã Uchiha. Era exatamente nisso que seu coração queria acreditar com todas as forças.


Notas Finais


Gente, primeiramente, deixa eu explicar uma coisinha rapidão: não haverá incesto, ok? Não fiquem assustadas comigo hahaha Ou, sei lá, vai que alguém shippa? XD
Só que essa não é minha intenção nesta fic.
Então, o que me dizem? Feels? Bad? No sense? Quero muito saber a opinião de vocês sobre o capítulo, é muito importante mesmo e faz toda a diferença. Para quem favoritou, meu muito obrigada e espero que continuem acompanhando e que deixem a opinião de vocês também. Fiquem à vontade, gente, não vou morder. Prometo. Vou responder com muito carinho ♥ Venham me dar amorzinho ~
E aí, ansiosas? Quais são suas apostas para o próximo capítulo? O que Tobirama Montenegro irá fazer contra Madara Hernandez? E o que fará Hashirama De La Vega para evitar a treta toda? (Maria do bairro feels -q) Não deixem de conferir huahuahuahua
Kissus de torta de limão ♥


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