História Detalhes: Linha do Tempo. - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Visualizações 36
Palavras 4.416
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Self Inserction, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi, essa é a minha primeira fic. Confesso que estou extremamente nervosa por causa disso.
Peço desculpas por qualquer tipo de erro e espero que gostem. Falem o que quiserem, eu vou amar ler os comentários (se tiver •3•)
As partes em negrito são frases que apenas marcam o tempo ou o lugar.
As partes escritas de forma diferente podem ser sonhos, ligações, frases ditas dentro da mente do personagem, frase intrigante para o desenvolvimento da fic e coisas semelhantes.
A história começa com a personagem principal ainda criança então peço paciência á vocês enquanto ela não é adolescente, onde as coisas ficam mais interessantes mas a infância é uma ponto marcante na vida dela.
A fic contém, assim por dizer, bastante flashback. Eu gosto de colocar o passado do personagens para que vocês possam ter maior interação com eles.
Os sinas "N/T" sou eu falando ou explicando algo diferente/incomum.
Bom, é isso. Obrigada pela atenção.

Capítulo 1 - Mais Um Dia.


                Detalhes: Linha do Tempo.

                                   ~*~

"Honestidade, coisa que poucos usam. Podres. Mas... Eu sinto que sou tão suja quanto eles, posso até ser considerada uma deles, mais uma na nação dos mentirosos. Eu minto quase o tempo, sabe, é difícil ser eu mesma com tudo o que passei no passado." - Nayla, 16 anos. Centro de Psicológica e Reabilitação. 

                                1998

                29 de Novembro. Outono.

  Chovia no dia em que uma cesta foi posta na porta de um orfanato. A porta principal é atendida por uma das freiras mas tudo que se encontrava era um vazio e o vento sereno até seu pé encostar em algo.

Um bebê, e o cesto continha um pedaço de papel com seu nome. A freira dá um sorriso sarcástico para o pequeno brotinho e adentra com o mesmo sem mais ou menos, ali ela seria criada até ter idade ou ser adotada.

                   (...) Cinco Anos Depois...

Nayla corria entre algumas árvores no jardim enquanto Zack, o zelador, corria atrás da mesma com palavras para parar mas ela as ignorava completamente. Para Nayla aquilo era como uma brincadeira, já para o zelador - que não passava, no máximo de 25 anos - um desafio.

  Eles continuaram correndo até Nayla ter conseguido dar a volta no orfanato e parar na frente do mesmo.

- O que está escrito ali?

- O nome do orfanato. Não consegue lê-lo? Eu esperava mais de você. 

- Acho que sim. Go... Tas de Chu... Va. Gotas de Chuva, zelador?

- É Zack, sua baixinha e sim, você leu certo. Orfanato: Gotas de Chuva, o lugar onde nem todos os sonhos se realizam. - A última parte ele falou para si mesmo.

- Hn...

- Agora vamos, senão, a senhora Lucia vai nos dar bronca e nós não queremos isso. 

Ela gostava de ficar no jardim mesmo com o vento frio que poderia lhe deixar doente, não gostava de entrar para o enorme orfanato já que era bulinada por outras garotas. Ela já havia tentado contar sobre o que acontecia mas elas sempre davam um jeito de se safar.

Zack era o único que parecia se importar de uma forma agradável. Eles tinham uma amizade na qual só eles entendiam, tudo que os outros sabiam era que eles conversavam nas horas vagas.

                                  ~*~

Todos estavam em aula. Apesar de ser um orfanato e todos passarem o dia inteiro dentro dele eles tinham aula todos os dias com exceção de sábado onde ficam de bobeira ou saiam com seus possíveis novos pais e no domingo  onde tinham educação física até a hora do almoço.

O primeiro tempo da aula de matemática já havia passado, eles fariam uma pausa de dez minutos para começar o novo turno.

- Onde... Onde está a minha pulseira? - Uma menina de cabelos loiros e curtos passava as mãos em seus bolsos na esperança de encontrá-la.

- Você não consegue achá-la? - Outra menina perguntou, a Eddy.

- Não... 

- Okay, eu te ajudo. 

Nayla observava tudo em seu lugar, não tinha nada a ver com isso e sabia que ninguém faria nada se fosse com ela. De alguma forma ela sabia que ninguém ligava se ela estava ali ou não, então ela também agiria da mesma forma. 

Entediada pela demora dos dez minutos, ela olha em direções aleatórias para se distrair, em algumas das tentativas sua atenção foi ao chão onde viu a bendita pulseira de Mary, a dona da pulseira. Ninguém nunca  a veria já que ela estava no canto, perto da janela.

Alguma luz de esperança, que ela não sabe de onde veio, se acendeu dentro de si fazendo-a pegar a pulseira e guardar para entregar quando tudo estivesse mais calmo. Sabia que Samantha estava a vigiando como de costume, se fosse até lá ela faria de tudo para arrumar uma confusão.

O sinal tocou anunciando o segundo turno de matemática, Mary e sua amiga Eddy se sentaram em seus lugares desanimadas. 

                                    ~*~

Estava na metada da aula, todos já estavam com fome. Algumas vezes dava para escutar um ronco dali e aqui, até a professora estava com fome. Era assim que eles faziam, davam o café da manhã cedo para que as crianças sentissem fome e comessem todo o almoço para não desperdiçar comida, mas nem a fome atrapalhava as bolinhas de papel que Samantha jogava em Nayla.

- Algum problema, senhorita Samantha? - Perguntou a professora com certa raiva por causa do som das bolinhas.

- De maneira alguma, professora, por favor prossiga. - Pediu ela.

- Na verdade, professora. - Nayla se levantou de sua carteira. - A Samantha estava jogando algumas bolinhas de papel em mim, o que, no caso, está me incomodando.

- Isso é verdade, senhorita Samantha? 

- D-Desculpa, professora, juro que não faço mais. 

- Não peça desculpas a mim, e sim a Nayla. -  Samantha ficou hesitante com o pedido mas sabia que a aula não tomaria curso até que ela o fizesse.

- D-Desculpa, Nayla, eu me empolguei. - Abaixou a cabeça, tímida.

- Tudo bem, perdoada.

- Nayla, caso algo lhe incomodar novamente, por favor, me avise.

- Sim, senhora, obrigada.

A aula se seguiu calma dali em diante, sem mais interrupções, mas Samantha jurou a si mesma que aquilo não ficaria assim o que resultou na quebra de um de seus lápis.

Finalmente a hora do almoço chegou, quando o sinal havia tocado algumas crianças queriam gritar de alegria mas era proibido. A professora fechou o livro e disse que continuariam na próxima aula, com isso algumas crianças andaram um pouco mais apressadas já que também não podia correr.

Todos já estavam sentados no salão, a comida era simples: Arroz, purê de batata, bife e alguns vegetais com legumes.

Nayla estava sentada com crianças da qual só conhecia por nome, ela não se juntava ou falava muito com nenhum deles, não porque se achava superior mas sim porque não queria sofrer.

"Se for para amar e ser deixada no final, então prefiro viver sozinha para todo o sempre. Se for para isto acontecer, amigos são a ultima coisa que preciso.", repetia ela sempre em mente.

Todos estavam estavam comendo em paz quando Samantha se aproximou da mesa de Nayla.

- O que você está comendo, Nayla?

- A comida do almoço? - Debochou.

- Ah, então você come comida normal.

- Não entendi. 

- É porque você é uma babaca e babacas deviam comer sobras do chão e não comida como agora e já que você anda pra cima e pra baixo com aquele zelador que é um babaca fracassado isso te torna semelhante a ele! Burra, não nota nem o óbvio. Isso me irrita. - Ela derrubou  o prato de comida de Nayla no chão com força. - Vamos, limpe! Limpe como aquele zelador fracassado e imundo que você apelida de amigo!

Nayla se sentiu intimidada, parecia que todos estavam contra ela. Era sufocante. Ela não soube fazer nada que não fosse sair do seu lugar e catar os caquinhos do prato sentada no chão gelado como se fosse um cachorro abandonado. 

Ela prendia algumas de suas lágrimas que praticamente gritavam para cair aos pés daqueles caquinhos tão semelhantes ao seu coração e a sua esperança de ser feliz algum dia.

- Samantha, sem o zelador o orfanato estaria imundo e certamente caindo aos pedaços! - Um garoto com bochechas rosadas, certamente nervoso, se intrometeu.

- Não venha onde não foi chamado, Millow, e se ele realmente não fosse um babaca ele estaria em um emprego muito melhor que esse, então ele é um babaca fracassado sim! 

- Ele não é. - Nayla disse num tom baixo porém audível ao tentar defender a imagem de seu amado amigo Zack mas antes mesmo que pudesse pensar em algo mais um tapa forte foi acertado em seu rosto.

- Não se meta ainda, cadela. - Aquele foi o primeiro xingamento daquele nível dito dentro do orfanato.

Nayla pensava na troca equivalente naquele momento enquanto ainda estava jogada no chão e com uma das bochechas quentes, tudo que vai volta ou tinha que ser trocado por algo do mesmo valor. Ela não queria ficar para trás, haviam insultado seu único amigo e muito menos queria que alguém como Samantha fizesse isso. 

Nayla se levantou do chão lentamente, ela estava angustiada e tudo que queria era ir chorar em algum lugar sozinha mas sabia que ela devia fazer alguma coisa naquele momento tão frustrante e não deixaria que seu desejo de chorar fosse maior do que a de tomar alguma atitude.

Num impulso, quase tão rápido quanto um raio que impressionou a muitos, tudo que pode-se ouvir foi um grande estalo em todo o salão. Nayla havia dado um tapa em Samantha o que iniciou uma briga no salão. Uma roda de crianças se fez ao redor delas, todas olhando um tanto assustadas. Algumas crianças, que passaram despercebidas, foram para a diretoria apressadas mas elas não esperavam encontrar outro alguém no meio do caminho. 

A briga rolava. Samantha estava por cima de Nayla tentando acertar alguns tapas em sua face, Nayla fazia força para para tirá-la. Ao conseguir, a empurrou no chão mas rapidamente Samantha se levantou e foi para trás de si onde conseguiu enforcar Nayla e a mesma sentia vontade de vomitar mas deu cotoveladas no tórax de Samantha a fazendo soltá-la.

Elas se separaram na distância de, mais ou menos, um metro. Nayla engoliu seco por conta do gosto de vômito em sua garganta e Samantha acariciava na extremidade de sua costela esquerda. Quando Samantha se preparava para pular em cima da outra ambas são seguradas.

Zack, que não parecia nem um pouco feliz, segurava o braço de Nayla e Lucia, uma das freiras, os ombros de Samantha.

Os quatro foram em caminho a sala da diretoria, Nayla fazia puro silêncio enquanto Samantha tentava se explicar com algumas mentiras mas nenhuma foi ouvida.

Quando chegaram Samantha tremia muito diante do olhar sério de Lucia já Nayla nem se preocupava, nada poderia ser pior do que ouvir aquelas palavras novamente de Samantha sobre seu amigo.

- Senhora, eu conversarei a respeito do que aconteceu hoje com Nayla então, por favor, licença.  - Após o pedido ser atendido com um aceno de mão ambos foram para o parquinho  onde se sentaram no balanço. - Já pode começar a se explicar, mocinha.

- Seriia mais facil com perguntas. - Ela se fazia de forte na frente do amigo. Era sempre assim.

- Por que bateu na Samantha?

- Eu revidei, ela que me bateu primeiro.

- Por que?

- Eu estava comendo, então ela se aproximou, disse que eu era uma babaca fracassada por andar com você já que  você é um também, derrubou meu prato no chão e ela me mandou eu catar, intimidada, eu fui catar mas ela continuou falando mal de você. Eu tentei dizer o contrário mas nem deu tempo e ela me deu um tapa, não ia ficar assim, então eu revidei.

Zack deu um longo suspiro, não imaginava que algo assim aconteceria, pelo menos não tão cedo. Ele sabia que ela era alvo de algumas críticas de outras crianças mas não pensou que ela chegaria no nível de uma briga, não uma que envolvesse seu nome como motivo.

Ele se lembrou  de sua adolescência, da sua primeira briga de verdade mas isso só aconteceu aos seus catorze anos quando havia conhecido uma garota em uma festa há pouco tempo e a viu sendo vítima de assédio de outros garotos da escola, Violett, era seu nome.

Antes que ele pudesse dizer algo, ela tomou a palavra primeiro.

- Mas eu não... Não me arrependo de n-nada, eu faria tudo de novo, não deixaria ela humilhar o meu único amigo em que posso confiar de verdade. - Ela tentava controlar seus soluços, uma das últimas coisas que queria que Zack ficasse de mal com ela por causa de uma briga.

 Ele se levantou do balanço e se abaixou em frente a ela.

- Sabe, eu já fiz várias merdas e decisões erradas antes de vir parar aqui e não me admiro alguém me chamar de fracassado ou babaca. É verdade, eu sou um, não devia estar aqui. Se eu tivesse feito as escolhas certas a esta hora eu estaria trabalhando em uma empresa gigante de vinte e sete andares mas... É aí que tá, todos erramos, nem sempre escolhemos o melhor para o futuro, apenas para o presente. Olha, eu apenas não quero que você brigue mais, pelo menos por mim, okay? - Ele falava calmo na esperança de acalmá-la também.

- O-Okay...

- Não chora, vai ficar tudo bem. Você vai ver. - Eles se abraçaram e depois de tempo o suficiente para se acalmar eles entraram mas nem imaginavam que alguém estava em uma das janelas do segundo andar os observando.

A consequência foi caída apenas para Samantha já que Nayla apenas revidou por auto-defesa. Ela terá que toda a louça por três dias. Seria muito já que cada criança sujava, em média: dois pratos, um copo, uma tigela e três talheres.

Quando saiu da diretoria alguns olhares e sussurros foram caídos sobre si, ela mantia calma apesar da insegurança, afinal, ela não devia nada a ninguém.

Durante o intervalo da última aula, Nayla e Zack conversavam até que o seu celular com flip tocou.

- Alô?... Mesmo? Hum... Tá, estou indo agora mesmo... Não... Não, tudo bem... Acontece... Calma, vai ficar tudo bem... Tchau. - Desligou.

Nayla ficara impressionda com a habilidade de seu amigo em deixar os outros calmos tão facilmente. Era como se fosse um hobbie ou algo rotineiro.

- O que houve? - Perguntou. 

- O moço responsável pela comida do orfanato disse que eu tenho que pegá-las hoje  já que houve um imprevisto com o filho, então vai ter que tomar contar dele e não vai poder trazer a comida semana que vem.

- Hn, entendi. 

- Eu volto o mais rápido que puder pra ficar com você mas infelizmente não garanto nada já que é meio longe daqui.

- Não, tudo bem. - Eles se despediram.

                      (...) Mais Tarde...

Nayla andava pelos corredores quando começou a ser puxada com certa brutalidade por Samantha e mais duas garotas que sempre andavam consigo. Ela pedia para pararem mas as mesmas a ignoravam. Elas a puxavaram para fora do orfantato perto do quartinho da limpeza onde tinha uma bacia com água gelada onde a afogaram.

A cabeça de Nayla estava sendo afogada cada vez mais fundo e com menos chance de voltar a respirar, ela lutava mas era inútil. Não havia ninguém aquela hora naquele lugar que pudesse ajudá-la.

   - S-Samantha! - Nayla conseguiu tirar sua cabeça da água fria por pura sorte mas rapidamente mais quatros mãos vem afogá-la novamente. Eram três contra uma. 

  Só quando perceberam que Nayla quase não se mexia mais que elas pararam.

   - Aprenda, seu lugar não é aqui. - Nayla encostou na parede, retomando o fôlego perdido. Samantha chutou seu estômago por fim e saiu com suas amigas deixando Nayla sozinha.

  Sua visão estava zonza, não conseguia ficar em pé. A única coisa que podia ser feita era esperar tudo voltar ao normal, pelo menos até conseguir sustentar-se. No frio. 

Nayla dormiu com o tempo e não sabia quanto ou quando dormiu só sabia que estava sendo sacudida freneticamente até dar um gemido.

- Nayla, que susto! O que fazia aqui fora, e de noite?! - Era Zack, parecia extremamente preocupado. Estava escuro então ela não conseguiu ver seu rosto com clareza mas ela tinha a impressão que ele estava chorando.

Ela apenas olhou para o lado onde a bacia se encontrava porém  a mesma não estava mais lá, elas deviam ter voltado enquanto ela estava desacordada para que Nayla não pudesse usar a bacia como prova do que fizeram.

Zack a afundou em seu casaco macio e a levou para seu quarto. Lá, ele cuidou dela, a cobriu e verificou se estava com febre.

A noite foi baseada em Zack acordar inúmeras vezes para trocar o lenço molhado na testa de Nayla. Ele tinha posto algumas cobertas no chão, ao lado da cama e por lá tinha ficado tomando conta da pequena.

       Mas que relacionamento era aquele?  Eles nem ao menos eram parentes e Nayla não tinha feito nada para conseguir o amor do mais velho. Então, por que?

Ninguém sabia ao certo sobre o passado de Zack, tudo o que sabiam era que cerca de cinco anos atrás ele apareceu desesperado pela vaga de emprego e assim nasceu ' Zack, o zelador' mas ninguém imaginava que ele passava noites em claro pensando no passado.

Violett, sua esposa, morreu no parto de sua filha, Lorenn, cujo sua aparência era total da mãe tirando os cabelos negros que eram iguais ao do pai, mas que também morreu aos três anos de idade de câncer cerebral.

Era inevitável, apenas conseguiram descobrir quando mais nada podia ser feito, Lorenn teria no máximo dois meses  de vida segundo os médicos e eles foram os melhores de sua vida. Zack utilizou parte do dinheiro que juntou para aproveitar com a filha.

Eles foram em parques, praias, comeram bastante, dançaram, riram até a barriga doer e experimentaram coisas novas, só no aproveitaram mais porque nesse meio tempo a pequena veio tendo várias dores. 

Apesar de tudo ela estava sofrendo, quando vinham as dores tudo que ela desejava era que tudo acabasse mas pelo pai ela aguentava, ela via o quanto seu pai chorava durante a noite, não queria deixá-lo sozinho.

Para ver o pai feliz Lorenn conseguiu viver por dois meses e meio mas não dava mais, a tamanha dor, a enorme quantidade de remédios diários, Zack se sentia um egoísta pelo o que ela fazia por ele, ele lhe disse que não precisava tamanho esforço se fosse para continuar doendo como estava.

Eles trocaram olhares cúmplices e os dois entenderam o que se passava ali, estava chegando, eles teriam sua última conversa. Sabiam que não passariam dali. 

Ele estava impressionado com a total conscientização de sua filha com a morte, ele descobriu na troca de olhares. O silêncio dela explicava muito mais do que suas palavras, ela já havia aceitado há muito tempo, bastava ele aceitar também.

Ele apalpava os cabelos negros dela enquanto suas lágrimas insistiam em cair sobre as bochechas rosadas e quentes da mais nova. 

Ele estava trêmulo e ambos sabiam o motivo.

- Desculpa, papai. - Ele entendeu ao quê ela se referia.

- Que isso, filha? Não é sua culpa.

- Pai, eu... Eu espero não ter sido uma filha ruim. - A cada palavra da menor fazia seu coração se quebrar mais.

- De maneira alguma, filha, você foi perfeita. 

- Por que você está chorando, então? Não têm do que chorar. - Era oficial, o que restou do coração do jovem havia sido rasgado. - Não chore, papai, eu vou finalmente poder ver a mamãe. 

- S-Sim, filha, a mamãe vai ficar orgulhosa que tem. Ela vai amar saber que a filha é igualzinha a ela. E... Por favor, conte a ela que estou cheio de saudades. - Ele chorava sem resistir.

- Eu contarei, nós brincaremos no Campo todos os dias como eu sempre sonhei. Você foi um bom pai, tenha certeza disso e tenha calma, não precisa ter pressa, nós esperaremos a sua chegada ao Campo... O tempo que precisar.

- E-Eu queria que durasse mais tempo... 

- Eu também mas não podemos mudar o que já está decidido. Fico feliz por ter tido um pai como você, eu te amo, papai.

- Lorenn, eu...  - A máquina de batimentos cardíacos fez um som diferente do habitual.

A máquina, não, não é possível. Não, por favor! Fique, por favor, eu imploro! Não me deixe, não agora. Ao menos escute o que tenho a dizer! , pensou

Ele gritou em meio ao pânico, nunca imaginou que pudesse sentir tamanha dor depois da morte de Violett, ele abraçou o corpo e olhou seu rosto.

      Ela sorria.

"Como ela podia sorrir?" Os pensamentos gritavam na mente de Zack. 

Médicos e enfermeiros adentram no quarto correndo, os mais fortes puxavam Zack para fora do cômodo enquanto ele tentava resistir. Queria ficar com ela, pedir que pelo menos que pudesse escutá-lo mesmo sabendo que ela não o faria, não mais.

Não podia acreditar, sua filha, seu tesouro, sua vida... Agora morta. 

     O que ele faria agora? 

Sua única solução foi beber. Ele só saia de casa para isso e só foi duas vezes ao trabalho antes de ser demitido.

E em algum desses dias a sua bebida acabou, não conseguia mais ficar longe dela. Era seu vício. Seu segundo oxigênio.

 Então, ele sairia para comprar mais.

Ao chegar ao bar, com a barba para fazer, de chinelo e com um roupão de dormir ele se sentou em um dos bancos e pediu sete garrafas para a viagem e uma para agora.

Ele bebeu o líquido que queimava sua garganta em uma golada só, quase como se ele já fosse obrigado a fazer isso. Ele pensava em que faria da vida para entreter sua mente de seus pensamentos sufocantes e auto-depressivos e nesse vai e vem de pensamentos um homem se sentou ao seu lado e pediu a mesma coisa que ele.

Ele parecia misterioso com aquele casaco sobretudo marrom claro.  Zack pensou consigo mesmo na possibilidade dele virar gay em tão pouco tempo, óbvio que era um brincadeira de sua mente, agora vulnerável e frágil mas nem por isso aquilo tirou alguns risadas escondidas dele.

Ele pensava no absurdo que estava cometendo na possibilidade de poder estar desrespeitando Violett daquela forma. Ele pediu desculpas mentalmente.

- Ei, eu posso te pagar uma bebida? - Perguntou o cara ao seu lado.

- Não, já tenho até de mais. Obrigado, mas eu posso fazer o mesmo por você? - Ele estava levemente nervoso e com suas bochechas rosadas, mas devia ser pelo fato dele estar bebendo desde que acordou. Eram apenas dez e vinte e dois da manhã.

- Não, agradeço. Meu nome é Richard. - Se complementaram com um aperto de mãos.- E você? Me parece novo de mais para estar em um lugar como este a esta hora.

- Sou Zack. E são apenas momentos difíceis, nada muito importante... - Desanimou.

- Momentos difíceis, é? E o que séria esses problemas?

- Nada de mais, já disse e... Nós mal nos conhecemos, não acho que posso contar a minha vida pessoal para alguém que conheci nem a dois minutos. 

- Ah, qual é. Agora somos amigos de bar, tudo que acontece no bar, fica no bar e, aliás, desabafar é ótimo. Todos os clientes de bares são depressivos ou tentam esconder isso, estão aqui por algum motivo, por exemplo, tentaram esquecer algo ou alguém e se para alguém muito novo como você estar aqui, algo ruim aconteceu, por isso, eu vim te ajudar. Tem quanto anos?

- Tenho 20 e nossa, isso foi bem profundo. Você é o quê, um psicólogo? - O mais velho deu risadas com a pergunta de Zack. 

- As vezes eu sou uma coisa, em outras horas sou outras.  

- Você é um biscate?!!

O quê? Não, é que eu tenho conhecidos então para eles eu sou muitas coisas como amigo, psicólogo, pai e até mesmo mãe em algumas horas mas o  aqui não sou eu, é você.

- Tem certeza? 

- É claro, ter mais amigos é perfeito, pode me contar. Eu vou ouvir.

- Tá bom...

E assim Zack contou tudo. Desde a morte de Violett até o agora, disse em como se sentia e como estava reagindo. Ele se sentiu bem ao colocar tudo pra fora, era como se ele guardasse um vômito na boca e enfim pode soltar tudo.

N/T: Eu sei que esse não foi o melhor exemplo mas eu queria deixar algo diferente ao invés de escrever "peso nas costas".

- Nossa, realmente deve ser difícil. Tento imaginar como deve ser. Olha, agora que somos amigos, pode contar comigo pra tudo. Eu quero te ajudar.

- Por que você está tão interessado em mim assim? Você chegou bem quando eu estava em uma das fases mais merdas da minha vida e agora quer consertar tudo.

- Escute, Zack. Ultimamente eu venho tendo momentos difíceis assim também, eu briguei com a minha mulher e acho que vamos nos divorciar. Eu vim a este bar beber até não conseguir ficar mais em pé sozinho, pensei que ninguém poderia ter uma vida mais merda do que a minha agora até que olhei para você, sem ofensa, você estava com uma imagem péssima e eu sabia como era se sentir assim por isso vim te pertubar de repente.

- Oh, entendo mas você não é daqui, não é? É que... Sabe, aqui é uma cidade pequena e quase todos já se conhecem.

- É, você acertou, eu não sou daqui. Estou Naperville por causa do trabalho, é a minha primera vez aqui, ficarei  por mais ou menos uma semana.

- Sério? E em quê você trabalha?

- Empresas, lugares planos e negociações. Não sou um dos mais importantes mas se estou aqui deve ser porque tenho algum valor lá.

- Hmmm... Eu sei que a gente já está em um papo bem profundo mas eu ainda não sei a sua idade.

- Ah, é. Eu tenho 23 anos.

- Nossa e você estava me chamando  de jovem, como se você tivesse uns 50 anos. - Eles soltaram risadas boas de se ouvir, quase como se a vida estivesse perfeita e eles continuaram nesse processo até depois da hora do almoço onde ambos nem almoçaram direito por conta da barriga cheia de álcool.

Eram quase seis horas da noite quando Richard se despediu dizendo que ainda tinha uma papelada para organizar, eles bateram as mãos seguido de um abraço. 

Zack pegou duas garrafas para viagem e foi para a casa. Ele viu o quanto sua casa estava bagunçada com garrafas, roupas e embalagens abertas de comida no chão, ele ficou motivado pela sua válvula de escape com Richard e estava disposto a arrumar aquela casa mas já era tarde então ele apenas tomou um banho calmo, foi para de baixo das cobertas e assistiu alguns episódios de 'How I Met Your Mother'.

 Com o tempo adormeceu e pela primeira  vez em semanas ele dormiu bem.

         Aquilo poderia não ser o fim de tudo.

 

          Fim do Capítulo Um: Mais Um Dia. 


Notas Finais


Ai, meu Deus! O que acharam?! (>\\\<)
Eu não coloquei tudo o que eu queria nesse capítulo porque por algumas opiniões de fora ele estava muito grande para o primeiro cap então eu, tecnicamente, dividi o cap em dois mas isso não influencia ou atrapalha em nada.
Então, o que acharam do Zack? (*u*) Ninguém imaginava que o simples zelador teria um passado bem diferente do que muitos pensam <3


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