História Deux - Capítulo 17


Escrita por: ~ e ~andyNilduenilun

Postado
Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Uruha
Tags Reituki, Violencia, Yaoi
Visualizações 47
Palavras 5.211
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi manas!
Aqui é a Andy. Geralmente as quartas-feiras são da Psy, mas hoje sou eu porque trocamos :B
Quero agradecer como sempre a todo mundo que tem lido, comentado, favoritado e toda essa coisa que deixa a gente muito feliz. <3 Graças a Psy e toda sua competência ( DAAAAALHE) estamos com TODOS OS COMENTÁRIOS EM DIA <3 <3
Espero que gostem do capítulo!

Boa leitura!

Capítulo 17 - XVI - I am not guilty.


Fanfic / Fanfiction Deux - Capítulo 17 - XVI - I am not guilty.

A prova e única prova que tinham consigo era aquela marca de sapato que batia perfeitamente com a de um dos sapatos encontrados na casa de Kai. É claro que por hora aquilo nunca seria o suficiente para prendê-lo, pelo menos não até terem evidencias concretas. A analise das amostras de fragmentos de terra encontradas sob o solado poderia bater com o solo do parque de diversões, ai sim teriam uma base em que se apoiar, uma direção. Logo seu advogado chegaria, por isso Akira precisava agir rápido, tirar dele tudo que pudesse enquanto não havia represália. Mas Kai era esperto, eles não esperavam uma confissão, muito menos um acordo, no entanto pelo menos confundi-lo já era o bastante inicialmente.

Através do vidro espelhado, Shiroyama Yuu e Takanori observavam no pequeno cubículo vigiado por câmera, de paredes grossas onde a tinta cinza cobria parcialmente os vincos dos tijolos, Kai sentado atrás da mesa igualmente cinza com os braços cruzados enquanto Akira estava sentado sobre a mesa, apenas com uma das pernas ali em cima, a outra ainda se mantinha em pé. Seu rosto estava abaixado lendo algo que Takanori não acreditava sequer estar ali, mas ele mais que ninguém sabia o efeito que aquele gesto incômodo de silencio causava quando você estava naquela sala como suspeito.

Takanori sabia perfeitamente como era estar naquele lado do vidro.

- Pode repetir, por favor, onde estava nas noites dos assassinatos? – disse Akira erguendo os olhos para encarar o repórter.

 - Em casa. – respondeu com um suspiro entediado, girando os olhos para o espelho tendo a total consciência que lá trás estavam Takanori e Shiroyama. Talvez mais alguns policiais. – Estava em casa.

- Sozinho.

- Sim.

Akira sorriu e fechou a pasta de papel pardo, apoiando as mãos na coxa depositada sobre a mesa, o encarando lá do alto com aquele misto de descrença e autoridade.

- E novamente posso supor que não há um álibi para comprovar isso, uma vez que mora sozinho.

- É crime morar sozinho? – disse sorrindo sarcástico, mostrando as covinhas para ele como se aquilo fosse para irrita-lo.

- Que horas voltou para sua casa no dia do assassinato da vitima do caso Columbina?

Kai suspirou cruzando os braços e se olhando novamente naquele espelho.

- Não me recordo.

Akira sorriu de canto o encarando intensamente, irritado.

- Ah, faça um esforço, coração. – zombou. – Podemos arrumar essa informação mais cedo ou mais tarde, o que acha?

O repórter o encarou de canto.

- Em torno das duas horas da madrugada.

- Que horas fecha a redação do jornal que trabalha?

- Ás onze e meia.

Akira levantou-se e circulou pela sala, com as mãos atrás do corpo, parando em frente ao espelho e se encarando bastante analítico quanto á sua aparência ali refletida, mas do outro lado era como se estivesse olhando diretamente para o rosto de Takanori que sentiu um rápido sorriso involuntário ao imaginar que talvez ele o visse até mesmo através de espelhos.

- Pode me dizer o que fez durante esse período? Das onze e meia até às duas horas são duas horas e meia de intervalo. – virou-se para ele com um sorriso sarcástico. – Dá pra fazer muita coisa em duas horas e meia. Dá pra assistir um filme, dá pra jantar e andar um pouco, dá pra correr no parque, mas creio que nada disso você faça ás onze horas da noite... O que você fez?

Kai sorriu a ele.

- Eu só respondo mediante a presença do meu advogado.

- Mas por quê? – perguntou fingindo chocado. – São apenas perguntas comuns. Tem algo a esconder? Isso também pode ser usado contra você no tribunal, Kai-san, ocultar informações quando solicitadas para o andamento de uma investigação federal é considerado um ato de obstrução de justiça.

- Vocês não tem nada contra mim. – rosnou. – Isso é um absurdo e não sou obrigado a ser interrogado por ninguém até que meu advogado chegue.

Akira assentiu com uma expressão vitoriosa.

- Estava fazendo o que não devia, não é Kai-san? Tudo bem, não estava naquele parque assassinando uma moça brasileira, claro que não. Mas me pergunto que tipo de coisa feia você não está metido para se opor tanto á sabermos onde estava. É tão simples. “Estava em uma boate, estava atrás de prostitutas, estava chorando em um banheiro sobre a minha vidinha de merda enquanto um psicopata tem fama e eu não, estava...”

Aquilo pareceu enfurecer Kai que o encarou de dentes cerrados.

- Não sou como vocês, pervertidos e sujos da corporação que vão á bares e clubes horrorosos como ratos. – deu um sorriso quase dissimulado. – Se eu quisesse acabava com cada um de vocês desse maldito circo. Tenho fotos do chefe de investigação, Shiroyama-san entrando todas as noites em bares duvidosos. Você parou com as suas necessárias consultas com o psiquiatra e se eu me esforçar um pouco só, consigo fotos suas e de um serial killer se amassando dentro daquela casa que você o levou.

Akira arqueou o cenho, assentindo seriamente, enquanto ele parecia perder a paciência.

- Acho que essas supostas fotos iriam enlouquecer alguns fãs, não acha?

- A matéria sobre o seu envolvimento com Matsumoto Takanori já se espalhou pelo mundo, Suzuki. – Kai disse com uma expressão de desdém. – Todos já sabem da sua imparcialidade quanto a ele e do por que de ter escolhido sua residência para...

Kai calou-se quando viu Akira remexendo em um celular quase do tamanho da sua palma, com uma expressão divertida. Ele estava brincando na internet enquanto deveria estar o interrogando? O que havia com aquele investigador?

Quando Akira depositou o celular á sua frente, Kai voltou os olhos para a tela rapidamente, mas ergueu-os de volta para o dono do aparelho que o encarava com aquele sorriso moldado, reto, em um rosto sem expressões.

- O que é isso?

- Leia, Kai-san. – encorajou-o com aquele timbre grave, ocultando a ironia por trás.

Kai voltou-se curioso para a tela e assim que percebeu o que estava lendo, Akira passou o dedo pelo visor, fazendo a barra de rolagem mostrar mais noticias.

Aparentemente haviam fanarts na internet de admiradores do suposto “casal”.

Takanori gostava de uma boa ópera, mas talvez mais gente também gostasse.

Ali, no mundo sombrio da internet onde as pessoas podiam ser muito mais do que elas podiam mostrar, sem julgamentos de qual lado estavam, aparentemente o mundo estava deliciado com aquele romance impossível.

O psicopata e o policial, ambos unidos para caçar um imitador, separados por uma calunia que criaram contra um rapaz bonzinho como Takanori era.

As pessoas iam além, muito além. O apoio era expresso como os dias modernos podem expressar; hashtags, versões de um mundo paralelo escrito por anônimos – as tão mal vistas fanfictions, que Kai não suportava sequer ouvir falar - textos de apoio, blogs, vídeos expondo teorias sobre o caso...

O mundo estava focado naqueles dois; e o mundo gostava da combinação.

Kai ergueu os olhos para Akira, sentindo a tez queimar de fúria. O investigador pegou o celular e guardou-o no bolso do casaco de couro, com um breve sorriso.

- Vamos provar que o culpado de todas essas mortes foi você. Desde o inicio.

- O que? – Kai gritou, indignado.

- Você tem uma razão para querer Matsumoto atrás das grades e devido ao laudo psiquiátrico dele podemos supor que foi fácil coagi-lo a se entregar em seu nome naquela época. Mas agora que as mortes feitas pela mesma pessoa de antes voltaram a ocorrer, com Matsumoto preso dentro de uma cela, fica difícil engolir que ele é o responsável por todas as mortes.

- Isso é um absurdo! Ele fez tudo aquilo! – Kai gritou indignado. – Ele até mesmo trocou informações dos corpos por privilégios.

- Ele foi coagido á conhecer os detalhes do crime. – Akira provocou-o.

- Isso é ridículo! – bateu com o punho na mesa. – Você está delirando por que está envolvido com ele! Como o governo determina que você esteja apto para isso se...

- Matsumoto não apenas não cometeu os crimes como foi ameaçado. Foi por você, Kai-san?

- Não, eu...

- Desde o inicio, usando do trauma dele para assassinar, incrimina-lo. – continuou as acusações. – Foi assim desde o dia que roubou aquele TCC, não foi? Não foi? Agora, depois de tanto tempo sem agir você não pode mais se controlar, foi atrás da primeira moça e não parou mais e isso por que queria que pensássemos que eram ordens de Matsumoto á um imitador, não é?

- Mas...

- Foi esse seu plano desde o inicio, que fosse condenado á pena de morte por que você ainda não o tinha destruído totalmente da primeira vez. – atacava Akira sem dar tempo de Kai responder as acusações. – Agora queria pena de morte! Mas como viu que as coisas não correram como desejava passou a se desesperar. Passou a deixar mais e mais pistas, não suportava não ser notado...

- Eu não...

- Não suporta ser passado para trás, não depois da superação de Matsumoto com o TCC, não depois da prisão sem pena de morte, não depois que ele apareceu pela primeira vez na televisão depois de dois anos trancado naquela cela no seu lugar e as pessoas o amaram, amaram e apostaram em sua inocência...

- Como eu faria...

- Você fez! – gritou Akira batendo com o punho na mesa e se inclinando para fitar o rosto chocado de Kai, tão próximo que sentiu a respiração ofegante dele contra a sua. – Desta vez queria a pena de morte, mas a mídia te frustrou. A mídia que tanto usou contra ele, a mídia que sempre foi sua aliada agora está contra você por que as pessoas não são mais as mesmas depois da era da internet. Elas apoiam causas, elas escolhem lados, você está tão exausto delas escolherem o lado errado, tão exausto que as mortes sequer têm mais gosto de nada pra você. Apenas é um trabalho, parte do fardo, elas merecem não é?

Kai ficou o encarando, confuso sem saber onde começava as acusações falsas e onde se iniciavam as verdadeiras, como o ódio que sentia por Takanori.

Os olhos de Akira faiscavam enquanto ele estava jogado sobre a mesa, o encarando por trás daquela máscara assustadora com seus olhos escuros que o fixavam de um modo tão cheio de certeza como um predador hipnotizando a presa.

Ele não estava de brincadeira, ele estava o atacando, estava mostrando como foi que se tornou um dos melhores investigadores de seu ramo; ele era intimidador.

- Seu pé estava naquele parque de diversões por que era você lá, seus fluidos de impressão fotográfica estavam no corpo do motel, por que era você lá. E tenho certeza que vamos achar seu DNA em algum dos corpos, tenho certeza que se examinarmos às evidencias anteriores veremos sua marca naqueles corpos. Foi você, você desde o inicio, o assassino original... – apontou para o espelho que naquela sala nada mais refletia que ele mesmo e um Kai de olhos arregalados, com o coração disparado. – Tudo isso para acabar com Matsumoto, foi você, por puro ódio, sempre foi você. Aquelas mortes, essas mortes...

- Aquelas mortes não foi eu! – ele gritou enquanto cobria os ouvidos, sentindo-se desesperado.

Akira sorriu, erguendo o corpo e o encarando parecer abalado, totalmente ofegante.

Por hora com as provas limitadas que tinha, a única coisa que Kai poderia entregar a ele, entregou.

Kai ofegava ouvindo o som do silencio quebrado pelo seu desespero quando ousou abrir os olhos e encarando Akira do outro lado da sala, escorado á parede com um cigarro pendendo nos lábios para ser aceso, os olhos fixos de ironia nele novamente.

- Aquelas mortes não foram sua autoria? – riu tragueando o cigarro. – Então quer dizer que essas foram.

A luz vermelha sobre a porta acendeu-se avisando que alguém estava entrando e Akira sorriu, bem a tempo. Kai nada disse enquanto procurava as palavras certas para deixar jorrar.

Atrás dele a porta foi aberta e entrou uma senhora muito furiosa com a cena que viu, mesmo que não estivesse acontecendo nada.

- Você de novo, Suzuki-san. – a mulher disse com tom nervoso, precedendo um olhar de reprovação enquanto o encarava.

Kai virou-se e pareceu relaxar, desesperado olhando para o rosto da advogada.

- Não tem que responder pergunta alguma, vamos tirar você daqui.

Akira sorriu a ela que já o olhava novamente com asco.

- Sempre você importunando os meus clientes, eu realmente vou entrar com uma ação contra o senhor, isso é inadmissível.

Ele assentiu, rindo baixo.

- Á vontade, mas não posso ser culpado se seus clientes são bandidos. Estou apenas cumprindo meu trabalho.

- Não seja ridículo. – a mulher gemeu enquanto tirava vários papeis de uma pasta e depositava sobre a mesa, para Kai ler com as mãos tremulas. – Sabe perfeitamente que não dá a mínima para nada a não ser esse seu ego, alias, está ridículo nessa máscara burlesca de pervertido. Agora saia, quero conversar a sós com meu cliente.

Akira assentiu passando por ela e Kai, deixando para trás um olhar de ameaça com um sorriso sarcástico.

- Como quiser. Nos vemos no tribunal, Bruxa Velha.

A Bruxa Velha como era chamada quase formalmente Matsuhara-sama, era uma das advogadas de defesa mais requisitadas para casos como aquele, mas que por algum aborto natural dos fatos havia sido a advogada de acusação de Takanori. Aparentemente ela não gostava de estar no mesmo lado que Akira desde que este prendeu seu sobrinho muito querido.

 A Bruxa Velha seria a escolha mais sensata de defensor para Kai, era um caso que estava repercutindo o mundo. Ela não desperdiçaria a chance de ir contra os desejos de Akira jamais.

Mas aquilo apenas provava que a emissora e dona do jornal onde Kai trabalhava não estavam do lado dele, provavelmente se mantinham “imparciais”, na verdade sabia que eles não iriam querer ser associados á imagem publica de alguém tão problemático agora.

Como sempre, os ratos pulam do navio ao menor sinal de inundação, e o que era a mídia se não um grande rato gordo que devora a tudo e todos?

Olho por olho, dente por dente, sangue por sangue, câmera por câmera.

Amem.

Akira poderia entoar aquele mantra para o resto de sua vida enquanto fumava um cigarro pelo corredor sentindo um sorriso orgulhoso em seu rosto, encaminhando-se para finalizar a papelada da apreensão de Kai.

Takanori e Ruki estariam em casa até o final daquele ano, todos os dias, sem Chip e Dale na porta, sem ninguém enfiando câmeras em seu rosto, sem nada além daquilo que sempre quis para si mesmo.

Aquele seu lado sem Reita, puramente Akira já dizia para si mesmo que não deixaria Ruki dominar Takanori nunca mais, mas acima de tudo, não deixaria que ele o dominasse também. Embora soubesse perfeitamente que ele era cruel, o magoava e machucava com as coisas que dizia e fazia, não podia deixar de sentir um arrepio na pele correr por ele ao pensar que ele somente o machucava por que para Ruki a dor é a coisa mais próxima do amor. Somente ele poderia machuca-lo e naquele ponto de vista, era exatamente o que Akira queria, mas sem correr riscos.

Iria colocar Ruki na linha, com a ajuda dos outros três envolvidos naquela relação estranha fariam Ruki compreender – achava que ele já havia compreendido, mas não custaria ressaltar dali em diante - que as atitudes dele teriam que passar por Takanori primeiro.

Akira sentia um sorriso maldoso surgir em seu rosto ao imaginar Ruki lhe olhando com aqueles modos debochados, o provocando, ronronando com um sorriso pervertido de baixo dele, agarrando-se ao fato que ambos eram iguais, dois doentes um pelo outro.

Agora Akira não sentia mais culpa por quere-lo, ao contrário, ele apenas queria liberar todo seu potencial imundo com Ruki cujo não sentia-se confortável com Takanori. É claro, suas caricias e carinho eram destinados á ele, Taka, tal como seu coração e as ultimas forças bondosas que tinha. Mas Ruki...

Ah, Ruki...

 

***

Takanori encarava Kouyou que parecia ainda perplexo sem nada dizer. Shiroyama estava tenso, todos olhavam pelo vidro a advogada ordenando Kai a assinar a documentação, mas o único incomodo que passava por cima da pequena vitória de Akira era aquela frase.

Fotos de Shiroyama em bares á noite. Todas as noites.

Takanori se manteve calado, dando um olhar resignado para Kou como se compreendesse a irritação dele para Yuu.

- Então você vai á bares à noite quando diz que vem pra cá. – finalmente Kouyou disse com um tom de voz brando, mas banhado em magoa.

Yuu suspirou e ergueu o punho para o próprio rosto, apertando as têmporas como se aquela informação fosse o seu crime exposto. Fitou Takanori que tentava ocultar uma linha de sorriso sarcástico nos lábios e voltou-se a Kouyou, de braços cruzados.

- Não é hora para discutirmos isso, Kou. Não é hora e nem lugar.

- Por quê? – ele disse muito seguro de si. – Por que Takanori está aqui conosco? Ou por que você precisa de mais tempo para inventar uma boa historia sobre mentir e ter um caso?

- Quem diria. – gemeu Takanori virando o rosto para o espelho enquanto encarava Kai do outro lado.

Shiroyama o encarou furioso, fingindo não ouvir o que Kou o acusava, em vez disso depositando sua frustração no baixinho ali presente que ele passou a detestar mais que nunca.

- O que você disse? – sibilou.

Takanori o encarou entediado.

- “Quem diria”. Foi o que eu disse. Quem diria que a falsa perfeição pudesse fazer algo assim com o Kou depois de tanto tempo. Acho realmente ridículo você se escondendo por ai com rapazinhos.

- Você cale essa boca! – gemeu furioso apontando para ele, mas ao lembrar-se novamente do potencial de Takanori contra seu dedo o abaixou. – Eu não tenho caso com ninguém, eu saio pra beber por que a minha vida profissional está desabando na minha cabeça. Não ache que eu acredito nessa baboseira que o Akira quer provar, eu não aprovo isso, eu...

- Não mude de assunto, Yuu. – gemeu Kouyou. – Você sai todas as noites. E preciso saber por Kai que é para... Meu Deus, aonde você vai, Yuu? Por que nunca me disse que saia pra beber?

Encarou os olhinhos magoados de Kou e viu a expectativa em Takanori também, como se o cobrasse aquela resposta. Não queria demonstrar nada ali, em frente á ele, mas a reação de Kou exigia uma resposta imediata.

Suspirou e escorou-se á parede, incomodado com o fato do projeto de gente denominado paixão platônica de Akira estivesse o encarando fixamente, como se estivesse em uma plateia.

- Eu não queria te preocupar, Kou, eu sai todas essas noites e me joguei em copos e mais copos de bebida até não poder mais suportar. – admitiu com um suspiro. – Eu nunca iria trair você, só não queria que visse o quão fracassado me sentia com essas mortes, esse circo, essa... Essa maldita situação que eu simplesmente não sei controlar! Eu odeio não estar no controle, você sabe disso, eu apenas... Eu não sei lidar com isso.

Kouyou sabia que o tipo de homem que Shiroyama era seria mais fácil ser o suspeito de assassinatos que estar o traindo, mesmo que aquela certeza sempre estivesse presente nele, ao encarar os olhos envergonhados do chefe de investigação, para Kou que o conhecia totalmente ficava claro que era verdade; ele se sentia fraco e isso para ele sempre seria o pior pesadelo do mundo.

Suspirou.

- Eu podia tê-lo ajudado. – resmungou.

Yuu negou, olhando de relance para Takanori que os observava muito curioso. Nunca havia visto aqueles dois se desentender e era bastante diferente ver palavras em tom sutil sair dos lábios de alguém como Yuu.

Takanori gostava dele, eram amigos antes de tudo acontecer, mas não suportava o modo que tratava Akira. Depois da sua prisão cujo ele precisava de um pouco de compaixão pelo que percebeu o chefe de investigação apenas tratou seu Akira como o fracote que ele se julgava ser. Takanori o conhecia, conhecia cada pedacinho daquela cabeça loura perturbada e sabia que talvez aquele tipo de abordagem de alguém que era seu amigo não devia ser tão rígida.

Reita sabia se virar, mas Akira...

Por essa razão sentiu uma breve satisfação por vê-lo tão servil. Era bem feito.

- Eu não saberia pedir ajuda, eu não quero pedir ajuda, só... – Yuu franziu o cenho, frustrado e desviou o olhar para Kai que assinava aquela documentação infinita.

Sem duvidas a Bruxa Velha iria pedir um habeas corpus, logo Kai estaria lá fora, mas para satisfação mínima de Akira, pelo que compreendeu, a reputação dele estaria arruinada e como os superiores queriam um culpado, ninguem era melhor que acusar alguém que de fato era parcialmente culpado, mas encerrar aquele caso como se fosse o desfecho de um filme.

Yuu não acreditava que as primeiras mortes haviam sido culpa de Kai, nada tirava de sua cabeça a culpa do baixinho insano ali presente, mas nada podia fazer contra as investigações do amigo.

Akira estava fazendo a pior burrada da vida profissional dele lutando para inocentar Takanori, mas quando se colocava em seu lugar, Yuu não tinha duvidas de que faria o mesmo por Kouyou.

Takanori por vez se voltou a Kou e ambos trocaram um rápido sorriso de apoio. O legista até mesmo agradeceu com a cabeça o olhar terno que lhe foi lançado diante aquela situação.

- Onde está o Akira? – Takanori perguntou em um timbre baixo e suave, quase o antigo tom que ele sempre usava quando as coisas eram normais entre eles.

Yuu acendeu um cigarro, ainda irritado com toda aquela história e o encarou de canto, tragueando lentamente a fumaça.

- Terminando de assinar os papéis, ele logo volta para você poder manipula-lo bastante.

- Yuu... – gemeu Kouyou desaprovador.

Takanori suspirou, lançando um olhar para o chefe de investigação, na extremidade oposta a ele.

- Eu não estou manipulando o Aki. Nunca estive. Já você, não sei por que agora acha que deve defende-lo de mim. Você não é um bom amigo pra ele, nunca foi. Por que finge se importar tanto?

Ele apontou para si mesmo com o polegar enquanto segurava o cigarro entre os dedos.

- Eu me importo com ele, eu sou o melhor amigo que ele tem. O único, depois que a porra do namorado dele surtou e passou a matar todo mundo colocando a culpa em um distúrbio patético da ficção. – sorriu sarcástico. – Você não me engana, Ruki, Takanori... Seja lá como você quer ser chamado agora. Você matou aquelas mulheres por que é um psicopata e agora está mexendo com a cabeça do Akira.

Kou mordeu ligeiramente a ponta do dedo enquanto suspirava, cansado vendo aquela lamentável discussão diante si.

- Rapazes, eu acho que...

- Quem mexeu com a cabeça dele por dois anos foi você. – Takanori devolveu sem se importar com a preocupação de Kou. – Você que o trata como se fosse seu moleque, você que o trata como lixo. Belo amigo você é que sequer sabe o que acontece com ele. Nunca soube, por que apenas pensa em si mesmo. Como agora... É só você, você, você, não é, Yuu? Quando não foi assim? Até quando está com problemas prefere fazer suas besteiras por ai e criar um infinito de possibilidades pra quem se importa com você, o Kou, do que admitir que está com medo que sua vidinha profissional vá pelo ralo. Não me diga que se importa com o Akira, você só se importa com você mesmo.

Yuu o encarou como se houvesse sido desafiado e se aproximou do baixinho com aquele sorriso largo e sarcástico.

- Se eu puder impedir que ele se torne uma marionete nas suas mãos, eu vou impedir.

- Eu amo o Akira. – replicou o encarando fixamente, sem parecer em momento algum abalado. – E não tem o direito de impedir nada.

- Yuu... – gemeu Kouyou.

Mas ninguém o escutava mais. Shiroyama continuava sorrindo sarcástico.

- Você é o culpado, Takanori. E só você. Essas mortes atuais foram o Kai, eu não duvido da dedução do Akira, mas antes... Antes foi você.

O baixinho não reagiu, apenas suspirou.

- É o que vamos ver com as evidencias.

- Evidencias? – debochou. – Você é louco? Porra, que pergunta. É claro que você é. Aqui entre nós, Taka-chan, sabemos que você ficou desse jeito depois de receber o castigo da sua mãe, sabemos que nem todos seguram as coisas como deveriam segurar, alguns apelam para se tornarem psicóticos. Manipuladores. Assassinos. Você é o culpado e não venha colocar a culpa na sua besteira de ter tomado uns tapas da sua mamãezinha quando era criança.

- Ela não era minha mãe...

Takanori levou a mão aos lábios, sentindo seu rosto inteiro arder de magoa por aquelas palavras. Ainda doía quando alguém o acusava daquele modo. Mesmo que Ruki sozinho tenha feito tudo aquilo, Ruki não era nada mais que ele. A culpa agora o consumia como o consumiu por tanto tempo. Kouyou falava algo contra Shiroyama, mas aparentemente ele estava mais concentrado em jogar a sua frustração sobre o baixinho que se encolhia diante de suas palavras.

- Você é patético, Takanori. Fez o que fez, manipulou todos como se fosse um grande astro dos assassinatos e agora encarnou esse personagem inocente pra convencer todo mundo.

Tudo aquilo que passou com as crueldades daquela mulher horrível, sua mãe morrendo bem diante ele, os abusos, a negligencia... Tudo aquilo soava engraçado para Shiroyama? Ruki estava quase rosnando de frustração dentro dele, quase se separando outra vez e assumindo o controle, mas Takanori abaixou o olhar e sentiu as lágrimas correndo pelo seu rosto.

- Yuu... – clamou baixinho.

- Você é um psicopata, você pode tentar manipular todos que...

- Yuu. – pediu outra vez.

Ruki gritava dentro dele.

“Vamos voltar a matar, matar, matar todos eles! Todos eles!”.

Yuu o acusando, as palavras duras daquela mulher, as queimaduras de cigarro e a dor no corpo e na sua alma. Ruki o fazia lembrar-se de tudo, acrescentava detalhes que ele havia esquecido.

“Eles sempre serão assim, Bicha Chorosa, eles sempre vão pisar em cima de você. Por isso a gente tem que pisar em cima deles primeiro. Você achava que o Yuu era seu amigo? Não seja estupido, ele não é. Ninguém é”.

Takanori negou, enquanto fungava e desviava-se de Shiroyama que aquela altura via a leve expressão de dor psicológica no rosto de Takanori e aquilo, oh, aquilo era a sensação que ele mais gostava e agora era quase impossível controlar.

Seus lábios diziam coisas que sequer acreditava que estava dizendo, que Akira o perdoasse, que Kou o perdoasse, mas as expressões de sofrimento no rosto de Takanori era realmente como um oásis no meio do deserto. Não podia controlar a si mesmo diante aquilo.

Takanori fungou enquanto secava as lágrimas. Ruki queria sair, ele sabia que se o deixasse sair daquela vez não saberia controlar-se mais depois, mas era tentador. Era muito tentador.

“Bicha Chorosa que só sabe chorar, você merece mesmo tudo isso que ele está dizendo...”

Takanori ergueu a cabeça. Encarou Yuu que tinha um brilho selvagem nos olhos, Kouyou até mesmo o puxava de cima de Takanori, mas como se estivesse possuído por uma força sobre-humana ele permanecia dizendo coisas dolorosas e sussurrantes.

“Eu não mereço nada disso, Ruki”.

- ...um fracote que culpa sua mamãezinha ter te disciplinado e...

Um eco seco soou dentro da sala escura.

“Eu não mereço porcaria nenhuma, Ruki e você cale essa droga de boca e fique quieto. Esse corpo é meu, essa situação é minha. Cale essa boca”.

Takanori ergueu o rosto encarando as expressões atônitas de Shiroyama a sua frente. Era como se ele houvesse visto algum tipo de aparição, um demônio até mesmo, pois calou-se de imediato, assim como Kouyou que soltou seu ombro e abriu os lábios, chocado.

Ambos se entreolharam intensamente; Takanori e Yuu, dividindo o mesmo espaço físico quase, mas os olhos do baixinho havia agora uma irritação profunda, ao mesmo tempo em que um autocontrole que jamais imaginou que ele teria.

Shiroyama sentiu a bochecha ardendo onde a pequena mão de Takanori o acertou com um tapa cheio, forte e rápido. Ergueu a mão ao local e viu que ele dava um passo na sua direção.

- Eu disse pra você que ela não era a minha mãe. – replicou em tom baixo, sussurrante e firme. – Nunca mais fale da minha mãe como se a conhecesse. Aquela mulher não apenas me destruiu como me fez coisas que você não sabe, Yuu. Quem é você para falar sobre psicopatia se você é apenas um animal instintivo, viciado em sofrimento que se descontrola ao menor sinal de dor. Você fareja a dor e fica excitado, é assim que você age? Pois tenho novidades, você é tão doente quanto aquela mulher, mas se quer colocar assim as coisas, você é tão doente quanto eu.

Shiroyama se afastou, chocado consigo mesmo, envergonhado de mais para replicar enquanto Takanori abraçava seu próprio corpo com os braços e voltava para seu canto, secando os olhos agora com a sua expressão sábia de força.

Kou encarou Shiroyama com irritação enquanto passava a mão pelas têmporas.

- Deus, Yuu... O que deu em você?

Ele se perguntava o mesmo. O que havia acontecido consigo mesmo? Seus dedos se entrosaram nos cabelos e ele os arrumou novamente com um movimento só. Abriu ligeiramente a gravata, vendo o efeito de reprovação nos olhos de Kou e aquilo doeu nele mais que a bofetada que latejava. Passou a língua pelos lábios que estavam secos e voltou o olhar para Takanori.

Quem era ele para julgar o sujeito a sua frente? Um maníaco por dor pode julgar um psicopata que alega não ter feito nada?

- Me... Me desculpe, Takanori. – gemeu roucamente, enquanto secava o suor da testa. – Eu me descontrolei.

Takanori suspirou enquanto o olhava, resignado.

- Não quero ser seu inimigo, Yuu. Quero apenas que entenda a minha situação. Agora você, minha nossa, vá se tratar. – estralou a língua no céu da boca encarando Kai do outro lado do vidro que agora estava sozinho enquanto a advogada saia para buscar a liberação.

Assim que Shiroyama encarou Kouyou e afagou o rosto, em um sinal claro de queixa contra a bofetada, viu os lábios do legista sorrirem, quase satisfeitos.

- Kou, ele bateu em mim e você ri?

Com um sorriso agora totalmente aberto de desdém, Kouyou desviou os olhos dele.

- Aguento muito mais que isso, Yuu. Não seja fresco, foi só um tapa.

Takanori sentiu uma mínima vontade de rir das expressões quase chorosas de Shiroyama cujo ocultou assentindo e franzindo o cenho. Ele e Kou trocaram olhares e por um instante quase trocaram sorrisos tímidos.

A porta da pequena sala foi aberta e o louro estranho de máscara colocou metade do corpo para dentro.

Quando todos se viraram com aquelas expressões estranhas para Akira, ele ergueu uma sobrancelha, desconfiado e entrou, fechando a porta atrás de si.

- Aconteceu alguma coisa? Por que estão com essas caras?

Takanori e Yuu se entreolharam, mas o baixinho acenou com a cabeça e sorriu minimamente a ele.

- Impressão sua. Não aconteceu nada.


Notas Finais


Então é isso!
O que acharam?

Até o sábado com a Psy do Lixão, Xeroques Rolmes! <3


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