História Devil Awake - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Tao, Xiumin
Tags Exo, Kaisoo, Longfic, Pseudo Chansoo, Romance, Yaoi
Visualizações 72
Palavras 5.202
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Lemon, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Yo~

Não tem palavras suficientes pra dizer o quanto me sinto ruim por não ter atualizado essa fanfic antes, mas é que foi realmente difícil superar esse bloqueio...
Mas, enfim, capítulo novo! \o/

Lembrando que os diálogos estão em itálico por estarem em outro idioma.

Boa leitura ❤

Capítulo 5 - Behind the Crown pt. 1


Baekhyun estava debruçado sobre livros antigos, passava os olhos cansados por cada página empoeirada, forçando-se a mantê-los abertos, enquanto sentia o cansaço — resultado de dias sem dormir — o dominar aos poucos. Sua cabeça não parava de trabalhar procurando respostas, mas nada encontrava. Fechou o livro com estrondo, e pegou outro da enorme pilha de livros à sua frente. Alguns minutos depois, frustrado, arremessou-o longe, levantou-se bruscamente, e atravessou o castelo a passos duros. Sua capa vermelha arrastava-se pesadamente atrás do corpo magro.

Subiu os degraus gastos da Torre Sul, e seguiu o corredor deserto e escuro até o final. Analisou a parede lisa à sua frente e olhou para trás, certificando-se de que não estava sendo seguido.

Encostou a palma da mão ao centro da parede gelada, fechou os olhos, e deslizou a mão para baixo. Cravou os dedos na pedra sem fendas, e empurrou-a para cima. Com um estalo, uma camada da pedra se desprendeu, como uma cortina deslizando de uma treliça, e caiu aos seus pés. Por trás daquela camada, uma porta de madeira se materializou. Havia um entalhe de uma nonagrama — uma estrela de nove pontas — no centro e, postados um de cada lado, estava uma pirâmide voltada para cima, e outra para baixo. E, por toda a extensão da porta, haviam traçados geométricos entalhados na madeira.

Não havia fechadura, tampouco maçaneta.

Baekhyun abriu os olhos, tão vermelhos e intensos, e alongou as presas. Levantou o dedo indicador e mordeu a ponta deste. Quando o sangue brotou da pele alva, aproximou-o da estrela. Ao atingir o centro da figura entalhada, a gotícula de sangue se espalhou, preenchendo todos os entalhes da porta.

Recolheu sua mão e passou a língua sobre o corte para que cicatrizasse. Alguns segundos se passaram, e à medida que a porta se partia exatamente ao meio, um ruído baixo de madeira trincando ecoava pelo corredor.

Impaciente, empurrou a porta com as duas mãos. Ela rangeu alto e, por fim, cedeu.

Uma sala circular, quase tão grande quanto o salão do trono, surgiu a sua frente. Haviam nove pilastras de quartzo dispostas em círculo, próximas ao centro. E no chão, rodeado pelas pilastras, haviam recortes de mármore formando um grande círculo com um nonagrama no meio, suas pontas estavam ligadas a cada pilastra. E no centro da estrela, havia um outro círculo com espiral.

Haviam nove janelas com vitrais coloridos, dispostas em direção às pilastras. A luz do luar entrava forte através dos vitrais, colorindo o piso de mármore negro.

O rei andou até o centro da sala, fechou os olhos, e levantou uma das mãos com a palma virada para cima. Seus dedos finos ergueram-se um pouco, e moveram-se lentamente, quase fechando sua mão e abrindo em seguida. Um ponto de luz surgiu no ar, alguns centímetros acima de sua palma.

Uma ventania repentina preencheu o cômodo, fazendo os longos fios loiros do rei rebaterem-se furiosamente atrás de si. Levantando até mesmo a pesada capa vermelha às suas costas.

A porta de madeira se fechou com estrondo, e então a ventania cessou. Luzes surgiram atrás das pilastras, e sombras alongadas se projetaram nas paredes ao fundo. Nove homens saíram detrás das pilastras e se postaram nos espaços entre cada uma. Trajavam mantos negros, e longos capuzes cobriam suas faces, não revelando idade ou quaisquer características para diferenciá-los. Eram como um único ser, conectado a nove corpos e cada um deles possuíam o mesmo anel prata com pedra de rubi acomodados em mãos pálidas, quase fantasmagóricas.

Rei Híbrido — falaram ao mesmo tempo, reconhecendo-o.

Baekhyun abriu os olhos lentamente. A bola de luz acima de sua mão se desfez.

Há tempos que não aparece em nossas reuniões — uma voz rouca ecoou a sua frente.

À que devemos o ar de Sua Graça, Rei Híbrido? — outra voz zombou atrás de si.

Desde a queda do Primeiro não nos procurou mais — observou outro.

Nos usou e nos esqueceu.

Mesmo assim, sei que têm agido às minhas costas! — o rei disse firme, sua sobrancelha franzindo-se em irritação.

O silêncio dominou o cômodo. Baekhyun respirou fundo.

O Primeiro foi liberto — pronunciaram ao mesmo tempo, sem demonstrar emoção.

Devemos encontrá-lo — Baekhyun olhou para cada um — Alguns milênios confinado naquela pirâmide não diminuíram sua ira, disso tenho certeza. Por isso os convoquei.

Então, o Rei Híbrido precisa de nossa ajuda, afinal. — as vozes começaram.

Somos os Nove Anciões. Não somos seus lacaios. — os tons monótonos aumentavam gradativamente preenchendo o grande salão.

Se quiser algo de nós, criança, terá que nos oferecer algo em troca.

— Assim como lhe ensinamos a magia quando ainda era apenas um dos filhos bastardos do antigo rei.

— Podemos tomá-la de volta.

— Sua coroa não seria tão valiosa sem seus poderes.

— Tampouco seu reinado.

— Basta! — o rei gritou; seus olhos vermelhos pareciam incandescentes a medida que a fúria o dominava — Não vim aqui para ser insultado! Se não querem ajudar, não irei forçá-los. Sabem o quanto o Primeiro pode ser destrutivo!

Baekhyun fechou os olhos com força, frustrado demais para confrontá-los. Abriu-os novamente, olhando nervoso para cada um dos Anciões. Suas mãos, antes fechadas em punho, se abriram. Soltou o ar devagar, e olhou para o chão.

O que querem de mim? — as palavras saíram fracas de sua boca; odiava depender dos Anciões, mas sabia que não conseguiria sozinho.

Queremos um sacrifício.

— Que tipo de sacrifício? — quase podia sentir os sorrisos de escárnio nos rostos fantasmagóricos dos homens à sua volta.

Sabemos que abriga um descendente dos elfos da floresta em seu castelo. Traga-o até nós.

O rei fechou os olhos abruptamente, enquanto seu corpo paralisava no mesmo instante. Não deveria se surpreender, afinal, os Anciões sabiam de tudo. Mesmo assim, era algo que sempre o assustava. Suas sobrancelhas se franziram, quando abriu os olhos, e um brilho estranho tomou conta de seus olhos vermelhos.

Por que não me contaram que haviam outros!? Os livros diziam que foram todos dizimados quando tentaram atacar o reino! — gritou; a indignação tomando conta de sua mente — Não houveram sobreviventes! Foi o que todos me contaram!

Os Anciões permaneceram em silêncio. Não falavam. Não se moviam, nem mesmo para respirar. Eram como estátuas de um antigo culto macabro. Baekhyun andava em círculos, tentando ver através dos capuzes. Uma raiva crescente o dominava.

Foi tudo mentira!? — parou no meio da sala; suas mãos estavam fechadas em punho; um grito de frustração escapou de sua garganta — Falem! Digam a verdade!

Uma luz forte preencheu a sala, forçando-o a fechar os olhos. Quando se apagou, e conseguiu finalmente abrir os olhos, caiu de joelhos, estupefato. Seus olhos arregalados percorriam cada canto da sala vazia.

Olhou através dos vitrais coloridos, vendo a luz entrar fraca pela janela. Lágrimas de frustração encheram seus olhos, e caíram pesadamente por seu rosto pálido. Socou inúmeras vezes o chão de mármore. Mordeu o lábio, tentando segurar a vontade de gritar, e deixou-se cair deitado sobre o mármore frio, vencido pelas lágrimas incessantes. Estava cansado, exausto de tentar entender tudo isso. Sua vida toda fora um compilado de desastres com alguns pontos de esperança, mas que logo se desfizeram em frente aos seus olhos.

Com a expressão vazia, encarou o teto, sem realmente focar sua visão. As lágrimas já haviam se esgotado, deixando apenas seu rastro no rosto pálido. As íris vermelhas, antes intensas, pareciam mais um tom de vinho profundo. Levantou uma das mãos, onde uma marca de queimadura quase transparente encobria grande parte de sua palma. E após encarar por longos minutos a cicatriz, fechou a mão em punho, de maneira lenta, e então a abriu novamente, um pontinho de chama alaranjada surgiu alguns centímetros acima de sua palma. Ele tremeluziu, e converteu-se em vermelho, variando para o amarelo e então para o azul. “Ódio, angústia e desesperança” pensou consigo mesmo, decifrando as cores da pequena chama em sua palma, um truque que aprendera com seu mentor, Minseok, milênios atrás.

Sorriu amargurado. Milênios atrás e era apenas mais um dos herdeiros descartados do trono. Apenas mais um príncipe rejeitado não só pelo rei, como também pelo reino. A chama se tornou acinzentada, assim como sua mente era preenchida com lembranças daquele tempo sombrio. A chama se extinguiu, assim que seus olhos se fecharam numa tentativa de conter mais uma torrente de lágrimas e, cansado, simplesmente permitiu-se extravasar, deixando seus soluços ecoarem pelo salão noite adentro.

 

♦♦♦

 

Durante toda sua vida Baekhyun teve vergonha de si mesmo. Era um híbrido, filho do Rei Demônio e da Princesa dos elfos da floresta. Seu pai, o Rei Demônio, era alguém inalcançável, e sua mãe foi a única pessoa que lhe ofereceu afeto. Mas ela nunca falava sobre seu antigo povo. E quando falava, repetia a mesma coisa escrita nos livros de história do reino. "Os elfos atacaram o reino por não aceitar a escolha de sua princesa de se casar com um demônio. E isso resultou em sua extinção." Baekhyun quase podia ouvir em sua própria cabeça a voz de sua mãe recitando essas mesmas palavras sempre que a questionava sobre esse assunto.

Mas, apesar de toda essa questão de casamento, demônios sempre odiaram elfos. E Baekhyun descobriu isso da pior forma.                                                                                                                 

Ao crescer, ninguém queria se aproximar dele. Atacavam-lhe pedras, frutas podres, gravetos. Os poucos que tinham algum conhecimento em magia tentavam fazê-lo de cobaia, mas desistiram ao perceber que ele era imune.

Foi aí que as agressões começaram. Dia após dia, durante anos. Tentou pedir ajuda a quem quer que fosse, mas todos o viam com o mesmo olhar de desprezo ou medo.

O Rei presenciara uma vez essas agressões, mas tudo o que fez foi batê-lo ele mesmo. Sua mãe, por outro lado, simplesmente virou às costas, e ignorou o próprio filho. Porém, esse simples ato foi o suficiente para fazê-lo desmoronar.

Baekhyun tinha irmãos também, mas estes eram proibidos de vê-lo. E, por mais que Jongin, o primeiro príncipe, fugisse vez ou outra para brincar com Baekhyun em uma sala de leitura próxima às masmorras, onde não seriam vistos, nenhum de seus irmãos conseguiriam protegê-lo — ou, ao menos, seriam capazes de tentar.

Sozinho e indefeso vivia fugindo pelo castelo. Até que um dia encontrou o caminho para a Torre Sul, enquanto fugia de um grupo de jovens demônios que tentavam passar a mão em seu corpo de todo jeito. Sentou-se no chão frio, e chorou desesperado. Não era a primeira vez que isso acontecia.

Baekhyun tinha olhos vermelhos, diferentes dos olhos dourados dos demônios. Seus cabelos eram loiros e lisos até a cintura. Possuía a pele tão branca, um corpo tão magro e lábios rosados, que antes que pudesse notar, tanto mulheres quanto homens, passaram a cobiçá-lo. E isso era mais um item para sua lista de pesadelos que deveria escapar.

Ouviu vozes se aproximando pelo corredor. Sabia que em poucos segundos estariam ali. Cenas terríveis, do que poderia acontecer, atingiram sua mente, o fazendo levantar-se atônito, mas assustou-se quando percebeu que estava num beco sem saída. Desesperado, olhou através da janela notando assustado os diversos metros que o separavam do chão, e sentiu-se pior ainda ao lembrar-se do fato de não ter asas, assim como os demônios, e odiou mais ainda sua descendência élfica.

Fechou os olhos com força, respirou fundo, e subiu na beirada da janela. Preferia morrer à ser violentado.

Quando estava prestes a pular, uma luz brilhou forte atrás de si. Curioso, olhou para trás, e uma porta de madeira se projetou no final do corredor. Ela se abriu antes que pudesse notar qualquer detalhe e as vozes se fizeram mais altas atrás de si. Sem pensar muito, correu para dentro da sala, e fechou a porta com estrondo. Encostou-se ofegante à madeira, e fechou os olhos, apenas esperando ouvir as vozes dos rapazes que estavam à sua procura.

Houve silêncio por longos minutos, até que vozes se aproximaram, e algumas batidas fortes ecoaram através da porta. Seu coração se apertou, amedrontado. Seria o fim da linha. Afinal, estava num beco sem saída, longe de tudo e todos. Não seria tão difícil entrar ali, e forçá-lo a fazer coisas — coisas que não queria nem imaginar. Lágrimas pesadas caíram silenciosas por seu rosto. “Por favor, vão embora!” suplicava mentalmente.

Um ponto de luz surgiu no centro da sala escura, chamando sua atenção imediatamente. Ele se dividiu em nove, e flutuou até os espaços entre as pilastras, seu tamanho foi crescendo, até se transformar num manto negro, materializando-se assim nove homens de capuzes e mantos. Seus olhos se arregalaram, pensando ter pulado de um pesadelo para outro. Um dos homens andou até a face assustada de Baekhyun e estendeu a mão. Hesitante, ele a pegou, e foi ajudado a levantar-se.

O homem empurrou-o para trás de si, esticando a mão para o lado, quase como se o estivesse protegendo. Ergueu a outra mão à altura dos ombros, e fez um movimento rápido com os dedos. No mesmo instante, a porta de madeira se abriu sozinha, escancarando-se para os lados. Os olhos dos demônios encontraram os seus, fazendo-o engolir em seco.

Sorrisos maldosos tomaram conta dos rostos deles enquanto adentravam o salão lentamente. O homem de manto negro que estava protegendo Baekhyun, levantou a mão novamente, e fez um movimento rápido para o lado esquerdo. Como mágica, o demônio que estava mais perto de alcançá-lo foi jogado contra a parede, produzindo um baque surdo, e caindo desacordado, logo em seguida. Os outros demônios do bando encararam o homem de manto e franziram o cenho, olhando-o com ódio. Um deles avançou levantando os punhos, pronto para atacar. O homem de manto desviou e o jogou em direção contrária ao outro. Este caiu ao chão cuspindo sangue aos montes.

Assustado demais, Baekhyun deu alguns passos para trás, passando pelos outros homens de manto negro, e encolhendo-se encostado à parede fria no final da sala. Com os olhos arregalados, assistia os homens de manto derrubarem os demônios, um a um, sem o menor esforço. Quando estavam todos os demônios ao chão, os homens se aproximaram de Baekhyun, que devido ao medo, se encolheu ainda mais.

Não me machuquem! — pediu com lágrimas aos olhos.

Não iremos. — um deles se pronunciou pelos demais, postando-se à frente.

Você é diferente...

— Um... elfo? — outro questionou.

Baekhyun olhou para baixo, com medo. Não fazia ideia de quem eles eram, e mesmo que estivesse agradecido por terem acabado com aqueles demônios, não tinha certeza se podia confiar neles.

Não... — um dos homens disse lentamente, aproximando-se ainda mais do loiro amedrontado — Metade elfo.

— E metade demônio.

— Interessante.

Pareciam não se importar se Baekhyun estava ouvindo ou não. Após alguns minutos, um deles esticou a mão para ele. Baekhyun a olhou hesitante, agarrando-a por fim, e sendo ajudado a se levantar. Afastou a mão assim que ficou em pé, tentando ignorar a sensação de tocar aquela mão. Era tão fria e lhe trazia uma sensação horrível de morte, que o fazia quase querer gritar.

O homem pigarreou, e virou-se para os demais homens encapuzados, quase como se pudessem conversar em pensamento. Passados alguns minutos, a curiosidade foi maior.

Como fizeram aquilo? Como os jogaram daquele jeito? — Baekhyun perguntou, tentando ver seus rostos por baixo do capuz.

Magia.

Os olhos de Baekhyun se iluminaram. Sempre fora atormentado por demônios, e sabia que nunca seria forte o suficiente para pará-los — uma vez que a força dos demônios superam a dos elfos. Não haveria como imaginar que a magia faria mais danos do que a força bruta, e ao testemunhar isso com os próprios olhos, sentiu-se revigorado. Seria a solução para seus problemas. Animado, olhou para cada um daqueles homens, escolhendo as palavras em sua cabeça.

— Vocês poderiam me ensinar? Podem me tornar seu aprendiz?

Houve um grande silêncio no salão, porém, a inquietação no peito de Baekhyun parecia tomar toda sua audição, o fazendo suar frio e suas mãos tremerem em ansiedade. Depois do que parecia uma eternidade, os homens se viraram em sua direção. Um deles ergueu uma das mãos, com a palma virada para cima, e um pequeno ponto de luz surgiu acima, pairando no ar, oscilando entre uma esfera e octaedro. Baekhyun observou aquilo maravilhado.

— Se conseguir fazer isso, sem se queimar, consideraremos seu pedido.

— Você tem uma semana.

Dito isto, afastaram-se e, mesmo com Baekhyun pedindo para que lhe ensinassem pelo menos o básico para que pudesse praticar, suas formas tornaram-se sombras, unindo-se num único ponto flutuante no meio do salão. Em segundos, os homens encapuzados desapareceram num clarão que o cegou por longos minutos.

Perdido, Baekhyun olhou incrédulo para o meio do salão. Não fazia ideia de como conseguiria fazer aquilo. Afinal, não sabia como fazer qualquer coisa que envolvesse magia. Ouviu um barulho perto da porta, e dirigiu seus olhos naquela direção, notando um dos demônios que estava caído ao chão resmungar desconfortável, sem realmente dar sinal de que havia acordado.

Assustado, deu passos rápidos em direção à saída. Quando atravessou a porta, aproximando-se da janela que antes estava prestes a pular, ouviu um barulho de madeira trincando e rocha se chocando. Ao virar-se para trás, seus olhos se arregalaram. No lugar onde deveria estar a porta, havia apenas a rocha fria, assim como todas as paredes daquele castelo.

Suspirou derrotado e voltou à passos lentos para seu quarto, sentindo-se agradecido por não ter nenhum outro demônio em seu encalço.

Ao chegar em seus aposentos, havia um livro de couro esquecido sobre a cama. Curioso, sentou-se sobre a mesma, e pousou o objeto sobre suas pernas. Passou os dedos delicadamente pelos contornos leves do couro marrom escuro da capa, sem gravuras, e abriu suas fivelas de bronze, folheando com certo cuidado o mesmo.

— Magia para Iniciantes — leu em voz alta o título na contracapa, e um sorriso tímido brotou em seu rosto fino.

Seu interior aqueceu-se ao pensar na possibilidade de se ver livre de todo o sofrimento que o perseguia. Passou noites em claro lendo cada pedacinho daquele livro. Se esforçando ao máximo em aprender a canalizar a energia necessária. Mas quando finalmente conseguiu sentir sua energia vital fluir em seu corpo e concentrar-se apenas em seu braço, acabou dando início a um pequeno incêndio em seu quarto. No desespero, correu para a jarra de água que permanecia em um canto de seu quarto e jogou sobre a pequena chama que queimava a tapeçaria na parede perto da cama.

Esconder a tapeçaria até que foi uma tarefa simples. O difícil mesmo, foi esconder a pele queimada de seu braço. Um círculo sensível e avermelhado, que certamente formaria uma bolha mais tarde. Baekhyun o enrolou com uma faixa branca e escondeu por baixo de suas vestes. E foi quase impossível resistir à vontade de chorar toda vez que alguém tocava justamente no ponto machucado de seu braço.

Os primeiros dias se passaram rápido. Dormia um pouco durante o dia, cumpria suas obrigações como príncipe, e passava a noite em claro estudando e praticando magia.  Até que um dia, andava pelo castelo tão cansado e concentrado em seu aprendizado da noite anterior que não percebeu quando um rapaz loiro se aproximou de seu corpo e o agarrou por trás, o levantando alguns centímetros no ar.

Baekhyun deu um grito, e deu alguns chutes e cotoveladas para tentar se soltar. Quando foi colocado novamente no chão, antes de virar-se de frente para a pessoa, tencionou seus dedos, concentrando energia de forma tão rápida que uma chama vermelha se formou sobre sua palma, e a postou em direção aquele homem. Mas a chama se desfez no mesmo instante, ao devolver o olhar surpreso que seu irmão lhe direcionava.

— Jongin!? — olhou assustado para os lados e sussurrou — O que está fazendo aqui?

— Vim te ver. Não sabia que estava aprendendo magia.

Baekhyun sabia que seu irmão estava curioso. Afinal, o rei havia proibido esse tipo de aprendizado para ele, limitando apenas aos seus outros filhos, com linhagem inteiramente demoníaca.

Os olhos vermelhos do mais novo desceram para o chão, sem saber o que dizer. Jongin sempre o protegera, desde pequeno. Mas, conforme foram crescendo, tornaram-se cada vez mais distantes, por conta das obrigações de Jongin como primeiro príncipe. Seu medo era de que o mais velho houvesse mudado, de alguma forma, e o denunciasse para o rei. Um frio percorreu sua espinha, e lágrimas quase se formaram em seu rosto ao imaginar qual seria sua punição.

— Baek, estão comentando coisas estranhas pelo castelo — seu semblante ficou sério, enquanto olhava para os lados, vez ou outra, percebendo alguns olhares ao longe sobre si — Tenho medo que façam alguma coisa contra você. Por favor, tenha cuidado.

O mais novo sabia muito bem quais eram esses perigos, pois vivia fugindo deles, quase todos os dias. Mas não teve coragem de contar ao irmão. Baekhyun sabia que o outro não poderia o proteger para sempre. Por isso depositava todas as suas esperanças na magia. Baekhyun sorriu, sentindo-se agradecido pela preocupação de seu irmão.

— Eu vou dar um jeito nisso, hyung. Não se preocupe.

Não se encontraram mais depois disso. O primeiro príncipe temia que estar ao seu lado, aumentariam as chances de algo acontecer ao irmão. Não algo simples, obra de um demônio qualquer. Haviam membros da realeza, demônios fortes e poderosos, que dariam tudo para tocar em um híbrido de elfo e demônio — e Jongin faria de tudo para impedi-los.

A semana passou rápido e, com ela, o prazo para o teste de Baekhyun se findara. O loiro esperou pacientemente o anoitecer, colocou um manto negro, escondeu o pesado livro por baixo deste, e andou sorrateiro pelo castelo, até chegar à Torre Sul. A porta de madeira já estava aberta. Como se estivesse à sua espera.

Entrou no salão frio, e colocou o livro sobre uma mesa de madeira encostada ao lado de um vitral colorido. Ao virar-se para o centro do lugar, teve um leve susto ao notar os homens encapuzados já postados de frente para ele. Sem ruído algum, a porta de madeira se fechou, atraindo brevemente a atenção de Baekhyun.

O híbrido respirou fundo, e retirou o manto que usava, deixando-o cair aos seus pés e revelando as mangas curtas e um tanto queimadas de sua camisa branca, trançada na parte da gola. Faixas cobriam desde seus braços desprovidos de músculos, até suas mãos, e dedos. Baekhyun retirou faixa por faixa, revelando queimaduras em início de cicatrização, até chegar ao ponto mais maltratado: suas mãos. Tentou não demonstrar dor ao fazê-lo, mas era impossível não a sentir penetrando em sua mente, a cada vez que desgrudava um pedaço de pele da faixa.

— Parece que você não foi bem-sucedido, afinal. — um deles se pronunciou; sua voz demonstrava zombaria.

Porém, Baekhyun não se deixou abalar pelo comentário. Deu alguns passos para o centro do salão, e fechou os olhos, concentrando-se. Podia ouvir os passos deles, postando-se cada um ao lado de uma pilastra. Sentia os olhares atentos sobre si, esperando seu próximo movimento.

Baekhyun respirou fundo, sentindo a revolta em seu interior se acalmar aos poucos. Ergueu as mãos à altura do abdômen e virou as palmas para cima. Suas sobrancelhas franziram-se e algumas gotas de suor escorreram por sua testa. De início, nada aconteceu, o que só aumentou a pressão em sua cabeça.

Agitados, os homens cochichavam entre si, sem se importar se o loiro ouvia ou não. Até que alguns segundos depois, um ponto de luz brilhou no salão, pairando no ar, acima das palmas estendidas de Baekhyun.

Era um pontinho pequeno de chama alaranjada e, gradualmente, ele cresceu, ganhando um tom de vermelho, enquanto tentava manter sua forma esférica. Baekhyun finalmente abriu os olhos, concentrando-se naquela chama. Sua expressão manteve-se séria, principalmente ao notar a pequena chama ameaçar descer aos poucos, próxima o suficiente para encostar à sua pele já ferida pelas queimaduras anteriores. A ardência voltou para aquela área, quase tirando sua concentração.

De repente, lembrou-se das vezes em que corria apavorado pelos corredores do castelo, fugindo de demônios que o ameaçavam noite e dia; das vezes em que se desmanchou em lágrimas ao ser tocado de maneira abusiva por outros. Seu peito doeu, e sua respiração se acelerou. Lágrimas caíram por seus olhos, enquanto um brilho feroz emanava das íris avermelhadas. O ódio queimava em seu interior, tão intensamente quanto no ponto acima de suas palmas.

A chama tremeluziu numa mistura de vermelho, laranja e amarelo. Em segundos seu tamanho triplicou, deixando o ambiente terrivelmente quente, e absurdamente iluminado. Os encapuzados afastaram-se alguns passos, evitando serem queimados pelas labaredas sem forma que o híbrido no meio do salão produzia.

As intensidades das chamas, juntamente com a revolta em seu interior, estavam sugando todas suas forças. Suas pálpebras semicerradas, tentavam manter-se abertas. A consciência lhe escapava aos poucos. A visão já estava fora de foco, e antes que pudesse notar, as chamas tocaram sua pele, abraçando-o. Um grito escapou de sua garganta, enquanto sentia sua pele consumir-se em meio às chamas. E então tudo ficou escuro.

 

♦♦♦

 

Dias depois, Baekhyun acordou em seu quarto, envolto em diversas tiras, sendo assistido de perto por um jovem misterioso de olhos verdes profundos. Estava assustado e seu corpo inteiro suava. A tremedeira apenas se intensificou com a aproximação do outro.

— Estou aqui para tratar de você. Não se preocupe.

Sua voz ecoou pelo quarto, fazendo o outro fechar os olhos numa tentativa de controlar sua respiração. Precisava de respostas, e rápido.

— Estou morto? — sussurrou, sem obter resposta alguma.

E estremeceu ainda mais ao sentir a manta que o cobria sendo retirada de seu corpo. Abriu os olhos, direcionando-os para o moreno que o encarava seriamente, analisando suas feições. O homem puxou a ponta de uma faixa que cobria seu braço, e a retirou cuidadosamente. Baekhyun quase sentia seu coração sair pela boca, de tanta preocupação. E sentiu-se de certa forma aliviado ao olhar para o próprio braço e notar que as antigas cicatrizes de queimaduras quase não existiam mais.

O moreno pegou um pano, que estava imerso em água, sobre uma mesinha de madeira ao lado da cama, o espremeu, e colocou sobre a pele cicatrizada do outro. Baekhyun fechou os olhos brevemente, constatando ainda estar sensível naquela área. Mas logo se acostumou ao pano úmido tocando em sua pele de forma suave.

Permaneceram naquele silêncio por longos minutos. O moreno cuidou de um braço, e depois do outro, até ajudar Baekhyun a se sentar para que pudesse retirar as faixas de seu tronco, e fazer o mesmo que havia feito com seus braços. Baekhyun olhou para o próprio peito, notando a grande cicatriz que estava ali, e tocou-a levemente, sentindo uma ardência tomando aquela área. Os olhos verdes do outro pousaram ali por alguns segundos, até se elevarem para encontrar os olhos vermelhos do loiro.

Baekhyun engoliu em seco, ao vê-lo se afastar para o lado oposto do quarto, até uma mesa de madeira cheia de objetos em cima, e retornar com um pote de barro em mãos. Sentou-se ao seu lado, e retirou a tampa, deixando-a descansar em seu colo. Ele mergulhou os dedos naquele recipiente, e os levou à cicatriz de Baekhyun, espalhando, fazendo-o se encolher devido a dor aguda que o tomou.

— Aguente firme, isso vai ajudar.

Murmurou ao notar as lágrimas caindo dos olhos avermelhados. Baekhyun segurou a respiração, tentado ser forte. E quando o outro terminou de espalhar o creme, secou as lágrimas de forma rápida, tentando contê-las. O moreno cuidou de todos seus ferimentos, e então voltou a enfaixá-lo. Depois de longos segundos, voltou a encarar Baekhyun.

— A princesa me enviou para cuidar de você.

— Minha mãe? — lançou-lhe um olhar curioso, gaguejando em nervosismo — Quem é você?

— Sou Minseok. Um dos escudeiros de sua mãe. Não posso entrar em detalhes agora, mas saiba que não estou aqui para te machucar. Jurei à princesa que iria te proteger.

Baekhyun olhou com desconfiança e surpresa para o outro. Nunca teve alguém que o protegesse, e pensar nessa possibilidade fazia sua cabeça rodar. O moreno não esperou uma resposta ou consenso. Levantou-se, fez uma pequena reverência, e saiu rapidamente do quarto, deixando o loiro pensativo sobre a cama.

De súbito, as lembranças de alguns dias atrás preencheram sua mente, fazendo-o se encolher por entre as cobertas ao se lembrar da própria pele ardendo em chamas naquele salão. E com desânimo, lembrou-se que havia falhado naquele teste, e por conta disso, não seria capaz de aprender magia de verdade.

Impaciente, pôs os pés para fora da cama, levantando-se com cuidado ao sentir o corpo ainda sensível e fraco. Deu dois passos à frente e cambaleou para o lado, apoiando-se à tapeçaria na parede à sua esquerda. Usou-a de apoio até chegar à mesa que havia no canto. Ia pegar um pouco de água, já que estava com sede, mas ao analisar melhor o móvel, notou com espanto o mesmo livro de capa de couro que vinha estudando durante a semana.

Não sabia como ou quando havia voltado para seu quarto, mas lembrava-se nitidamente de ter deixado o livro na Torre Sul. Sentindo a garganta seca, desafivelou a capa, e ao abri-lo, notou que havia um papel solto entre as primeiras folhas. Confuso, o retirou dali, mas ao tocá-lo, palavras se formaram sobre a folha, como se uma mão invisível as tivesse escrevendo naquele mesmo momento.

 

“Se quer tanto assim aprender magia, me encontre ao anoitecer às margens do Jardim de Inverno, próximo à estrada para a antiga Montanha dos Wargs. E queime este papel assim que o ler. Só tente não ganhar uma nova cicatriz ao fazê-lo, afinal, não é fácil encontrar seiva de salgueiro e gengibre neste lado do continente.

 

— Minseok”.

 

Baekhyun sorriu incrédulo ao reler o bilhete mais umas dez vezes, e sentiu-se um tanto constrangido com o alerta para não ser descuidado com o fogo. Revigorado, alcançou uma tigela de barro em baixo da mesa a sua frente, e sentou-se no chão colocando a tigela à alguns centímetros de distância de seu corpo. Com a mão esquerda segurou o papel, e estendeu sua destra virada para cima, concentrando energia acima de sua palma. Estava receoso de que pudesse se queimar e, por conta disso, demorou alguns longos minutos para que sequer algo acontecesse.

Um pequeno ponto disforme de luz surgiu a alguns centímetros acima de sua palma. A chama flutuou no ar, e Baekhyun aproximou o papel. Quando o fogo tocou a folha e começou a queimá-la, a soltou sobre a tigela de barro, fazendo esforço para desfazer a chama sobre sua mão, já sentindo uma leve ardência em sua destra. Observou o papel ser consumido pelas chamas, até se tornar fiapos negros amontoados no fundo da tigela, enquanto sentia uma ansiedade crescente em seu interior, afinal, aquela noite finalmente aprenderia o que poderia se tornar sua maior fonte de segurança, e esperança.

Com a chegada do crepúsculo, vestiu-se com roupas escuras e um manto negro, e esgueirou-se pelo castelo, correndo risco de ser pego por algum guarda. E não pensou duas vezes ao saltar da janela do primeiro andar, sendo esta a única saída não vigiada do castelo. Caiu sobre arbustos e trepadeiras, enchendo sua roupa de folhas e alguns pequenos rasgos, mas nada disso importava, nem mesmo os pequenos arranhões em sua pele.

Tudo o que importava no momento era que estava a um passo de aprender magia; a sua tão almejada liberdade.


Notas Finais


Espero que tenha dado pra entender que depois da primeira parte do capítulo trata-se do passado do Baekhyun, apenas a primeira parte que se trata do presente. O próximo capítulo continua no passado, e só depois voltamos pro nosso Kaisoo cheiroso :3 (espero)
O plot ainda tá em desenvolvimento, como dá pra ver, mas o final é mais do que claro pra mim, então não se preocupem porque nunca vou abandonar essa fanfic. Às vezes surge um bloqueio ou outro, como aconteceu dessa vez, que fiquei 4 meses sem atualizar, mas eu vou sempre voltar, ok? ❤

Ah, e antes que eu esqueça, existem várias definições para Wargs, mas nessa fanfic, são lobos demoníacos. Um pouco mais a frente vou explicar sobre eles (é, to querendo incluir mais coisa no enredo, sim), mas por hora, é tudo o que precisam saber. ^^

Não betei o capítulo, então, se tiver algum erro podem me avisar nos comentários que eu arrumo depois ❤

Muito obrigada a quem chegou até aqui! E um beijão ❤❤


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