História Devil Side - Imagine Suga (BTS) Reescrevendo - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Personagens Originais, Suga
Tags Romance, Sobrenatural, Suga, Tmy, Você
Exibições 185
Palavras 5.467
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá meus amore!!
Senti saudades oces!!
coloquei dois cap. hj... espero que oces gostem!!

Xeru~~
Boa leitura:3

Capítulo 10 - Chapter ten - Damn it!


Ela estava se empanturrando com o seu Mc lanche feliz no banco de trás, quando Suga manobrou para fora da lanchonete.

- Isso é muito legal, esse rato poderia vir a nossa casa mais vezes!

Suga riu completamente relaxado, eu não encontrava motivos para ele estar assim.

- Não se preocupe. – disse-me ele.

- Está com medo do rato não sair de lá, ________? – Molly perguntou inocentemente.

Eu suspirei e só fiz que sim com a cabeça.

- Por que ele acha que pode cuidar disso sozinho? Ele está se achando o que? Um super-herói?

Suga riu como se eu tivesse contado a melhor piada do mundo.

- É só um rato, ________. – Molly disse para me tranquilizar. – Não vai te machucar. – Ela colocou uma batata na boca e sorriu.

Eu estava me lembrando exatamente disso quando acordei pela manhã no meu quarto que tinha encontrado exatamente como tinha deixado: sem nenhum móvel fora do lugar e nada quebrado. Rondando a minha total confusão havia certo alívio por, pelo menos, não ter acontecido nada de muito grave se eu olhar toda a situação de um ponto de vista físico porque se eu for encarar tudo de um ponto de vista mental perceberia que a coisa está feia, muito feia!

As visões; os pesadelos de Molly que ela jura serem reais; um estranho na minha casa; Yerin no banheiro; a frase que simplesmente sumiu do espelho; tudo isso, e para complicar ainda mais Jimin e Suga me confundindo, me tirando do controle de minha mente.

Decidi não ir à escola hoje. Seja lá o que tivesse acontecido com Yerin eu iria descobrir de qualquer jeito. Neste momento eu precisava desabafar sobre tudo que vinha me atormentando nos últimos dias. Estava à meia-hora sentada de pernas cruzadas no tapete da sala do vovô Chan. Ele parecia flutuar pela casa, ás vezes limpando, ás vezes bagunçando.

- Tae está na escola. Eu disse a ele que se não quisesse não precisava vir trabalhar na loja também. – disse-me ele, a voz sutil típica de orientais. – Ele não parece gostar disso tudo como eu.

Ele suspirou. Observei a xícara de chá listrada com desenhos geométricos que eu mal bebi em minhas mãos; tinha gosto de hortelã, açúcar, canela e algo mais, o vovô Chan nunca revelou o que colocava em seu chá. Ele trabalha nesta loja desde que era criança. Pelo que sei, o avô dele viajava pelo mundo todo e quando chegou em Seul resolveu criar uma loja com um pouquinho de tudo que viu e conhecia. O que resultou na Lunabella, que tinha a tradicional legenda em baixo do nome na fachada: “Viaje, suma e se encontre, sem sair daqui”.

- Vovô Chan. – Chamei-o. – Por que o nome Lunabella?

Essa era uma das perguntas que surgiram em minha mente sem eu dar muita atenção. Eu já havia escutado esse nome umas duas vezes nas minhas visões estranhas e só agora havia os fatos. Vovô Chan sorriu repuxando os lábios finos, e fazendo seus olhos pequenos e puxados quase sumirem.

- É uma longa história que vem sendo passada de geração em geração por nossa família. – Começou ele. – Eu tentei contá-la a sua mãe, uma vez ela me deixou falando sozinho antes mesmo de eu chegar à metade. Tem certeza que quer ouvi-la?

Eu dei de ombros.

- Eu tenho tempo. – retribui seu sorriso, mas era muito superficial para parecer natural.

- Dizem que há uma única noite em que tudo pode acontecer. Em que todos os portais de todos os mundos ficam abertos e que é possível atravessá-los sem ser convidado. – disse ele suavemente. – Uma noite sem estrelas, e de uma lua tão bela que ofusca tudo e parece estar viva no céu.

“Tudo começou com uma garota, não se sabe muito sobre ela nem mesmo onde ela viveu tudo que sei sobre ela é que ela era muito bonita. Ela sabia sobre Lunabella e todas ás noites olhava o céu com a esperança de que fosse a tal noite magnífica. Essa noite, para muitos não é nem um pouco romântica, mas a garota achava que Lunabella era o melhor dos contos de fadas”.

“Havia milhares de histórias sobre essa noite, uns diziam que quando ela chegasse seria o fim do mundo, outros diziam que seria o dilúvio para um novo mundo. Já a garota achava que em Lunabella poderia realizar todos os seus sonhos e encontrar o seu verdadeiro amor”.

“E Lunabella chegou, mas ninguém percebeu somente ela. A garota fugiu para a floresta e subiu até o lugar mais alto da montanha para chegar mais perto da lua”.

“Ela foi encontrada algumas horas depois, estava pálida, ensanguentada e seus olhos eram negros como a noite. Foi acusada de bruxaria, mas a grande maioria das pessoas achava que ela havia sido possuída por um demônio. Queimaram-na em uma fogueira na mesma noite. Na noite de Lunabella!”

“Depois disso começaram a achar que em Lunabella os demônios passeavam livres pela terra e que quem fosse possuído por eles deveria ser queimado em uma fogueira para que o demônio fosse destruído e ficasse preso a esta noite sem poder vagar por nenhum plano ou mundo”.

Eu respirei fundo ainda olhando o vovô Chan.

- Ainda não entendi porque a loja tem esse nome. – confessei.

Ele sorriu.

- Meu avô colocou esse nome na loja porque, ao contrário dos seus antecessores, ele acha que Lunabella é perfeita porque nela se encontra de tudo: o amor, a raiva, a determinação, a liberdade... tudo! Em Lunabella pode-se fazer tudo! Não importa o que seja, nem o que aconteça... Lunabella é mágica!

- E quanto ao livro?

Vovô Chan franziu as sobrancelhas brancas e finas.

- Que livro?

- O livro de Lunabella que eu encontrei na prateleira uma vez e Tae disse que eu poderia levar. – resolvi poupar o vovô Chan da parte em que ele disse que aquilo era um lixo.

- Nunca soube de livro nenhum. – respondeu-me ele. – Tem muitas coisas nessa loja que o meu avô trouxe. Tem algo sobre essa história nesse livro?

- Não, está todo em branco!

Eu coloquei uma mecha de meu cabelo para trás, enquanto repetia a história em minha mente. Ela perecia surreal e fantasiosa demais para que eu acreditasse em algo, mas não podia negar o fato de que a parte em que a encontraram ensanguentada mexeu com meus nervos, afinal eu mesma encontrei Yerin nesta situação.

Mas o que diabos eu estou pensando? Perguntei a mim mesma.

Yerin está bem, e isso é só uma história.

Respirei fundo e me fiz prometer de que no momento em que encontrasse Jimin iria confrontá-lo até ele me dizer o que ficou fazendo no banheiro com Yerin naquela tarde depois que sai. Mas eu não podia enganar minha mente dizendo que obteria algum sucesso com isso, porque se essa conversa tivesse o mesmo fim da que eu tive com Suga... bom, não seria bem uma conversa.

O que me lembrava de que eu tinha realmente beijado Min Yoongi. Aliás, eu só não o tinha beijado como também me rendi a ele, completamente indefesa e dominada. Logo depois de ter também beijado Jimin, e a situação não foi muito diferente. Porque, eu estava completamente atordoada em ambos os momentos; dois, eu nem mesmo fiz algo para impedi-los; e três, eu fiquei exposta e entregue sem poder racionalizar direito no momento em que ambos me tocaram.

E eu também não podia me esquecer que depois disso, coisas estranhas aconteceram; o que me obrigou a perceber o que realmente estava acontecendo na minha vida. Um lado mais irracional do meu cérebro percebeu que ás coisas ficam fora do controle sempre que Jimin está por perto, e o outro lado mais racional notou que não só as coisas ao meu redor como eu também fico fora de controle.

Aliás, “eu sempre acabo trombando com ele onde quer que eu esteja” eu tentei parar este pensamento.

O que eu estava pensando? Ele vai à mesma escola que eu, é natural que nos encontrássemos.

Mas e na noite da racha? Uma voz fina soou em minha cabeça, impedindo-me de esquecer o assunto.

Aquela noite foi estranha. Bom, não tão estranha como eu achava que era: Yoongi a fez ficar estranha e confusa. Porque eu sei que vi a polícia chegando. Eu sei que foi por isso que corri para aquele beco. Mas ele insiste que não havia policial nenhum naquela noite e que eu de repente saí correndo.

E que por acaso acabei encontrando Jimin no mesmo beco. Num beco escuro e sinistro. O que Jimin estava fazendo sozinho num beco escuro, enquanto todos os outros “participantes” e “apreciadores” de rachas estavam na rua? – que em termos de claridade e segurança não era muito diferente do beco. Eu sempre mirei minha desconfiança e minha insegurança inteiramente para Yoongi; ele era o garoto estranho e sinistro em minha vida. Mas Park Jimin? O que eu realmente sabia sobre ele?

Certo, ele é emancipado, seus pais morreram, ele vive próximo ao bosque e tem uma espécie de tutor que o visita de vez em quando. Mas isso é o que ele diz. Não há nada que confirme isso, nada.

Paranoica, não seja paranoica, eu disse para mim mesma.

Suga o chamou várias vezes de servo. Mas tudo o que Suga diz é confuso então não é como se isso fosse um código ou algo com significado, já que tudo que ele fala parece ser assim.

E aquela conversa que eles tiveram na sala...

“Ela estaria morta se eu não tivesse aparecido. Você não se importa com nada”, Jimin dissera.

“Tem razão, não me importo. Não sou tão diferente de você”, Yoongi disse logo depois.

Minha memória falhou, mas eu me obriguei a lembrar de mais:

“Você está enganado, eu me importo”, Jimin tinha dito depois de um silêncio.

“Até que Lunabella chegue”. Yoongi dissera.

E depois disso eu não conseguia me lembrar de muita coisa que ouvi.

Até que Lunabella chegue, eu repeti a última frase.

Eles sabiam sobre Lunabella?

~...~

 

Eu me despedi do vovô Chan e rumei até a casa de Eunji. Que era longe o suficiente para eu me acalmar e pensar no que iria dizer. Rose atendeu a porta. Ela tinha o cabelo um pouco avermelhado, liso e desfiado, e um par de olhos verdes que com certeza eram lentes, no rosto fino e pálido; sua estatura era baixa e era bem magra.

- ________. – ela me abraçou. – Finalmente veio até aqui, você andou sumida depois da nossa última reunião, estava começando a achar que a razão de seu sumiço era justamente por isso. – ela disse a tempo de me soltar e olhar em meus olhos.

Rose fazia uma espécie de reunião de mulheres toda semana. A casa enchia de mulheres e produtos de beleza e elas se faziam de Barbie enquanto se produziam e fofocavam sem parar. Na última eu fui o alvo. Eu fui a boneca da vez; elas me colocaram numa cadeira e cada uma parecia querer arrancar uma parte de meu corpo, tentando deixá-lo mais bonito possível. Para mim, não era muito diferente de uma cena de filme de terror, é claro que isso é o meu ponto de vista, para Tae e Eunji aquilo foi à melhor tarde que já tiveram – Tae é o único ser com um cromossomo y que já participou destas reuniões. Eu jurei a mim mesma que nunca mais participaria de algo assim.

- Ham, não, eu estava ocupada com... – eu dizia enquanto procurava uma desculpa para dar.

- ________!

Eunji chamou aparecendo na sala. A casa deles era simples. Não havia muitos móveis e nada sofisticado, não era a mais bonita da rua, muito menos a mais cara. Mas era a casa que mais me lembrava minha casa de antes, ou seja, a que eu mais me sentia bem. Tinha flores e enfeites artesanais em todos os cômodos que eram sala, cozinha e dois quartos – na pequena sala o sofá estava coberto com uma capa floral de rosas vermelhas, uma pequena estante feita de madeira, as paredes eram em tons claros e aconchegantes. Porta retratos e catálogos de revistas cobriam a mesinha de centro - o que para muitos seria visto como uma enorme bagunça, mas que para mim só me lembrava mais e mais da minha antiga casa.

Só me deixava mais em casa.

- Venha. – Ela pegou a minha mão e me arrastou para o seu quarto sem se importar com os resmungos de Rose sobre como não se devia interromper uma conversa e que precisava conversar comigo.

Acontece que Rose além de vendedora de produtos de beleza também tem seus momentos de “vidente”. Ela acredita em signos, cartas de tarô e todas essas coisas que dizem saber o nosso futuro. E como Eunji e o seu pai já tinham se cansado e deixado bem claro de que não queriam mais saber disso, ela decidiu me ter como nova cobaia.

Eunji fechou a porta atrás de si rindo. Eu me joguei em sua cama enquanto tentava abafar minha risada. A colcha dela era feita de retalhos de panos e por isso era toda colorida. Não havia mais nada no quarto além disso. Bom a não ser que pôsteres de bandas kpop e atores seminus contem como móveis.

- Ok. Agora me diga por que me deixou ir sozinha para aquele ninho de cobras? – ela perguntou se jogando na cama ao meu lado.

Respirei fundo.

- Não estava me sentido muito bem. – respondi, o que não era totalmente uma mentira. – O que aconteceu lá? – tentei deixar a preocupação fora de meu tom.

- Nada. – Eunji deu de ombros. – Bom, a cobra rainha não apareceu, o que é um alivio tremendo, mas as cópias e a cópia número 1 fizeram bem o papel dela.

- Yerin não foi à escola?

- Não. – ela me olhou, eu voltei meu olhar para o teto de madeira e de luz baixa para que ela não visse meu pânico. - Mas isso não é nada importante, nem sei por que estamos perdendo tempo falando dela. Que tal mudarmos de assunto para o capitão do time de basquete?

- Kim Namjoon? – eu estranhei.

- Não. – Eunji pareceu enojada por ter ouvido o nome. – Park Jimin.

- O que?

- Ele é o novo capitão do time. – ela franziu um pouco as sobrancelhas. – Não totalmente quero dizer. Todo mundo estava comentando que o treinador estava uma fera com Namjoon por ele não ter respeitado o toque de recolher e por faltar nos treinos... e bem, ele viu Jimin jogar basquete em Ed. Física e como ele também jogava basquete em sua antiga escola, não é difícil saber quem vai substituir o rei dos ratos no time. Mas nada está confirmado já que Jimin não foi à escola hoje.

- E-ele não foi? – eu gaguejei enquanto me levantava da cama.

- Não. – ela também se levantou me encarando.

Não me preocupei em tentar adivinhar o que se passava por sua mente me vendo andar de um lado para o outro no seu minúsculo quarto.

Yerin não foi à escola, Jimin não foi à escola...

- Yoongi também não foi, acha que isso pode ser algum tipo de doença... – ela dizia, mas eu não consegui escutar mais nada.

Meu coração se acelerou a medida que novos tremores passavam por meu corpo, repeti todas as informações que tinha novamente: Yerin estava no banheiro quase morta, Jimin ficou sozinho com ela depois disso, Suga e ele estavam na minha casa conversando sobre algo que me fazia ter arrepios, havia alguém dentro do meu quarto, Jimin novamente ficou sozinho com isso, e por último: nenhum dos três citados acima compareceu a escola hoje.

Eu parei de repente.

- Que tal fazermos uma visitinha ao Jimin? – eu tentei deixar minha voz relaxada no final.

- Tá falando sério? – ela se animou, mal percebendo a tensão que irradiava de mim. – Mas você sabe onde ele mora?

- Não. – confessei. – Mas fica perto do bosque e podemos procurar. Não tem muitas casas por ali, não deve ser difícil encontrar.

- Hum, ele mora perto do bosque? – os olhos dela brilharam numa intensidade assustadoramente maliciosa. – Cara, você já viu as casas ao redor do bosque? Tipo tem que ser muito rico mesmo para comprar uma casa daquelas.

Eu dei de ombros, minha mente ocupada demais para pensar nisso agora.

- E ele é emancipado... – ela murmurou para si mesma. – Você acha que Jimin é herdeiro de uma fortuna? Eu acho que sim, porque ele é muito jovem para ter tanta grana.

Eu fechei a porta do carro com força, mais para parar os pensamentos horripilantes que povoavam minha mente, do que para calá-la.

- Tudo bem, eu paro, só não bata no meu bebê, eu batalhei muito para ganhá-lo. – ela deu ré e depois acelerou dando partida, não sabia que ela estava de carro próprio agora.

Encostei minha cabeça no encosto do banco. Um novo pensamento não muito racional, para variar passando por minha mente.

- Não, espera. – eu chamei sua atenção para mim. – Eu preciso ver uma pessoa antes.

- Quem?

- Kim Yerin.

- Sem essa! – ela abanou a cabeça. – Eu não quero ver aquela barbie tóxica de novo. O que deu em você, ________? Se esqueceu de tudo que ela nos disse.

Eu abaixei minha cabeça, mal conseguindo entender o que ela dizia.

- Só preciso ver uma coisa. – respondi mordendo meu lábio.

- O quê?

Ver se Yerin está viva.

- Não sei, eu só... preciso vê-la.

Ela me olhou como se eu fosse maluca, mas não disse nada. Meia hora depois estacionamos aos redores da residência dela.

- Se você não voltar em cinco minutos eu ligo para a polícia. – Eunji disse enquanto eu saia do carro.

Eu atravessei o pequeno jardim por uma estradinha de pedras que levava até a entrada. Toquei a campainha. Meu coração acelerando a medida que os segundos passavam.

Uma mulher atendeu a porta. Seu rosto redondo quase severo enquanto me encarava, ela vestia um uniforme azul marinho e branco, e seu cabelo castanho estava preso em um coque alto sem um fio fora do lugar.

- Pois não?

Eu comprimi meus lábios e respirei fundo.

- Oi, eu sou uma... – pausei brevemente escolhendo uma palavra adequada. – Colega da Yerin da escola. – eu deduzi por fim. - Hamm, eu vim trazer a matéria que ela perdeu hoje. - depois de alguns segundos percebi que minhas mãos estavam vazias e que minha desculpa era um blefe descarado. – Meu caderno está no carro, eu pensei em chamar a Yerin até a minha casa para fazermos juntas lá.

Engula isso por favor!

Ela balançou a cabeça de um lado para o outro.

- Yerin não pode sair de casa hoje, querida. – O rosto severo foi se atenuando até ficar somente calmo. Yerin não pode sair... então ela estava lá! Suspirei aliviada, e a mulher me olhou com um olhar curioso. Eu me recompus rapidamente.

- Que pena... – eu murmurei. – Ela está bem?

- Sim. – ela respondeu rapidamente. – Até. – e fechou a porta na minha cara.

Eu abri minha boca e fechei, o alivio tinha escorregado de mim com seu estranho comportamento. Respirei fundo e me virei para sair dali. Mas meus olhos ficaram presos nos dois adolescentes que saíram pela lateral da casa, e pararam na cerca de madeira do jardim da frente. Aproximei-me sorrateiramente, tentando escutar o que eles diziam.

- Ela está estranha. – um garoto, não devia ter mais de quinze anos murmurou para a garota.

Ele tinha os cabelos avermelhados, era baixinho, vestia um uniforme nas mesmas cores da mulher que me atendeu.

- Ela está louca isso sim. – a garota, também baixinha respondeu. Ela era bem parecida com o garoto, mas tinha a pele mais bronzeada e os cabelos negros. - Você viu o jeito que ela me olhou... parecia que ia me devorar! E olha que ela nunca nem olhou para nós, sempre com aquele nariz empinado. Acredita que ela começou a dizer coisas estranhas e a falar sozinha? Quando o pai dela chegar de viagem vai tomar um belo susto.

- Ouvi dizer que ela brigou na escola com uma garota, talvez seja por isso o comportamento estranho. Ela não está louca, Linnie. – o garoto disse.

Eu me encolhi no vão de um dos pilares de entrada.

- Está sim! Sei lá, estou toda arrepiada! Acho melhor chamarmos um médico ou um padre, essa garota está me assustando.

Um chamado veio de dentro da casa e eles sumiram pela lateral da mesma. Suspirei voltando para o carro. Eunji tinha estacionado em outra rua, ela tinha resmungado algo como: Deus me livre chegar perto do ninho de cobras.

Eu abri a porta e me sentei no banco do passageiro.

- Viu ela? – perguntou colocando a chave na ignição.

- Não. Mas ela estava lá. – respondi, pensativa. - Ela estava lá... Isso já era alguma coisa.

Eunji suspirou.

- Hum. – Ela resmungou alguma coisa incompreensível. – O que estamos indo fazer mesmo na casa do Jimin? Porque eu estou começando a desconfiar de que isso não é só uma visita.

Olhei para ela derrotada, queria desabafar, mas se eu o fizesse com certeza ela me chamaria de louca – não que eu não já não estivesse me acostumando com isso.

- Não é mesmo. – disse eu. – Tem alguma coisa no Jimin... Olha, eu não sei o que é exatamente e não é só com ele, é com o Yoongi também. Eu já pensei em tudo, comecei a pensar em coisas que colocam em risco a minha sanidade, mas Eunjinie, eu tenho que descobrir o que há de errado com eles!

- O que? Você acha que eles podem ser tipo psicopatas ou agentes disfarçados da CIA, espera e se eles forem vampiros? – ela disse, primeiramente séria, e depois desabou a rir, caçoando.

Eu revirei meus olhos.

- Pode ser. – disse ignorando o seu sarcasmo. – Bom, eu não sei. Mas tenho que descobrir, não importa como. Vai me ajudar ou não?

- É claro que vou! Você pode estar ficando maluca e vendo coisas demais, mas se você for parar em um manicômio eu quero ir junto e arrastarei o Tae. Não podemos viver sem você!

E essa vai para a nossa lista de declarações de amizade estranhas.

Realmente ás casas ao redor do bosque não pareciam ser nada baratas. Não que eu estivesse esperando isso depois de ver o carro do Jimin – que com certeza, com o dinheiro que eu ganho, não conseguiria comprar nem daqui uns oitenta anos.

- Então, como vamos fazer? – Eunji perguntou.

- Eu não faço a mínima ideia. – confessei.

- Acho melhor perguntarmos.

- Não é uma boa ideia, se ele não estiver lá, não quero que saiba que estivemos.

- Ele não vai saber. Vamos perguntar para aquela menininha ali. – ela apontou para uma garotinha de uns cinco anos empurrando sua bicicleta cor de rosa. – Se ela souber onde ele mora, vamos até lá, se não souber, nós vamos embora, simples.

Eu dei de ombros, sem mais ideias.

- Oi menininha linda. – disse Eunji tentando ser simpática.

- Eu não tenho doces. – garantiu ela apreensiva, tentando se afastar do carro e empurrar a bicicleta ao mesmo tempo.

Eu ri, Eunji chutou meu pé com o seu para que eu parasse.

- Eu não quero doces. – o tom simpático tinha saído de sua voz. – Estou de dieta. Na verdade quero saber onde mora um amigo meu da escola. O nome dele é Park Jimin, conhece?

- Ah, sim. – ela revirou os olhos, olhando para Eunji como se ela fosse uma Alienígena. – Como não conhecer ele? Ele é simplesmente o vizinho mais gato que já tive.

Eu a olhei de novo minuciosamente. Ela tinha o cabelo castanho-escuro, vestia uma camiseta e uma saia azul, era branquinha e tinha o rosto oval, os olhos pequenos e puxados. Ela realmente não deveria ter mais de cinco anos, e por isso não deve ter tido muitos vizinhos.

- Eu me esqueci onde ele mora, pode me lembrar qual é a casa? Sei que é por aqui.

Mordi meu lábio, nervosa.

- É aquela no fim da rua, a mais bonita. – ela disse, e retorceu a boca num jeito estranho. – Você é o que? A namorada dele ou uma ladra? Ele não está em casa, mas eu sei o número da polícia e... ei!

Eunji a deixou falando sozinha.

- Como planeja descobrir algo sobre ele? Vai perguntar assim na lata se ele é um psicopata? Sabe, ________, se ele for realmente isso. – ela bufou e tossiu tentando não rir de si mesma. - Não vai revelar assim de graça, você vai ter que descobrir, eu duvido que ele vá lhe contar. Vamos aproveitar que ele não está em casa, você entra lá e procura por algo e eu fico vigiando aqui do lado de fora para ver se algo der errado.

- Desde quando você se tornou mestre em invadir casas?

- Desde quando jurei a mim mesma que iria entrar no quarto de Kim Jaejoong, de qualquer forma.

Eu não sei se a casa dele era a mais bonita da rua eu nunca fui boa em analisar imóveis, a única coisa que sabia, é que Tae me ensinou, é que se houver um portão grande tapando toda a entrada da casa é porque a casa é de gente rica. E no caso de Jimin, aquilo parecia mais uma muralha de Berlim do que um portão.

- Como vamos entrar?

- Ele deve ter um gramado, e eu duvido que ele passe os fins de semana aparando.

Eu a olhei sem entender onde ela queria dizer. Essa não!

- Pronto. – eu disse a ela, enquanto suspendia meu corpo com minhas mãos, sentando em cima do concreto que recobria a parte superior do portão de aço.

“Eu não estou fazendo isso. É só um pesadelo que vai chegar ao fim, é só eu acordar”, disse a mim mesma.

Eunji estava certa sobre o gramado. Aquilo parecia não ter sido aparado há meses, estava mais para a matagal.

- Rápido pule!

Pular. A palavra é tão fácil de ser dita, mas quando é no sentido literal e não no figurativo, a coisa muda de situação.

Deveria ter outro jeito de descobrir, eu não precisava pular de um muro para descobrir isso, uma parte do meu cérebro pensou, enquanto outra bem pequena, mas que parecia gritar: covarde!

Eu comecei a contar: 1,2,3...

Não foi tão ruim como eu imaginava.

- Você está viva? - Eunji perguntou do lado de fora.

- Não. – resmunguei, pude escutar ela rindo.

- Procure uma janela ou qualquer coisa. – disse ela. – Me diga que está com o seu celular!

- Estou. – eu disse, não era uma mentira, ele estava comigo no bolso de trás, descarregado, mas isso é só um detalhe!

- Eu vou te ligar se algo der errado, e se você não atender por algum motivo, que sempre acontece, eu vou começar a gritar.

E é claro que eu poderia ouvi-la, porque depois de assistir O Grito com ela três vezes, não me restavam dúvidas de que ela tinha um megafone na garganta.

Eu considerei procurar alguma janela, mas comecei a pensar: se eu tivesse um portão imenso na frente de minha casa para que fecharia porta? Bom, só se eu pensasse na hipótese de alguém pulá-lo, o que me parecia meio absurdo se eu fosse o Jimin. A porta se abriu com um ranger me revelando o hall de entrada. Eu tentei não prestar muita atenção na decoração da casa, mas tudo ali parecia estar duelando para chamar minha atenção: desde os sofás acolchoados e pretos, até a linda TV imensa da sala. Tudo era bem espaçoso e organizado, o que me surpreendeu um pouco. De certa forma a decoração combinava com ele. Havia algumas cadeiras antigas encostadas a uma das paredes, e obras de arte que deveriam ser bem caras na mesma. Simples.

Eu tirei meus olhos da decoração com muito esforço, voltando a me focar no plano... Se eu tivesse algo para esconder, onde esconderia? O meu quarto era a minha primeira opção.

Subi ás escadas até o andar de cima. Parei no imenso corredor. Para que tantos quartos se ele mora sozinho? Droga!

Eu fui abrindo porta em porta. Todos pareciam serem muito impessoais, não havia nada que me lembrasse ele ou quarto de um garoto, pareciam mais com quartos de hotéis.

É claro que tinha de ser o último!

Eu abri a porta do último quarto, e novamente me surpreendi. Eu nunca, jamais, deduzi que Jimin era fã de jogos. O quarto dele era repleto deles, uma mesa de pebolim estava encostada ao lado da estante, havia uma pilha de jogos de vídeo game empilhados no criado mudo.

Eu parei de olhar para aquilo tudo, e tentei me focar no que viera fazer aqui. Eu abri a porta de seu armário e comecei a procurar por entre suas roupas - o detalhe era que eu não sabia pelo que procurar. Uma arma talvez... Qualquer coisa. Eu preciso de uma prova de que ele não é um garoto normal, de que eu não estou ficando maluca.

Mas não havia nada aqui. Comecei a me lembrar das cenas de filmes, talvez ele escondesse no piso ou no teto...

Chega!

Eu me sentei na cama derrotada. Me recuso a sair daqui de mãos vazias, mas ficando aqui por mais tempo correria um risco terrível. Se Jimin me encontrasse aqui, o que pensaria? Eu passaria de estranha, para maluca e depois para delinquente.

Eu me dei de presente mais alguns minutos aqui. Sai do quarto e comecei a zanzar pelo corredor. Havia uma pequena escada no fim dele; uma corda descia por ela. Aproximei-me, receosa puxei-a e observei o teto em cima da escada se mover. Era um sótão escuro, e empoleirado. Subi os degraus da escada e tive que me abaixar um pouco quando pisei no chão dele. A luz era muito baixa, mas havia uma pequena janela redonda de vidro colorido que refletia a luz do sol, dando um aspecto estranhamente multicor à escuridão.

- Aí!

Eu dei um passo para frente e bati minha perna em algo que rangeu me assustando, algo que estava em cima dela deslizou pelo piso de madeira e parou aos meus pés. Era só uma cadeira de balanço; respirei fundo tentando me acalmar. Peguei o objeto do chão, e aos poucos vi que era uma lanterna. Acendi-a e tive uma melhor visão do que tinha a minha frente. Parecia ser tudo muito antigo; uma estante de livros grossos e pesados estava atrás da cadeira. Uma escrivaninha mogno mal encostada à parede e ao seu lado, algo parecido com um cavalete estava coberto por um lençol branco típico de mudanças.

O cavalete era de madeira, trincado e minuciosamente trabalhado. Parecia ser a única coisa aqui que não estava coberto de poeira; longe disso, a madeira brilhava parecendo ter sido polida recentemente. Eu puxei o pano para ver que quadro ele suspendia.

Minha primeira reação foi ficar estática.

A próxima foi me afastar.

E depois eu comecei a tremer.

Não de frio. Mas de medo.

Aquela pintura conseguia arrepiar todos os pelos do meu corpo.

Era uma garota. Ela tinha um sorriso misterioso no rosto – não como a Monalisa. O sorriso dela era diferente, um que eu jamais vi, de tão misterioso chegava a ser assustador. Ela era branca, porém um pouco bronzeada. O nariz era pequeno e reto; os olhos puxados nos cantos; a íris era clara, um mistura de castanho com um dourado levemente avermelhado. Ela tinha os cabelos cheios, lisos, com uma cor inacreditavelmente parecida com a dos olhos. Atrás dela ao lado esquerdo havia uma sombra, estranhamente brilhante. No direto havia outra, também brilhante, mas num brilho avermelhado. Ela vestia um vestido, mas somente a parte de cima aparecia na pintura; tinha mangas bufantes, e era bem colado ao corpo, realçando seu busto. Um belíssimo colar estava pendurado ao seu pescoço, ele era fino e de ouro, e o pingente era em forma de losango e no meio tinha uma pedra brilhante e vermelha; talvez fosse uma rubi.

Poderia ser uma obra comum e não reconheci esse rosto; se eu não tivesse convivido com esse rosto, vendo-o mudar, sem nem perceber a cada ano durante toda a minha vida. Porque aquela garota da pintura era eu. Mas na base dela escrito no cavalete havia outro nome: Kim Dahye.

- Jimin! Que surpresa te encontra aqui! – um grito distante se infiltrou aos meus ouvidos. Eu corri um pouco rígida demais até a janela que dava exatamente para frente da casa, ultrapassando até mesmo o portão de aço.

Eunji estava desesperada em frente a Jimin, gesticulando nervosa para ele.

Definitivamente, droga!

 

 

Continua...



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