História Devil's Daughter - Capítulo 2


Escrita por: ~, ~stylespotter e ~erikdurmz

Postado
Categorias Antoine Griezmann, Cristiano Ronaldo, Erik Durm, James Rodríguez, Mario Götze, Olivier Giroud
Personagens Antoine Griezmann, Cristiano Ronaldo, Erik Durm, James Rodríguez, Mario Götze
Tags Antoine Griezmann, Erik Durm, James Rodriguez, Olivier Giroud
Exibições 55
Palavras 4.609
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


:-)

Capítulo 2 - Un


— Catt, qual é mesmo o nome daquele professor lindo de Geografia?

— Bom dia para você também, Julie.

Serena revirou os olhos, enquanto andava em silêncio até o portão da escola. Já eram 7 da manhã, e lá vem Julie falar de homem. Ela parecia tão animada falando que deu vontade de Lestranger virar para o lado e vomitar nos sapatos dela. Serena não consegue entender como as pessoas conseguem estar tão felizes a essa hora da manhã. Era cedo demais para tanta animação, tanta alegria, tanta energia. 

A única que não parecia tão animada era Francesca, que caminhava calada. Porém, ela não parecia ter um pingo de sono. Provavelmente ela estava em algum universo paralelo, imaginando como seria o mundo se John Constantine não existisse. Pelo sorriso abobalhado dela, com certeza seria um lugar melhor.

— Francesca, que dia é hoje? — perguntou Julie, esquecendo completamente o assunto do professor de Geografia. Era incrível sua capacidade de mudar de assunto em questão de segundos.

— Oi? — respondeu a morena, voltando à realidade. Era como se a aterrizagem de volta a terra fosse turbulenta, pois ela parecia tonta enquanto olhava confusa para Julie.

— Não é nada, só queria que você esquecesse Netuno só um pouquinho para poder focar aqui — disse Julie, dando um sorriso de desculpas para a amiga, que não esboçou reação.

— Esquece Netuno não, Fran, elas tão falando de homem — disse Serena, recebendo um olhar abismado de Catt.

— Como se você não gostasse! — exclamou a morena, como se aquele fosse o maior absurdo que ouviu em toda sua vida. Serena revirou os olhos.

— Eu gosto, mas tem coisas muito mais interessantes para se conversar! — debateu Serena

— Mas… — Catt ia completar quando uma figura feminina parou em frente as quatro.

Não precisaram pensar muito para reconhecer.

Emma Constantine não havia mudado nada nos últimos meses; pele alva, cabelos negros e olhos cor de avelã. Ela era conhecida por ser a fofoqueira do colégio — mas, no grupo de amigas, ela sempre seria a ex-cunhada de Francesca. Emma não fazia parte de nenhum grupo específico, ela se aproximava das pessoas e conversava e, quando cansava, ia para outro. Era quase como uma nômade dentro da escola.

— Olá, amigas! — exclamou Emma, ficando ao lado de Serena, entrelaçando os braços com os da morena. Serena revirou os olhos. Não gostava que a maioria das pessoas a tocassem; e Emma era uma dessas pessoas. E, além do mais, elas nem eram amigas.

— Oi — respondeu Julie, prestando mais atenção em alguém que passava do que realmente na menina.

Francesca e Cattleya apenas afirmaram com a cabeça. Francesca não falava com Emma desde que terminara com o irmão dela numa festa de família do mesmo. Parece cruel, mas ele mereceu. Emma vem agido como se Francesca não existisse, e a italiana retribui o gesto com todo prazer. Cattleya, mesmo que não tenha nenhuma confusão com Emma, prefere não falar, também, para apoiar Francesca. Fazer mal a alguma das suas amigas era como a morte para ela.

— Vocês souberam que chegaram mais alunos na turma de vocês? 4 alunos e 3 alunas — disse Emma. Ótimo, pensou Serena, pelo menos ela foi direta desta vez.

— São saudáveis? — perguntou Julie, que recebeu uma cotovelada de Catt.

— Pouco me importa se chegaram novos alunos, não vou falar com eles mesmo — disse Francesca, que fez Serena rir.

— Acho que você tá andando tempo demais comigo — disse, dando dois tapas no ombro da amiga.

— Afastem Francesca Matarazzo da Serena, por favor — brincou Catt, enquanto Serena fingia que estava ofendida. 

Julie e Emma engataram numa conversa onde só pararam quando o sinal tocou. Após Emma ter se despedido, Julie olhou em volta e procurou suas amigas, que pareciam discutir por alguma coisa. Ao chegar perto quase revirou os olhos, pois aquilo, definitivamente, não era uma discussão.

— Se Matemática fosse uma pessoa, ela seria que nem o irmão da Serena — disse Catt.

— Ei, meu irmão é legal! — protestou Serena, enquanto Cattleya negava veemente com a cabeça.

— Eu fui na sua casa e ele nem pra me dizer um oi — reclamou Cattleya

— Ele só é tímido — justificou Serena.

— Gente, alguém sabe qual é a nossa primeira aula? — perguntou Francesca, fazendo Cattleya e Serena olharem para ela durante vários segundos, tentando processar o que ela havia dito.

— Sei lá, Fran, não sei nem qual é a minha — disse Cattleya, dando de ombros.

— É Química, com o professor Cristiano Ronaldo — disse Serena, apertando a alça da mochila.

— Cristiano Ronaldo? Ele é brasileiro, então? — perguntou Cattleya.

— Brasileiro? Até parece que brasileiro teria um nome tão horroroso como Cristiano Ronaldo né, que são dois nomes que NÃO combinam? Deve ser português — disse Francesca. Julie, que estava prestando mais atenção ao seu celular, parou de digitar na hora.

— Do fundo do meu coração, Francesca Matarazzo, vai se foder — disse Julie. Ela estava claramente irritada.

— Calma, Ju, ela só tá brincando — disse Serena.

Julie revirou os olhos e seguiu andando sem olhar para trás até a aula de Química, embora soubesse que elas iriam a seguir, já que iriam para o mesmo lugar. Quando chegaram à sala elas foram para o lugar de sempre: Julie e Serena juntas, Cattleya com John e Francesca sentava-se com Leah. Embora ela tenha saído da escola, Francesca sentou-se no seu lugar habitual mesmo assim. Não demorou muito para perceber que alguém tinha sentado ao seu lado.

— Olá — disse alguém, que Francesca não fez muita questão de saber quem é.

— Oi — disse, sem emoção alguma. Com certeza era algum dos alunos novos.

— Sabe, da onde eu venho é falta de educação não olhar para a pessoa enquanto fala — disse, com um tom simpático. Francesca se rendeu e se virou para encarar a pessoa ao lado.

Era um garoto que parecia ter sua idade. Os olhos dele pareciam ser castanhos, mas ela não tinha muita certeza disso. Seu cabelo de tom médio estavam penteados para o lado, e seu sorriso era cativante. 

— Me desculpa, mas da onde eu venho isso não é falta de educação — respondeu Francesca, tímida, enquanto tentava olhar para outro canto que não fosse os olhos do rapaz.

— Eu sei, e não é em lugar algum, é que eu queria que você me olhasse — ele disse, rindo. Francesca ia responder, mas o professor entrou na sala no exato momento.

Professor que não parecia professor, aliás.

Graziella, mãe de Francesca, sempre a ensinou a não julgar as pessoas pela aparência. Porém, as vezes, isso era quase impossível. O professor Cristiano Ronaldo não parecia um professor, só de Educação Física, talvez. E, sinceramente, pela cara dele, ele não fazia ideia do que estava fazendo ali.

— Olá, turma, meu nome é Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, mas podem me chamar de Cristiano Ronaldo, apenas. Eu sou professor de Química. Bom, como devem ter percebido, eu sou português e meu italiano não é perfeito, então, vocês podem me dar uma ajuda — ele disse. Em seguida ele colocou seus materiais sob a mesa e começou a escrever qualquer no quadro.

Francesca virou-se para olhar para Julie e deu seu melhor sorriso de “eu falei”. A morena deu a língua e o dedo do meio para a amiga, mas logo em seguida riu.

— Então, você é daqui de Roma mesmo? — perguntou o rapaz, parando de copiar para fitá-la.

— Na verdade, segundo o script, você tem que perguntar o meu nome primeiro — disse Francesca, rindo, enquanto abria seu caderno de One Direction e começava a copiar. Por sorte ele não viu a capa do caderno, pois, com certeza, levantaria e iria se sentar com a diretora.

— É verdade. Meu nome é Mario Götze, e o seu? — perguntou, estendendo a mão para Francesca. Será que ele se esqueceu que tinha conteúdo no quadro para copiar?

— Francesca Matarazzo. E não, eu sou de Milão — respondeu Francesca, apertando a mão de Mario.

— Sério? Milão parece interessante — ele disse, passando a mão no queixo. Francesca sorriu e, quando ia começar a copiar, ele fala de novo:

— Mora com os pais? — perguntou

— Moro — respondeu, colocando a data no topo da folha.

— É adotada? — perguntou, direto.

Isso incomodou Francesca.

— Como você sabe? — perguntou, levantando uma sobrancelha. Ele sorriu simpático, como se aquilo não importasse.

— Intuição, Cesca — respondeu. Cesca.

Naquela conversa, o professor Cristiano brigou com aproximadamente 5 alunos por conversar. Porém, Mario falava a vontade e ele não falava um piu sobre isso. E nós estávamos na frente dele!

— Conhece o professor? — perguntou Francesca. Mario negou com a cabeça, mas o sorriso não desapareceu do rosto.

Mario era uma pessoa curiosa, isso era um fato. Enquanto Francesca copiava o conteúdo, ela podia sentir o olhar de Mario sobre si. Ela não se atrevia a olhar de volta. Ela não era uma renegada, mas, mesmo assim, era estranho alguma pessoa — desconhecida, ainda por cima! — ter uma curiosidade tão grande por ela. Até porque, dentre suas amigas, Francesca se achava a mais sem graça. Cattleya era linda e sociável, uma daquelas pessoas que não tinha como não gostar; Julie era linda também, e não gostava de se prender a ninguém; Serena era fechada, verdade, mas era tão misteriosa que intrigava a todos no colégio; E tinha Francesca, a que se destoava do grupo. Ela não era rica como as amigas, ou seja, era bolsista. Era a mais inteligente, mas, sinceramente, ninguém se importava muito com as notas boas de Francesca no boletim. E, além do mais, ela não se achava tão bonita quanto as outras três. Quando alguém se aproximava, era para conversar com suas amigas, e não com ela. E então Mario se mostra tão interessado assim por ela. Ela se sentia estranha, mas, ao mesmo tempo, bem. Talvez, pela primeira vez na vida, Francesca sentiu como é bom ter alguém que se interessa por você de alguma forma.

— Ela se parece tanto com a mãe… — disse Mario, atraindo a atenção de Francesca.

— Como? — perguntou Francesca, franzindo o cenho.

— Eu não falei nada — disse Mario. O sorriso dele diminuiu um pouco, mas ele continuava lá.

— Já te disseram que você mente muito mal? — perguntou Francesca, parando de copiar para olhar diretamente para Mario.

— Não, porque nunca precisei mentir para ninguém. — disse Mario colocando a mão no queixo, como se estivesse pensativo — De qualquer maneira, não vou te dizer o que falei.

— Então você disse alguma coisa! — Francesca exclamou, colocando a mão na boca em seguida, pois tinha falado muito alto, mas ninguém pareceu dar muita importância, tirando os novatos que estavam sentados lá atrás.

— Disse, sim. Porém, o que eu disse vai morrer comigo — ele disse, e Francesca bufou de chateação.

— Você vai ver, eu vou me vingar — disse Francesca, cruzando os braços.

— Não vai, você não é vingativa — ele disse, dando de ombros.

— Como você sabe? Você não me conhece! — ela disse, injuriada.

— Quem disse? — perguntou Mario, e, no mesmo instante, a voz em sua cabeça se agitou. Ela falava algo, mas Francesca não conseguia entender as palavras, como se ela estivesse falando em um idioma distinto

No mesmo instante, o sinal tocou. 

— Bom, Francesca. Prazer em te conhecer — ele disse, o sorriso dele triplicando de tamanho. Ele deveria parecer o coringa sorrindo desse jeito, mas ele ficava ainda mais fofo quando fazia isso.

— O prazer é todo meu, Mario — respondeu, sincera. Era verdade. Apesar dele ser meio estranho, ele parecia ser legal.

— Espero que possamos ser amigos — ele disse, levantando-se. Francesca lembrou que não tinha copiado nem metade do dever de Química, mas não se importou com isso. E nem com o fato do professor não ter brigado com ela por falar tanto.

— Também espero — ela disse, recebendo um último sorriso de Mario antes dele se retirar da sala.

Talvez falar com os novatos não fosse tão ruim assim. 

— Nossa, que garoto estranho, Francesca. Tu só arruma gente bizarra — disse Serena, fazendo Francesca levar um susto. Cattleya e Julie ainda estavam na sala, guardando  material e conversando como se não houvesse amanhã.

— Inclusive você, né? — rebateu Francesca, rindo da falsa cara de tristeza de Serena.

— Pelo menos eu não conheço as pessoas antes de ao menos falar com elas — argumentou Serena, e Francesca teve que concordar. Mario era fofo e simpático, mas muito estranho, ao mesmo tempo.

— Pelo menos alguém está interessado em mim — disse Francesca, batendo palmas — Aliás, é muito feio ouvir conversa alheia.

— Eu não ouvi conversa alheia, vocês que falam muito alto! — Serena bateu na testa de Francesca, como se fosse óbvio — E aquele garoto lá de trás também está interessado em você.

— Mas o Gian não conta porque ele só gosta de mim porque acha que eu pareço com uma atriz pornô — disse Francesca, revirando os olhos.

— Não estou falando do Gian! Estou falando do novato que estava sentado lá atrás. A Julie conversou muito com o amigo dele — disse Serena, ajeitando a alça da mochila.

— A Julie conversa muito com qualquer ser do sexo masculino. E por que acha que ele está interessado em mim? Talvez ele só estivesse olhando — rebateu Francesca.

— Ele falou de você para o outro amigo dele, que, no caso, não é o mesmo amigo que Julie estava conversando. Os nomes deles são Antoine, James e Erik, mas não percebi a ordem. Vou perguntar para a Emma — disse Serena e, olhando no relógio que sempre usava, ela quase deu um grito — Francesca Matarazzo, temos que ir para a aula de Teologia AGORA, estamos dez minutos atrasadas e a professora Eveline é uma chata.

Francesca e Serena saíram correndo da sala e, ao chegar à sala de Teologia, encontraram um outro professor escrevendo no quadro. As duas estranharam pois Eveline já era professora de Teologia há anos, e ela era professora da turma delas, pelo menos até sair o cronograma delas. 

— Olá, Francesca Matarazzo e Serena Lestranger, estava esperando por vocês — O professor bateu forte com o giz no quadro-negro assim que pronunciou a última palavra — Só faltava vocês. Aliás, Serena, sua fama de chegar atrasada em aulas percorreu o mundo e chegou em meu ouvido.

Serena ficou quieta, embora sua vontade fosse de revirar os olhos e mandar o professor se foder. Por um momento, ela chegou a sentir saudades de Eveline.

— Eu dividi as duplas, porém, as senhoritas não estavam presentes. Essas duplas permanecerão o ano todo, vocês sabem como funciona a escola, não é? E estou passando dever no quadro. Sorte de vocês que o senhor Durm e o senhor Griezmann estão, assim como vocês, sem dupla. Vão antes que eu me estresse — disse o professor que nenhuma delas sabia o nome ainda. Que irritante.

Quando Francesca foi para os dois lugares vagos que, felizmente, eram um atrás do outro, sentiu sua espinha gelar. Tinha dois rapazes, e ela não sabia quem era Griezmann e quem era Durm. Ela foi pela lógica: mann é um sobrenome alemão, portanto, o que mais tinha cara de alemão deveria ser o dono dele.

— Ei, você é o Griezmann, não? — perguntou Francesca para o garoto sentado. Ele olhou para ela com curiosidade, e deu um meio sorriso.

— Não, eu sou o Erik. Antoine Griezmann é o cara da frente — Antoine virou a cabeça para encará-la assim que ouviu seu nome sendo citado, e o rosto dela ficou completamente vermelho.

— Ah, perdão — ela disse, baixo, enquanto sentava-se ao lado do verdadeiro Griezmann, desta vez.

Francesca encarava a carteira enquanto tirava seu caderno da mochila, e suspirou fundo quando ouviu um risinho vindo do lado. Era exatamente por isso que ela não gostava de sentar perto da maioria dos meninos da escola: eles não entendiam que não era infantil usar caderno dos ídolos, que infantil era eles ficar falando da bunda de cada garota que passa. Infelizmente, discutir com eles e com uma parede é a mesma coisa.

— Pensei que estava no Ensino Médio, e não no jardim de infância — disse a voz aveludada do lado. Francesca suspirou e fechou a mão, cravando as unhas na palma da mão. Nem era caderno de desenho, era do One Direction! Não tinha nada de infância.

— Eu sabia que estava no jardim de infância assim que olhei para a sua cara — rebateu Francesca e Antoine fez um muxoxo.

— Ok, você ganhou. Me rendo — ele disse, levantando as mãos. Francesca revirou os olhos e decidiu copiar a matéria que estava no quadro, pois aprender a origem do Cristianismo era mais interessante do que argumentar com ele, de qualquer maneira.

— Acho que começamos mal, Matarazzo. Vamos voltar ao início. Meu nome é Antoine, mas você já sabe disso — ele disse, e Francesca parou de escrever abruptamente.

— Me chama de Francesca — reclamou a moça. Detestava quando a chamavam apenas pelo sobrenome, parecia a mãe dela quando estava com raiva.

— Tudo bem, Matarazzo — ele disse, fingindo que estava se rendendo.

— Você gostou de me irritar, hein? Vai copiar a matéria e esquece que estou sentada do seu lado — esbravejou Francesca, o que arrancou alguns risos de Serena e Erik atrás de si. A voz da moça era fina e aguda, fazendo ela parecer uma criança de 11 anos. Esbravejar não era a área dela.

Felizmente, Antoine não riu.

— Você só está irritada comigo porque eu falei do caderno do One Direction, esta é a verdade. Aliás, não preciso copiar a matéria. Já sei tudo — ele disse, dando de ombros.

— Ok, você está certo. Vou fingir que você nunca falou nada deles, senhor-sabe-tudo-de-Cristianismo — ela disse, e ele riu do que ela o chamou.

Antoine era diferente de Mario. O último parecia querer agradá-la, ser gentil com ela a todo custo, e até mesmo virar um amigo. Já Griezmann era mais descontraído, mais natural, completamente nem aí se chamá-la de Matarazzo a irritava. Antoine era uma versão aparentemente melhorada dos garotos da escola, e Mario era completamente diferente de todos.

— Eu sei que sou bonito, não precisa ficar encarando — ele disse, colocando os pés na carteira da frente, o que gerou alguns resmungões da pessoa que estava ali sentada, mas Antoine pareceu não se importar.

— Estou encarando você pensando em outra pessoa — ok, isso era meio verdade.

— Poxa, assim você me magoa — disse Antoine, fingindo que estava chorando. Francesca, mais uma vez, revirou os olhos.

— Vou pedir ao diretor que avise seus pais que seus olhos precisam de escuridão há cada 2 minutos, aí você revira os olhos toda hora — ele disse, e Francesca jogou a borracha nele. Bem, tentou, já que a borracha caiu no chão que, felizmente, Erik pegou e devolveu. 

— Você é um idiota, por isso copiarei em vez de te dar atenção — ela disse, escrevendo o título no início do caderno, sendo que o professor já estava escrevendo a terceira parte.

— Você deu atenção ao Mario e nem copiou — ele reclamou, cruzando os braços.

— E você sabe o nome dele? — perguntou Francesca, não parando de copiar.

— Se eu não soubesse, eu não chamaria ele pelo nome, né? — disse Antoine com deboche na voz, e dessa vez ela mereceu.

— E da onde vocês se conhecem? — ela perguntou, parando de copiar para prestar atenção ao rapaz que estava ao seu lado.

— A curiosidade matou o gato — ele disse, e Francesca se conteve de revirar os olhos.

— Responde, por favor — ela pediu, esticando o braço até a mesa de Antoine e deitando a cabeça sobre ele.

— Perguntas, perguntas, perguntas. Muitas perguntas me deixam entediado — ele disse, jogando as mãos na mesa, a ponta dos dedos tocando o braço fino de Francesca.

— Ah, chato — ela disse, olhando para baixo.

— Mas, se aceita conselhos, digo para tomar um certo cuidado com Mario. Ele é muito intrometido — reclamou Antoine, com uma certa raiva na voz. Seja lá o que tenha acontecido, não fora bom.

— E eu devo tomar cuidado com você? — perguntou Francesca. A pergunta veio súbita, como se alguém controlasse a boca da italiana, tanto que até ela se impressionou quando a proferiu. Antoine, por outro lado, não parecia impressionado.

— Claro que não, Matarazzo. Eu sou inofensivo — ele disse docemente, como se estivesse falando com uma criança de quatro anos. Ele era meio bipolar.

— Francesca e Antoine, parem de namorar e prestem atenção porque só tenho cinco míseros minutos para falar do trabalho — disse o professor, e Francesca corou fortemente, levantando a cabeça para fitar o professor imediatamente. Tentou ignorar as risadinhas dos colegas, mas era impossível.

— Esse trabalho é longo, portanto, deverá ser entregado ao fim do terceiro bimestre. Vocês farão em dupla, e elas já estão formadas. É só isso — disse o professor, parecendo extremamente cansado e irritado, jogando-se na cadeira e tirando os óculos com agressividade. Instantes depois o sinal tocou.

Antoine não disse nada, apenas levantou-se e saiu com Erik e mais alguns meninos. Francesca suspirou ao olhar o caderno com quase nada escrito, e o guardou na mochila um pouco decepcionada, pois teria que pegar a matéria toda com Serena ou Catt depois.

— Que professor babaca — Francesca deu um pulo ao ouvir a voz de Cattleya atrás de si, e pôs a mão no peito.

— O Antoine é mais legal que o Mario — disse Serena, e Francesca revirou os olhos.

— Você gosta sempre dos caras mais idiotas possíveis, Serena — disse Francesca, levantando-se já com a mochila nas costas.

— Isso não é verdade! Só que o Mario é muito estranho, já o Antoine é mais idiota, porém menos estranho, consegue entender? — perguntou Serena, enquanto elas saíam da sala e andavam depressa até o refeitório.

— Eu não sei se eles são idiotas pois só olhei para a cara deles — disse Cattleya, apontando a palma da mão para Serena. Era uma mania de D'Angelo: gesticular muito enquanto fala.

Elas seguiram conversando até o refeitório, onde pegaram a refeição e sentaram-se na mesa mais próxima da porta. Julie, mesmo ainda chateada, já estava se soltando um pouco mais, levando em conta que a amiga só estava brincando. Elas conversavam animadamente quando ouviram uma voz grave:

— Quer dizer que a senhorita é tão, mas tão rápida que depois de um ano de namoro e dois meses do término já dá confiança para dois no mesmo dia? — pergunta John, referindo-se a Francesca, que levou um susto.

— Eu não dei confiança para ninguém, Constantine, e mesmo se tivesse, você não tem nada a ver com isso, pois não somos namorados e a dona da minha vida sou eu — disse Francesca, olhando com nojo para o homem a sua frente. Não sabia como tinha conseguido namorar ele por tanto tempo.

— Sua desgraçada, você me paga! — disse John, segurando o pulso de Francesca com força.

— Olha aqui, seu babaca, se você não largar ela eu vou enfiar essa faca em você — disse Cattleya, apontando uma faca para ele, deixando Serena desesperada.

— Cattleya, para de ser doida! — disse a britânica, tremendo enquanto tentava tirar a faca da mão da catalonha.

— Cale-se, Lestranger — respondeu Cattleya, séria, sem ao menos olhar para a amiga. John soltou o pulso de Francesca, que estava avermelhado e dolorido agora. Antes de se afastar, ele olhou para a mesa do lado, onde estava sentado o grupo dos novatos. Antoine, irônico, deu um sorriso debochado para o loiro, que bufou de raiva antes de sair como um furacão do refeitório.

O dia seguiu seu curso normal, sem nenhum John para importunar a vida de Francesca. Depois das aulas, elas foram para a casa de Serena — contra a vontade da mesma —, para verem um filme e dormirem um pouco antes de ir para o Black's Bar. 

Era tradição no Roma Internazionale os alunos se reunirem no Black's Bar toda segunda-feira, para tirarem um pouco da tensão própria deste dia da semana. Paul Nepo, dono do bar, era um britânico que tinha vindo tentar a sorte na Itália. Sem criatividade para o nome, ele decidiu colocar a sua cor de pele como título. 

— Garotas Malvadas 2, sério? Esse filme é um lixo — disse Serena, com o DVD de Julie nas mãos, enquanto elas se acomodavam no sofá.

— Lixo é você! O primeiro foi bom — rebateu Julie, jogando uma almofada em Lestranger.

— O primeiro foi bom, mas o segundo é péssimo, tenho certeza que vocês vão dormir assistindo — disse Serena, convicta.

Elas acordaram horas depois, percebendo que faltavam apenas uma hora para irem para o Black's Bar.

— Serena, você não tem despertador não? — perguntou Cattleya, claramente irritada e de mau humor.

— Eu não pensei que a gente fosse dormir, droga! — respondeu Serena, mais irritada ainda.

— Sere, você tem alguma roupa para me emprestar? — perguntou Julie, saindo do banheiro com uma toalha ao redor do corpo.

— Tenho, sim — respondeu Serena, procurando os sapatos que tinha separado no dia anterior.

Julie foi a última a ficar pronta. Quando terminaram de se arrumar, já tinha se passado uma hora desde que a turma chegara no bar, e Cattleya reclamou enquanto se arrumava, enquanto Serena dirigia para o bar e até mesmo ao chegar lá. Quando ela queria ser chata, ela conseguia com perfeição.

— Meu Deus, Cattleya, cala a boca — disse Francesca, suspirando logo em seguida.

— Mas nós fomos as últimas a chegar! — reclamou a morena.

— Quer saber? Vou dançar um pouco, vocês duas estão insuportáveis — reclamou Francesca, levantando-se do banquinho e indo para a pista de dança, onde muitos alunos estavam.

A grande verdade é que Francesca era péssima dançando. Ela só queria ficar longe das amigas, não por Serena, mas sim por Cattleya. Julie já estava se agarrando com alguém em algum lugar da festa, então a última saída que tinha era “dançar”. Ela fingia que mexia a cintura enquanto os alunos dançavam de se acabar, e até esbarravam nela. 

Foi então que tudo começou.

Veio como uma dor de cabeça muito forte, e Francesca logo se preparou para ouvir a voz da mulher, provavelmente mandando ela sair dali. Porém, ela ouviu ruídos, muito ruídos, e uma voz masculina. Ele falava em outro idioma, então ela não conseguia compreender. E preferia ter continuado sem conseguir entender.

— Você é amaldiçoada, Francesca. Você pode correr, mas não pode se esconder para sempre — a voz causou um forte arrepio em Francesca, que chegou a jogar a cabeça para trás. Era como se a voz pudesse tocá-la, causando inquietação em todo corpo.

As pessoas dançando alegremente logo saíram da visão da jovem, e ela se viu bebê. Ela estava no colo de uma mulher linda que se parecia muito com ela. Ela beijava-lhe a cabeça enquanto a balançava em seus braços.

Depois, a visão mudou. Ela estava com calor, muito calor. Ela sentia chamas invisíveis a tocando, queimando a carne. Carne. Carne queimada. Aquele lugar cheirava a carne queimada. Humana. Ela gritava, mas não ouvia apenas os gritos dela. Eram gritos de muitas pessoas. Ao olhar para o lado, uma mulher afundava no próprio abismo emocional, enquanto se desintegrava em cinzas, mas depois o pesadelo começava novamente. E isso acontecia o mesmo com Francesca. O processo de regeneração era doloroso. E eterno.

— Nós viemos para te buscar, Francesca — disse a voz masculina, e Francesca voltou a realidade, desnorteada, como se tivesse acordado depois de um coma.

— Francesca, saía daí — disse a voz feminina abtual. A voz era chorosa, preocupada. — Não se importe com o que eles dizem. 

Eles

— Fran, você está bem? — perguntou Julie, com o batom borrado e com o cabelo desarrumado. Francesca se jogou nos braços dela, que a abraçou como uma mãe abraçaria sua filha que caiu de bicicleta.

— Me leva para algum lugar, Julie, por favor — implorou a mais nova, chorando tudo o que tinha segurado.

Depois de chamar rapidamene Serena e Cattleya, que tinha passado de chatice para preocupação. Mario tinha perguntado o que havia acontecido com Francesca, mas aquilo era um segredo delas, apenas delas. Os outros novatos pareciam apreensivos, e eles foram os únicos que perceberam o que tinha acontecido. Elas saíram rapidamente do local, mas Francesca olhou para trás uma última vez.

E tudo o que ela encontrou foi um par de olhos cinzas a fitando. 


Notas Finais


Desculpa pela demora, a minha internet é um lixo e eu vim na casa da minha amiga para postar. Espero que gostem!


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