História Devore-me - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, J-hope, Jimin, Jin, Jinyoung, Jungkook, Mark, Rap Monster, Suga, V, Youngjae, Yugyeom
Tags 2jae, Antarctic, Bangtan Boys, Boy Love, Bts, Gay, Got7, Jackbam, Jihope, Lemon, Markjin, Meudeusquantatagaqui, Namjin, Taegi, Yaoi, Yugkook
Visualizações 64
Palavras 4.434
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Escolar, Festa, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


eu acho esse capítulo tão adoravelmente fofo que não entendo como saiu da minha mentezinha perturbada
sério
eu tenho três palavras para descrever:

"meu santo sorvetinho"

boa leitura galeris, até as notas finais ^-^

Capítulo 5 - Mint Chocolate Chip


Fanfic / Fanfiction Devore-me - Capítulo 5 - Mint Chocolate Chip

- Você... Ahn, n-não precisa ficar assim... – tentei reconforta-lo, batendo amigavelmente em suas costas.

Nem vem me julgar! Eu já sou bem ruim consolando meus amigos, que eu realmente amo e me sinto mal ao vê-los tristes. Agora consolar Jackson? Por mim, eu pisava nele só para o cara chorar mais.

Só que meu futuro acadêmico estava dependendo da boa vontade desse cara, e lágrimas para mim já bastam as que caem em minha prova, obrigado.

- Não precisa ficar me consolando – murmurou, fungando e enxugando as poucas lágrimas que sobraram em seu rosto – Vamos voltar aqui. Por onde quer começar?

- Wang, sério, não precisa fazer isso – falei, eu tentei demonstrar que sou uma pessoa altruísta que se preocupa com o bem-estar até mesmo do pior inimigo, entretanto a verdade era que eu simplesmente não queria fazer aquilo. Usar os problemas pessoais de Jackson como desculpa era uma alternativa maravilhosa para a minha pessoa – Eu posso ir falar com Namjoon e explicar que você tá, sei lá, passando mal. Não é como se ele fosse brigar contigo mesmo, você é todo perfeitinho.

Claramente eu resmunguei a última parte, com aquele tom de desgosto e asco que eu adoro jogar na cara de Jackson. Apenas para ouvi-lo retrucando com alguma piada idiota. Mas ele não retrucou, o loiro apenas deu de ombro e se levantou.

Jackson Wang chateado era entediante!

- Eu não vou interromper a aula, só vou ao banheiro. Espere por mim.

O plano era ótimo, Bambam. Era mesmo. Mas essa foi uma falha épica.

Fiquei evoluindo ornitorrincos em meu celular enquanto esperava a volta do Rei. Meu dinheiro acabou e não havia mais nada a ser evoluído, até minhas joias marcianas já estavam acabando e eu descongelara os ornitorrincos de Netuno umas três vezes, mas nada do Jackson voltar.

Bufei alto diante da probabilidade do cara ter simplesmente ido embora, rindo da cara que eu deveria estar fazendo continuando ali plantado. Contudo, seu material escolar ainda estava sobre a mesa, ao meu lado. Jackson era burro – na verdade não era, só que eu gostava de fingir que sim – mas não tanto a ponto de esquecer o trabalho que temos de entregar amanhã.

Levantei-me, guardando meu material e o do loiro. Sabia muito bem onde ele estava e o que estava fazendo. Na verdade, não sabia muito bem. Havia a pequena probabilidade de ele estar se cortando ou ter cometido suicídio, mas, na minha concepção de mundo, ele provavelmente estava encarando seu próprio reflexo no espelho do banheiro há muito tempo, perguntando-se o que havia de tão errado consigo para tudo estar aquela merda.

Claro que isso é só uma suposição, eu não estou dizendo como experiência própria...

Enfim, pendurei uma bolsa em cada ombro e fui averiguar. Olhei nos banheiros mais próximos, mas não havia nem sinal de Jackson por ali. Nos seguintes também. Os banheiros do segundo andar estavam vazios, mas havia aquela última oportunidade. Ninguém nunca usava os banheiros do subsolo, afinal ficavam no subsolo! Descer três lances de escadas para dar uma mijada? Não, obrigado.

E, na verdade, acho que foi esse pensamento que os fez tão atrativos para Jackson, por isso resolvi seguir o tal caminho até parar diante das três cabines do banheiro e ao lado de Jackson.

Seu rosto estava vermelho, seus olhos inchados e ele, tal qual eu imaginara, encarava fixamente seu próprio reflexo. Uma expressão indefinida passeando pelo rosto, mas não pude evitar ver certo nojo em seu olhar.

Jackson já me olhara com nojo antes, com decepção e com desconsolo também. Mas nunca, durante todos esses anos que dividimos a mesma turma, eu o vi me olhar com tanto ódio quanto olhava para si mesmo nesse momento.

E de novo, lá no fundinho do meu coração, estava aquele sentimento ridículo e incomum. Olha minha cara de quem tem compaixão pelo inimigo! 

Mas não pude evitar a pontada de culpa no meu coração, diante da imagem injusta que eu mesmo fizera de Jackson. Bem, não injusta, porque ele continuava sendo tudo o que eu sempre pensara dele, mas, mesmo assim, agora ele tinha um motivo para ser tão cuzão...

Mas foda-se, eu continuo o odiando.

- Wang – chamei sua atenção, o fazendo tremer com o susto – Olha, isso não tá funcionando, então é melhor pararmos por hoje. 

- Eu já disse que não precisa, eu só preciso tomar uma água – retorquiu, voltando à inexpressão de seu rosto que exibira o dia todo.

Achei que seu sorriso provocativo me irritava, mas nada se compara a esse olhar sem emoções. É ainda mais irritante!

- E vai levar mais meia hora procurando o bebedouro? – o cortei, jogando sua mochila para ele e arrumando a minha no ombro – Para de ser teimoso e vai resolver sei lá que problema tá te deixando todo estressado.

- Não é bem algo que eu possa resolver sozinho... – sussurrou, abaixando os olhos.

Respirei fundo.

Mais uma vez.

Olha, francamente, eu cago para o Jackson. Se ele não insistisse em pegar no meu pé, sua existência seria completamente insignificante para mim. Só que não posso negar que, ultimamente, nós meio que compartilhamos do mesmo universo. Principalmente pelo fato de eu passar duas horas sozinho com ele, três vezes por semana. É insuportável, claro que é. Só que pelo menos ele faz umas piadas idiotas e deixa o clima menos estranho, só que esse Jackson – com o quadril apoiado na pia do banheiro e o olhar perdido no espelho – só serve para deixar as coisas tensas e pesadas. Será que ele não percebe que tá piorando meu inferno, saco?! Esse egoísmo dele diante do quão desagradável está sendo me deixa puto! Não vou lidar com a cara de cu alheia, muito obrigado. Se quero ver gente fodida na vida, carrego uma foto 3x4 minha, né?

- Então vai procurar ajuda. Fala com o Mark, ele é seu melhor amigo, ou então conversa com teus pais... – automaticamente ele levantou os olhos, percebi que estava entrando em terreno perigoso e recuei – Não importa qual seja seu problema, mas fala de uma vez. E, até resolver isso, você está demitido!

- Você não pode me demitir, não foi você quem contratou – o garoto retrucava, enquanto eu deixava o banheiro e seguia pelos corredores – Kunpimook, é sério! O diretor já está bravo com a gente por causa de ont-...

- Deixa que com o Namjoon eu me resolvo, e você se resolve com... Sei lá o que te perturba – me fiz de desentendido, afinal a última coisa que preciso é mais uma entrevista sobre minha vida pessoal e como sei sobre a vida pessoal dele – Então, como eu estou te dizendo desde que a gente sentou lá: por hoje chega!

O loiro pareceu ponderar a opção. Parou por alguns segundos, remexeu-se no lugar, torceu a barra da camiseta nas mãos e enfim suspirou.

- Tá, tudo bem, não precisamos estudar hoje, mas... – ah, vai com esse ‘mas’ à merda – Eu só não queria voltar para casa ainda... 

- Problema seu, vai achar uma menina pra traçar – retruquei, retomando meu caminho para fora da faculdade.

- Nah, eu quero conversar – respondeu.

- Então chama o Mark pra sair, ele com certeza se importa mais do que eu.

- Você é bem grosso para um cara que ficou me encarando a aula toda – provocou, apressando o passo para colocar-se ao meu lado.

“Oi? Tá tudo bom?”

- Te encarando? Que merda é essa agora? – exclamei, parando de andar, entretanto o loiro continuou a caminhar e quem teve de se apressar desta vez fui eu.

- Acha que eu não notei? E ainda ficava sussurrando com o Jinyoung, aposto que estava falando de como me acha perfeito e... – alguns segundos de reflexão com o outro olhando para o teto – Espera! Foi naquela aula que você falou que era apaixonado por mim!

- Ah, meu santo sorvetinho – resmunguei, rolando os olhos até encara-lo – Você tem a capacidade de interpretar tudo errado e eu nem preciso te confundir pra isso!

- Nem começa, eu ouvi muito bem o Jinyoung gritando que você estava apaixonado por mim e que-...

- Parece! PARECE! – berrei, interrompendo o fluxo constante de bosta saindo da boca daquele garoto – Ele disse que parece que eu estou apaixonado, porque o ódio que sinto por você não pode ser normal!

- Bem... – mas é claro que ele vai perguntar, né? – Então, você está?

- Não Jackson, eu não estou apaixonado por você – naquele ponto, já tínhamos alcançado a rua e eu desistira do raciocínio do mais velho – A sua capacidade de interpretação de texto é ridícula.

- Nossa, me ofendendo de graça? – colocou a mão no peito, com uma falsa expressão de mágoa no olhar.

- Não é de graça, você que me ofendeu primeiro!

- Mas ué, quando foi que eu te ofendi? – raciocínio rápido, assim que eu gosto! Que essa ironia seja compreendida, amém.

- Você disse que eu estou apaixonado por você, essa é a maior ofensa que eu já ouvi!

- Se te ofendeu, é porque é verdade!

Um sorriso malicioso passeou por seus lábios e eu não pude evitar sorrir também. Era meio reconfortante, sabe, ter um Jackson normal ali ao meu lado. Eu já o detestava demais quando ele estava sendo legal, ele mal-humorado causaria uma guerra mundial ou algo assim. Eu não estava preparado para uma guerra.

Foi só ao empurrar a porta do The Now, que percebi que eu o levara até ali, inconscientemente. Porque o primeiro lugar ao qual eu ia sempre era a cafeteria, com meu estômago reclamando, nem considerei mudar o caminho. A melhor parte sobre ir lá todos os dias era o passe VIP que conseguira com o dono, pai de Youngjae; agora eu pagava apenas metade do preço no chá gelado, nos sorvetes e nos mochis. Era praticamente o paraíso dentro de uma loja com decoração dos anos 80.

- Ah não, Bammie! De novo, meu? Você é uma decepção na minha vida, seu bosta! – foi a primeira linda frase que ouvi ao chegar lá, com Yug apoiado no balcão e Jae me apontando o dedo na cara, com aquela expressão que ele fazia quando estava possesso. E, pelo tom de voz usado, ele estava possesso – Não te criei pra virar um encanador!

- Nem cheguei e já vai agredindo, pra quê isso? – retruquei, no mesmo tom de voz – Yug, me defende!

- Eu não, você pediu por isso sendo todo cagado na vida!

- Teu merdinha! A gente se esforça sabe, damos nosso sangue para eles terem uma boa vida, e como retribuem? – revirei os olhos, ocupando um dos bancos e esperando o drama acabar – Tornam-se estes imprestáveis! Faltam nas aulas de reforço! Só trazem desgraça pra família, cospem no prato que comeram. Tu vais falar com teu pai quando chegarmos em casa!

- Jae, os ‘s’ começaram de novo – avisei, apoiando o rosto em uma das mãos.

- Olha aqui, peste, não começas a falar do meu sotaque de novo que eu lhe dou na cara!

- É que é tão bonitinho! – foi Yug quem exclamou, apertando as bochechas do garoto – Você parece Shakespeare e é sup-... Puta que pariu, é o Jackson!

Jackson sentara-se na mesma mesa que eu, praticamente ao meu lado. Seu olhar era uma mescla de tristeza, mas havia algum divertimento também. Não consegui interpretar seu significado, mas supus que isso era um avanço e dei de ombros.

- Traz um sorvete pra ele, de chocomenta – pedi a Jae, agradecendo o Sr. Choi por enfim ter colocado WI-FI na cafeteria da família e já entrando nas minhas redes sociais – Aliás, seu pai nunca mais vai te pagar? Eu quero ir ao cinema!

Jae apenas deu de ombros, indicando um não sei e suspirando. Franzi o nariz, eu realmente queria ir logo ao cinema.

- Eu nunca tomei sorvete de chocomenta – confidenciou-me o loiro, assim que os dois morenos sumiram dentro da cozinha.

Já estava prevendo ambos cochichando a meu respeito. Tudo o que me faltava.

- Como não? – voltei meus olhos do celular para o garoto, que apenas deu de ombros – Você nunca cansa de me decepcionar?! – ele riu, um pouco debochado, mas eu ignorei – Apesar de fazer sentido, chocomenta é o sorvete oficial da bad. Você não tem cara de quem fica na bad... Você ao menos chorou em Toy Story 3?

- Isso é confidencial – resmungou, com um bico emburrado. Apenas ri, já sabendo a resposta – Enfim, existe um sorvete oficial para isso?

- Claro que existe! Meu Deus, Jackson, você não sabe nada sobre a vida!

- Ah, desculpa, Sr. Experiência! – riu ainda mais, me fazendo arquear as sobrancelhas.

- Escuta aqui, eu sou formado em vinte anos de filmes da Disney e Pixar, tá legal? Tenho muito conhecimento adquirido sobre passar a noite chorando e segurando um pote de sorvete – nesse momento Jae voltou, com um chá gelado para mim (eu não pedi, mas se ele está trazendo, deve ser de graça) e o sorvete do garoto ao meu lado – Vai, toma aí. Prometo que se você não se sentir melhor, nem que seja um pouquinho, eu tomo o resto.

- Não sei se esse acordo é útil para mim – respondeu, pegando a primeira colherada – Não é ruim, mas não parece a cura para os meus problemas...

- Se não ajudou, então não reclama – revolvi, tomando a tigela de suas mãos e pegando uma colherada – Sempre me ajuda, porque eu nasci para viver a bad.

- Isso não é justo! – o garoto pegou meu copo de chá gelado e passou a tomar.

Se eu vou pagar sorvete e chá gelado para o inimigo? Ah, tá bom que vou. Jackson tava triste, não pobre. 

Estiquei minha mão para recuperar o copo em sua boca, entretanto o garoto desviou e abocanhou a colher que eu segurava, roçando seu nariz em meu pescoço antes de recuar com ela na boca. Fechei a cara, tendo de aceitar que ele realmente tomaria o sorvete e eu ficaria apenas com o chá gelado.

Ouvi risinhos vindos de trás do balcão e desviei meu olhar para lá, pedindo explicações através da minha expressão. Os dois garotos, que fingiam estar rindo de alguma coisa no celular, olharam para mim e gargalharam ainda mais alto sussurrando entre si qualquer coisa.

Eu tava sentindo a merda prestes a acontecer, mas eu resolvi ignorar, né. Uma hora ou outra alguém vai jogar essa merda no ventilador e vai sobrar pra mim, de qualquer forma.

Foi aí que percebi o que tinha rolado ali. Vários canudos e colheres compartilhadas... Ah, eles estavam rindo de um beijo indireto? Francamente, quantos anos esses caras têm? Doze? Se for pra beijar, eu beijo bem diretamente mesmo, porra.

Logo Yug voltou a ocupar seu lugar na mesa, do meu lado esquerdo – normalmente ele ficaria do direito, mas hoje Jackson estava ali – o moreno nos lançou diversos olhares indecifráveis antes de resolver começar uma conversa igual gente de verdade faz. Sabe, com palavras e gestos, mexendo a boca e saindo voz. Esse tipo de coisa que as pessoas deviam usar mais, ao invés de olhares tendenciosos na direção do seu melhor amigo há metros de vocês.

- Mas então, Jackson, por que vocês não estão na aula? – o tal melhor amigo perguntou, lá dos seus metros de distância de nós, como o bom fuxiqueiro que é.

- Ahn, o Kunpimook estava com fome, então resolvemos vir comer antes da aula... – olhei feio para o garoto. Jogar a culpa nos outros era minha especialidade, não podia ser usada contra mim!

- Mentira, você que estava todo distraído durante a aula, não tava funcionando! – me defendi, o encarando indignado.

- Bem, eu ando com alguns problemas, licença? 

- É muita irresponsabilidade da sua parte deixar sua vida pessoal interferir na profissional – o provoquei, com um tom claramente irônico.

- Falou o cara que ontem saiu batendo a porta porque eu disse que você era muito distraído...

- Quer mesmo entrar nessa conversa de novo, Wang? 

- Você interrompeu nossa discussão, como pode dizer que a conversa acabou? – por isso não mantenho diálogos com você!

- Se eu disse que acabou, então acabou!

- Não é assim que conversas funcionam, Kunpimook!

Estava prestes a soltar alguma palavra proibida na minha infância – que nunca vou entender porque proibiram, porque agora só acumulou na minha língua e eu acabo falando mais do que todas as outras – quando ouvi mais risinhos às minhas costas. Desviei da encarada mortal que eu e Jackson trocávamos, para focar nos morenos que tentavam segurar a risada, mas falhavam miseravelmente.

- O que foi? – o loiro fez a pergunta que eu elaborava.

- Nada, é só que, sei lá, de alguma forma vocês parecem muito com um casal puto da vida discutindo – assumiu Jae, levando Yug a explodir em uma gargalhada que ele nem tentara disfarçar.

“Que bando de arrombados!”

Arregalei meus olhos, completamente petrificado. Busquei apoio em Jackson – afinal ele também tinha sido descaradamente exposto ali – mas o garoto, ao invés de compartilhar da minha indignação, apenas soltou um risinho e piscou para mim, com aquela expressão libidinosa que ele sempre tinha em seu rosto. Um claro exemplo de babaquice aguda...

- Kunpimook, acho que devemos contar pra eles – o filho da puta falou, sorrindo malicioso – Então gente, é que assim...

 - Vai se foder – o cortei, enfiando uma colher de sorvete em sua boca e virando-me para falar com os outros, que pareciam um pouco chocados com o que Jackson começara a falar repentinamente – Ele tá zoando vocês, ainda somos inimigos e desejamos a morte lenta um do outro – um ‘uhum’ soou por parte de Jackson, me deixando satisfeito por esclarecermos esse ponto.

- Ele acabou de te chamar de Kunpimook? – Yug perguntou, os olhos levemente arregalados – Quem te chama assim?!

- Ele não me deixou chama-lo de Bambam, disse que só seus amigos o chamam assim – Jackson se justificou, não parecendo se importar muito com isso – E tipo, o nome dele é Kunpimook, então...

- Mentira! – Jae berrou, saindo do caixa para também sentar-se à mesa – Nenhum amigo dele o chama de Bambam, a gente chama ele de Mook – ah, esse maldito só me fode! – Bambam é o apelido formal dele, mas ninguém o chama de Kunpimook!

- Eita, pegou no pulo! – Yug complementou, porque, aparentemente, eu já não estava suficientemente na merda.

- Ele queria um apelidinho fofo – ambos riram.

- Sério, Mook? – Jackson entrou na onda, me fazendo bufar.

- É que eu tava puto com você, queria deixar claro que não somos amigos – falei, tentando mudar o foco da minha pessoa.

- E a melhor forma de fazer isso foi arranjar um nome que só ele usa? Ah, tá bom... - disse o mais baixo, franzindo o nariz.

“Alguém segura o Youngjae, pelo amor de Deus!”

- Eu só não queria ele me chamando de Bamb-... Por que estamos discutindo esse assunto mesmo?! – perguntei, em um grito agudo, que entregava o quão constrangido estava.

- Porque te ver agindo como um idiota é ótimo! – riu-se Jackson – Se você queria que a gente tivesse apelidos fofos, era só falar... Eu vou te chamar de... Ahn...

- Bammie! – os acastanhados opinaram, me fazendo arfar.

- Qual é! Eu não quero ele me chamando por apelidos! – reclamei.

- Tá tudo certo, você pode me chamar do que quiser, Bammie! – Jackson parecia muito mais empolgado do que a situação exigia.

- Eu não quero te dar nenhum apelido, socorro!

- Jack! – Yug opinou, refletindo – Esse é um bom apelido.

- Sonnie – Jae entrou na onda, também parando para pensar.

- Eu gosto de Sorvetinho! - falou o loiro.

Todos pararam de falar para encarar Jackson. Inclusive eu mesmo. Tudo o que conseguia pensar era que merda ele estava falando agora. ‘Ursinho’, ‘bolinho’, ‘amorzinho’, essas são expressões que você imagina chamando alguém. Agora ‘sorvetinho’? Gente, isso é esquisito demais até mesmo para meus padrões.

- Que merda de apelido é esse? – perguntei, quando percebi que todos pensavam o mesmo, mas ninguém parecia disposto a dizer – Esse sim é um apelido que namorados usam!

- É.

Pronto.

Foi isso que ele respondeu.

Um é!

É? Meu pau que é!

- Que resposta é essa? Nem faz sentido! – exasperei-me, levando as mãos à cabeça e bagunçando meus cabelos – Nós nem somos amigos, quanto mais namorados! Por que eu te chamaria de Sorvetinho?!

- É que você falou ‘meu santo sorvetinho’ mais cedo, lá no banheiro. Eu achei fofo, quero que você me chame assim.

Ah, certo. Agora tudo foi explicado e eu com certeza vou fazer isso.

“Pau no seu cu!”

- As vezes eu me pergunto se você escuta as coisas que fala – resmunguei, batendo a testa na mesa.

- Não dá para negar que eles parecem mesmo namorados – uma voz desconhecida soou sobre minha cabeça, fazendo-me deitar de lado na mesa para encarar o ruivo parado ao lado de Jinyoung, que acabara de chegar – Jackson, você é um pau no cu.

- Muito obrigado! – gritei, apertando as mãos de Mark freneticamente – Finalmente alguém expos essa verdade, amém Jesus!

- O que eu fiz agora, Mark? – Jackson se pronunciou, com carinha de gato abandonado.

- Você disse que íamos sair hoje, são quase cinco e meia e você nem foi pra sua casa!

- Ah, verdade, desculpa eu me esqueci! – o outro levantou-se rapidamente, procurando por algo nos bolsos – Ah, eu esqueci minha carteira!

Ah, sim. Esse olhar desesperado no rosto de Jackson foi algo que vivi para ver.

- Não se preocupe, eu já tinha posto na conta do Mook mesmo – Jae respondeu, fazendo um gesto desleixado com a mão.

“É o que? Eu odeio como os provérbios do mundo se aplicam a minha pessoa. Alegria de pobre dura pouco mesmo.”

- Valeu, Bammie – Wang me agradeceu, e eu só podia repassar mentalmente meu plano de assassinato, entretanto, quando estava prestes a sair, virou-se para nos encarar – Ahn, sabe... Eu meio que não sei voltar para casa por aq-...

- Ih, olha a hora, eu vou perder o ônibus, tchau gente! – e Yug sumiu pela porta.

- Nossa, quantos clientes sem atender, eu preciso ir! – e Jae sumiu pelo café.

- Jin, você precisa provar o croissant, vem! – Mark e Jin sumiram pelas mesas.

Sobrou eu. Um Jackson perdido. E minha intensa vontade de matar algum ser humano.

- Ah, supimpa – resmunguei, erguendo-me e seguindo o garoto até a porta – Você vai pagar meu lanche amanhã.

- Ué, por que?

- Porque eu estou te mostrando o caminho, então você vai pagar meu lanche. E se reclamar eu te largo em algum beco pra venderem seus órgãos – retruquei, já seguindo na direção que fizera mais cedo – Aliás, como você não lembra o caminho de antes?

- Eu sou meio ruim com direções, sabe...

- Sei, bem, a escola fica umas quatro quadras daqui, então você deve ser um lixo mesmo.

“Nota mental: jogar Jackson em uma floresta é a melhor forma de assassinato.”

O loiro apenas soltou um riso soprado e continuou a me seguir. Eu achava muito estranha essa mania dele de rir das coisas que eu falava, mas resolvi não comentar nada. Era raro fazer o garoto calar a boca, eu que não começaria um assunto, provavelmente falando sobre o tempo. Se o silêncio existe, graças a Deus que existe.

- Sabe, Bammie – viu só? Eu lá preciso puxar assunto com essa praga? Ele caga assunto pela boca!

- Você não precisa mais me chamar de Bammie, eles não estão mais aqui para zoar.

- Mas eu quero te chamar de Bammie – senti um tom ofendido em sua voz, então simplesmente dei de ombros.

- Ah que se foda, faz o que quiser.

- Enfim, Bammie – certo, essa frisada eu sei que foi proposital, não caia nessa Bambam – Eu queria agradecer. Tipo, eu acho que aquela história do chocomenta funcionou, porque eu realmente estou me sentindo melhor agora.

Não que eu me importasse, digo e repito, eu cago para o Jackson. Ele chorando ou ele rindo, que se dane. Mas foi um alívio saber que eu não sou o único que gosta de chocomenta. Já estava começando a me achar bem estranho por causa disso.

- Eu falei, sou um especialista em viver a bad, bebê – respondi, com um sorriso convencido.

- Bebê? – perguntou, sorrindo malicioso.

- Para de se achar tanto, eu chamo todo mundo de bebê!

- Tá bom, entendi – mesmo assim, ele ainda ria debochado – Bem, acho que você também ajudou, sabe, não foi só o sorvete. Então, obrigado.

- Beleza, mas não espere um abraço ou algo assim – sibilei, seco.

Eu conhecia Jackson. Ele vinha com palavras fofas e agia todo faceiro, pra dar o bote e zoar com minha cara. Eram anos de experiência no ramo do bullying. Acredite em mim.

- Eu não ia pedir um abraço mesmo, trouxão! – retrucou, cruzando os braços – Olha minha cara de quem quer te abraçar... Isso seria idiota e ridículo, sem sentido nenhum... - seu rosto carregava um bico enorme e eu fingi acreditar que ele nem tinha pensado nessa opção.

Alguns passos e lá estava o portão da faculdade, Jackson parecia menos tenso quando percebeu que eu realmente não o estava levando para alguma boca de fumo por aí.

- Está entregue, princesa – zombei, já me preparando para correr até o ponto mais próximo a tempo de pegar algum ônibus até em casa antes das seis da tarde.

- Valeu, agora eu acho que decorei – comentou, porém sem desviar os olhos de meu rosto, tornando a situação um tanto desconfortável.

- O caminho até o The Now? – perguntei mais por perguntar mesmo, porque aquela encarada silenciosa já estava durando tempo demais.

- Ah, não. O seu sorriso.

Jackson acenou para mim antes de subir em sua moto e sumir em alguma esquina, deixando o eu atordoado plantado no chão. 

Não sei se devia me sentir ofendido – afinal ele levou mesmo tanto tempo para prestar atenção no meu sorriso? – ou surpreso pela cantada repentina, e ridiculamente natural, que acabara de receber. Ainda mais de um cara que eu nem gostava!

Levou cerca de três segundos até eu processar completamente o que acabara de ocorrer e, quando enfim entendi a situação como um todo, senti meu rosto esquentar no mesmo momento e engasguei com o ar.

Caralho, Jackson!

- Que se foda – era um bom resumo de tudo o que eu tinha feito.

Andei até o ponto e praguejei alto ao ver o ônibus virando a esquina, longe demais para eu alcança-lo correndo. Tudo porque eu ficara cinco minutos parado em frente à faculdade, olhando para o nada.

 

Caralho, Jackson!

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


caralho jackson

vai, fala que esse capítulo não foi fofo
eu achei bem amor mesmo
jackbam é tão amor aaaaaaa


e esse mark e jin na cafeteria só os dois?
hum hum?
teorias...

Vocês gostaram?
Eu gostei...
Um beijão pra todo mundo :3


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