História Devore-me - Capítulo 6


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, J-hope, Jimin, Jin, Jinyoung, Jungkook, Mark, Rap Monster, Suga, V, Youngjae, Yugyeom
Tags 2jae, Antarctic, Bangtan Boys, Boy Love, Bts, Gay, Got7, Jackbam, Jihope, Lemon, Markjin, Meudeusquantatagaqui, Namjin, Taegi, Yaoi, Yugkook
Visualizações 69
Palavras 4.544
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Escolar, Festa, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


geeeeeeente
boa noite pra quem esqueceu que de quarta posta capítulo novo rs
e boa noite pra quem gosta de pirulito
e boa note pra todo o resto, porque eu amo vocês <3

espero que gostem do capitulo
e sejam apresentadas a eles
isso mesmo
2JAE!!


P.S.: queria dizer que amo umas porno com pirulito, pena ter feito uma tão leve
P.S.2: mas tenho certeza que nada tava kevinho a cabeça do jackson

Capítulo 6 - Purple Lollipop


Fanfic / Fanfiction Devore-me - Capítulo 6 - Purple Lollipop

Francamente, os alunos da minha faculdade deviam ser umas crianças bem problemáticas – daquelas que saem colocando coisas no nariz e cagam rosa por comerem giz de cera – porque para mim, comigo sendo quem eu sou, estar indignado diante dos recentes acontecimentos tem que ser alguma coisa muito séria.

Enfim, tudo começou na sexta-feira passada, aquela logo depois do Jackson ficar chorando no meu ombro. Naquela sexta havia uma programação para uma festa histórica, entretanto houve obstáculos no meio do caminho e a dita festa acabou não acontecendo. Só que a organizadora, que eu já amo só por isso, resolveu adiar para essa sexta. O porém? Jackson resolveu que a tarde de sexta era um ótimo dia para se ter aulas de reforço.

Não bastava eu o ver na segunda e na quarta, o desgraçado achou que seria super legal da parte dele se nos víssemos antes da festa. Porque eu claro que vou lembrar do que revisei naquela tarde, depois de ficar bebaço e beijar pra porra. Aham, tá bom.

E as coisas já estavam desandando desde segunda – quando um babaca derrubou tinta na minha cara e, mesmo assim, Namjoon me obrigou a ficar na aula com metade do cabelo em azul turquesa – e só foram piorando. Na terça eu acabei sem lanche por ter esquecido em casa. Na quarta Jackson resolveu que gostara tanto do The Now que faria de lá seu ponto de encontro com o time, ou seja, nada de Bambam ficar fazendo vários nada em paz na cafeteria de hoje em diante. Mas o fim veio quando, repentinamente, Mark e Jinyoung resolveram que eram melhores amigos.

Tudo bem, com isso eu posso lidar. O porém de ter a dupla Markjin andando conosco (Jinyoung era aquele tipo de amigo maravilhoso que não abandonava os parceiros depois de encontrar sua metade da laranja e eu o amo por isso) era que eles vinham com dois embustes: Jackson e Jaebum.

Na verdade, eu não tinha nada contra o Jaebum, acho que ele até podia ser um cara legal, mas depois daquela história do Jin – de eu pegar tanto no pé do Wang porque sou inconscientemente apaixonado pelo resto de placenta – eu tive uma profunda reflexão. Depois dessa dita reflexão conclui que era melhor começar a dividir meu ódio entre os dois, só pra garantir.

E agora estamos nós aqui, na minha linda mesa do intervalo, tendo de aturar a voz irritantemente grave de Jackson – e a voz que a gente finge ser irritante de Jaebum – falando sobre as técnicas no próximo jogo deles.

Ah, eu já mencionei que onde a abelha vai, os zangões vão atrás?

Pois então, no caso a abelha é o Jackson e o time de basquete são seus zangões, enchendo minha mesa de pessoas que eu não queria no meu círculo de amizades. E as namoradas dessas pessoas. Porque é impressionante, não pode saber jogar umas bolas e já acaba namorando umas 15 meninas. Como isso acontece?

Até o Jaebum, que eu jurava que era uma boa pessoa, estava com uma das garotas da torcida em seu colo, passando desavergonhadamente a mão pela sua coxa, apertando vez ou outra e arrancando risinhos da menina. Que putaria!

Ouvi alguém arfar ao meu lado; mesmo sem olhar pude sentir Jae remexendo-se e pigarreando. Yug também parecia desconfortável, o moreno nunca fora muito bom nisso de se socializar com as pessoas, principalmente com tantas falando ao mesmo tempo. E eu, como o bom melhor amigo que sou, estava achando aquilo ridículo!

Aí, quando achei que ia dar tudo certo, o sinal tocaria e nos veríamos livres daquele bando estranho; a vida que é muito desocupada, resolveu que já passava da hora de me foder e foi isso que levou um dos garotos mais próximos (se não me engano havia biscoito em seu nome) a curvar-se em minha direção com um sorriso malicioso e falar/gritar:

- Bambam! É verdade que você é gay? – fodeu! – Aquele boato sobre você ter namorado um veterano do time é verdade também?

Fodeu em dobro!

Olha, se tem uma coisa que o mundo me apresentou foram as armadilhas, e elas são cruéis. Então, quando um cara pergunta se você é gay, independente do quão inocente soar, sempre há aquele pequeno risco da reação dele não ser nada boa, em casos extremos envolvem bullying pelo resto da faculdade.

Eu já estava bem satisfeito tendo eles me enchendo o saco sem perceberem, se resolvessem que queriam mesmo me encher o saco, aí eu já tava na merda. Por isso hesitei vários segundos, analisando o nada, antes de concordar com a cabeça e encolher os ombros, esperando linchamentos.

Mas nada aconteceu, digo, literalmente nada aconteceu!

Até Jae, que encarava seus dedos, levantou os olhos para entender o porquê da mesa estar tão silenciosa.

Alguns jogadores se entreolharam, receosos. Outros cochichavam qualquer coisa entre si. Mas, em sua maioria, eles apenas encaravam-me com os olhos arregalados. Até as garotas pareciam surpresas!

Qual é! Sempre me gabei por ser o cara mais assumido daquele lugar e agora todo mundo resolveu não saber da minha viadagem? Que sem noção.

- Mas, sabe... Ahn, como é? – o mesmo garoto perguntou, todo tímido – Tipo, vocês andavam de mão dada na rua e se abraçavam em público?

- Yoongi odeia abraços – soltei, reparando como a menção de seu nome fez os garotos cochicharem ainda mais – Mas a gente andava como qualquer casal, é.

- Seus pais sabiam? – um segundo perguntou e eu assenti – Você já apresentou um cara para eles? Eles já te viram beijando um?

- Já, Yo... – hesitei, vendo como o nome do garoto causava um rebuliço – Meu namorado jantava em casa quase sempre, minha mãe gostava mais dele do que de mim...

- E na hora de pagar a conta? – até Jaebum estava perguntando, mesmo que fosse uma questão idiota.

 - A gente divide, ué. Bem, dividia – engoli a expressão desolada que estava prestes a voltar para meu rosto – Menos quando ele esquecia a carteira, aí eu colocava na conta e depois ele me pagava com... É... Bem, vocês entenderam.

- Por que você nunca esquece a carteira? – um rapaz ao meu lado sussurrou para a namorada, que o respondeu com uma cara que dizia claramente ‘eu nem tenho carteira, trouxa!’.

- E vocês usavam o mictório um do lado do outro? 

Certo, eu tô começando a estranhar esses garotos. Alguém avisa eles que as pessoas estão desconfiando, obrigado.

- É, né. Não tinha nada ali que eu já não tinha visto!

Algumas risadas soaram pela mesa, mesmo eu não vendo nada demais no que dissera.

- As garotas ficam peladas na sua frente?

- Minhas amigas, bem amigas, não se importam. Mas olha – apontei para uma das loiras com roupa de torcedora – Você ficaria pelada na frente daquela garota? – indiquei uma menina que acabara de passar por nós, segurando a bandeja com comida. A menina negou freneticamente – Viu? Ser gay não me torna íntimo de todos os seres humanos do sexo feminino!

Mais risadas soaram. Começava a perceber que eles não riam daquela forma escandalosa só pra chamar a atenção, acho que realmente só sabem rir de um jeito meio gritado.

Essa conclusão me fazia odiá-los um pouco menos.

- E como é com seus amigos heteros? – automaticamente os olhos voltaram-se a Jae e Yugyeom.

- Quem disse que eles são heteros?! – exclamei, recebendo dois tapas seguidos em minha cabeça.

- Nós somos heteros – Yugyeom afirmou, me fazendo abafar a risadinha em minha garganta – Tá, o Jae é bi, mas eu sou hétero!

- Ah, tá bom que é – Youngjae sussurrou, me fazendo rir e o cumprimentar com um high five – Eu acho super normal esse lance de ter amigo hetero ou gay. No fim ele compra chá verde pra mim, então da pra manter a amizade...

- Mas se você é bi... Ele é gay... – beleza, garoto biscoito, você está entrando em uma área de risco – Vocês já ficaram?

Olhei para Jae. Jae olhou para mim. Dei de ombros. Ele deu de ombros. Abri a boca buscando ajuda e ele abriu a boca também. Fiz um muxoxo ao perceber que ele apenas me imitava. Ele fez um muxoxo, mas não aguentou e riu. Dei um tapa na sua cabeça e voltei ao assunto.

- Depois da quinta dose, eu fico até com vocês – Youngjae respondeu, na maior sem-vergonhice que ele tinha. E olha que se tinha algo que Jae tinha, era sem-vergonhice.

Mas não vou mentir, achei um absurdo ele me colocar no mesmo patamar que aqueles desgraçados na vida. Aí bati nele pela segunda vez.

- Caralho Mook, para de me bater, pedaço de bosta – ralhou, após o terceiro tapa nos últimos vinte minutos.

- Você tá falando que ficar comigo é tipo ficar com eles, queria o quê?! – retruquei, no mesmo tom.

- Amor e compreensão da sua parte, não toda essa agressão!

- Vai compreender a curvatura da minha mão pra alcançar tua cara!

- Então vem, tu sabes que a gente só se pega bêbado! – meu sorrisinho de deboche diante do sotaque o fez suspirar – Vai começar, nem ouses...

- Eu que comecei? Certeza? Pera, eu tenho um livro de Assis em algum lugar... – fingi olhar ao redor, apenas para ouvi-lo bufar.

- Sabe o que Assis lhe diria? Enfia teu livro no cu, por obséquio!

- E sabe o que Kunpimook diria? Quem tá precisando de alguma coisa no cu é você, pra ver se acaba com esse mal-humor!

- Tu és a razão do meu mal-humor, embuste!

- Cala a boca Youngjae, cê é corno! – trocamos olhares e Yug até tentou, mas seus olhos pousaram em JB quase automaticamente.

- Queres mesmo que eu retruque? Porque olha, meu repertório sobre ser corno tá bem grande agora...

Estava prestes a soltar alguma resposta madura e bem elaborada – como ‘vai se foder’ – quando uma gargalhada soou bem ao lado do meu ouvido. Ela era alta, aguda, exagerada e irritantemente contagiante. Eu, e o resto da mesa, nos viramos para encontrar o dono do riso e meu queixo caiu ao ver os olhos de Jaebum marejados e a garota, antes em seu colo, agora sentada afastada de si. O loiro respirou fundo algumas vezes, antes de levar as mãos ao peito e suspirar.

- Cacete, que sotaque de otário - disse o rapaz, quando enfim recuperou o fôlego.

Muito bom, Im Jaebum, mesmo. Se tinha alguma parte sua que Jae gostava, acabaram de vomitar nela. 

O moreno, ainda em choque pela ofensa gratuita, levou cerca de cinco segundos para absorver a informação por completo e, quando enfim o fez, me lançou seu maior olhar de espanto, pedindo apoio. Logo pra mim, rei do ‘se fodeu e não sabe reagir’. Estava pressentindo a explosão – porque Youngjae não podia cagar mais para as vezes em que eu e Yug ríamos da forma como ele falava no meio das brigas, agora terceiros virem zoar... Aí eu já nem quero participar – ainda mais se tratando de Jaebum que, em dois dias, se tornou amor platônico e inimigo mortal do garoto.

- Pelo menos o sotaque eu consigo disfarçar, e tua cara de otário, vai fazer o que? – a forma completamente indiferente que ele disse aquilo fez JB engasgar com o próprio ego.

A mesa explodiu em gargalhadas e eu só faltava ajoelhar no chão e aplaudir. Aquele era o meu jovem padawan, assim mesmo que eu te criei. Mesmo Jae sendo dois anos mais velho.

Os garotos ainda gritavam aquelas coisas que se grita após uma patada épica – como ‘wow’, ‘eu não deixava’ e ‘se fode aí, trouxa’ (essa foi minha favorita, eu aderi) – então Jackson pareceu ver uma boa oportunidade para nos afastar um pouco da mesa e murmurar para mim:

- Olha, não sei se é uma boa ideia você falar dessas coisas com eles – pediu, apertando meu braço e me fazendo encara-lo sem entender – Sabe, sobre ser gay e tals...

Ih, ah lá. Não falei que esse tipo de conversa sempre vinha com armadilha?

- Sério, eles são muito influenciáveis e pervertidos – isso aí não dá pra contestar – Não duvido nada que resolvam começar a experimentar e não tenho certeza como isso vai afetar a imagem da faculdade, aí eu pos-...

- Jackson – chamei sua atenção, colocando uma das mãos em seu ombro – Você prefere que eu diga o quanto estou cagando para isso agora ou pode ser depois? Eu quero ver o Jae zoando seu amigo mais um pouco...

- É sério, Bammie – ah, que cara persistente! – Uma vez a vizinha do Mark falou pra ele que se ele jogasse sal em um sapo e falasse o nome de alguém que tivesse inveja, tudo de bom da pessoa era passado pra você. Durante um mês eles esconderam todos os sapos da cidade que encontravam, com medo de alguém falar o nome deles enquanto salgava algum. Um mês inteiro!

- Nossa, eles são uns idiotas – tive de concordar com o loiro naquele ponto – Bem, estou decepcionado, mas não surpreso. Afinal, com você sendo o capitão...

- O que você quer dizer? Eu sou maravilhoso!

- Aham, é sim – ironizei, com um rolar de olhos – Aliás, queria esclarecer que, pra você achar que alguém se torna gay por influência, isso só significa que você mesmo desconfia ser gay – dei um sorriso inocente quando vi o garoto indignado – Mas não apaixone-se por mim, você não faz meu tipo.

Jackson já estava com uma resposta na ponta da língua, porém foi interrompido por Jaebum, que surgira repentinamente ao nosso lado. 

- Bambam, a gente pode conversar? – algo em seu olhar me dizia que aquilo soava como uma pergunta, mas não era uma – É rápido, sério.

Tem que ser, né filhão. O intervalo é grande mas não dura três dias, não!

- Espera, eu não acabei – Jackson ainda tentou, recebendo minha maior arma em resposta: indiferença.

- Mas eu acabei, vai lá convencer os garotos a jogar sal em sapos – retruquei, seguindo Jaebum para outra mesa, de onde não dava para ouvir nossa conversa.

- Olha, vou ser bem claro – odeio quando me falam isso, já sei que vai vir merda – O Youngjae gosta de mim?

Caralho viado, nem tenho memes o suficiente para expressar minha surpresa diante dessa questão. É de cair o cu da bunda.

- Ué – isso, Bambam, não consigo imaginar uma reação mais apropriada – Essa veio de onde? Direto do inferno, né?

- Não enrola Bambam, eu vim te perguntar porque já sabia que o Yugyeom ia evitar me responder – bom que ele sabe – Nós dois fazemos Fotografia, acha que eu não reparei?

E I T A.

C U.

Bambam, não foram três meses de aula de teatro pra nada, foco!

- Reparou no que? Na incrível habilidade dele de tirar fotos zoadas da minha pessoa?

- Olha, eu não queria chegar a esse ponto, mas... – o loiro puxou a mão de seu bolso, me revelando três pirulitos de uva – Essa oferta é por tempo limitado...

Automaticamente eu peguei os doces, começando a abrir um antes mesmo do garoto ter a chance de reagir.

- Não – falei, com o palito aparecendo pelos meus lábios – Ele não gosta de você. Ele só disse que você deve ser inteligente, porque suas notas são boas.

- Você tem certeza?

- Hum – estreitei os olhos, o encarando intensamente e pensando – Por que toda essa curiosidade? Mudaria alguma coisa caso ele gostasse?

- Sim.

Então o rapaz se levantou, deu uns tapinhas desajeitados nas minhas costas e subiu as escadas, resolvendo voltar mais cedo para a classe.

Tiro.

E eu, como o bom trouxa que sou, fiquei lá parado, pensando em vários nada e tentando formular uma conclusão coerente com o que acabara de acontecer. Aquilo era bom ou ruim? Mudaria pra tipo ‘eu também gosto dele e estou indeciso sobre me declarar’ ou para um ‘não quero viado gostando de mim porque sou babaca’? Essa dúvida acaba comigo... Aí meu cérebro já tinha dado uma travada tão horrível que desisti da ideia, voltando saltitante até minha mesa.

As conversas e risadas cessaram assim que cheguei, recebendo mais olhares cautelosos. A namorada de Jaebum – demorei três dias pra aprender o nome dele, o dela vai ser três meses – me lançava uma daquelas encaradas que você quase pode ouvir os xingamentos ecoando em seu cérebro. O karma pesado que eu peguei ali chegava a me dar arrepios.

- O que JB queria? – Jackson fez a pergunta de um milhão.

- Nada, eu só queria chupar o pirulito do Jaebum – dei um sorriso, com o palitinho preso entre meus dentes – Ah, mas não façam isso em casa, crianças.

Fiz um sinal de positivo com o dedo, para Jackson perceber que eu realmente entendera sua recomendação e não iria mais influenciar seus colegas de time. O sinal tocou antes de o loiro conseguir me responder – adoro esses tapas na cara do Jackson que a vida dá, ela nunca deixa ele terminar uma discussão comigo. Já foram 13 vitórias, mas quem está contando, não é mesmo? – e eu não sabia se gritava de felicidade por me livrar dos garotos, ou chorava diante da chuva de perguntas que meus melhores amigos descarregaram sobre mim assim que nos sentamos na sala.

- O que ele queria? – Yugyeom quem perguntou, afinal Jae fingia desinteresse desde que o assunto começara.

- Vocês não vão acreditar – já disse que amo enfatizar coisas? Nasci para enfatizar até o que não deve ser enfatizado. Enfatizo até a caquinha que o gato da vizinha fez na porta do meu apartamento, sou enfatizador! – Primeiro ele veio dizendo que era sério. Nem consegui fazer uma piadinha sobre e ele já mandou a bomba: ‘Bambam, o Youngjae gosta de mim?’ – ouvi o mencionado prender a respiração, me fazendo rir – Claro que eu desviei o assunto, mas aí veio a segunda bomba: ele me ofereceu pirulito de uva! Desculpa Jae, eu falhei contigo...

- O que? Pera, não! Meu Deus, Kunpimook, não me fode mano! – os melhores desesperos de Youngjae eram aqueles que ele só repetia as mesmas palavras (normalmente envolviam ‘não’, ‘porra’, ‘fodeu’ e ‘aaaaaaa’. Eu amava todas).

- Bem, os pirulito estão aqui...

- Você não fez isso comigo. Não, mano, não. Eu vou te matar. Não! – nota-se que a palavra de hoje para demonstrar seu descontentamento com a situação era o famigerado ‘não’ – Certeza que ele vai querer tirar satisfação comigo, aí eu vou estar a me cagar e tu vais rir da minha desgraça, porque és um filho da puta já formado!

- Mas JaeJae, eu só disse o mesmo que você – meu sorrisinho inocente captou sua atenção e a de Yugyeom – Afinal, não foi você que disse que não gostava dele? Só o achava “inteligente por tirar boa notas”?

Lentamente, eu vi o rosto completamente tencionado de Youngjae começar a relaxar, seus olhos até recuperaram um pouco do brilho costumeiro. Yug não levou nem dois segundos para explodir em risadas, batendo com a mão espalmada na carteira.

- A sua cara foi ótima! – o moreno gritou, quase chorando – Parecia que você tava entrando em curto!

- Acho muito ofensivo você não confiar em mim a esse ponto – comentei, em um falso tom de mágoa – Claro que eu não vou entregar seu crush secreto pelo JB. Só ganhei o pirulito porque sou um ótimo ladrão...

- Nossa Mook, vai se foder mano – ah, amizades são tão belas e puras – Achei que meu coração fosse estrangular meu estômago, que cagaço!

- Ah, ele disse mais alguma coisa? – Yug questionou, me fazendo hesitar. Olhei de um para outro, pensando.

- Não, foi só isso mesmo.

Sem ter certeza do que Jaebum queria dizer com aquele ‘sim’, eu não seria o monstro a dar falsas esperanças para meu melhor amigo.

Então Pepperoni chegou na sala, foi aí que eu resolvi que já tinha dado para mim e comecei a dormir. 

Crianças, eu sei que não deveria dizer isso, mas lá vai: que se fodam as aulas, durma sempre que puder!

 

 

 Sinceramente, tinha alguma coisa muito errada com os olhos de Jackson quando eu fui à biblioteca naquela tarde. Em um momento ele me lançava um olhar de puro ódio, então me lançava um olhar confuso, aí mudava para um olhar que eu não sabia explicar, e depois voltava a me encarar mortalmente!

Sem contar todas as trinta e sete vezes que o garoto olhou para o nada e brisou. Eu sempre achei que fosse uma pessoa brisada, mas Jackson roubou meu posto com orgulho.

Quando terminei de resolver alguns exercícios de psicologia e me virei para tirar uma dúvida, percebi novamente o garoto olhando para o teto e perdido na décima galáxia. Suspirei, deixando minha lapiseira sobre o caderno e buscando o último pirulito de Jaebum em minha bolsa. Quando o encontrei, abri rapidamente o embrulho e brinquei com o doce em meus lábios, esperando Jackson voltar à realidade.

Os olhos do loiro se desviaram até os meus quando a embalagem fez barulho, comigo a enfiando no bolso. Ele olhava para mim e olhava para o pirulito – que eu rodava de um lado para o outro dentro da minha boca, me fazendo soltar alguns estalos vez ou outra – com aquele olhar esquisito que eu não sabia explicar. Quando ele percebeu que eu o encarava, sua expressão mudou rapidamente para o costumeiro olhar mortal.

Jackson Wang nasceu para mudanças repentinas de humor.

- Eu não estou entendendo isso – falei, a voz meio enrolada por conta do pirulito na minha boca.

Wang explicou melhor o exercício, me fazendo soltar uma exclamação de contentamento quando enfim cheguei à conclusão correta. Estava eu lá, escrevendo minha resposta, quando sinto o olhar do loiro sobre mim, de novo. Resolvi ignorar, e passei a ler o exercício seguinte. Vez ou outra eu tirava o doce da minha boca, para ter noção do quanto faltava para chegar ao chiclete – detesto chiclete de pirulito, sempre gruda no meu dente – e esses eram os momentos que ouvia o farfalhar das roupas de Jackson e ele balançar a cabeça freneticamente.

- Cara, você tá muito estranho – finalmente eu falara, depois de o chamar várias vezes e ele apenas continuar encarando minha boca – Para de viajar, Wang!

- Ah! – reclamou, quando dei um tapa em sua orelha – Por que você me bateu?

- Porque você tá esquisito. Fica olhando pra mim e brisando... Jackson, você tá chapado?

- Não fala merda, Kunpimook – eu acho desnecessária a grosseria desse garoto – Aliás, a culpa é toda sua!

- Ah, não vem não. Eu sei que vivo fazendo cagada, mas hoje eu fui uma ótima pessoa – retruquei, tirando o pirulito completamente da boca para poder falar direito.

- É sua culpa sim! Sua e dessa sua... Lavagem cerebral!

- E quando eu acho que ele já é uma pessoa estranha, me apronta essa...

- Sério, eu tava super bem até o intervalo, aí você me falou aquelas coisas e agora eu tô todo confuso – realmente, a forma como o garoto apoiou o rosto nas mãos e soltou um gemido de desespero confirmavam sua confusão – Eu não me acho influenciável, mas isso é estranho...

- Espera, espera, espera! – o interrompi, me segurando para não rir – Você tá assim por eu ter dito que você pode ser gay?!

- Sei lá, seus argumentos eram muito bons!

- E ainda diz que não é influenciável! – dessa vez eu não me aguentei mesmo, gargalhando alto aproveitei para provoca-lo – Que tipo de masculinidade é essa que faz você duvidar por causa de uma conversa?! – parei novamente para respirar, segurando o pirulito com os dentes – Você nunca imaginou um cara te chupando, né?

Jackson não respondeu, o que me fez franzir o cenho. Seu rosto estava todo contorcido pela dúvida, provavelmente ainda repassava mentalmente tudo o que passara as aulas pensando, porém o olhar já não estava tão fixo em mim quanto alguns minutos antes. Exceto por alguns momentos, quando ele realmente me encarava por vários segundos e só parava quando eu erguia meus olhos e o mandava continuar explicando.

Até que o garoto soltou a franga e pegou no palitinho de meu pirulito, o arrancando a força de minha boca, com aquele barulho inapropriado que parece com um beijo.

- Isso está te distraindo – justificou, muito mal, aliás.

- Que? Você que está distraído! – reclamei, tentando me esticar e alcançar o doce, porém Jackson era maior e mais forte – Pra que isso, cara?

- Certo, então isso está me distraindo - assumiu, mordendo meu pirulito até se dissolver completamente em sua boca e jogar o palito para mim – Foco na aula.

Eu sou lento, sim. Postar indireta pra mim no Facebook era pura perda de tempo e nunca entendo as piadas de duplo sentido que Youngjae me conta. Mas, vejamos, dois beijos indiretos em uma semana e seu olhar esquisito – agora eu o identificava como malicioso – durante o dia todo... Havia alguma coisa ali que eu não estava interpretando direito!

Quando voltei ao apartamento, com Yugyeom repetindo incessantemente as opções de roupas que tinha para a festa em voz alta, ainda não tinha entendido nadinha do que acontecera mais cedo. Olhei para o moreno e para nossos celulares. 

Chamada de vídeo!

Ao contar tudo para Jae, com Yug ouvindo atentamente ao meu lado, eu já me sentia uns 70% mais leve. Entretanto, os dois apenas deram de ombros, como eu acostumara a ver.

- Acho que você tá vendo coisa onde não tem, Mook – o garoto ao meu lado falou, recebendo um aceno positivo do moreno em meu celular – Como diria minha falecida avozinha: tá pondo teta em bode! – essa parte eu preferi ignorar mesmo.

- Ele não falou nada demais, até o Yug fica confuso com seus argumentos, você é fodidamente persuasivo – Jae complementou, me fazendo concordar apenas com a parte que me enaltecia – Aliás, por que ainda não estão prontos? Já são seis horas, seus inúteis!

Quase senti o tapa na cara quando o garoto gritou para irmos tomar banho, encerrando a chamada em seguida. Yug foi primeiro, enquanto eu separava minha roupa. As opções eram escassas já que meu guarda-roupa era composto em sua maioria por roupas que pegara de Yoongi, após o término eu devolvera a maior parte e algumas usara pra jogar praga – se tudo correr como o planejado ele será sexualmente impotente aos vinte e sete – ou seja, eu estava praticamente mendigando peças de roupa a Yugyeom.

Tudo o que encontrei do moreno que me serviria foi uma calça skinny escura, que estava justa até para mim, então nem quero imaginar como aquilo passava por suas coxas – mentira,  eu tô imaginando isso agora e a imagem é maravilhosa – e uma blusa branca de manga longa, com pontilhados em preto que lembravam respingos de tinta. Mas, como eu sou maravilhoso por mim mesmo, até roupas improvisadas me faziam parecer um idol. Encontrei minha inseparável gargantilha, daquelas com um pingente que as fazem parecer uma coleirinha de gato, e corri para tomar banho. O relógio marcava sete horas e eu já previa o atraso sendo punido por Jae. 

Entretanto, sob a água quente, eu não pensava em quantos tapas eu levaria antes da mão de Youngjae começar a doer. Só havia uma coisa me perturbando: Jackson.

Afinal, Jackson Wang pode ser várias coisas nesse mundo, em sua maioria coisas ruins, mas definitivamente não era hetero.

 

 

 

 


Notas Finais


risos
risos risos risos
RISOS

eu amo piadas de duplo sentido mesmo
e aí?
Já chuparam o pirulito do Jaebum hoje?
RISOS RISOS RISOS

Será que o Jackson tava imaginando o Bambam chupando ele igual chupou o pirulito?
essa ideia me ocorreu agora, queria compartilhar RISOS

desculpa
eu tô bem, juro
até breve :3


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