História Diamantes - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias Doctor Who
Personagens 10º Doctor, 11º Doctor, 12º Doctor, 9º Doctor, Amelia "Amy" Pond, Clara Oswald, Donna Noble, Jackie Tyler, Martha Jones, Mickey Smith, Personagens Originais, Rory Williams, Rose Tyler, The Master
Tags Clara Oswald, Danny Pink, Doctor Who, Twelve
Exibições 22
Palavras 5.574
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 17 - Para Sempre


Fanfic / Fanfiction Diamantes - Capítulo 17 - Para Sempre

 

Não saíram do lado dos Pond-Williams e do bebê Matt a noite inteira. Mas na manhã seguinte Rose e David não poderiam ficar por muito tempo pois havia ainda os preparativos do casamento.

 

-Bem, na verdade, a Rose é quem organiza tudo.- disse David, conversando à sós com as duas.- Eu só estou lá para a Jackie ter com quem gritar.

 

-Jackie?- perguntou Clara.

 

-A mãe da Rose.- explicou Amy deitada na cama de hospital.

 

-Ah...

 

A Dra. Martha Jones entrou no quarto, colocava seu estetoscópio envolta do pescoço.

 

-Bom dia, Amy, como estamos hoje?- perguntou, indo até sua paciente e passando por David sem dar sinais de ter reparado sua presença.

 

-Estou bem, Dra. Jones.

 

Martha tirou um medidor de pressão do bolso do jaleco e colocou-o no braço de Amy.

 

-Você vai ter que tomar cuidado com seu estresse, Amy.- disse.- O pequeno Matt precisa da mãe.

 

-É... têm sido dias agitados ultimamente...

 

Amy olhou rapidamente para David. Ele limpou a garganta e disse:

 

-Certo, então... é melhor eu ir. Clara, me ajuda aqui?

 

Clara levantou-se e foi guiar a cadeira de rodas de David. Ao sairem do quarto ele suspirou.

 

-Deve ser estranho para você.- ela disse.- Ter a Martha aqui.

 

-Ah, não... quer dizer, é estranho vê-la no dia do meu casamento, verdade. Mas não é isso, é só que...- as feições de David ficaram melancólicas de repente.-... não estou reclamando, isto aqui é melhor do que morrer. Só que às vezes gostaria muito de poder... sabe...

 

-Andar?

 

-É. Odeio ficar dependendo dos outros o tempo todo. Sem ofensa.

 

Clara não soube o que dizer. Tecnicamente David poderia voltar a andar algum dia, mas não seria como antes.

 

-Então... seu pai me disse que você vai para Londres.- disse, mudando de assunto.

 

David inspirou e voltou a sorrir normalmente.

 

-Sim, sim. Eu e a Rose... bem, precisamos de um lugar só nosso, sabe? E eu gostaria muito de voltar a ensinar lá. Jackie vai reabrir a loja que ela tinha e dá-la à Rose. Mas ainda não temos nada confirmado, quer dizer, nem achamos uma casa.

 

-Bem... não é uma casa, mas... meus vizinhos do décimo andar estão vendendo o apartamento deles e o prédio tem elevador e vaga para deficientes e tudo o mais...

 

-Onde você mora?

 

-Denmark Street, em Camden.

 

-Minha nossa, Clara!

 

-A loja fica lá também?

 

-Não, em St. Pancras, é só que...- ele parou.-... era lá que meu irmão estava morando esse tempo todo.

 

-Você não sabia?

 

David balançou a cabeça negando.

 

-Acho que Rose sabia, mas... eu nunca perguntei...

 

Ele ficou em silêncio. Clara imaginou que estava se sentindo culpado.

 

-Ei, talvez você possa ser meu vizinho agora.- ela disse, tentando animá-lo.

 

David deu um fraco sorriso.

 

-Sim. E talvez...- ele arqueou uma sobrancelha.-... possa ser seu enteado também, Clara.

 

-Uma coisa de cada vez.- disse, dando-lhe um tapa em sua cabeça.

 

Ele riu. Clara imaginou-se como madrasta de David e Christopher e não pode deixar de rir daquela ideia também. Pararam em frente aos elevadores. Rose falava agitada ao telefone.

 

-Não, mãe, eu não quero um pastor!- dizia, gesticulando nervosa.- Já combinamos tudo com a juíza Harriet!

 

Peter sorriu para eles quando chegaram.

 

-Já ia ao quarto de Amelia me despedir.

 

-Se despedir?- Clara perguntou, decepcionada.

 

-Sim, vou devolver a limusine hoje... a não ser que você não queira.

 

-Não, tudo bem, é só que... quem é que vai me levar ao casamento?

 

-Donna.- respondeu David com um sorrisinho.- Ela já está chegando. Invejo você, Clara, as viagens com a Donna sempre são as mais emocionantes.

 

-David!- gritou Rose repentinamente.- Temos que ir... agora!

 

Clara nunca vira Rose com um olhar tão ferino.

 

-Certo, então.- disse David, apressado.- Tchau, Clara. Te vejo no casamento.

 

-Tchau, David.

 

Rose deu um abraço na amiga.

 

-Lembre-se do que eu disse. Não precisa se estressar com maquiagem nem nada assim. Vai ser tudo muito simples.

 

-Tudo bem, Rose.

 

Clara não teve coragem de lhe dizer que ainda não sabia o que vestir. Quando Rose a soltou Peter veio lhe roubar um beijo.

 

-Já estou com saudades.- disse, alisando as maçãs de seu rosto.

 

-Você é sempre tão meloso assim?- Clara provocou, corando dos pés à cabeça. Não estava acostumada a beijá-lo em público.

 

Peter sorriu e admirou-a por um momento.

 

-Tira uma foto, pai, vai durar mais tempo.- disse David, divertindo-se.

 

Ele acordou de seus devaneios.

 

-Desculpem-me, depois de uma certa idade você não sente mais a necessidade de se apressar.

 

Com muita relutância, Peter a deixou e os três entraram no elevador. Clara perguntou-se se deveria ter feito algo mais “Dama de Honra” para Rose, mas as portas se fecharam e as duas só se veriam agora no altar.

 

********

Clara voltou para o quarto de Amy percebendo que também não tinha necessidade de se apressar, ainda que não tivesse ideia do que iria vestir, sentia-se mais leve.

 

-Toda noiva é insuportável.- disse Amy que no momento comia uma geleia de morango.- Eu sei que fui um pesadelo.

 

-Imagino.

 

Amy era agitada em dias comuns, Clara nem queria saber como ela fora no dia do seu casamento.

 

-Gostaria de poder ir.- lamentou a ruiva.

 

Clara segurou sua mão.

 

-Você foi na primeira vez.

 

-Mas dessa vez é pra valer.

 

-Você está com o Matt.

 

Ela mexeu-se irritada.

 

-Não posso segurá-lo! Está naquela maldita encubadora.

 

-Só por um tempo. A Dra. Jones disse que ele está progredindo muito bem.

 

-Gostaria de pelo menos poder vê-lo, mas tenho que ficar aqui deitada.

 

-Amy, hoje é um dia feliz! Você é mamãe e Rose vai se casar.

 

-Certo, vamos falar sobre outra coisa. Vamos falar sobre o maior erro da sua vida.

 

Clara suspirou.

 

-Amy...

 

-Aquele homem não merece você, Clara!- protestou pela enésima vez.

 

-Amy, já discutimos isso...

 

-Certo, tenha sua pequena diversão... mas volte pra vida real depois! Você não pode jogar sua vida fora desse jeito.

 

-Não estou jogando nada fora, Amy.

 

Amy continuou comendo sua geleia, fora contra Clara e Peter desde o começo. Rory lhe contou que era assim que Amy agia quando Matt arrumava uma namorada nova, o que a fez se sentir um pouco melhor.

 

-Não leve Amy à sério.- dissera quando os dois ficaram sozinhos.- Ela está sempre irritada com alguma coisa.

 

-Então... o que você acha... sobre mim e o Peter?

 

Ele surpreendeu-se com a pergunta.

 

-Bem, não tenho nada contra. Apesar de que...

 

-Sim?

 

-Gostei do Danny, não sei... vocês faziam um bom casal.

 

Clara sentiu-se esfriar por dentro.

 

-Danny terminou comigo, Rory.

 

-Eu sei, mas ele ainda gostava de você, não era?

 

Ele viu seu rosto tristonho e corrigiu-se.

 

-Mas águas passadas não movem um moinho!- disse rapidamente.- Se você está feliz com Peter então tudo bem.

 

Ela estava feliz com Peter. Pelo menos naquelas poucas horas. Era bom não ter dúvidas o tempo todo e esconder o que sentia por ele. Então por que ainda não estava satisfeita?

 

-Rory deve ter dito algo como “Amy fazia isso com o Matt também, não a interprete mal”.- disse imitando a voz do marido.- Mas eu estou falando sério, Clara!

 

-Certo, entendi.

 

-Não, você não entendeu!

 

A porta do quarto dela se abriu e Clara ficou contente ao ver sua carona pois não aguentava mais discutir com Amy.

 

-Clara, minha querida...- começou Donna.-... detesto interromper, mas estamos com pressa aqui. Ainda temos que apanhar o Christopher no presídio.

 

Clara levantou-se e deu um beijo do topo da cabeça de Amy.

 

-Não fique com raiva de mim. Vai dar tudo certo.

 

-Não estou com raiva de você. Estou com raiva dele!

 

Clara não rebateu. Ela saiu do quarto com Donna Noble sem olhar para trás.

 

-Ela está com raiva de quem?- perguntou Donna.

 

-Peter. Nós... meio que... estamos juntos agora.

 

-Aleluia!

 

Clara riu. As duas passaram por Martha Jones que conversava ao telefone no corredor.

 

-Sim, querido...- sorriu.-... desculpe mas não vamos para Cancun na lua-de-mel. Já lhe disse que odeio praias.

 

Ela acenou um “adeus” para Clara e a outra o retribuiu

 

-Não, eu não vou reconsiderar! Pare de tentar me convencer, você sabe muito bem que nunca caio nessas suas conversas “de advogado”. Tanto é que fui eu quem lhe pediu em casamento e não o contrário.- ouviram antes de entrarem no elevador.

 

********

Donna Noble dirigia tão rápido quanto falava. Clara achou que aquele cinto de segurança não seria o suficiente.

 

-Agora me diga pra quê tudo isso!- reclamava, enquanto Clara se segurava no assento temendo por sua vida.- Já não basta todo o estresse com o julgamento!

 

-Acho que eles querem oficializar a uni...

 

-Podiam ter ido na prefeitura, chamado uma testemunha e pronto. Olha só o que me fizeram passar! Ainda bem meu avô e meu marido estão se dando bem agora.

 

-Mesmo?

 

-Não, eles ainda se odeiam. Mas aquela sua dica de arrumar um hobby foi muito boa. Compramos um telescópio para o meu avô e ele não sai do telhado. Nunca esteve tão feliz.

 

Clara sorriu.

 

-Que bom.

 

Donna apertou a buzina com força.

 

-Essas crianças motoristas... sempre acham que são as donas da rua.

 

Donna Noble virou para a esquerda, contornando o carro parado em sua frente.

 

-David os chamou para o casamento também, mas meu avô é muito doente para sair de casa e alguém tem que cuidar dele...

 

-Entendo.

 

-... e minha mãe só vive passeando com as amigas...

 

Quando chegaram no presídio Clara já conhecia a história da família inteira de Donna. Alegrou-se ao ver os portões se abrindo e Christopher caminhando até elas.

 

-Graças a Deus são vocês, pensei que ia ter que olhar pra cara feliz do meu irmão antes de me preparar.- disse ao entrar no carro e fechar a porta.

 

Christopher vestia sua jaqueta de couro e parecia com o homem que Clara conhecera seis meses atrás, porém um pouco mais limpo.

 

-”Se preparar”?- perguntou.

 

Chris tirou uma garrafinha do bolso de sua jaqueta.

 

-Só porque o noivo não pode beber, não quer dizer que os convidados precisam seguir essa regra.

 

-Onde você arranjou isso?!- Clara perguntou surpresa.

 

-Troquei com uns caras por dois maços de cigarro. Coisas da prisão, não queira saber.

 

Clara continuou olhando-o preocupada.

 

-Relaxe! É só hoje, depois minha reabilitação continua firme e forte.

 

-Chris...

 

-Meu irmão vai se casar com a única mulher que eu já amei e depois disso eu ainda vou voltar pra prisão. Será que eu não posso beber nem um pouco?

 

-Certo.- rendeu-se.- Você parece bem.

 

-Pareço um presidiário. Mas obrigado, você é gentil.

 

-Coloque o cinto!- avisou Donna.

 

Christopher a obedeceu, mas logo percebeu que aquilo não adiantava de muita coisa. Ele tomou seu primeiro gole.

 

-Então... como estão todos? O que eu perdi?

 

-Amy teve o bebê.- contou Clara.

 

-Hum... menino ou menina?

 

-Menino.

 

-E o que mais?

 

Clara ficou em silêncio.

 

-Papai não perde tempo, hein?- falou entre risos.

 

Ela abaixou a cabeça.

 

-Ah, não me leve a mal, Clara. Eu fico feliz com vocês dois juntos.

 

-Sério?

 

-Sim, quer dizer, não por você. Essa foi a pior decisão da sua vida. Mas é bom tê-la por perto, já estava ficando deprimido pensando que você ia embora.

 

-Bom... nós estamos no começo ainda... não é nada...

 

-Será que um cara que atirou no irmão não pode ficar feliz por alguns segundos? Minta pra mim. Diga que vai ficar aqui pra sempre e deixar minha vida menos miserável.

 

Ela sorriu.

 

-Chris, mesmo que eu e Peter não fiquemos juntos eu venho visitá-lo sempre.

 

-Até parece. Aquele seu outro namorado nunca ia deixar.

 

-Danny terminou comigo, ele não quer mais me ver.

 

-Então ele é ainda pior que meu pai. Quem é que não quer ver você?

 

Clara enrubesceu.

 

-Clara, vamos dar uma parada em minha casa para apanhar meu vestido.- ela olhou para Clara de relance.- Você... precisa de alguma coisa?

 

De repente ela ficou alarmada. Não pensara em nenhum momento no que iria vestir.

 

-Veja pelo lado positivo...- disse Christopher sarcástico.-... você pode ir assim mesmo e ainda vai estar mais bonita que eu.

 

-Acho que tenho algo... na casa de Peter.

 

********

Clara entrou correndo e foi até seu quarto desesperada. Abriu sua mala e a revirou. Desejou que tivesse sido mais organizada, mas não pensou que iria a um casamento enquanto estivesse ali.

 

-Estarei no banheiro, Clara.- avisou Donna chegando na sua porta.

 

-OK.- disse distraída.

 

Viu o vestido preto que usara na noite de premiação de Sarah Jane. Aquilo parecia ter sido mil anos atrás. Não poderia ir toda de preto a um casamento, tinha que ter outra coisa. Então ela o viu. O vestido que usara quando conheceu Matt Smith. Azul escuro, listas pretas e curto. Segurou-o em suas mãos pensando no que fazer. Seu coração batia muito rápido.

 

Usou aquele vestido em outras ocasiões, mas não sabia se deveria usá-lo naquela. Seria muita insesibilidade? “É só um vestido, Clara”. Mas não era só um vestido, era uma lembrança. Nem sabia por que o tinha trazido. Era assustador até. Clara precisava de ajuda. Ela saiu do quarto e procurou por alguém.

 

Christopher estava na sala, mexia nos discos do pai.

 

-Chris.

 

-Sim?- ele virou-se e Clara viu lágrimas em seus olhos.

 

-Qual é o problema?- perguntou preocupada.

 

-Nada. Eu não bebi o suficiente, só isso.- tomou outro gole da sua garrafa.- O que houve com você?

 

Clara percebeu que deveria estar um tanto abatida também.

 

-Eu só... você acha que eu deveria usar esse vestido?

 

Christopher olhou para a roupa em suas mãos.

 

-Sim. Por que não? Só porque é curto? Use umas botas de cano longo ou uma meia-calça. Você tem?

 

Ela o olhou chocada.

 

-O que foi?

 

-Nada, só...

 

Clara anotou mentalmente que perguntaria mais tarde como Christopher sabia o que eram botas de cano longo uma vez que ela nunca conhecera um homem que soubesse.

 

-É só que eu fui babá de umas crianças do vizinho e estava usando esse vestido quando... Matt apareceu.

 

Chris a observou, refletindo sobre o assunto.

 

-Você foi babá usando um vestido desse tamanho?

 

-Eu era meio louca.

 

-”Era”?

 

-Chris, me ajuda!

 

-Certo, se servir de alguma coisa... tem minha permissão para o usá-lo... ou sei lá...- ele deu de ombros.-... não vai me ofender profundamente nem nada...

 

Ela olhou para os discos em suas mãos.

 

-Certo. Obrigada. Acho que tenho uma meia-calça sim.

 

-Marrom ou preta. Tem que ser escura.

 

-Certo...

 

Clara não parou para perceber a estranheza do comentário, pois acabara de ver o disco “Darillium” de River Song e sua ansiedade aumentou.

 

********

Donna optou por um vestido roxo. Ela também usava um colar e brincos de ouro. Clara gostaria de ter trazido joiais, ela chegou a considerar os diamantes que Peter lhe dera, mas achou que seria demais.

 

-É só um brunch.- concordou Christopher quando ela compartilhou aquele pensamento no carro.- Nem a noiva vai usar diamantes. E aposto com você que também não vai usar branco.

 

Clara não sabia dizer onde seria o casamento, mas logo descobriu quando Donna estacionou defronte a um parque.

 

-Gallifrey Park.- ela leu na placa.

 

-Costumávamos vir aqui o tempo todo. Eu, David e Matt.- contou Christopher.- A gente jogava futebol bem ali.- disse apontando para um local distante de gramado plano.- David não sabia como usar as pernas desde aquela época.

 

Ele deu um sorriso saudosista. Clara parou para ler o que estava escrito na placa.

 

O Gallifrey Park foi construído em 1502, era o local de caça para o Rei Jaime IV da Escócia e outros membros da nobreza. Ele foi destruído em um bombardeio durante a Primeira Guerra Mundial e reconstruído em 1963 por William Hartnell. É um dos parques mais famosos da Escócia.

 

-Vamos, pessoal.- chamou Donna.

 

Ela tirou algo da mala do carro e Clara congelou. Um presente! Nem pensara em comprar um presente.

 

-Tudo bem, Clara, eu também não trouxe nada.- disse Christopher.- E honestamente, acho que você já ajudou aqueles dois o bastante.

 

Os três entraram no parque, Donna caminhando na frente pois só ela sabia onde seria o casamento. Logo Clara percebeu o altar branco montado, as cadeiras de madeira dispostas e algumas pessoas retirando violinos das caixas. Viu que o local não estava coberto e temeu que chovesse, como sempre acontecia nessas ocasiões.

 

-Donna!-chamou David.- Você demorou.

 

-Ah, cale a boca.

 

David tinha trocado de roupa. Obedeceu sua noiva e vestiu um terno risca-de-giz. Porém continuava o mesmo David de sempre com seus tênis converse e o sorriso maior que o próprio rosto. Peter estava ao seu lado, surpreendeu-se ao vê-lo usando um terno de veludo vermelho. Ele piscou o olho para ela.

 

-Olá, irmão.

 

-Oi, irmãozinho. Tudo bem, não precisa se levantar.

 

-Só ouvi essa piada umas quinhentas vezes, Chris.

 

Os dois riram.

 

-Donna, você pode colocar o presente na mesa.- avisou David.

 

Clara percebeu então uma mesa coberta não muito longe dali. Já havia dois presentes. Ela trocou olhares com Peter que lhe deu um sorriso.

 

-Você está linda, Clara.- disse.

 

-Não estou não.

 

-Clara, falei com a Rose e ela quer saber mais detalhes sobre esse apartamento.- David disse.

 

-Posso dar o telefone deles.

 

-Vocês estão procurando por um apartamento, David?- perguntou Donna retornando da mesa.

 

-Sim, sabe...- ele olhou para os lados.- precisamos de um lugar só nosso... sabe...- sua voz se transformou num sussurro.-... sem a Jackie.

 

-E o que a Clara tem a ver?

 

-O vizinho dela está vendendo um.

 

-Em Londres?!- exclamou.- Você vai para Londres?!

 

-Bem... sim.

 

-E quando é que você pretendia me contar isso?!

 

David a olhou chocado.

 

-Bem... não sei... quando estivesse tudo pronto, acho.

 

-Você acha?! Você acha?!- gritou. David se encolheu com medo.- Você não pode ir pra Londres, seu idiota!

 

-Por que não?

 

Donna mexia a boca sem sair nenhum som.

 

-Meu Deus, David... o que é que você vai fazer em Londres?! Visitar a Galeria?!

 

-Donna...

 

-É porque estou passando muito tempo na sua casa? Porque eu posso parar, viu? Não é como se eu gostasse de ficar lá o tempo todo...

 

-Donna, eu não sabia que você...

 

-Passem a lua-de-mel lá se precisam tanto, mas depois voltem. Londres! Onde já se viu? Logo agora que fez as pazes com o irmão...

 

-Donna, Londres não é tão longe assim. Eu posso visitá-la e você pode vir me visitar quando quiser.

 

-Londres!- repetiu, lágrimas começaram a se formar nos olhos dela.- Nunca me conta nada, seu... seu... magricela... fiapo de ser humano...

 

David deu um sorriso triste.

 

-Também vou sentir sua falta, Donna. Nós tivemos os melhores momentos. Desculpe, eu adoro Glasgow, mas Londres é o nosso lar, sabe?

 

Donna deu as costas para ele, escondendo seu rosto. A mãe de Rose, Jackie Tyler, apareceu com um bebê nos braços.

 

-Oi! Você ai! Rose está no carro esperando.

 

Peter entendeu a deixa e se despediu deles, passando a mão nas costas de Clara.

 

-Você é a garota Clara?

 

-Sim.

 

-Pegue aquele buquê ali!- Jackie olhou feio para Christopher.- Você não tinha uma roupa melhor não?

 

-As opções na prisão são muito limitadas.

 

-Engraçadinho. Você vai entrar com a Clara e depois ficar ao lado de David no altar.

 

-Essa não é a posição da noiva?

 

Jackie tinha o mesmo rosto irritado de Rose Tyler.

 

-Ao lado não de frente.

 

-Entendi.

 

Christopher ria muito quando se juntou a Clara.

 

-Nunca gostou de mim, a Jackie.

 

Clara apanhou um buquê de lírios que estava em cima da mesa.

 

-Pra quê tudo isso? Não há muitos convidados. Somos só nós.

 

-Talvez a Rose queira fazer algo bonito.- disse Clara.- Que fique em sua memória.

 

Ela deu uma rápida olhada nos presentes. No cartão de um deles estava escrito “De Peter Capaldi e Clara Oswald”.

 

-Você tem uma caneta, Clara? Veja se consegue espremer meu nome ai.

 

Ela riu. Peter, como sempre, pensava em tudo.

 

********

Donna parou de chorar, embora seus olhos continuassem vermelhos. Ela e Jackie estavam sentadas juntas. David esperava a noiva no altar, parecia nervoso, como se estivesse se casando pela primeira vez.

 

Clara tinha os braços dados com Christopher, esperando o momento.

 

-Ainda não acredito que estou aqui.- confessou Christopher.

 

-Fico feliz que esteja aqui, Chris.

 

-Pelo menos um de nós está.

 

Clara sabia que ele gostaria de beber mais de sua garrafa, mas não podia fazer aquilo na frente dos outros.

 

-Chris, eu sei que, lá no fundo, você está feliz também.

 

-É... pelo menos vou andar até o altar com uma mulher bonita. Pensei que nunca ia fazer uma coisa dessas.

 

-Aposto que você vai ser o próximo de nós a se casar.

 

-Onde? Na prisão? Alguns costumes da prisão eu prefiro não seguir...

 

-Algum dia você vai encontrar uma mulher maravilhosa que te ama.

 

-Bem que gostaria de achar uma mulher que me defenda daquele jeito num tribunal.

 

-Quem? Donna?- perguntou, estranhando.

 

-Não, você. Defendendo meu pai com unhas e dentes. Ainda estou tonto com o discurso. Não sei como aquele cara consegue atrair mulheres boas demais pra ele. Acho que é a única coisa que queria que ele me ensinasse.

 

Clara não disse nada. O quarteto começou a tocar e eles caminharam juntos. Christopher postou-se ao lado de David como lhe foi mandado e Clara ficou do outro lado, esperando por Rose.

 

-Nervoso, irmão?

 

-Sim, sim...

 

David segurava-se em sua cadeira, muito concentrado. A música mudou. Não era a Marcha Nupcial, Clara reconheceu o toque de “Amazing Grace”. Jenny apareceu, com um vestidinho branco, jogando pétalas de rosas na grama.

 

Ao longe, Clara reconheceu-os. Peter e Rose. Christopher acertara. Rose Tyler não usava branco. Seu vestido longo e rodado era rosa claro, assim como suas sapatilhas e a faixa em seus cabelos. Vestia também uma jaqueta azul e carregava um buquê de rosas vermelhas.

 

Não estava mais com raiva de nada. A noiva sorria deslumbrada e feliz. Clara achou que naquele instante ela era a mulher mais bonita do universo. Tinha certeza que David pensou a mesma coisa, pois seus olhos nunca brilharam tanto. Christopher aproveitou o momento de distração e tomou mais um gole de sua bebida.

 

-Você está linda.- elogiou Clara quando ela chegou.

 

-Você também.

 

Peter deu um beijo no rosto de Rose e sentou-se ao lado de Jackie e Donna. David segurou-se com força nos braços de sua cadeira.

 

-David, o quê...?

 

-Tudo bem, Rose, eu consigo.

 

Lentamente e com muito esforço, David se levantou.

 

-Não, não precisa.- disse quando Christopher fez menção de apoiá-lo.- Eu consigo.

 

David parou em pé sem se segurar em nada. Ele piscou o olhou para Rose.

 

-Indo pelo meu caminho, boneca?- disse. Clara supos que era alguma piada interna dos dois.

 

Rose sorriu emocionada.

 

-Que outro caminho há, papai?- respondeu.

 

Uma mulher chegou por trás do altar e a música cessou.

 

-Bom dia.- ela disse, muito séria.- Estamos aqui reunidos para unir este homem e esta mulher em matrimônio. Rose Tyler, você aceita este homem como seu legítimo marido?

 

-Eu aceito.- disse. Clara sentiu suas lágrimas descerem, mas pela primeira vez não estava chorando de tristeza.

 

-David Capaldi, você aceita esta mulher como sua legítima esposa?

 

David também estava prestes a chorar.

 

-Precisa ser dito?

 

-Sim, querido, precisa.

 

-Então, eu aceito, Rose Tyler. Eu aceito.

 

-Se alguém tem algo a declarar que impeça esta união que fale agora ou cale-se para sempre.

 

Silêncio. Clara deu uma olhada furtiva para Christopher, ele estava sério. Rose e David não tiravam os olhos um do outro.

 

-Então pelos poderes a mim concedidos pela Cidade de Glasgow, eu vos declaro... legalmente casados.

 

Rose se aproximou de seu marido e lhe deu um beijo. David segurou-se nos braços da esposa para não cair. Clara bateu palmas e foi seguida pelos outros, inclusive Christopher.

 

-Ótimo... agora cadê a comida?- o mais velho dos trigêmeos perguntou quando David e Rose foram assinar sua certidão de casamento.

 

********

-Horrível!- reclamava Jackie Tyler à mesa.- Eu disse que devíamos ter chamado um pastor, Rose. Seria muito mais bonito.

 

-Eu achei lindo.- disse Rose, olhando para David.

 

-Eu também. Melhor que o primeiro.- disse David que também não queria deixar de admirá-la.

 

-Eu só fico contente por não terem me expulsado ainda.- disse Christopher do outro lado da mesa, com a boca cheia de strudel.

 

Chris, que só comia na prisão ultimamente, ficara encantado com o brunch. Clara também gostou muito. Havia torradas com manteiga, geleia e chocolate derretido. Tortinhas de morango, strudel, muffins e bombas de creme. Uma travessa de peixe defumado e uma cesta de frutas. Limonada e champanhe.

 

David e Rose eram os únicos que não comiam, pois ainda estavam presos nos seus olhares. Clara tinha certeza que eles seriam um daqueles casais que mais pareciam uma pessoa só de duas cabeças. Peter estava sentado ao seu lado e lhe ofereceu um muffin de mirtilo. Ela deu uma mordida com ele ainda em sua mão.

 

-Que tal?

 

-Muito bom.- respondeu com a boca cheia. Peter sorriu.

 

-David, estou fazendo piadas autodepreciativas e constrangedoras. Você quer parar de namorar sua esposa e prestar atenção?

 

-Desculpe, irmão. Por favor, não atire.

 

-Boa!

 

Os dois riram de seu humor negro.

 

-Gostei do champanhe. Qual parte dos “12 passos” eles te deixam voltar a beber? Acho que vou gostar da reabilitação.

 

-A limonada é para mim e Jenny. O champanhe é para vocês. Só porque o noivo não pode beber não quer dizer que vocês precisam seguir a mesma regra.

 

Christopher olhou para Clara erguendo as sobrancelhas, um silencioso “Não disse?”. Jenny apareceu do lado de Chris.

 

-Quem é você?- perguntou.

 

Ele ficou um pouco surpreso. Todos pararam para olhar.

 

-Eu sou seu tio, Jenny.

 

-Você não é o tio Matt!

 

-Ah, minhas orelhas me entregaram? Não, eu sou o tio Chris. Faz tempo que seu pai e eu não nos falamos, por isso você não me conhece.

 

Ela o analisou.

 

-O tio Matt costumava dançar comigo.- disse.

 

-Sim... mas ele conseguia fazer mágica?

 

Christopher colocou sua mão perto da orelha de Jenny e quando retornou trazia uma uva que havia apanhado da mesa quando ela não estava olhando. Jenny arregalou os olhos, impressionada.

 

-Não.- ela admitiu.

 

Risadas correram pela mesa. Jenny queria saber detalhes de sua mágica, mas Chris se recusava a dar. Donna ainda tentava convencer David a não se mudar para Londres e Jackie ainda reclamava com Rose por não ter seguido seus conselhos, mas nenhum dos dois davam ouvidos a elas.

 

-Algum problema, Clara?- perguntou Peter.

 

-Nada. Sinto falta da Amy, só.

 

-Mas você está feliz?

 

Clara olhou para seu rosto preocupado e sorriu.

 

-Sim, estou.

 

-Que bom. Quando chegarmos em casa tenho um presente para você. Não é o que você está pensando.- acrescentou quando viu sua careta.- Não é nada caro que comprei, é algo que achei entre meus discos.

 

Clara lembrou-se dos discos.

 

-Ei... hum... qual era o nome do restaurante que você queria que jantássemos?

 

-Darillium. Não precisamos ir se você não quiser.

 

-Não, eu quero... é só que...

 

Viu a compreensão se espalhar pelo rosto dele.

 

-Sim, Darillium não era um restaurante famoso quando eu jantava lá com River. Foi só depois de seu álbum que ele passou a ser muito frequentado.

 

-Entendi.

 

Os dois ficaram em silêncio.

 

-Onde vocês se casaram?- ela perguntou sem conseguir conter-se.

 

-No ar livre também. Mas foi à noite e havia mais convidados.

 

-Você também calçou all star?

 

-Não, usei um kilt de gala.

 

Clara cobriu a boca para que não chamasse atenção com sua risada.

 

-Você usou um kilt?

 

-De gala.- completou com um sorrisinho.

 

-Ah, gostaria de ter visto isso.

 

-Acho que ainda tenho algum.

 

-Meu Deus, Peter, eu sabia que você era escocês, mas nunca o vi como... escocês, sabe?

 

Ele achou graça.

 

-Fotos!- gritou Rose de repente.- Esqueci completamente, David, precisamos tirar fotos!

 

-Calma, meu amor.

 

Clara gostaria de poder pular aquela parte. Pelo rosto de Christopher ele também não queria estar de frente a uma câmera, mas Rose era a noiva e todos tinham que obedecê-la.

 

-Podemos fazer isso quando eu sair da prisão e arranjar umas roupas decentes?- ele resmungou quando todos se levantaram.

 

-Não! Precisamos tirar fotos hoje.- insistiu Rose.

 

Eles se reuniram de frente ao altar mais uma vez.

 

-Hum... Chris...- começou Clara juntando-se a ele.-... obrigada pela dica... sobre o vestido.

 

-Tudo bem.

 

-Quer dizer... como é que...?

 

-Ah, mamãe gostava de moda, ela me ensinou sobre essas coisas.

 

-Sério?

 

-Sim, David e Matt nunca aprenderam nada. Mas eu até achava legal. Meio que um hobby.

 

-Você ainda gosta?

 

Ele pensou na pergunta.

 

-Difícil dizer. Eu não andei muito interessado em nada ultimamente... de qualquer forma mamãe não passou muito tempo conversando comigo sobre essas coisas.

 

-Por que?

 

-Papai mandou-a parar. Disse que estava atrapalhando meus estudos ou algo assim... sinceramente, Clara, eu não me lembro. Era muito novo.

 

Clara não disse mais nada. Ficou refletindo sobre aquilo. Juntando dois mais dois.

 

*******

A festa acabou de noite. A animação de Rose e David, por outro lado, não cessava. Christopher ia ficando melancólico com a perspectiva de voltar para a prisão. Clara tinha a mente cheia demais para prestar atenção em qualquer coisa. Ela sentiu os primeiros pingos de chuva, como previra.

 

-Você está muito quieta.- disse Peter caminhando ao seu lado.

 

-Estou pensando numa coisa.

 

-No quê?

 

-Esse vestido... é curto.

 

-Eu notei. E um pouco transparente também.- ele disse, malicioso.

 

-Christopher me ajudou. Ele disse para usar uma meia-calça.

 

-Que também é muito bonita.- disse, agora olhando para suas pernas.

 

-Acho que ele gosta dessas coisas. De roupas.

 

-Hum...

 

-O que você acha?

 

-Acho que não estou entendendo onde você quer chegar.

 

Ela parou de andar e ele também.

 

-Ele me contou que a River costumava conversar com ele sobre essas coisas... mas você a mandou parar.

 

Peter suspirou.

 

-Sim, mandei.

 

-Por que?

 

-Estava atrapalhando os estudos dele. O garoto não pensava em outra coisa.

 

-Peter, você disse que não mentiria para mim.

 

-O que a faz pensar que estou mentindo?

 

-Não sei! Talvez você não quisesse ter um filho “afeminado”.- disparou. Os pingos da chuva ficaram mais fortes.

 

Peter encolheu os ombros.

 

-Talvez. Era uma época diferente.

 

-Não me venha com essa, Capaldi!

 

-Clara, não sei do que você está me acusando, exatamente.

 

-Seu filho era solitário e triste e você tirou dele a única coisa que ele amava por causa de seu sexismo!

 

-Não foi bem assim.

 

-Então me diga como foi!

 

Ele olhou para o grupo que já estava distante deles e depois voltou-se para Clara.

 

-Eu não o proíbi de fazer nada... eu só... achei que tinha coisas mais importantes para ele.

 

-Como o quê?!

 

-Clara, eu fiz isso com todos os meus filhos. Com o Matthew eu insisti que fizesse faculdade e ele teve raiva de mim. Com o David eu reclamava de seus fracassos mais do que comemorava suas conquistas e ele sofreu muito tentando me agradar. Fui um péssimo pai e você já sabe disso.

 

-Sim, mas você não impediu que Matt gostasse de teatro ou que David gostasse de física, impediu?

 

-Christopher não gostava de... moda. Era só um hobby.

 

Clara sentiu sua pressão aumentando, não estava acreditando no que ouvia. A chuva ficou mais pesada.

 

-Como você sabe disso?! Você já perguntou a ele?!

 

-Eu conheço meus filhos, Clara.

 

-Eu duvido muito.

 

-Certo. Sim. Não queria meu filho tão interessado nessas coisas, mas era uma outra época. Eu era muito diferente.

 

-Ora, por favor! Você namorou Sarah Jane Smith e River Song, como é que foi tão conservador assim?!

 

-Não sei, Clara, certas coisas são difíceis de superar. Tentei passar para meus filhos o que meu pai me ensinou. Obviamente não foi a melhor decisão...

 

-Ah, você acha?!

 

Clara já estava encharcada àquela altura, mas não se importou.

 

-Fale com seu filho. Conserte isso.

 

-O que você quer que eu diga?!

 

-Qualquer coisa! “Me desculpe. Você pode ser o que você quiser, Christopher. Eu te amo. Eu sempre estarei aqui por você”.

 

-Ele lhe disse que é isso que ele quer?

 

-Não, mas e se for? E se ele não tem coragem de dizer por sua causa?!

 

-Ele pode ser o que quiser agora, já é adulto!

 

-Então vá dizer isso a ele! Vá até ele agora mesmo e diga. Antes que seja tarde.

 

Peter não se mexeu.

 

-Meu amor, você está com a cabeça quente...

 

-Você é inacreditável! Ainda não quer um filho que goste de moda! Do que é que você tem medo? Que ele seja gay?

 

-Não! Clara, eu não me importo.

 

-Então por que é tão difícil pra você conversar com o Christopher?! Por que você só fala com o David?! Certo, ele era seu favorito... mas você mudou agora, não é? Os dois são seus filhos.

 

Peter ainda assim não se mexeu. Encarou-a sem se incomodar com a chuva.

 

-Clara, isso é muito mais complicado do que você pensa.

 

-Sabe o que eu penso? Eu penso que você é um egoísta, orgulhoso, sexista, nojento... e eu me envergonho de ter defendido você! De amar você!

 

Talvez por já ter gasto todas as suas lágrimas ou por sua raiva ser maior que a tristeza, mas o fato era que Clara não estava chorando. Queria bater em Peter e tremia de ódio e frio. Ele não mexia nem um músculo e não se defendeu de seus xingamentos.

 

-Não quero ir a sua casa. Não quero jantar com você. Não quero mais nem ver você. Acabou!

 

Clara virou-se e andou apressada. Não olhou, mas sabia que Peter caminhava atrás dela. Ouvia seus passos fazendo barulho nas poças d'água.

 


Notas Finais


Foi assim que Michelangelo se sentiu quando terminou a Capela Sistina? (não que eu seja genial como ele, longe disso). Ainda bem que estou sem aulas, caso contrário nunca terminaria esse capítulo. Mas sempre soube que ele seria gigante, fiz até um arquivo só pra ele. Não sei vcs mas Rose e David foi meu casal favorito desta história, e olha que eu nem shippo tanto eles na série!

Certo, alguns detalhes:
1- Tem um motivo pra Clara morar na Denmark Street, mas não vou revelar. Tbm tem um motivo pra loja da mãe da Rose ser em St. Pancras que é igualmente secreto, mas posso dizer que William Hartnell (intérprete do Primeiro Doutor) já morou lá. A verdade é que é difícil morar em Londres (jura, Valdie?) vc tem que ter condiçõe$. É a cidade mais cara do mundo, já me disseram.

2- Acenem um adeus pra Martha tbm, pois não mais a veremos nesta fic. Que acharam dela?

3- O vestido da Clara é o que ela usa em "The Rings of Akhaten" ( https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/originals/63/01/01/6301015c4752e1262490ce9a124c2378.jpg ) e o da Rose é de "The Idiot's Lantern" ( https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/55/0c/67/550c67b1cf4ec5550049c491936f766b.jpg )

4-Capítulo total e completamente dedicado ao meu amigo zephirat que constantemente (e indiretamente) me lembrava que essa história se passa no Reino Unido e eu não escrevi NADA que demostrasse isso. Desculpem, não sei o que deu em mim. Espero que tenha gostado da historia do Gallifrey Park. É falsa, claro, Gallifrey é o nome do planeta natal do Doutor. Fiz vagamente baseada na história do Hyde Park em Londres. E espero que tenha gostado do brunch, mate. Faltou só um tea, mas achei que não combinava, não sei. E não estranhe a tradução de "James" para "Jaime", a gente faz isso tbm.

5-Por falar nisso, obrigada à NowhereUnnie que me lembrou dessa benção chamada kilt. Depois do terno, é minha peça de roupa masculina preferida. David não poderia usá-lo pq imaginá-lo sem aquele terno e all star é um crime. Desculpe ter feito o Peter usá-lo, sei que vc não gosta dele (e provavelmente gosta menos ainda agora). Mas olha, coloquei uma pitada de Martha/Mickey pra vc!

6-"I was going to be with you forever!". Gostaria muito de ter explorado essa amizade entre Donna e David, mas eram tantos personagens! Enfim, fica subentendida. Amo a Donna, ela ainda volta no próximo capítulo, não se preocupem.

7- Que tal Christopher fashionista? Fiquei um pouco insegura com isso, admito. Mas olha, Peter tinha que ter sido um pai MUITO ruim pra merecer esse ódio todo. Acho que agora ficou um pouco mais claro.

8- Discussão de casal na chuva sim! Meu lugar-comum preferido.

9- Mais uma pelo Nono Doutor! Tem amo, Chris <3

No próximo capítulo vamos ver se Clara e Peter se acertam de vez ou não. O fim está próximo. Só mais três capítulos.

=***


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