História Diamantes - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Doctor Who
Personagens 10º Doctor, 11º Doctor, 12º Doctor, 9º Doctor, Amelia "Amy" Pond, Clara Oswald, Donna Noble, Jackie Tyler, Martha Jones, Mickey Smith, Personagens Originais, Rory Williams, Rose Tyler, The Master
Tags Clara Oswald, Danny Pink, Doctor Who, Twelve
Exibições 28
Palavras 4.116
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Um Milhão de Motivos


Fanfic / Fanfiction Diamantes - Capítulo 6 - Um Milhão de Motivos

 Quando Clara voltou ao hotel Danny não estava lá. Deixou um recado dizendo que tinha “algumas coisas para resolver” e não sabia que horas ia chegar. Ela achou estranho, mas intimamente agradeceu por isso. Tudo que ela queria era se jogar debaixo das cobertas e gritar num travesseiro. Desgostava de Sarah Jane Smith antes e agora tinha ficado muito pior. Queria quebrar todos aqueles dentes brancos perfeitos, daquela boca perfeita, daquela cabeça perfeita e inteligente.

 

Ela achou impossível racionalizar aquele ódio. “Talvez seja aquela época do mês...”, pensou, mas sabia que não era o caso. Sarah Jane Smith não tinha nada de errado. Era perfeita. Engraçada, simpática, esperta, bonita, o pacote completo. Seu único “pecado” seria ter namorado o Peter, e mesmo assim não havia nada errado nisso.

 

Seu celular tocou. Quase o jogou no chão ao ver quem era, mas já tinha quebrado celulares o suficiente.

 

-O que você quer?- disse mal-humorada.

 

Não precisava ver o rosto de Peter para saber que ele tinha se espantado.

 

-Desculpe, liguei em má hora?

 

-Eu ia dormir.

 

-Perdoe-me, queria apenas saber se você está bem.- falou naquele tom formal que Clara achava elegante, mas agora era estúpido.

 

-Estou ótima.- respondeu curta e grossa.- Perfeita, aliás.- acrescentou sarcástica.

 

Peter demorou alguns segundos para responder.

 

-Certo, boa noite então. Nos vemos amanhã.

 

-Não, espere!- disse sem pensar.- Você... como vai você?

 

Fez careta diante da própria pergunta idiota.

 

-Ah... bem. Não se preocupe comigo.

 

-Não estou preocupada. Só estou puxando conversa.

 

-Pensei que você queria dormir.

 

-É, mas você me acordou! Então comece a falar, vovô.

 

Ela ouviu sua risada do outro lado e não pode evitar um sorriso também.

 

-Será que um dia vou entender você, Clara Oswald?

 

-Não consegue acompanhar meu ritmo, Capaldi?

 

-Você sabe que isso não é verdade.- disse com a voz carregada de malícia.

 

Ela enrubesceu, negou-se a deixar a conversa enveredar por esse lado.

 

-Está nervoso com o julgamento amanhã?- perguntou sabendo muito bem que aquilo ia incomodá-lo. Podia ver em sua mente o rosto dele sair do sorriso metido e ficar sério.

 

-Já estive em julgamentos antes.- respondeu, seco.

 

-Mas nunca com dois filhos envolvidos.

 

-Não, mas já vi minha esposa ser julgada.

 

Clara parou. Assustada com aquela declaração.

 

-Foi algo sobre direitos autorais.- ele explicou sem se alterar.- Nada demais.

 

-Durante quanto tempo você foi advogado?

 

-Tempo demais!- disse, soando cansado só em falar no assunto.- Tudo isso está me lembrando das coisas que odiava naquela época.

 

-Então você não gostava?

 

-Não suportava.

 

-Por que trabalhou então? Não precisava, imagino.

 

-Clara, não fui completamente sincero.- disse, mudando de assunto.- Estou ligando porque ouvi coisas interessantes sobre você hoje.

 

O coração dela parou.

 

-Mesmo?

 

-Sim, David me contou que a viu hoje de manhã. Se soubesse teria ido com ele.

 

-Ah, não tem problema...- disse, respirando aliviada.- Vamos nos ver amanhã.

 

-Porém, o que mais me surpreendeu foi outra coisa que ouvi. Seu namorado – qual é o nome dele? “Alguma Coisa” Pink – me ligou e disse que eu não precisaria levá-la ao tribunal amanhã.

 

-O quê?!

 

-Ao que me parece ele... “pode cuidar disso”. Acredito que foram estas suas palavras.

 

-Não estou sabendo de nada disso!

 

-Bom, ele me pareceu bastante decidido. Mas se você quiser, posso passar por ai amanhã, ou até mesmo hoje.

 

-Peter... por favor, não me diga que você está aqui embaixo.

 

Silêncio.

 

-Certo, não direi.

 

-Peter! Meu Deus, você é ridículo!

 

Ela levantou-se e foi até a janela. Lá estava a limusine parada na frente do hotel, como na primeira noite.

 

-Sabe, quando Romeu cortejou Julieta embaixo de sua sacada ele não foi recebido com tanta hostilidade.

 

-Pois é, e depois ela se matou.

 

-Por amor!

 

-Peter, vá pra casa.

 

-Não até resolvermos isso.

 

-Se Danny disse que me levaria, então ele vai me levar. Agora saia daqui!

 

Ela fechou as cortinas da janela com violência.

 

-Está bem então.- ele parou alguns segundos.- Mas se você mudar de ideia...

 

-Peter... Vá. Embora.- falou entredentes.

 

Peter suspirou.

 

-Certo. Boa noite, Clara Oswald.

 

-Boa noite.

 

Ele desligou. Clara ficou satisfeita ao perceber que podia agir com sangue frio. Mas sua cabeça doía tentando imaginar o que Danny Pink estava aprontando.

 

********

-Clara... Clara, acorde. Tenho uma surpresa pra você.- disse a voz de Danny.

 

-Hum...?

 

Clara adoraria não ter que levantar-se, mas Danny insistiu.

 

-Clara, acorde, senão vamos chegar atrasados.

 

Com muita relutância, Clara saiu do seu casulo para se ver de frente a um Danny Pink muito entusiasmado.

 

-Venha, você vai adorar.

 

Se ela estivesse em condições de formar palavras teria dito “você parece muito feliz para alguém que está indo a um julgamento.”, mas assim que saiu do hotel descobriu o motivo da alegria toda e sua voz retornou.

 

-Um carro, Danny? Você alugou um carro?!

 

-Legal, não é?- disse sorrindo.- Assim não precisamos depender dos outros o tempo todo.

 

-Podíamos pegar um táxi ou algo assim. Gastaríamos menos.

 

-Mas não seria tão confortável!

 

-Você sabe como chegar lá? Danny, você não conhece Glagow.

 

-Você anda tanto tempo com múmias que se esqueceu de como são as pessoas deste século. Clara, podemos usar um GPS.

 

-Você pode dirigir aqui? Não é ilegal?

 

-Sabe, aposto que se fosse com ele você não estaria fazendo tantas perguntas.- falou emburrado.

 

Clara ia responder, mas pensou melhor. Talvez Danny tivesse razão. Simplesmente aceitava as coisas malucas que Peter fazia, soltava algumas reclamações pontuais mas nada muito sério. Peter sabia conquistá-la, mas Clara prometeu que não se entregaria mais a ele daquela forma.

 

-Está bem, Danny. Foi uma boa ideia. Agora, vamos logo.

 

Danny sorriu, contente ao receber um elogio seu. No entanto, Clara teve que se segurar para não criticá-lo quando se perderam e chegaram em cima da hora.

 

-Viu só? Deu tudo certo.

 

-Uhum.- era a única coisa que ela conseguia lhe dizer.

 

Clara só vira tribunais na TV ou no cinema, de modo que estranhou o fato daquele ser tão pequeno e praticamente vazio. Apenas umas nove pessoas no júri que pareciam bastante tranquilas, como se não estivessem julgando um caso de tentativa de homicídio.

 

-Clara!- chamou Amy Pond no corredor. Ela veio correndo até a amiga.- Finalmente, pensei que alguma coisa tinha acontecido.

 

-Bom dia.- desejou Rory quando chegou onde eles estavam. Clara notou que havia olheiras muito escuras embaixo de seus olhos.

 

-Bom dia.- respondeu Danny.

 

-Não começou ainda?- Clara perguntou passando o olhar pela sala.

 

-Não, mas está prestes a começar.- Amy respondeu.

 

Clara viu uma mulher loira sentada não muito longe deles, acreditou ser Rose Tyler. Ela mantinha a cabeça abaixada e não falou com ninguém. Clara trocou olhares significativos com Amy.

 

-Então, onde está o David?- perguntou Danny quebrando o momentâneo silêncio.

 

-Donna está falando com ele lá fora.- respondeu Rory com a voz rouca, Clara quase não o ouviu.

 

-E Peter...- começou Amy, mas ela não precisou continuar pois Peter entrou naquele momento. Lia um jornal e só notou a presença deles quando esbarrou em Danny.

 

-Ah... olá, Clara.- disse sorrindo e guardando o jornal no bolso. Agiu como se Danny não estivesse ali.

 

-Olá.- disse sem emoção.

 

-Teve uma boa noite de sono?

 

-Eu tentei.

 

-Nos divertimos muito ontem não foi, Clara?- disse Amy.- Nós fomos...

 

-Vai depor hoje, Peter?- perguntou Danny. Clara o olhou agradecida. Amy franziu a testa, achando estranha a interrupção.

 

Peter pareceu espantado. Como se de repente uma das cadeiras tivesse falado.

 

-Sim... este foi o combinado.- ele voltou-se à Clara.- Como você chegou aqui? De táxi?

 

-Danny alugou um carro.

 

-Eu mesmo o dirigi.- disse Danny um pouco alto demais.

 

-Hum... por isso você demorou a chegar.- alfinetou Peter sem olhar diretamente para Danny.

 

-Eu sou muito difícil de sair da cama de manhã.- disse Clara pretendendo encerrar o assunto, mas Peter sorriu.

 

-Ah, sim, eu me lembro.

 

Clara enrubesceu. Danny o olhou como se quisesse arrancar sua cabeça fora. Amy ainda parecia extremamente confusa. Rory era o único que tinha a mente bem longe dali. Olhava para baixo, como Rose Tyler. Clara imaginou que ele também não estava tendo uma boa manhã.

 

Naquele momento Donna Noble inrrompeu pela porta. O barulho de seus saltos no chão ecoaram por toda a sala. Ela empurrava a cadeira de rodas de David.

 

-Olá, Clara. Danny.- ele saudou com um fraco sorriso. Clara sentiu seu coração partir-se, David parecia destruído.

 

-Oi, David.- ela falou com toda a doçura que pôde. Mas jamais seria tão doce quanto Rose Tyler.

 

-Como vai, David?- perguntou Danny. Ele não respondeu.

 

Clara lembrou-se de quando o conhecera seis meses atrás. Solitário e sombrio.

 

-Vamos sair do corredor, eles estão vindo.- avisou Donna, levando David até seus lugares.

 

Não sabiam de quem ela estava falando, mas logo descobriram. Christopher chegou algemado com dois policiais ao seu lado. “Tensão” não era o suficiente para definir o clima que se instalou. Clara olhou imediatamente para Peter. Ele e Christopher se encaram, mas não disseram nada. Permaneceram sérios.

 

Clara sentiu que aqueles foram os segundos mais longos de sua vida, nem podia sequer imaginar como Peter estava se sentindo. Sabia muito bem que aquela era a primeira vez que pai e filho se viam em anos. Christopher não durou muito tempo entre eles, sem olhar para mais ninguém ele foi guiado pelos policiais até seu lugar.

 

Ela não se importou mais com Danny, com Sarah Jane, nem com ninguém. Clara segurou a mão de Peter lhe passando apoio. Quer ele admitisse que estava nervoso ou não, ninguém tinha sangue frio nesses momentos. Peter segurou sua mão, mas não retribuiu seu olhar.

 

-Bom dia, pessoal.- disse um recém-chegado.

 

Todos se assustaram. Ainda estavam se recuperando do aparecimento de Christopher. O homem vestia paletó e sorria satisfeito para eles. Ele parecia um garotinho se fingindo de adulto. Não era particularmente alto, tinha a pele negra e um jeito meio metido na forma de andar.

 

-Bom dia, Donna.- disse indo até a advogada e estendendo a mão para ela.

 

-Coloque essa pata longe de mim, Mickey.- respondeu se esquivando dele.- Você não me engana, sei muito bem qual é sua jogada.

 

Se Donna falasse assim com Clara ela voltaria para sua cama e choraria em posição fetal. Mas o tal Mickey continuou sorrindo como se nada tivesse acontecido.

 

-Olá, David.

 

-Não fale com meu cliente! Eu não posso falar com o seu, posso?

 

Mickey assentiu.

 

-Está bem então. Bom julgamento para vocês.

 

Donna não respondeu. Colocou sua bolsa e papéis em cima da mesa. Mickey foi até onde Christopher estava e sentou-se ao seu lado.

 

-Venham, vamos arrumar uns lugares.- disse Amy.

 

Havia muita opção uma vez que a sala estava praticamente vazia. Clara andou de mãos dadas com Peter e eles sentaram-se próximos à Rose Tyler. Ela arriscou um olhar para a loira, tinha os olhos inchados de quem andara chorando. Danny sentou-se ao seu lado e os Williams (os Ponds?) logo atrás deles.

 

A chegada do juiz foi anunciada. Clara sentiu-se nervosa.

 

-Certo, vejamos...- disse o juiz em sua bancada, parecendo entediado. Ela o achou muito jovem para ser juiz, não parecia mais velho que David e Christopher.- Os advogados de David Tennant e Christopher Eccleston estão presentes?

 

-Sim, meritíssimo.

 

-Sim, meritíssimo. Mas o nome correto é “David Capaldi”.

 

-O quê?

 

-Sim, Tennant era falso.- explicou Donna.

 

-Fui informado que ele tinha mudado para se distanciar da família.

 

-Sim, mas ele não mudou de verdade. Sabe, legalmente.

 

-Bem, de acordo com os documentos, Christopher também não mudou.

 

-Sim, meritíssimo, mas gostaríamos que ele permanecesse “Eccleston” nos relatórios oficiais.- disse Mickey.

 

-Não é assim que a justiça funciona, doutores.- disse o juiz, irritado.

 

-Estamos cientes disso, meritíssimo.- falou Donna comedida.- Mas esta questão já foi discudida nas audiências preliminares.

 

Pelo seu rosto, Clara deduziu que Donna estava mais do que cansada de discutir aquela questão. O juiz suspirou, ele riscou algo em seus papéis e anotou outra coisa.

 

-Verificarei esse assunto mais tarde. A acusação gostaria de chamar sua primeira testemunha?

 

-Sim.- disse Donna.- Chamamos Peter Capaldi para a bancada.

 

Peter levantou-se e caminhou até a frente da sala. Clara sentiu seu coração apertar, desejou que tivesse sido um pouco mais simpática com ele antes.

 

-Sr. Capaldi...- começou Donna levantando-se.-... o senhor é o pai de David Capaldi e Christopher Eccleston, correto?

 

-Sim.

 

-E também de Matthew Smith, falecido no ano passado?

 

-Sim.

 

-Pode nos descrever como era o relacionamento entre vocês?

 

-Problemático. Eu não era um pai muito presente e, acredito que, um pouco rígido demais.

 

-Seus filhos mantiveram contato com o senhor depois que sairam de casa?

 

-David tentou me contatar algumas vezes, mas eu temia que minha influência trouxesse mais malefícios do que benefícios.

 

-E os outros dois?

 

-À princípio Matthew me mandava cartões de natal para dizer que estava bem, mas depois não o fez mais.

 

Clara arregalou os olhos, não sabia daquilo.

 

-E Christopher me evitou completamente.- concluiu.

 

-E como o senhor descreveria o relacionamento entre vocês hoje em dia?

 

-Depois da morte de Matthew algumas coisas mudaram.- ele lançou um rápido olhar para Clara.- Eu voltei a falar com David.

 

-É verdade que o senhor o leva à fisioterapia?

 

-Quando tenho tempo, sim.

 

-Então o senhor diria que tem cuidado melhor dele agora?

 

-Protesto, meritíssimo!- disse Mickey ficando de pé.- Ela está induzindo a testemunha.

 

-Ah, vê se cresce, Mickey!- reclamou Donna.- Peter Capaldi não é induzindo por ninguém, ele não é você!

 

-Deferido, Dr. Smith. Dra. Noble, controle-se.- avisou o juiz.

 

Donna suspirou e repensou a pergunta.

 

-Sr. Capaldi, o senhor diria que é mais presente na vida de David agora do que o era antigamente?

 

-Sim, eu diria que sim.

 

-Obrigada. Sem mais perguntas, meritíssimo.

 

Donna voltou ao seu lugar. Mickey levantou-se. Peter o encarou sério, mas ele não se intimidou.

 

-Sr. Capaldi, o nome “Clara Oswald” lhe diz alguma coisa?

 

Clara inspirou fundo.

 

-Sim, ela morava com meu filho Matthew na Inglaterra.- respondeu sem se alterar.

 

-E ela veio aqui para o funeral dele, correto?

 

-Sim.

 

-Ela ficou na sua casa?

 

-Protesto! Meritíssimo, qual é a relevância disso?!- disse Donna, levantando-se irada.

 

-Eu estou chegando lá, não se preocupe.- defendeu Mickey.

 

-Negado, Dra. Noble. Sr. Capaldi, responda a pergunta.

 

Donna se sentou cruzando os braços, contrariada.

 

-Ela ficou sim.

 

-A Srta. Clara Oswald conhecia a família de Matthew anteriormente?

 

-Não.

 

-Por quê?

 

-Matthew nunca contou a ela sobre nós, pelo que entendi.

 

-E o que a Srta. Clara Oswald fez quando ela descobriu sobre os irmãos de Matthew?

 

Peter parou um momento.

 

-Ela... foi contar-lhes sobre a morte do irmão.

 

-Ah... então ela teve a iniciativa de uní-los.

 

-Até onde eu sei ela queria informar a eles que Matthew havia falecido. Se queria nos unir ou não isso você vai ter que perguntar a ela.

 

-Talvez eu pergunte.- ele disse sorrindo. Clara sentiu um calafrio.- Então, em resumo: você não teve a ideia de procurar seus filhos, foi Clara Oswald.

 

-Sim. Como eu disse, evitava contato com David e Christopher não me aceitava em sua vida.

 

-Muito bem, mas não foi o senhor quem mandou Clara Oswald ir procurar por David e Christopher. Ela teve a ideia por conta própria, sim?

 

Peter parecia querer esganá-lo.

 

-Sim. Ela foi sozinha.

 

-Então, você não precisava ir falar com David e Christopher pessoalmente. Poderia mandar Clara Oswald em seu lugar, mas não mandou.

 

Peter não disse nada.

 

-Sem mais perguntas, meritíssimo.- disse Mickey com um sorriso orgulhoso. Exatamente nesse momento Donna Noble se levantou.

 

-Gostaria de fazer mais algumas perguntas, meritíssimo.

 

-Vá em frente.

 

-Sr. Capaldi, é verdade que seu filho Christopher morava em um bairro frequentado por traficantes de drogas?

 

-Sim. Infelizmente.

 

-E que a Srta. Rose Tyler tinha uma ordem de restrição contra meu cliente David que, na época, ela acreditava que fosse válida?

 

Clara olhou para Rose, ela pareceu se encolher mais um pouco.

 

-Sim.

 

-E a Srta. Rose Tyler estaria no funeral de Matthew?

 

-Sim, ela me disse que iria.

 

-Então, você não poderia chamar David porque iria contra as exigências de Rose Tyler e não poderia mandar Clara Oswald procurar por Christopher porque a vizinhaça dele não era muito amigável.

 

-Protesto, meritíssimo, ela está especulando!

 

-Eu retiro o que disse.- falou Donna calmamente.

 

-Eu não queria falar com David na época por medo de minha influência sobre ele.- disse Peter.- E não queria falar com Christopher pois ele tentava se matar toda vez que eu me aproximava.

 

Mickey parece ter tido alguma ideia e anotou-a em seus papéis.

 

-Sem mais perguntas, meritíssimo.- disse Donna e sentou-se.

 

-A testemunha pode retornar ao seu lugar.

 

Peter saiu da bancada. Clara achou aquilo tudo muito confuso. O que eles queriam provar afinal? Se Peter se importava ou não com os filhos? O que isso tinha a ver com a tentativa de homicídio?

 

-A acusação pode chamar sua segunda testemunha.

 

-Sim, meritíssimo. Chamamos o Sr. David Capaldi para a bancada.

 

David parecia que queria fazer tudo menos ir até lá. Mas deixou que os guardas levassem sua cadeira de rodas.

 

-Sr. Capaldi... bem, David...- começou Donna. Clara achou estranho vê-la tão educada com ele.- o senhor poderia nos contar como o Sr. Christopher Eccleston era quando vocês moravam na mesma casa?

 

-Christopher era o mais rebelde de nós três. Ele sempre chegava tarde, criava confusão por nada, usava drogas...

 

-Com que idade Christopher começou a usar drogas?

 

-Não sei dizer com certeza. Mas acho que foi quando nossa mãe adoeceu, éramos adolescentes.

 

-O que o faz pensar isso?

 

-Ele começou a ter uns amigos estranhos, muito mais velhos que ele. Estava muito distante, ainda mais que o normal e também ficava nervoso do nada.

 

-Ele era agressivo com você e Matthew?

 

-Sim, mas era mais comigo.

 

-Por quê?

 

David olhou brevemente para Rose.

 

-Ele... não gostou quando comecei a namorar Rose Tyler.

 

-Você poderia explicar melhor como começou o relacionamento entre vocês dois?

 

David olhou para baixo.

 

-Foi depois que nossa mãe morreu. Rose terminou com Christopher pois não aguentava mais o temperamento dele. Mas ela era amiga da família e ficou por perto. Estávamos todos muito deprimidos e Rose nos ajudou. Matt dizia que eu sempre gostei dela, mas eu mesmo só percebi nessa época.

 

-Foi ai que vocês começaram a namorar?

 

-Não. Rose ainda gostava de Christopher, apesar de tudo.- David parou um momento.- Mas então ele fez uma coisa.

 

-O quê?

 

-Ele a roubou. Rose e a mãe dela tinham uma loja. Ele precisava de dinheiro para comprar drogas.

 

Clara levou a mão à boca, em choque.

 

-E o que aconteceu depois?- perguntou Donna ecoando os pensamentos de Clara.

 

-Eu fui atrás dele. Nós brigamos, mas... eu consegui o dinheiro de volta.

 

-Você diria que Rose Tyler nunca fez nada contra Christopher até aquele momento?

 

-Ah, com certeza. Ela gostava muito dele.

 

-Sem mais perguntas, meritíssimo.

 

Donna retornou ao seu lugar com um sorriso vitorioso. Clara ainda estava chocada com a informação que recebera.

 

-Vamos nos adiantar um pouco no tempo, sim?- disse Mickey se levantando.- Sr. David Capaldi, durante seu casamento com Rose Tyler você teve problemas com bebida alcóolica, não foi?

 

-Sim, tive.- respondeu David, obviamente desconfortável com aquilo.

 

-E você fez algumas coisas que se arrepende, certo? Como...- ele olhou para seus papéis.-... abusar verbalmente de sua esposa e filha, quebrar objetos domésticos de propósito, ter um caso extraconjugal com...?

 

-Sim, eu fiz isso...- disse David envergonhado.-... e me arrependo.

 

-Você diria que não amava sua esposa e filha nessa época?

 

-Eu as amava muito. E ainda amo.

 

-Então, por que agiu de forma tão violenta?

 

-Acho que... estava sob influência dos meus vícios.

 

-Hum... entendo. Sem mais perguntas, meritíssimo.

 

O sorriso de Mickey era ainda mais orgulhoso do que o de Donna. Clara ainda não entendia o que eles estavam tentando provar. Ninguém falava sobre a cena do crime em questão.

 

-A testemunha pode se retirar.- disse o juiz quando os advogados não se pronunciaram.- Vamos nos reunir novamente na segunda-feira. Estão dispensados.- ele bateu seu martelo.

 

Clara voltou a respirar novamente. Por mais confusa que estivesse ficou contente que aquilo havia acabado. Apesar de rápido fora torturante, pelo menos para ela. Sentiu pena de Peter, Rose, David e todos os envolvidos. Depois entrou em pânico ao se lembrar que aquele era apenas o começo e que ela ainda teria que depor.

 

********

-Amy, você entendeu alguma coisa?- ela perguntou baixinho quando encontrou-se com a amiga no corredor.

 

-Hum... eles desencavaram muita história antiga, não foi?

 

-É, mas... eles não falaram sobre a briga e o tiro de Christopher nem nada.

 

-Ah... você não sabe?!

 

-Não sei o quê?!- Clara nunca se sentiu tão por fora de um assunto. Foi como na vez em que ficara na casa de Peter e se surpreendera com o fato de que Matt tinha dois irmãos gêmeos.

 

-Christopher já foi condenado. Estamos tentando diminuir a pena dele e pedir uma prisão domiciliar alegando que ele é irresponsável pelos atos e tudo que diz. Enquanto que ele que provar que a família foi a má influência esse tempo todo e se voltar pra ela tudo vai ficar pior do que já está.

 

Clara massageou suas têmporas. Estava tendo uma enxaqueca.

 

-Então, espera um pouco... Christopher quer continuar na prisão?!

 

-Bem... acho que ele só não quer nossa ajuda para sair de lá.

 

Ela então percebeu que Christopher queria sair da prisão de outra forma. Através do suicídio.

 

-Isso é horrível!

 

-Eu sei! E confuso. O cara que recebeu o tiro é que está tentando salvar o atirador.

 

Clara ia dizer algo, mas ouviu uma discussão próxima a elas. Amy puxou seu braço e as duas se esconderam atrás da parede.

 

-Rose, fale comigo, por favor.- disse a voz de David.

 

-Eu não quero olhar pra você!- respondeu.

 

Clara tomou um susto, nunca presenciou uma Rose Tyler tão irritada.

 

-Bem, nós moramos na mesma casa, você vai ter que me olhar algum dia.

 

-Eu não acredito que você falou com aquela mulher! Você sabe como eu a odeio.

 

-Eu não tive opção. Ela apareceu do nada.

 

-Todas aquelas vezes que você esteve no hospital... você espera que eu acredite que nunca a viu antes?

 

-Sim! Senão por que eu estaria falando sobre ela agora?

 

-Ei, o que vocês estão fazendo aqui?- perguntou Rory, chegando com Danny.

 

-Shh!- disseram Amy e Clara ao mesmo tempo.

 

-Não sei, David! Talvez só agora você teve coragem. Eu não... eu não consigo confiar em você.

 

Aquilo doeu até em Clara.

 

-Rose, aquele homem que eu era... eu não sou mais assim.

 

-Eu sei, David... mas... e se você tiver uma recaída? E se algo acontecer? E se a presença dessa mulher aqui fizer você...?

 

-Eu posso ir a outro hospital se você quiser.

 

-Mas aí eu nunca vou saber se você mudou porque eu mandei ou porque sentiu alguma tentação com ela aqui?

 

-Rose, eu juro que não senti. Não sinto nada por ela!

 

Rose não falou, mas Clara pensou que ela ainda não tinha se convencido.

 

-Pessoal, isso realmente não é da nossa conta...- começou Danny.

 

-Shh!- repetiram Amy e Clara.

 

-Escute, eu também tenho medo, está bem?- disse David.- Aquelas coisas que fiz... eu era incapaz de me controlar. Você não sabe como é, era como se... meu corpo tivesse vontade própria. Eu não sei se vai acontecer de novo, mas estou tentando meu melhor. E você teve fé em mim e me aceitou de volta.

 

Rose ainda não disse nada.

 

-Ou você está reconsiderando?- ele perguntou, soando como um dos advogados.

 

-Não sei...- disse parecendo muito triste.-... acho que eu preciso de tempo.

 

Clara gostaria muito de gritar “Protesto!” e exigir que eles voltassem a se amar como antes. Mas limitou-se a esperá-los sairem para poder conversar com Amy livremente.

 

-Eu não acredito nisso...- falou transtornada.

 

-Espera, então a Dra. Martha Jones era a amante de David?- perguntou Rory.

 

-Sim, Rory! Ai, meu Deus, você é tão lento!- disse Amy grosseira.

 

-Vocês acham que eles vão se separar de novo?- Clara perguntou sentindo as lágrimas em seus olhos.

 

-Não se a festa de casamento já foi paga. Essas coisas custam tanto que eu preferia casar com o satanás a perder o dinheiro.- respondeu Amy.

 

-Nossa, amor, obrigado.

 

-Eu não estava falando de você!

 

-Vai ficar tudo bem, Clara.- tranquilizou Danny, segurando sua mão.

 

Clara desejou que ele estivesse certo. Pensou em como as coisas estavam voltando ao mesmo estado horrível de antes. Rose e David estavam desunidos, Christopher estava afundando em depressão e até mesmo Amy e Rory pareciam chateados com alguma coisa. Clara sentiu como se tudo que aconteceu seis meses atrás não tivesse valido de nada. Suas conversas, visitas, o tiro que deixou David paraplégico e a morte de Matt. Absolutamente todos os sacrifícios foram inúteis, estavam todos infelizes no fim das contas.


Notas Finais


Olá!

Sinto que pari um filho, que capítulo trabalhoso! Estou meio que como o Peter, me lembrando de porque não escolhi essa carreira jurídica...

Espero que tenham gostado. Sei que tem muita coisa que não está como acontece na vida real, mas ei, por isso que é ficção!

Será que tudo que Clara fez em Luzes da Ribalta foi em vão? David vai voltar a ficar só? Tem alguma coisa errada entre Amy e Rory?

Nenhuma dessas perguntas será respondida no próximo capítulo. Mas outras serão sim.

=***

PS: Sim, Mickey Smith está nessa fic! E não tem nenhuma relação qualquer que seja com Sarah Jane Smith, apenas coincidiram de terem o mesmo sobrenome. Tbm não é um ex da Rose, apesar dos acontecimentos na série. Pontos extras pra vc que achou que o juiz era o Mestre, mas tudo bem se essa te escapou. Foi difícil de perceber mesmo.

PS²: O título veio da música "Million Reasons" da Lady Gaga.


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