História Diante das lentes dela - Capítulo 27


Escrita por: ~

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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Personagens Originais
Tags Laura Prepon, Laylor, Oitnb, Taylor Schilling
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Palavras 4.062
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi bebês, boa noite! 🙋

Capítulo bem de boa pra vocês, boa leitura beijos ❤ :*

Capítulo 27 - A audiência


Quando o vídeo acabou e a tela ficou preta as três mulheres riram discretamente. Era realmente a cara de Pietro fazer algo daquela natureza. Ana Júlia e Alexya voltaram a ficar do outro lado da mesa e, após se sentar, a advogada tomou a iniciativa de retornar a conversa.

 

- Eu achei o contrato e ele definitivamente pensou em tudo, está tudo perfeito, só preciso assinar e seguir as orientações – disse ela com um sorriso divertido.

 

- Se aquele idiota não nos mandar notícias logo vou dar um jeito de descobrir quem é esse rapaz e vou mandar alguém achar os dois – avisou Laura com um certo tom de preocupação, mas também com um sorriso no rosto por ter visto a felicidade nos olhos do amigo.

 

- Eu acho que sei quem é – contou Alexya com um riso baixo – Me lembro da noite da exposição, Pietro realmente saiu acompanhado por um homem muito elegante e eu, de relance, consegui ver o rosto dele. Na época o achei conhecido, mas agora acho que tenho certeza, só precisamos da lista de convidados e eu poderei afirmar sem nenhuma dúvida.

 

- Dona Laura a senhora tem a lista no seu computador, eu mandei o arquivo com a lista completa para sua aprovação – avisou Ana Júlia e a editora-chefe logo foi atrás da lista – Quem você pensa que é esse rapaz Ale?

 

- Antuan Martinez – falou a advogada – Confirme se ele estava presente Laura que eu digo quem é.

 

- Sim, está na lista – falou Laura arqueando as sobrancelhas para a amiga – Quem é esse homem Alexya?

 

- É um modelo internacional. O que sei dele é por conta da antiga empresa em que trabalhei, uma colega de trabalho adorava revistas de moda e o achou muito bonito. Ela começou a acompanhar a carreira do rapaz e sempre vinha me contar porque eu era a única que apenas ria dela e não fazia piadas sobre ela estar apaixonada por um modelo que ela nunca veria de perto. Ele é filho de uma mexicana com um empresário grego, quando a mãe morreu o pai entrou em contato e o levou para a Grécia. Aparentemente ele não quis assumir o lugar do pai por querer ser ator, mas acabou se tornando modelo. O que sei e que, com sua curta carreira de modelo, ele já conseguiu ganhar uma pequena fortuna.

 

- Em resumo: não temos que nos preocupar com Pietro tendo sido enganado por algum golpista ou aproveitador – falou Laura sacudindo a cabeça em sinal de negação, mas com um sorriso no rosto – Sempre soube que ele era o mais louco, mas isso já é mais até do que eu poderia ter imaginado se tentasse.

 

- Bem – falou Ana Júlia com um sorriso discreto – A sua história com a minha melhor amiga não pode ser chamada de muito normal. Foi bem louco como as coisas aconteceram entre vocês também.

 

- Realmente Laura – concordou a advogada – Vocês dois como sempre competindo não é?

 

- Pietro odeia perder pra mim – falou Laura rindo – Mas dessa vez ele se superou.

 

As três mulheres ainda conversaram por alguns minutos. Laura fez questão de pesquisar sobre Antuan e acabou por confirmar as informações que Alexya tinha sobre o rapaz. Ele realmente estava envolvido com algum projeto cinematográfico que ainda não havia sido divulgado e, segundo os boatos, essa era a causa do aparente sumiço dele. Antuan estava a quase um ano sem participar de desfiles nem propagandas, raramente era citado na mídia e parecia estar desaparecendo dos holofotes cada vez mais. As especulações giravam em torno de ele estar em algum grande projeto que exigia sigilo e cujo marketing futuro pediria por um ator menos conhecido.

 

A advogada também mostrou o contrato que Pietro havia deixado para ela e todas as instruções que o acompanhavam. Aquele documento mostrava o quão bem planejado o “sumiço” havia sido, o que de certa forma tranquilizava um pouco as duas. Aquilo era um sinal de que, apesar de ter sido um ato aparentemente louco, não foi de maneira nenhuma algo impensado e que Pietro com toda certeza havia planejado todos os detalhes disso tudo antes de deixar o país.

 

------ DOIS MESES DEPOIS ------

 

A audiência havia sido marcada numa sexta feira a tarde, o juiz já havia analisado todo o processo e ouvido as testemunhas e naquele dia iria ouvir as duas partes. O fotógrafo estava lá com seu advogado quando Alexya chegou com Laura e Ana Júlia, a editora-assistente era a única testemunha chamada naquele dia para ser ouvida novamente. O juiz chamou a todos para a pequena sala; os advogados e seus clientes sentaram-se frente a frente numa pesa mais comprida enquanto que o juiz e outros funcionários estavam em outra mesa, perpendicular à primeira. Ana Júlia foi conduzida a uma cadeira no fundo da sala onde deveria esperar.

 

O juiz leu algumas passagens do processo antes de pedir ao fotógrafo que se sentasse na cadeira na ponta da mesa de frente a um microfone e uma câmera. O juiz agora estava de frente ao fotógrafo.

 

- Antes de passar a palavra a defesa eu lhe farei algumas perguntas Sr. Moraes – se pronunciou o juiz indicando com um sinal da mão para o depoimento começar a ser gravado – A quanto tempo o senhor presta serviços para a revista Actuallites?

 

- Quase 3 anos – respondeu o fotógrafo calmamente com seus braços descansando sobre a mesa ao lado do microfone.

 

- Quantas vezes esteve no mesmo ambiente que a Senhorita Prepon? – tornou a perguntar o juiz sem realmente olhar para o homem, pois fazia algumas anotações.

 

- Nunca tínhamos nos visto pessoalmente – respondeu ele após olhar para seu advogado que apenas acenou afirmativamente – Eu fechava os contratos com a assistente, tinha contato com algumas equipes da revista que vinham aos ensaios. Nunca tinha me encontrado com Laura.

 

- Certo – falou o juiz encarando o fotógrafo – A defesa pode iniciar com as perguntas.

 

- Senhor Moraes alguma vez antes o senhor foi acusado de algo do tipo, como está sendo agora pela senhorita Prepon? – perguntou o advogado do fotógrafo, um senhor de meia idade num terno azul marinho com a barba bem feita e um olhar calmo por trás dos óculos de grau.

 

- Jamais, sempre fiz meu trabalho da melhor forma possível respeitando a todos – respondeu ele com uma expressão séria.

 

- O senhor poderia me dizer se consegue pensar em algum motivo para que a senhorita Prepon tenha feito essa acusação? – falou o advogado encarando seu cliente.

 

- Eu não tenho ideia – falou ele com uma expressão quase ofendida – Sempre fiz meu trabalho da melhor forma possível. Se houve algum mal entendido em relação a minha pessoa e ela eu acredito que deveria ter sido resolvido com uma conversa apropriada, mas essa mulher simplesmente me expulsou da locação e me mandou embora. Eu sequer recebi a quebra de contrato, meus custos com a viagem não chegaram a ser pagos, tive que tirar de meu bolso as passagens de retorno para mim e minha equipe.

 

- Meritíssimo, se me permite? – Alexya pediu a palavra antes que o advogado de defesa fizesse outra pergunta.

 

- A palavra continua com a defesa – falou o juiz de forma séria voltando seu olhar para o fotógrafo.

 

- Em algum momento o senhor disse algo ofensivo ou que poderia ser duplamente interpretado por alguém, incluindo a senhorita Prepon? – perguntou o advogado ignorando Alexya e sequer dirigindo um olhar a ela ou Laura.

 

- Em nenhum momento disse algo que pudesse vir a ofender alguém, nem nunca falei ou fiz algo que pudesse ser interpretado como uma forma de abuso ou agressão – ele respondeu indignado com a pergunta como se a possibilidade fosse absurda.

 

- Como pode ser visto nos altos do processo, todas as testemunhas chamadas pela Senhorita Prepon são funcionários dela. A relevância desses depoimentos não pode ser posta como mais do que a integridade do meu cliente – falou o advogado com um calmo sorriso – Sem mais perguntas.

 

- Acredito que eu possa ter compreendido erroneamente a intenção do meu colega advogado em sua ultima frase – começou Alexya entrelaçando seus dedos sobre a mesa e encarando o advogado – Segundo seu discurso, parece-me que está desmerecendo o caráter tanto da minha cliente quanto das testemunhas chamadas. Acredito que, se temos que acrescentar comentários a respeito dos passados de nossos clientes eu deva ressaltar o quanto a minha cliente preza justiça e respeito, afinal, ela construiu sua reputação em cima de respeito e dedicação. Em todos os anos no controle da Actuallites Laura Prepom não esteve envolvida em nenhum tipo de problema judicial porque sempre prezou pela transparência. Além do fato de que os modelos que testemunharam na semana passada não são funcionários da Senhorita Prepon. Pelo contrário, são contratados de forma muito parecida com a qual o senhor Moraes foi.

 

- Acredito que a senhorita deveria estar fazendo perguntas – falou o advogado do fotógrafo e o juiz deu razão a ele.

 

- Você conhecia os modelos que iria fotografar, senhor Moraes? – questionou Alexya.

 

- Claro, já havíamos trabalhados juntos em outras ocasiões – respondeu o fotógrafo sem entender o questionamento.

 

- Em que outras ocasiões haviam trabalhado juntos? – ela questionou.

 

- Essas questões não dizem respeito ao processo – reclamou o advogado do fotógrafo.

 

- Responda a pergunta senhor Moraes – falou o juiz.

 

- Em algumas campanhas promocionais de algumas marcas nacionais. Acredito que com alguns deles em uma matéria pra uma revista internacional – respondeu o fotógrafo confuso.

 

- Como podemos ver, nenhum dos modelos não são funcionários da minha cliente. Agora, senhor Moraes – falou Alexya lendo algo em suas anotações – Pode me informar quais eram os trajes que senhorita Prepon usava no dia do ocorrido?

 

- Eu não entendo o porque dessa pergunta – falou o fotógrafo rindo de forma confusa.

 

- Apenas responda se puder – disse a advogada com um pequeno sorriso.

 

- Uma saia com uma fenda – ele falou com um pequeno sorriso enquanto se recordava dos trajes da editora – E uma camisa social se bem me recordo.

 

- O senhor gosta de prestar atenção nas roupas das pessoas? – questionou Alexya.

 

- Não, claro que não, só que não tinha como notar porque as roupas ressaltavam as belas pernas dela – respondeu o fotógrafo dando de ombros e Alexya sorriu mais ainda.

 

- Houve algum contato físico entre o senhor e a senhorita Prepon no dia do ensaio fotográfico para o qual foi contratado? Responda apenas sim ou não por favor – pediu Alexya com delicadeza; Laura estava com vontade de sair da sala por ver a amiga tratar o fotógrafo com tanta educação.

 

- Sim – respondeu ele confuso.

 

- Ela era uma das modelos? – questionou novamente Alexya.

 

- Claro que não – respondeu ele achando as perguntas idiotas.

 

- Ela deu a entender que o senhor tinha liberdade de tocá-la? – Alexya continuou com as perguntas em sequencia sem dar tempo a ele de pensar.

 

- Foram apenas toques comuns, sem nenhuma malícia, uma interação física que ocorreria com qualquer pessoa numa ocasião daquelas – falou o fotógrafo ficando receoso com o rumo das perguntas.

 

- Vou reformular minha pergunta – falou Alexya sorrindo – Em algum momento senhorita Prepon deu a entender que o senhor tinha liberdade para interagir fisicamente com ela de qualquer maneira que fosse?

 

- Eu não o teria feito se ela não o tivesse – respondeu o fotógrafo dando de ombros.

 

A advogada teve que colocar uma mão sobre a perna de Laura para impedi-la de se mover quando ouviram essa frase. Alexya apertou levemente a perna da amiga, mas manteve o sorriso calmo para o fotógrafo.

 

- Senhor Moraes – começou ela enquanto sentia Laura se acalmar – O senhor poderia dizer como considera que uma mulher lhe deu a liberdade de tocá-la, de qualquer forma que seja? – ele abriu a boca para responder, mas não disse nada, pareceu ficar confuso e pensar em como responder.

 

- É algo que se nota – falou ele dando de ombros sem realmente conseguir explicar – Você chega perto e percebe – ele fala como se não fosse nada importante.

 

- Então se o senhor parar ao lado de uma mulher na rua, se aproximar dela e ela não reagir nem se afastar ou lhe pedir que se afaste o senhor considera que tem liberdade de, digamos, tocar-lhe os braços ou as costas? – questionou Alexya calmamente.

 

- A questão não se relaciona com o processo tratado nessa audiência – reclamou o advogado do fotógrafo.

 

- Discordo – falou o juiz – Responda a questão senhor Moraes.

 

- Não foi o que eu quis dizer – falou ele aparentando estar nervoso.

 

- Então o senhor terá de concordar comigo que não tem como realmente saber se tem ou não liberdade de tocar uma mulher caso ela não lhe diga isso, correto? – perguntou Alexya se mantendo calma enquanto o advogado a sua frente se remexia desconfortável.

 

- É, acho que tenho – respondeu ele de má vontade e com uma expressão séria.

 

- Pode me descrever como tocou a senhorita Prepon? – pediu Alexya.

 

- Segurei de leve ela pelo braço, toquei a base das costas e perto da cintura – falou ele depois de olhar para o advogado.

 

- Nega ter se aproximado dela, enquanto Laura se mantinha de lado para você por estar olhando o posicionamento dos modelos, e ter colocado a mão sobre a cintura dela de forma a ficar mais próximo do que seria educadamente aceitável, invadindo assim o espaço pessoal da senhorita Prepon? – pergunta a advogada com um olhar ficando sério.

 

- Eu nunca fiz isso – falou o fotógrafo ficando sério também.

 

- Bom, de acordo com todas as testemunhas ouvidas o senhor fez sim – falou Alexya – Pode me dizer se durante a preparação do ensaio o senhor ajudou sua equipe ou ficou tentando se aproximar da senhorita Prepon?

 

- Eu fiquei conversando com ela, não "tentando me aproximar" – ele repetiu com um tom irritado ao usar as palavras que Alexya tinha dito.

 

- Segurá-la pela cintura é uma forma sua de iniciar um diálogo? – perguntou Alexya com uma expressão tranquila.

 

- Nós estávamos conversando desde antes quando ela chegou de dentro do casarão! – exclamou o fotógrafo irritado.

 

- Então não o senhor confirma que a segurou pela cintura – disse Alexya calmamente e continuou antes que ele falasse algo contra – Podemos agora partir para o porque de, quando senhorita Prepon tentou se afastar dos seus toques, o senhor tê-la segurado pelo pulso? Seria essa uma forma que o senhor conhece de manter um diálogo? – perguntou a advogada com uma expressão de genuíno interesse.

 

- Não! – falou ele se exaltando, o advogado tentou dizer algo, mas o juiz o cortou dizendo para Alexya continuar.

 

- Senhor Moraes, poderia me dizer o porque disse a minha cliente que apenas estava "tentando conhece-la melhor" quando ela se afastou do senhor após ter tentado segurá-la pela cintura? – perguntou a advogada com uma expressão cada vez mais séria.

 

- Eu não estava tentando segurá-la – falou ele com uma expressão irritada.

 

- Então por qual razão tentou puxá-la quando ela lhe disse para se afastar? – insistiu Alexya provocando ainda mais irritação no fotógrafo.

 

- Era um mal entendido! Laura entendeu errado minhas intenções. Eu só iria me explicar! – falou ele com raiva.

 

- Não é o que parece que o senhor estava fazendo pelos depoimentos – disse Alexya com seriedade – As minhas perguntas para o senhor Moraes acabaram. Eu gostaria agora de poder questionar alguns pontos à senhorita Guimarães – pediu ela olhando para o juiz.

 

- O senhor pode voltar ao seu lugar, senhor Moraes – falou o juiz e o fotógrafo se levantou irritado sentando-se ao lado de seu advogado tão nervoso quanto ele – Senhorita Guimarães, poderia se sentar na cadeira à minha frente? – chamou o juiz.

 

Após ser ajeitada na cadeira com o microfone à sua altura o juiz permitiu que Alexya continuasse com seus questionamentos.

 

- Na época do ocorrido a senhorita era assistente pessoal da senhorita Prepon, correto? – perguntou Alexya com uma expressão tranquila.

 

- Sim, trabalhava para dona Laura desde antes de me formar, pois fiz estágio na Atuallites, era assistente pessoal dela a um ano e meio quando esse fato aconteceu – respondeu Ana Júlia encarando Alexya com calma e seriedade.

 

- Sempre acompanhava Laura aos ensaios quando ela comparecia? – quis saber a advogada.

 

- Sempre, primeiro porque qualquer detalhe que fosse ser mudado nas versões finais por ela eu tinha que anotar, depois porque Dona Laura sempre tinha muitos compromissos e era eu a responsável para que ela não e esquecesse de nenhum deles.

 

- A senhorita poderia me dizer como é o comportamento da senhorita Prepon quando ela comparece a algum ensaio fotográfico? – questionou Alexya novamente.

 

- Dona Laura sempre fica próxima do fotógrafo responsável, ela gosta de ver uma prévia das fotos para fazer alguns ajustes quando acha necessário. Ela sempre foi muito séria em qualquer ambiente relacionado a trabalho, não admitia distrações e é sempre polida e educada com equipe, fotógrafo e modelos – respondeu Ana Júlia agora olhando para o juiz.

 

- A senhorita já conhecia o senhor Moraes? – questionou a advogada colocando as mãos com os dedos entrelaçados sobre a mesa.

 

- Já o havia visto de longe em alguns ensaios realizados por ele no nosso estúdio – respondeu ela.

 

- Poderia me dizer o que achava da pessoa do senhor Moraes antes do ensaio no casarão? – perguntou Alexya com um olhar calmo.

 

- Eu não o conhecia pessoalmente, por isso tentava não ser tendenciosa sobre minha opinião sobre ele. Era um fotógrafo que costumava entregar ótimos trabalhos e sempre era requisitado pela revista. Entretanto os comentários que corriam a redação classificavam o senhor Moraes como abusado e um tanto invasivo. Eu preferia acreditar que era um tanto de exagero, entretanto quando informei aos modelos sobre ele ser o responsável precisei substituir duas delas, porque elas se recusaram a trabalhar com ele. Como elas ainda não haviam sido oficialmente contratadas não houveram problemas contratuais e foi simples substituí-las. Mas tentando entender o porque eu conversei com as duas e elas me falaram que já haviam trabalhado com o senhor Moraes e ficaram extremamente desconfortáveis com as ações dele com as modelos, principalmente quando eram apenas mulheres ou estavam sozinhas com ele – falou Ana Júlia encarando diretamente o juiz – Segundo elas ele não sabia aceitar um "não" e nem conseguia separar o profissional na hora das fotos e sempre acabava tocando-as mais do que o necessário e se aproximando além da conta.

 

- Porque nenhuma dessas modelos prestaram queixa contra o senhor Moraes então? – perguntou o advogado do fotógrafo tentando interferir.

 

- O senhor não tem a palavra ainda – falou o juiz – A senhorita não precisa responder essa questão.

 

- Eu posso responder – falou Ana Júlia – Nenhuma delas falou nada porque são apenas modelos. Os empresários nunca permitiriam que elas se envolvessem num escândalo desse tipo, prejudicaria suas carreiras. Infelizmente nós mulheres às vezes tentamos mais do que o necessário manter a compostura e usar da educação. Alguns homens se aproveitam disso.

 

- Minha ultima pergunta, senhorita Guimarães – falou Alexya com um sorriso – Quando a senhorita Prepon afastou o senhor Moraes por estar sendo assediada por ele, que reação ele teve?

 

- Ficou descrente, como se não acreditasse que ela o estivesse recusando – falou Ana Júlia – Tinha uma expressão surpresa e um sorriso convencido como se achasse que não tivesse feito nada de errado. E ainda foi arrogante com Dona Laura após ela demiti-lo dizendo que ela se arrependeria de ter feito aquilo com ele e que nunca acharia um outro fotógrafo descente para trabalhar para ela.

 

- A defesa pode fazer perguntas agora – falou o juiz.

 

- Senhorita Guimarães, a senhorita confirma o fato de ter sido promovida logo após ser convocada como testemunha para esse processo? – perguntou o advogado com um sorriso que fez a expressão de Alexya e Laura se fechar.

 

- Oh sim, meu cargo mudou, apesar do salário se manter – falou Ana Júlia entendendo a que ponto o advogado queria chegar –Dona Laura vinha me treinando a mais dois meses, antes mesmo desse fato com o senhor Moraes, para que eu me responsabilizasse por algumas áreas menos importantes dentro da revista. Minhas atribuições e remunerações se mantiveram apesar do cargo ter outro nome. Não acho que isso possa ser classificado como promoção – falou ela calmamente e Alexya segurou um sorriso por ver a namorada sair de uma pergunta inesperada com aquela habilidade.

 

O advogado ficou com uma expressão fechada e irritada, então começou a mexer em suas anotações buscando alguma questão que poderia atrapalhar Alexya, mas essa era a principal questão que ele tinha pronta.

 

- Em seu depoimento na delegacia a senhorita afirmou que estava distante na hora em que ocorreu a conversa entre meu cliente e a senhorita Prepon – falou o advogado – Como pode afirmar que meu cliente agiu de forma arrogante ou qualquer outra reação controversa se não estava próxima do que acontecia?

 

- Porque trabalho com Dona Laura a tempo o suficiente para reconhecer as expressões dela – falou Ana Júlia com um olhar calmo, mas por dentro bem irritada – Eu era a responsável por manter tudo da forma como ela preferia, então aprendi desde sempre a ler as expressões da minha chefe. Desde o começo do ensaio eu percebi que o senhor Moraes se mantinha perto demais dela e que isso a estava irritando. Também pude notar que ela se mantinha conversando e interagindo com ele por educação. Quando ele a tocou pude dizer com certeza, pela expressão dela, que Dona Laura estava irritadíssima e com muita raiva. Posso não ter ouvido o que ele disse nem ter visto nitidamente o que fez, mesmo que tenha visto sim, pois não estava tão distante. Mas posso afirmar com toda certeza que ele foi, no mínimo, abusado e invasivo.

 

- A senhorita não poderia realmente afirmar isso se não estava perto o bastante para ver a cena toda e ouvir o que foi dito – falou o advogado, mas não tinha mais nenhum argumento que pudesse usar.

 

A próxima a se sentar naquela cadeira foi Laura. O advogado do fotógrafo tentava de todas as formas fazer parecer que seu cliente havia agido como qualquer outra pessoa faria, mas Laura era incisiva em reafirmar que ele havia sido abusivo e invadido seu espaço pessoal várias vezes antes dela explodir e demiti-lo. Ele tentou fazer Laura se confundir insinuando que ela havia incentivado a aproximação dele, mas ela conseguiu sustentar que havia sido educada com o fotógrafo antes dele ultrapassar todo e qualquer limite. Quando a audiência foi encerrada Alexya saiu confiante e o fotógrafo passou por elas com uma expressão de fúria que deixou um sorriso confiante e alegre em Laura.

 

A decisão final do juiz foi que o fotógrafo pagasse uma indenização com as devidas correções sobre o valor dos gastos que com as passagens e transportes para levar a equipe dele até o local, já que Alexya tinha os recibos de tudo isso que foi gasto em caráter de adiantamento do contrato. Ele também teve que pagar danos morais a Laura devido às complicações que ela teve em arrumar outro fotógrafo em cima da hora e pelos transtornos causados a ela com a repercussão que o processo teve na mídia. E, além de tudo isso, ele também teria que participar de palestras e fazer trabalhos voluntários em campanhas educativas de algumas ONG’s que tinham como foco a proteção da mulher contra o abuso e agressão de todo tipo.

 

Ele também perdeu na tentativa de receber o pagamento referente à quebra de contrato que ele alegou ter ocorrido por ter sido demitido. O valor total que Laura receberia dele não era tão alto levando-se em conta os rendimentos dela, algo perto de 100 mil reais. Entretanto, a satisfação dela em saber que ele seria obrigado a prestar aqueles serviços de graça por um ano para aquelas ONG’s, que foram escolhidas por ela mesma, não tinha preço para ela. O resultado do processo teve uma enorme repercussão na mídia do estado todo e Laura aproveitou isso para soltar na Actuallites uma matéria sobre o número de mulheres que recebiam algum tipo de abuso onde ela incentivava todas elas a procurar as autoridades porque a sociedade precisava entender de uma vez que esse tipo de atitude era inaceitável. No fim Laura terminou seu dia satisfeita e contente por ter colocado um idiota machista em seu devido lugar e mostrado as mulheres que era possível lutar contra esse tipo de situação. 


Notas Finais


Até mais com o penúltimo capítulo... ):


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