História Diário de uma fã - Capítulo 76


Escrita por: ~

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Categorias Luan Santana
Personagens Luan Santana
Tags Luan Santana, Romance
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Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Colegial, Ficção, Poesias, Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 76 - Capítulo setenta e seis


Me sentei a frente dele, sentindo meu coração acelerado de nervosismo, não sabia nem por onde começar, a única coisa que sabia era que ainda nem havia falado e a cratera no meu peito já parecia arder em chamas de agonia. Respirei fundo novamente tentando tomar coragem, por mais difícil que fosse, eu teria que dizer, e não dava mais para adiar.

- Luan, nós dois sabemos que muitas coisas difíceis estão acontecendo ultimamente…

- Espera Luly. – Ele interrompeu.

- O que foi?

- Antes de você dizer qualquer coisa que seja, eu gostaria de te falar algo. – O olhei intrigada, mas ele apenas tirou um papel dobrado em várias partes de dentro do bolso. – Lembra daquela música que eu te falei que só estava faltando a letra? – Eu assenti. – Eu a consegui, escrevi ela para você.

- Para mim? – Perguntei surpresa e confusa ao mesmo tempo.

- Sim. Eu vi no twitter esses dias algo que me deixou muito abalado, e eu só queria saber se era verdade. – Eu olhei para baixo segurando as lágrimas, entendendo sobre o que ele estava falando. – Eu não te liguei, pois eu queria que você dissesse olhando dentro dos meus olhos. – Levantei a cabeça e ele me olhava aflito. Oh céus, como teria coragem de falar? Como? – Mas antes eu gostaria de poder cantar. Eu achei que ia apenas te entregar a letra, mas para a minha surpresa, você tem um violão. Então presta a atenção, pois essa música é tudo que eu gostaria de te dizer. – Eu assenti, sentindo um nó na garganta. 

Luan abriu o papel, o alisou e o colocou na cama entre nós dois. Então, ele começou a tocar e uma linda melodia, calma e viciante, começou a sair das cordas do violão. 

– Independentemente do que me disser agora, queria deixar claro algumas coisas pra você. Independentemente se deu certo a nossa história, não quero que fique comigo por dó de me fazer sofrer. 

Ele me olhava nos olhos enquanto cantava, sua voz de anjo se propagando por todo o meu quarto, e entorpecendo os meus ouvidos, enquanto eu sentia meu coração bater cada vez mais rápido. 

– Orgulhoso eu não me ajoelhei pra ter seu coração, imperfeito sou sim, mas dei o meu melhor até o fim. 

A cada palavra que ele dizia, a cada nota musical, meu coração apertava um pouco mais, e eu tinha a impressão de que ele saltaria para fora do meu peito. 

– Sua consciência não vai te deixar dormir, pois ninguém mais faz palhaçada pra te ver sorrir. Ninguém vai te abraçar pra ver o sol se por. Ninguém vai escrever no muro uma história de amor. 

Então todas aquelas cenas, de momentos que havia passado ao lado de Luan, invadiram a minha mente. O calor dos seus braços quando ele me abraçou na fazenda, naquele lindo pôr-do-sol avermelhado. Quando ele me encheu de tinta da cabeça aos pés, e juntos escrevemos nossos nomes no muro do mercadinho em frente a praça. De quando ele me jogou na piscina ou me molhou com a mangueira. 

Todos aqueles momentos felizes passavam pela minha mente como um filme, um lindo filme de amor, do qual nós éramos os protagonistas. Mas o que doía era saber que ao contrário dos filmes, a nossa história não teria um final feliz. 

– Mas se mesmo assim quiser me deixar, as lembranças vão na mala pra te atormentar. 

Sem que eu pudesse perceber, as lágrimas já estavam rolando descontroladamente pelo meu rosto, enquanto eu tentava me manter inteira e não desmoronar com aquela letra tão linda, e com a idéia de que ele ainda se lembrava de todos esses momentos e talvez quisesse lutar pelo nosso amor. 

Por que tinha que ser assim? Por que não podia ser tudo mais fácil? Que eu pudesse apenas dizer sim e tudo ficaria bem? Era como se algo dentro de mim se recusasse a aceitar que eu fizesse aquilo, como se eu morresse um pouquinho só em pensar em ficar sem Luan. 

Ele me olhou por algum tempo ainda dedilhando a melodia no violão, enquanto eu me acabava em lágrimas. Então ele parou de tocar e levou a mão até o meu rosto e as limpou devagar, ainda me olhando fixamente nos olhos.

- Eu nem sei o que te dizer. – Falei em meio aos soluços.

- Diz apenas o que o seu coração está mandando. – Esse era o grande o problema, meu coração dizia para esquecer tudo aquilo e pular no seu pescoço para nunca mais soltá-lo, mas eu não podia ouvi-lo, eu precisava ser forte, forte por ele, da mesma forma que ele havia sido da última vez ao dizer que devíamos nos separar. 

Respirei fundo, tentando procurar coragem. Eu havia ensaiado cada fala, mas não conseguia dizer absolutamente nada, aquela música havia me desestruturado completamente.

- Eu estive pensando…  – Tentei dizer limpando as lagrimas. - Eu acho que você tinha razão… sobre não nos vermos mais. – Eu finalmente disse em meios aos soluços, mas Luan parecia já ter imaginando que a nossa conversa se tratava disso.

- Luly, isso vai passar, logo as pessoas vão esquecer essa história e nos deixar em paz.

- Não vai passar Luan. – Eu disse ainda chorando descontroladamente.

- Luly, vai… – Ele colocou a mão no meu rosto, mas eu balancei a cabeça. Eu tinha que ser forte e resistir, eu não podia mais machucá-lo.

- Não Luan, eu não posso… eu não quero mais… – Disse desesperadamente, não conseguindo terminar nenhuma das frases. – Eu estou indo embora do país.

- Do país? – Ele perguntou confuso.

- Sim. – Levantei, pegando a carta de intercambio na mesa do computador e o entregando ao me sentar novamente. – Eu vou para França. – Disse sentindo uma cratera se abrir no meio peito. Ele olhou para o papel por algum tempo e então voltou a me encarar.

- Era verdade então? – Eu assenti. – Luly, você… não pode ir. – Ele disse baixinho, dilacerando meu coração.

- Eu preciso… eu… eu… – Tentei dizer em meios as lágrimas.

- Luly… Olha, olha pra mim. – Ele segurou meu rosto entre as mãos e me forçou a olhá-lo. – Eu só vou entender se você disser que não me quer mais, que você está indo embora porque não me ama mais. Então me diz isso, mas diz olhando dentro dos meus olhos.

- Eu nunca poderia dizer isso. – Eu disse fracamente, e então levei minhas mãos até o seu rosto, contornando-o com a ponta dos dedos. Como ele poderia ser tão perfeito? E como era possível que eu o amasse cada vez mais a cada segundo que passava? – Você sabe que eu te amo, mais até do que a mim mesma.

- Então, por quê? – Tirei a mão do seu rosto e limpei as lágrimas que ainda escorriam embaixo dos meus olhos. Por que aquilo tinha que doer tanto?

- Você sabe melhor do que ninguém que nós pertencemos a mundos diferentes. – Ele ameaçou interromper e eu encostei o dedo indicador nos meus lábios. – Por mais que o nosso amor construa pontes entre esses mundos diferentes, ainda haverá um oceano entre nós. – Ele abaixou a cabeça por alguns segundos e quando voltou a me olhar havia dor em seus olhos, despedaçando meu coração.

- Nós podemos tentar, eu sei que posso te fazer feliz. – Ele disse acariciando de leve o meu rosto, e eu senti uma dor descomunal atingir o meu peito. 

Era isso que me corroia por dentro, que doía tanto a ponto de sufocar. Ele me fazia feliz apenas por existir, de uma maneira que eu nunca seria capaz de fazer por ele. Peguei a sua mão e beijei delicadamente enquanto as lágrimas continuavam a molhar todo o meu rosto. Eu estava prestes a dizer algo que eu sabia que iria doer nele, e isso me mutilava por dentro. 

Eu não suportava vê-lo sofrer e principalmente saber que era a causadora desse sofrimento. Mas eu sabia que aquela seria a única forma de ele aceitar, de deixá-lo livre para poder seguir a sua vida, sem que eu pudesse atrapalhar.

- Eu não posso viver com a sua vida Luan, é demais para mim. – Disse sentindo o buraco no meu peito arder em chamas ao ver o choque se passar pelo rosto de Luan, e deixá-lo sem reação. – Você vai encontrar alguém melhor que eu. – Disse quase numa súplica. 

E então ele fechou os olhos e lágrimas caíram deles, me deixando devastada por dentro. Eu não podia fazer meu menino chorar, não podia! Doía de uma forma que eu não seria capaz de descrever, era como se tudo dentro de mim estivesse em chamas naquele momento, queimando e mutilando qualquer coisa.

- Desde o primeiro momento que te vi eu soube que nunca encontraria alguém como você. Você sempre foi única, sempre foi diferente de todos.

- Eu não te mereço. – Eu disse abaixando a cabeça, mas ele levantou o meu queixo novamente.

- Você não sabe como foi difícil tomar aquela decisão, como foi difícil para mim pensar que nunca mais te veria. Pensar que eu nunca mais veria o seu sorriso, os seus olhos pequenos e a suas bochecha rosadas. Que nunca mais mexeria no seu cabelo, que as vezes se enroscam nos meus dedos, mas que eu adoro. – A cada palavra dele a dor parecia aumentar ainda mais, e as lágrimas escorriam pelos rostos de ambas as partes. 

Eu não me preocupava comigo, pouco me importava com o meu sofrimento, mas eu não suportava vê-lo chorar, era agonizante.

– Saber que eu nunca mais sentiria o cheiro da sua pele, e o calor das suas mãos. - Ele continuou. - Que eu não ouviria mais as suas teorias loucas que tanto me fascinam, que eu não poderia mais te irritar só para te ver brava e nem poderia te proteger quando você sentisse medo. Eu te amo Luly, e por mais que milhões de pessoas ainda passem pela minha vida, você vai ser para sempre a minha menina. 

Abracei meu peito com força, para tentar não desmoronar, para tentar manter meu coração inteiro. Eu não merecia aquelas palavras, eu não merecia que ele me amasse daquela forma. 

– Eu achava que nada mais pudesse doer tanto, mas eu estava errado. – Ele disse e novas lágrimas rolaram pelo seu rosto. Meu Deus, não, por favor! Não deixe que ele sofra, não deixa que doa nele. Me da toda a dor que ele esta sentindo, me mata por dentro, mas não deixa que eu o machuque mais.

- Por favor, não diz isso. – Eu implorei, não suportava saber que estava doendo nele, saber que por mais que quisesse protegê-lo, eu estava machucando-o.

- Você não tem sido apenas a minha namorada ou algo do tipo Luiza, você tem sido também a minha melhor amiga, e é difícil saber que eu irei te perder duas vezes.

- Você nunca irá me perder totalmente, eu vou ser para sempre a sua fã. Eu vou estar sempre ao seu lado, sempre torcendo por você, mesmo de longe… mesmo de outro país. – Disse as últimas palavras quase num suspiro.

- Eu não posso te pedir para escolher entre eu e o seu sonho.

- Meu coração te escolheu desde o primeiro momento em que meus olhos te viram, e desde então você se tornou o meu maior sonho. – Respirei fundo e então disse o que o meu coração se recusava a aceitar. – Eu amo você, mas nós não podemos mais ficar juntos. – Eu sentia meu coração despedaçar a cada palavra dita.

- O meu medo é que todas as pessoas um dia me deixem.

- Quem te ama de verdade nunca vai te deixar.

- Então porque você está me deixando?

- Eu nunca vou te deixar de verdade, porque você sempre vai estar comigo a onde quer que eu vá.

- Eu só quero a sua felicidade Luiza, mesmo que para isso eu precise te deixar ir.

- Eu também só quero a sua felicidade Luan, mesmo que eu não faça parte dela. – Então ele me abraçou, me apertando cada vez mais nos seus braços enquanto eu chorava descontroladamente. – Não esquece que eu te amo, e vou te amar por todos os dias da minha vida.

- Seja feliz minha menina, seja feliz para que eu possa ser também. E eu prometo nunca mais te procurar. – Ele disse ao me abraçar ainda mais forte, enquanto eu sentia meu mundo todo cair, quando a dor parecia me dilacerar por dentro, ao pensar que aquele seria o nosso último abraço. Eu não sabia como sobreviveria sem o calor da sua pele e o brilho dos seus olhos tão próximo dos meus, como acordaria todos os dias sabendo que eu não o veria mais, sabendo que eu teria perdido o meu motivo para ser feliz, o causador dos meus sorrisos e a razão de cada batida do meu coração. 

Sabendo que eu teria perdido o meu menino, o meu anjo e o ar que meus pulmões precisavam para respirar. Pensar em tudo aquilo me causava uma dor quase física, era cortante e agonizante, e por mais que eu pensasse que estava fazendo aquilo por ele, nada conseguia amenizá-la. Então eu o apertei ainda mais em meus braços, sabendo que talvez aquela fosse a ultima vez que eu estaria com o meu mundo inteiro nas mãos.

A porta do quarto se abriu e eu e Luan nos afastamos bruscamente.

- Luiza… – Cristina congelou no lugar. – Ah! Des… Desculpa entrar sem bater, eu não sabia… – Ela disse sem graça.

- Tudo bem Cris. – Eu disse enxugando as lágrimas com as costas das mãos.

- Oi. – Luan disse.

- Oi. – Ela respondeu ainda catatônica.

- Você não devia estar trabalhando? O Fred está ai também? – Perguntei assustada.

- Nós fomos dispensados mais cedo. Ele está lá embaixo.

- Nossa, se ele pega o Luan aqui, ele me mata. – Disse fazendo uma careta.

- Nós estamos indo para o shopping em Andradina. E eu vim te perguntar se você queria ir.

- Não Cris, obrigada. – Eu disse num meio sorriso forçado, apesar de ela já ter entendido a resposta.

- Tudo bem. E não se preocupa, eu invento qualquer desculpa para o seu irmão não subir aqui. – Ela sorriu fracamente de volta.

- Obrigada. – Cristina saiu fechando a porta e eu olhei para Luan que mantinha a cabeça abaixada.

- Legal ela. – Ele disse ao me olhar.

- Bastante. O Frederico mudou muito depois que eles começaram a namorar.

- Mudou como?

- Ah, ele está mais calmo, mais tolerante, menos irritante.

- Que bom então que ela entrou na vida dele.

- Pena que a Julia não pense assim. – Eu disse quase num suspiro.

- Vocês ainda estão brigadas?

- Não. Ela veio aqui, me pediu desculpas, mas não é a mais a mesma coisa.

- O Frederico não sabe que ela gosta dele?

- Ele nunca deu a entender que sabe, mas o Fred não é bobo. Eu acho que ele imagina, mas sempre a tratou como uma irmã.

- Difícil isso. – Ele disse pensativo.

- Muito, e o pior é ter que ficar no meio disso tudo.

- Mas isso logo vai passar. – Ele disse confiante.

- Você realmente acredita que tudo na vida passa? – Perguntei intrigada.

- Não sei. O que você me diz?

- Eu acho que se tudo na vida passasse, a palavra “eterno” não existiria. Eu acredito que há coisas que o tempo não leva, pois elas permanecem intactas, para sempre dentro de você.

- Realmente. – Ele disse sorrindo de canto. – Há coisas que nunca se vão. Mas por que seu irmão te mataria se me encontrasse aqui? Ele não gosta de mim?

- Nunca gostou. – Eu disse meio sem graça e ele ergueu uma das sombrancelhas. – Mas não é por isso.

- Pelo que?

- Por eu estar com um homem dentro do meu quarto. O Frederico é insuportavelmente ciumento, e depois que meu pai foi embora ele se sente o homem da casa.

- Hum. Mas eu entendo ele, eu também não reagiria nada bem se encontrasse algum rapaz no quarto da Bruna.

- Esses irmãos! – Eu disse balançando a cabeça. E então meus olhos encontraram os de Luan e o silencio se abateu entre nós. 

Por um momento havíamos esquecido o porquê estávamos ali e tudo aquilo que havíamos conversado. Era fácil esquecer do resto do mundo quando se estava ao lado dele, mas naquele momento nós dois havíamos percebido que a hora havia chegado. Por mais que doesse incontrolavelmente, era preciso dizer adeus e deixá-lo ir.

- Eu preciso ir. – Ele disse baixinho e meu coração apertou. Oh céus, como iria deixá-lo ir? Como iria fechar a porta sabendo que ele não voltaria mais? Respirei fundo, eu havia sido forte para chegar até ali, não podia desistir na ultima hora.

- Tudo bem. – Disse me levantando. E assim que ele se levantou também, eu me virei para a porta, tentando não olhá-lo. Mas quando a cruzei minhas pernas tremeram. Não poderia fazer isso, não poderia me fingir de fria, sendo que eu não era. Não era justo com nenhum de nós dois. Me virei e o vi atrás de mim em silêncio, e sem pensar duas vezes me joguei nos seus braços, o apertando o máximo que eu podia. – Me desculpa por isso. – Disse sentindo minhas lágrimas molharem a sua camiseta.

- Não há o que se desculpar. – Ele disse encostando o queixo na minha cabeça.

- Eu queria tanto que tudo fosse mais fácil.

- Nós nunca mais vamos nos ver?

- Nunca mais é muito tempo. Você pode não me ver mais, mas eu vou te ver por muito tempo ainda.

- O que é muito tempo para você?

- Até o fim da minha vida. – Disse sinceramente e o senti respirar fundo.

- Quando eu disse que nós nunca teríamos fim, era verdade Luiza.

- Vai existir para sempre nos nossos corações. – Completei a frase em meio as lágrimas. Me afastei dele, notando que havia lágrimas em seus olhos também. Como era difícil vê-las! As enxuguei com os dedos e fiquei na ponta dos pés, lhe dando um beijo no rosto. – Eu nunca vou te esquecer. – Prometi. Peguei a sua mão, que estava quente e suada, e o acompanhei pela escada até a sala. E assim que chegamos ao portão, ele parou e me olhou.

- Se cuida. – Ele disse ao me dar um beijo na testa e colocar um papel na minha mão, que percebi ser a letra da música que ele havia cantado. 

Ele mesmo abriu o portão, e ao se virar foi soltando de leve a sua mão da minha, causando uma dor descomunal do meu coração. 

Assim que o portão se fechou eu senti meu mundo todo cair e abracei meu peito para que ele não desmoronasse. Andei desnorteada até a porta e a fechei atrás de mim. Mas então ali sem a presença de Luan, sem seus olhos me entorpecendo e sem a segurança que ele me transmitia, tudo pareceu me atingir com uma intensidade assustadora, e minhas pernas cederam, me fazendo escorregar pela porta, enquanto a dor me consumia por dentro, e me fazia chorar desesperadamente. 

Eu havia perdido meu menino, havia deixa-o ir, e mal podia lidar com a dor que aquilo me causava. A única coisa que me confortava um pouco que fosse era saber, que por mais distante que ele estivesse, nunca seria longe o suficiente para que eu não pudesse amá-lo. 

Eu nunca iria me esquecer de todas as palavras ditas, de todas as que ainda faltavam dizer, de todos os abraços, de todo o carinho, de todas as vezes que senti meu coração disparar e as lágrimas rolaram pelo meu rosto de emoção. Todos os sorrisos bobos, os olhares cheios de significados. As brincadeiras, a amizade, e todo aquele amor enorme que quase não cabia dentro do meu peito. 

Eu sabia que por mais que as coisas não tivessem acabado como gostaríamos, eu seria eternamente a sua fã. Não importava quanto tempo se passasse, eu sempre seria aquela que se vira automaticamente ao ouvir o seu nome, aquela que passa horas na frente da TV rindo e chorando por uma entrevista dele. Sempre seria aquela que sai correndo para comprar o seu CD e passa horas na fila de um show, só para poder ficar na grade e o ver mais de perto. Aquela que irá gritar o seu nome com toda a força de seus pulmões e chorará de emoção ao vê-lo entrar no palco, e acompanhará seu show como o maior espetáculo da sua vida. E quando ele for embora, levará também um pedaço do meu coração, mas me deixará forças, forças para continuar lutando e seguindo em frente, seguindo o seu caminho, pois cada passo que dou a diante é para chegar até ele. 

Eu não estava desistindo de Luan, até porque isso nunca foi uma opção. Eu apenas estava optando por continuar sendo apenas a sua fã, pois eu sabia que dessa forma eu nunca poderia machucá-lo. Ser fã é muito mais que amar, é compreender e apoiar em todas as ocasiões. Ser fã não é estar desde o começo, é permanecer até o fim. É cuidar e proteger apesar da distancia, é estar ao lado mesmo que não seja fisicamente. Mesmo que seja difícil, mesmo que exista obstáculos ou qualquer coisa que te impeça de continuar. Ser fã é achar o seu ídolo perfeito, mesmo conhecendo cada um dos seus defeitos, pois são exatamente eles que o torna único, que o torna especial. 

Não importa de quem você seja fã, seu ídolo sempre será o melhor, independente do que as outras pessoas digam. Toda magia de ser fã de uma pessoa, se trata em amar esse alguém sem esperar nada em troca, amar loucamente alguém que nunca te viu e talvez nunca irá te chamar pelo nome. Mas ele te chamará por algo tão magnífico, que só de ouvir seu coração irá disparar e as lágrimas lutarão para sair. Seu nome será um dos mais importantes da vida dele, do qual ele amará incondicionalmente e nunca irá esquecer. 

Ele te chamará de fã, aquela que faz de tudo só para vê-lo sorrir, e se alegra apenas com a sua existência. A sua eterna fã. Então se eu tivesse o poder de definir o que Luan seria para mim, eu o tornaria o meu ídolo, o que ele sempre foi, e o que ele sempre vai ser, por todos os dias da minha vida. 

Levantei do chão enxugando as lágrimas, ainda sentindo meu peito arder em chamas. Eu sabia que a partir daquele momento seria assim, eu teria que me acostumar com a dor, para poder então sobreviver.



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