História Diário de uma fã - Capítulo 80


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Categorias Luan Santana
Personagens Luan Santana
Tags Luan Santana, Romance
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Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Colegial, Ficção, Poesias, Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 80 - Capítulo oitenta


No sábado era véspera de ano novo e logo pela manhã, eu, minha mãe e Guilherme saímos para Dourados. A viagem durou cerca de quatro horas e meia entre algumas paradas, e durante todo o caminho Guilherme conversava com a minha mãe sobre a faculdade enquanto eu mexia no rádio do carro. O medo de Gui era ter que raspar o cabelo nos primeiros dias por causa do famoso trote que as faculdades faziam, e minha mãe foi contando com era na época dela, dentre outros assuntos. 

Chegamos a Dourados por voltas das doze horas, almoçamos e fomos ajudar a arrumar a área da frente para a virada do ano. Na casa da minha vó já estavam meus tios, um vizinho e uma afilhada dela, que se chamava Lorena, e todos espalhamos mesas pelo vasto jardim e penduramos enfeites prateados e balões por toda a área. Havia sido posta também uma grande mesa rente a parede da casa, a onde havíamos colocado toalhas brancas e douradas. 

Gui me ajudou a colocar os enfeites de flores em cima das mesas pequenas, e quando já estava tudo pronto, nós fomos ao supermercado com a minha mãe e depois escolhemos as músicas que tocariam na festa. É claro que o gosto do Gui era um tanto diferente do meu, mas conseguimos chegar a um acordo. 

Como não havia mais nada a ser feito, fomos nos arrumar mais cedo. Assim que terminei de tomar banho, liguei para Cristina para desejar feliz ano novo adiantado a ela e ao Frederico, e ela me contou que apesar do nervosismo, ele estava se saindo muito bem com a família dela. 

Desliguei o celular, voltando a me arrumar, e em poucos minutos já estava pronta. Havia colocado um vestido branco tomara-que-caia e de babados com uma faixa dourada na cintura, uma sandália se salto prata e uma flor branca presa no cabelo. Eu não estava com animo para me arrumar, mas havia resolvido aproveitar cada segundo que ainda tinha no Brasil. 

Após passar um pouco de maquiagem dourada, fiquei algum tempo olhando minha imagem refletida no espelho, concluindo que não havia mais nada que eu pudesse fazer para ficar apresentável. 

Enquanto me olhava, lembrei do sonho que tive com Luan na virada do ano em Cancun e o quanto havia sido perfeito. Me lembrava perfeitamente de cada detalhe, havia sido tão real que podia sentir até o vento batendo no meu rosto. Me lembrava também do quão lindo era o meu vestido, do barulho das ondas do mar, os fogos de artifício, o sorriso constante de Luan, o calor da sua mão na minha, e uma dor dilacerante pareceu atravessar meu coração. Como era possível que alguém me fizesse tanta falta daquela forma? Era difícil saber que mais um ano estava se iniciando, e nele novamente a distancia estaria entre eu e Luan. 

Respirei fundo, tentando não chorar e resolvi ir esperar por Guilherme na sala. Eu sabia que meu ano novo nunca seria tão lindo como o que eu havia sonhado, mas ainda assim eu teria que me forçar a sorrir. Me sentei no braço do sofá e fiquei mexendo nos enfeites da estante da minha vó, até me surpreender com Guilherme aparecendo no corredor. 

Ele vestia uma camisa de botão azul, short e tênis branco. O cabelo que sempre era jogado sobre a testa, estava levemente arrepiado e ele não usava óculos, deixando seus olhos azuis royal em evidência.

- Gui, você está lindo! – Disse admirada.

- Nossa, é para ficar feliz com toda essa surpresa? – Ele perguntou franzindo a testa.

- Não é surpresa, seu bobo. – Disse sorrindo. – Só estou te elogiando.

- Obrigado. A propósito você também está linda. Adorei a flor.

- Obrigada. – Ele me deu o braço e fomos juntos para área da frente a onde havia poucas pessoas ainda. 

O lugar estava encantador, a luzes de natal que ainda enfeitavam o jardim haviam sido ligadas, e junto com elas algumas luminárias improvisadas. Grande parte da mesa havia sido tomado por várias frutas decoradas e aperitivos, e podia se ouvir uma música baixinha escolhida por nós.

- Que casal mais lindo! – Ouvi uma voz dizer, que logo reconheci ser da minha tia que morava na casa ao lado. Sorri educadamente e puxei Guilherme para uma mesa distante.

- Tinha que ser a tia Lúcia. – Resmunguei.

- Ela é chata?

- Chata não, mas ela gosta de perguntar dos namorados e coisas do tipo. É meio constrangedor.

- Sei como é. – Gui disse rindo. – Ela é irmã da sua mãe?

- É, mais velha.

- Hum, não parece.

- Não. – Concordei. Ele devia estar se referindo ao fato da tia Lúcia ter o cabelo maior e escuro e o aspecto mais velho. – O tio Arthur, o pai da Clarinha é que se parece mais com a minha mãe.

- É verdade. Falando nisso, cadê a caixinhos dourados? – Ele disse se referindo a minha priminha, pelo apelido que havia dado a ela durante a tarde.

- Deve estar lá dentro se arrumando. – Gui abriu a boca para falar alguma coisa, mas foi interrompido pela afilhada da minha vó que apareceu na nossa frente. 

Ela vestia um lindo vestido vermelho combinando com o seu cabelo e aparentava ser um ou dois anos mais nova que eu.

- Posso me sentar com vocês? – Ela perguntou.

- Claro. – Eu disse enquanto ela se sentava em uma das cadeiras. Passamos algum tempo em um silencio constrangedor, eu e Guilherme nunca fomos muito bons em conversar com pessoas que não conhecíamos, mas ainda assim tentei puxar assunto. – Você mora aqui perto?

- Moro ali na esquina.

- Ah sim. – E o silencio se abateu por mais algum tempo. Gui comentou alguma coisa baixa sobre a música enquanto mexia no celular e eu enrolava as pontas do meu cabelo pensativa, até quebrar o silêncio novamente. – Alguém quer refrigerante? – Perguntei.

- Eu quero. – Ele respondeu rapidamente.

- Eu aceito, obrigada. – Ela disse educadamente. 

Me levantei e fui até o cooler de bebidas que havia sido posto ao lado da grande mesa e peguei três refrigerantes, entregando aos dois ao voltar a me sentar. Não demorou muito para o restante da minha família e os convidados da minha vó chegassem, e como na virada do ano não havia muitas tradições, o jantar foi servido antes da meia noite. 

Guilherme estava me mostrando um novo aplicativo no celular quando Lorena me pediu para acompanhá-la ao banheiro, eu estranhei, mas resolvi ir. Encostei na porta enquanto a observava tirar um pequeno estojo de maquiagem da bolsa e começar a retocá-la.

- Sua vó me contou que você vai estudar fora. – Ela disse me olhando pelo espelho.

- É, vou fazer intercâmbio.

- Que legal. E você está ansiosa?

- Um pouco.

- Eu adoraria poder conhecer outros países.

- É uma oportunidade única. – Repeti monotonamente a frase que já estava ouvindo há algum tempo.

- E vocês estão juntos?

- Quem? – Perguntei confusa.

- Você e o Guilherme.

- Ah, não. Somos apenas amigos.

- Então você não se importaria se eu tentasse, se importaria? – Ela perguntou ao se virar para mim.

- Claro que não. – Disse um pouco surpresa e ela sorriu.

- E como eu faço para puxar assunto com ele?

- Tente falar sobre Foster the people. – Sugeri.

- Foster the people? – Ela perguntou parecendo confusa.

- É uma banda, eu te aviso quando tocar alguma música.

- Ok, obrigada. – Sorri de volta para ela e sai do banheiro achando aquela cena um pouco engraçada.

 

Quando voltamos para a mesa, minha mãe estava sentada com Guilherme, e enquanto ela conversava algo sobre as festas passadas, ouvi alguém dizer que já estava quase na hora. 

Minha vó sintonizou o rádio na programação local e meu tio pegou os fogos de artifício enquanto todos saíam pelo portão. Guilherme passou o braço pelo meu ombro para me acompanhar e Lorena me lançou um olhar estranho, que me deixou sem graça. Mas eram poucas as vezes que Gui era afetivo da sua forma, eu não iria afastá-lo. 

Ouvi o locutor do rádio começar a contagem regressiva, e todos o acompanharam.

- 10, 9, 8, 7… – Fechei os olhos e várias coisas passaram pela minha cabeça, em todas elas estava Luan. 

Eu imaginava a onde ele estava naquele momento, o que estava fazendo, no que estava pensando e qual eram os seus desejos para o novo ano. Em todos os anos desde que o conheci, ele era meu pedido de ano novo e de todos os outros dias comuns, mas naquele momento a única coisa que eu desejava era que ele pudesse ser feliz, mesmo que fosse longe de mim. 

– 3,2,1… Feliz ano novo meu menino. – Sussurrei. Guilherme estava me olhando com uma expressão de preocupação quando abri os olhos, mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, fomos tomados por uma onda de felicitações e abraços. 

Quando já havia cumprimentado a todos, voltei a me sentar a mesa. Eu estava me sentindo estranha, era como se dentro de mim existisse um vazio, uma dor constante que me sufocava. Eu tentava não pensar que em pouco mais de uma semana estaria partindo para longe de todos aqueles que me faziam bem, mas meu coração não me deixava esquecer. 

Estava quieta, imaginando com seria passar o ano novo ao lado de Luan quando Guilherme começou a bater na mesa, me assustando. E então percebi que havia começado a tocar Pumped up kicks, sua música preferida. Fiz sinal para Lorena, que ainda estava sentada a minha frente, murmurando o nome da banda e ela rapidamente entendeu.

- Foster the people! – Ela exclamou e Guilherme rapidamente se virou para olhá-la.

- Gosta de Foster the people? – Ele perguntou surpreso.

- Adoro, é uma banda ótima. – Reprimi a risada, e como havia previsto Guilherme se irrompeu a falar da banda, dando espaço apenas para a menina concordar com o que ele dizia. Era a minha deixa, sai com a desculpa que ligaria para o meu pai e os deixei sozinhos, caminhando devagar para a área dos fundos. 

O local estava mal iluminado, mas dava para ver os bancos, a churrasqueira e a grande piscina que havia ali, da qual eu me sentei na borda, tirando as sandálias e colocando os pés na água. A ligação para o meu pai foi rápida, apenas o desejei um feliz ano novo e disse que ligava depois, pois a ligação estava ruim. 

Fiquei algum tempo olhando para o celular, reprimindo a vontade de ligar para Luan. Eu gostaria de poder ouvir a sua voz, saber como ele estava, se estava bem, se estava feliz, mas eu não podia. 

Uma nova música começou a tocar no rádio, a melodia era calma e suave, e a letra dizia “Olhos fechados pra te encontrar, não estou ao seu lado, mas posso sonhar. A onde quer que eu vá, levo você no olhar” e senti meu coração apertar no peito. Fechei os olhos tentando segurar as lágrimas e fiquei ouvindo-a em silencio, enquanto meus pensamentos vagavam até Luan. 

Não sabia como sobreviveria sem ele, como suportaria aquela distância que tanto me machucava. E mesmo já sabendo a resposta, me perguntava se a saudade continuaria apertando cada vez mais. 

Eu sempre soube que não era fácil perder um amor, mas Luan nunca foi um simples amor, ele sempre foi muito mais que isso. Ele era a minha base, a estrutura que segurava toda a minha vida, me impedindo de desmoronar. Desde que o conheci, cada passo que dei foi em direção ao seu abraço, e eu não sabia se teria forças para seguir o caminho contrário. 

Ouvi um barulho atrás de mim e abri os olhos assustada, encontrando Guilherme vindo em minha direção.

- Trouxe sete uvas. – Ele disse me entregando um cacho com pequenas uvas.

- Ah, obrigada. – Ele se sentou ao meu lado a borda da piscina, tirando o tênis e também colocando os pés na água. – E a Lorena? – Perguntei.

- O que tem ela?

- Não se interessou?

- Não, acho que ruivas não são o meu forte.

- Loiras reluzentes são o seu forte. – Zombei.

- Talvez. – Ele disse fazendo uma careta. – Mas e você, o que está fazendo aqui sozinha?

- Pensando na vida. – Disse mordiscando uma das uvas. Eu não gostava muito, sempre preferi morango.

- E essa vida atende pelo nome de Luan Santana? – Ele perguntou, me surpreendendo. Às vezes me esquecia o quanto Guilherme era observador.

- A maioria do tempo. – Disse suspirando.

- Você ainda gosta dele. – Ele disse e eu percebi que não eu uma pergunta.

- É tão óbvio assim?

- Completamente. – Ele respondeu e eu respirei fundo, encarando a água fria da piscina.

- Às vezes eu tenho medo de estar fazendo tudo errado. – Disse ainda sem encará-lo.

- Eu não sei qual é a coisa certa a se fazer, mas fugir com certeza não é uma delas.

- Eu não estou fugindo. - Disse olhando aflita.

- Você está fugindo do que sente.

- Porque eu não deveria sentir.

- Quem sou eu para dizer algo sobre o amor, sendo que não consigo ao menos me entender com a garota que eu gosto. Mas acredito que nada acontece sem um propósito, então se esse sentimento existe, é porque tinha que existir.

- Eu também penso assim. Sabe, as vezes fico me perguntando qual será o plano de Deus para mim e por que me colocou no caminho de Luan.

- Minha mãe diz que você não deve perguntar a Deus por que, e sim para quê.

- Eu sei que com ele passei os melhores momentos da minha vida. Mas eu me pergunto, e ele? O que de bom eu poderia oferecer a ele?

- Eu tenho certeza que ele sabe te responder isso.

- Eu sinto tanto a falta dele. – Disse quase num sussurro.

- Então por que não volta com ele?

- Queria que fosse simples assim, mas envolve tantas coisas. Acho que Luan não nasceu para ser meu. – Aquelas palavras, mesmo que estivessem saindo da minha boca, me causavam uma dor descomunal no meu coração.

- Então por que você não tenta conhecer pessoas novas? Dar uma chance para um novo amor e esquecê-lo.

- Não é tão fácil assim Gui, amor com amor não se cura. Amor não é um produto, não é uma marca de xampu que você troca quando der algum problema. E eu amo o Luan de uma forma tão imensa, tão profunda, que é como se não existisse mais ninguém no mundo.

- Acho que posso entender. – Ele disse pensativo, e ficamos em silencio por algum tempo. Até eu deitar para trás, seguida de Guilherme, e ficarmos olhando as estrelas, enquanto ele me falava o nome de alguma delas.

 



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