História Diário de uma garota qualquer - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Baseado Em Fatos Reais, Diário, Drama, Real, Romance, Segredos
Exibições 9
Palavras 508
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Mutilação, Nudez, Self Inserction, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - O primeiro corte


Depois de uma semana sem sair de meu quarto,  meus pais começaram a se preocupar de verdade. Todos os dias,  antes de sair,  minha mãe vinha até meu quarto para ver se eu estava dormindo (isso lá pelas cinco da manhã). Eu virava para o lado,  cobria meu rosto com um cobertor e às vezes fingia uma respiração pesada. Ela se despedia delicadamente com um beijo em minha testa,  e fechava a porta do quarto novamente. "Ao menos ela está dormindo",  acho que ela pensava. 

Umas horas mais tarde,  meu pai saia também,  e me perguntava se eu iria para a escola. Eu respondia de forma negativa, quase que nem me mexendo ou abrindo a boca. 

Não era preguiça,  era como se me faltasse um motivo para a vida. A vontade de comer não vinha,  e a de ver outras pessoas muito menos. 


Mas,  é claro que meu relacionamento com meus pais também era péssimo. Apenas agora me tratavam "bem" por eu estar de cama. Mas,  mesmo do quarto,  eu ouvia quando falavam sobre mim. Sempre as mesmas coisas,  "Ela não ajuda em nada,  a única obrigação dela é ir pra escola,  e agora que ela perdeu o amiguinho dela quer ter uma vida de princesa". Era como um tapa na cara,  cada palavra. 

Discutiamos muito,  e sempre. Não passávamos mais de duas horas sozinhos em casa sem que o ambiente se tornasse insuportável. E foi logo após uma dessas discussões que eu cometi meu maior erro: O primeiro corte. 

Havia acabado de sair doquarto. Ainda era bem cedo, e eu nem sequer me lembrava da última vez na qual comi direito. Olhei para minha mãe,  e seu cara fechada logo me fez entender a mensagem. E logo ela se pôs a reclamar do meu comportamento.  Mais forte do que nunca,  suas palavras vinham e ricocheteavam em meus ouvidos,  enquanto eu tentava ignora-las.  Então,  a frase que até hoje nunca esqueço: Você é uma inútil.

Finalmente,  o silêncio. Ela chegou a levantar a mão para me bater,  mas algo como um leve receio a impede de fazer isso. As lágrimas escorrem de meus olhos sem meu consentimento, e eu me recuso a chorar a frente dela,  então corro de volta para meu quarto,  eme tranco em meu banheiro. Não demora muito para que essa tristeza toda se transforme em raiva. Olho para o espelho. Vejo meus olhos inchados,  meu rosto molhado,  e meus cabelos despenteados ali. A velha Maria sempre sorriente se afogou na água de sua tristeza. 

Abro o armário embaixo da pia,  e lá vejo uma das lâminas de meu pai. Acho que ele usava para se barbear ou algo assim. Tinha pelo menos umas três soltas na prateleira. Levanto aquela que mais tarde se tornaria minha melhor amiga. A deixo a frente de meus olhos,  e noto seu brilho incomum. Impulsivamente,  a passo com força sobre meu braço,  e quase não sinto nada. Esta foi a primeira vez em que Izzy me ajudou,  enquanto segurava meus pulsos e deixava jorrar todo o meu sofrimento,  minha raiva. 



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