História Diário dos Mortos-Vivos - Capítulo 16


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Palavras 1.051
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Seinen, Shoujo (Romântico), Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Estupro, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - Offline 2 - Podridão


 Saímos muito cedo naquela manhã. O sol mal pintara de laranja a cidade, Levi e eu já nos encontrávamos no portão, a mochila e revólver comigo, o martelo, jaqueta de couro e capacete com ele.

– Preparado? – perguntou Levi, segurando o ferrolho.

Assenti e ele abriu o portão. O corpo do homem que eu matara continuava ali, caído numa poça de vermes. Olhando a todo momento para os lados, corremos até o carro estacionado sobre a calçada do vizinho, um Sedan vermelho, coberto por uma camada de sujeira que o tornava quase marrom. Não havia nenhum morto-vivo por perto, mas meu coração parecia prestes a rachar as costelas.

Levi deu a volta no carro, até a porta do motorista, e tentou abri-lo.

– Merda – ouvi-o dizer. Estava com a viseira do capacete levantada. – Trancado. Vê a outra porta.

Me apressei até a porta do carona, agarrei a maçaneta e puxei. Ela abriu. No mesmo instante, um alarido explodiu em meus ouvidos e levantei a cabeça para ver os olhos esbugalhados de Levi do outro lado.

– Corre! – gritou, e avançou velozmente na direção da esquina.

Segui-o o melhor que pude, com o peso da mochila. Mas ele parou antes de fazer a curva para a outra rua, mantendo as costas no muro. Havia uma camionete azul-escura na rua, à nossa frente.

– O que foi? – falei, aterrorizado. Aquele alarme parecia ecoar em toda a cidade.

– Tem três deles vindo pra cá.

– E o que a gente faz?!

– Vem. – Ele deslizou para a traseira da camionete.

Fui para junto dele e ficamos os dois ali, agachados, o suor empapando minha camisa. As três criaturas passaram rosnando e correndo ao nosso lado, totalmente focadas no barulho do alarme. Reparei que um deles era um garoto, uma criança. Então, sem perder tempo, demos a volta e fizemos a curva na esquina. Demos de cara com um deles.

Era uma mulher, velha, usava um vestido floreado e arrastava uma bolsa presa por uma alça em sua perna. Levi praticamente esbarrou nela, e os dois caíram cada um para um lado. Segurei com toda minha força o revólver e apontei para ela, tremendo.

– Não! – disse Levi, se levantando.

A mulher soltou um berro animal e se pôs de pé. Com os dentes à mostra, babando um líquido negro, veio em mim. Levi baixou a viseira e, como um touro, investiu contra ela no meio do caminho. O corpo da velha chocou-se com o muro de pedra e, antes que pudesse reagir, ele desferiu-lhe uma dúzia de pancadas na cabeça, até os dois olhos saltarem das órbitas e o cérebro espalhar-se pela calçada.

– Madura como um melão – disse ele, sorrindo. Puxou um pano do bolso da jaqueta e limpou o sangue da viseira. – Vamos.

Não demos muita sorte com os outros carros nas ruas seguintes. Com medo de algo semelhante acontecer, procuramos algum que já estivesse aberto. Mas esses ou estavam sem gasolina, ou com a bateria morta. Por isso seguimos a pé, através das ruas secundárias, sempre seguindo o mapa desenhado por Levi. Quando encontrávamos um grupo de infectados, tratávamos de nos esconder, às vezes nos obrigando a saltar para trás do muro de alguma casa. A maioria delas estava trancada, sem o menor sinal de presença humana. Mas em algumas vimos sangue pelo chão, e as evitamos.

Algumas vezes, encontramos cadáveres, jogados pelas ruas, servindo de comida para os cachorros. A maioria era de mortos-vivos abatidos, mas havia outros, de pessoas devoradas a ponto de sequer poderem retornar, e dois ou três de gente morta por outras pessoas, com marcas de tiros ou pancadas, sem sinal de infecção. O cheiro de morte e podridão era onipresente. Mesmo depois de arrancar dois pedaços de algodão do casaco e metê-los nas narinas, eu conseguia sentí-lo; parecia adentrar a pele e correr em minhas veias. Se aquela, uma das partes mais isoladas da cidade, estava daquele jeito, como estaria a zona para a qual estávamos indo, bem no centro, onde ficava a casa da Raquel? Preferi não pensar nisso.

Mais ou menos uma hora depois, decidimos descansar. Ter que ficar correndo, pulando muros, se escondendo, além de desgastar fisicamente, me deixava com o psicológico exausto. Eu permanecia o tempo todo torcendo o pescoço, amedrontado, imaginando se não haveria um deles atrás de cada placa, carro ou beco. Mesmo os cachorros me assustavam, com seus olhos gentis e fucinhos sujos de sangue humano.

– Logo eles vão tomar gosto por carne humana – dizia Levi, quando um deles se aproximava para nos cheirar. – E aí teremos mais um predador com o qual nos preocupar. – Ele os olhava, com uma expressão sombria. – Talvez eu devesse rachar a cabeça deles agora.

Mas ele não o fazia. Mandava-os embora com um chute e prosseguíamos pelo caminho.

Logo, chegamos em uma avenida. Não havia jeito de evitá-la. Precisávamos atravessar para o outro lado caso quiséssemos continuar caminho. Nos aproximamos cautelosamente do final da rua, que se bifurcava como um T para a avenida, com o objetivo de examiná-la melhor. Pulamos o muro para a casa da esquina e pudemos observar a situação à nossa frente.

Havia duas pistas, separadas por uma mureta de concreto. Nelas, os carros espalhavam-se desordenadamente, abandonados, batidos. Olhando além, podia distinguir um grotesco acidente, com a cabine de um caminhão enegrecida apontada para o céu. Os seres vagando ao acaso por aquele caos, como maquinas em modo de espera, contribuíam para tornar tudo ainda mais inacreditável. Eram homens, mulheres, velhos, crianças, todos sujos, com as roupas rasgadas e ensanguentadas, as peles pálidas, cobertas por veias.

– Como vamos passar por isso? – perguntei a Levi, descendo do muro. Aqueles monstros estavam por todo lado.

Ele me olhou e exibiu os dentes num sorriso macabro.

– À ferro e fogo, parceiro.

Engoli em seco e dediquei outro olhar ao inferno estendido sobre as duas pistas.

– Deve ter outro jeito – falei. Aquilo era morte certa. Ele não podia estar falando sério.

– Bom, se tiver um par de asas escondido aí, essa é a hora de revelar.

– Realmente quer atravessar aquilo? Olha quantos têm! Não dá, Levi. Não dá!

Ele agarrou uma das garrafas de água da mochila e a bebericou. Então me fulminou com o olhar.

– Para de ser um maricas. Esqueceu o que viemos fazer?

Me encolhi detrás do muro, segurando meus cabelos. Estamos mortos, pensei, rindo nervosamente. Mortos.



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