História Diário dos Mortos-Vivos - Capítulo 17


Escrita por: ~

Visualizações 20
Palavras 1.095
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Seinen, Shoujo (Romântico), Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Estupro, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 17 - Offline 3 - Pandemônio na avenida


 O calor gerado por toda aquela movimentação começava a umedecer minhas roupas. As costas doíam devido ao peso da mochila. Estávamos no pátio de uma casa, situada no fim da rua que desembocava na avenida. Eu me sentia nu sem o capacete e jaqueta, mas pelo menos tinha o revólver. Ainda não havia usado-o, por causa do barulho, mas era infinitamente mais seguro do que o martelo.

Levi estava pendurado no muro, o cabelo suado agitando ao vento, absorvido na tarefa de encontrar o melhor lugar pelo qual atravessarmos a avenida.

Abri a mochila e peguei uma das latas de sardinha.

– Não quer comer? – perguntei.

– Nah. – Ele mordeu o lábio. – Esse negócio só iria revirar meu estômago.

– Você que sabe.

Guardei a lata de volta. Havia um nó no meu estômago também.

Cerca de 30 minutos depois, estávamos prontos.

– Eu salto pro outro lado, então você me joga a mochila – disse ele. Então esticou os braços e dobrou o corpo até desaparecer por cima do muro.

Arremessei a mochila e rapidamente subi também.

Agora estávamos na calçada. Podia ver as cabeças dos infectados indo e vindo por sobre os capôs dos carros, dezenas deles percorrendo aquele labirinto de morte e metal. Corremos agachados para trás do veículo mais próximo.

Levi e eu trocamos um olhar. Então ele segue em frente de martelo em mão, comigo assegurando sua retaguarda de revólver.

Não demos sorte. Assim que contornamos o carro, nos deparamos com um menino. Não parecia ser mais velho do que 7 anos, com um buraco vermelho onde devia estar o nariz e o braço terminado num toco dilacerado. Ao nos ver, ele rosnou e bateu os dentes. Levi segurou o martelo com as duas mãos e acertou-o com um golpe horizontal na fonte. A cabeça do menino foi jogada contra a porta do carro e ele tombou no asfalto, emitindo gemidos agonizantes. Passamos por cima dele e nos apressamos.

Fazia um sol de rachar lá em cima e eu sentia o suor escorrendo pela minha pele como insetos peçonhentos. Enquanto Levi avançava como se nada pudesse abalá-lo, dedicando apenas breves olhares por cima dos carros, eu, por outro lado, olhava febrilmente ao redor, pressionando o cabo da arma até o ponto de doer. Duas vezes precisei agarrá-lo pela jaqueta para impedi-lo de seguir direto para um grupo de infectados. Eu então o repreendia com os olhos e ele sorria.

Depois de alguns minutos, enfim chegamos à mureta a qual separava as duas vias da avenida. Saltamos por ela e contínuamos nos esgueirando por entre os veículos. Foi quando tudo deu errado.

Estávamos contornando um caminhão de carga tombado, com carros do outro lado, formando uma espécie de corredor, quando dois deles surgiram lá na frente. Era uma loira baixinha e um homem careca, de terno. Antes que pudessem nos ver, nos viramos e, agachados, disparámos na direção oposta. Mas, em seguida, Levi subitamente estacou e eu bati com o rosto em suas costas.

– Por que parou? – sussurrei, exasperado. – Anda logo!

Então escutei o uivo furioso deles atrás e na frente e soube que era o fim. Olhei por sobre o ombro e divisei as duas criaturas vindo pelo corredor, martelando o asfalto com seus pés descalços. A língua da morte percorreu minha espinha e meu corpo petrificou-se, rendido.

– Merda!

Levi virou para mim e gritou: – Corre, vai, vai, vai!

Foi aí que ví a meia dúzia de figuras maltrapilhas do outro lado, também adiantando-se para nós, prestes a nos transformar em sanduíche de carne.

Voltei para o outro lado e corri, rangendo os dentes numa careta de desespero. Apontei o cano do revólver para os dois desgraçados e disparei.

Um choque correu pelos meus braços e o barulho do tiro pareceu ecoar através de toda a cidade. De imediato, berros monstruosos elevaram-se de todos os lados no caos na avenida. Era a sineta de almoço servido.

A bala atravessou o pescoço da loira e ela oscilou, ameçando cair, mas equilibrou-se e continuou sua corrida.

– Aaaaaaaaaahhhh!!! – Adrenalina irrompeu como eletricidade em minhas veias e gritei, disparando de novo e de novo, até o ouvir o click do tambor vazio e a risada desvairada de LEvi às minhas costas.

Passamos por cima dos dois mortos e dobramos à direita na cabine do caminhão. Nosso caminho então foi interrompido pelos destroços de um carro e uma van, entrelaçados em metal.

– Sobe! – disse Levi, apontando para a cabine.

Completametente desnorteado, meti um pé numa porta carbonizada e usei-a para me impulsionar até os limpa-para-brisas do caminhão. Escalei-o rapidamente, me agarrando a qualquer saliência, pressentindo o momento em que agarrariam minhas pernas e me puxariam para a morte.

Só voltei a respirar no momento em que desci do outro lado do acidente com Levi e deixei para trás os as arremetidas da horda faminta. Entretanto, já não havia tempo para descanso. Não era mais necessários nos agacharmos, pois todos sabiam que estávamos ali. Dúzias deles avançavam pelos corredores de carros, batendo de um lado e do outro como bolas de pinball, procurando uma forma de nos alcançar enquanto dobrávamos para lá e para cá, subindo por cima dos capôs e saltando de um para o outro, sempre com mãos e bocas famintas roçando em nossos pés. O menor deslize e seria o nosso fim.

De repente havíamos alcançado o outro lado da avenida e eu pulei do teto do carro para a calçada, escorregando numa garrafa pet de coca-cola para em seguida me estatelar contra uma parede. Os gritos das aberrações eram como o ruído de ondas se elevando à medida em que se aproximavam para nos engolir em espuma e sangue. Levi aterrissou ao meu lado e me ajudou a levantar. Procuramos a esquina mais próxima e nos dirigimos em sua direção.

No meio do caminho, no entanto, um sujeito sem camisa emergiu de entre dois automóveis e não houve tempo para reação. Atirou-se de dentes no braço de Levi, abocanhando a jaqueta de couro na altura do antebraço enquanto tentava acertá-lo com as unhas e ele usava o outro braço para impedir. Nisso, o martelo escorregou de seus dedos e eu avancei para socorrê-lo. Segurei o cabo de madeira maciça o mais alto possível e investi toda minha força na pancada.

Ao atingi-lo, o aço deformou-lhe a testa, formando uma depressão logo acima do olho esquerdo. Sua mordida imediatamente afrouxou e Levi acertou-o com o capacete, mandando-o para o chão.

Com a agitação dos mortos-vivos fervilhando em nossos ouvidos, deixamos para trás a avenida e alcançamos a esquina para a próxima rua. Finalmente estávamos no meio do caminho.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...