História Diário dos Mortos-Vivos - Capítulo 18


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Seinen, Shoujo (Romântico), Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Estupro, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 18 - Registro 15 - Jaula


 Postado às 10:45 de 11/08/2017

Vocês já deviam estar pensando que morri, não é? Realmente se passaram dias desde que sai da casa. Não imaginei que um simples trajeto de uma hora de carro tornar-se-ua uma odisseia de dias. Apenas agora recuperei meu celular e tive tempo para vir aqui, atualizá-los sobre a situação. E que situação, diga-se de passagem. Mas vou começar logo.

No primeiro dia atravessamos as ruas secundárias até uma avenida que atravessa toda a cidade. Quase morremos uma dúzia de vezes até chegar ao outro lado e chegarmos na próxima esquina. Foi um verdadeiro inferno, mas não vou me ater aos detalhes disso.

Entramos nessa esquina e seguimos em direção ao centro, onde fica a casa da Raquel, minha namorada. Quando encontrávamos um morto-vivo solitário, Levi tratava de abatê-ls, como se aquilo fosse a coisa mais legal do mundo. Sei que há algo de errado com ele, mas não deixa de ser um companheiro interessante.

Foi quando avistamos a fachada dessa padaria, Doce Mel, e decidimos que seria um bom lugar para recarregarmos as energias, além de uma oportunidade de forrarmos o estômago com algo que não estivesse numa lata há não sei quantos meses.

– Eu mataria por um sonho recheado de creme de leite – disse Levi, enquanto escalava as grades ao lado do prédio da padaria, que conduziam a um corredor até a porta dos fundos.

– Eu mataria por um banho quente de uma hora – falei, seguindo-o.

Nos aproximamos da porta e Levi tentou abri-la. Trancada.

– E agora?

– Relaxa – disse ele, tirando o capacete e puxando do bolso da calça um cartão de crédito.

Mas não era um cartão de crédito, e sim uma mini-caixinha com várias espécies de pinças metálicas dentro. Ele pegou duas e enfiou-as na fechadura da porta.

– Onde aprendeu a fazer isso? – perguntei, surpreso.

– Na internet. – Sorriu.

Trinta segundos depois, a porta estava destrancada. Abrimo-la devagar, revelando o interior escuro, e entramos.

Assim que eu pisei no interior da padária, as luzes subitamente se acenderam, me cegando, e alguém chutou-me no rosto. Tombei para o lado, com a bochecha contra o piso branco e uma dor latejando, observando frações do que acontecia à minha frente.

Levi lutava com duas pessoas, e havia mais ao fundo, detrás das prateleiras, como sombras tremulando. Elas tentavam derrubá-lo, mas ele continuava de pé, debatendo-se como uma fera que se recusa a ser dominada. Então uma garota morena e esguia aproximou-se dele e com um soco digno de um boxeador, enviou-o para o mundo dos sonhos. Nesse momento perdi a consciência também.

Quando acordei, estava numa jaula, com um cheiro curioso nas narinas. Tentei levantar e acertei a cabeça nas grades. Então me sentei e olhei melhor ao redor.

À esquerda e à direita, em frente e às costas, incontáveis filerias de jaulas semelhantes à minha espalhavam-se pelas paredes e umas sobre as outras. Eram todas minúsculas, e só quando vi um cachorro, um labrador, dentro de uma delas, percebi que se tratava de um canil.

Minha mochila havia sumido, assim como Levi. Minha cela era tão pequena que só podia ficar ereto se caminhasse usando os joelhos, e mesmo assim só poderia dar quatro ou cinco passos antes de dar de cara nas grades. O calor era intenso, sufocante. O cheiro de animais, fezes e coisas piores preenchia o lugar. Havia um copo de água num canto e me joguei sobre ele. Deixei o líquido refrescante deslizar pela garganta seca, saboreando-o de uma só vez.

Então me apoiei nas grades e meditei sobre minha situação.

Preso numa jaula como um animal. Seria aquilo o mais baixo que um ser humano poderia chegar? Ri de minha própria desgracidade. Bem, pensei, ainda é melhor do que me tornar alimento para os carniceiros. A não ser que essas pessoas, quem quer que sejam, estejam tão famintas que não se importem de partilhar do mesmo cardápio dos mortos. Já vi isso num seriado. Talvez tenham tirado a ideia dele... Começo a pensar que jamais verei Raquel de novo, e essa missão talvez tenha sido apenas uma forma mais indireta de me matar.

Gui, eu não recomendaria dois amores em um tempo desses. Serão duas punhaladas no seu peito quando perdê-los... Prefiro me manter afastado dos cachorros, eles me dão medo. Quase fui atacado por um deles no trajeto até aqui.

Erick, esperar que tudo dê certo talvez seja muita inocência agora. Bem, pra mim tudo deu errado. Santa Catarina não é muito longe daqui, até já visitei esses lados. Saudades desse tempo...

Goran, receio que gente viva já não seja algo tão bom. Nem todos se mantém sãos, ou amigáveis e receptivos. Alguns simplesmente piram e querem destruir o que estiver em frente... As pessoas que encontrei aqui são dos dois tipos.

Bem, preciso ir. Continuarei amanhã.



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