História Diarios De Um Vampiro: The Vampire Diaries - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias The Vampire Diaries
Personagens Damon Salvatore, Elena Gilbert, Personagens Originais, Stefan Salvatore
Tags Livro Diarios Do Vampiro
Exibições 14
Palavras 3.613
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Hentai, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Mutilação, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Capitulo 10


7 de outubro, por volta das 8 da manhã.

Querido Diário,

Estou escrevendo durante a aula de trigonometria, só espero que a Srta. Halpern não me veja.

Não tive tempo de escrever ontem à noite, apesar de querer. Ontem foi um dia louco e confuso, exatamente como a noite do Baile de Boas-Vindas. Sentada aqui na escola nesta manhã, quase sinto como se tudo o que aconteceu nesse fim de semana fosse um sonho. As coisas ruins foram tão ruins, mas as boas foram muito, muito boas.

Não vou prestar queixa contra Tyler. Ele foi suspenso da escola, contudo, e do time de futebol assim como Dick, por estarem bêbados no baile. Ninguém diz, mas acho que um monte de gente acha que ele foi o responsável pelo o que aconteceu com Vickie. A irmã de Bonnie viu Tyler na clínica ontem, e ela disse que ele tinha dois olhos roxos e seu rosto todo estava todo machucado. Não posso evitar me preocupar com o que vai acontecer quando ele e Dick voltarem à escola. Eles têm mais razão do que nunca para odiarem Stefan agora.

O que me leva a Stefan. Quando acordei esta manhã, entrei em pânico, pensando, “E se tudo não for verdade? E se nunca aconteceu, ou se ele mudou de ideia?” E tia Judith estava preocupada no café da manhã porque eu não conseguia comer de novo. Mas então quando fui à escola e o vi no corredor perto do escritório, e nós só olhamos um para o outro. E eu soube. Pouco antes de ele se virar, ele sorriu, meio que ironicamente. E entendi isso, também, e estava certo, era melhor não ficar em cima um do outro em um corredor público, a não ser que quiséssemos fazer as secretárias tremerem.

Nós estamos definitivamente muito juntos. Agora só tenho que achar uma maneira de explicar tudo isso ao Jean-Claude. Ha-ha.

O que não entendo é porque Stefan não está tão feliz sobre isso quanto eu. Quando estamos um com o outro posso sentir o que ele sente, e sei o quanto ele me quer, o quanto gosta de mim. Há uma fome quase desesperada dentro dele quando me beija, como se quisesse puxar a minha alma do meu corpo.

Como um buraco negro que...

 

 

Ainda 7 de outubro, agora por volta de 2 da tarde.

Bem, uma pequena pausa ali porque a senhorita Halpern me pegou. Ela até mesmo começou a ler em voz alta o que eu tinha escrito, mas então acho que o assunto não era adequado e ela parou. Não estava satisfeita. Estou feliz demais para ligar para coisas secundárias como reprovar em trigonometria.

Stefan e eu almoçamos juntos, ou pelo menos fomos em um canto do campo e nos sentamos com o meu almoço. Ele nem ao menos se deu ao trabalho de trazer alguma coisa, e é claro que acabou que não consegui comer também. Nós não nos tocamos muito – não nos tocamos, na verdade – mas conversamos e olhamos muito um para o outro. Eu quero tocá-lo. Mais do que qualquer garoto que eu já conheci. E sei que ele quer, também, mas ele está hesitando. É isso o que não consigo entender, por que ele está lutando contra isso, por que está hesitando.

Ontem em seu quarto achei uma prova de que ele está me observando desde o começo. Você se lembra como te contei que no segundo dia de escola Bonnie e Meredith e eu estávamos no cemitério? Bem, ontem no quarto de Stefan achei a fita laranja-amarelada que eu estava usando naquele dia.  Lembro dela caindo da minha mão enquanto eu corria, e ele deve tê-la pegado e guardado.

Não disse a ele que eu sei, porque ele obviamente quer manter em segredo, mas isso mostra, não mostra, que ele gosta de mim?

Te digo outra pessoa que não está satisfeita. Caroline. Aparentemente ela o esteve arrastando à sala de fotografia na hora do almoço todo dia, e quando ele não apareceu hoje, ela foi procurar até que nos achou. Pobre Stefan, tinha esquecido dela por completo, e ficou chocado consigo mesmo. Assim que ela saiu – num tom asqueroso e doentio de verde, devo acrescentar – ele me disse como ela tinha se ligado à ele na primeira semana de escola. Ela disse que tinha notado que ele não comia no almoço, e já que estava de dieta, por que não iam a algum lugar silencioso e relaxante? Ele não falou realmente nada de ruim dela (o que acho que é sua ideia de boa educação novamente, um cavalheiro não faria isso), mas disse que não havia nada entre eles. E para Caroline acho que ser esquecida é pior do que se ele tivesse jogado pedras nela.

Eu me pergunto por que Stefan não come no almoço, contudo. É estranho para um jogador de futebol.

Oh-ou. O Sr. Tanner acabou de vir até aqui e eu joguei meu caderno em cima desse diário bem a tempo. Bonnie está abafando o riso atrás de seu livro de história, posso ver seus ombros chacoalhando. E Stefan, que está na minha frente, parece tão tenso quanto se fosse saltar de sua cadeira a qualquer minuto. Matt está me lançando um olhar “sua louca” e Caroline está olhando furiosamente. Estou sendo muito, muito inocente, escrevendo com meus olhos fixos em Tanner à frente. Então se isso está um tanto torto e bagunçado, você entenderá porquê.

No último mês, realmente não fui eu mesma. Não fui capaz de pensar claramente ou me concentrar em qualquer coisa a não Stefan. Há tanto que deixei por fazer que me sinto quase assustada. Eu devia estar no comando da decoração da Casa Assombrada e nem fiz nada sobre isso ainda. Agora tenho exatas três semanas e meia para organizá-la – e eu quero ficar com Stefan.

Poderia sair do comitê. Mas isso deixaria Bonnie e Meredith com o peso nas costas. E fico lembrando o que Matt disse quando eu lhe pedi para fazer Stefan vir ao baile: “Você só quer tudo e todos girando ao redor de Elena Gilbert.”

Isso não é verdade. Ou pelo menos, se foi no passado, não vou mais deixar ser verdade. Eu quero – ah, isso vai soar completamente estúpido – mas eu quero ser digna de Stefan. Sei que ele não iria decepcionar os caras do time para satisfazer sua própria comodidade. Quero que ele tenha orgulho de mim.

Eu quero que ele me ame tanto quanto eu o amo.

 

 

— Se apressa! — chamou Bonnie da entrada do ginásio.

Ao lado dela, o zelador da escola, Sr. Shelby, esperava.

Elena lançou um olhar para o campo distante de futebol americano, então relutantemente cruzou o asfalto para se juntar à Bonnie.

— Eu só queria dizer ao Stefan para onde estou indo — ela falou.

Depois de uma semana com Stefan, ainda sentia a onda de excitação só por pronunciar o seu nome. Toda noite durante semana ele viera a sua casa, aparecendo na porta por volta do pôr-do-sol, as mãos nos bolsos, usando sua jaqueta com o colarinho virado para cima. Eles geralmente davam uma caminhada ao anoitecer, ou sentavam-se na varanda, conversando. Apesar de não verbalizado, Elena sabia que essa era a maneira de Stefan de eles não ficarem sozinhos. Desde a noite do baile, ele sempre cuidava disso. Protegendo sua honra, Elena pensou ironicamente, e com sofrimento, porque ela sabia em seu coração que era mais do que apenas isso.

— Ele pode viver sem você por uma noite — Bonnie devolveu insensivelmente. — Se for falar com ele, você nunca vai se afastar, e eu quero chegar em casa a tempo de jantar.

— Olá, Sr. Shelby — Elena cumprimentou o zelador que ainda esperava pacientemente. Para sua surpresa, ele fechou um olho em uma piscadela solene. — Onde está Meredith? — ela acrescentou.

— Aqui — disse uma voz atrás dela, e Meredith apareceu com uma caixa de papelão contendo arquivos e cadernos em seus braços. — Eu peguei o negócio do seu armário.

— São só vocês? — indagou o Sr. Shelby. — Muito bem, agora vocês garotas fechem e tranquem a porta, escutaram? Desse jeito ninguém pode entrar.

Bonnie, pronta para entrar, parou brevemente.

— Tem certeza de que já não há ninguém dentro? — ela perguntou cautelosamente.

Elena deu-lhe um empurrão entre as omoplatas.

— Apresse-se — ela imitou maldosamente. — Eu quero chegar em casa a tempo de jantar.

— Não há ninguém dentro — disse o Sr. Shelby, sua boca retorcendo sob o seu bigode. — Mas vocês gritem se quiserem algo. Eu estarei por perto.

A porta fechou atrás delas com um curioso som final.

— Trabalho — disse Meredith resignadamente, e colocou a caixa no chão.

Elena concordou, olhando para cima e para baixo no grande salão vazio. Todo ano o Conselho Estudantil organizava a Casa Assombrada como uma festa para arrecadação de fundos. Elena tinha estado no comitê de decoração nos últimos dois anos, junto com Bonnie e Meredith, mas era diferente ser a presidente. Ela tinha que tomar decisões que afetariam a todos, e não podia nem ao menos recorrer ao que fora feito nos anos anteriores.

A Casa Assombrada geralmente era feita em um galpão de madeira, mas com o crescente desconforto na cidade, decidiu-se que o ginásio da escola seria mais seguro. Para Elena, isso significava repensar toda a decoração interior, e faltando menos de três semanas agora para o Dia das Bruxas.

— Na verdade é bem fantasmagórico aqui — Meredith murmurou.

E havia mesmo algo perturbador em estar em um grande salão fechado, Elena pensou. Ela se encontrou abaixando o volume de sua voz.

— Vamos medir primeiro — sugeriu.

Elas se moveram pelo salão, seus passos ecoando pelo ginásio.

— Certo — disse Elena quando elas terminaram. — Vamos trabalhar.

Ela tentou se livrar da sensação de desconforto, dizendo a si mesma que era ridículo se sentir insegura no ginásio da escola, com Bonnie e Meredith ao seu lado e todo o time de futebol americano praticando a menos de 200 metros de distância.

As três se sentaram nas arquibancadas com canetas e cadernos em mãos. Elena e Meredith consultaram seus esboços de decoração dos anos anteriores enquanto Bonnie mordia sua caneta e olhava ao redor pensativamente.

— Bem, aqui está o ginásio — disse Meredith, fazendo um rápido esboço em seu caderno. — E aqui está onde as pessoas vão entrar. Poderíamos colocar o Cadáver Sangrento bem no final... A propósito, quem será o Cadáver Sangrento esse ano?

— Treinador Lyman, acho. Ele fez um bom trabalho ano passado, e ele ajuda a controlar os caras do futebol americano — Elena apontou para o esboço delas. — Está bem, vamos dividir isso e fazer a Câmara de Tortura Medieval. Eles sairão direto dali e entrarão na Sala dos Mortos-Vivos...

— Acho que deveríamos ter druidas — Bonnie falou abruptamente.

— Ter o quê? — Elena respondeu, e então, enquanto Bonnie começava a gritar “druidas,” ela acenou uma mão. — Está certo, está certo, eu me lembro. Mas por quê?

— Porque foram eles que inventaram o Dia das Bruxas. Sério. Começou como um de seus dias sagrados, quando eles faziam fogueiras e colocavam nabos com rostos entalhados para manter os espíritos do mal afastados. Acreditavam que era o dia quando o véu entre os vivos e os mortos estava mais fina. E eles eram assustadores, Elena. Executavam sacrifícios humanos. Nós podíamos sacrificar o Treinador Lyman.

— Na verdade, não é uma má ideia — Meredith apontou. — O Cadáver Sangrento podia ser um sacrifício. Sabe, em um altar de pedra, com uma faca e poças de sangue ao redor. E então quando você chega bem perto, ele de repente se senta.

— E te dá um ataque cardíaco — Elena observou, mas ela tinha que admitir que era uma boa ideia, e definitivamente assustador. A fazia se sentir um pouco nauseada só de falar sobre isso. Todo aquele sangue... mas seria só xarope de milho, na verdade.

As outras garotas ficaram quietas, também. Do vestiário dos garotos ao lado, elas podiam ouvir o som da água correndo e armários batendo, e por cima disso vozes indistintas gritando.

— O treino acabou — Bonnie murmurou. — Deve estar escuro lá fora.

— Sim, e o nosso herói está ficando todo molhado — disse Meredith, erguendo uma sobrancelha para Elena. — Quer espiar?

— Bem que eu queria — disse Elena, só parcialmente brincando.

De algum jeito, indefinidamente, a atmosfera na sala tinha obscurecido. Ela desejou poder ver Stefan, poder estar com ele.

— Você escutou mais alguma coisa sobre Vickie Bennett? — ela perguntou repentinamente.

— Bem — Bonnie respondeu depois de um momento. — Eu ouvi que os pais dela vão levá-la para um psiquiatra.

— Um psiquiatra? Por quê?

— Bem... acho que eles pensam que aquelas coisas que ela nos disse eram alucinações ou algo assim. E ouvi dizer que os pesadelos dela são bem ruins.

— Oh — disse Elena.

Os sons do vestiário dos garotos estavam se dissipando, e elas ouviram uma porta lá fora se fechar. Alucinações, pensou, alucinações e pesadelos. Por alguma razão, ela se lembrou de repente daquela noite no cemitério, daquela noite quando Bonnie as mandou correr de algo que nenhuma delas podia ver.

— É melhor voltarmos aos negócios — disse Meredith.

Elena saiu de seu devaneio e concordou.

— Nós... nós podíamos ter um cemitério — Bonnie sugeriu hesitantemente, como se estivesse lendo os pensamentos de Elena. — Na Casa Assombrada, quero dizer.

— Não — Elena respondeu severamente. — Não, vamos simplesmente ficar com o que temos — ela acrescentou em uma voz mais calma, e inclinou-se sobre seu bloco novamente.

Mais uma vez não houve som algum além do suave raspar de canetas e o farfalhar de papel.

— Bom — disse Elena por fim. — Agora nós só precisamos medir para as diferentes divisões. Alguém terá que ir atrás das arquibancadas... O que foi agora?

As luzes no ginásio piscaram e ficaram mais fracas.

— Ah, não! — Meredith exclamou, exasperada.

As luzes piscaram de novo e retornaram fracamente mais uma vez.

— Eu não consigo ler nada — disse Elena, encarando o que agora parecia ser um pedaço de papel em branco.

Ela olhou para cima para Bonnie e Meredith e viu duas manchas brancas no lugar de seus rostos.

— Algo deve estar errado com o gerador de emergência — Meredith apontou. — Eu vou chamar o Sr. Shelby.

— Não podemos simplesmente terminar isso amanhã? — Bonnie indagou queixosamente.

— Amanhã é sábado — Elena lembrou. — E nós deveríamos ter feito isso semana passada.

— Vou chamar Shelby — Meredith repetiu. — Vamos, Bonnie, você vem comigo.

Elena começou:

— Nós todas poderíamos ir...

Mas Meredith a interrompeu.

— Se todas formos e não o acharmos, então não podemos voltar. Vamos, Bonnie, não sairemos da escola.

— Mas está escuro lá fora. 

— Está escuro em todo lugar; é noite. Vamos; com duas de nós será seguro — ela arrastou relutante Bonnie até a porta. — Elena, não deixe ninguém entrar.

— Como se você tivesse que me dizer isso — Elena respondeu, deixando-as sair e então observando-as marchar pelo corredor.

No momento em que elas começaram a se mesclar com a escuridão, ela voltou para dentro e trancou a porta.

Bem, que bela bagunça, como sua mãe costumava dizer. Elena foi até a caixa de papelão que Meredith trouxera e começou a empilhar e arquivar pastas e cadernos mais uma vez. Nessa luz ela podia vê-los somente como formas vagas. Não havia som algum além de sua própria respiração e dos sons que ela fazia.

Ela estava sozinha nesse salão enorme e turvo...

E alguém a observava.

Ela não sabia como sabia disso, mas tinha certeza. Alguém estava atrás dela no ginásio escuro, observando. Olhos na escuridão, o velho tinha dito. Vickie dissera isso também. E agora havia olhos sobre ela.

Virou-se rapidamente para encarar o salão, forçando seus próprios olhos a ver nas sombras, tentando não respirar. Estava aterrorizada de que se fizesse um som, a coisa lá fora a pegaria. Mas não conseguia ver nada, escutar nada.

As arquibancadas estavam turvas, formas ameaçadoras se esticando no nada. E a margem distante do salão era simplesmente uma bruma cinza monótona. Neblina escura, pensou, e podia sentir cada músculo agonizantemente tenso enquanto escutava desesperadamente. Oh Deus, o que foi aquele suave som murmurante? Devia ser imaginação... Por favor, deixe ser minha imaginação.

De repente, sua mente ficou clara. Tinha que sair daquele lugar agora. Havia perigo de verdade aqui, não apenas fantasia. Algo estava lá fora, algo malvado, algo que a queria. E ela estava sozinha.

Algo se moveu nas sombras.

O grito congelou-se em sua garganta. Seus músculos se congelaram, também, parados imóveis pelo seu pavor – e por alguma força sem nome.

Desamparadamente, ela observou enquanto a forma na escuridão se movia para fora das sombras e na direção dela. Parecia quase como se a própria escuridão tivesse voltado à vida e estivesse coalescendo enquanto ela observava, tomando uma forma – uma forma humana, a forma de um homem jovem.

—Sinto muito se a assustei.

A voz era agradável, com um ligeiro sotaque que ela não conseguia identificar. Não parecia nem um pouco arrependida.

O alívio foi tão repentino e completo que foi doloroso. Ela desmoronou e ouviu sua própria respiração voltar.

Era só um cara, algum antigo estudante ou um assistente do Sr. Shelby. Um cara comum, que estava sorrindo fracamente, como se o tivesse divertido vê-la quase desmaiar.

Bem... talvez não tão comum. Era extraordinariamente bonito. Seu rosto era pálido no crepúsculo artificial, mas ela podia ver que seus traços eram definidos e quase perfeitos debaixo de um chocante cabelo escuro. Aquelas bochechas eram o sonho de escultor. E ele estivera quase invisível porque estava usando preto: suaves botas pretas, jeans pretos, suéter preto e uma jaqueta de couro.

Ele ainda estava sorrindo fracamente. O alívio de Elena virou raiva.

— Como entrou? — ela exigiu. — E o que está fazendo aqui? Ninguém mais devia estar no ginásio.

— Eu entrei pela porta — ele disse. Sua voz estava suave, elaborada, mas ela ainda podia ouvir a diversão e achou isso desconcertante.

— Todas as portas estão trancadas — ela respondeu categórica e acusadoramente.

Ele ergueu suas sobrancelhas e sorriu.

— Estão?

Elena sentiu outro tremor de medo, os pelinhos na parte de trás de seu pescoço levantando.

— Elas deveriam estar — ela respondeu com a voz mais gelada que pôde.

— Você está brava — ele disse seriamente. — Eu disse que sentia muito por tê-la assustado.

— Eu não estava assustada! — ela repreendeu. Sentiu-se tola de alguma forma, como uma criança sendo mimada por alguém muito mais velho e com mais conhecimento. Isso a deixou ainda mais brava. — Só fiquei surpresa — ela continuou. — O que é pouco surpreendente, com você espreitando no escuro desse jeito.

— Coisas interessantes acontecem no escuro... às vezes.

Ele ainda ria dela; ela podia dizer pelos seus olhos. Ele dera um passo para mais perto, e Elena pôde ver que aqueles olhos eram raros, quase pretos, mas com luzes estranhas neles. Como se você pudesse olhar cada vez mais profundamente até que caísse neles, e continuasse caindo para sempre.

Ela percebeu que estava encarando. Por que as luzes não acendiam? Ela queria sair daqui. Moveu-se para longe, colocando o final de uma arquibancada entre eles, e empilhou os últimos arquivos na caixa. Queria esquecer o resto do trabalho nesta noite. Tudo o que queria agora era ir embora.

Mas o silêncio contínuo a deixava desconfortável. Ele estava simplesmente parado ali, imóvel, observando-a. Por que não dizia algo?

— Você veio aqui procurar por alguém? — ela ficou aborrecida consigo mesma por ter falado.

Ele ainda olhava para ela, aqueles olhos escuros fixos nela de uma maneira que a deixava mais e mais desconfortável. Ela engoliu em seco. Com seus olhos nos lábios dela, ele murmurou:

— Ah, sim.

— O quê? — Tinha esquecido do que tinha perguntado.

Suas bochechas e garganta estavam ruborizando, queimando com o sangue. Ela se sentiu tão tonta. Se ao menos ele parasse de olhar para ela...

— Sim, eu vim aqui procurar por alguém — ele repetiu, não mais alto do que antes.

Então, com um passo ele se moveu na direção dela, para que ficassem separados por apenas o canto de um assento da arquibancada.

Elena não podia respirar. Ele estava tão próximo. Perto o bastante para tocar. Ela podia sentir um leve traço de colônia e o couro de sua jaqueta. E os olhos dele ainda estavam presos nos dela – ela não podia desviar deles.

Eles eram como nenhum outro que ela já vira, negros como a noite, as pupilas dilatadas como as de um gato. Enchiam sua visão enquanto ele se inclinava na direção dela, abaixando sua cabeça na altura da dela. Ela sentiu seus próprios olhos fecharam parcialmente, perdendo o foco. Ela sentiu sua cabeça inclinar-se para trás, seus lábios se separarem.

Não! Bem a tempo ela virou sua cabeça para o lado. Sentiu como se tivesse acabado de se puxar da ponta de um precipício. O que eu estou fazendo? Pensou em choque. Eu estava prestes a deixá-lo me beijar. Um estranho completo, alguém que só conheci há alguns minutos.

Mas essa não era a pior coisa. Naqueles poucos minutos, algo inacreditável aconteceu. Naqueles poucos minutos, ela tinha se esquecido de Stefan.

Mas agora a imagem dele enchia sua mente, e o desejo por ele era como uma dor física em seu corpo. Ela queria Stefan, queria seus braços ao seu redor, queria ficar a salvo com ele. Engoliu em seco. Suas narinas incendiaram enquanto respirava fundo. Ela tentou manter sua voz firme e digna.

— Eu vou embora agora — ela disse. — Se você está procurando por alguém, acho que é melhor fazer isso em outro lugar.

Ele estava olhando-a estranhamente, com uma expressão que não podia entender. Era uma mistura de irritação e respeito rancoroso – e algo mais. Algo quente e feroz que a assustava de uma maneira diferente.

Ele esperou até que a mão dela estivesse na maçaneta para responder, e sua voz estava suave, mas séria, sem traços de divertimento.

— Talvez eu já a tenha encontrado... Elena.

Quando ela se virou, não pôde ver nada na escuridão.



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