História Diarios De Um Vampiro: The Vampire Diaries - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias The Vampire Diaries
Personagens Damon Salvatore, Elena Gilbert, Personagens Originais, Stefan Salvatore
Tags Livro Diarios Do Vampiro
Exibições 14
Palavras 3.746
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Hentai, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Mutilação, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Capitulo 9


Ela não era a reencarnação de Katherine.

Dirigindo de volta à pensão no débil silêncio antes do amanhecer, Stefan pensou sobre isso.

Ele tinha dito isso mesmo à ela, e era verdade, mas só estava percebendo agora há quanto tempo estivera trabalhando nessa conclusão. Ele tinha estado ciente de cada respiração e movimento de Elena há semanas, e tinha catalogado cada diferença.

Seu cabelo era um ou dois tons mais claro que o de Katherine, e suas sobrancelhas e cílios eram mais escuros. Os de Katherine eram quase prateados. E ela era um bom palmo mais alta que Katherine. Movia-se com mais liberdade, também; as garotas dessa época estavam mais confortáveis com seus corpos.

Até mesmo seus olhos, aqueles olhos que o imobilizaram com o choque do reconhecimento naquele primeiro dia, não eram realmente os mesmos. Os olhos de Katherine eram geralmente arregalados com curiosidade infantil, ou então desencorajados, como era apropriado para uma jovem garota do fim do século quinze. Mas os olhos de Elena o encontravam diretamente, olhavam firmes e sem vacilar. E algumas vezes eles se estreitavam com determinação ou provocação de uma forma que os de Katherine nunca fizeram.

Na graciosidade, beleza e pura fascinação, elas também eram parecidas. Mas enquanto Katherine tinha sido uma gatinha clara, Elena era uma tigresa alva como a neve.

Enquanto passava pelas silhuetas de árvores de bordo, Stefan encolheu-se da lembrança que brotou repentinamente.

Ele não iria pensar nisso, não se deixaria... mas as imagens já estavam se movendo diante dele. Era como se o diário tivesse se aberto e ele não pudesse fazer nada além de encarar sem controle a página enquanto a história se desenrolava em sua mente.

Branco, Katherine estivera usando branco naquele dia. Um novo vestido branco de seda veneziana com mangas recortadas, mostrando a fina camisola de linho por baixo. Tinha um colar de ouro e pérolas em seu pescoço e pequeninos brincos pendentes de pérola em suas orelhas.

Ela estava tão satisfeita com o vestido novo que seu pai encomendara especialmente para ela, dera piruetas na frente de Stefan, erguendo a longa saia bufante com sua mão pequenina para mostrar o bordado amarelo sob ela...

 

 

— Veja, está até bordado com as minhas iniciais. Papai fez isso. Mein lieber papai... — sua voz dissipou-se, ela parou de rodopiar, uma mão lentamente se ajustando ao seu lado. — Mas o que há de errado, Stefan? Você não está sorrindo. 

Ele não conseguia nem tentar. A imagem dela aqui, alva e dourada como uma visão celestial, era uma dor física para ele. Se ele a perdesse, não sabia como poderia viver.

Seus dedos se fecharam convulsivamente em volta do frio metal entalhado.

— Katherine, como eu posso sorrir, como posso ser feliz quando...

— Quando?

— Quando vejo como olha para Damon — pronto, foi dito. Ele continuou dolorosamente. — Antes de ele voltar para casa, você e eu estávamos juntos todos os dias. Meu pai e o seu estavam satisfeitos, e falavam de planos de casamento. Mas agora os dias são mais curtos, o verão está quase acabando... e você passa tanto tempo com Damon quanto passava comigo. A única razão pela qual o pai permite que ele fique aqui é o seu pedido. Mas por que pediu isso, Katherine? Achei que gostasse de mim.

Os olhos azuis dela estavam consternados.

— Eu gosto de você, Stefan. Oh, você sabe que eu gosto!

— Então por que intercede por Damon com meu pai? Se não fosse por você, ele teria jogado Damon na rua...

— O que tenho certeza que teria agradado você, irmãozinho. — A voz na porta era calma e arrogante, mas quando Stefan virou-se ele viu que os olhos de Damon estavam ardendo.

— Ah, não, isso não é verdade — disse Katherine. — Stefan nunca desejaria vê-lo machucado.

Os lábios de Damon se curvaram repentinamente, e ele lançou a Stefan um olhar irônico enquanto movia-se para o lado de Katherine.

— Talvez não — ele respondeu, sua voz suavizando-se ligeiramente. — Mas meu irmão está certo sobre pelo menos uma coisa. Os dias estão ficando mais curtos, e logo seu pai partirá para Florença. E ele a levará junto... a não ser que você tenha uma razão para ficar.

A não ser que você tenha um marido com quem ficar. As palavras não foram ditas, mas todos as ouviram. O barão era muito ligado à sua filha para forçá-la a se casar contra sua vontade. No final a decisão teria que ser de Katherine. A escolha de Katherine.

Agora que o assunto fora levantado, Stefan não podia calar-se.

— Katherine sabe que deve deixar seu pai em breve... — ele começou, exibindo seu conhecimento secreto, mas seu irmão o interrompeu.

—Ah, sim, antes que o velho fique desconfiado — Damon falou casualmente. — Até mesmo o mais coruja dos pais começará a se perguntar porque sua filha só sai à noite.

Raiva e mágoa varreram Stefan. Era verdade, então; Damon sabia. Katherine dividira seu segredo com seu irmão.

— Por que você contou a ele, Katherine? Por quê? O que pode ver nele, um homem que não liga para nada exceto seu próprio prazer? Como ele pode fazê-la feliz quando pensa somente em si mesmo?

— E como esse garoto pode fazê-la feliz quando ele não conhece nada do mundo? — Damon interpôs, sua voz afiada como uma lâmina em desprezo. — Como irá protegê-la quando ele nunca encarou a realidade? Passou a vida entre livros e pinturas; deixe-o permanecer aqui. 

Katherine balançava sua cabeça em agonia, seus olhos azuis de pedras preciosas nublados com lágrimas.

— Nenhum dos dois entende — ela falou. — Vocês estão pensando que eu posso me casar e me assentar aqui como qualquer outra dama de Florença. Mas não posso ser como as outras. Como eu poderia manter uma casa cheia de serventes que irão observar cada movimento meu? Como eu poderia viver em um lugar onde as pessoas verão que os anos não me tocam? Nunca haverá uma vida normal para mim.

Ela tomou um longo fôlego e olhou para cada um deles de uma vez.

— Quem escolher ser meu marido deve desistir da vida sob o sol — ela sussurrou. — Deve escolher viver sujeito à lua e às horas da escuridão.

— Então você deve escolher alguém que não tem medo das sombras — Damon observou, e Stefan ficou surpreso com a intensidade de sua voz. Nunca tinha ouvido Damon falar tão ardentemente ou com tanta afeição. — Katherine, olhe para meu irmão: ele será capaz de renunciar à luz do sol? Ele é muito apegado às coisas mundanas: amigos, família, sua responsabilidade para com Florença. A escuridão o destruiria.

— Mentiroso! — gritou Stefan. Ele estava agitado agora. — Eu sou tão forte quanto você, irmão, e não temo nada nas sombras, na luz solar tampouco. E eu amo Katherine mais do que qualquer amigo ou familiar...

— ... ou responsabilidade? Você a ama o bastante para desistir disso também?

— Sim — Stefan respondeu audaciosamente. — O bastante para desistir de tudo.

Damon lançou um de seus sorrisos repentinos e perturbadores. Então ele virou-se para Katherine.

— Parece — ele disse — que a escolha é somente sua. Você tem dois pretendentes para sua mão; irá escolher um de nós ou nenhum?

Katherine baixou lentamente sua cabeça dourada. Então ergueu os úmidos olhos azuis para ambos.

— Deem-me até domingo para pensar. E, nesse meio tempo, não me pressionem com perguntas.

Stefan concordou relutantemente.

— E no domingo? — Damon perguntou.

— Ao anoitecer de domingo, no crepúsculo, farei minha escolha.

Crepúsculo... a profunda escuridão violeta do crepúsculo.

 

 

Os tons de veludo dissiparam-se ao redor de Stefan, e então ele voltou a si. Não era o anoitecer, mas sim o amanhecer, aquele céu nebuloso ao seu redor. Perdido em seus pensamentos, ele dirigira até a beira da floresta.

A noroeste podia ver a ponte Wickery e o cemitério. Novas lembranças fizeram sua pulsação acelerar.

Ele dissera a Damon que estava disposto a desistir de tudo por Katherine. E foi exatamente isso o que fez. Renunciara seu direito à luz solar, e se tornara uma criatura das trevas por ela. Um caçador condenado a ser caçado pela eternidade, um ladrão que rouba vidas para preencher suas próprias veias.

E talvez um assassino. Não, eles tinham dito que a garota Vickie não morreria. Mas sua próxima vítima poderia. A pior coisa sobre seu último ataque era que não se lembrava de nada. Lembrava-se da fraqueza, da necessidade opressora, e lembrava-se de vacilar na porta da igreja, mas depois, nada. Ele voltara a si do lado de fora, com o grito de Elena ecoando em seus ouvidos. E correra até ela sem parar para pensar sobre o que podia ter acontecido.

Elena... Por um momento ele sentiu uma onda de pura felicidade e admiração, esquecendo todo o resto. Elena, quente como a luz solar, macia como a manhã, mas com um coração de aço que não podia ser quebrado. Ela era como fogo queimando no gelo, como a ponta afiada de uma adaga de prata.

Mas ele tinha o direito de amá-la? Seu sentimento por ela a colocava em perigo. E se na próxima vez a necessidade o tomasse quando Elena fosse a humana mais próxima, o vaso sanguíneo cheio de sangue quente e renovador mais perto?

Eu morrerei antes de tocá-la, ele pensou, fazendo um juramento. Antes de abrir suas veias, eu morrerei de sede. E juro que ela nunca conhecerá meu segredo. Nunca terá que abandonar a luz solar por minha causa.

Atrás dele, o céu estava se iluminando. Mas antes que clareasse, ele mandou um pensamento profundo com toda a força de sua dor por trás, procurando por algum outro Poder que pudesse estar por perto. Procurando alguma outra solução para o que quer que tenha acontecido na igreja.

Mas não havia nada, nenhum traço de resposta. O cemitério zombava dele em silêncio.

 

 

Elena acordou com o sol brilhando em sua janela. Sentiu, imediatamente, como se tivesse acabado de se recuperar de um longo episódio de gripe, e como se fosse manhã de Natal. Seus pensamentos se misturaram enquanto se sentava.

Ai. Ela estava machucada em todo lugar. Mas ela e Stefan... Aquilo deixava tudo certo. Aquele Tyler bêbado e grosseiro... Mas Tyler não importava mais. Nada importava exceto que Stefan a amava.

Ela desceu as escadas de camisola, percebendo pela luz que vinha das janelas que dormira até muito tarde. Tia Judith e Margaret estavam na sala de estar.

— Bom dia, tia Judith — ela deu à sua tia surpresa um abraço longo e apertado. — E bom dia, querida. — Ela ergueu Margaret e valsou pela sala. — E... oh! Bom dia, Robert.

Um pouco envergonhada por sua demonstração de felicidade e suas roupas, ela desceu Margaret e se apressou para a cozinha.

Tia Judith entrou. Apesar de haverem círculos escuros ao redor de seus olhos, ela sorria.

— Você parece estar de bom humor esta manhã.

— Oh, eu estou — Elena deu-lhe outro abraço, para se desculpar pelos círculos escuros.

— Você sabe que temos que voltar ao escritório do xerife para falar sobre Tyler.

— Sim — Elena tirou suco da geladeira e serviu um copo para si. — Mas posso ir primeiro na casa da Vickie Bennett? Sei que ela deve estar mal, especialmente já que parece que ninguém acredita nela.

— E você acredita, Elena?

— Sim — ela respondeu lentamente. — Eu acredito. E, tia Judith — ela acrescentou, chegando a uma decisão — algo aconteceu comigo na igreja também. Eu pensei...

— Elena! Bonnie e Meredith estão aqui para vê-la — a voz de Robert soou do corredor.

O estado de confidência foi quebrado.

— Oh... mande-as entrar — Elena gritou de volta, e tomou de um gole do suco de laranja. — Eu te conto sobre isso mais tarde — ela prometeu à tia Judith enquanto passos aproximavam-se da cozinha.

Bonnie e Meredith pararam na entrada, imóveis com uma formalidade desacostumada.

A própria Elena se sentia embaraçada, e esperou até que sua tia tivesse deixado a sala para falar de novo. Então limpou a garganta, seus olhos fixos em um azulejo gasto de linóleo. Ela espreitou ligeiramente e viu que as amigas encaravam o mesmo azulejo.

Ela explodiu em risadas, e com o som ambas olharam para cima.

— Estou feliz demais até mesmo para ficar na defensiva — Elena falou, estendendo seus braços para elas. — E sei que devia estar arrependida sobre o que eu disse, e estou arrependida, mas apenas não posso agir despreocupadamente sobre isso. Fui horrível e mereço ser executada, e agora podemos simplesmente fingir que nunca aconteceu?

— Você tem que estar arrependida, fugir da gente daquele jeito — Bonnie repreendeu enquanto as três se juntavam em um abraço intrincado.

— E com Tyler Smallwood, justo ele — acrescentou Meredith.

— Bem, aprendi minha lição nessa — Elena respondeu, e por um momento seu humor ficou negro.

Então Bonnie ensaiou uma risada.

— E você pescou um filé, Stefan Salvatore! Falando em entradas dramáticas, quando você entrou pela porta com ele, achei que estivesse alucinando. Como fez isso?

— Eu não fiz. Ele só apareceu, como a cavalaria em um daqueles filmes velhos.

— Defendendo sua honra — Bonnie observou. — O que podia ser mais excitante?

— Eu posso pensar em uma ou duas coisas — disse Meredith. — Mas então, talvez Elena já as tenha feito, também.

— Eu contarei tudo — Elena falou, soltando-as e dando um passo para trás. — Mas primeiro vocês vão para a casa de Vickie comigo? Quero falar com ela.

— Você pode nos contar enquanto estiver se vestindo, e enquanto estivermos indo, e enquanto estiver escovando seus dentes, por sinal — disse Bonnie firmemente. — E se deixar de fora um detalhezinho, você vai encarar a Inquisição Espanhola.

— Veja — Meredith comentou maliciosamente — o trabalho do Sr. Tanner deu certo. Bonnie agora sabe que Inquisição Espanhola não é uma banda de rock.

Elena estava rindo com completo entusiasmo enquanto subiam as escadas.

 

 

A Sra. Bennett parecia pálida e cansada, mas convidou-as a entrar.

— Vickie está descansando; o médico disse para mantê-la na cama — ela explicou, com um sorriso levemente tremido.

Elena, Bonnie, e Meredith se amontoaram no corredor estreito.

A Sra. Bennett bateu levemente na porta de Vickie.

— Vickie, querida, algumas garotas da escola estão aqui para vê-la. Não fiquem muito tempo — ela acrescentou para Elena, abrindo a porta.

— Nós não ficaremos. — Elena prometeu.

Ela adentrou um lindo quarto azul e branco, as outras logo atrás dela. Vickie estava deitada em uma cama cercada por travesseiros, com uma manta azul-acinzentada puxado até seu queixo.

Seu rosto estava branco como papel, e seus olhos caídos encaravam um ponto diretamente à sua frente.

— Era assim que ela estava ontem à noite — Bonnie sussurrou.

Elena moveu-se para o lado da cama.

— Vickie — ela chamou suavemente. Vickie continuou encarando, mas Elena pensou que sua respiração tinha mudado levemente. — Vickie, pode me ouvir? É Elena Gilbert.

Ela olhou duvidosamente para Bonnie e Meredith.

— Parece que lhe deram tranquilizantes — Meredith observou.

Mas a Sra. Bennett não dissera nada sobre remédios. Franzindo a testa, Elena voltou-se para a garota indiferente.

— Vickie, sou eu, Elena. Só queria falar com você sobre ontem à noite. Quero que saiba que eu acredito em você sobre o que aconteceu — Elena ignorou o olhar afiado que Meredith lhe lançou e continuou. — E eu queria te perguntar... 

— Não! — foi um grito, alto e agudo, saído da garganta de Vickie. O corpo que estivera tão parado quanto um boneco de cera explodiu em um agitar violento. O cabelo castanho claro de Vickie chicoteou suas bochechas enquanto ela atirava sua cabeça para frente e para trás e suas mãos batiam no espaço vazio. — Não! Não! — ela gritava.

— Faça alguma coisa! — Bonnie arfou. — Sra. Bennett! Sra. Bennett!

Elena e Meredith tentavam segurar Vickie na cama, e ela lutava contra elas. A gritaria seguia continuamente. Então de repente a mãe de Vickie estava ao lado delas, ajudando a segurá-la, empurrando as outras para longe.

— O que vocês lhe fizeram? — ela gritou.

Vickie agarrou-se com força à mãe, se acalmando, mas então os olhos de pálpebras pesadas viram Elena por sobre o ombro da Sra. Bennett.

— Você é parte disso! Você é malvada! — ela gritou histericamente para Elena. — Fique longe de mim!

Elena estava pasma.

— Vickie! Eu só vim aqui pedir... 

— Acho que é melhor vocês irem agora. Deixem-nos em paz — disse a Sra. Bennett, apertando sua filha protetoramente. — Não veem o que estão fazendo a ela?

No silêncio estupefato, Elena deixou o quarto. Bonnie e Meredith a seguiram.

— Devem ser os remédios — Bonnie sugeriu quando estavam fora da casa. — Ela perdeu completamente a linha.

— Você notou as mãos dela? — Meredith perguntou a Elena. — Quando nós tentávamos contê-la, eu segurei uma de suas mãos. E estava fria como gelo.

Elena balançou sua cabeça em perplexidade. Nada disso fazia sentido, mas ela não deixaria isso estragar seu dia. Não deixaria. Desesperadamente, procurou em sua mente por algo que fosse contrabalancear a experiência, que lhe permitiria ater-se à felicidade.

— Já sei — ela disse. — A pensão.

— O quê?

— Eu disse a Stefan para me ligar hoje, mas por que não andamos até a pensão ao invés disso? Não fica longe daqui.

— Somente uma caminhada de vinte minutos — Bonnie se alegrou. — Pelo menos poderemos finalmente ver o quarto dele.

— Na verdade, eu estava pensando que vocês duas podiam esperar no andar de baixo. Bem, só vou poder vê-lo por alguns minutos — ela acrescentou defensivamente enquanto elas a encaravam.

Era estranho, talvez, mas não queria dividir Stefan com suas amigas ainda. Ele era tão novo para ela que parecia quase um segredo.

A batida delas na brilhante porta de carvalho foi atendida pela Sra. Flowers. Ela era uma velhinha enrugada com olhos negros surpreendentemente brilhantes.

— Você deve ser Elena — ela disse como cumprimento. — Vi você e Stefan saírem ontem à noite, e ele me contou o seu nome quando voltou.

— Você nos viu? — Elena perguntou, surpresa. — Eu não a vi. 

— Não, você não viu — concordou a Sra. Flowers, e deu risada. — Que garota bonita você é, minha querida — ela acrescentou. — Uma garota muito bonita. — Ela deu um tapinha na bochecha de Elena.

— Er, obrigada — Elena respondeu desconfortavelmente. Ela não gostava da maneira como aqueles olhos parecidos com pássaros estavam fixados nela. Ela olhou atrás da Sra. Flowers para as escadas. — Stefan está em casa?

— Ele deve estar, a não ser que tenha voado pelo telhado! — disse a Sra. Flowers, e deu risadas novamente.

Elena riu educadamente.

— Nós ficaremos aqui embaixo com a Sra. Flowers — disse Meredith, enquanto Bonnie revirava seus olhos em martírio.

Escondendo um sorriso, Elena concordou e subiu pelas escadas.

Que casa velha estranha, pensou novamente enquanto localizava a segunda escada no quarto. As vozes lá embaixo eram muito fracas daqui, e enquanto subia os degraus, elas se dissiparam inteiramente. Estava envolvida em silêncio, e enquanto alcançava o quarto mal iluminado no alto, teve a sensação de ter entrado em outro mundo. Sua batida soou muito tímida.

— Stefan?

Ela não podia escutar nada de dentro, mas de repente a porta se abriu. Todos devem parecer pálidos e cansados hoje, pensou Elena, e então ela estava nos braços dele. Aqueles braços se apertaram ao seu redor convulsivamente.

— Elena. Oh, Elena…

Então ele se afastou. Era exatamente do jeito que fora na noite passada; Elena pôde sentir o abismo abrindo-se entre eles. Ela viu o olhar frio e correto aparecer em seu rosto.

— Não — ela disse, pouco ciente de que falara em voz alta. — Eu não o deixarei.

E ela puxou a boca dele para a dela.

Por um momento não houve resposta, e então ele estremeceu, e o beijo tornou-se abrasador. Seus dedos se embaraçaram no cabelo dela, e o universo contraiu-se ao redor de Elena. Nada mais existia exceto Stefan, e a sensação de seus braços ao redor dela, e o fogo de seus lábios nos dela.

Uns poucos minutos ou uns poucos séculos mais tarde eles se separaram, ambos tremendo. Mas seus olhares permaneceram conectados, e Elena viu que os olhos de Stefan estavam dilatados demais mesmo nessa luz turva; havia apenas uma estreita faixa de verde ao redor de suas pupilas escuras. Ele parecia estupefato, e sua boca – aquela boca! – estava inchada.

— Eu acho — ele disse, e ela pôde ouvir o controle em sua voz — que é melhor tomarmos cuidado quando fizermos isso.

Elena concordou, ela própria estupefata. Não em público, estava pensando. E não quando Bonnie e Meredith estavam esperando lá embaixo. E não quando estivessem absolutamente sozinhos, a não ser que...

— Mas você pode só me segurar — ela respondeu.

Que estranho, depois daquela paixão ela pudesse se sentir tão a salvo, tão calma em seus braços.

— Eu te amo — ela sussurrou na lã áspera de seu suéter.

Ela sentiu um tremor passar por ele.

— Elena — ele disse novamente, e era um som de quase desespero.

Ela levantou a cabeça.

— O que há de errado nisso? O que possivelmente poderia ter de errado nisso, Stefan? Você não me ama?

— Eu... — ele olhou para ela, desamparado – e eles ouviram a voz da Sra. Flowers chamando fracamente da base da escada.

— Garoto! Garoto! Stefan! — Soava como se ela estivesse batendo no corrimão com seu sapato.

Stefan suspirou.

— É melhor eu ir ver o que ela quer.

Ele deslizou para longe de Elena, seu rosto ilegível.

Deixada sozinha, Elena cruzou seus braços ao redor do peito e estremeceu. Era tão frio aqui. Ele deveria ter uma lareira, pensou, os olhos se movendo preguiçosamente pelo quarto para descansar finalmente na cômoda de mogno que tinha examinado na noite anterior.

O cofre.

Ela olhou para a porta fechada. Se ele voltasse e a pegasse... Realmente não deveria – mas já estava se movendo em direção à cômoda.

Pense na mulher do Barba Azul, ela disse à si mesma. A curiosidade a matou. Mas seus dedos estavam na tampa de ferro. Com seu coração batendo rapidamente, ela abriu a tampa.

Na luz turva, o cofre primeiramente pareceu estar vazio, e Elena soltou uma risada nervosa. O que ela tinha esperado? Cartas de amor de Caroline? Uma adaga sangrenta?

Então viu a tira estreita de seda, dobrada repetida e impecavelmente sobre si mesma em um canto. Ela a tirou e a correu entre seus dedos. Era a fita laranja-amarelada que ela tinha perdido no segundo dia de aula.

Oh, Stefan. Lágrimas queimaram seus olhos, e em seu peito amor fluiu incontrolavelmente, inundando-a. Tanto tempo atrás? Você gostava de mim tanto tempo atrás? Oh, Stefan, eu te amo... E não importa que você não possa dizer isso para mim, ela pensou. Houve um som do lado de fora do quarto, e ela dobrou a fita rapidamente e a recolocou no cofre. Então se virou para porta, piscando as lágrimas de seus olhos.

Não importa se você não pode dizer isso de imediato. Eu direi por nós dois. E algum dia você irá aprender.



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