História Dimensões - Capítulo 23


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Jiraiya, Kakashi Hatake, Madara Uchiha, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shizune, Temari, TenTen Mitsashi
Tags Ação, Física, Gaaino, Hentai, Hinata, Luta, Naruhina, Naruto, Nejiten, Sakura, Sasuke, Sasusaku, Shikatema
Exibições 100
Palavras 4.226
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Festa, Ficção Científica, Hentai, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


MEU DEUS!!! DEPOIS DE 235604 anos, aqui estou eu postando mais um capítulo.
Galera, antes dos tiros e bombas, deixa eu explicar.
Estava em época de prova na faculdade, e tinha que ficar estudando. E, falando sério, pqp!!!!!!! Essa merda de inspiração é muito sacana! Que ódio! Eu juro pra vocês, todos os dias, eu abria o capítulo, e ficava horas tentando continuar. Mas nada saia. Eu fiquei travado. Tipo, sério. Partinha chata foi essa pra escrever viu. Meu Deus!!
Eu ouvia música, lia outras histórias, mas nada. A inspiração tirou férias, essa fdp!! kkkkkkk
Gente!! Outra coisa que eu queria falar. Semana passada eu tentei ler minha fic e.... Mas que merda é aquela? o.o
Eu não consegui mano!! PQP!! Dos capítulos 2 ao 10, eu simplesmente não suportava ler, de tanto erro e coisa chata que eu escrevia. Parecia uma analfabeto escrevendo!! Pelo amor! ASSIM NÂO!!
Enfim!! Peço perdão por isso, mas como já disse, eu passei alguns anos sem praticar escrita, e pra "desatrofiar" minhas habilidades, vai demorar um pouco. hsuashuahsuah
Com relação ao capítulo.
Honestamente, não sei o que dizer. Não ta muito bom, na minha opnião. Acho que é por que eu sofri muito pra escrever esse. E não tem muita coisa impactante. Mas ele é importantíssimo. Então nada de não ler. kkkkk
Bom galera. Desculpem a nota infinita, e a minha demora pra postar esse capítulo.
Leiam essa bagaça logo!! kkkk

Capítulo 23 - Acha mesmo que sua vida é uma droga?


- O que aconteceu com ela?!

Eu ouvia tumultos, com murmúrios e vozes que me invadiam de forma penosa. Meus olhos eram machucados pelas luzes que passavam ramificadas. Minha boca se mantinha aberta em busca de ar. Meu nariz gelava, e o ar que entrava por ele cortava toda a minha garganta. Meu rosto não mexia, sendo arranhado constantemente. Um cheiro amargo me vinha, poluindo-me.

- Não sei! Ela estava sangrando muito!

Estava deitada. Balançava constantemente, ouvindo ruídos de rodas de ferro e passos apressados, tensos. Em minha vista embaçada, eu via rostos focados.

- O Naruto estava lá?

- Estava!

Sentia refluxos constantes. Meus punhos presos em pano brigavam contra mim. Minha voz tolhida era inundada por sangue abundante. Tosses e tosses de pura dor.

- Merda! Ela não vai aguentar desse jeito!

- Me diz o que eu preciso fazer, droga!

- Merda. – Ouvi a voz feminina sussurrar. – Me dê sua mão, Kiba!

Os sons explodiam em minha mente. Meu olhar quente e escuro era escondido em meu aperto. Meu nariz era agoniado pela inundação de sangue que adentrava lunaticamente, afogando-me.

- Puta que pariu! Rápido, Tsunade!

- Silêncio!

Uma última tentativa penosa. Um último suspiro.

 

 

 

 

 

Não abri os olhos, apesar de ter acordado. Fazia tempo, além do mais. Mas decidi permanecer do modo como estava. Desnorteada, apenas com dores agudas na cabeça. Meu coração, que outrora tinha martírio, estava calmo, pulsando minimamente.

Eu podia ouvir outra respiração. Desde que acordei, permaneceu, constante, sem mudança alguma. Suave, baixa, mas se mostrava cansada. Não ousei ver quem era. Permaneci, apenas, em meu eu obscuro e sombrio. Doloroso.

 

 

Os minutos passavam, e a fadiga me vinha. Meus olhos doíam, assim como meus músculos, que tremiam constantemente. Meus dentes rangiam, e os motivos se escondiam em lacunas infindas.

Minha respiração era ofegante. Meu coração parecia se perder nas batidas, ora falhando, ora estugando. Eram momentos rápidos, mas que sempre vinham. Procurava evitar a dor, mesmo ela sendo impertinente.

- Como ela está? – Reconheci a voz de Sasuke. Evitei, o máximo que pude, franzir o cenho. Meus ouvidos estavam atentos, em busca de qualquer coisa que explicasse a minha situação.

- Mal. Seus músculos estão se lesionando, seus olhos sangrando... Ela está acabada. – Ouvi de Kiba, que teve tanta preocupação na voz que pude perceber o choro cansado que emanava adstrito.

- O que Tsunade disse?

- Nada. Ela não sabe o que está acontecendo com ela. Infelizmente ninguém sabe. – Suspirou, penosamente, em sua pausa plangente. – O que Kakashi falou pra vocês?

Senti Sasuke hesitar. – Que ela é confusa. – Percebi sua voz sair frustrada. – Nem mesmo ele sabe o que está acontecendo. Mas parece que ele disse algo a mais para ela. – Meu coração acelerou-se.

- Como sabe?

Ele não respondeu. Sentia seus olhos prensando-me. – Não sei o que será deles. Em pensar que já fizemos de tudo. Até mesmo o inimaginável.

- Eu sei disso. Mas ainda não entendo o motivo de não podermos usar o Naruto.

Pigarreou sorrateiramente. – Seria suicídio. Ele nem parece ser o que era. Além do mais, promessa é promessa, por mais que seja para um monstro.

Uma calmaria tenebrosa. Durou pouco. – Droga. Shikamaru conseguiu pensar em algo?

- Não. – Repondeu Sasuke, sem rodeios.

-Isso é uma grande merda. – Sorriu, depois de praguejar algum palavrão. – Nunca pensei que faríamos tanta coisa que não fosse de modo egoísta.

- Já vou. Espero que tenha conseguido alguma informação. – Falou, com sua voz se distanciando.

- Que?

- Não falei com você.

Suspirei surpresa. Abri os olhos, encarando o teto branco. A luz entrava como agulha em minhas pupilas. Meu corpo derrotado e maltratado parecia ter rejeitado com ferocidade.

- Sua idiota! Fingiu que estava dormindo! – Incomodou-me Kiba, indignado.

Suspirei novamente, encarando-o. Não proferi. Apenas observava seu olhar de indignação, mas que se amalgamava com inquietude exacerbada.

- Sua sonsa. – Aproximou-se, pegando minha mão. – Esta com sede?

Desviei meu olhar, sem coragem para responder. Meus suspiros sempre falhos, minhas forças sempre vulpinas.

- Está com fome? Quer que eu traga alguma coisa para você? Geralmente as mulheres amam doces. Quer algum?

Virei o rosto, impacientemente. Todas as melodias me incomodavam. A voz de Kiba tornou-se tão sólida com segmentos pontiagudos que meus ouvidos se mexiam de tanta dor. Minha voz estava presa, sem soberania alguma.

- Quer ficar sozinha?

Não sei o motivo, e nem me forcei um estranhamento. Apenas apertei a mão de Kiba com a força que me restava. Já estava farta de procurar saídas, e a solidão foi destruída pelo homem que achei que me amava. Os perigos me rodeavam, trazendo ele para perto de mim, mesmo sem ações catalisadoras.

- Por quê? – As lágrimas saiam, exalando minha lástima sofrida. Minha voz falha, misturada com sussurros fracos. Meus olhos se fechando, minha boca abrindo lentamente, em um choro apressado. Minha mão doía... Tudo doía. – Kiba... – Minha respiração era íngreme, compartilhando o achegamento de mais agonia. – Por quê?

Kiba parecia imóvel, apertando minha mão com mais força. Eu sentia seu suor, seu cheiro silvestre sendo entornado.

- Se esforce, Hinata. Prometo estar contigo em qualquer situação.

Eu apenas chorava, mesmo que os movimentos doessem. Minha respiração se esvaindo, mas sendo recuperada em soluços dolorosos.

E foi ali que adormeci, tendo a mão de Kiba como o único apoio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As pessoas caminhavam aninhadas. Os carros passavam apressados. A noite dominava todo o recinto vivo, obrigando os demais a procurar por luz. Eu observava a tudo de um banquinho duro e desconfortável no parque, o mesmo que estava quando o vi pela primeira vez. Fazia bastante frio, e meus braços não davam conta de me aquecer. Eu tremia severamente, ofegante. As lágrimas gelavam meu rosto em sensações dolorosas. Meus dentes se batiam, espargindo atritos quando se chocavam inquietantes. Minhas mãos dormentes, meus pés imóveis.

Eu queria, realmente, um fim para o sofrimento. E o pensamento de morte sempre me vinha, me cercando em minhas investidas de saída. Uma parte queria descartar aquela ideia, mas a outra estava farta de tanto calvário.

As situações diversas se opuseram a mim. À minha vida. Todas as vezes que caía, minha tentativa de se reerguer era dilacerada por ele. Naruto. Era sempre ele. Pondo em mim mais contrições do que já bastavam. Aqueles olhos tão vazios que lancinava só de olhar. Suas palavras de elogio eram estranhadas por mim, reclinando um passado utópico, mas que, nas impossibilidades, já foram realidade.

- Está querendo se matar? – Ouvi-o. Ele sempre estava presente, me observando, me protegendo. Sua presença estava sempre comigo, mesmo que eu não o visse, eu o sentia. Uma obsessão, um desejo confuso e possessivo. Mas transbordava desígnios de esperança, de confiança exagerada. – Tsunade não liberou você pra cometer suicídio.

Não respondi. Minha voz precária, labirintada em minha faringe. Minhas roupas amassadas e amarrotadas, dançando junto ao vento frio que me impactava com violência. Meus olhos ardentes penalizavam com vibrações decrépitas. Perpetuamente com dores, ora físicas, ora interiores, oscilando em ondas vividas.

- Gaara está chateado com você, sabia?

Sua voz me invadia, mas as palavras brigavam entre si, desaparecendo. Minha mente estava precária, alheia. Meus olhos, mesmo abertos, não viam, devido aos pensamentos estranhos que inundavam meus desejos incoerentes. Balancei a cabeça, sorrateiramente.

Eu encarava um casal de jovens bonitos que havia parado. A jovem estranhou, sem largar a mão do jovem. O rapaz mantinha sua cabeça baixa, fraquejando.

- Eu também tenho motivos para isso.

Eles pareciam discutir, gesticulando suas mãos, nervosos.

- Todos têm motivos.

Esfregavam suas mãos uma na outra, procurando quentura em meio ao frio imperdoável.

- Se prendeu ao seu passado. Prendeu-se a ele.

O rapaz abraçou a jovem, choroso. Seus olhos brilhantes, inundados.

- Sei que é difícil. Amar alguém como nós é bem diferente de amar pessoas como você. Mas...

Ela sorria para ele, reconfortando-o. Segurou sua mão, forte, imparável, e depositou selinhos rápidos. Os olhos se encontravam, se falavam. Eu via o sofrimento do rapaz, assim como as súplicas da moça.

- Ela tem câncer. Está em fase terminal.

Arregalei os olhos o máximo que pude, ao perceber do que Sasuke falara.

O jovem agora chorava, mesmo que discretamente, desviando o olhar para cima, balbuciando o disfarçar das lágrimas. De sua boca saia vapor dos suspiros dados.

- Eles se amam, até demais.

Ela puxava sua face para si, secando as lágrimas desobedientes. Suas mãos cobertas pelas luvas acariciavam o rosto gélido do rapaz, aquecendo-o com todo o amor que ela podia demonstrar.

- Mas, independente do que aconteça, ela irá partir, Hinata.

Puxou-o para um beijo. Calmo, lento. Misturado com o frio e as lágrimas geladas do rapaz.

- Acha que sua vida está uma droga?

Desviei o olhar. As lágrimas não saiam, apesar de estarem livres. Meus pensamentos vagos demais, alheios às palavras dele. As situações deveriam causar impacto, mas transpassavam sem dor, sem sentido. Meus olhos viam, mas não enxergavam o resoluto. Era tudo explícito em linguagens sinuosas.

Senti-me ser coberta. Encolhi-me, em busca de calor, sentindo o tecido pesar sobre mim.

- O que você quer da vida, Hinata? Ficar presa a ele? Ou quer seguir em frente, como aquela moça?

Encolhi-me ainda mais, fraca e impotente.

Riu, com sarcasmo. – Qual é, Hinata?

- O que... – Tentei exprimir, mesmo minha voz saindo sôfrega, penosa. Estava criando escopos para fazer uma pergunta. A pergunta que, talvez, fosse criar um caminho. Poderia não ser o certo, nem o errado, mas era um. Eu o seguiria. Trilhá-lo-ia com receios evitados. Estava, meramente, sem opções. Eu sabia que não queria ficar naquele estado anêmico, cambaleando para onde quer que fosse arrojada. – O que eu... – A voz simplesmente falhava, fugia. Meus soluços me invadiam, levantando meus ombros em impulsos, enquanto minhas sobrancelhas entristeciam minha face. – O que eu tenho que fazer? – Falei rouca, sussurrante.

Sasuke me fez encará-lo com seus dedos em meu queixo. Quente, aquecido, criando calor em minha face pálida. – Você vai evoluir. Vai lutar. Vai criar forças para se tornar a esperança. – Suspirou. – Não se engane, Hinata. Suas escolhas podem mudar todo o rumo da história.

Eu o encarava. Os mesmo olhos, frios, mas transbordavam sentimentos sombrios e claros. No inconsciente, eu via desespero, pena, uma solidão esquecida, queimada. Mas no côncavo de sua glória mal interpretada, ele buscava em mim algo que eu não fazia ideia que existia, ansiando um despertar, mesmo que forçado.

- Você vai se juntar a nós, Hinata. Vai ficar forte. Vai realizar o impossível... E se tornar a salvação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Então você vai se juntar a eles? – Deitada na cama, ao meu lado, Tenten fazia perguntas sem respostas. Nosso silêncio partilhado em um âmbito agregador. Nossos olhos desviados, evitando contatos. Nossas bocas fechadas, seladas em desentendimento alheio.

Sempre suspirando em irritação, inquietude. Meus olhos buscavam distração, e meus dedos brincavam com o lençol já bagunçado.

- Não sei. – Respondi, ainda falha.

Os assuntos evadiam-se, desvanecendo em desconforto. Ouvíamos apenas o som da noite, tenebrosa. O vento batia na janela, balançando-a levemente. A luz do quarto incomodava meus olhos, sempre os fechando quando me mexia. Eu queria conversar com ela, queria voltar ao que era antes, mas o passado nos toldava impacientemente.

Ouvíamos o respirar uma da outra. O frio nos ladeando. Buscando conforto, vez ou outra nós nos mexíamos minimante. Nossos corpos sem se tocar, distantes, mesmo que próximos. Nossas mentes sendo disjungidas por estorvos sem acepção. Nossas buscas de apoio sendo dissuadidas. Estávamos em ambientes diferentes, em um mesmo quarto. As lembranças de nossa amizade perfeita e suada sempre me vinham em pequenas efígies ramificadas.

Senti sua mão envolver a minha. Sem perceber, prendi meu respirar. Meus olhos esgazeados, minha boca semiaberta. Volteei meu rosto para ela, que buscava meus olhos com um sorriso mínimo. Suas olheiras a mostra, expondo sua desistência em escondê-las, seus lábios rasgados de tanto mordê-los. Suas bochechas rosadas, avultando-se em meio ao rosto que agora era pálido. Um ressentimento bruto e pesado me veio, abrindo meus olhos para o vínculo que eu ainda alicerçava em mim.

- Sei que você não gosta de ouvir isso, mas, por favor... – Falava com sorriso, até ser interrompida pelo impulso plangitivo. -... Eu... – Seu queixo tremia em agonia, seus lábios esticados, seus olhos alagados. – Eu prometo que... – Fungou, suspirando pesadamente em seguida. -... Eu prometo que vou ficar ao seu lado. Não pense que desistirei de você. Por favor, me desculpa.

Encarei-a, em um mistifório excêntrico. Involuntariamente, eu sorri. Gargalhava levemente, enquanto meus olhos permaneciam surpresos, transmitindo tanto sentimento que as lágrimas escorriam pelo meu rosto branco. Seus olhos verdes cintilavam em uma mixórdia arrepiante. Buscava entender aquele olhar necessitado, e enxergava apenas a mim. Minha face refletida perfeitamente. Meu eu perturbado, mas tão relaxado que achei que estivesse sonolento. Meu peito se mexia com minhas gargalhadas, minha respiração falhava.

Segurei a mão dela com força. Tenten fez careta, sentindo meu exagero. Meu desespero. Nossas mãos se encaixavam em seus limites, extremos já explorados, já sabidos, mas nunca desgastados. Sempre novos, como uma chama ardente tendo o ar como combustível.

Meus risos a contagiaram. Nossas pernas se encolhiam, nossas mãos apalpavam a barriga em busca de fôlego. Virávamos nossos rostos constantemente, encarando-nos algumas vezes. Nossos sons sendo expostos, esclarecidos. Nossa confusão que explicava as fronteiras postas.

- Por que está rindo? – Perguntou ela, em meio aos risos. Sua boca formosa, seus lábios desenhados. Toda a sua silhueta transbordava desejos da minha parte. Seus olhos confusos, mas aliviados. Seu toque ansioso, ardente, mas calmo, cauteloso, medroso.

Acalmei-me, encarando o teto do meu quarto. Minha mão pousada levemente em meu abdômen, enquanto a outra não ousava se desvencilhar do aperto. Tal como nos dias de consolo, em que eu era exposta ao sofrimento, mexendo em feridas doídas, e abrindo cicatrizes sujas, e ela vinha com suas preocupações, com suas raivas, com sua loucura. Seu abraço, seu choro motivado. Sempre puxando um pouco de mim para si.

- Desculpa, Tenten. É que eu te amo tanto, que ver você falar essas coisas pra mim, me faz ter reações estranhas. – Minhas loucuras eram dela. Minhas peculiaridades eram dela. Pelo menos a grande maioria. Criando entendimentos e, em casos apertados, desentendimentos. Preocupando-se demais com os detalhes, esses que eu nem sabia que existiam, ou me importava. O fato é que ela me buscava, uma pessoa cuja vida nunca precisou dela, nem de seus sermões, choros e brigas, pois ela era, simplesmente, mais do que eu deveria ter.

Gargalhou. – Você é bem maluquinha, hein? Esse lado seu é novo.

- Deve ser esse lugar. – Falei, rindo ardilosamente.

- Deve ser.  – Complementou.

Nossos corações se acalmavam, mas se ligavam em sincronias possantes. O clima que antes estava custoso fluía por nossas temperaturas comuns. O ar ralo invadia-nos com vida. Nossos toques eram efetivos, calorosos e sentimentais. Nossos olhares conversavam entre si, interpretando o mundo peculiar de cada uma.

- Na verdade... Eu que preciso pedir perdão. – As ideias vinham junto com o arrependimento, recordações culposas e emaranhadas. – Não devia ter te envolvido nisso. Se eu tivesse mantido segredo de você...

Abafou minha boca com a mão. – Nem começa, Hina. Vou até parar de pedir desculpas para você. Agora sei o quanto é irritante. – Encabulou-se.

Meu riso saiu abafado. – Não enche. – Tirei sua mão de minha boca.

- Você quem começou. – Ajoelhou-se sobre a cama. Suas mãos apoiavam-se na cintura, seu olhar acusador e pândego.

- Eu? – Apoiei meu corpo sobre os cotovelos erguendo a cabeça, meu cenho franzido.

- Claro.

- As duas malditas vezes foram você, Tenten. Vindo com suas conversas bestas de pedir desculpas.

- Você é irritante, Hinata. Da uma vontade de te chutar. De te bater até não aguentar mais. – Resmungava e praguejava contra mim.

- Falou a melhor pessoa do mundo. – Contrariei, sentando com as pernas cruzadas.

Suspirou impaciente. – Vamos mudar de assunto. Meus pensamentos não estão muito amigáveis.

- Idiota. – Proferi, empurrando-a.

- Oh! Você lembra aquela vez que brigamos por que você estava querendo se desculpar comigo?

- Claro que lembro! Mas foi você quem queria se desculpar. Estávamos atrasadas para a aula, e eu tomei uma bela de uma queda tentando acompanhar você e sua correria.

 Gargalhou. – Minha nossa! Juro que eu não sabia se me acabava de rir, ou se ia te ajudar!

- Quem se acabou foi eu. Meti a cara no chão. Não sei como eu não desmaiei quando eu vi meu sangue.

- Meu Deus! – As palavras sendo interrompidas pela sua risada escandalosa. – Sua posição de bruços foi a melhor. Confesso que me assustei um pouco quando vi seu nariz quebrado.

- Mentira! Você ficou virando o rosto para rir, sua cínica.

Sua risada aumentava, enquanto eu não conseguia segurar a influência da situação pitoresca que Tenten causava.

- Para de rir! – Nossas risadas se findando. Novamente aquele momento. Aquelas sensações passadas de alegria. Nossos risos, nossas dores na bochecha. Tudo fazia lembrar-me do quão bom foram os tempos que passei com ela. Nas expressões de caretas que Tenten fazia, me contaminava com seu jeito, com suas peculiaridades. Características que não mudaram, mas se exacerbou ao longo dos anos.

- Foi mal! – Tentava, ininterrupta, respirar. – Mas foi muito engraçado.

Suspiramos juntas, até o silêncio agradável nos fazer companhia.

- Obrigado. Por tudo. – Falou simplesmente. Não me olhava. Não me decifrava. Seu sorriso permanecia, e seu rosto pareceu estar mais belo. Seu peso foi tirado, e seu esforço de escondê-lo parecia não ser mais inescusável.

- Pelo que? Fiz nada pra... – Parei, interrompida por aquele olhar. Uma gratidão demonstrada da melhor forma possível. Tal como a lógica trabalhando de forma fácil, fluindo com a correnteza da clareza. Os esforços eram sempre destruídos por ela, mostrando a maneira mais banal.

Sorri de volta, encurralada pela sinceridade em sua expressão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Você faltou aula demais, Hinata. Está quase no limite para ser reprovada.

Eu ouvia, entediada, Tsunade me advertindo. Não queria admitir, mas minha paciência estava se esvaindo, deixando tédio naquela imensa diretoria.

- Eu sei. Vou dar um jeito. – Falei, como uma súplica para que aquilo acabasse.

Encarou-me minuciosamente, apoiando o cotovelo na mesa, cruzando os dedos das mãos. Senti-me desconfortável por aquela análise tão severa. Seus olhos perdidos no tempo, travados em mim, observando-me.

- Sei que vai. – Falou, dando um breve suspiro. – Dispensada.

Arriei os ombros, aliviada por ter acabado. Fechei os olhos, suspirando falho, tentando aliviar a tensão que eu sentia.

Saí da diretoria disfarçadamente apressada. Aquela sala, e tudo que me trazia recordações sobre ele, me causavam um mal estar enredado. Minha cabeça sempre teimava em me arrebatar, machucando meus pensamentos em pontadas cruciantes.

Meus suspiros periódicos me faziam vaguear pelos corredores, aérea. Meu olhar perdido, embaçado. Meus passos curtos e sem ânimo, apenas seguindo rumo ao meu quarto, apenas por aptidão.

Senti uma vibração queimar-me. Parei minha caminhada quando percebi que já estava no corredor do meu dormitório. Estava tudo intacto. As paredes cujos marasmos me trateavam, pareciam estar mais novas do que antes. Seu cheiro não jazia mais ali, deixando apenas o vazio.

Encostei-me na parede, arriando até estar sentada no chão frio. Encolhi meus joelhos, apoiando o queixo.

Insignificância.

Era como se todas as minhas tentativas fossem ao fracasso. Uma simples mudança me fez retroceder na vida, tal como a derrota pertinente nos dias de desdita. Tudo tão bagunçado, como os depósitos desentrosados em meu inconsciente.

Suspirei frustrada. Enterrei as mãos em meus cabelos. Estava tudo uma grande droga!

Assustei-me com o vibrar do celular. Balancei levemente a cabeça, obrigando-me a esquecer de tudo aquilo. O celular incomodava minha coxa, irritando-me. Minha paciência estava a parte.

- O que? – Falei, já supondo quem poderia ser. Não queria parecer ignorante, mas as conjunturas se complicaram, criando reações desse arquétipo.

- O que? Pra que essa raiva toda? Levou um fora? – Suspirei. Aquela voz me causava tanta saudade. Era até difícil de aguentar os segundos que se passavam e eu me dava conta de que estávamos tão apartadas.

- Não estou com raiva. Só estou cansada.

- Sei. A faculdade está tão difícil assim? – Perguntou, esboçando preocupação. Hanabi despertava em mim procedências amarrotadas. Meu coração se apertava, e o desejo de companhia me arrodeava, criando lástimas monótonas.

- Está. – Menti.

- Eu falei que você não era tão inteligente assim. Se mandou por que quis. – Falou séria.

Revirei os olhos. – Alguma novidade, irmãzinha?

Ouvi um suspiro desgostoso. – Não. Mas o papai virou o cara mais chato e insuportável do mundo. Não aguento mais.

- O papai? O que há?

Estalou a língua no céu da boca, irritada. – Ele não me deixa sair, Hina. Até me proibiu de conversar com...

Encarei o teto, atenta à voz que soava pelo celular. – Você também é uma chata que só Jesus. Até hoje não sei o que deu em meu pai pra ter você.

- Vai te catar, besta! – Bradou.

Ri sorrateiramente, tirando uma mecha que insistia em incomodar meus olhos. – O que você fez pra ele te tratar assim?

- Nada! Absolutamente nada!

- Hanabi... – Insisti.

- Ah, Hina! Vai se ferrar! Até você está me culpando?

- Papai não é maluco. Ele deve ter algum motivo.

- Pois parece que bateu a cabeça. Não estou entendo ele esses últimos dias. Depois que eu desmaiei ele fechou a cara. E ainda fica me proibindo de...

- Espera. O que? – Balancei a cabeça, quando vi que minha atenção estava distorcida. Levantei penosamente, caminhando pelo corredor até meu dormitório.

- Merda. – Sussurrou. - Falei demais.

- Hanabi! – Tornei-me impaciente.

- Não foi nada demais, Hinata. Foi só um desmaio besta.

- Como assim? Você desmaiou?

Suspirou irritada. – Meu Deus! Você é igualzinha a ele!

- Mas que droga aconteceu ai, Hana?! – Caminhava apressada.

- Que saco! Não sei pra que merda eu fui abrir minha boca! Pareci até que eu morri!

Abri a porta do quarto e entrei pressurosa. Sentei-me ligeiramente na cama. – Isso é perigoso, sua idiota! Um desmaio pode ser fatal!

- Vai se lascar! Que ódio! Fica me tratando parecendo uma criança! Foi só um desmaio idiota!

- Hana...! – Tentei contrapor, mas parei quando percebi minha voz alterada. Fechei os olhos, frustrada, percebendo o quão sem controle eu estava. Relaxei os ombros. Penteei os cabelos com a mão. – Tem certeza de que está bem?

- Tenho! Estou ótima! Uma maravilha! – Bradou aliviada. Gargalhei.

- Sua maluca! Fica me preocupando desse jeito. Você ainda vai me matar.

- Que isso, Hina? Nunca que eu seria capaz disso. Sabe que eu te amo. – Falou sapeca.

- Esse amor eu não desejo nem pro meu pior inimigo.

- Vai à merda! – Gargalhamos. Arriei-me na cama. O celular, já quente, esquentava meu ouvido. Meus olhos perdidos, novamente, no teto do meu quarto. – Hina.

- Que?

- Conversa com o papai.

- Eu? Por quê?

- Tenta convencer a ele a parar de me prender em casa.

- Eu não. Você é uma peste. Tem mais é que ficar em casa mesmo.

- Caramba! Você é a pessoa mais idiota do planeta! Tomara que morra, sua imbecil!

- Viu? Depois quer sair de casa.

Estalou, novamente, a língua no céu da boca. Ri de sua irritação. – Que seja. Como estão as coisas ai?

- Normais. – Respondi, Buscando um sono perdido.

Resmungou alguma coisa. – Deve estar cansada. Vou indo, Hina! Tomara que você perca de ano!

- Vai pra merda, sua... – Fui interrompida pelo corte na ligação, enquanto ouvia sua risada sapeca. Suspirei, como um sorriso gaiato no rosto.

- Era sua irmã?

Sufoquei-me com meu próprio susto. A voz sem melodia penou meus pulmão, que se desesperava por ar. Levantei da cama temerosa e ligeira, respirando lunaticamente. – Gaara!?

 O pavor me apossou quando encarei aqueles olhos. Desgastados e gélidos. Sem vida. Era tão estranho como sua presença era forte, mas passava despercebida. Seu olhar me amedrontava, mas não atraia, não puxava. Um olhar cujo os transcursos lhe trouxeram amargura, deixando rastros de transgressões pelo caminho espinhento.

- Foi mal. – Sua voz sem vida, sem tom. Apenas as vibrações que saiam desordenadas.

- O que faz aqui? – Respirava com dificuldade. Minhas mãos ainda trêmulas. Meus pelos eriçados. Estava completamente assustada. Meus pensamentos sempre teimavam em tomar um rumo inesperado, imaginando sempre o pior de sua presença.

Encarou-me por segundos. Segundos eternos. Sua expressão sempre fria, mesmo que seus olhos entregassem, com escopos íngremes, seu eu verdadeiro. Era aterrorizante quando era observado superficialmente. – Vim obter respostas.

Franzi o cenho. Nossos olhares travados e herméticos. Nossas lutas compósitas, desentendidas por um único motivo. O objetivo. – Eu disse que iria pensar. – Quase gritei.

- Pensar? – Sussurrou, rindo com deboche. Balançou negativamente a cabeça. – Você disse que iria pensar. – Seu punho cerrou-se.

Meus medos nem me fizeram ver que Gaara estava sentado na janela. Seus movimentos, suaves e inimaginavelmente rápidos, fluíram pelo quarto. Dei alguns passos para trás. Estávamos correndo pelo corredor, com sua mão agarrada intensamente em meu braço. Eu me sentia ser arremessada, enquanto Gaara corria, embaçando toda a minha visão.

Quando me dei conta, estava perdida. Parados, entre as nuvens, Gaara me observava com fúria. – Quem você pensa que é?! Acha que tudo isso gira em torno de você?! – Sua voz se misturava com as distorções causadas. Sua expressão furiosa.

O vento forte que bafejava contra nós, balançando nossas roupas, nossos cabelos. Aquela sensação familiar de estar flutuando. O ar denso, que adentrava em minhas narinas com dificuldade, sufocava-me tardiamente.

- Não me faça crer que você é realmente uma inútil, Hinata!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


ENTÃÃÃÃOO!! O que será que GAARA quer com a Hina?!! MEU DEUS DO CÉU!!!
Não aguento mais essa Hina. Fica se acabando pelos cantos. Levanta menina, e vai acabar com o Naruto! Oxe!! Falando nele ele nem apareceu. UHEUEHU
Sasuke filósofo! kkkkk
Aquela fofa da Hanabi!! <3 Amo ela.

Enfim gente! Ai está o capítulo meia boca. Desculpem mesmo por isso, mas estava desesperado pra postar. Já tava rolando uns infartos loucos aqui!! kkkkk

Por favor, vocês sabem o quanto os comentários me motivam. Sem eles os capítulos seriam menores, e postaria de ano em ano!! kkkk
Se gostarem, favoritem, pleeeeease!!

Obrigado por tudo!!
Beijos e abraços!!!


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