História Distance II - Capítulo 14


Escrita por: ~

Visualizações 33
Palavras 2.578
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


We should talk about this long hiatus but
Passei muito tempo longe dessa fanfic, por questões de desgaste. Foram anos, literalmente, a escrevendo, e as ideias esfriaram mesmo que eu já tivesse o plot planejado. Mas ver que a fanfic conquista favoritos até hoje me encorajou a escrever enquanto estive ausente, e agora tenho alguns capítulos pra responder as perguntas nunca respondidas de Distance.

Capítulo 14 - Red Alert


Fanfic / Fanfiction Distance II - Capítulo 14 - Red Alert

Cada segundo que passávamos de frente para aquela porta fazia com que minhas pernas ficassem mais trêmulas. Arrisquei olhar para Ronnie, que encarava a porta fechada em sua frente com uma expressão indecifrável. Era assustador saber que por trás daquelas tantas outras portas daquele corredor estavam pessoas que poderiam ter feito algo como Isis ou até mil vezes pior. Junto disso, a imagem de Isis há minutos atrás parecia ainda me assombrar, fazendo com que todos os nossos momentos juntos grudassem em minha mente acompanhados de risadas altas. Nossas risadas.

Ouvi passos atrás de mim, me virando e enxergando uma mulher de roupas claras, porém com traços grosseiros e nada femininos, se aproximando de nós. Fiquei em dúvida se éramos nós quem ela estava procurando, passando a encarar a parede atrás dela para que meu olhar não encontrasse os seus.

- Senhor e senhora Radke? - Ela parou em minha frente quando finalmente decidi olhar em seus olhos, fazendo Ronnie perceber sua presença. Ri de sua pronunciação completamente errada e sem sotaque do sobrenome de Ronnie, rindo também do modo como ela havia se referido a mim.

- Eu não sou senho... - Eu havia começado a falar, sendo imediatamente cortada pela mulher. 

- Tá. - Ela disse em um tom nada amigável, encarando a prancheta velha que trazia nas mãos. Ronnie continuava olhando para a cara da mulher, como se ignorasse o que ela falava. Ele apenas não entendia.

- Ela me chamou de senhora Radke. - Aproveitei o momento de distração da mulher com o que estava escrito em sua prancheta para falar com Ronnie em seu idioma. 

- Inteligente. - Ele abriu um sorriso em seu rosto como se quisesse me provocar, mas não tive tempo de lançar-lhe uma resposta. 

- Peço desculpas por terem que ficar esperando aqui no corredor. - A mulher voltou a nos olhar. Ronnie disfarçava enquanto encarava o horizonte. - Houve um contratempo em meu caminho e... - Ela pareceu cortar o que falava ao perceber que aquilo era insignificante para nós. 

- Sem problemas. - Abri um sorriso amarelo, voltando a lembrar de quem estava do outro lado da porta.

- Peço que me acompanhem. - Ela nos deu as costas antes mesmo que terminasse de falar, nos fazendo apertar o passo para que continuássemos ouvindo o que ela dizia. - Isis Sobral... - A mulher voltou a ler a prancheta, tamborilando suas unhas nela. Andávamos por corredores que pareciam idênticos. - Personalidade histriônica, transtorno de bipolaridade e atualmente tendo sua sociopatia avaliada. Ela parece dócil, não é? - A mulher se virou para mim com uma expressão simpática, me deixando surpresa.

- Pareceu bem... Calma. - Tive medo de respondê-la, era como se ela fosse saltar em cima de mim e me atacar. 

- Deve estar em um de seus raros dias. - Ela suspirou pesadamente, olhando para sua frente quando entramos em algum lugar que parecia ser uma ala diferente. - Essa menina é um inferno. Se recusa a tudo, dizendo que não deveria estar aqui porque não é louca. - Pude ouvir uma pequena risada de deboche. - Como uma boa profissional, eu não deveria chamá-la assim. Mas não sou. E louca ela é.

Tudo que consegui responder foi um grunhido estranho, olhando para o teto para tentar descobrir o que tanto chamava a atenção de Ronnie naquela tinta branca desbotada para que ele andasse inclinando o rosto. Sua mão apertava meu ombro de um modo exagerado, mas não era como se ele temesse alguma coisa e sim como se quisesse que eu não sentisse medo e, de alguma forma, até que funcionava bem. Tentei me aproximar mais de seu corpo quente sem que isso me impedisse de andar normalmente, fazendo Ronnie perceber minha tentativa e me aconchegar entre seus dois braços, exercendo um esforço maior para andar comigo em sua frente. 
Aquilo fez com que meu coração pesasse por um momento, como se, por mais que parecesse ser um ato inocente, aquilo doesse no fundo de minha alma como uma espécie de traição. Era como se minha mente parecesse se recusar que nem qualquer ato entre mim e Ronnie se direcionava a alguma espécie de vingança contra Andy.

- A sala de visitas. - A mulher disse antes que abrisse uma porta e revelasse uma sala, lembrando-me de certos cenários de filmes. 
Era vazia, cinza e sem vida, com uma mesa de alumínio pequena o bastante para que as pessoas em suas duas pontas diferentes pudessem aproximar até seus rostos se quisessem. As câmeras ao seu redor eram percebíveis, e uma corrente de ar frio que surgia de algum lugar só tornava aquela sala mais sinistra. Puxei um pouco de ar antes de entrar, Ronnie continuava em silêncio ao meu lado e, embora fosse o paraíso estar ao lado de Radke sem que ele abrisse a boca para falar alguma besteira de dois em dois minutos, seu silêncio me incomodava muito. 

- Só porque não fala português não quer dizer que deve me privar de seus comentários. - Olhei para ele, que parecia estudar o ambiente.

- Eu sabia que você não consegue ficar sem os comentários infames de Radke. - Ele sorriu orgulhoso, finalmente me libertando de seus braços quentinhos.

- Nunca disse que não conseguia.

Me esforcei para abrir um sorriso, conseguindo até mostrar meus dentes para Ronnie, antes que ele fosse orientado pela mulher a sentar em uma cadeira consideravelmente longe da mesa no canto da sala. Tive que ajudar Ronnie a entender o que aquela mulher dizia, arrancando olhares de estranhamento que ela lançava para nós dois. Em seguida, fui orientada a sentar em frente a uma das pontas da mesa, escolhendo ficar de frente para a porta aberta.
Fixei meu olhar no relógio solitário em uma das paredes cinzentas e, embora apenas cinco minutos houvessem se passado, onde eu roía minhas unhas sentada naquela cadeira e Ronnie olhava com cara de assustado para a mulher, eu sentia como se já estivesse há uma eternidade naquele lugar.
Me assustei quando o som de passos próximos veio de fora, fazendo meu coração acelerar assim que um homem com roupas de policial entrou na sala, parecendo estudar o que estava dentro dela. Fixei meu olhar nele, quase não percebendo o momento em que Isis entrou na sala, com mais dois policiais segurando seus braços enquanto ela arrastava os pés em chinelos encardidos.

- Vocês realmente precisam apertar meus pulsos assim, babacas? - Sua voz saiu rouca, enquanto ela olhava para os dois homens. Eu estava completamente congelada na cadeira, impossibilitada de fazer qualquer coisa. - Vocês me doparam com uma porrada de tranquilizantes e ainda esperam que eu tenha forças para fazer algo sem ter alguma coisa prendendo meus braços. - Ela rosnou, fazendo os dois homens soltarem seus pulsos. Isis parecia incrivelmente bem e nada perturbada mentalmente, parecendo estar carregada de sua inteligência usual. 

Os dois homens se encostaram na parede da porta, parecendo confiarem o bastante em Isis para deixá-la andar sozinha em direção à cadeira vazia em minha frente. Eu continuava congelada, apenas seguindo com os olhos cada movimento que ela fazia. Ela usava uma espécie de uniforme branco e finalmente pude constatar que seus cabelos estavam realmente grandes como eu havia visto mais cedo. Respirei com dificuldade quando Isis se acomodou na cadeira, apoiando o rosto em suas duas mãos enquanto se inclinava para se aproximar de mim. Fixei meus olhos no dela, vendo um ar sombrio que eu nunca havia percebido antes.

- Quem coloca um passarinho na gaiola nunca consegue ficar muito tempo sem admirar sua beleza. - Ela falou em um tom muito calmo, inclinando a cabeça. Eu não conseguia ver nada de estranho nela para que ela estivesse recebendo tratamentos psicológicos. - Você veio ouvir seu passarinho cantar? - Ela sorriu de um modo assustador.

Eu pensava em responder algo para ela antes de me lembrar de minhas pequenas anotações sobre a tal personalidade histriônica. Aquilo me fez perceber que nem todas as pessoas afetadas psicologicamente agiam como pessoas extremamente retardadas que a sociedade nos apresentava como loucas. Suas duas primeiras palavras já eram um jogo para que afetassem minha própria mente. 

- Nenhum passarinho engaiolado canta mais bonito do que um pássaro livre. - Também me atrevi a me inclinar. - Mas às vezes alguns animais são mantidos em gaiolas porque são irracionais demais.

- Vadia. - Isis rosnou.

- Faz um bom tempo. - Suspirei, me encostando na cadeira de novo. Finalmente me senti mais calma, como se eu tivesse percebido que conversar com Isis não fosse algo tão perturbador assim.

- Um bom tempo que estou aqui por culpa sua.

- De nada. - Tentei abrir um sorriso irônico, apagando-o de meu rosto quando Isis fez uma expressão assombrosa demais para que eu não me sentisse assustada. - Você pode imaginar por que estou aqui?

- Na verdade? Não. - Ela também se jogou no encosto da cadeira. - Pensei que estivesse feliz em ter se livrado de mim de uma vez por todas. Será que visitou Juliet também? - Isis soltou uma risada de deboche.

- Cheguei à conclusão de que eu deveria saber ao menos o motivo.  - Levantei meu olhar para ela novamente.

- O motivo?

- Por que, Isis?

- Depois de tanto tempo? - Ela riu. - Não sabia que a Cristall que me arrancou uma costela no chão de um banheiro fosse covarde.

- Me diga. - A ignorei, cruzando os braços.

- Bom... Não tenho mais nada a perder. - Ela revirou os olhos. - Capítulo um... Dois... Três... - Ela começou a contar com seus dedos.

- Quando você decidiu se voltar contra mim?

- Nunca decidi isso de uma hora pra outra. - Ela fechou a mão, voltando a olhar para meu rosto. - Desde o começo. Desde que a tolinha da Cristall colocou a inocente e doce Isis na posição de baixista da bandinha famosa dela. Você realmente acha que eu iria abrir mão da minha posição de vocalista pra tocar a droga de um baixo? Eu entrei na The Outcasts pra conquistar seu microfone, Cristall. Minha voz é melhor do que a sua, seria uma questão de tempo para que eu te chutasse da banda. Na verdade, estava dando certo quando convenci as garotas que você estava se envolvendo com drogas.

- Você... - Isis despejou as informações sobre minhas costas de forma tão fria que me senti impossibilitada de esboçar qualquer reação. - Então era realmente sua intenção... - Eu não podia me esquecer do momento em que as garotas brigaram comigo no meu primeiro show do Black Veil Brides, ainda em São Paulo. 

- Aquilo iria te afastar das meninas, e devo dizer que você contribuiu bastante quando decidiu sumir com os novos amiguinhos fãs de graxa. - Ela parecia relembrar aqueles momentos com empolgação . - Você é tão vadia que não se importou em viajar sozinha com cinco homens que nem conhecia! - Isis riu alto. - Um deles, aliás, era pra ser meu.

Naquela hora, milhares de flashes pareceram voltar em minha mente.
"- Eu gostaria muito de ser a senhora Biersack nesse momento."

- Mas parece que Andrew preferiu você. Aliás, como todos preferem. - Ela revirou os olhos. - Eu tentei com aquele Jinxx também. Eu não suportava aquela namoradinha fotógrafa metida a bonequina dele. Mas ah, essas pessoas não sabem apreciar o que é bom de verdade. Sempre perfeitinhos com suas namoradas perfeitas.

- É inacreditável saber que você realmente ficou de olho no Andrew. - Ri nervosa. Seria melhor não deixá-la saber do que aconteceu entre a gente.

- Mas a rainha do mundo conseguiu o que queria. - Sabia que Isis se referia a mim, e me senti um pouco culpada. - Você gostaria de ouvir uma grande curiosidade? - Isis levantou seu dedo indicador, parecendo, de uma hora para a outra, empolgada. Balancei a cabeça positivamente, olhando para Ronnie sentado no canto da sala. - Fui eu quem chamei Juliet para o Rio de Janeiro.

- O quê? - Me levantei de forma abrupta da cadeira, chamando a atenção dos policiais. Sentei novamente, minhas costas fazendo um grande impacto na cadeira de alumínio. 

- Você não está aqui para que eu lhe conte a verdade? É o que eu estou fazendo. - Ela pareceu não se importar com minha reação, seus intervalos demorados para piscar os olhos me causando agonia. - Fui procurar saber da vida do Andy e acabei descobrindo Juliet. Entrei em contato com ela com outras intenções, mas me parece que a sua existência lhe despertou um interesse parecido com o meu. - Isis falava pausadamente, como se procurasse as coisas em sua própria mente. - Ela garantia Biersack e eu seu microfone. Uma troca justa, não?

- Por que Juliet era tão obcecada por Biersack? Você... é uma traidora. Mas ela... tudo por um ex namorado. Que a propósito você queria. - Eu dizia sem olhar em seus olhos. 

- Ela queria... - Isis levantou uma das mãos, esfregando o dedo indicador em seu polegar. - ...a conta recheada dele. - Ela jogou a cabeça para trás, rindo alto. - Ela o chantageava com um vídeo que nem existia só pra botar a mão nas contas dele. E bem, eu também repassei um pouco da conta da The Outcasts pra ela.

Fiquei em silêncio por alguns segundos ao tentar assimilar tudo aquilo. De uma hora para a outra, parecia tão óbvio. Tão óbvio o motivo de Juliet aparecer aleatoriamente em um país completamente diferente após tanto tempo longe de Andrew. Isis esteve ao seu lado, sempre esteve.

- Por que, Isis... - Embora eu quisesse parecer forte, meus olhos insistiam em marejar. - Eu sempre te ajudei, eu...

- Você é idiota! - Ela levantou, empurrando sua cadeira para trás e a fazendo cair com um som abrupto no chão, alarmando os policiais que mantiveram-se a postos para contê-la. Eu apenas levantei minha cabeça, tentando enxergar Ronnie, que também parecia preocupado. - Você ajuda todo mundo e não enxerga mais nada. Vai ter uma hora em que você vai perder tudo, Cristall. Uma a uma. 

- Você quem perdeu tudo, Isis. - Me atrevi a colocar meu dedo em seu rosto, fazendo-a esbarrar as pernas na mesa como quem quisesse atravessá-la para chegar até mim. - Você não chegou a lugar nenhum. Você é louca. 

E, em um ato só, apenas senti Isis empurrando a mesa leve para me acertar um soco. Um, mal dado em meu rosto, fez com que eu me desnorteasse, fazendo com que os policiais corressem para segurarem seu braço, embora não tenham sido ágeis o suficiente para impedir Isis de acertar outro soco contra meu peito que me fez cair no chão. A esse ponto, Ronnie já corria até mim e policiais já gritavam no corredor para reforçarem a perda de controle de Isis. Eu apenas apoiei minha cabeça na parede, completamente alheia ao caos que se espalhava naquela sala quando Isis se debatia ao ser presa em uma algema, eu podia sentir o toque de Ronnie tentando me levantar.

- Fique esperta com a sua irmãzinha Eleonora. - Ela virou o pescoço, já sendo carregada pelos policiais enquanto sacudia seus pés que não tocavam mais o chão. - Sua vida não é uma novela, Cristall! Você não a encontrou por acaso! Ela sabia de... - E, assim, sumiu pelo corredor.
 



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